1º Domingo do Advento

28 de Novembro de 2010

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Oh, que alegria, M. Faria, NRMS 67

Salmo 24, 1-3

Antífona de entrada: Para Vós, Senhor, elevo a minha alma. Meu Deus, em Vós confio. Não seja confundido nem de mim escarneçam os inimigos. Não serão confundidos os que esperam em Vós.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Hoje começamos o tempo do Advento, um novo ano da Liturgia da Igreja. Somos convidados para ir com alegria (cfr Salmo de hoje) ao encontro de Cristo. Ele veio há dois mil anos e continua a vir com as graças próprias do Natal que se aproxima.

As nossas homilias dos Domingos do Advento – e também as da Quaresma e do Tempo Pascal – vão obedecer a uma preocupação doutrinal, com uma sequência lógica de temas, tendo como referência central o Catecismo da Igreja Católica e os textos litúrgicos do dia.

Ao iniciarmos esta celebração, examinemos a nossa consciência para descobrir o que em cada um de nós pode haver de obras das trevas (cfr 2º leitura), ou de coisas menos claras na nossa vida. (pausa)

Arrependidos, confessemos que somos pecadores.

 

Oração colecta: Despertai, Senhor, nos vossos fiéis a vontade firme de se prepararem, pela prática das boas obras, para ir ao encontro de Cristo, de modo que, chamados um dia à sua direita, mereçam alcançar o reino dos Céus. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Esta pequena leitura de hoje é um dos mais belos textos poéticos de todo o Antigo Testamento, um cântico de exaltação da Jerusalém ideal, símbolo da Igreja universal, instauradora da paz com Deus e entre todos os homens.

 

Isaías 2, 1-5

1Visão de Isaías, filho de Amós, acerca de Judá e de Jerusalém: 2Sucederá, nos dias que hão-de vir, que o monte do templo do Senhor se há-de erguer no cimo das montanhas e se elevará no alto das colinas. 3Ali afluirão todas as nações e muitos povos acorrerão, dizendo: «Vinde, subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jacob. Ele nos ensinará os seus caminhos e nós andaremos pelas suas veredas. De Sião há-de vir a lei e de Jerusalém a palavra do Senhor». 4Ele será juiz no meio das nações e árbitro de povos sem número. Converterão as espadas em relhas de arado e as lanças em foices. Não levantará a espada nação contra nação, nem mais se hão-de preparar para a guerra. 5Vinde, ó casa de Jacob, caminhemos à luz do Senhor.

 

Esta pequena leitura é um dos mais belos textos poéticos de todo o Antigo Testamento, um cântico de exaltação da Jerusalém ideal e da paz messiânica. É um texto paralelo a Miq 4, 1-3.

1 «Isaías, filho de Amós», não o profeta do séc. VIII que pregou no reino do Norte, pois em hebraico o nome tem outra grafia.

2-3 Numa visão puramente humana, podia pensar-se que estamos diante dum texto sionista. A verdade é que o texto transcende o campo político e move-se num clima escatológico e messiânico: «Jerusalém», ou «Sião», é imagem da Igreja, «a nova Jerusalém» (cf. Gal 4, 26; Apoc 21, 2-4.10-27), para onde «afluirão todas as nações e muitos povos acorrerão» (v. 3). Isaías anuncia a conversão dos povos (gentios) ao único Deus, o de Israel, uma conversão que é dom de Deus, mas que também implica esforço humano – «subamos…» e docilidade – «Ele nos ensinará... e nós andaremos...». Os povos sentir-se-ão atraídos pela sublimidade de uma lei e de uma doutrina, que é a própria «palavra do Senhor». O texto pressupõe um pregador desta palavra, um profeta; e Jesus é o Profeta messiânico por excelência (cf. Act 3, 22; Jo 1, 21; 6, 14; Lc 7, 16). De qualquer modo, a Liturgia do Advento, nesta «palavra do Senhor que sairá de Jerusalém», leva-nos a vislumbrar o Verbo de Deus que se há-de manifestar no mistério da sua Incarnação a celebrar no Natal que se aproxima.

4 A paz messiânica, aqui imaginosamente descrita, não se pode considerar como algo meramente ideal, utópico e irreal; com efeito, com a fundação da Igreja, Cristo lançou no mundo um eficacíssimo fermento de paz e de unidade de todo o género humano; e quando todos os homens aderirem sinceramente a Cristo e à sua Igreja teremos a plena realização desta imagem tão bela como arrojada: as espadas convertidas em relhas de arado e as lanças em foices. É de notar que o Deus da Revelação jamais poderá ser invocado por ninguém como «um factor de guerra»; seria uma forma retorcida e refinada de «invocar o santo nome de Deus em vão», contrariando um absoluto moral bem claro, que é o segundo preceito do Decálogo (cf. Ex 20, 7; Dt 5, 11).

 

Salmo Responsorial    Salmo 121 (122), 1-2.4-5.6-7.8-9 (R. cf. 1)

 

Monição: O salmo 121 é um dos 15 salmos de peregrinação. Descreve o entusiasmo com que os fiéis subiam a Jerusalém para as grandes festas. É com grande alegria que vamos ao encontro de Cristo no presépio.

 

Refrão:        Vamos com alegria para a casa do Senhor.

 

Alegrei-me quando me disseram:

«Vamos para a casa do Senhor».

Detiveram-se os nossos passos

às tuas portas, Jerusalém.

 

Para lá sobem as tribos, as tribos do Senhor,

segundo o costume de Israel,

para celebrar o nome do Senhor;

ali estão os tribunais da justiça,

os tribunais da casa de David.

 

Pedi a paz para Jerusalém:

«Vivam seguros quantos te amam.

Haja paz dentro dos teus muros,

tranquilidade em teus palácios».

 

Por amor de meus irmãos e amigos,

pedirei a paz para ti.

Por amor da casa do Senhor,

pedirei para ti todos os bens.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A 2ª leitura, que é tirada da parte moral e exortatória da epístola aos Romanos, está em consonância com o Evangelho de hoje, constituindo uma forte exortação à vigilância, a atitude de que quem espera a vinda de Jesus, pois «o dia está próximo».

 

Romanos 13, 11-14

11Irmãos: Vós sabeis em que tempo estamos: chegou a hora de nos levantarmos do sono, porque a salvação está agora mais perto de nós do que quando abraçámos a fé. 12A noite vai adiantada e o dia está próximo. Abandonemos as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. 13Andemos dignamente, como em pleno dia, evitando comezainas e excessos de bebida, as devassidões e libertinagens, as discórdias e os ciúmes; 14não vos preocupeis com a natureza carnal, para satisfazer os seus apetites, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo.

 

A leitura, tirada da parte moral e exortatória da epístola (Rom 12, 1 – 15, 13), está em consonância com o Evangelho de hoje, constituindo uma forte exortação à vigilância, a atitude de que quem espera a vinda de Jesus, pois «o dia está próximo» (v. 12). A Santa Igreja, com estas leituras no começo do Advento, tempo de preparação para o Natal, pretende ajudar os seus filhos a que, ao celebrarem a primeira vinda de Jesus, se preparem também para a sua vinda definitiva.

Há quem pense, com base em Ef 5, 14 que esta passagem do texto da leitura corresponda a um hino baptismal da Igreja primitiva (H. Schlier). Podemos também perguntar-nos se Paulo não estaria a pensar numa proximidade cronológica do fim dos tempos e da segunda vinda de Cristo, tendo em conta o que diz em 1 Tes 4, 15.17 e 1 Cor 15, 51-52; a verdade é que não temos aqui qualquer espécie de especulação apocalíptica, mas antes a especificação do que é a existência cristã, a saber, uma vida aberta ao futuro, em atitude de fé e de esperança, abraçando as exigências de vigilância e de renúncia às obras das trevas e à satisfação dos apetites carnais, uma vida nova, que é revestir-se do Senhor Jesus Cristo (v. 14).

11 «Chegou a hora de nos levantarmos do sono» (uma boa esporada para começar o ano litúrgico). O sono é próprio da noite; e a noite é imagem da morte e do pecado, «as obras das trevas», (v. 12); por outro lado, há uma afinidade ontológica entre o cristão e o dia – a luz –, uma exigência do ser cristão, uma vez que Cristo é a luz do mundo: «vós sois a luz do mundo» (Mt 5, 14) e «Eu sou a luz do mundo» (Jo 8, 12); o cristão é aquele que deixou iluminar a sua alma, a sua vida, os seus pensamentos, por Cristo, «a luz que brilha nas trevas» (Jo 1, 5), por isso, «a noite vai adiantada» (v. 12), e, embora ainda não seja pleno dia, já temos a luz suficiente para seguir a Cristo e não ao pecado. Com razão os cristãos são designados com o genitivo hebraico de qualidade, «filhos da luz»: Lc 16, 8; Jo 12, 36; Ef 5, 8; 1 Tes 5, 5 (aqui também chamados «filhos do dia»)

12 «Obras das trevas»: o mesmo que obras tenebrosas ou pecaminosas, muitas das quais, como as que aponta o v. 13, se costumam praticar na clandestinidade da escuridão e da noite.

«Armas da luz», são as virtudes, em especial as teologais (cf. 1 Tes 5, 8; Ef 6, 13-17). Notar que esta expressão paulina, armas, uma vez mais põe em evidência que a vida cristã é uma luta diária.

14 «Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo». Revestir-se, na linguagem bíblica, não significa apenas vestir uma farda (nas festas pagãs, os iniciados vestiam-se à maneira da divindade celebrada), mas trata-se duma identificação na linha do ser: assim, no A. T., revestir-se de justiça, de força, etc., corresponde a tornar-se justo, forte, etc. Revestir-se de Cristo é, pois, identificar-se com Cristo, «ter os mesmos sentimentos de Cristo» (Filp 2, 5). O fiel revestido de Cristo, a partir do Baptismo (cf. Gal 3, 27), tem ainda que se deixar impregnar cada vez mais intensamente por Ele nos novos sectores para os quais se vai abrindo a sua vida, ao desenvolver-se. Ser de Cristo é crucificar a sua carne com todo o cortejo dos seus vícios e apetites desordenados (cf. Gal 5, 24).

 

Aclamação ao Evangelho        Salmo 84, 8

 

Monição: Aclamamos o Senhor, que nos vai falar no Evangelho, contando e contando com a sua misericórdia.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia

e dai-nos a vossa salvação.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 24, 37-44

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 37«Como aconteceu nos dias de Noé, assim sucederá na vinda do Filho do homem. 38Nos dias que precederam o dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; 39e não deram por nada, até que veio o dilúvio, que a todos levou. Assim será também na vinda do Filho do homem. 40Então, de dois que estiverem no campo, um será tomado e outro deixado; 41de duas mulheres que estiverem a moer com a mó, uma será tomada e outra deixada. 42Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. 43Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa. 44Por isso, estai vós também preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do homem».

 

O Evangelho de hoje recolhe apenas 8 vv. do que se pode chamar o núcleo ético do discurso escatológico de Jesus em Mateus (Mt 24, 1 – 25, 46), a saber, a exortação moral à vigilância (Mt 24, 37 – 25, 30). Neste pequeno trecho podemos considerar três partes: vv. 37-39; 40-41; 42-44.

37-39 «Como aconteceu nos dias de Noé…» Jesus, segundo os ensinamentos morais rabínicos, apela para a lição do dilúvio: as pessoas preocupadas com a satisfação das necessidades imediatas, comer, beber, casar, esquecem o mais importante e são apanhadas de surpresa, sem estarem preparadas para dar contas a Deus da sua vida na hora duma morte inesperada (cf. Sab 10, 4; Hebr 11, 7; 1 Pe 3, 20; 2 Pe 2, 5).

40-41 O carácter imprevisível da vinda de Jesus é ilustrado com dois casos tirados da vida corrente em que uma pessoa se salva e a outra perece, para daqui tirar a lição moral (o nimxal rabínico): «portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá…».

42-44 A parábola do ladrão vem reforçar a lição moral anterior sobre a vigilância, repetida no v. 44, com outras palavras: «Estai vós também preparados!» Esta incerteza é para nós um bem, um estímulo. Se soubéssemos o dia do juízo, corríamos grande risco de nos desleixarmos em fazer o bem e de nos deixarmos arrastar pelo mal, sendo então muito mais fácil que nos viéssemos a condenar. Devemos estar vigilantes e preparados, como se cada dia fosse o último da nossa vida. O Senhor virá como um ladrão, mas apenas no que se refere ao imprevisto da hora, pois, sendo Ele o melhor dos pais, escolherá a melhor hora para os seus filhos, mas respeitando a liberdade de cada um.

 

Sugestões para a homilia

 

1.  Advento: estar preparado para a vinda do Senhor

A Liturgia de hoje, na 2ª leitura, diz-nos que chegou a hora de nos levantarmos do sono. Bento XVI, na sua visita à Grã Bretanha, também dizia, à maneira duma chicotada psicológica aos cristãos adormecidos: «perante a crise de fé da sociedade actual, os cristãos não podem dar-se ao luxo de continuar como se nada estivesse a acontecer». Estas palavras do Santo Padre são o eco das que hoje ouvimos no Evangelho: Vigiai! Precisamos de estar preparados com a resposta da fé para o encontro com o Senhor que vem. Isto é o Advento, o acolhimento de uma vinda de Deus à terra há dois mil anos, uma vinda às nossas vidas, no nosso dia a dia, e uma vinda no fim dos tempos: tanto o tempo da última vinda de Cristo no fim do mundo para o Juízo final, como o tempo decisivo da nossa morte.

2.  O desejo de Deus

Com o tempo litúrgico que agora começa, aviva-se o desejo de que o Senhor venha. O desejo de Deus é um sentimento inscrito no coração humano, porque ele foi criado por Deus e para Deus. O desejo insaciável de felicidade que todos nós sentimos, que é isso senão o desejo de Deus? Com efeito, a felicidade consiste na posse do bem, mas os bens de que gozamos nesta vida nunca satisfazem plenamente o coração humano. Todos aspiramos a um bem supremo, sem qualquer limitação. Ora esse bem é Deus, de quem procedem todos os bens. Se não existisse esse bem supremo, capaz de satisfazer as aspirações humanas mais profundas, o ser humano seria um ser sem sentido, um absurdo e uma contradição, uma paixão inútil, um ser votado ao fracasso.

É assim que todo o ser humano é um ser naturalmente religioso, pois aspira à união com Deus. Com efeito, na grande diversidade das culturas, através de todos os tempos e lugares, é comum a todas elas a reflexão sobre Deus e sobre os temas centrais da existência humana: a vida e a morte, o bem e o mal, o destino último e o sentido de todas as coisas. Como dizia João Paulo II na ONU, em 5/10/95: «O coração de cada cultura está constituído pela sua aproximação ao maior dos mistérios: o mistério de Deus». Foi assim que, ao longo dos séculos, surgiram as diversas religiões, numa busca de Deus «às apalpadelas», com acertos e desacertos...

3. Dificuldades actuais para chegar ao conhecimento de Deus

Sempre, mas sobretudo nas condições históricas em que vivemos, experimentam-se muitas dificuldades para chegar ao conhecimento de Deus apenas com as luzes da razão, dado que:

O que diz respeito a Deus ultrapassa o que se vê e o que se sente.

Crer em Deus exige que nos dêmos a Ele e que renunciemos a nós próprios.

Os maus desejos nascidos do pecado original puxam-nos para baixo, por isso «os homens facilmente se convencem da falsidade ou, pelo menos, da incerteza daquelas coisas que não desejariam que fossem verdadeiras» (Pio XII).

É assim que a ligação do Homem com Deus pode chegar a ser esquecida, desconhecida, e até rejeitada por diversas razões, como o mau exemplo dos crentes e sobretudo a difusão de ideologias contrárias à religião, que umas vezes levam ao ateísmo, outras vezes ao agnosticismo, ao laicismo, ou ao indiferentismo religioso.

O argumento, que mais vezes se apresenta para justificar estas atitudes de pôr de parte a Deus, é a revolta contra o mal e a injustiça que há no mundo. Mas, se reflectirmos, compreendemos que a existência do mal está mesmo a exigir que haja alguém superior que venha a fazer justiça. Como diz o Papa Bento XVI na sua 2ª encíclica, Spe Salvi: «O protesto contra Deus em nome da justiça não basta. Um mundo sem Deus é um mundo sem esperança. [...] Se diante do sofrimento deste mundo o protesto contra Deus é compreensível, a pretensão de a humanidade poder e dever fazer aquilo que nenhum Deus faz e nem é capaz de fazer, é presunçosa e intrinsecamente não verdadeira. Não é por acaso que desta premissa tenham resultado as maiores crueldades e violações da justiça, mas funda-se na falsidade intrínseca desta pretensão».

4.  A contradição do ateísmo

A negação de Deus e a tentativa de O excluir da cultura, da vida social e civil são fenómenos relativamente recentes, limitados a algumas áreas do mundo ocidental. As grandes interrogações religiosas e existenciais que se põem ao espírito humano permanecem invariáveis, desde os tempos mais antigos até aos nossos dias. É por isso que é uma grande falsidade dizer que a religião é uma coisa que pertence à fase primitiva e infantil da história da Humanidade, estando destinada a desaparecer com o progresso do conhecimento.

A propaganda recente do ateísmo feita por autores de língua inglesa, tomando como ponto de partida as Ciências positivas experimentais, incorre numa contradição, pois Deus, não sendo material, não pode ser objecto da investigação experimental própria das Ciências. Mas as maravilhas da Natureza, tanto do infinitamente pequeno, como do infinitamente grande, levam à conclusão lógica de que tem de haver uma causa sumamente inteligente que tudo programou.

Vou contar uma história passada com alguém dedicado às Ciências da Natureza, que se declarava ateu. Essa pessoa ficou sem resposta ao perguntar-lhe a razão pela qual a água não segue a lei comum a todos os corpos da Natureza, os quais aumentam a sua densidade, quanto mais diminui a sua temperatura. Com efeito, a água tem a sua máxima densidade aos quatro graus centígrados. E certamente não foi a água que assim se programou a si mesma! Se ela seguisse a lei comum a todos os outros corpos da Natureza, sucederia que, quando a superfície dos rios e dos mares gelasse, a placa de gelo formada iria para baixo e esmagaria os peixes contra o fundo. E não é a água que é a amiga dos peixinhos, mas é Deus, o Criador da Natureza, que cuida sabiamente da sua obra!

Os cientistas que têm vindo a negar a existência de Deus – e são bem poucos – partem do pressuposto que Deus é mais uma força que se junta às outras forças da natureza, como a gravidade, a electricidade, etc., mas «Deus não é uma força a ser invocada para preencher os vazios do nosso conhecimento», como explica Consolmagno, astrónomo do Vaticano. Ele é espiritual e absolutamente transcendente, o Criador que pôs em marcha todo o Universo.

5. Deus não cessa de nos atrair a Si

O Homem pode esquecer ou rejeitar a Deus, mas Deus é que nunca deixa de chamar o homem a Si. Santo Agostinho, depois de ter andado perdido no erro e no pecado, teve este célebre desabafo: «Fizestes-nos, Senhor, para Ti, e o nosso coração não descansa enquanto não repousar em Ti!».

Deus não cessa de nos atrair a Si – e de mil maneiras –, por isso cantamos hoje com o Salmista: Vamos com alegria para a Casa do Senhor. Neste Advento que agora começa, vamos estar mais atentos aos apelos de Deus. Vamos mostrar aos não crentes, com o exemplo da nossa vida serena e alegre, coerente com a fé, que vale a pena crer, porque que Deus existe e está connosco. 

 

Fala o Santo Padre

 

«Com o Advento, o Povo de Deus volta a pôr-se a caminho, para viver o mistério de Cristo na história.»

 

Queridos irmãos e irmãs!

Com este primeiro domingo do Advento começa um novo ano litúrgico: o Povo de Deus volta a pôr-se a caminho, para viver o mistério de Cristo na história. Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre (cf. Hb 13, 8); ao contrário, a história muda e pede para ser constantemente evangelizada; precisa de ser renovada a partir de dentro e a única verdadeira novidade é Cristo: é Ele o seu pleno cumprimento, o futuro luminoso do homem e do mundo. Ressuscitado dos mortos, Jesus é o Senhor ao qual Deus submeterá todos os inimigos, inclusive a própria morte (cf. 1 Cor 15, 25-28). O Advento é portanto o tempo propício para despertar nos nossos corações a expectativa d'Aquele "que é, que era e que há-de vir" (Ap 1, 8). O Filho de Deus já veio a Belém há vinte séculos, vem em todos os momentos à alma e à comunidade que está disposta a recebê-lo, virá de novo no fim dos tempos, para "julgar os vivos e os mortos". Por isso, o crente está sempre vigilante, animado pela íntima esperança de encontrar o Senhor, como diz o Salmo:  "Eu espero no Senhor, / a minha alma espera, confio na sua palavra. / A minha alma espera no Senhor, / mais do que a sentinela na aurora" (Sl 129, 5-6). […]

 

Papa Bento XVI, Angelus, 2 de Dezembro de 2007

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs: Peçamos ao Pai, que está nos céus,

que as próximas solenidades do Natal tragam luz

e esperança ao coração de cada ser humano,

dizendo (ou: cantando), com toda a confiança:

R.  Ouvi-nos, Senhor.

Ou: Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

Ou: Senhor, venha a nós o vosso reino.

 

1.   Pelos pastores e fiéis da santa Igreja,

para que vivendo dignamente, como em pleno dia,

sejam sinal da vinda próxima do Senhor, oremos, irmãos.

 

2.  Pelas nações do mundo inteiro e seus governos,

para que, abandonando os caminhos da guerra,

convertam as armas em instrumentos de paz, oremos, irmãos.

 

3.  Por todas as Igrejas e comunidades cristãs,

para que se revistam dos sentimentos de Jesus

e apressem a reconciliação tão desejada, oremos, irmãos.

 

4.  Pelas crianças e jovens dos grupos de catequese,

para que em Cristo, Filho de Deus e de Maria,

descubram Aquele que dá sentido às suas vidas, oremos, irmãos.

 

5.  Pelos que, nesta comunidade (paroquial) ou em qualquer outra,

estão de vela junto aos doentes e aos moribundos,

para que o Senhor seja a sua recompensa, oremos, irmãos.

 

Senhor, nosso Deus, não nos deixeis andar sonolentos, no meio das injustiças deste mundo, mas dirigi o nosso coração e o nosso olhar para Aquele que nos vem trazer a paz. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Senhor, que tanto amais o vosso povo, J. Santos, NRMS 95-96

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, estes dons que recebemos da vossa bondade e fazei que os sagrados mistérios que celebramos no tempo presente sejam para nós penhor de salvação eterna. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio do Advento I: p. 453 (586-698)

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

«Não sabeis em que dia virá o Senhor», dizia-nos Jesus no Evangelho, mas uma Ele antecipa a sua vinda na Comunhão eucarística, ainda de forma mais discreta, mas não menos real que na noite de Natal.

 

Cântico da Comunhão: Vem, Senhor Jesus, F. da Silva, NRMS 62

Salmo 84, 13

Antífona da comunhão: O Senhor nos dará todos os bens e a nossa terra produzirá o seu fruto.

 

Oração depois da comunhão: Fazei frutificar em nós, Senhor, os mistérios que celebramos, pelos quais, durante a nossa vida na terra, nos ensinais a amar os bens do Céu e a viver para os valores eternos. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos caminhar a sério para um Natal Feliz, estimulados não simplesmente pela propaganda comercial, mas pela Palavra de Deus que meditámos e pela força que o Senhor nos comunica na Eucaristia.

 

Cântico final: Levanta-te Jerusalém, F. da Silva, NRMS 39

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DO ADVENTO

 

2ª Feira, 29-XI: Virtudes para acolher o Messias.

Is 4, 2-6 / Mt 8, 5-11

Mas o centurião respondeu-lhe: Senhor, eu não mereço que entres debaixo do meu tecto

Queremos preparar-nos muito bem para a celebração do nascimento de Jesus. E hoje o Evangelho recorda-nos o exemplo do centurião, que a Liturgia nos aponta como modelo para o encontro com o Senhor, antes da recepção da Comunhão.

As virtudes aconselhadas hoje pela Liturgia são: a purificação, através de uma boa Confissão: «O Senhor virá lavar a impureza da filha de Sião» (Leit.); a alegria, manifestada no nosso sorriso: «Iremos com alegria para a Casa do Senhor»; e a fé ardente do centurião (Ev.), especialmente na recepção do Sacramento da Eucaristia.

 

3ª Feira, 30-XI: S. André: Falar do Messias aos amigos.

Rom 10, 9-18; Mt 4, 18-22

Jesus viu dois irmãos, Simão que é chamado Pedro, e seu irmão André, os quais lançavam ao mar uma rede, pois eram pescadores.

André foi um dos primeiros discípulos de João Baptista. Tendo ouvido falar do Messias, apresentou-lhe seu irmão Simão. Durante o ministério público de Jesus, leva-lhe também os gentios que O queriam conhecer; apresenta-lhe o rapaz, que levava pães e peixes, permitindo a realização do milagre da multiplicação. Segundo a Tradição pregou o Evangelho na Grécia e morreu crucificado numa cruz.

Como André não deixemos de levar aos amigos e conhecidos a notícia da vinda do Messias, para que se preparem para o acolher: «A voz deles propagou-se por toda a terra, e as suas palavras, até aos confins do mundo» (Leit. e S. Resp.).

 

4ª Feira, 1-XII: A Eucaristia, verdadeiro banquete.

Is 25, 6-10 / Mt 15, 29-37

O Senhor do Universo há-de preparar, para todos os povos, no monte Sião, um banquete de pratos suculentos, um banquete com excelentes vinhos.

O profeta anuncia a oferta de um banquete, por parte do Messias (Leit.). E Jesus um dia realizou o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, para saciar uma enorme multidão (Ev.). Este milagre prefigura a superabundância do pão Eucarístico (CIC, 1335).

«A Eucaristia é verdadeiro banquete, onde Cristo se oferece como alimento… Não se trata de um alimento em sentido metafórico, mas ‘a minha carne é, em verdade, uma comida, e o meu sangue é, em verdade, uma bebida’ (Jo. 6, 55)» (IV Eucaristia, 16). Tenhamos verdadeira fome de receber o pão eucarístico.

 

5ª Feira, 2-XII: conhecimento e cumprimento da vontade de Deus.

Is 26, 1-6 / Mt 7, 21. 24-27

Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática será semelhante a um homem prudente, que fez a sua casa sobre a rocha.

O profeta aconselha-nos a confiar sempre no Senhor, a edificar a nossa vida sobre a «rocha eterna» (Leit.), que é Cristo. E a melhor maneira é identificar a nossa vontade com a d’Ele, assim como Ele se identificou com a vontade do Pai (Ev.).

Edificamos a nossa vida sobre Cristo quando ouvimos as suas palavras: os seus ensinamentos sobre o trabalho, a vida de piedade, a caridade para com o próximo, etc. E as procuramos levar à prática (Ev.). Quando alguma vez nos custar, imitemos Jesus no Horto das Oliveiras: «Não se faça a minha vontade mas a tua».

 

6ª Feira, 3-XII: Abrir os olhos à Luz divina.

Is 29, 17-24 / Mt 9, 27-31

Nesse dia, os surdos ouvirão a palavra do livro divino; libertos das trevas, os olhos dos cegos hão-de ver.

O profeta anuncia a realização de grandes prodígios, com a vinda do Messias (Leit.). E os dois cegos do Evangelho reconheceram em Jesus o filho de David messiânico: «tem piedade de nós, filho de David» (Ev.).

Precisamos estar muito atentos às palavras que o Senhor nos vai transmitindo desde o seu nascimento. Abramos os olhos à luz divina, que se desprende de Cristo, que é a Luz. Vejamos as coisas como Deus as vê: a dor, o trabalho, a caridade, etc. E que descubramos Cristo presente nos que nos rodeiam, no trabalho e outras ocupações.

 

Sábado, 4-XII: Que a nossa vida não seja uma vida estéril.

Is 30, 19-21. 23-26 / Mt 9, 35-10, 1. 6-8

O Senhor dará a chuva para a semente que tiveres lançado à terra, e o pão que a terra produzir será farto e nutritivo.

O Messias, de acordo com as palavras do profeta, exercerá a sua misericórdia e haverá uma grande fertilidade (Leit.). E Jesus manifesta essa misericórdia curando todas as doenças e achaques, e proclamando a Boa Nova aos que andavam como ovelhas sem pastor (Ev.).

Jesus pede aos discípulos, e a cada um de nós, que continuemos a sua missão. Ensinemos os outros a abandonarem a sua vida estéril, cómoda; mostremos-lhes o caminho da felicidade; acompanhemos este trabalho com oração: «pedi ao Senhor da messe que mande trabalhadores para a sua seara» (Ev.).

 

 

 

 

 

 

Celebração, homilia e nota exegética:       Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                                          Nuno Romão

Sugestão Musical:                                        Duarte Nuno Rocha

 


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