acontecimentos eclesiais

DA SANTA SÉ

 

ENCONTRO ECUMÉNICO COM

PATRIARCA DE CONSTANTINOPLA

 

De 28 de Junho a 2 de Julho passado, esteve no Vaticano o Patriarca ortodoxo de Constantinopla, Bartolomeu I, à frente de uma delegação para comemorar em Roma o encontro histórico entre Paulo VI e o Patriarca Atenágoas I, em Jerusalém, em Janeiro de 1964.

 

No dia 29 de Junho, solenidade dos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo, colunas da Igreja de Roma, o Patriarca teve um primeiro encontro com João Paulo II no Vaticano. Seguidamente esteve com o Cardeal Secretário de Estado Ângelo Sodano e rezou diante do altar da Cátedra de S. Pedro e junto ao túmulo de Paulo VI. À tarde, assistiu à solene Concelebração eucarística presidida por João Paulo II, na Praça de S. Pedro, durante a qual fez uma homilia a convite do Papa, naturalmente sem concelebrar.

No dia seguinte, realizaram-se as habituais conversações bilaterais entre a Santa Sé e o Patriarcado ecuménico, previstas por ocasião das festas dos patronos das duas sedes, S. Pedro e S. Paulo, em Junho, e S. André, em Novembro.

No dia 1 de Julho, o Patriarca presidiu a inauguração do uso litúrgico da Igreja de S. Teodoro, que o Papa quis confiar à comunidade greco-ortodoxa de Roma para as suas celebrações litúrgicas e para a pastoral.

Ao despedir-se finalmente de João Paulo II, depois de assinarem uma Declaração Comum, o Papa deu graças a Deus pelo sinal de fraternidade demonstrado nesses dias e pelo propósito de continuarem com decisão para a meta da plena unidade entre católicos e ortodoxos, apesar das dificuldades que ainda existem.

 

Apreciação do Patriarca ortodoxo

 

Numa entrevista dada à Rádio Vaticana, Bartolomeu I afirmou que, depois da sua visita oficial a João Paulo II em 1995 e da Jornada de oração pela paz em Assis em 2002, «este encontro foi mais comovedor, mais humano e mais fraterno». Ao convidar o Papa a ir pela segunda vez a Istambul em Novembro, para a festa de S. André, «ele mostrou-se muito contente e deu-me a impressão de ter aceite o convite».

Referindo-se ao diálogo teológico entre católicos e ortodoxos, o Patriarca sublinhou que «é necessário reflectir com profundidade sobre o primado do bispo de Roma, a infalibilidade, a sua posição na estrutura da Igreja cristã no seu conjunto, pois aí se encontram os pontos mais difíceis nas nossas relações, que continuam a impedir a plena comunhão, a participação no mesmo Cálice». Para o Patriarca, a cedência pelo Papa da Igreja de S. Teodoro é um gesto que «será apreciado por toda a Ortodoxia e será um exemplo a imitar nas relações ecuménicas».

 

 

REFORÇADO O ESTATUTO

DA SANTA SÉ NAS NAÇÕES UNIDAS

 

No passado dia 1 de Julho, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou por unanimidade uma Resolução que reforça o estatuto de Observador permanente da Santa Sé.

 

Desde 6 de Abril de 1964, a Santa Sé participa intensamente nos trabalhos da ONU, como Observador permanente, com voz e sem voto, uma figura que até agora não estava completamente definida numa norma escrita. Até 2002, a Santa Sé partilhava a condição de Observador com a Suíça; ao converter-se a Suíça em Estado membro da ONU, o Vaticano iniciou o processo para consolidar e formalizar o seu estatuto particular.

A presente Resolução da ONU estabelece o direito da Santa Sé a intervir mais facilmente: direito a inscrever-se para participar nos debates da Assembleia Geral, direito à réplica, direito a publicar e circular os seus comunicados, direito de apresentar moções na ordem do dia, etc.

A Resolução, que coincide com o 40.º aniversário da presença da Santa Sé na ONU, constitui também um reconhecimento do papel do Vaticano no seio da Organização internacional e exprime o apoio da Santa Sé ao fortalecimento do sistema das Nações Unidas. Na sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2004, João Paulo II desejou que a ONU se converta cada vez mais num «centro moral, em que todas as nações do mundo se sintam em sua casa».

 

 

PEREGRINAÇÃO A LOURDES

DO SANTO PADRE

 

Em 14 e 15 de Agosto passado, na sua 104.ª Viagem Apostólica, João Paulo II realizou uma peregrinação ao Santuário mariano de Lourdes (França), comemorando o 150.º aniversário da proclamação do dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria.

 

A definição dogmática da Imaculada Conceição de Maria fora feita pelo Papa Beato Pio IX, em 8 de Dezembro de 1854. Quatro anos depois, a Santíssima Virgem apareceu a Santa Bernadette na gruta de Massabielle, em Lourdes, apresentando-se precisamente como «a Imaculada Conceição». Em vésperas da sua partida, João Paulo II considerava «um dom especial da Providência a possibilidade de voltar a Lourdes no quadro desta luminosa verdade de fé».

E continuava: «Com um único acto de louvor a Deus e à Virgem, abraçarei os dois grandes mistérios marianos: a Imaculada Conceição e a Assunção ao Céu em corpo e alma. De facto, eles constituem o início e a conclusão da vida terrena de Maria, reunidos no eterno presente de Deus, que a chamou para participar de modo singularíssimo no evento salvífico da Redenção, realizada pelo Senhor Jesus Cristo».

Os momentos públicos da peregrinação foram três: na tarde de sábado, dia 14, a recitação do Terço; à noite, a tradicional Procissão das velas; enfim, no domingo de manhã, dia 15, a Concelebração eucarística da solenidade da Assunção de Nossa Senhora. Ao chegar ao Santuário e antes de o deixar, teve oportunidade de permanecer em oração silenciosa diante da Gruta. Aqui, a primeira saudação foi para os doentes: «faço minhas as vossas orações e as vossas esperanças; partilho convosco um tempo de vida assinalado pelo sofrimento físico, mas não por isso menos fecundo no desígnio admirável de Deus».

 

 

ÍCONE DE KAZÁN

REGRESSA À RÚSSIA

 

O Patriarca ortodoxo de Moscovo, Alexis II, agradeceu a João Paulo II a entrega do ícone de Nossa Senhora de Kazán, Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, considerando que este gesto afiança a reconciliação entre ortodoxos e católicos.

 

A imagem, considerada uma das de maior devoção no povo russo, foi trazida de Roma pelo Cardeal Walter Kasper no sábado 28 de Agosto e entregue a Alexis II numa solene liturgia na catedral da Dormição (Assunção) de Nossa Senhora, no Kremlin.

«A veneração da Mãe de Deus – diz a mensagem do Patriarca –, veneração comum nas Igrejas católica e ortodoxa, faz-nos regressar aos tempos da Igreja Antiga, quando não se davam divisões entre Oriente e Ocidente, tão visíveis infelizmente nos nossos dias». E continua: «Vemos no regresso do ícone de Kazán um passo em boa direcção com a esperança de que no futuro se fará tudo o que é possível para solucionar certos problemas que permanecem entre as nossas Igrejas».

Uns dias antes, em 25 de Agosto, João Paulo II presidira numa audiência geral um acto de devoção à Mãe de Deus de Kazán (ver Secção «Documentação»). Na mensagem que enviou depois ao Patriarca Alexis II, recordava-lhe que, por um misterioso desígnio da Divina Providência, o sagrado ícone reuniu na sua veneração fiéis ortodoxos e católicos de todo o mundo, que oraram com fervor pela Igreja e pela Rússia. (Com efeito, o ícone de Kazán, desaparecido da Rússia com a revolução comunista, foi recuperado para o culto pelo fundador do Exército Azul, que tem sede em Fátima, onde esteve na Capela bizantina, até que razões de segurança aconselharam a sua substituição por uma réplica). Em 1993 foi oferecido a João Paulo II, que o teve na sua capela particular. «O bispo de Roma orou diante deste ícone, pedindo que chegue o dia em que todos nós estejamos unidos».

 

 

CONGRESSO INTERNACIONAL

PARA SACERDOTES

 

«Sacerdotes, forjadores de santos para o novo milénio, seguindo as pegadas do Apóstolo S. Paulo», é o tema do Congresso Internacional para Sacerdotes que se celebrará em Malta, de 18 a 23 de Outubro próximo, promovido pela Congregação para o Clero.

 

O Congresso é inaugurado na tarde do dia 18 com uma solene concelebração eucarística na Catedral, presidida pelo cardeal Dario Castrillón, Prefeito da Congregação para o Clero.

No segundo dia, o cardeal Castrillón e Mons. Bruno Forte, recentemente nomeado arcebispo em Itália, falarão respectivamente de «Paulo, a evangelização e os desafios das culturas» e «Santidade trinitária do sacerdote». À tarde, haverá uma celebração penitencial e confissões, por grupos linguísticos, e a Santa Missa será presidida pelo Cardeal Crescêncio Sepe, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos. .

No terceiro dia, Mons. Juan Esquerda Biffet falará sobre «Santidade cristocêntrica do sacerdote» e o Padre Raniero Cantalamessa, O.F.M., pregador da Casa Pontifícia, sobre «Santidade pneumático-paulina do sacerdote». À tarde, o Cardeal Camilo Ruini, Vigário Geral para a diocese de Roma, dará uma meditação sobre «A santidade paulina para a evangelização», e o Cardeal Iván Dias, arcebispo de Bombay (Índia), presidirá a celebração eucarística.

No quarto dia, o Cardeal Ângelo Scola, patriarca de Veneza, dará uma conferência sobre «A santidade eucarística do sacerdote» e o Cardeal José Saraiva Martins, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, falará sobre «A santidade mariana do sacerdote». À tarde, os participantes assistem a uma adoração eucarística e a celebração eucarística será presidida pelo Cardeal Cormack Murphy O’Connor, arcebispo de Westminster (Reino Unido)..

No quinto dia, haverá uma peregrinação à Ilha do Gozo, onde se encontra um santuário mariano; além da recitação do Terço, está prevista uma meditação do Cardeal Ângelo Sodano, que presidirá depois a Santa Missa. No fim da celebração eucarística, o Cardeal Castrillón fará um acto de consagração a Nossa Senhora.


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial