29º Domingo Comum

D. M. das Missões

17 de Outubro de 2010

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vinde, Senhor, vinde em meu auxílio, A. Cartageno, NRMS 90-91

Salmo 16, 6.8.9

Antífona de entrada: Respondei-me, Senhor, quando Vos invoco, ouvi a minha voz, escutai as minhas palavras. Guardai-me dos meus inimigos, Senhor. Protegei-me à sombra das vossas asas.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A liturgia de hoje convida-nos a manter com Deus uma relação estreita, uma comunhão íntima, um diálogo insistente: só dessa forma será possível ao crente aceitar os projectos de Deus, compreender os seus silêncios, respeitar os seus ritmos, acreditar no seu amor.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, dai-nos a graça de consagrarmos sempre ao vosso serviço a dedicação da nossa vontade e a sinceridade do nosso coração. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A primeira leitura dá a entender que Deus intervém no mundo e salva o seu Povo servindo-se, muitas vezes, da acção do homem; mas, para que o homem possa ganhar as duras batalhas da existência, ele tem que contar com a ajuda e a força de Deus… Ora, essa ajuda e essa força brotam da oração, do diálogo com Deus.

 

Êxodo 17, 8-13

 

8Naqueles dias, Amalec veio a Refidim atacar Israel. 9Moisés disse a Josué: «Escolhe alguns homens e amanhã sai a combater Amalec. Eu irei colocar-me no cimo da colina, com a vara de Deus na mão». 10Josué fez o que Moisés lhe ordenara e atacou Amalec, enquanto Moisés, Aarão e Hur subiram ao cimo da colina. 11Quando Moisés tinha as mãos levantadas, Israel ganhava vantagem; 12mas quando as deixava cair, tinha vantagem Amalec. Como as mãos de Moisés se iam tornando pesadas, trouxeram uma pedra e colocaram-na por debaixo para que ele se sentasse, enquanto Aarão e Hur, um de cada lado, lhe seguravam as mãos. Assim se mantiveram firmes as suas mãos até ao pôr do sol 13e Josué desbaratou Amalec e o seu povo ao fio da espada.

 

O livro do Êxodo não cessa de exaltar a Providência divina em favor do povo que, liberto da opressão do Egipto, é guiado a caminho da terra prometida; não só o alimenta e lhe mata a sede, como também o livra das mãos dos inimigos.

8 «Amalec», isto é, os amalecitas, um tradicional inimigo de Israel, espalhado pelo norte do Sinai e a sul do Négueb, até aos tempos de Ezequias, em que foi completamente apagada a sua memória (cf. v. 14). Aqui aparecem como um grupo inimigo, que disputaria os escassos oásis do deserto com as suas fontes e pastagens. «Refidim», lugar incerto a SW da península do Sinal, um lugar de passagem dos israelitas a caminho do monte Horeb (Sinai).

9 «Com a vara de Deus na mão...» Alguns pensam, e com razão, que Moisés, no cimo do monte, não se limitou a rezar de braços abertos, mas que, com a vara, ia fazendo sinais para a planície, a fim de Josué conduzir bem o combate. De qualquer modo, ao lermos o Êxodo, é contraproducente fixarmo-nos no rigor histórico dos relatos, embora estes tenham atrás de si tradições de valor. Queremos chamar a atenção para o perene valor paradigmático do gesto de Moisés. Ele torna-se uma imagem de Cristo mediador e do valor da oração de intercessão. Os Padres vêem na vara de Moisés uma figura da Cruz, que vence os inimigos do homem: demónio, o pecado e a morte. Por outro lado, também se pode ver, nas figuras de Aarão e Hur, o poder religioso, e, em Josué, o poder político-militar, ambos os poderes concentrados em Moisés, que haveriam de vir a diversificar-se.

 

Salmo Responsorial    Sl 120 (121), 1-8 (R. cf. 2)

 

Monição: Sabemos que o Senhor não abandona os que n’Ele confiam. A sua misericórdia corresponde à nossa esperança.

 

Refrão:        O nosso auxílio vem do Senhor,

                     que fez o céu e a terra.

 

Levanto os meus olhos para os montes:

donde me virá o auxílio?

O meu auxílio vem do Senhor,

que fez o céu e a terra.

 

Não permitirá que vacilem os teus passos,

não dormirá Aquele que te guarda.

Não há-de dormir nem adormecer

Aquele que guarda Israel.

 

O Senhor é quem te guarda,

o Senhor está a teu lado, Ele é o teu abrigo.

O sol não te fará mal durante o dia,

nem a lua durante a noite.

 

O Senhor te defende de todo o mal,

o Senhor vela pela tua vida.

Ele te protege quando vais e quando vens,

agora e para sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A segunda leitura apresenta uma outra fonte privilegiada de encontro entre Deus e o homem: a Escritura Sagrada. Sendo a Palavra com que Deus indica aos homens o caminho da vida plena, ela deve assumir um lugar preponderante na experiência cristã.

 

2 Timóteo 3, 14 – 4, 2

 

Caríssimo: 14Permanece firme no que aprendeste e aceitaste como certo, sabendo de quem o aprendeste. 15Desde a infância conheces as Sagradas Escrituras; elas podem dar-te a sabedoria que leva à salvação, pela fé em Cristo Jesus. 16Toda a Escritura, inspirada por Deus, é útil para ensinar, persuadir, corrigir e formar segundo a justiça. 17Assim o homem de Deus será perfeito, bem preparado para todas as boas obras. 4,1Conjuro-te diante de Deus e de Jesus Cristo, que há-de julgar os vivos e os mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: 2Proclama a palavra, insiste a propósito e fora de propósito, argumenta, ameaça e exorta, com toda a paciência e doutrina.

 

A leitura contém o texto clássico da inspiração da Sagrada Escritura (v. 16) e um apelo formal e solene à pregação do Evangelho, com o recurso a uma fórmula jurídica semelhante à dos testamentos greco-romanos, de modo a que o herdeiro fique obrigado a cumprir a vontade do testador (4, 1: «conjuro-te» – diamartyromai).

16 «Toda a Escritura, inspirada por Deus, é útil…» (outra tradução possível: «toda a Escritura é inspirada por Deus e também é útil…). A Igreja sempre entendeu e ensinou que: «Todos os livros, tanto do Antigo como do Novo Testamento, com todas as suas partes, foram escritos sob a inspiração do Espírito Santo e, por isso, têm a Deus como autor e, como tais, foram confiados à Igreja» (Vaticano II, DV 11). Na tradução litúrgica, aparece a inspiração da S. E., – uma interacção divino-humana, um verdadeiro mistério pertencente à ordem sobrenatural – como uma afirmação indirecta, pois o acento é posto na sua utilidade sobrenatural: dar a sabedoria que leva à salvação (v. 15), «ensinar, persuadir, corrigir e formar segundo a justiça» (v. 16), e levar à santidade de vida de um homem de Deus perfeito (v. 17).

 

Aclamação ao Evangelho        Hebr 4, 12

 

Monição: O Evangelho sugere que Deus não está ausente, nem fica insensível diante do sofrimento do seu Povo. Os crentes devem descobrir que Deus os ama e que tem um projecto de salvação para todos os homens; e essa descoberta só pode fazer-se através da oração, de um diálogo contínuo e perseverante com Deus.

 

Aleluia

 

Cântico: F. Silva, NRMS 35

 

A palavra de Deus é viva e eficaz,

pode discernir os pensamentos e intenções do coração.

 

 

Evangelho

 

Lucas 18, 1-8

 

1Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos uma parábola sobre a necessidade de orar sempre sem desanimar: 2«Em certa cidade vivia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens. 3Havia naquela cidade uma viúva que vinha ter com ele e lhe dizia: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário’. 4Durante muito tempo ele não quis atendê-la. Mas depois disse consigo: ‘É certo que eu não temo a Deus nem respeito os homens; 5mas, porque esta viúva me importuna, vou fazer-lhe justiça, para que não venha incomodar-me indefinidamente’». 6E o Senhor acrescentou: «Escutai o que diz o juiz iníquo!... 7E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo? 8Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa. Mas quando voltar o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?»

 

O tema central deste e do próximo domingo é o da oração. A parábola do juiz iníquo, exclusiva de Lucas, o evangelista da oração, é muito expressiva para mostrar a eficácia da oração e a necessidade que temos de insistir. Esta insistência não é para convertermos Deus, mas para nós nos convertermos a Ele, para nos abrirmos aos dons que Ele tem para nos dar, para nos colocarmos no nosso lugar de criaturas necessitadas de Deus. Compreende-se assim que Ele não nos dispense de clamar dia e noite e de «orar sempre sem desanimar» (v. 1).

7 «E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos que por Ele clamam dia e noite?» O contraste estabelecido pelo Senhor é flagrante. Como é que Deus não há-de escutar os nossos pedidos, sendo Ele um Pai amorosíssimo e infinitamente bom? A verdade é que não nos dispensa de clamar dia e noite e de «orar sempre sem desanimar» (v. 1).

8 «O Filho do homem encontrará fé sobre a terra? Para rezar e ser atendido é preciso fé, dessa «fé que transporta montanhas» (cf. Mt 17, 20). A falta de fé prevista para o fim dos tempos (cf. Mt 24, 10-12; 2 Tes 2, 3-5; 1 Tim 4, 1-3; 2 Tim 3, 1-9) não se revela só na negação das verdades reveladas por Deus, mas na perda do sentido da fé a nortear a vida.

 

Sugestões para a homilia

 

A dificuldade de orar num mundo marcado pela injustiça

Uma nova imagem de Deus

«É pela vossa perseverança que alcançareis a vossa salvação». (Lc 21,19)

A dificuldade de orar num mundo marcado pela injustiça

Jesus propôs a parábola para convidar os seus discípulos a não desanimarem no seu propósito de implantar o reino de Deus no mundo. Para isso deveriam ser constantes na oração, como o fora a viúva em pedir justiça até que fosse atendida por aquele juiz que se fazia de surdo para não escutar a sua súplica. E a sua constância alcançou-lhe a justiça.

Esta parábola do evangelho tem um final feliz, como tantas outras, embora nem sempre assim aconteça na vida real. Porque é que tanta gente morre sem que se lhe faça justiça, apesar de suplicar a Deus com frequência? Quantos mártires esperaram em vão a intervenção divina no momento do seu julgamento? Quantos pobres lutam para sobreviver sem que ninguém lhes faça justiça? Quantos crentes perguntam até quando vai durar o silêncio de Deus, quando é que Ele vai intervir neste mundo de desordem e injustiça legalizada? Como é que o Deus do amor e da paz permite guerras tão sangrentas e cruéis, a demente carreira de armamentos, ou o desperdício de recursos para a destruição do meio ambiente, a existência de um terceiro mundo que desfalece de fome, a consolidação dos desníveis de vida entre países e cidadãos?

Perante tanto sofrimento, para o cristão fica cada vez mais difícil rezar, entrar em diálogo com esse Deus a quem Jesus chama de «Pai», para pedir-lhe que «venha a nós o teu reino». Atravessado pela noite escura deste mundo, pela injustiça estrutural, fica cada dia mais difícil acreditar nesse Deus apresentado como omnipresente e omnipotente, que faz justiça perante o opressor e protege os oprimidos.

Uma nova imagem de Deus

Mas talvez seja necessário apagar essa imagem de Deus que, de facto, não corresponde às páginas evangélicas. Porque, lendo-as, tem-se a impressão de que Deus não é nem omnipotente nem impassível, mas sim frágil, sofredor, «padecente»; o Deus cristão revela-Se mais dando a vida que impondo uma determinada conduta aos seres humanos, está no meio da luta dos seus pobres e não à cabeça dos poderosos.

O cristão, consciente da companhia de Deus no seu caminho para a justiça e a fraternidade, não deve desfalecer, mas insistir na oração, pedindo força para perseverar até implantar o Seu reino num mundo onde dominam outros senhores. Neste caso, só a oração o manterá na esperança.

Até que este reino divino seja implantado, a situação do cristão no mundo assemelhar-se-á com aquela descrita por Paulo na carta aos Coríntios: «Somos atribulados por todos os lados, mas não desanimados; somos postos em extrema dificuldade, mas não somos vencidos por nenhum obstáculo; somos perseguidos, mas não abandonados; prostrados por terra, mas não aniquilados. Sem cessar e por toda parte, levamos em nosso corpo a morte de Jesus, a fim de que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo» (2 Cor 4, 8-10).

Não estamos abandonados das mãos de Deus. Pela oração sabemos que Deus está connosco. E isto basta-nos para continuarmos insistindo sem desfalecer.

«É pela vossa perseverança que alcançareis a vossa salvação». (Lc 21, 19)

O importante é a constância, a perseverança. Moisés teve essa experiência. Enquanto rezava, com as mãos elevadas no alto do monte, Josué ganhava a batalha; quando as abaixava, isto é, quando deixava de rezar, os amalecitas, seus adversários, venciam. Os companheiros de Moisés, conscientes da eficácia da oração, ajudavam-no para não desfalecer, sustentando-lhe os braços para que não deixasse de orar. E assim esteve – com os braços erguidos, isto é, orando insistentemente –, até que Josué vencesse os amalecitas. De modo simples ressalta-se neste texto a importância de permanecer em oração, de insistir perante Deus.

Na segunda leitura, Paulo também recomenda a Timóteo para ser constante, permanecendo no que ele aprendeu nas Sagradas Escrituras, de onde se obtém a verdadeira sabedoria que, pela fé em Cristo Jesus, conduz à salvação. O encontro do cristão com Deus deve realizar-se através da Escritura, útil para ensinar, repreender, corrigir e educar na virtude. Deste modo, estaremos equipados para realizar toda a boa obra. O cristão deve proclamar esta palavra, insistindo a tempo e a fora de tempo, repreendendo e reprovando a quem não a leva em consideração, exortando a todos, com paciência e com a finalidade de instruir no verdadeiro caminho que por ela nos é revelado.

Trilhando este caminho, viveremos em pleno o desafio missionário que a Igreja confere a cada cristão no dia do seu baptismo, renovado em cada dia por um compromisso fiel e feliz com Cristo, com a Igreja e com o mundo do nosso tempo.

 

Que a Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa, faça de cada um de nós verdadeiros missionários e nos ajude a perceber que «é pela perseverança que alcançaremos a salvação» (cf. Lc 21, 19).

 

Fala o Santo Padre

 

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI PARA O DIA MISSIONÁRIO MUNDIAL 2010

A construção da comunhão eclesial é a chave da missão

 

Prezados irmãos e irmãs!

 

Com a celebração do Dia Missionário Mundial, o mês de Outubro oferece às Comunidades diocesanas e paroquiais, aos Institutos de Vida Consagrada, aos Movimentos Eclesiais, a todo o Povo de Deus, a ocasião para renovar o compromisso de anunciar o Evangelho e dar às actividades pastorais um ímpeto missionário mais amplo. Este encontro anual convida-nos a viver intensamente os percursos litúrgicos e catequéticos, caritativos e culturais, mediante os quais Jesus Cristo nos convoca à mesa da sua Palavra e da Eucaristia, para saborear o dom da sua Presença, formar-nos na sua escola e viver cada vez mais conscientemente unidos a Ele, Mestre e Senhor. É Ele mesmo quem nos diz: «Aquele que me ama será amado por meu Pai: Eu amá-lo-ei e manifestar-me-ei a ele» (Jo 14, 21). Só a partir deste encontro com o Amor de Deus, que muda a existência, podemos viver em comunhão com Ele e entre nós, e oferecer aos irmãos um testemunho credível, explicando a razão da nossa esperança (cf. 1 Pd 3, 15). Uma fé adulta, capaz de se confiar totalmente a Deus com atitude filial, alimentada pela oração, pela meditação da Palavra de Deus e pelo estudo das verdades da fé, é uma condição para poder promover um novo humanismo, fundamentado no Evangelho de Jesus.

Além disso, em Outubro, em muitos países retomam-se as várias actividades eclesiais depois da pausa de Verão, e a Igreja convida-nos a aprender de Maria, mediante a oração do Santo Rosário, a contemplar o desígnio de amor do Pai sobre a humanidade, para a amar como Ele a ama. Não é porventura este o sentido da missão?

Com efeito, o Pai chama-nos a ser filhos amados no seu Filho, o Amado, e a reconhecer-nos todos irmãos naquele que é Dom de Salvação para a humanidade dividida pela discórdia e pelo pecado, e Revelador do verdadeiro Rosto daquele Deus que «amou de tal modo o mundo, que lhe deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna» (Jo 3, 16).

«Queremos ver Jesus» (Jo 12, 21), é o pedido que, no Evangelho de João, alguns gregos que chegaram a Jerusalém para a peregrinação pascal, dirigem ao Apóstolo Filipe. Ele ressoa também no nosso coração neste mês de Outubro, que nos recorda como o compromisso do anúncio evangélico compete a toda a Igreja, «missionária por sua própria natureza» (Ad gentes, 2), convidando-nos a tornarmo-nos promotores da novidade de vida, feita de relacionamentos autênticos, em comunidades fundadas no Evangelho. Numa sociedade multiétnica que experimenta cada vez mais formas preocupantes de solidão e de indiferença, os cristãos devem aprender a oferecer sinais de esperança e a tornar-se irmãos universais, cultivando os grandes ideais que transformam a história e, sem falsas ilusões nem medos inúteis, comprometer-se para fazer com que o planeta seja a casa de todos os povos.

Como os peregrinos gregos de há dois mil anos, também os homens do nosso tempo, talvez nem sempre conscientemente, pedem aos crentes não só que «falem» de Jesus, mas que «façam ver» Jesus, façam resplandecer o Rosto do Redentor em cada ângulo da terra diante das gerações do novo milénio e sobretudo diante dos jovens de cada continente, destinatários privilegiados e agentes do anúncio evangélico. Eles devem sentir que os cristãos levam a Palavra de Cristo porque Ele é a Verdade, porque n'Ele encontraram o sentido, a verdade para a sua vida.

Estas considerações remetem para o mandamento missionário que todos os baptizados e a Igreja inteira receberam, mas que não se pode realizar de maneira credível sem uma profunda conversão pessoal, comunitária e pastoral. De facto, a consciência da chamada a anunciar o Evangelho estimula não só cada fiel individualmente, mas todas as Comunidades diocesanas e paroquiais a uma renovação integral e a abrir-se cada vez mais à cooperação missionária entre as Igrejas, para promover o anúncio do Evangelho no coração de cada pessoa, de cada povo, cultura, raça, nacionalidade, em todas as latitudes. Esta consciência alimenta-se através da obra de Sacerdotes Fidei Donum, de Consagrados, de Catequistas, de Leigos missionários, numa busca constante de promover a comunhão eclesial, de modo que também o fenómeno da «interculturalidade» possa integrar-se num modelo de unidade, no qual o Evangelho seja fermento de liberdade e de progresso, fonte de fraternidade, de humildade e de paz (cf. Ad gentes, 8). De facto, a Igreja «é em Cristo como que sacramento, ou seja, sinal e instrumento da união íntima com Deus e da unidade de todo o género humano» (Lumen gentium, 1).

A comunhão eclesial nasce do encontro com o Filho de Deus, Jesus Cristo que, no anúncio da Igreja, alcança os homens e cria comunhão com Ele próprio e por conseguinte, com o Pai e com o Espírito Santo (cf. 1 Jo 1, 3). Cristo estabelece a nova relação entre o homem e Deus. «É Ele quem nos revela «que Deus é caridade» (1 Jo 4, 8) e, ao mesmo tempo, nos ensina que a lei fundamental da perfeição humana e, portanto, da transformação do mundo, é o mandamento novo do amor. Assim, aos que crêem no amor divino dá-lhes a certeza de que abrir o caminho do amor a todos os homens e instaurar a fraternidade universal não são coisas vãs» (Gaudium et spes, 38).

A Igreja torna-se «comunhão» a partir da Eucaristia, na qual Cristo, presente no pão e no vinho, com o seu sacrifício de amor edifica a Igreja como seu corpo, unindo-nos ao Deus uno e trino e entre nós (cf. 1 Cor 10, 16ss). Na Exortação apostólica Sacramentum caritatis escrevi: «não podemos reservar para nós o amor que celebramos neste sacramento: por sua natureza, pede para ser comunicado a todos. Aquilo de que o mundo tem necessidade é do amor de Deus, é de encontrar Cristo e acreditar n'Ele» (n. 84). Por esta razão a Eucaristia não é só fonte e ápice da vida da Igreja, mas também da sua missão: «Uma Igreja autenticamente eucarística é uma Igreja missionária» (Ibid.), capaz de levar todos à comunhão com Deus, anunciando com convicção: «o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão connosco» (1 Jo 1, 3).

Caríssimos, neste Dia Missionário Mundial no qual o olhar do coração se dilata sobre os imensos espaços da missão, sintamo-nos todos protagonistas do compromisso da Igreja de anunciar o Evangelho. O estímulo missionário foi sempre sinal de vitalidade para as nossas Igrejas (cf. Carta enc. Redemptoris missio, 2) e a sua cooperação é testemunho singular de unidade, de fraternidade e de solidariedade, que nos torna críveis anunciadores do Amor que salva!

Por conseguinte, renovo a todos o convite à oração e, não obstante as dificuldades económicas, ao compromisso da ajuda fraterna e concreta em apoio das jovens Igrejas. Este gesto de amor e de partilha, que o serviço precioso das Pontifícias Obras Missionárias, à qual manifesto a minha gratidão, providenciará à distribuição, apoiará a formação de sacerdotes, seminaristas e catequistas nas terras de missão mais distantes e encorajará as jovens comunidades eclesiais.

Na conclusão da mensagem anual para o Dia Missionário Mundial, desejo expressar, com particular afecto, o meu reconhecimento aos missionários e às missionárias, que testemunham nos lugares mais distantes e difíceis, muitas vezes com a vida, o advento do Reino de Deus. A eles, que representam as vanguardas do anúncio do Evangelho, vai a amizade, a proximidade e o apoio de cada crente. «Deus (que) ama quem doa com alegria» (2 Cor 9, 7) os encha de fervor espiritual e de alegria profunda.

Como o «sim» de Maria, cada resposta generosa da Comunidade eclesial ao convite divino ao amor dos irmãos suscitará uma nova maternidade apostólica e eclesial (cf. Gl 4, 4.19.26), que deixando-se surpreender pelo mistério de Deus amor, o qual «ao chegar a plenitude dos tempos, enviou o Seu Filho, nascido de mulher» (Gl 4, 4), dará confiança e audácia a novos apóstolos. Esta resposta tornará todos os crentes capazes de ser «jubilosos na esperança» (Rm 12, 12) ao realizar o projecto de Deus, que deseja «que todo o género humano constitua um só Povo de Deus, se congregue num só Corpo de Cristo, e se edifique num só templo do Espírito Santo» (Ad gentes, 7).

 

Bento XVI, Vaticano, 6 de Fevereiro de 2010

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos a Deus todo-poderoso,

e imploremos a misericórdia d’Aquele

que não deseja a morte do pecador,

mas antes que se converta e viva.

 

1.  Por todos os cristãos, para que acreditem sempre no valor da oração,

sem ter que identificá-la com um recurso mágico

ou um remédio fácil para nossos problemas, oremos ao Senhor.

 

2.  Por todos os que clamam a Deus em situações insuportáveis,

para que compreendam que Deus quer tanto a sua oração

como o seu compromisso organizativo, social e político, oremos ao Senhor.

 

3.  Por todos os cristãos que participam na administração pública,

para que dêem exemplo de ardor pelo bem comum,

frente à onda de corrupção, falta de ética

e o individualismo que invade a nossa sociedade, oremos ao Senhor.

 

4.  Pelos cristãos que participam na administração da justiça,

para que compreendam que antes de qualquer outra coisa,

o que Deus espera deles é um testemunho radical de integridade e honra, oremos ao Senhor.

 

5.  Para que a sociedade consiga superar esta situação de desencanto e pessimismo,

 de individualismo e passividade, de «fim da história» e ausência de utopias...

e para que os cristãos façam a festa da força inquebrantável

que a fé tem para nos manter de braços erguidos, oremos ao Senhor.

........

 

Ó Deus, Pai de misericórdia, que vedes o sofrimento de vossos filhos: confiamos ao vosso coração a esperança e a resistência de todos os nossos irmãos que reclamam insistentemente por justiça, e vos pedimos um coração como o vosso, para que armados de fé e de coragem, resistamos à tentação de desespero e permaneçamos firmes junto a Vós no vosso projecto de criar um Mundo Novo, mais digno de Vós e de nós, vossas criaturas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Levamos ao vosso altar, M. Borda, NRMS 43

 

Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que possamos servir ao vosso altar com plena liberdade de espírito, para que estes mistérios que celebramos nos purifiquem de todo o pecado. Por Nosso Senhor...

 

Santo: Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

«Nem só de pão vive o homem mas de toda a palavra que sai da boca de Deus» (Mt 4, 4).

 

Cântico da Comunhão: Senhor eu creio que sois Cristo, Az. Oliveira, NRMS 67

Salmo 32, 18-19

Antífona da comunhão: O Senhor vela sobre os seus fiéis, sobre aqueles que esperam na sua bondade, para libertar da morte as suas almas, para os alimentar no tempo da fome.

Ou:    Mc 10, 45

O Filho do homem veio ao mundo para dar a vida pela redenção dos homens.

 

Cântico de acção de graças: Louvai ao Senhor, Louvai, J. Santos, NRMS 37

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Senhor, que a participação nos mistérios celestes nos faça progredir na santidade, nos obtenha as graças temporais e nos confirme nos bens eternos. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Levar a Palavra de Deus como luz para mais uma semana de trabalho, de estudo. Ao longo da semana que se segue, procuremos rezar e meditar algumas frases da Palavra deste Domingo, procurando transformá-las em atitudes e em gestos de verdadeiro encontro com Deus e com os próximos que formos encontrando nos caminhos percorridos da vida.

 

Cântico final: Ficai connosco, Senhor, M. Borda, NRMS 43

 

 

Homilias Feriais

 

29ª SEMANA

 

2ª Feira, 18-X: S. Lucas: O contributo de S. Lucas.

2 Tim 4, 9-17 / Lc 10, 1-9

Escolhestes S. Lucas para revelar, com a sua palavra e com os seus escritos, o mistério do vosso amor pelos pobres.

S. Lucas transmitiu-nos, com a sua palavra e com os seus escritos (Oração), os ensinamentos de Jesus (Evangelho) e a vida da primitiva cristandade (Actos dos Apóstolos). Acompanhou igualmente S. Paulo nas suas viagens apostólicas, encontrando-se a seu lado na prisão em Roma (Leit.).

A ele devemos um melhor conhecimento da vida de Jesus, especialmente da sua infância; de algumas parábolas específicas (o filho pródigo, o bom samaritano, etc). Dele também ficámos com mais algumas referências à vida de Nossa Senhora, junto dos Apóstolos e dos primeiros cristãos.

 

3ª Feira, 19-X: Deus bate à nossa porta.

Ef 2, 12-22 / Lc 12, 35-38

Em Cristo, qualquer construção bem ajustada, cresce para formar um templo santo do Senhor.

«A Igreja é também muitas vezes chamada construção de Deus. O próprio Cristo se comparou à pedra que os construtores rejeitaram e que se tornou pedra angular (Leit.)» (CIC, 756). E cada um de nós também está integrado na construção (Leit.).

Para isso, precisamos estar muito vigilantes. O Senhor vai bater à nossa porta (Ev.), no momento da nossa morte e em muitos momentos do dia, para nos perguntar como santificamos o nosso trabalho, como vivemos a vida familiar, como vivemos cada um dos encontros com Ele, por exemplo, na Eucaristia, na oração, etc. Pedimos a ajuda da nossa Mãe: Rogai por nós agora e na hora da nossa morte.

 

4ª Feira, 20-X: Atitude vigilante nos acontecimentos normais.

Ef 3, 2-12 / Lc 12, 39-48

Feliz daquele servo a quem, o Senhor ao chegar, assim achar fazendo. Em verdade vos digo: há-de pô-lo à frente de todos os seus bens.

A vigilância que o Senhor nos pede está nas pequenas actividades de cada dia: vencer a preguiça ao levantar, cumprir o horário de trabalho, não perder demasiado tempo em programas de TV inúteis, entrar em casa com um sorriso, etc. Também se poderia concretizar em termos mais confiança em Deus: «na coragem de nos aproximarmos de Deus com toda a confiança» (Leit.).

«Por cada vitória contra os pequenos inimigos, colocaremos uma pedra preciosa na coroa de glória que o Senhor preparou para nós» (S. Francisco de Sales). Assim foi coroada Nª Senhora pela sua vida corrente de cada dia em Nazaré.

 

5ª Feira, 21-X: A energia transformadora do Espírito Santo.

Ef 3, 14-21 / Lc 12, 49-53

Eu vim trazer fogo sobre a terra e só quero que ele seja ateado.

«O fogo! Simboliza a energia transformadora dos actos do Espírito Santo… aquele Espírito do qual Jesus disse: ‘Eu vim lançar fogo à terra’ (Ev.)» (CIC 696).

Pedimos a Deus que o fogo do seu amor robusteça a nossa alma: «Ele vos dará, por meio do seu Espírito, a força de vos tornardes robustos no que há de mais íntimo em vós» (Leit.). E cada um de nós há-de ser igualmente fogo, para transmitir aos outros «a largura, o comprimento e a altura e a profundidade deste mistério (Cristo que habita pela fé nos nossos corações)» (Leit.). Recordemos a acção do Espírito sobre Nª Senhora e os Apóstolos no dia de Pentecostes.

 

6ª Feira, 22-X: Alguns sinais dos tempos.

Ef 4, 1-6 / Lc 12, 54-59

Hipócritas, sabeis apreciar o aspecto da terra e do céu; mas este tempo, como é que não o apreciais?

«O homem esforça-se por interpretar os dados da experiência e os sinais dos tempos (Ev.), graças à virtude da prudência, aos conselhos de pessoas sensatas e à ajuda do Espírito Santo e dos seus dons» (CIC, 1788).

Um dos sinais dos nossos tempos é recuperar a unidade de todos os cristãos e de todo o género humano: «Há um único Senhor, uma única fé, um único baptismo. Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, actua em todos e em todos se encontra» Leit.)». E a Igreja é como o sacramento ou sinal da unidade de todo o género humano (J. Paulo II). Maria, Mãe da Igreja, obtém-nos este dom da unidade.

 

 Sábado, 23-X: Uma vida cheia de bons frutos.

Ef 4, 7-16 / Lc 13, 1-9

Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar fruto a essa figueira, mas não o encontrou.

O Senhor espera encontrar em nós frutos abundantes. Para isso, precisamos fazer um pouco de exame sobre a nossa vida, ver o que podemos melhorar e recomeçarmos: «Eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar fruto no futuro» (Ev.). Assim chegaremos ao estado do homem adulto, à medida da estatura de Cristo na sua plenitude (Leit.).

Em Nossa Senhora encontrou Deus o fruto bendito do seu ventre: «graças a Maria todas as nações recebem Aquele que é a própria bênção de Deus: Jesus, bendito fruto do vosso ventre» (CIC, 2676).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Nuno Westwood

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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