aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

ÁFRICA DO SUL

 

IMPORTÂNCIA DO

MUNDIAL DE FUTEBOL

 

O campeonato mundial de futebol, encerrado no passado domingo 11 de Julho, com a vitória da selecção espanhola sobre a holandesa, levou ao país um maior sentimento de comunhão com a comunidade internacional e de solidariedade com as demais nações africanas – disse o arcebispo de Durban, Cardeal Wilfrid Fox Napier.

 

«A primeira coisa que a Taça do Mundo na África do Sul deixará é o sentimento de que, finalmente, este país é também membro da comunidade internacional – disse o purpurado. O futebol é o desporto preferido pela maioria dos sul-africanos, especialmente os negros. E, para eles, ter um mundial de futebol no seu país significou sentirem-se unidos neste reconhecimento por parte da comunidade internacional».

 A nova África do Sul, explicou o Cardeal Napier, é «uma ideia» e «um sonho», «um sonho até então realizado apenas em parte». «Há 50 ou 60 anos, seria incrível ver um negro caminhando ao lado de um branco; hoje, crianças e pais, brancos e negros, misturam-se com se já há muito se conhecessem».

 «Para mim, isto é parte de um sonho que se tornou realidade. Há ainda um longo caminho a ser percorrido, mas, graças a Deus, temos sinais evidentes de que somos capazes de fazê-lo».

 Para o purpurado, o evento desportivo teve um efeito positivo em todo o continente africano: «há apenas dois anos, testemunhamos experiências muito negativas de ataques xenófobos contra outros africanos, refugiados em busca de uma vida melhor, atacados por outros africanos, seus irmãos».

 «A Taça do mundo trouxe um sentimento de solidariedade entre os vários países africanos, que viram no mundial não apenas um evento para a África do Sul, mas para toda a África. Isto fez muito pela unidade da África – muito mais do que puderam fazer os discursos dos políticos», concluiu.

 

 

INGLATERRA

 

DIVISÕES GRAVES

NA IGREJA ANGLICANA

 

A Igreja anglicana manifesta-se dividida pela «ordenação episcopal» de mulheres, no Sínodo Geral que terminou em 13 de Julho passado.

 

A Igreja de Inglaterra rejeitou uma proposta do arcebispo de Cantuária e figura de referência dos Anglicanos de todo o mundo, Rowan Williams, que permitiria excepções às paróquias que não quisessem ser dirigidas por uma mulher Bispo. Alguns analistas consideram que Rowan Williams terá grandes dificuldades em manter a unidade da Igreja Anglicana.

O Sínodo Geral decidiu que não era necessário esperar mais tempo para permitir a ordenação de mulheres como Bispos.

Na Igreja anglicana, as mulheres já podiam ser sacerdotes – foram ordenadas mais de cinco mil desde 1994 –; agora a sua ascensão ao episcopado é vista com preocupação por alguns sectores devido às implicações na linhagem episcopal, além de colocar em causa a legitimidade de ordenações conferidas por bispos do sexo feminino.

A Igreja Episcopal escocesa autoriza desde 2003 a ordenação de bispos do sexo feminino, mas até hoje nenhuma mulher chegou a esse ministério, enquanto que a Igreja do País de Gales se pronunciou contra um projecto similar em Abril de 2008.

Os opositores da ordenação de mulheres-bispos avisaram que se a sua posição não fosse respeitada, um grande número de membros do clero e do laicado poderia juntar-se à Igreja Católica.

 

Bento XVI, que se desloca ao Reino Unido em Setembro, publicou em Novembro de 2009 a Constituição apostólica «Anglicanorum coetibus» sobre a instituição de Ordinariatos Pessoais para os Anglicanos que entram em plena comunhão com a Igreja Católica, a quem seria autorizado manter alguns aspectos da sua liturgia e património espiritual.

O principal obstáculo a esta transição é de ordem financeira, uma vez que os presbíteros perderão automaticamente as suas casas e pensões, o que levanta dificuldades a quem tem família, já que o ordenado de um padre católico poderá não chegar para as necessidades.

Além da ordenação episcopal de mulheres, a Igreja anglicana é atravessada mundialmente por divisões sobre a aceitação de bispos homossexuais, sendo favoráveis nos Estados Unidos da América, Canadá e Austrália, opondo-se na Ásia e na África.

A Igreja Anglicana, que conta com cerca de 77 milhões de fiéis, nasceu no século XVI, no seguimento de uma ruptura com a Igreja Católica, depois de o Papa Clemente VII ter recusado conceder o divórcio ao rei de Inglaterra, Henrique VIII.

 

 

UNIÃO EUROPEIA

 

IMPORTÂNCIA DAS RELIGIÕES

NA LUTA CONTRA A POBREZA

 

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, elogiou no passado dia 19 de Julho o papel das Igrejas e comunidades religiosas na luta contra a pobreza dentro da UE.

 

«As Igrejas e as comunidades religiosas são importantes fornecedores de serviços sociais nos Estados-membros da União Europeia. Se quisermos combater a pobreza de forma eficaz, é essencial aprender com a sua longa e abrangente experiência», disse, num encontro com 22 representantes cristãos, judaicos, muçulmanos, sikh e hindus.

A iniciativa, que se repete pela sexta vez, teve como anfitriões José Manuel Durão Barroso, Jerzy Buzek, presidente do Parlamento Europeu, e Herman van Rompuy, presidente do Conselho Europeu.

Pela primeira vez, o encontro decorreu ao abrigo do novo contexto do Tratado de Lisboa, que no seu artigo 17 prevê um diálogo «aberto, transparente e regular» entre a UE e as comunidades religiosas.

Desta vez, a reunião foi dedicada ao tema da pobreza, com Durão Barroso a deixar votos de que «à medida que a Europa recupera da crise», surja uma nova geração «que integre os mais vulneráveis na sociedade».

Presente no encontro, o Cardeal Peter Erdö, Arcebispo de Budapeste (Hungria) e presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa, considerou que «a pobreza é não só uma questão de bens materiais, mas também uma questão antropológica».

«Devemos procurar juntos o que é importante para o ser humano, o que é antropologicamente fundamental para o bem humano», disse.

No final do encontro, Durão Barroso, escusou-se a assumir uma posição sobre a proibição de símbolos religiosos, apontando que essa é uma questão da exclusiva competência dos Estados-membros da União Europeia, e não das instituições comunitárias.

 

 

ANGOLA

 

PRESIDENTE PORTUGUÊS

CONDECOROU CARDEAL

 

O presidente da República Portuguesa Cavaco Silva condecorou no passado dia 19 de Julho, com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo, o Arcebispo Emérito de Luanda, Cardeal Alexandre do Nascimento, no âmbito da visita de Estado a Angola.

 

A cerimónia decorreu na Residência da Embaixada de Portugal em Luanda.

A distinção teve em conta o papel do Cardeal Alexandre do Nascimento na reconciliação nacional e no apoio aos mais desfavorecidos.

Cavaco Silva recordou o contributo deste «amigo de Portugal» no processo de paz angolano e as inúmeras conversas que teve com D. Alexandre do Nascimento «sobre o sofrimento e a destruição que reinavam em Angola nos tempos da guerra civil».

«Pude testemunhar o empenho de D. Alexandre do Nascimento na procura da paz. O seu nome ficará inscrito nas páginas nobres da história de Angola», afirmou o presidente português.

 

 

ÍNDIA

 

CENTENÁRIO DO NASCIMENTO

DA MADRE TERESA

 

Bento XVI assinalou no passado dia 26 de Agosto o 100.º aniversário do nascimento da Madre Teresa de Calcutá com uma mensagem à Superiora Geral das Missionárias da Caridade, a Irmã Mary Prema, unindo-se espiritualmente às celebrações.

 

Para o Santo Padre, a celebração do centenário é uma oportunidade para manifestar «alegre gratidão a Deus pelo dom inestimável que a Madre Teresa foi durante a sua vida».

«Tendo respondido com confiança ao chamamento directo do Senhor, Madre Teresa exemplificou perante o mundo as palavras de São João: 'Caríssimos, se Deus nos amou assim, também nós devemos amar-nos uns aos outros. Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e o seu amor chegou à perfeição em nós'».

A mensagem do Papa pede que as Missionárias da Caridade continuem o trabalho de Madre Teresa, «aproximando-se da pessoa de Jesus, cuja sede de almas é saciada pelo vosso ministério junto dos mais pobres dos pobres».

 

Processo de canonização

 

O processo de canonização de Madre Teresa de Calcutá encontra-se à espera da confirmação de um milagre para poder avançar, revelou o Cardeal José Saraiva Martins.

O Prefeito emérito da Congregação para a Causa dos Santos explicou que, neste momento, a situação não depende da Santa Sé e deste Dicastério da Cúria Romana.

«Enquanto não for apresentado à Congregação uma cura considerada como milagre, a Santa Sé não pode fazer nada», afirmou o Cardeal português, precisando, no entanto, que a causa não está parada.

Madre Teresa de Calcutá foi beatificada em 2003, seis anos após a sua morte, depois de João Paulo II ter dispensado o período de espera de cinco anos determinado pelo direito canónico.

Em 2007 foram analisados alguns possíveis milagres, mas a causa de canonização concluiu que não poderiam ser apresentados ao Vaticano, e responsáveis da Igreja Católica na Índia confirmaram que ainda não surgiu uma cura julgada aceitável.

Madre Teresa de Calcutá, fundadora da Congregação das Missionárias da Caridade, faleceu no dia 5 de Setembro de 1997. A Mãe dos pobres, como ficou conhecida, foi beatificada em Outubro de 2003 por João Paulo II, sendo Prefeito o Cardeal Saraiva Martins.

Quase sete anos depois, ainda não foi possível reconhecer outro milagre, uma cura que a medicina actual não consiga explicar, passo essencial para que o processo avance.

A Irmã Mary Prema, de nacionalidade alemã, Superiora Geral das Missionárias da Caridade, referiu em entrevista à Agência Fides que não está preocupada com esta situação, afirmando que «todo o mundo sabe» que Madre Teresa «é santa» e que a própria fundadora da Congregação «era o milagre para o mundo e para a humanidade».

A canonização é a confirmação, por parte da Igreja, de que um fiel católico é digno de culto público universal (no caso dos beatos, o culto é particular). É um acto reservado ao Papa, desde o século XII.

 

 

FRANÇA

 

VATICANO CRITICA

EXPULSÃO DE CIGANOS

 

O secretário do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes (CPPMI), arcebispo Agostino Marchetto, disse que a Igreja não tem uma agenda política quando critica a expulsão dos ciganos ordenada pelo governo.

 

«A Igreja é a Igreja, não está à direita, à esquerda ou ao centro. Ela apresenta respeitosamente o seu ponto de vista sobre tudo aquilo que concerne às leis morais e a sua doutrina social», afirmou.

A França expulsou 635 ciganos desde o dia 28 de Julho e o número deve subir para cerca de 950 até ao final do mês de Agosto, dado que o governo francês tem vindo a desmantelar os acampamentos ilegais de ciganos e a providenciar a sua repatriação.

«Quando há expulsões, há sofrimento e eu não posso alegrar-me com o sofrimento dessas pessoas, em particular quando se trata de fracos e pobres perseguidos, que foram vítimas de um holocausto e que vivem sempre a fugir de quem os caça», referiu Mons. Marchetto.

A este respeito, o Arcebispo lembrou que 600 mil ciganos perderam a vida às mãos do regime nazi, durante a II Guerra Mundial, «um drama muitas vezes esquecido».

Mons. Agostino Marchetto disse que as expulsões não podem ser colectivas, porque «não se pode culpar toda uma população pela violação de leis cometidas por alguns».

«Não queremos entrar em discussões políticas, mas apoiamos a causa do homem, e, em particular, daqueles que, em dado momento, sofrem demasiado e devem ser ajudados a superar as suas dificuldades», acrescentou.

Para obviar a este problema, seria importante «criar uma regulamentação especial» para a presença dos ciganos, «a mais importante minoria na Europa, com mais de 12 milhões de pessoas».

 

 

SRI LANKA

 

BISPOS ALERTAM PARA

SITUAÇÃO DAS VÍTIMAS DA GUERRA

 

Representantes da Conferência Episcopal do Sri Lanka (antiga Ceilão) encontraram-se com o presidente Mahinda Rajapaksa, para discutirem a situação das vítimas de guerra, no Norte e no Leste do país.

 

Apesar da guerra civil entre o governo e o grupo «Tigres de Libertação da Pátria Tamil» ter terminado há mais de um ano, cerca de 77 mil pessoas ainda continuam presas, em campos de reeducação.

Os bispos cingaleses, liderados pelo arcebispo de Colombo, Mons. Malcolm Ranjith, pediram a Mahinda Rajapaksa para que possibilite o regresso dos prisioneiros às suas casas.

O presidente do Sri Lanka foi ainda interpelado para olhar para a situação dos civis, muitos deles sem meios de subsistência e à mercê dos militares, que ocuparam as suas terras.

A Igreja cingalesa convida ainda Mahinda Rajapaksa para que colabore com as organizações não governamentais, no sentido de atender às necessidades dos deslocados.

A delegação solicitou que fosse formada uma comissão consultiva, integrando membros da Igreja e liderada por um ministro, para garantir o bom andamento dos trabalhos.

 

 

CHILE

 

PREOCUPAÇÃO PELOS 33

MINEIROS SOTERRADOS

 

O Vaticano continua a acompanhar atentamente a situação dos 33 mineiros que estão presos na mina de São José, procurando transmitir força e esperança às vítimas e suas famílias.

 

Os 33 mineiros receberam no passado dia 2 de Setembro um conjunto de terços benzidos pelo Papa.

O arcebispo de Santiago do Chile, Mons. Francisco Errázuriz, foi ao local levar os terços e manteve um breve diálogo com os soterrados, animando-os a ultrapassar esta adversidade. O prelado celebrou ainda uma Missa, em pleno deserto de Atacama, onde a mina se encontra, congregando os familiares dos trabalhadores vítimas do acidente.

Recorde-se que os mineiros estão presos desde o dia 5 de Agosto, a 700 metros de profundidade, depois de um desmoronamento num dos túneis da mina.

Por agora, a situação das vítimas é estável, dentro do possível. Depois de um período em que fizeram um tratamento de nutrição especial, estão agora a receber alimentação normal.

Três dos mineiros apresentam lesões leves na pele, que os médicos pensam serem motivadas pelas vacinas que receberam, contra doenças como a difteria, gripe ou tétano.

As equipas de salvamento estão a trabalhar na perfuração do túnel, para proceder ao resgate. Várias soluções de salvamento já foram debatidas, a última das quais a utilização de uma máquina utilizada na perfuração petrolífera, devido à profundidade que está em causa.

O prazo calculado para o resgate das vítimas aponta para um período de 3 a 4 meses.

 

 

ESPANHA

 

VAI SER BASÍLICA

A IGREJA DE GAUDÍ

 

Bento XVI vai atribuir o título de Basílica à igreja da Sagrada Família, de Barcelona, obra máxima de Antoni Gaudí, durante a sua visita apostólica à cidade, no próximo dia 7 de Novembro.

 

O anúncio foi feito pelo arcebispo de Barcelona, Cardeal Lluís Martínez Sistach, perante centenas de jornalistas, na sala Gaudí do museu diocesano de Barcelona.

A visita apostólica de Bento XVI à Espanha começa no Sábado, 6 de Novembro próximo, com a chegada a Santiago de Compostela.

Na noite desse mesmo dia chega ao aeroporto do Prat de Barcelona e na manhã seguinte seguirá até à igreja da Sagrada Família.

A imponente obra que Antoni Gaudí (1852-1926) deixou inacabada é o exemplo mais representativo da genialidade do arquitecto catalão.

Os trabalhos iniciaram-se em 1883, e as partes pessoalmente concluídas por Gaudí foram a Cripta Neo-Gótica, parte da abside e a fachada da Natividade. Das quatro torres desta última, o autor apenas viu concluída a dedicada a São Barnabé.

Após a morte do arquitecto, os trabalhos continuaram, mas em 1936, durante a guerra civil Espanhola, os desenhos e maquetas deixados por este foram destruídos por um incêndio, tendo o projecto sido retomado mais tarde em 1952.

 


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