acontecimentos eclesiais

DO PAÍS

 

FÁTIMA

 

LITURGIA

PARA O TERCEIRO MILÉNIO

 

Os católicos portugueses têm de participar mais nas acções litúrgicas. O alerta foi dado pelos cerca de 1500 responsáveis de todas as Dioceses do país e vários Institutos Religiosos que estiveram em Fátima, de 26 a 30 de Julho, para o 30.º Encontro Nacional de Liturgia, sobre o tema «Liturgia para o terceiro milénio».

 

O presidente da Comissão Episcopal da Liturgia, D. António Taipa, salientou hoje a ideia de que a Liturgia não é tudo, mas é para tudo, procurando vincar a relação da acção litúrgica com os vários momentos e gestos dos católicos.

O Pe. Pedro Lourenço, director do Secretariado Nacional de Liturgia (SNL), explicou que antigamente pensava-se que era o padre ou as irmãs quem se ocupava da Liturgia, mas esta é uma actividade própria de Cristo que todos os seus membros devem exercer.

Os leigos são chamados a uma maior participação, mesmo para além dos ministérios já instituídos no interior da Igreja, como o de leitor ou o do acólito. Houve aqui a consciência de que todos os baptizados são chamados a exercer o seu ministério litúrgico, a participar na Liturgia, esclarece este responsável.

«A Igreja precisa de recuperar a sensibilidade litúrgica, recuperando a relação da Liturgia com a acção social ou missionária: quem comunga e celebra Cristo tem de entrar em comunhão com o seu irmão», assinala o Pe. Pedro Lourenço.

A iniciativa do SNL pretende actualizar em Portugal os ensinamentos do Concílio Vaticano II nos 40 anos da Constituição Sacrosanctum Concilium. «A escolha do tema foi facilitada por este aniversário, que o Papa já assinalou com um documento próprio, e quisemos fazer-nos eco desta preocupação eclesial», explica o Pe. Pedro Lourenço.

Para o director do SNL, «é importante que cada ministro saiba o que tem a fazer e é importante que todos tenham o sentido da unidade para que haja uma uniformidade maior no decurso da celebração». Uma das preocupações visíveis no Encontro Nacional de Liturgia é a de oferecer exemplos concretos, celebrações com textos e música próprios, para que sejam aplicados nas igrejas particulares.

Outra das conclusões do encontro é a necessidade de formação litúrgica para os leigos, de modo a que possa crescer o interesse nos ministérios litúrgicos na vida dos mesmos.

 

 

CUCUJÃES

 

SUPERIOR GERAL, MEMBRO

DE DICASTÉRIO ROMANO

 

João Paulo II nomeou o Pe. António Couto, Superior Geral da Sociedade Missionária da Boa Nova, como membro da Congregação para a Evangelização dos povos.

 

Este Dicastério dirige e coordena em todo o mundo o trabalho de evangelização da Igreja Católica e todas as iniciativas de cooperação missionária. Preside ainda ao governo das missões e examina todas as questões e relatórios enviados pelos Bispos e Conferências Episcopais.

A Sociedade Missionária da Boa Nova (SMBN) foi criada no ano de 1930, preparando-se para comemorar os seus 75 anos de história ao serviço da missão cristã em Angola, Brasil, Japão, Moçambique, Portugal e Zâmbia. A SMBN é uma Sociedade de Padres diocesanos e de Leigos que se consagram por toda a vida à evangelização do mundo

 

 

BRAGA

 

CENTENÁRIO DA COROAÇÃO

NO SANTUÁRIO DO SAMEIRO

 

«Há 100 anos, os nossos antepassados participaram na cerimónia de coroação de Nossa Senhora. Hoje subimos em peregrinação e fazemos o mesmo: queremos manifestar o mesmo carinho e devoção à nossa Mãe» - disse D. Manuel Monteiro de Castro, Núncio Apostólico em Espanha, na homilia da Eucaristia da peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora do Monte Sameiro.

 

Esta caminhada, realizada no dia 22 de Agosto passado, serviu para recordar o centenário da coroação da imagem de Nossa Senhora.

A celebração começou com a procissão que teve o seu início no Santuário do Bom Jesus, logo de manhã. A rezar e a cantar, os peregrinos percorreram o trajecto até ao Santuário do Sameiro com um espírito de devoção bem visível e contou com a participação de milhares de pessoas provenientes de todo o país. Participaram igualmente alguns emigrantes que aproveitaram as férias para participar na peregrinação.

«Foi uma procissão muito vivida. Cantei e rezei com as pessoas. Estou fora do país desde 1961, mas a devoção a Nossa Senhora do Sameiro permanece» – realçou o Núncio Apostólico. «O trajecto da procissão é uma oportunidade para contemplarmos a criação de Deus, as maravilhas que Ele operou. Também temos de dar glória a Deus por isso» - referiu o representante da Santa Sé em Espanha.

D. Manuel Monteiro de Castro explicou que Nossa Senhora «ensina a amar os irmãos e, por isso, revela o carácter sagrado da vida humana. Nossa Senhora é um exemplo de solidariedade e de procura incessante do bem comum. Temos de dar testemunho de tudo isso com constância e persistência».

 

 

FIGUEIRA DA FOZ

 

POLÉMICA SOBRE

O «BARCO DO ABORTO»

 

Nos primeiros dias de Setembro, causou uma polémica nacional o navio holandês com clínica para realizar o aborto, que pretendia entrar no porto da Figueira da Foz para receber parturientes que quisessem abortar em alto mar – uma vez que é declarado crime em Portugal o aborto, a não ser em certas circunstâncias especiais. O Governo português proibira a sua entrada no porto invocando a ilegalidade do seu objectivo, pelo que o navio foi obrigado a manter-se em águas extra-territoriais.

 

O problema fundamental não é o barco mas o aborto – disse à Agência Ecclesia D. Jacinto Botelho, bispo de Lamego e presidente da Comissão Episcopal da Família. O aborto provocado num barco ou numa clínica não muda a natureza da perversidade – sublinhou o prelado de Lamego

Em relação à publicidade dada pela Comunicação Social a este barco, D. Jacinto Botelho realça que este assunto é um exagero visto que promove um atentado contra a vida. Algumas pessoas que falam sobre o «barco do aborto» não defendem a dignidade da vida humana e parece que falam para chocar as pessoas. Esta questão não é um problema religioso mas de direito natural – salienta. O Concílio Vaticano II chama-lhe «crime abominável».

A vinda deste barco a Portugal causa-me pena – lamenta-se – porque, ao ouvir algumas pessoas a falar e dizer que o nosso país está na cauda da Europa, parece que a expressão do progresso passa pelo aborto. Este barco só pode causar polémica, porque não há ninguém bem intencionado que possa concordar com esta exibição. É uma forma de exibicionismo.

Para o presidente da Comissão Episcopal da Família, é contraditório que as mesmas pessoas que fazem manifestações contra a guerra sejam apologistas do aborto.


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