Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos

2ª Missa

2 de Novembro de 2010

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Nós Te rogamos Senhor, M. Luis, NRMS 19-20

cf. Esdr 2, 34-35

Antífona de entrada: Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso, nos esplendores da luz perpétua.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O encontro com o Deus Vivo que nos oferece a vida em abundância, leva-nos a uma atitude de louvor, gratidão e gestos de correspondência à Sua vontade.

A Eucaristia que celebramos é partilha de amor e de vida que Deus faz connosco. Ele espera que saibamos corresponder.

Esta vida e amor estende-se à eternidade. Tenhamos bem presente todos os que já partiram e se purificam no purgatório.

Que a nossa Eucaristia seja de facto mistério de purificação, vida e amor para todos nós pecadores.

 

Oração colecta: Senhor, glória dos fiéis e vida dos justos, que nos salvastes pela morte e ressurreição do vosso Filho, acolhei com bondade os vossos fiéis defuntos, de modo que, tendo eles acreditado no mistério da ressurreição, mereçam alcançar as alegrias da bem-aventurança eterna. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Todo o bem que fazemos, toda a partilha em Deus, opção maravilhosa, manifesta-se em vida e purificação.

 

2 Macabeus 12, 43-46

Naqueles dias, 43Judas Macabeu fez uma colecta entre os seus homens de cerca de duas mil dracmas de prata e enviou-as a Jerusalém, para que se oferecesse um sacrifício de expiação pelos pecados dos que tinham morrido, praticando assim uma acção muito digna e nobre, inspirada na esperança da ressurreição. 44Porque, se ele não esperasse que os que tinham morrido haviam de ressuscitar, teria sido em vão e supérfluo orar pelos mortos. 45Além disso, pensava na magnífica recompensa que está reservada àqueles que morrem piedosamente. Era um santo e piedoso pensamento. Por isso é que ele mandou oferecer um sacrifício de expiação pelos mortos, para que fossem libertos do seu pecado.

 

Judas Macabeu é o grande herói tanto do 1º como do 2º livro dos Macabeus; seguiu o seu pai Matatias na resistência contra a helenização pagã do povo de Israel, tendo chegado, em 165, a conseguir a purificação do templo e a restauração do culto (cf. 1 Mac 4, 36-59; 2 Mac 10, 1-9). O seu título de Macabeu significa martelo ou malho, título que lhe veio da impugnação do paganismo imposto pelo soberano sírio, e das derrotas infligidas aos opressores do povo judeu (sírios e egípcios). A leitura fala duma colecta de 2.000 dracmas de prata (não 12.000 como aparecia na Vulgata, um texto que a Nova Vulgata corrige, de acordo com os melhores manuscritos). A moeda grega pesava cerca de 4 gramas de prata; tratava-se, pois, de cerca de oito quilos de prata.

46 «Um santo e piedoso pensamento». O sacrifício que Judas manda oferecer revela a fé numa vida além-túmulo; a aprovação formal do hagiógrafo deixa-nos ver como a oração pelos defuntos que têm faltas a expiar é uma coisa que lhes aproveita (aqueles soldados mortos no campo de batalha conservavam despojos que tinham sido ofertas aos ídolos, o que era proibido pela Lei). Daqui se deduz a existência do Purgatório, uma fase de expiação de pecados que não impedem a salvação eterna, mas, de alguma maneira, a atrasam (um modo de falar duma realidade transcendente em linguagem humana). É sobretudo a Tradição, a vida e Magistério da Igreja que esclarecem esta doutrina revelada por Deus. Ver a bela referência ao Purgatório na Encíclica de Bento XVI, Spe salvi, nº 47 e 48.

 

Salmo Responsorial     Sl 102 (103), 8 e 10.13-14.15-16.17-18 (R. 8a ou Sl 36 (37), 39a)

 

Monição: A misericórdia do Senhor realiza maravilhas em todos os que se deixam construir por Ele.

 

Refrão:        O Senhor é clemente e cheio de compaixão.

 

Ou:               A salvação dos justos vem do Senhor.

 

O Senhor é clemente e compassivo,

paciente e cheio de bondade.

Não nos tratou segundo os nossos pecados,

nem nos castigou segundo as nossas culpas.

 

Como um pai se compadece dos seus filhos,

assim o Senhor Se compadece dos que O temem.

Ele sabe de que somos formados

e não Se esquece que somos pó da terra.

 

Os dias do homem são como o feno:

ele desabrocha como a flor do campo

mal sopra o vento desaparece

e não mais se conhece o seu lugar.

 

A bondade do Senhor permanece eternamente sobre aqueles que O temem

e a sua justiça sobre os filhos dos seus filhos,

sobre aqueles que guardam a sua aliança

e se lembram de cumprir os seus preceitos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Paulo convida-nos à sabedoria, à confiança, à responsabilidade do amor.

 

2 Coríntios 5, 1.6-10

Nós sabemos que, se esta tenda, que é a nossa morada terrestre, for desfeita, recebemos nos Céus uma habitação eterna, que é obra de Deus e não é feita pela mão dos homens. Por isso, estamos sempre cheios de confiança, sabendo que, enquanto habitarmos neste corpo, vivemos como exilados, longe do Senhor, pois caminhamos à luz da fé e não da visão clara. E com esta confiança, preferíamos exilar-nos do corpo, para irmos habitar junto do Senhor. Por isso nos empenhamos em ser-Lhe agradáveis, quer continuemos a habitar no corpo, quer tenhamos de sair dele. Todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que receba cada qual o que tiver merecido enquanto esteve no corpo, quer o bem quer o mal.

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: Somos convidados a crer firmemente que Cristo é o Filho de Deus, que é a ressurreição e a vida.

 

Aleluia

 

Cântico: Az. Oliveira, NRMS 36

 

Eu sou a ressurreição e a vida, diz o Senhor.

Quem acredita em Mim nunca morrerá.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 7, 11-17

Naquele tempo, 11dirigia-Se Jesus para uma cidade chamada Naim; iam com Ele os seus discípulos e uma grande multidão. 12Quando chegou à porta da cidade, levavam um defunto a sepultar, filho único de sua mãe, que era viúva. Vinha com ela muita gente da cidade. 13Ao vê-la, o Senhor compadeceu-Se dela e disse-lhe: «Não chores». 14Jesus aproximou-Se e tocou no caixão; e os que o transportavam pararam. Disse Jesus: «Jovem, Eu te ordeno: levanta-te». 15O morto sentou-se e começou a falar; e Jesus entregou-o à sua mãe. 16Todos se encheram de temor e davam glória a Deus, dizendo: «Apareceu no meio de nós um grande profeta; Deus visitou o seu povo». 17E a fama deste acontecimento espalhou-se por toda a Judeia e pelas regiões vizinhas.

 

1 «Naim». Como também hoje, não seria propriamente uma cidade, mas uma pequena aldeia a uns 10 km a Sueste de Nazaré. É frequente que S. Lucas dê o nome da cidade a pequenas aldeias. É esta a única passagem em toda a Bíblia onde se fala desta terra, o que leva a crer que seria mesmo um lugarejo sem importância, mas isso não obstou a que Jesus fizesse ali um grande milagre. É S. Lucas o único Evangelista a contá-lo, o Evangelista que mais se detém a retratar a misericórdia do coração de Cristo; nem sequer foi preciso um pedido formal da desolada viúva para que, com uma única palavra, transformasse o seu choro na maior alegria, devolvendo-lhe o seu único filho vivo. Os funerais costumavam realizar-se no mesmo dia da morte, ao meio da tarde.

15 «E Jesus entregou-o à mãe». Santo Agostinho comenta: «Esta mãe viúva alegra-se com o filho ressuscitado. Diariamente se alegra a Mãe Igreja com os homens que ressuscitam na sua alma. Aquele estava morto quanto ao corpo; estes, quanto ao seu espírito. Aquela morte visível chora-se visivelmente; a morte invisível destes nem se chora nem se vê. Anda à busca destes mortos Aquele que os conhece, Aquele que pode fazê-los voltar à vida» (Sermão 98, 2). O mesmo Santo afirma que é um maior milagre a conversão dum pecador do que a ressurreição dum morto, embora seja menos espectacular.

 

Sugestões para a homilia

 

Resposta de esperança.

Crer, amar e seguir Jesus Cristo

 

Resposta de esperança.

A palavra de Deus desta eucaristia está repassada da esperança. Judas Macabeu partilha a esperança. Depois de um panorama de tragédia, de sofrimento e de morte, e perante este desafio, Judas Macabeu, crê que é possível partilhar a esperança em gestos de oração, sacrifício e partilha.

Também Paulo nos apela a vivermos a sabedoria da esperança. Por entre os desafios, as dificuldades, as mudanças, a consciência da realidade da nossa fragilidade, Paulo, apela à esperança. Esperança da vida eterna, da pátria definitiva, da habitação eterna. É uma esperança vivida na fé na ressurreição de Cristo e com a nossa responsabilidade e compromisso.

Também Cristo abre a Marta o leque de perspectivas. Convida à esperança. Se ela se abrir à fé no poder que Jesus Cristo tem de dar a vida, porque Filho de Deus, então o seu irmão como todos os que crêem, passam da morte à vida.

Crer, amar e seguir Jesus Cristo.

A centralidade da nossa fé e da caminhada de cada um centra-se em aceitar, amar e seguir Jesus Cristo. Este é o itinerário de cada baptizado. Cada baptizado foi mergulhado no mistério de Cristo. E a ressurreição de Cristo, sinal fundamental da vitória sobre a fragilidade, o mal, a morte é garantia total do seu poder de dar a vida, de nos fazer passar da morte para a vida, numa transformação radical e nova, isto é, para a condição nova de ressuscitados.

Tal caminhada supõe dinamismo, crescimento, maturidade: santidade.

Supõe o encontro pessoal com Cristo, conhecê-Lo, amá-lo, segui-Lo. E a face mais eloquente deste seguimento é a Cruz, o dar a vida, o viver o mesmo projecto, não só de palavras e ideias, mas sobretudo da vida concreta e real, de uma vida que se apaga e se transforma radicalmente em projecto de Cristo ressuscitado.

 

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

Unidos na mesma fé, roguemos a Jesus Cristo

pelos nossos irmãos defuntos, pela Igreja,

pela paz do mundo e pela nossa salvação,

dizendo (ou: cantando), com alegria:

 

R. Ouvi-nos Senhor.

Ou: Cristo, Filho de Deus Vivo, atendei-nos.

Ou: senhor, ressurreição e vida, ouvi-nos.

 

1.  Pelo Papa Bento XVI, pelos bispos, presbíteros e diáconos,

para que creiam firmemente em Jesus Cristo, Filho de Deus,

irradiem a Sua Vida, o Seu amor e a Sua proposta,

oremos, irmãos.

 

2.  Para que a Igreja, Mãe e Mestra da verdade,

cuide sempre dos seus filhos neste mundo e

interceda por aqueles que já partiram,

oremos, irmãos.

 

3.  Para que os nossos familiares defuntos

e todos aqueles de quem já ninguém se lembra

possam contemplar o rosto de Cristo glorioso,

oremos, irmãos.

 

4.  Para que todas as famílias que estão tristes

recordem os seus defuntos com amor,

e com esperança orem por eles ao Pai do Céu,

oremos, irmãos.

 

5.  Para que todos os fiéis de Jesus Cristo

recebam d’Ele o sentido cristão da vida e se

empenhem por viver como Ele mandou,

oremos, irmãos.

 

6.  Para que o Senhor, que é clemente e compassivo,

livre todos os seus fiéis defuntos do poder das trevas

e da morte eterna,

oremos, irmãos.

 

7.  Para que os membros da nossa comunidade (paroquial)

possam contemplar no Céu, com alegria,

o rosto de Cristo ressuscitado,

oremos, irmãos.

 

 

Senhor Jesus Cristo que dissestes: «Todo aquele

que vive e crê em mim não morrerá mas há-de viver»,

dignai-Vos despertar  a nossa esperança, para que possamos

saborear na terra a glória  a que nos chamais no Céu.

Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: A hóstia branca do nosso altar, M. Faria, NRMS 3 (I)

 

Oração sobre as oblatas: Deus de bondade infinita, que purificastes na água do Baptismo os vossos servos defuntos, purificai-os também agora no Sangue de Cristo, por este sacrifício de reconciliação. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio dos Defuntos: p. 509 [652-764] e pp. 510-513

 

Santo: F. da Silva, NRMS 14

 

Monição da Comunhão

 

Pela comunhão, Cristo, lança-nos a exigente proposta de comunhão com Deus e com os irmãos.

A Comunhão é força para vencer todos os medos e inibições. É proposta de doação e entrega.

 

Cântico da Comunhão: Eu sou o Pão vivo, C. Silva, NMRS 36

cf. Esdr 2, 35.34

Antífona da comunhão:

V. Brilhe para eles a luz perpétua.

R. Vivam para sempre com os vossos Santos, porque Vós sois bom, Senhor.

V. Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno, nos esplendores da luz perpétua.

R. Vivam para sempre com os vossos Santos, porque Vós sois bom, Senhor.

 

Oração depois da comunhão: Ao recebermos o sacramento do vosso Filho, que por nós foi imolado e ressuscitou glorioso, humildemente Vos suplicamos, Senhor, pelos vossos fiéis defuntos, para que, purificados pelo mistério pascal, alcancem a glória da ressurreição futura. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos cheios de esperança. Não tenhamos medo da conversão; de dispor da vida ao serviço de Cristo e dos irmãos; de lutar até ao fim com generosidade e confiança.

Vamos construir no presente com o nosso olhar nas coisas invisíveis, mas sobretudo com o nosso olhar em Cristo Ressuscitado

Olhemos para a Mãe de Jesus, vida feita misericórdia e intercessão por todos os seus filhos.

 

Cântico final: Jerusalém do alto, M. Faria, NRMS 3 (I)

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Armando Rodrigues Dias

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial