3º Domingo do Advento

12 de Dezembro de 2010

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Senhor virá no esplendor, Az. Oliveira, NRMS 54

cf. Filip 4, 4.5

Antífona de entrada: Alegrai-vos sempre no Senhor. Exultai de alegria: o Senhor está perto.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Este terceiro Domingo do Advento é chamado Gaudete (Alegrai-vos), pois temos no cântico de entrada um apelo à alegria pela proximidade do Natal.

No Evangelho de hoje temos a pergunta feita a Jesus pelos discípulos do Baptista – «És Tu Aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro?» – uma pergunta que também nos orienta para nos dispormos a saber das razões da nossa fé.

Ao iniciarmos esta celebração, para nos dispormos a receber Jesus, que já está à porta, peçamos o perdão das nossas culpas. (pausa)

Arrependidos, confessemos que somos pecadores.

 

Oração colecta: Deus de infinita bondade, que vedes o vosso povo esperar fielmente o Natal do Senhor, fazei-nos chegar às solenidades da nossa salvação e celebrá-las com renovada alegria. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

 

Monição: A primeira leitura tirada de Isaías, o grande profeta messiânico do séc. VIII a. C., é um belo convite à alegria, a par do apelo da 2ª leitura de Santiago a esperar com paciência a vinda do Senhor, Jesus, que no Evangelho indica os sinais que O acreditam como o Messias e faz o maior elogio do Baptista, mais que um profeta.

 

Primeira Leitura

 

Isaías 35, 1-6a.10

1Alegrem-se o deserto e o descampado, rejubile e floresça a terra árida, 2cubra-se de flores como o narciso, exulte com brados de alegria. Ser-lhe-á dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e do Sáron. Verão a glória do Senhor, o esplendor do nosso Deus. 3Fortalecei as mãos fatigadas e robustecei os joelhos vacilantes. 4Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais: Aí está o vosso Deus, vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-vos». 5Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. 6aEntão o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria. 10Voltarão os que o Senhor libertar, hão-de chegar a Sião com brados de alegria, com eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto. Reinarão o prazer e o contentamento e acabarão a dor e os gemidos.

 

Este texto não se limita a descrever poeticamente a alegria e felicidade dos judeus retornados do exílio, uma alegria a que a própria natureza se associa (vv. 1-2). A passagem tem um colorido messiânico e escatológico: os vv. 5-6 cumprem-se à letra com a vinda de Cristo (cf. Evangelho de hoje, Mt 11, 5); «o prazer e o contentamento» perpétuos e sem mistura de «dor e gemidos» (v. 10) tiveram o seu começo com Jesus Cristo, mas mais num sentido espiritual; a sua consumação e plenitude está reservada para o fim dos tempos, na escatologia (cf. Apoc 7, 16-17; 21, 2-4).

 

Salmo Responsorial    Salmo 145 (146), 7.8-9a.9bc-10 (R. cf. Is 35, 4)

 

Refrão:     Vinde, Senhor, e salvai-nos!

 

Ou:               Aleluia!

 

O Senhor faz justiça aos oprimidos,

dá pão aos que têm fome

e a liberdade aos cativos.

 

O Senhor ilumina os olhos dos cegos,

o Senhor levanta os abatidos,

o Senhor ama os justos.

 

O Senhor protege os peregrinos,

ampara o órfão e a viúva

e entrava o caminho aos pecadores.

 

O Senhor reina eternamente.

o teu Deus, ó Sião,

é rei por todas as gerações.

 

Segunda Leitura

 

Tiago 5, 7-10

Irmãos: 7Esperai com paciência a vinda do Senhor. Vede como o agricultor espera pacientemente o precioso fruto da terra, aguardando a chuva temporã e a tardia. 8Sede pacientes, vós também, e fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima. 9Não vos queixeis uns dos outros, a fim de não serdes julgados. Eis que o Juiz está à porta. 10Irmãos, tomai como modelos de sofrimento e de paciência os profetas, que falaram em nome do Senhor.

 

Os temas da leitura são a paciência e a vinda do Senhor. A paciência, virtude eminentemente cristã em que a carta insiste (cf. 1, 2-4.12), não significa uma passividade em face das injustiças, mas perseverança na fidelidade ao Senhor, na certeza de que Ele virá como Juiz remunerador; não é uma indiferença estóica perante a dor, a contrariedade e a opressão, mas é sofrer com Cristo, unindo os sofrimentos próprios à sua Paixão redentora.

7 «Como o agricultor espera pacientemente…»: temos aqui uma bela comparação tirada da vida agrícola; com efeito, na Palestina, onde chove muito pouco, todo o agricultor anseia pelas chuvas que costumam vir sobretudo em duas épocas (cf. Jr 5,24) as chuvas temporãs (Outubro-Novembro: as chamadas yoreh ou moreh), que preparam a terra para as sementeiras, e as tardias (Março-Abril: em hebraico malqox), que garantem uma boa colheita.

9 «Eis que o Juiz está à porta»: o Senhor cuja «vinda está próxima» (v. 8), é como se estivesse já em frente da nossa porta, pronto a bater e a entrar. Esta vinda do Justo Juiz no final dos tempos, antecipa-se para cada um à hora da morte. Essa vinda será terrível para os que confiaram em si mesmos e nas suas riquezas, tantas vezes iniquamente adquiridas (cf. Tg 5, 1-6), mas será libertadora para os bons cristãos. Talvez haja aqui uma referência à eminente destruição de Jerusalém, com a vinda do Juiz divino (cf. Mc 13, 29) que libertará os cristãos palestinos da opressão de maus senhores judeus.

 

Aclamação ao Evangelho        Is 61, 1 (cf. Lc 4, 18)

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

O Espírito do Senhor está sobre mim:

enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 11, 2-11

Naquele tempo, 2João Baptista ouviu falar, na prisão, das obras de Cristo e mandou-Lhe dizer pelos discípulos: 3«És Tu Aquele que há-de vir ou devemos esperar outro?» 4Jesus respondeu-lhes: «Ide contar a João o que vedes e ouvis: 5os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres. 6E bem-aventurado aquele que não encontrar em Mim motivo de escândalo». 7Quando os mensageiros partiram, Jesus começou a falar de João às multidões: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? 8Então que fostes ver? Um homem vestido com roupas delicadas? Mas aqueles que usam roupas delicadas encontram-se nos palácios dos reis. 9Que fostes ver então? Um profeta? Sim, Eu vo-lo digo, e mais que profeta. 10É dele que está escrito: ‘Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, para te preparar o caminho’. 11Em verdade vos digo: Entre os filhos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista. Mas o menor no reino dos Céus é maior do que ele».

 

A pergunta que faz João, agrilhoado nas masmorras da fortaleza de Maqueronte situado nos rochedos da margem oriental do Mar Morto, parece ser uma pergunta destinada a encaminhar para Jesus alguns discípulos mais apegados ao Baptista e que ainda não aceitavam Jesus como Messias. É pois uma pergunta pedagógica. Dificilmente se pode entender como uma dúvida de fé do próprio Baptista, em face do que se conta em Mt 3, 16 e João 1, 29-34.

5 A resposta de Jesus apoia-se especialmente no cumprimento das profecias de Isaías (Is 35, 5, cf. 1ª leitura de hoje, e 60, 1).

6 Jesus torna-se um empecilho, «um motivo de escândalo», um tropeço, para aqueles que se aferravam à ideia de um Messias glorioso, um rei terreno poderoso. A imagem que Jesus deixa de Si nos que O vêem é a da humildade despretensiosa: Jesus oculta o que é na realidade.

11 Esta superioridade e inferioridade não se refere à santidade pessoal, mas à dignidade: João tem um ministério superior ao dos próprios profetas, pois lhe cabe apresentar directa e pessoalmente a Cristo; mas, uma vez que a Nova Lei é de uma ordem superior, nela o último em dignidade supera o mais digno da Lei Antiga. E João, enquanto preparador e anunciador da vinda do Messias, pertence à Antiga Lei.

 

Sugestões para a homilia

 

A pergunta de João Baptista, acorrentado na prisão de Maqueronte, na margem oriental do Mar Morto, parece ser uma pergunta pedagógica, destinada a ajudar os seus discípulos renitentes em aceitarem Jesus como o Messias. Faltava-lhes a fé. Jesus oferece-lhes uns sinais de credibilidade na sua missão e no seu ensino, a saber, os milagres que fazia e o cumprimento da profecia messiânica de Isaías na 1ª leitura de hoje (Is 35, 5-6): «Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos; então o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria». Para quem falta a fé, a Revelação divina, as palavras e a vida de Jesus, sobretudo a aparente derrota que foi a sua morte na Cruz, tornam-se «um motivo de escândalo».

No Domingo passado considerávamos a Revelação de Deus através da sua Palavra, que se mantém viva na Tradição apostólica e nas Santas Escrituras e que a Santa Igreja guarda fielmente e proclama até ao fim dos tempos. Hoje a leitura do Evangelho leva-nos a falar da virtude da fé e dos motivos de credibilidade de que dispomos para se aceitar a Revelação divina como uma algo razoável, consentâneo com a razão.

 

1.  A obediência da fé, resposta do homem a Deus que se revela

O acto de fé é a resposta do homem a Deus que se revela. «Pela fé o homem submete completamente a Deus a sua inteligência e a sua vontade; com todo o seu ser, o homem dá assentimento a Deus revelador» (Catecismo, nº 143). A Sagrada Escritura chama a este assentimento «obediência da fé» (cf. Rm 1, 5; 16, 26). Por outro lado, no Baptismo recebemos, juntamente com a graça de Deus, a capacidade de dar o nosso assentimento firme a tudo o que Deus revelou, mesmo que sejam coisas que vão para além da nossa compreensão, baseados em que Ele não se engana nem nos pode enganar; e a esta disposição chamamos a virtude da fé, o assentimento livre a toda a verdade revelada por Deus» (Catecismo, 150).

A fé é um grande dom de Deus que temos de agradecer. Com efeito, não basta a luz da razão para abraçar a verdade revelada; é necessário o dom da fé. «Não é uma coisa contrária nem à liberdade nem à inteligência do homem confiar em Deus e aderir às verdades por Ele reveladas» (Catecismo, 154). Mais ainda: «A fé é certa, mais certa que qualquer conhecimento humano, porque se funda na própria Palavra de Deus, que não pode mentir» (Catecismo, 157).

A fé e a razão: Muito embora as verdades da fé estejam acima da razão, nunca pode haver verdadeiro desacordo entre ambas: o mesmo Deus, que revela os mistérios e comunica a fé, também acendeu no espírito humano a luz da razão. João Paulo II falava das duas asas com que precisamos de nos elevar para chegar ao mais perfeito conhecimento da verdade.

A inteligência ajuda a aprofundar na fé. «É próprio da fé que o crente deseje conhecer melhor Aquele em quem acreditou e compreender melhor o que Ele revelou; um conhecimento mais profundo exigirá, por sua vez, uma fé maior e cada vez mais abrasada em amor» (Catecismo, 158). A teologia é a ciência da fé: o fiel esforça-se, com a ajuda da razão, por conhecer melhor as verdades já que se possuem pela fé, a fim de as tornar mais inteligíveis para o crente (fides qærens intelectum). O teólogo deve ser guiado pelo amor de Deus e pela humilde procura da verdade e não pelo orgulho intelectual. Os melhores teólogos foram e serão sempre santos.

A fé é necessária para a salvação (cf. Mc 16, 16; Catecismo, 161): «Sem a fé é impossível agradar a Deus» (Hb 11, 6). «Aqueles que, ignorando sem culpa o Evangelho de Cristo e a sua Igreja, procuram, contudo, a Deus com coração sincero, e se esforçam, sob o influxo da graça, por cumprir a sua vontade, manifestada pelo ditame da consciência, também eles podem alcançar a salvação eterna».

 

2.  Os motivos de credibilidade:

O motivo que nos leva a crer não é o facto de as verdades reveladas aparecerem como verdadeiras e inteligíveis à luz da nossa razão natural, mas é porque aceitamos a autoridade de Deus. No entanto, para que o acto de fé fosse conforme à razão, Deus quis dar-nos motivos de credibilidade, que mostram que «o assentimento da fé não é “de modo algum um movimento cego do espírito”». Os motivos de credibilidade são sinais certos de que a Revelação é mesmo palavra de Deus e, portanto, que é verdadeira.

Estes motivos de credibilidade são, entre outros:

A Ressurreição de Jesus. Com efeito, não era possível que os Apóstolos a pregassem aos judeus que esperavam um Messias triunfador, quando a sua morte aparecia como a maior derrota. A Ressurreição é o maior sinal da verdade das palavras de Jesus.

Os milagres de Cristo e dos santos (cf. Mc 16, 20; Heb 2, 4) são como o selo que Deus põe na doutrina de Jesus. É célebre a argumentação com o dilema de Santo Agostinho: Ou a religião cristã converteu os povos com milagres, ou sem milagres; se com milagres, é divina; se sem milagres, é novamente divina, pois este facto é o máximo milagre; logo, a religião cristã é divina.

O cumprimento das profecias do Antigo Testamento; era este o argumento utilizado pelos Apóstolos na sua pregação aos judeus e também aparece como um argumento utilizado por Jesus no Evangelho de hoje (Mt 11, 2-5).

A sublimidade da doutrina cristã é também prova da sua origem divina. Quem medita atentamente os ensinamentos de Cristo, pode descobrir a sua profunda verdade, a sua beleza e a sua coerência. Uma figura como a de Jesus e a sua doutrina não se inventa!

A propagação e a santidade da Igreja, a sua fecundidade e estabilidade «são sinais certos da Revelação, adaptados à inteligência de todos» (cf. Catecismo, 156).

Os motivos de credibilidade não só ajudam quem não tem fé, para superar preconceitos que dificultam a sua aceitação, mas também ajudam quem tem fé, fazendo-lhe ver como é razoável crer e afastando-o duma fé cega própria do fideísmo.

 

3.  Coerência entre a fé e a vida

Toda a vida do cristão deve ser manifestação da sua fé. Não há nenhum aspecto que não possa ser iluminado pela fé, como diz São Paulo: «O justo vive da fé» (Rm 1, 17); e São Tiago: «Sem as obras, a fé está morta» (Tg 2, 20-26). E quando não se vive de acordo com a fé esta enfraquece e acaba por se perder.

O cristão «orgulha-se da sua fé e por ela orienta toda a sua vida» (BP). Não podemos ser cana agitada pelo vento, à mercê das modas que passam, sem que a nossa fé corra perigo. Todos os fiéis católicos estão obrigados a evitar os perigos para a fé. Entre outros meios, devem abster-se de ler publicações que sejam contrárias à fé ou à moral, a menos que exista um motivo grave e se verifiquem as condições que tornem essa leitura inofensiva.

Devemos pedir a Deus que nos aumente a fé (cf. Lc 17,5) e que nos faça «fortes na fé» (cf. 1 Pe 5, 9). Para isto, com a ajuda de Deus, é bom fazermos muitos actos de fé.

 

4.  Difundir a fé.

Disse Jesus: «Não se acende uma candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas no candelabro... Assim brilhe a vossa luz diante dos homens» (Mt 5, 15-16). Recebemos o dom da fé para o propagar não para o ocultar (cf. Catecismo, 166). Não se pode prescindir da fé na actividade profissional. É preciso informar toda a vida social com os ensinamentos e o espírito de Cristo. Bento XVI tem insistido em que é necessário que toda a cultura do homem contemporâneo seja permeada pelo Evangelho.

A evangelização não vai contra a liberdade das pessoas, pois não se trata de impor, mas de propor. E toda a pessoa tem o direito de ouvir a boa-nova de Deus que se revela e se dá em Cristo, para realizar plenamente a sua vocação. A esse direito corresponde o dever de evangelizar, por isso dizia S. Paulo: «Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho» (1 Cor 9, 16).

Difundindo a fé, estamos, como João, o Precursor, a preparar o caminho para a chegada do Senhor aos corações de muita gente.

 

Fala o Santo Padre

 

«A alegria entra no coração de quem se põe ao serviço dos pequeninos e dos pobres.»

 

Queridos irmãos e irmãs!

"Gaudete in Domino semper - Alegrai-vos sempre no Senhor" (Fl 4, 4). Inicia com estas palavras de São Paulo a Santa Missa do 3º Domingo do Advento, que por isso é chamado domingo "gaudete". O Apóstolo exorta os cristãos a alegrar-se porque a vinda do Senhor, isto é, a sua vinda gloriosa, é certa e não tardará. A Igreja faz seu este convite, enquanto se prepara para celebrar o Natal e o seu olhar dirige-se cada vez mais para Belém. De facto, nós aguardamos com esperança certa a segunda vinda de Cristo, porque conhecemos a primeira. O mistério de Belém revela-nos o Deus connosco, o Deus que está próximo de nós, não só em sentido espacial e temporal; Ele está próximo porque "abraçou", por assim dizer, a nossa humanidade; assumiu a nossa condição, escolhendo ser em tudo como nós, excepto no pecado, para fazer com que nos tornássemos como Ele. Portanto, a alegria cristã brota desta certeza: Deus está próximo, está comigo, está connosco, na alegria e no sofrimento, na saúde e na doença, como amigo e esposo fiel. E esta alegria persiste também nas provações, no próprio sofrimento, e não permanece na superfície, mas no profundo da pessoa que se recomenda a Deus e n'Ele confia.

Alguns perguntam: mas ainda é possível hoje esta alegria? A resposta dão-na, com a sua vida, homens e mulheres de todas as épocas e condições sociais, felizes por consagrar a sua existência ao próximo! Não foi porventura a Beata Madre Teresa de Calcutá, nos nossos tempos, uma testemunha inesquecível da verdadeira alegria evangélica? Viver quotidianamente em contacto com a miséria, a degradação humana, a morte. A sua alma conheceu a prova da noite escura da fé, mas contudo deu a todos o sorriso de Deus. Lemos num seu escrito: "Nós aguardamos com impaciência o paraíso, onde está Deus, mas depende de nós estar no paraíso já aqui na terra e desde este momento. Ser feliz com Deus significa: amar como Ele, ajudar como Ele, doar como Ele, servir como Ele" (La gioia di darsi agli altri, Ed. Paoline, 1987, p. 143). Sim, a alegria entra no coração de quem se põe ao serviço dos pequeninos e dos pobres. Deus habita em quem ama deste modo, e a alma está em júbilo. Se ao contrário se faz da felicidade um ídolo, erra-se o caminho e é verdadeiramente difícil encontrar a alegria de que fala Jesus. Infelizmente, é esta a proposta das culturas que colocam a felicidade individual no lugar de Deus, mentalidade que encontra um efeito emblemático na busca do prazer a todo o custo, na difusão do uso de drogas como fuga, como refúgio em paraísos artificiais, que depois se revelam totalmente ilusórios.

Queridos irmãos e irmãs, também no Natal se pode errar o caminho, trocar a verdadeira festa com a que não abre o coração à alegria de Cristo. A Virgem Maria ajude todos os cristãos, e os homens em busca de Deus, a chegar a Belém, para encontrar o Menino que nasceu para nós, para a salvação e a felicidade de todos os homens.

 

Papa Bento XVI, Angelus, 16 de Dezembro de 2007

 

Oração Universal

 

Cheios de confiança no Senhor Jesus que vem, mais uma vez, no próximo Natal, peçamos para todos a alegria e a paz que Ele veio trazer à terra, dizendo:

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

1.  Pelo Papa, pelos bispos e sacerdotes,

religiosos e missionários:

para que sejam luz e fogo de Deus

para todos o homens,

oremos, irmãos.

 

2.  Pela paz e prosperidade de todo o mundo:

para que, pela força da oração de todos os

que crêem em Deus,

a fome, as calamidades e as guerras

se afastem de todos os povos,

oremos, irmãos.

 

3.  Pelos jovens que procuram conhecer

a vontade de Deus na sua vocação,

para que na oração, na piedade eucarística

e no compromisso apostólico,

encontrem a certeza que procuram,

oremos ao Senhor.

 

4.  Pelos que não conhecem a Cristo,

para que iluminados pela luz da fé,

se abram à Salvação que teve início

no grande momento da Encarnação,

oremos, irmãos.

 

5.  Pelos que vão passar o Natal longe das famílias,

emigrantes, doentes nos hospitais, presos nas cadeias,

para vivam a alegria e a paz do presépio,

e não lhes falte o carinho dos parentes e amigos,

oremos ao Senhor.

 

6.  Por todos nós aqui reunidos,

pelos membros das nossas famílias e comunidades,

para que tenhamos cada vez mais amor

à Eucaristia, comungando com mais fé e devoção, e

visitando muitas vezes Jesus no Sacrário,

oremos, irmãos.

 

7.  Pelos defuntos da nossa comunidade e do mundo inteiro:

para que, purificados das sua faltas,

possam contemplar na eternidade o rosto de Cristo glorioso,

oremos, irmãos.

 

Senhor, nosso Deus,

Vós que desejais a salvação de todos os homens,

e para isso nos destes o Vosso Filho Unigénito,

que veio trazer o fogo à terra,

fazei que cheios do Espírito Santo

levemos esse fogo ao coração de todos os homens.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Quando virá Senhor o dia, NRMS 39

 

Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que a oblação deste sacrifício se renove sempre na vossa Igreja, de modo que a celebração do mistério por Vós instituído realize em nós plenamente a obra da salvação. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio do Advento I: p. 453 [586-698] ou II p. 455 [588-700]

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento ao CT

 

Monição da Comunhão

 

«A vinda do Senhor está próxima», ouvíamos na 2º leitura. Aproxima-se o momento em que nesta vida podemos ter o Senhor mais próximo, ao recebê-lo na Sagrada Comunhão. Na medida em que desejarmos ardentemente recebê-lo, Ele fortalecerá os nossos corações. Este desejo é a chamada comunhão espiritual, que sempre podemos fazer, mesmo que não O recebamos sacramentalmente.

 

Cântico da Comunhão: Eu estou, à porta chamo, F. da Silva, NRMS 22

cf. Is 35, 4

Antífona da comunhão: Dizei aos desanimados: Tende coragem e não temais. Eis o nosso Deus que vem salvar-nos.

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Senhor, pela vossa bondade, que este divino sacramento nos livre do pecado e nos prepare para as festas que se aproximam. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos caminhar a sério para um Natal Feliz, estimulados não simplesmente pela propaganda comercial, mas pela Palavra de Deus que meditámos e pela força que o Senhor nos comunica na Eucaristia.

 

Cântico final: Não demoreis, ó Salvador, M. Borda, NRMS 31

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

2ª Feira, 13-XII: Cristo, luz do mundo.

Num. 24, 2-7. 15-17 / Mt 21, 23-27

Balaão: Eu vejo, mas não para já, e avisto, mas não de perto: um Astro sai de Jacob e um ceptro se ergue de Israel.

Balaão, inspirado pelo Espírito de Deus, anuncia o aparecimento de um Astro (Leit.), que é a estrela vista pelos Magos e que os conduziu até Jesus (CIC, 528).

Jesus é a Luz do mundo, que começou por atrair os pastores, depois, mais tarde, os Apóstolos, e que continua a brilhar diante de cada um de nós. Ele aproxima-se do mundo para dissipar as trevas; e também de cada um de nós, para dar sentido a tudo o que fazemos: ao trabalho, ao descanso, às dores e alegrias. Por Ele ser a luz do mundo é que tem todo o direito de ensinar (Ev.).

 

3ª Feira, 14-XII: Escutar os pedidos de Deus.

Sof. 3, 1-2. 9-13 / Mt 21, 28-32

Ai da cidade rebelde e impura! Não escutou nenhum apelo, nem aceitou qualquer aviso Não teve confiança no Senhor, nem se aproximou do seu Deus.

O profeta Sofonias faz-nos chegar esta lamentação de Deus: não é escutado nem têm confiança n’Ele (Leit.). Pelo contrário, uma grande multidão de pecadores, publicanos e soldados, fariseus, saduceus e prostitutas vão ter com João Baptista para receber o baptismo de penitência (Ev.).

Para entrar no reino de Deus é preciso ter confiança na palavra de Deus e arrepender-se. Além disso, para adquirir o reino «as palavras não bastam, exigem-se actos (cf. parábola do Evangelho)» (CIC, 546).

 

4ª Feira, 15-XII: O orvalho fecunda a terra.

Is 45, 6-8. 18. 21-25 / Lc 7, 19-23

Ó céus, mandai o orvalho lá do alto, e as nuvens derramem a justiça; abra-se a terra, floresça a salvação.

Trata-se de uma profecia claramente messiânica (Leit.), tal como o Salmo: «Ó céus, dai-nos o justo, como orvalho» (S. Resp.).

O Senhor dará o que é bom: o orvalho, a justiça; e a nossa terra (cada um de nós) dará o seu fruto (S. Resp.). A vinda do Messias é um sinal de grande esperança, tendo em conta a fecundidade: os cegos vêem, os coxos andam, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam… (Ev.). E mais ainda: «O Senhor vem visitar-nos e trazer-nos a paz e a justiça» (S. Resp.).

 

5ª Feira, 16-XII: A mensagem de João Baptista.

Is 54, 1-10 / Lc 7, 24-30

Ainda que as montanhas se desloquem… o meu amor não te abandonará, a minha Aliança de paz não será abalada.

Através do profeta, Deus faz-nos uma promessa de fidelidade, estabelecendo connosco uma Aliança (Leit.). E, antes da sua vinda, envia-nos João Baptista para preparar os seus caminhos (Ev.).

A mensagem de João Baptista é um convite ao baptismo de penitência, que alguns receberam e outros rejeitaram. Não deixemos de abrir completamente as portas da nossa alma para a entrada do Senhor. Qual a conversão que Ele espera de nós neste Advento: uma vida mais coerente com a sua doutrina?

 

6ª Feira, 17-XII: Invocar o nome de Jesus.

Gen 49, 2. 8-10 / Mt 1, 1-17

Jacob: O ceptro não há-de fugir a Judá… até que venha aquele que lhe tem direito e a quem os povos hão-de obedecer.

Jacob anuncia a seus filhos a vinda do Messias (Leit.). E, na genealogia de Jesus Cristo, aparece o nome de Jacob, logo no seu início (Ev.).

«Jesus, ‘Iavé salva’. O nome de Jesus contém tudo: Deus e o homem e toda a economia da criação e da salvação. Rezar ‘Jesus’ é invocá-lo, chamá-lo a nós» (CIC, 2666). Preparemo-nos para invocar o Santíssimo Nome de Jesus: «Que o teu nome, Jesus, esteja sempre no meu coração e ao alcance das minhas mãos, a fim de que todos os meus afectos e as minhas acções a ti sejam dirigidas» (S. Bernardo).

 

Sábado, 18-XII: O nome de José.

Jer 23, 5-8 / Mt 1, 18-25

Dias virão e que farei surgir para David um rebento justo. Será um verdadeiro rei e agirá com sabedoria.

O profeta Jeremias anuncia a vinda do Salvador, como descendente messiânico de David (Leit.). É José, filho de David, que receberá a mensagem do Anjo, que lhe comunica o nascimento de Jesus (Ev.).

«O Evangelho é a revelação em Jesus Cristo, da misericórdia de Deus para com os pecadores. O anjo assim o disse a José: ‘Pôr-lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos pecados’ (Ev.)» (CIC, 1846). O nome de José significa, em hebreu, Deus acrescentará, isto é, aquele que recebe graças abundantes para cumprir a vontade do Senhor (Ev.).

 

 

 

 

 

Celebração, homilia e nota exegética:       Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                                          Nuno Romão

Sugestão Musical:                                        Duarte Nuno Rocha

 


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