Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo

 

Missa do Dia

25 de Dezembro de 2010

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Nasceu hoje de Maria, J. Santos, NRMS 108

Is 9,6

Antífona de entrada: Um Menino nasceu para nós, um Filho nos foi dado. Tem o poder sobre os seus ombros e será chamado Conselheiro admirável.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A liturgia da Palavra deste Dia de Natal recorda-nos o modo como Deus Se foi manifestando, progressivamente, aos homens.

A incarnação de Jesus, o «Verbo» de Deus, foi a maior das revelações do Pai. Jesus é a luz que ilumina toda a nossa vida. N’Ele se reflecte a glória do Senhor. Por esta vinda podemos desfrutar a alegria de celebrar o começo de um mundo novo que completa os sinais dessa gradual revelação.

Esta luz, todavia, não tem sido muito bem acolhida pelas forças do mal que em nós existem: o egoísmo, a exploração, a opressão, a falta de amor, a injustiça, enfim, o nosso próprio pecado.

Com sincero arrependimento saibamos pedir perdão por essas incoerências, a fim de celebrarmos esta Eucaristia com um coração reconciliado.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que de modo admirável criastes o homem e de modo ainda mais admirável o renovastes, fazei que possamos participar na vida divina do vosso Filho que Se dignou assumir a nossa natureza humana. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Isaías anuncia um Boa Notícia aos judeus exilados na Babilónia: irão regressar e Deus reinará de novo em Sião. A reconstrução, motivo de alegria para o povo, é também sinal da alegria que nos estava reservada com a vinda de Seu Filho Jesus.

 

Isaías 52, 7-10

7Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova, que proclama a salvação e diz a Sião: «O teu Deus é Rei». 8Eis o grito das tuas sentinelas que levantam a voz. Todas juntas soltam brados de alegria, porque vêem com os próprios olhos o Senhor que volta para Sião. 9Rompei todas em brados de alegria, ruínas de Jerusalém, porque o Senhor consola o seu povo, resgata Jerusalém. 10O Senhor descobre o seu santo braço à vista de todas as nações e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus.

 

Esta página maravilhosa de Isaías que se refere à boa nova do fim do desterro trazida a Jerusalém pelos «belos pés do mensageiro que anuncia a paz», serve, na Liturgia de hoje, como de um hino triunfal a Cristo que vem à terra.

10 «O Senhor descobre o seu santo braço». Antropomorfismo que contém uma expressiva e frequente metáfora: o braço designa o poder e a força. Descobrir o braço é manifestar o poder.

 

Salmo Responsorial    Salmo 97 (98), 1.2-3ab.3cd-4.5-6 (R. 3c)

 

Monição: O salmo que vamos recitar é um hino à realeza de Deus que fez maravilhas e deu a conhecer às nações a salvação, a justiça e a fidelidade.

 

Refrão:        Todos os confins da terra

viram a salvação do nosso Deus.

 

Cantai ao Senhor um cântico novo

pelas maravilhas que Ele operou.

A sua mão e o seu santo braço

Lhe deram a vitória.

 

O Senhor deu a conhecer a salvação,

revelou aos olhos das nações a sua justiça.

Recordou-Se da sua bondade e fidelidade

em favor da casa de Israel.

 

Os confins da terra puderam ver

a salvação do nosso Deus.

Aclamai o Senhor, terra inteira,

exultai de alegria e cantai.

 

Cantai ao Senhor ao som da cítara,

ao som da cítara e da lira;

ao som da tuba e da trombeta,

aclamai o Senhor, nosso Rei.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Deus que Se tinha dado a conhecer através da palavra dos profetas, falou definitivamente por Jesus Cristo, Seu Filho, Palavra viva e concreta de Deus, igual em tudo ao Pai.

 

Hebreus 1, 1-6

1Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. 2Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo. 3Sendo o Filho esplendor da sua glória e imagem da sua substância, tudo sustenta com a sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, sentou-Se à direita da Majestade no alto dos Céus 4e ficou tanto acima dos Anjos quanto mais sublime que o deles é o nome que recebeu em herança. 5A qual dos Anjos, com efeito, disse Deus alguma vez: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei»? E ainda: «Eu serei para Ele um Pai e Ele será para Mim um Filho»? 6E de novo, quando introduziu no mundo o seu Primogénito, disse: «Adorem-n’O todos os Anjos de Deus».

 

Hebreus, o célebre escrito doutrinal e exortatório, começam com um prólogo solene que nos situa, sem rodeios, perante a suma dignidade da pessoa de Jesus Cristo, à semelhança do prólogo do Evangelho de S. João. Começa por mostrar que é n’Ele que o Pai nos fala e se revela de modo exaustivo e definitivo, em contraste com toda a revelação anterior, fragmentária, variada e feita numa fase da história da salvação já superada. «Falou-nos por seu Filho», por isso a história da salvação chegou ao seu apogeu e plenitude, de modo que já não há lugar para mais nenhuma revelação ulterior (cf. DV, 4). Como observa S. João da Cruz, o Pai tendo-nos dito a sua própria Palavra, já não tem mais outra palavra para nos dizer (cf. Subida ao Monte Carmelo, 2, 22).

3 «Esplendor da glória de Deus. Fórmula muito expressiva no original, mas dificilmente traduzível em toda a sua riqueza. O Filho é a irradiação da substância do Pai, distinto d’Ele, mas da mesma substância; é «Deus de Deus, luz de luz», como diz o símbolo de Niceia para exprimir a processão, ou origem do Filho no Pai, sendo com Ele um mesmo e único Deus.

«Imagem do ser divino». À letra, «reprodução da sua essência». Mais que imagem, quer significar, no original, a marca deixada pelo sinete no lacre, por um selo branco no papel, ou pela matriz na moeda cunhada. O Filho identifica-se com o Pai, quanto ao ser divino, mas esta imagem põe em evidência sobretudo a distinção de Pessoas na igualdade, como o cunho se distingue do objecto cunhado. A primeira expressão visa mais a identidade da natureza («esplendor», ou luz e irradiação).

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: Hoje é realmente um dia Santo porque Deus nos deu Jesus, a verdadeira luz que ilumina todos os homens. Saibamos escutá-l’O e adorá-l’O.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 1, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Santo é o dia que nos trouxe a luz. Vinde adorar o Senhor.

Hoje, uma grande luz desceu sobre a terra.

 

 

Evangelho *

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São João 1, 1-18          Forma breve: São João 1, 1-5.9-14

1No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, 2Ele estava com Deus. 3Tudo se fez por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito. 4N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens. 5A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam. 16(Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. 7Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. 8Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz.). 9O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. 10Estava no mundo e o mundo, que foi feito por Ele, não O conheceu. 11Veio para o que era seu e os seus não O receberam. 12Mas, àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. 13Estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. 14E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade. 15(João dá testemunho d’Ele, exclamando: «Era deste que eu dizia: ‘O que vem depois de mim passou à minha frente, porque existia antes de mim’». 16Na verdade, foi da sua plenitude que todos nós recebemos graça sobre graça. 17Porque, se a Lei foi dada por meio de Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. 18A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer.)

 

A leitura evangélica de hoje é o prólogo do IV Evangelho, que constitui a chave para uma profunda compreensão de toda a obra do discípulo amado e da Pessoa adorável de Jesus Cristo: Ele é o Verbo incriado, o Deus Unigénito, que assumiu a nossa condição humana e nos oferece a possibilidade de ser filhos de Deus. Discute-se se o Evangelista compôs este texto para encabeçar a sua obra, ou se aproveitou algum hino litúrgico já existente (a que acrescentaria os vv. 6-9.13.15.17-18). Tem a forma dum poema em que os seus 18 versos se podem agrupar em 4 estrofes (vv. 1-5; 6-8; 9-13; 14-18), cada uma com uma ideia central, que se vai ampliando e esclarecendo progressivamente. Este prólogo é como uma solene abertura de uma grande obra musical, onde os grandes temas a desenvolver ao longo do Evangelho começam por ser apontados: o Verbo Incarnado, Luz e Vida dos homens, Messias e revelador do Pai, os testemunhos a seu favor, a resposta humana de aceitação ou de rejeição, bem como as consequências de transcendental importância que tem a dramática alternativa em que o homem é posto perante a pessoa de Jesus.

1 «No princípio». Esta expressão faz-nos pensar no início do Génesis, onde se falava da Primeira Criação, que culminou com a criação do homem; no IV Evangelho fala-se duma Nova Criação, a Redenção operada pelo Verbo Incarnado, que culmina na elevação do homem à dignidade de filho de Deus. A própria noção de «princípio» é diferente em Gn 1, 1 e em Jo 1, 1: lá designava o início do tempo, aqui exprime o princípio absoluto que transcende o tempo e nos situa na própria eternidade de Deus. É muito expressivo o imperfeito de duração do verbo grego «eimi» repetido no v. 1, com três matizes: havia ou existia, estava, era, em contraposição com o aoristo de verbo «gínomai» no v. 3: tudo «foi feito», ao passo que o Verbo «existia», permanecia na existência («havia o Verbo»)! Não é possível fazer uma afirmação mais forte e clara da divindade de Jesus – o Verbo que se fez homem (v. 14) – do que esta frase com que S. João inicia o seu Evangelho: «O Verbo era Deus». Com razão desde os Santos Padres o IV Evangelista é figurado pela águia (cf. Ez 1, 10), pois o seu voo sobe de chofre até às alturas da divindade de Cristo e o seu olhar aquilino penetra nas profundezas do mistério da Pessoa divina de Jesus, no seio da Santíssima Trindade.

3 «Tudo foi feito por Ele». Esta expressão não significa que o Verbo foi o meio ou instrumento de que o Pai se serviu para criar. Ele age juntamente com o Pai e com o mesmo e único poder. A preposição grega «diá» («por») não se usa com genitivo para indicar apenas a causa instrumental; também pode indicar a causa principal como é aqui o caso e em Rom 11, 36. Esta expressão também evidencia que o Verbo não é criatura, uma vez que tudo o que foi feito, foi feito por Ele, em aberto contraste com a sabedoria, que Provérbios e Eclesiástico personificam (Prov 8, 22 ss; Sir 1, 4; 24, 8-9), a qual foi criada e nasceu. Os Padres falam do Verbo como causa exemplar de todas as coisas.

4 «Vida». «Luz». São estes dois dos grandes temas do IV Evangelho (cf. Jo 8, 12; 14, 6). «A Vida era a Luz dos Homens»: o Verbo é a Luz da Vida (Jo 8, 12), Luz que conduz à Vida, Vida que é Luz, e Luz que é Vida. São dois conceitos que caracterizam a esfera da divindade, em oposição antagónica com as trevas, que são o reino de Satanás e seus sequazes. Este antagonismo que está patente ao longo dos escritos paulinos e joaninos, era corrente na literatura da época tanto judaica (em especial de Qumrã), como depois na gnóstica.

5 «As trevas não a receberam». Também se pode traduzir «não a compreenderam», ou «não a dominaram» (tendo em conta o contexto joanino da luta entre a luz e as trevas).

6-8 João não se interessa no seu Evangelho por nos dar a conhecer a vida ou a pregação moral do seu antigo mestre (Jo 1, 37 ss), mas não perde uma ocasião de pôr em realce o seu «testemunho» em favor de Jesus (Jo 1, 16.19.29.35; 3, 27; 5, 33). A insistência, em especial nestes versículos do prólogo (6-8.15) que interrompem o ritmo do poema, concretamente ao dizer que João «não era a Luz», pode dever-se a querer refutar os «joanitas», uma espécie de seita que seguia o Baptista, sem ter chegado a aderir a Cristo (cf. Act 19, 3-4).

9 Este versículo tem diversas traduções legítimas; a litúrgica segue a tradução preferível da Nova Vulgata, ao passo que a Vulgata dizia: «era a luz verdadeira que ilumina todo o homem que vem a este mundo».

10 «Não O conheceu», isto é, não O reconheceu como o Verbo de Deus e Salvador.

11 «Os seus» poderia designar o povo de Israel, enquanto propriedade de Deus (cf. Ex 19, 5; Dt 7, 6), mas parece designar, dado o paralelismo com o v. anterior, a humanidade no seu conjunto. A observação amarga de S. João (cf. Jo 12, 37) não tem vigência só para o dia de Natal (cf. Lc 2, 7) e para aqueles tempos, pois também cada um de nós sempre pode «acolher» melhor a Jesus.

12 «Deu-lhes o poder», isto é, concedeu-lhes a graça, dom e favor inteiramente gratuito que supera as possibilidades de qualquer criatura. «O Filho de Deus fez-se homem, para que os filhos dos homens, os filhos de Adão, se fizessem filhos de Deus... Ele é o Filho de Deus por natureza, nós pela graça» (Santo Atanásio).

13 «E estes». Textos muito antigos e de grande valor têm o singular – «Este» – (adoptado pela Bíblia de Jerusalém) referido a Jesus, indicando assim simultaneamente a concepção e o parto virginal da Santíssima Virgem (um nascimento sem sangue).

14 Duma penada, S. João exprime toda a riqueza do mistério do Natal, sem se deter a narrar os seus pormenores, como S. Lucas. «Fez-se carne» é um hebraísmo para dizer que Se fez homem; de qualquer modo, põe-se o acento no aspecto mortal e passível: o Verbo eterno, a Segunda Pessoa divina, torna-se um de nós, sem deixar de ser Deus, em tudo igual a nós, excepto no pecado (cf. Hbr 4, 15).

«Habitou», literalmente significa: «ergueu a sua tenda no meio de nós». Parece haver aqui uma alusão à presença de Deus no meio do seu povo, na nuvem branca que pairava, no deserto, sobre a Tenda da Reunião. Esta alusão torna-se mais clara, se temos em conta o texto original grego – «eskénôsen» (ergueu a tenda) – que tem uma certa assonância com «xekhiná» a presença de Deus no meio do Povo (cf. Ex 40, 34-38). Esta presença misteriosa, mas real, continua-se na Santíssima Eucaristia, «Incarnação continuada».

A «Glória» do Verbo incarnado, que S. João e os demais viram, é a manifestação externa da sua divindade: os seus milagres, a sua transfiguração, a sua ressurreição, etc..

«Filho Unigénito». S. João, ao longo de todo o seu Evangelho, tem o cuidado de sempre reservar um termo grego para designar Jesus como Filho do Pai – yiós –, usando outra palavra para se referir a nós, enquanto filhos de Deus: téknon (cf. v. 12). Nós «tornamo-nos» filhos de Deus, (v. 12), ao passo que Jesus é o Filho por natureza, igual ao Pai, o «Unigénito» (vv. 14.18). O termo «Unigénito» (muitos traduzem por «Único») presta-se a exprimir o que a Teologia veio a explicitar como a «geração» eterna, intelectual e única do Verbo no Pai.

«Cheio de graça e de verdade». S. João aplica ao Verbo incarnado a mesma definição que Yahwéh dá de Si mesmo a Moisés em Ex 34, 6: «Deus de muito amor e fidelidade». Por um lado, é mais uma referência à divindade de Cristo, por outro, põe em relevo as qualidades que resumem a grandeza do seu Coração de «pontífice misericordioso e fiel» (Hebr 2, 17).

16 «Graça sobre graça», isto é, graças em catadupa, umas atrás das outras, procedentes da plenitude de Cristo, como duma fonte inexaurível (cf. Jo 7, 37-39), ou também, como pensam alguns, «graça após graça», ou «graça em vez de graça» (Cristo-Moisés, Antiga-Nova Aliança), ou ainda «graça correspondente à graça» (a do Verbo: graça criada-graça incriada).

17 «Jesus Cristo» é aqui identificado explicitamente com o Verbo. A Lei mosaica limitava-se a dar normas, mas só por si não podia salvar ninguém, só a graça que Cristo nos trouxe a salvação.

18 «A Deus nunca ninguém O viu. Todas as «visões» de Deus eram indirectas, pois o homem não pode ver a Deus sem morrer (cf. Ex 19, 21; Is 6, 5), mas em Jesus temos a máxima manifestação de Deus à criatura nesta vida, a tal ponto que, mesmo sem contemplarmos a essência divina, quem vê a Jesus vê o Pai (Jo 14, 9). Com a Incarnação do Verbo temos a maior revelação de Deus à Humanidade.

«O Filho Unigénito, que está no seio do Pai». Outra variante possível na transmissão do texto original: «Deus Unigénito» (adoptada pela Nova Vulgata).

 

Sugestões para a homilia

 

Deus manifestou-Se progressivamente aos homens

A maior revelação de Deus foi a encarnação do «Verbo»

Sinal da alegria da humanidade

Deus manifestou-Se progressivamente aos homens

Para além de muitas outras maneiras das pessoas se entenderem, o modo mais importante de o fazerem é através de palavras. Assim aconteceu com a forma de Deus Se fazer entender, dar-Se a conhecer e manifestar o Seu amor aos homens.

O autor da segunda leitura deste dia explica-nos que Deus usa de muitos modos para manifestar aos homens o seu amor. Fala através da criação: por todos os fenómenos da natureza, no sol que nasce, na chuva, no movimento harmonioso dos astros no firmamento e em todos os acontecimentos. Através de tudo isto os homens percebem uma mensagem do Alto.

Mas esta forma de Deus comunicar com os homens é a menos perfeita. O povo de Israel, todavia, através dos profetas teve o privilégio de ouvir a voz do Senhor, para dar a conhecer a Sua mensagem de uma forma mais clara.

Continuava, porém, a ser imperfeita tal maneira de Se revelar.

Então, Deus enviou o seu próprio Filho, a sua «Palavra», o seu «Verbo». Jesus é a revelação mais perceptível, convincente e verdadeira da pessoa de Deus Pai, e o Evangelho de hoje explica-nos o porquê.

A maior revelação de Deus foi a encarnação do «Verbo»

S. João diz-nos que o Filho de Deus, feito homem em Jesus, existia já antes que o mundo fosse criado. Ele chama ao Filho de Deus «Verbo» que quer dizer «Palavra» e, como vimos, a palavra serve para comunicar alguma coisa aos outros. João ensina-nos que o Filho de Deus é a Palavra do Pai. Há dois mil anos, a palavra de Deus fez-Se carne, assumindo a nossa natureza. Fez-Se um como nós, falou a nossa língua, e assim pôde dizer-nos quem era o Pai, o que representamos nós para Ele e qual era o seu projecto para a humanidade.

Para conhecer o Pai basta olhar para Cristo, observar o que Ele faz, o que diz, o que ensina, como se comporta, como ama, quem escolhe, com quem participa nas suas refeições, quem prefere, a quem corrige, a quem defende... porque é assim que o Pai faz. Diz-nos, sobretudo, o quanto Deus ama os homens e como gosta de ficar na nossa companhia. Salva-nos e não nos deseja castigar. Por isso, «o Verbo Se fez carne e veio habitar entre nós». Dito de uma outra maneira: Deus quis edificar a Sua morada para habitar no meio de nós, connosco. Veio como luz para iluminar a escuridão em que nos encontrávamos. Todavia, esta luz não foi aceite pacificamente no mundo. As forças do mal que existem em nós: egoísmo, exploração, opressão, injustiça, a que denominamos pecado, não a conseguem apagar. Ela continuará a iluminar-nos até à Páscoa definitiva que nos está já garantida pela própria Páscoa de Cristo, sinal da grande alegria para toda a humanidade.

Sinal da alegria da humanidade

A libertação da Babilónia, de que nos fala o profeta Isaías na primeira leitura, era somente a imagem da libertação plena que Deus iria realizar no futuro e que provocaria uma alegria universal e incontrolável.

Mas, dirão: o Messias já veio e não vislumbramos a realização dessa profecia.

É certo que não vemos senão uma realização imperfeita da libertação prometida. Todavia, continuamos a acreditar esperando confiadamente em Deus, embora apenas consigamos perceber alguns sinais de salvação. Temos, porém, uma certeza: o novo reino já começou com a vinda de Jesus e nós fomos constituídos vigilantes que perceberam ao longe esta vinda e a procuramos anunciar a todos.

Saibamos despertar em todos os que nos rodeiam esta explosão de alegria que supera as manifestações unicamente pagãs de uma troca desenfreada de presentes e fazem esquecer a verdadeira alegria da vinda até nós do Messias de Deus, portador da salvação para toda a humanidade.

 

 

Oração Universal

 

Hoje o Senhor vem de novo até nós

em forma de Palavra, de luz, de notícia.

Criemos espaço para O receber

e apresentemos-Lhe as nossas intenções,

dizendo (ou cantando):

 

Senhor, abre o nosso coração à Tua Palavra.

 

1.    Pelo Santo Padre, Bispos, Presbíteros e Diáconos,

para que constantemente nos recordem

que o Verbo é a luz da nossa vida,

oremos, irmãos.

 

2.    Para que as nossas comunidades cristãs

saibam acolher com verdadeira fé e esperança

a vinda do Senhor Jesus,

oremos, irmãos.

 

3.    Para que todos nós aqui presentes

saibamos reavivar a consciência

de sentinelas privilegiadas,

para indicar ao mundo a alegria

do início do novo reino anunciado,

oremos, irmãos.

 

4.    Para que reacendamos

as atitudes de fraternidade, amor

solidariedade e prática da verdadeira justiça social,

oremos, irmãos.

 

5.    Para que saibamos tirar de nós

todos os sintomas de paganismo

que acompanham esta quadra natalícia,

a fim de vivermos o verdadeiro espírito de Natal,

oremos, irmãos.

 

6.    Para que estejamos preparados

e vigilantes para anunciar

a palavra de Jesus Nosso Senhor,

como vinda do Verbo de Deus

para habitar no meio dos homens,

oremos, irmãos.

 

Senhor, nosso Deus e nosso Pai,

há tantos anos que já celebramos a Tua vinda

e o Teu nascimento no nosso meio,

com a chegada de Teu Filho Jesus.

Por Seu intermédio, faz, Senhor,

que este ano seja o do Teu acolhimento definitivo

nas nossas vidas e inunda-nos

da Tua palavra dinamizadora.

Isto Te pedimos por intermédio do Teu Verbo

e do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Monição do ofertório

 

As oferendas, que pelas mãos do sacerdote apresentamos, fruto do nosso trabalho, sirvam para tornar presentes os dons com que somos quotidianamente cumulados e estimule em nós a saída da rotina, lançando-nos no caminho dos que mais sofrem e necessitam da Tua presença.

 

Cântico do ofertório: Chegou a hora mais alta, M. Faria, NRMS 44

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, a oblação que Vos apresentamos neste dia solene de Natal, em que nasceu para nós a verdadeira paz e reconciliação e se instituiu entre os homens a plenitude do culto divino. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio do Natal: p. 457 [590-702] ou 458-459

 

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Também nas Orações Eucarísticas II e III se faz a comemoração própria.

 

Santo: A. Cartageno, NRMS 99-100

 

Monição da Comunhão

 

Que esta comunhão eucarística nos ajude a abrir os nossos ouvidos, a encher-nos da Tua mensagem, a abraçar a Tua maneira de estar no mundo, a comprometermo-nos conTigo a construir o Teu Reino e a dar-Te espaço nesta sociedade onde parece que já não tens lugar, porque incomodas e nos questionas.

 

Cântico da Comunhão: O Verbo fez-se Carne, Az. Oliveira, NRMS 47 e 52

Salmo 97, 3

Antífona da comunhão: Todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus.

 

Cântico de acção de graças: Exultemos de alegria no Senhor, J. Santos, NRMS 56

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos pedimos, Deus misericordioso, que o Salvador do mundo hoje nascido, assim como nos comunicou a sua vida divina, nos faça também participantes da sua imortalidade. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A Palavra escutada e assimilada reavive em nós o desejo de criar um espaço no nosso coração, para que o Verbo de Deus penetre bem dentro dele e nos estimule a arrancar-nos das trevas da rotina, do comodismo e da insensibilidade. Invade-nos e dinamiza-nos com a Tua Palavra, para que nada Te possa erradicar da alegria do Teu nascimento e da vinda do Reino novo que inauguraste para a nossa salvação definitiva.

 

Cântico final: Cantem, cantem os Anjos, M. Faria, NRMS 56

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         António Elísio Portela

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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