4º Domingo do Advento

19 de Dezembro de 2010

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Erguei-vos que vem o Senhor, F da Silva, NRMS 39

Is 45, 8

Antífona de entrada: Desça o orvalho do alto dos Céus e as nuvens chovam o Justo. Abra-se a terra e germine o Salvador.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A figura central da liturgia deste Domingo é a Santíssima Virgem Maria. Ninguém como Ele preparou o Nascimento de Jesus. Unamo-nos a Ele a fim de nos prepararmos para esta celebração, que não só evoca a entrega de Jesus, mas que a torna presente no altar. O primeiro que temos de fazer é pedir o perdão dos nossos pecados. (pausa)

Arrependidos, confessemos que somos pecadores.

 

Oração colecta: Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas, para que nós, que pela anunciação do Anjo conhecemos a encarnação de Cristo vosso Filho, pela sua paixão e morte na cruz alcancemos a glória da ressurreição. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Monição: A profecia Isaías sobre a virgem que conceberá e dará à luz um filho encontra a sua mais plena realização na narrativa do Evangelho de hoje, ao contar como, por virtude do Espírito Santo, a Virgem Maria concebeu a Jesus no seu seio virginal. Ele é verdadeiramente o Emanuel, o Deus connosco, o Senhor, como lhe chama S. Paulo na sudação inicial da carta aos Romanos que temos na 2ª leitura.

 

 

Primeira Leitura

 

Isaías 7, 10-14

Naqueles dias, 10o Senhor mandou ao rei Acaz a seguinte mensagem: 11«Pede um sinal ao Senhor teu Deus, quer nas profundezas do abismo, quer lá em cima nas alturas». 12Acaz respondeu: «Não pedirei, não porei o Senhor à prova». Então Isaías disse: 13«Escutai, casa de David: Não vos basta que andeis a molestar os homens para quererdes também molestar o meu Deus? 14Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel».

 

O contexto histórico deste oráculo isaiano é o da conjura dos reis de Israel e de Damasco para destronarem Acaz, o rei de Judá.

10-12 Como prova de que o rei Acaz não virá a ser destronado e substituído pelo filho de Tabel, estranho à linhagem davídica, o profeta Isaías propõe ao rei que peça um sinal divino, o mais extraordinário que seja (cf. v. 11). O rei, com hipócrita religiosidade, nega-se a pedir esse sinal, porque não acredita em sinais, em coisas sobrenaturais. Foi por esta ocasião – o que não quer dizer exactamente no mesmo momento – que o Profeta, dirigindo-se à linhagem (casa) de David, anunciou que o Senhor dará um sinal verdadeiramente extraordinário e que o trono de David se consolidará eternamente (cf. 1 Sam 7, 16).

14 Esse «sinal» é «a virgem que concebe». Muito se tem discutido e escrito sobre este sinal. Uma coisa é certa, é que o crente não pode prescindir de algum sentido messiânico (directo ou indirecto) desta célebre passagem isaiana. De facto, a própria exegese bíblica mostra que estamos no chamado «Livro do Imanuel» (Is 7 – 12), uma secção de carácter vincadamente messiânico por apontar para um descendente de David em quem se concentram as promessas da salvação de Deus, o Imanuel (o Deus connosco); embora, em primeiro plano, possa ser visado o próprio filho do rei Acaz, Ezequias, ele é considerado uma figura ou tipo do Messias. A tradução grega dos LXX (inspirada por Deus?) utilizou um termo específico para designar a virgindade desta mãe, chamando-a parthénos, quando o termo hebraico original não designa mais que a sua idade juvenil: ‘almáh. A célebre tradução grega em que se apoiavam os primeiros apologistas cristãos para demonstrarem aos judeus que Jesus é o Messias prometido, veio a ser rejeitada pelos judeus, que a substituíram por outras versões (ou antes adaptações gregas: Áquila, Símaco e Teodocião) e o dia festivo para comemorar a tradução dos LXX passou a ser um dia de luto. A interpretação mais tradicional defende o sentido literal (não se contentando com o sentido chamado típico ou pleno, suficientes para se garantir o sentido messiânico da passagem) e faz finca-pé em que Deus tinha oferecido pelo Profeta um sinal prodigioso, e eis que o dá; ora esse sinal só é prodigioso se a concepção e o nascimento do Menino acontece sem destruir a virgindade da Mãe; aliás é ela a pôr o nome ao filho, coisa que pertence sempre ao pai (que aqui não aparece). O próprio nome do filho insinua a sua divindade, «Deus connosco»: é a mesma personagem extraordinária anunciado em Is 9, 5-6: «Deus forte, príncipe da paz...». Mt 1, 23 (o Evangelho de hoje) e toda a tradição cristã e o próprio magistério da Igreja levam a ver nesta passagem uma referência «ao parto virginal da Mãe de Deus e ao verdadeiro Emanuel, Cristo Senhor» (Pio VI). Não é, porém, agora aqui o lugar para entrar em mais discussões exegéticas de pormenor.

 

Salmo Responsorial    Salmo 23 (24), 1-2.3-4ab.5-6 (R. 7c e 10b)

 

Refrão:        Venha o Senhor: é Ele o rei glorioso.

 

Ou:               O Senhor virá: Ele é o rei da glória.

 

Do Senhor é a terra e o que nela existe,

o mundo e quantos nele habitam.

Ele a fundou sobre os mares

e a consolidou sobre as águas.

 

Quem poderá subir à montanha do Senhor?

Quem habitará no seu santuário?

O que tem as mãos inocentes e o coração puro,

que não invocou o seu nome em vão nem jurou falso.

 

Este será abençoado pelo Senhor

e recompensado por Deus, seu Salvador.

Esta é a geração dos que O procuram,

que procuram a face do Deus de Jacob.

 

Segunda Leitura

 

Romanos 1, 1-7

1Paulo, servo de Jesus Cristo, apóstolo por chamamento divino, escolhido para o Evangelho 2que Deus tinha de antemão prometido pelos profetas nas Sagradas Escrituras, 3acerca de seu Filho, nascido da descendência de David, segundo a carne, 4mas, pelo Espírito que santifica, constituído Filho de Deus em todo o seu poder pela sua ressurreição de entre os mortos: Ele é Jesus Cristo, Nosso Senhor. 5Por Ele recebemos a graça e a missão de apóstolo, a fim de levarmos todos os gentios a obedecerem à fé, para honra do seu nome, 6dos quais fazeis parte também vós, chamados por Jesus Cristo. 7A todos os que habitam em Roma, amados por Deus e chamados a serem santos, a graça e a paz de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.

 

A leitura corresponde à saudação inicial da Carta aos Romanos, em que Paulo se apresenta aos cristãos residentes em Roma a quem pretende visitar (cf. vv. 10-15). Apresenta-se na sua qualidade de «Apóstolo por chamamento divino, escolhido» por Deus para pregar aos gentios o Evangelho de Jesus Cristo, deixando claro desde o início (v. 4) a natureza humana do Filho de Deus, «da descendência de David segundo a carne (katà sárka)» e a sua natureza divina, «constituído Filho de Deus em todo o seu poder pela sua ressurreição». Convém ter presente que não foi a ressurreição que O tornou Filho de Deus, mas foi esta que lhe garantiu o pleno exercício de «todo o seu poder» que lhe compete como Filho de Deus e que manifestou o que Ele é, Filho de Deus «segundo o Espírito (katà pneûma) de santificação», isto é, «quanto ao seu ser animado pelo Espírito da santidade divina», uma forma de aludir à sua condição divina (e não ao Espírito Santo, a Terceira Pessoa Trinitária), como fica claro pela contraposição: «segundo a carne» (katà sárka) – «segundo o Espírito» (katà pneûma). Ainda que se possa ver nestas formulações da fé o reflexo de uma cristologia primitiva, dita «baixa», e ainda não suficientemente desenvolvida, mais existencial do que essencial, a verdade é que os títulos com que Jesus Cristo é aqui designado – «Filho» e «Senhor» – são suficientemente expressivos da fé na natureza divina de Jesus possuída antes da ressurreição (cf. Rom 8, 3; Gal 4, 4-5; Filp 2, 6; Col 1, 15).

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 1, 23

 

Aleluia

 

Cântico: J. Duque, NRMS 21

 

A Virgem conceberá e dará à luz um Filho,

que será chamado Emanuel, Deus connosco.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 1, 18-24

18O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. 19Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. 20Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». 22Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do Profeta, que diz: 23«A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’». 24Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa.

 

S. Mateus centra o seu relato do nascimento de Jesus na figura de S. José (S. Lucas na de Maria), com uma clara intencionalidade teológica de apresentar Jesus como o Messias, anunciado como descendente de David. Isto é posto em evidência logo de início: «Genealogia de Jesus Cristo (=Messias), Filho de David» (v. 1). Como a linha genealógica passava pelo marido, é a de José que é apresentada. Os elos são seleccionados para que apareçam três séries de 14 nomes, obedecendo a uma técnica rabínica, chamada gematriáh, ou recurso ao valor alfabético dos números; assim o número 14, reforçado pela sua tripla repetição – «catorze gerações» – (no v. 17), sugere o nome de David, que em hebraico se escreve com três consoantes (em hebraico não se escrevem as vogais) que dão o número catorze ([D=4]+[V=6]+[D=4]=14). A concepção virginal antes de ser explicada e justificada pelo cumprimento das Escrituras (vv. 18-25), é logo anunciada na genealogia, que precede imediatamente a leitura de hoje, pois para todos os seus elos se diz «gerou», quando para o último elo não se diz que «gerou», mas: «José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus» (v. 16, à letra «da qual foi gerado – entenda-se, por Deus – Jesus»).

18 «Antes de terem vivido em comum»: Maria e José já tinham celebrado os esponsais (erusim), que tinham valor jurídico de um matrimónio, mas ainda não tinham feito as bodas solenes (nissuim ou liqquhim), em que o noivo trazia festivamente a noiva para sua casa, o que costumava ser cerca de um ano depois.

«Encontrava-se grávida por virtude do Espírito Santo»: isto conta-se em pormenor no Evangelho de S. Lucas (1, 26-38), lido na festa da Imaculada Conceição (ver comentário então feito). Ao dizer-se «por virtude do Espírito Santo», não se quer dizer que o Espírito Santo desempenhou o papel de pai, pois Ele é puro espírito. Também isto nada tem que ver com os relatos mitológicos dos semideuses, filhos dum deus e duma mulher. Além do mais, é evidente o carácter semítico e o substrato judaico e vétero-testamentário das narrativas da infância de Jesus em Mateus e Lucas; ora, nas línguas semíticas a palavra «espírito» (rúah) não é masculina, mas sim feminina. Isto chegava para fazer afastar toda a suspeita de dependência do relato relativamente aos mitos pagãos. Por outro lado, na Sagrada Escritura, Deus nunca intervém na geração à maneira humana, pois é espiritual e transcendente: Deus não gera criaturas, Deus cria-as. As narrativas de Mateus e Lucas têm tal originalidade que excluem qualquer dependência dos mitos.

19 «Mas José, seu esposo…». Partindo do facto real e indiscutível da concepção virginal de Jesus, aqui apresentamos uma das muitas explicações dadas para o que se passou. A verdade é que não dispomos da crónica dos factos, pois a intenção do Evangelista era primordialmente teológica, embora sem inventar histórias, pois em face dos dados das suas fontes nem sequer disso precisava. Do texto parece depreender-se que Maria nada tinha revelado a José do mistério que nela se passava. José vem a saber da gravidez de Maria por si mesmo ou pelas felicitações do paraninfo (o «amigo do esposo»), e o que devia ser para José uma grande alegria tornou-se o mais cruel tormento. Em circunstâncias idênticas, qualquer outro homem teria actuado drasticamente, denunciando a noiva ao tribunal como adúltera. Mas José era um santo, «justo», por isso, não condenava ninguém sem ter as provas evidentes da culpa. E aqui não as tinha e, conhecendo a santidade singular de Maria, não admite a mais leve suspeita, mas pressente que está perante o sobrenatural, já sentido por Isabel… (ou não teria tido alguma iluminação divina acerca da profecia de Isaías 7, 14). Então só lhe restava deixar Maria, para não se intrometer num mistério em que julga não lhe competir ter parte alguma. É assim que «resolveu repudiá-la em segredo», evitando, assim, «difamá-la» (colocá-la numa situação infamante) ou simplesmente «tornar público» («deigmatísai») o mistério messiânico. Mas podemos perguntar: porque não interrogava antes Maria para ser ela esclarecer o assunto? É que pedir uma explicação já seria mostrar dúvida, ofendendo Maria; a sua delicadeza extrema levá-lo-ia a não a humilhar ou deixar embaraçada. E porque razão é que Maria não falou, se José tinha direito de saber do sucedido? Mas como é que Maria podia falar de coisas tão colossalmente extraordinárias e inauditas?! Como podia provar a José a Anunciação do Anjo? Maria calava, sofria e punha nas mãos de Deus a sua honra e as angústias por que José iria passar por sua causa; e Deus, que tinha revelado já a Isabel o mistério da sua concepção, podia igualmente vir a revelá-lo a José. De tudo isto fica para nós o exemplo de Maria e de José: não admitir suspeitas temerárias e confiar sempre em Deus.

20 «Não temas receber Maria, tua esposa». O Anjo não diz: «não desconfies», mas: «não temas». Segundo a explicação anterior, José deveria andar amedrontado com algo de divino e misterioso que pressentia: julga-se indigno de Maria e decide não se imiscuir num mistério que o transcende. Como explica S. Bernardo, S. José «foi tomado dum assombro sagrado perante a novidade de tão grande milagre, perante a proximidade de tão grande mistério, que a quis deixar ocultamente... José tinha-se, por indigno...». Segundo alguns exegetas modernos (Zerwick), o texto sagrado poderia mesmo traduzir-se: «embora o que nela foi gerado seja do Espírito Santo, Ela dar(-te-)á à luz um filho ao qual porás o nome de Jesus, exercendo assim para Ele a missão de pai». Assim, o Anjo não só elucida José, como também lhe diz que ele tem uma missão a cumprir no mistério da Incarnação, a missão e a dignidade de pai do Salvador. Comenta Santo Agostinho: «A José não só se lhe deve o nome de pai, mas este é-lhe devido mais do que a qualquer outro. Como era pai? Tanto mais profundamente pai, quanto mais casta foi a sua paternidade... O Senhor não nasceu do germe de José. Mas à piedade e amor de José nasceu um filho da Virgem Maria, que era Filho de Deus».

23 «Será chamado Emanuel». No original hebraico de Isaías 7, 14, temos o verbo no singular (forma aramaica para a 3ª pessoa do singular feminino: weqara’t referido a virgem, que é a que põe o nome = «e ela chamará»). Mateus, porém, usa o plural, que não aparece na tradução litúrgica, (kai kalésousin: «e chamarão»), um plural de generalização, a fim de que o texto possa ser aplicado a S. José, para pôr em evidência a missão de S. José, como pai «legal» de Jesus (notar que a célebre profecia isaiana, ao dizer que seria a virgem a pôr o nome ao seu filho até parece prestar-se a significar que este não nasceria de germe paterno). Mateus, em face do papel providencial desempenhado por S. José, não receia adaptar o texto à realidade maravilhosa muito mais rica do que a letra do anúncio profético. Contudo, esta técnica do Evangelista para «actualizar» um texto antigo (chamada deraxe) não é arbitrária, pois baseia-se na regra hermenêutica rabínica chamada al-tiqrey («não leias»), a qual consiste em não ler um texto consonântico com umas vogais, mas com outras (o hebraico escrevia-se sem vogais). Neste caso, trata-se de «não ler» as consoantes do verbo (wqrt) com as vogais que correspondem à forma feminina (tanto da 3ª pessoa do singular na forma aramaica, como da 2ª pessoa do singular da tradução dos LXX: weqara’t «e tu chamarás»), mas de ler com as vogais que correspondem à 2ª pessoa do singular masculino (weqara’ta «e tu chamarás» – em hebraico há diferentes formas masculina e feminina para as 2ª e 3ª pessoas dos verbos). Como pensa Alexandre Díez Macho, «com este deraxe oculto, mas real, Mateus confirma as palavras do anjo do Senhor no v. 21: «e (tu, José) o chamarás».

Eis, a propósito, o maravilhoso comentário de S. João Crisóstomo, apresentando Deus a falar a José: «Não penses que, por ser a concepção de Cristo obra do Espírito Santo, tu és alheio ao serviço desta divina economia; porque, se é certo que não tens nenhuma parte na geração e a Virgem permanece intacta, não obstante, tudo o que pertence ao ofício de pai, sem atentar contra a dignidade da virgindade, tudo to entrego a ti, o pôr o nome ao filho. (...) Tu lhe farás as vezes de pai, por isso, começando pela imposição do nome, Eu te uno intimamente com Aquele que vai nascer» (Homil. in Mt, 4).

25 «E não a tinha conhecido...». S. Mateus pretende realçar que Jesus nasceu sem prévias relações conjugais, mas por um milagre de Deus. Quanto à posterior virgindade o Evangelista não só não a nega, como até a parece insinuar no original grego, ao usar o imperfeito de duração («não a conhecia») em vez do chamado aoristo complexivo como seria de esperar, caso quisesse abranger apenas o tempo até ao parto (Zerwick). Uma tradução mais à letra seria «até que Ela deu à luz», em vez de: «quando Ela deu à luz». De qualquer modo, esta afirmação não significa que depois já não se verificasse o que até este momento acontecera, como é o caso de Jo 9, 18.

 

Sugestões para a homilia

 

Ao aproximar-se o Natal, a Santa Igreja quer que nos fixemos numa figura verdadeiramente singular, que não se pode entender se prescindimos do mistério de Deus, que se faz homem no seio da Virgem de Nazaré. É assim que a figura de São José aparece no centro do Evangelho de hoje. Ele ensina-nos a relacionar-nos com o mistério do Deus infinito, que se revela numa criancinha desvalida, deitada numa manjedoira. Nunca entenderemos esta extraordinária personagem, se a vemos como um homem à procura da sua realização pessoal, num afã do seu bem-estar e de satisfação de uns sonhos terrenos. Ele é o modelo dum homem de Deus, que o evangelista classifica de «justo», para nos dizer que era alguém que tinha como objectivo de toda a sua vida adequar-se perfeitamente à vontade de Deus, expressa não apenas na sua Lei, mas em cada circunstância da vida real. Nunca meditaremos suficientemente a grandeza deste homem que prescinde da dimensão carnal dum matrimónio em que estava comprometido, para viver a alegria da entrega num matrimónio virginal, em que a sua esposa prometida se tornara nem mais nem menos do que a própria Mãe de Deus!

Terminamos hoje o primeiro ciclo de homilias doutrinais que retomaremos mais adiante, nos Domingos da Quaresma. Diante da Palavra de Deus que se revela – vimos hoje uma revelação a José – só pode haver, da parte do homem uma atitude humilde de aceitação e agradecimento. Diante da transcendência de Deus o homem sente a sua pequenez e cai de joelhos em adoração e louvor. A própria História das Religiões nos deixa ver que, mesmo nos cultos mais degradados, se verificam as atitudes religiosas fundamentais, como a adoração, a oferta e o sacrifício, o sacerdócio, a oração e a acção de graças, etc., mesmo quando confundiam Deus com as diversas forças da Natureza.

 

1.  Quem é Deus?

A pergunta que se põe ao espírito humano sobre quem é Deus, encontrou as mais diversas respostas. A revelação judaica e cristã projectou uma luz nova sobre quem é Deus. Ele é absolutamente superior e transcendente e existe por si mesmo, sem depender de nada nem de ninguém, não estando à mercê de actos de magia que O possam dominar, ou adivinhar o quem Ele tem nos seus desígnios. Por outro lado, o homem não está condenado a um destino fatal, mas é objecto duma providência carinhosa de Deus, «um Deus que sai ao seu encontro e procura o homem para lhe falar como a um amigo» (cf. Ex 33, 11).

É assim que Deus revela a Moisés o seu nome: «Eu sou Aquele que sou».  Esta fórmula encerra o mistério de quem é Deus. Analisemos brevemente qual o alcance desta revelação.

Dizer que Deus tem nome é uma maneira de dizer que Deus não é uma força anónima, mas que é Alguém que se dá a conhecer, que quer que tenhamos uma relação pessoal com Ele. Ao revelar o seu nome, Deus não quer dar uma «etiqueta», ou uma designação para se distinguir de outras coisas, ou de outros deuses, pois Ele é único!

Deus revelou-se progressivamente e sob diversos nomes (ver por ex. Gen 17,1; 35,11), mas a expressão Eu sou Aquele que sou indica também a sua fidelidade à aliança de amor para proteger o povo.

A reflexão teológica sobre este nome leva a considerar que Deus possui a plenitude do ser e toda a perfeição: Deus existe por si mesmo; é da sua essência o existir, ao contrário de todos os serres, cuja existência é dependente e podendo ser ou não ser. É por isso que é absurda a pergunta infantil: quando e como é que Deus começou a existir? Ele é o único ser necessário, que não pode deixar de existir e sem o qual nada poderia vir à existência.

Jesus ensinou-nos a tratar a Deus com o nome de Pai e não com o nome de Yahwéh; «Quando rezardes, dizei: Pai» (Lc 11, 3; cf. Mt 6, 9). O próprio Jesus usava a designação carinhosa e familiar: Abbá (papá).

Como ensina o Catecismo da Igreja Católica, «crer em um só Deus leva-nos a voltar-nos para Ele só, como para Aquele que é a nossa primeira origem e o nosso último fim; leva-nos a nada preferir a Ele, e a não O substituirmos por nada.

Conta-se que o grande santo teólogo, Tomás de Aquino, quando ainda era muito criança, costumava perguntar, uma vez e outra, ao seu mestre no Montecassino: quem é Deus? Expliquem-me o que é Deus, que eu não O vejo! E acabou por compreender que, para conhecer a Deus, não bastavam os mestres e os livros, mas que é preciso que a alma O procure de verdade, que se entregue a Ele de coração puro e humilde e dialogue com Ele numa oração intensa e continuada.

Note-se que Deus, mesmo quando se revela, continua a ser um mistério inefável: «Se O compreendesses, Ele não seria Deus» (Santo Agostinho).

 

2.  Como é Deus?

Só pela Revelação divina sabemos um pouco de como é Deus. Pela razão podemos descobrir que o Ser Supremo é omnipotente, que o seu poder é universal e nada Lhe escapa, mas teríamos dificuldade em estar certos de que o seu poder não é arbitrário; e de facto assim é representado nas religiões naturais e nos mitos do paganismo. À razão humana não custa admitir que Deus é todo-poderoso, mas já custaria admitir que Ele nos possa amar e cuidar de nós. Ora Ele, ao revelar-se, mostra que é não só infinitamente poderoso, mas também infinitamente justo e pai infinitamente bom e misericordioso; e Ele mostra o seu poder no mais alto grau, ao perdoar.

Às vezes Deus pode parecer-nos ausente e incapaz de impedir o mal; e então só a fé nos pode descobrir os caminhos misteriosos que Deus tem, para que, do mal que Ele permite, venha a tirar um bem maior, verificando-se assim a máxima popular: Deus escreve direito por linhas tortas. Com efeito, é na fraqueza que Deus revela a sua força; assim, no máximo abatimento da Cruz, Ele revela a força da Redenção.

Deus é infinito e sem limites, mas o nosso conhecimento de Deus é limitado, e à nossa medida; assim também a nossa capacidade para falar de Deus e a nossa linguagem são limitadas. Por outro lado, o nosso conhecimento de Deus não é directo, por isso só podemos falar d’Ele a partir das criaturas e segundo o nosso modo de conhecer e de pensar humano.

As perfeições das criaturas reflectem a perfeição de Deus; daí que podemos falar de Deus, com verdade, a partir das perfeições que vemos nas criaturas, tais como a beleza, o conhecimento, o poder, a liberdade, a grandeza, etc. Deus é infinitamente bom, infinitamente belo, infinitamente verdadeiro, melhor dito, Ele é a própria Bondade, Beleza e Verdade.

Mas como Deus transcende infinitamente todas as criaturas, ao falar de Deus, ficamos muito aquém do que Ele é; e então temos de purificar a nossa linguagem no que ela tem de limitado e imperfeito. As nossas representações humanas ficam muito aquém do mistério de Deus! Muito bem se exprimiu S. Tomás de Aquino ao dizer: «Não nos é possível apreender de Deus o que Ele é, mas apenas o que Ele não é, e como são os outros seres em relação a Ele».

Como faz a Sagrada Escritura, nós falamos dos olhos de Deus, do seu braço, da mão de Deus, mas só o podemos dizer em sentido analógico e figurado, pois Ele é puro espírito e nada tem de material.

Ficamos a saber como é Deus, quando O contemplamos feito homem, assumindo toda a nossa vida e dando a sua vida por nós. Ao longo do Ano Litúrgico, celebramos toda a entrega de Deus, a começar pelo seu Nascimento, que temos à porta. Vamos procurar que Ele nasça na nossa vida e à nossa volta.

 

Fala o Santo Padre

 

«Deus fez-se Filho do homem para que nos tornemos filhos de Deus.»

 

Queridos irmãos e irmãs!

Já está próximo a noite que nos reuniremos para celebrar o grande mistério do amor, que sempre nos faz admirar: Deus fez-se Filho do homem para que nos tornemos filhos de Deus. Durante o Advento, do coração da Igreja elevou-se com frequência uma imploração: "Vinde, Senhor, visitai-nos com a vossa paz, a vossa presença encher-nos-á de alegria". A missão evangelizadora da Igreja é a resposta ao brado "Vinde, Senhor Jesus!", que percorre toda a história da salvação e que continua a elevar-se dos lábios dos crentes. Vinde, Senhor, transformai os nossos corações, para que se difundam no mundo a justiça e a paz! É isto que a Nota doutrinal sobre alguns aspectos da evangelização, recentemente publicada pela Congregação para a Doutrina da Fé, pretende reafirmar. O Documento propõe-se, com efeito, recordar a todos os cristãos numa situação na qual muitas vezes já não é clara a muitos fiéis a própria razão de ser da evangelização que "o acolhimento da Boa Nova na fé, em si estimula" (n. 7) a comunicar a salvação recebida como dom.

De facto, "a Verdade que salva a vida que se fez carne em Jesus acende o coração de quem a recebe com um amor para com o próximo que impele a liberdade a oferecer aquilo que se recebeu gratuitamente" (ibid.). Ser alcançados pela presença de Deus, que se faz próximo de nós no Natal, é um dom inestimável. Dom capaz de nos fazer "viver no abraço universal dos amigos de Deus" (ibid.) naquela "rede de amizade com Cristo, que une céu e terra" (ibid., 9), que alarga a liberdade humana para o seu cumprimento e que, se for vivida na sua verdade, floresce "num amor gratuito e cheio de solicitude pelo bem de todos os homens" (ibid., 7). Nada é mais belo, urgente e importante que voltar a dar gratuitamente aos homens o que recebemos gratuitamente de Deus! Nada nos pode eximir ou livrar deste gravoso e fascinante compromisso. A alegria do Natal, que já conhecemos, enquanto nos enche de esperança, estimula-nos ao mesmo tempo a anunciar a todos a presença de Deus no meio de nós.

Modelo incomparável de evangelização é a Virgem Maria, que comunicou ao mundo não uma ideia, mas Jesus, Verbo encarnado. Invoquemo-la com confiança, para que a Igreja anuncie, também no nosso tempo, Cristo Salvador. Cada cristão e comunidade sintam a alegria de partilhar com os outros a Boa Nova de que "Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o Seu Filho único... para que o mundo seja salvo por Ele" (Jo 3, 16-17). É este o sentido autêntico do Natal, que devemos redescobrir sempre e viver intensamente.

 

Papa Bento XVI, Angelus, 23 de Dezembro de 2007

 

Oração Universal

 

Oremos, irmãos, a Deus Nosso Pai, por intermédio de Jesus Cristo

e peçamos ao Senhor uma maior correspondência

ao amor que Ele nos manifestou ao fazer-Se homem.

 

1.  Para que a Igreja, sinal visível do amor de Deus aos homens,

seja conhecida e amada por todos,

oremos, irmãos.

 

2.  Pelo Santo padre, peregrino do amor e da paz,

para que a sua voz seja acolhida pelos homens de boa vontade,

oremos, irmãos.

 

3.  Pelos nossos Bispos, mensageiros do amor de Deus entre nós,

para que, iluminados pelo Espírito Santo,

nos ajudem a encontrar a vontade de Deus a nosso respeito,

oremos, irmãos.

 

4.  Pelos nossos governantes,

para que promovendo o verdadeiro bem comum,

nos facilitem o cumprimento da vontade de Deus.

oremos, irmãos.

 

5.  Por todos os que preparam o seu Natal,

para que a luz da fé os façam vibrar de alegria,

oremos, irmãos.

 

6.  Por todos os nossos queridos defuntos,

que no purgatório esperam o reino da alegria e da paz,

para que o senhor alivie as suas penas,

oremos, irmãos.

 

7.  Para que a Virgem Nossa Senhora,

Mãe de Cristo e nossa esperança,

interceda por nós junto do seu Filho,

oremos, irmãos.

 

Deus todo poderoso,

ouvi a nossa oração e concedei-nos tudo quanto com fé Vos pedimos.

Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Abre claro o céu, S. Marques, NRMS 64

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons que trazemos ao vosso altar e santificai-os com o mesmo Espírito que, pelo poder da sua graça, fecundou o seio da Virgem Santa Maria. Por Nosso Senhor....

 

Prefácio do Advento II: p. 455 [588-700]

 

Santo: «Da Missa de festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Como lembrava o venerável João Paulo II na sua encíclica sobre a Eucaristia, em que apresentava a Virgem Maria como a Mulher Eucarística, existe uma profunda analogia entre o fiat (faça-se) pronunciado por Maria, em resposta às palavras do Anjo, e o amen que cada fiel pronuncia quando recebe o corpo do Senhor. Dando continuidade à fé da Virgem Santa, no mistério eucarístico é-nos pedido para crer que aquele mesmo Jesus, Filho de Deus e Filho de Maria, Se torna presente nos sinais do pão e do vinho com todo o seu ser humano-divino. Que a Virgem Maria nos ajude a receber Jesus-Eucaristia com a mesma fé, pureza e humildade com que Ela O recebeu.

 

Cântico da Comunhão: Desce o orvalho sobre a terra, M. Simões, NRMS 64

cf. Is 7, 14

Antífona da comunhão: A Virgem conceberá e dará à luz um filho. O seu nome será Emanuel, Deus-connosco.

 

Cântico de acção de graças: Virgem Santa Imaculada, M. Luis, NRMS 15

 

Oração depois da comunhão: Tendo recebido neste sacramento o penhor da redenção eterna, nós Vos pedimos, Senhor: quanto mais se aproxima a festa da nossa salvação, tanto mais cresça em nós o fervor para celebrarmos dignamente o mistério do Natal do vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Um Natal sem Jesus não é Natal. Vamos já no próximo Sábado celebrar o Natal de Jesus com o desejo de que Jesus nasça na nossa vida e na vida dos que fazem parte das nossas famílias. Preparemo-nos recorrendo aos Sacramentos da Reconciliação e da Comunhão. Assim teremos de verdade um Feliz Natal.

 

Cântico final: Vamos todos guiados pela esperança, F. da Silva, NRMS 14

 

Homilias Feriais

 

4ª SEMANA

 

2ª Feira, 20-XII: Advento com Maria.

Is 7, 10-14 / Lc 1, 26-38

Há-de a virgem conceber e dar à luz um filho, a quem porás o nome de Emanuel.

Esta profecia de Isaías (Leit.), vai realizar-se e Maria (Ev.).

Com a Anunciação do Anjo começa o Advento de Nossa Senhora. Junto com ela queremos viver ainda melhor o que nos resta do Advento. Manifesta plena disponibilidade para as obras de Deus: «Eis a serva do Senhor»; vive a sua obediência na fé: «faça-se em mim segundo a vossa palavra», para o cumprimento pleno da vontade de Deus; com o seu sim contribuiu para a vida, vencendo o não de Eva; concebeu o Filho de Deus, que agora recebemos no sacramento na Comunhão.

 

3ª Feira, 21-XII: Bendita a Mãe e o fruto do seu ventre.

Cant 2, 8-14 ou Sof 3, 14-18 / Lc 1, 39-45

Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.

Cheia de alegria, porque tem o Senhor dentro dela (Leit.), Maria dirige-se a casa de Isabel, que a recebe com grandes louvores (Ev.).

«Depois da saudação do Anjo, fazemos nossa a de Isabel… Maria é bendita entre as mulheres, porque acreditou na palavra do Senhor… Pela sua fé, tornou-se a mãe dos crentes, graças a quem todas as nações da terra recebem aquele que é a própria bênção de Deus: Jesus, bendito fruto do vosso ventre» (CIC, 2666). Procuremos viver este tempo de Advento com o mesmo espírito de serviço aos outros, como o dela.

 

4ª Feira, 22-XII: Seja a nossa vida um Magnificat.

1 Sam 1, 24-28 / Lc 1, 46-56

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador.

Ana leva o seu filho Samuel para servir o Senhor no Templo (Leit.) e o seu coração exulta de alegria (S. Resp.). O mesmo acontece com Maria, que leva o Filho de Deus no seu ventre e aclama o Senhor (Ev.).

«Se o Magnificat exprime a espiritualidade de Maria, nada melhor do que esta espiritualidade nos pode ajudar a viver o mistério eucarístico. Recebemos o dom da Eucaristia, para que a nossa vida, à semelhança da de Maria, seja toda ela um Magnificat» (I Vive da Eucaristia, 58).

 

5ª Feira, 23-XII: Preparação para a vinda do Senhor.

Mal 3, 1-4. 23-24 / Lc 1, 57-66

Vou enviar o meu mensageiro, para desimpedir o caminho diante de mim.

A profecia de Malaquias diz respeito à missão de Elias e de João Baptista: preparar o caminho do Senhor (Leit.). As missões de Elias e João Baptista estão intimamente ligadas: João termina o ciclo dos profetas, inaugurado por Elias; João é Elias que devia vir; João precede Jesus com o espírito e o poder de Elias. Mas João Baptista é o precursor imediato do Senhor, enviado para lhe preparar o caminho.

 Cada um de nós há-de preparar-se agora bem para receber o Senhor e ajudando os outros a fazerem o mesmo, através da Confissão e da Comunhão.

 

6ª Feira, 24-XII: A identificação com Cristo.

2 Sam 7, 1-5. 8-12. 14. 16 / Lc 1, 67-79

Zacarias: Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e libertou o seu povo e nos fez surgir poderosa salvação na família de seu pai David.

O profeta Natã comunica a David que a sua casa e a sua realeza permanecerão para sempre (Leit.). E a mesma profecia é feita por Zacarias (Ev.).

O homem, desfigurado pelo pecado, mantém a imagem de Deus, à imagem do Filho, mas ficou privado da semelhança. O Filho vem assumir a imagem e restaurar no homem a semelhança com o Pai (CIC, 705). A união com Cristo, através dos sacramentos e da oração, levará a cabo em nós uma transformação, para podermos dizer: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim» (Gal 2, 20).

 

 

 

 

 

 

Celebração, homilia e nota exegética:       Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                                          Nuno Romão

Sugestão Musical:                                        Duarte Nuno Rocha

 

 


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