TEOLOGIA E MAGISTÉRIO
AMOR À POBREZA SACERDOTAL *
 
Miguel Falcão
 
 
O exemplo de S. Francisco de Assis
Celebra hoje a Igreja a memória de S. Francisco de Assis, um Santo sempre actual, mas particularmente neste tempo tão dominado pela procura da satisfação que nos traz a posse e o uso dos bens materiais – com a consequência do abuso deles, do esquecimento das necessidades alheias, não recuando ante meios desonestos para prejudicar.
 
Como é bem sabido, Francisco Bernardone [1] teve uma juventude sem cuidados, pois o pai era um rico comerciante de tecidos. A sua sensibilidade poética fazia-lhe perceber com intensidade os sofrimentos humanos e a linguagem da criação.
 
Depois de abandonar a vida de negócios que o pai esperava dele, ao assistir à Missa num dia de Fevereiro de 1209 (24-II-1209), escutou na leitura do Evangelho uma passagem de S. Mateus (Mt 10, 1-15; cf. Lc 9, 1-6), que despertou nele a vocação para uma vida apostólica dentro de uma pobreza absoluta.
 
Procuremos meditar também nós essa passagem. Dizia o Evangelho: Jesus, «chamando a si os doze discípulos, deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para os expulsarem e para curarem todas as doenças e todas as enfermidades» (v. 1) – Era uma missão entusiasmante para os Apóstolos que Jesus acabava de escolher, e para Francisco, e para nós: fazer o maior bem possível, ajudando os nossos irmãos a libertarem-se do sofrimento profundo que transtorna uma pessoa, sofrimento provocado pelas enfermidades do corpo e da alma, pelas tentações e pecados.
«A estes doze enviou Jesus, depois de lhes dar as seguintes instruções: (…) Ide e pregai, dizendo: Está próximo o Reino dos Céus» (vv. 5 e 7). – Não se trata de uma acção simplesmente humana, trata-se de anunciar e cooperar com uma acção divina, que é a graça de Deus.
«Curai enfermos, ressuscitai mortos, limpai leprosos, expulsai demónios» (v. 8 a). – Para serem possíveis estes efeitos extraordinários, era preciso vencer a repugnância natural em aproximar-se e conviver com a miséria humana. Francisco já começara esta experiência, que lhe custou muito vencer, e que ele atribuía à graça divina. 
 
Para os Apóstolos realizarem a missão a que os enviava, Jesus advertiu-os: «Dai de graça o que de graça recebestes» (v. 8 b). – O que de graça receberam os Apóstolos era o poder de curar as enfermidades e de expulsar os demónios, como nós recebemos o poder de consolar e de perdoar os pecados.
 
«Não procureis ouro nem prata nem dinheiro para os vossos cintos, nem alforge para o caminho, nem duas túnicas, nem calçado nem bordão, pois o trabalhador tem direito ao seu sustento» (vv. 9-10). – É clara a recomendação que Jesus dá aos seus Apóstolos: não se preocupem com o dinheiro, com o que necessitam de comer, de vestir, de se abrigar. Deus providenciará, através das pessoas que encontrarem. Parece um modo de viver desajustado para a nossa época e para a nossa vida. Assim pensavam também muitos eclesiásticos no tempo de Francisco, e os desvios estavam a ser desastrosos para a vida da Igreja. Francisco entendeu que Deus lhe pedia precisamente aquilo: pregar o Evangelho, completamente desprendido dos meios materiais, confiando inteiramente no nosso Pai Deus, através da bondade dos homens e da prodigalidade da Natureza.
 
Talvez o Senhor não chame a todos nós a seguir o mesmo caminho de Francisco. Quando pregamos este Evangelho ao povo, preferimos falar de desprendimento interior dos bens materiais, de viver com sobriedade, de evitar a preocupação excessiva dos meios humanos, de confiar mais na generosidade das pessoas e na Providência de Deus. Fazemo-lo sinceramente para não exigir a todos os que nos escutam um caminho que só muito poucas pessoas são capazes de seguir, e para que todos não deixem de aproximar-se de algum modo desse ideal.
É verdade que, nas vésperas da sua Paixão, Jesus dirá: «Agora, quem tem uma bolsa que a tome, e igualmente o alforge» (Lc 22, 36). Assim entendemos melhor: junto do desprendimento e confiança total na Providência de Deus, devemos contar com os meios normais para a realização da missão apostólica, como o próprio Jesus mostrará ao contar com uns pães e peixes para a sua multiplicação. Mas sempre haverá desproporção entre os meios humanos usados e a eficácia sobrenatural [2].
 
No entanto, há tempos, encontrei numa viagem de comboio um antigo professor da Universidade, que pelo menos ia à Missa ao domingo. Dizia-me que tinha estranhado numa ocasião que o sacerdote, ao comentar um Evangelho semelhante, procurara suavizar a radicalidade do convite de Jesus. Como se vê, sempre há almas abertas à Palavra de Cristo!
 
Perante a luz da Palavra de Deus que o inundou, Francisco decidiu-se de uma vez para sempre a seguir o chamamento de Jesus. O Evangelho seria a sua norma suprema de vida e de pregação; e passou a vestir apenas uma túnica cingida por uma corda, desprendendo-se do calçado. Dedicou-se a pregar a penitência, ou seja, a conversão a uma vida conforme ao Evangelho, saudando as pessoas com aquele «O Senhor vos dê a paz!»
 
Foi o fermento de que fala o Evangelho. Não tardou em se lhe unirem alguns companheiros, desejosos de compartilharem aquela pobreza alegre e apostolicamente fecunda. Sem o pretender, Francisco viu-se à frente de uma fraternidade animada de um surpreendente movimento de renovação. Naquele tempo proliferavam movimentos críticos das riquezas acumuladas nas instituições eclesiásticas (abadias e dioceses) e do modo de vida luxuoso de eclesiásticos e monges; muitos desses movimentos acabavam por ser heréticos, indo contra a fé, a autoridade da Igreja e a autoridade civil. Por isso, Francisco teve o cuidado de dirigir-se a Roma para obter do Papa Inocêncio III aprovação e autorização para o seu género de «vida segundo o Evangelho», ou como dizia a Regra, «segundo a pobreza e a humildade de Nosso Senhor Jesus Cristo». Tinha início, assim, a Ordem mendicante franciscana.
 
Aprender da vida de Jesus
Como Francisco, voltemos ao Evangelho para aprendermos a viver a virtude cristã da pobreza, inspirando-nos na vida e nas palavras do próprio Jesus, Deus feito homem como nós. Antes de continuarmos, porém, procuremos esclarecer os conceitos paralelos relacionados com a pobreza.
Francisco quis seguir a pobreza vivida e pregada por Jesus. É a virtude cristã da pobreza, para a qual a Igreja continua a exortar todos os fiéis [3]. Jesus, ao mesmo tempo que levava uma vida corrente, nalgumas ocasiões encontrou-se sem os meios necessários – pobreza material – e noutras ocasiões desfrutou de meios de qualidade. A pobreza material pode ser escolhida – pobreza voluntária –, ou simplesmente aceite (por resignação ou voluntariamente), ou então intimamente rejeitada (com ou sem revolta). Pelo seu lado, a posse e uso de bens de qualidade ou abundantes podem ser exclusivas do próprio (egoísmo), ou ordenadas à virtude (desprendimento dos bens materiais ou pobreza em espírito); podem ser partilhadas com os necessitados (caridade) ou não estarem à disposição de ninguém nem do próprio (avareza). Francisco de Assis seguiu a pobreza material e o desprendimento total de Cristo (cf. Flp 2, 5-8).
 
Duma mesma fonte podem nascer vários cursos de água, vários caminhos de santidade. A pobreza não é virtude somente para os que se afastam do mundo, os religiosos. Os cristãos em geral e os sacerdotes seculares necessitam de a viver no meio do mundo, como aliás todas as virtudes cristãs. O espírito evangélico é o mesmo, o modo de vivê-lo varia com a condição de vida [4].
 
Por que olhar para Jesus, para a sua vida e as suas palavras? Explica o Concílio Vaticano II: «Cristo instaurou na terra o Reino de Deus, manifestou o Pai e manifestou-se a Si mesmo com palavras e obras» (Dei Verbum, 17). Através de Jesus, conhecemos a Vontade de Deus.
Jesus é a plenitude da Revelação de Deus. «Jesus Cristo, Verbo Incarnado, enviado como homem aos homens, fala as palavras de Deus e realiza a obra da salvação que o Pai lhe confiou» (DV, 4). «Quem me vê, vê o Pai», diz ao Apóstolo Filipe (Jo 14, 9), vê Deus. «Eu estou no Pai e o Pai está em mim. As palavras que Eu vos digo, não as digo por mim mesmo; é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras» (Jo 14, 10). Jesus revela-nos a Vida e a Vontade de Deus, não só pelas suas palavras, mas antes ainda pela sua própria vida: vida e doutrina recolhidas substancialmente nos Evangelhos (cf. DV, 18-19).
 
S. Paulo resume aos primeiros cristãos de Corinto a eficácia salvífica da pobreza de Cristo: «Conheceis a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico» – Ele é o Omnipotente –, «se fez pobre por vosso amor, para que fôsseis ricos com a sua pobreza» (2 Cor 8, 9).
Como Omnipotente que é Deus, as circunstâncias da vida de Jesus foram previstas precisamente por Deus, actuando sempre a Providência divina.
 
Assim, podemos dizer que correspondeu a um querer de Deus que Jesus nascesse fora da sua casa e num curral de animais. José e Maria, para cumprirem um mandato imperial, vão de Nazaré onde vivem para Belém, a terra dos antepassados. «E, quando eles ali se encontravam, completaram-se os dias de ela dar à luz, e deu à luz o seu filho primogénito, que envolveu em panos e reclinou numa manjedoura, por não haver para eles lugar na estalagem» (Lc 2, 6-7).
 
Este querer de Deus está cheio de significado para nós, mostra-nos como se vive a pobreza. Além de José e Maria constituírem uma família modesta, não só aceitaram as incomodidades de uma viagem para cumprirem o seu dever, como tiveram de prescindir de muitas coisas que Maria estaria a preparar em Nazaré para o cuidado do Menino. Levaram consigo para a viagem o imprescindível. 
Em Belém, certamente caberia mais um casal na estalagem da terra, onde se aglomeravam as pessoas e os animais que iam chegando. No entanto, ante a iminência do parto, José prefere um local recatado, digno, embora inóspito.
Os frutos salvíficos não tardam a chegar. Primeiro, são aqueles pastores humildes, que não têm dificuldade em acreditar na mensagem do Anjo de que nascera o Messias por quem tanto suspiravam: «Não temais, pois vos anuncio uma grande alegria, para todo o povo: nasceu-vos hoje na cidade de David o Salvador, que é o Messias Senhor!» (Lc 2, 10-11). Depois de verem o Menino deitado na manjedoura, como qualquer menino, «voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido» (Lc 2, 20).
 
Sem se aperceberem, José e Maria tinham cumprido a profecia segundo a qual o Messias devia nascer em Belém. E foi o conhecimento desta profecia que permitiu aos Magos do Oriente encontrarem também o Menino (cf. Mt  2, 1-10). «E, ao entrarem na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e prostrando-se por terra, adoraram-no» (Mt 2, 11).
 
Se é habitual pensar que os pastores de Belém tenham oferecido a José e Maria alguns bens alimentares que os ajudaram naqueles dias, no caso dos Magos é o Evangelho a dizer que ofereceram em presente ouro, incenso e mirra (cf. Mt 2, 11). Como nós costumamos fazer, José aceitaria tudo o que era dado de boa vontade. Neste caso, o ouro havia de servir muito oportunamente para poderem iniciar uma nova vida no Egipto, para onde tiveram de fugir apressadamente. Era a Providência divina, em que José e Maria continuaram a confiar, vivendo na incerteza do tempo em que iriam demorar a regressar.
 
Depois do regresso a Nazaré, Jesus viveu a pobreza própria da sua família. Viviam do trabalho de José, a quem Jesus passaria a ajudar e a quem sucederia no ofício, de modo a ser conhecido na terra como «o filho do carpinteiro» (Mt 13, 55; Mc 6, 3). Ajudaria a Mãe nos pormenores do cuidado da casa. A pobreza está muito unida à dedicação ao trabalho, à laboriosidade. E Jesus crescia agradecendo ao seu Pai Deus o alimento, o vestuário e o abrigo que tinha, sem caprichos [5].
 
Faz-nos recordar a nossa própria vivência da pobreza, da sobriedade e da generosidade, em casa dos nossos pais. Pormenores constantes, que agora nos facilitam um desprendimento crescente. Por exemplo, o cuidado na limpeza da casa e do vestuário, a sobriedade nas refeições, evitar fazermos colecção de máquinas de filmar ou gravar, adquirir um modelo de carro ajustado à nossa condição, comprar livros que nos sejam verdadeiramente úteis, quer pela boa doutrina de fé e moral que contêm, quer pelo seu valor cultural e de distracção [6].
 
«Reparte com alegria, como a Jacinta», é o lema do Santuário de Fátima para este ano de 2010 [7]. Certamente aprendemos isso dos nossos pais. Nalgumas terras, é habitual irem os pedintes à porta das casas; e as mães sempre entregam a um dos filhos pequenos algum pão, ou dinheiro, ou roupa, para irem dar ao pedinte, que agradece com uma oração.
 
A Madre Teresa de Calcutá contava como influiu na sua sensibilidade para com os miseráveis dessa cidade o que vivera na sua casa na Albânia: de vez em quando, encontrava pessoas desconhecidas sentadas à mesa para tomarem uma das refeições e, quando perguntava quem eram, a mãe dizia que eram «parentes afastados» que tinham chegado. Na verdade, é bom recordar que somos todos irmãos em Adão e em Cristo.
Também na nossa família aprendemos a fazer bom uso do dinheiro, gastando para o que era necessário, evitando caprichos e comodismos, sendo generosos na esmola na igreja ou ao pobre necessitado. É bom saber distinguir entre o necessário, o conveniente, o suficiente, o supérfluo e o inconveniente.
 
Mais tarde, compreendemos que também era pobreza respeitar os bens dos outros, devolvendo a tempo o que nos emprestavam, não atrasando a remuneração do trabalho realizado, não regateando com pessoas de poucas posses.
Este terá sido o estilo de vida que Jesus seguiu depois no seu ministério público, com desprendimento total dos bens materiais, com a única preocupação de cumprir a Vontade do seu Pai Deus [8], tal como nós sacerdotes somos convidados, à semelhança dos Apóstolos: «Dai de graça o que de graça recebestes» (Mt 10, 8).
 
Por causa das suas correrias apostólicas, Jesus e os Apóstolos nem sempre tinham tempo para comer (cf. Mt 12, 1; 21, 18; Jo 4, 7), ou para descansar (cf. Mt 6, 31). Jesus aceita a hospitalidade de pessoas amigas (como os irmãos de Betânia, cf. Mt 21, 17), bem como a assistência das santas mulheres (cf. Lc 8, 2-3). Tinham uma bolsa comum, onde juntavam o que podiam ganhar com o trabalho ou receber de pessoas generosas, e da qual se serviam todos segundo as necessidades de cada um, socorrendo também os necessitados (cf. Jo 13, 29).
Ao mesmo tempo, Jesus levava uma vida normal para um Rabi ou Mestre. Andava de um lado para o outro, infatigavelmente (cf. Lc 10, 38 ss; Jo 2, 1ss), aceitava refeições condignas de pessoas amigas (como Mateus, cf. Mt 9, 10; e Zaqueu, cf. Lc 19, 5-7) e de fariseus (cf. Lc 7, 36; 14, 1), ao ponto de ser acusado de «glutão e bebedor» (Mt 11, 19). Usava uma «túnica sem costuras, tecida de cima abaixo» (Jo 19, 23).
No entanto, jejua voluntariamente quarenta dias e quarenta noites (cf. Mt 4, 2; Lc 4, 2), por vezes passa fome e sede (cf. Mt 12, 1; Jo 4, 6-7), «não tem onde reclinar a cabeça» (Mt 8, 20); e morre despojado das suas vestes (cf. Jo 19, 23-24), completamente desonrado, tido como blasfemo e malfeitor.
 
Porquê Jesus, o Filho de Deus, quis decididamente viver e morrer pobre, mesmo sem o mínimo necessário? Para nos ensinar a travar uma das três concupiscências do homem, fonte de inúmeros pecados, o primeiro dos quais é a oposição a Deus, elevando a ídolo as riquezas, a posse desordenada dos bens materiais: «Ninguém pode servir a dois senhores. (…) Não podeis servir a Deus e às riquezas» (Mt 6, 24), advertiu Jesus.
Quem não esteja disposto a desprender-se de tudo, em particular das comodidades e das satisfações dos bens materiais, não poderá ser contemplativo nem apóstolo, porque essa preocupação pelas coisas materiais o impedirá de estar pendente de Deus e das necessidades dos outros.
 
A nossa época, afastando-se cada vez mais de Deus, ao ponto de se viver como se Deus não existisse, acabou por centrar-se no homem – não na pessoa, que é um ser aberto ao outro, mas apenas no indivíduo –, buscando uma felicidade imediata, sensível, material. Podemos ler na última Carta Pastoral do Bispo de Leiria-Fátima, de 28 de Agosto passado, um diagnóstico claro: «A cultura dominante do nosso quotidiano está muito marcada pelo individualismo calculista. Pensa em ti, é a advertência que ouvimos desde pequenos. A defesa de si mesmo, dos próprios interesses e do próprio dinheiro é, tantas vezes, a primeira e, porventura, a única preocupação de muitos. Uma cultura que quer contabilizar tudo e deseja que tudo seja pago perde o sentido do dom, do serviço aos outros, da solidariedade, e gera marginalização» [9].
O voluntariado e a gratuidade, de que fala o Santo Padre [10], e que podemos encontrar até em ambientes não crentes, são duas esperanças de que a humanidade volte a descobrir a importância do dar-se [11].
 
Quanto mais uma pessoa se centra em si mesma, mais se esquece do outro; quanto mais se abandona a virtude da pobreza, do desprendimento, apegando-se pelo contrário aos bens materiais, mais estes faltam aos outros, aumenta neles a pobreza material. 2010 foi declarado o «Ano Europeu de combate à pobreza» material neste continente, para que não haja ninguém que não disponha de certas condições materiais consideradas indispensáveis. Como será possível, se se continua a fomentar o egoísmo individual e colectivo, com a generalização do aborto e da eutanásia, do racismo e da corrupção? Assim, muitos são espoliados de bens materiais; outros, da própria vida!
 
(continua)
 


* Texto das duas meditações proferidas na recolecção para sacerdotes, organizada pela diocese de Leiria-Fátima no Santuário de Fátima, em 4-X-2010, Memória de S. Francisco de Assis.
[1] Nasceu em fins de 1181 ou princípios de 1182; recebeu os estigmas em 17-IX-1224; morreu em 3-X-1226; foi canonizado em 16-VII-1228 (cf. Gran Enciclopedia Rialp [GER], Ediciones Rialp, Madrid 1979, tomo X, p. 486).
[2] Cf. F. FERNÁNDEZ-CARVAJAL, Falar com Deus, Quadrante, São Paulo 1991, V, n. 12 c.
[3] «Assim, todos os fiéis são chamados e obrigados a tender para a santidade e perfeição do próprio estado. Procurem, por isso, ordenar rectamente os seus afectos, para não serem impedidos de avançar na perfeição da caridade pelo uso das coisas terrenas e pelo apego às riquezas, em oposição ao espírito de pobreza evangélica, segundo o conselho do Apóstolo: «os que usam deste mundo, façam-no como se dele não usassem, pois é transitório o cenário deste mundo» (1 Cor 7, 31)» (Lumen gentium, 42 e; cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 2545).
[4] Cf. F. FERNÁNDEZ-CARVAJAL, Falar com Deus, cit., VII, n. 32 a.
[5] Como veremos adiante, vive-se a pobreza cristã quando se usam os bens materiais com acção de graças a Deus, que é quem no-los concede verdadeiramente (cf. 1 Tim, 4, 3-5).
[6] Cf. RAFAEL LLANO CIFUENTES, Sacerdotes para o terceiro milénio, Editora Santuário, Aparecida-SP 2009, p. 134.
[7] Cf. SANTUÁRIO DE FÁTIMA, Calendário de Actividades 2010.
[8] «O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra» (Jo 4, 34).
[9] D. ANTÓNIO MARTO, Carta Pastoral «Chamados à Caridade», 28-VIII-2010, n. 1.2.
[10] Em relação ao voluntariado, cf. BENTO XVI, Enc. Deus caritas est, 25-XII-2005, n. 30 b).
Em relação à gratuidade, cf. BENTO XVI, Enc. Caritas in veritate, 29-VI-2009, nn. 6 b, 34 a, 36 d, 38 e 39 b.
[11] O voluntariado é sobejamente conhecido em todos os níveis.
Um exemplo de gratuidade pode-se ver na Associação Portuguesa de Canonistas, fundada em 1990, cujas receitas têm sido praticamente as provenientes das quotas dos sócios: as suas publicações são distribuídas aos sócios, e igualmente a qualquer pessoa interessada, com o desejo de contribuir para o conhecimento do Direito Canónico. Também se pode ver nos Museus do nosso país, que proporcionam entrada livre uma vez por semana, com o objectivo de difundir a cultura nos cidadãos.

 


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