Domingo de Ramos e da Paixão: D. M. Juventude:

4 de Abril de 2004


Neste dia, a Igreja recorda a entrada de Cristo, o Senhor, em Jerusalém, para consumar o seu mistério pascal. Por isso, em todas as Missas se comemora esta entrada do Senhor na cidade santa: ou com a procissão, ou com a entrada solene antes da Missa principal, ou com a entrada simples antes das outras Missas. A entrada solene (mas sem procissão) pode repetir-se antes de outras Missas que se celebram com grande assistência de fiéis.



A. Comemoração da entrada do Senhor em Jerusalém



Primeira forma: Procissão


À hora marcada, reúnem-se todos numa igreja secundária ou noutro lugar apropriado fora da igreja para a qual se dirige a procissão. Os fiéis levam ramos na mão.

O sacerdote e o diácono, revestidos de paramentos vermelhos próprios da Missa, dirigem-se para o lugar onde o povo está reunido. O sacerdote, em vez da casula, pode levar o pluvial, que deporá terminada a procissão.

Entretanto, canta-se a antífona seguinte ou outro cântico apropriado.


Mt 21, 9

Antífona: Hossana ao Filho de David. Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel. Hossana nas alturas.


O sacerdote, ao chegar, saúda o povo na forma habitual. Depois exorta os fiéis a participarem activa e conscientemente na celebração deste dia, dizendo estas palavras ou outras semelhantes:


Irmãos caríssimos:

Desde o princípio da Quaresma vimos a preparar-nos com obras de penitência e de caridade. Hoje estamos aqui reunidos para darmos início, em união com toda a Igreja, à celebração do mistério pascal do Senhor, isto é, da sua paixão e ressurreição.

Foi para realizar este mistério da sua morte e ressurreição que Jesus Cristo entrou na sua cidade de Jerusalém. Por isso, recordando com fé e devoção esta entrada triunfal na cidade santa, acompanharemos o Senhor, de modo que, participando agora na sua cruz, mereçamos um dia ter parte na sua ressurreição.


Seguidamente, o sacerdote, de mãos juntas, diz uma das seguintes orações:



Oremos.

Deus eterno e omnipotente, santificai com a vossa + bênção estes ramos, para que, acompanhando a Cristo nosso Rei nesta celebração festiva, mereçamos entrar com Ele na Jerusalém celeste. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

R. Amen.


Ou:


Aumentai, Senhor, a fé dos que esperam em Vós e ouvi com bondade as nossas humildes súplicas, para que, aclamando com estes ramos a Cristo vitorioso, permaneçamos unidos a Ele e dêmos fruto abundante de boas obras. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

R. Amen.


Terminada a oração, asperge os ramos com água benta, sem dizer nada.

A seguir, faz-se a proclamação do Evangelho da entrada do Senhor, segundo o texto evangélico correspondente a cada um dos ciclos. Esta proclamação é feita do modo habitual pelo diácono, ou, na falta dele, pelo sacerdote.


Evangelho


São Lucas 19, 28-40

Naquele tempo, 28Jesus seguia à frente dos seus discípulos, subindo para Jerusalém. 29Quando Se aproximou de Betfagé e de Betânia, perto do Monte das Oliveiras, enviou dois discípulos 30e disse-lhes: «Ide à povoação que está em frente e, ao entrardes nela, encontrareis um jumentinho preso, que ainda ninguém montou. Soltai-o e trazei-o. 31Se alguém perguntar porque o soltais, respondereis: ‘O Senhor precisa dele’». 32Os enviados partiram e encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito. 33Quando estavam a soltar o jumentinho, os donos perguntaram: «Porque soltais o jumentinho?» Eles responderam: 34»O Senhor precisa dele». 35Então levaram-no a Jesus e, lançando as capas sobre o jumentinho, fizeram montar Jesus. 36Enquanto Jesus caminhava, o povo estendia as suas capas no caminho. 37Estando já próximo da descida do Monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos começou a louvar alegremente a Deus em alta voz por todos os milagres que tinham visto, 38dizendo: «Bendito o Rei que vem em nome do Senhor. Paz no Céu e glória nas alturas!». 39Alguns fariseus disseram a Jesus, do meio da multidão: «Mestre, repreende os teus discípulos». 40Mas Jesus respondeu: «Eu vos digo: se eles se calarem, clamarão as pedras».


A cena reveste-se de um carácter de entronização messiânica de Jesus, cumprindo-se a profecia de Zac 9, 9 e sendo aclamado com o Salmo de entronização do Rei-Messias: Salm 119 (118), 26.

28 «Subindo para Jerusalém», isto é, vindo de Jericó, pelo caminho a pique que levaria umas 5 ou 6 horas e que vai dar a Betfagé (casa dos figos), entre Betânia e o cimo do Monte das Oliveiras.

39 «Clamarão as pedras». Fórmula proverbial, clara e enérgica tão ao jeito de Jesus, com que confirma perante os próprios adversários a sua dignidade messiânica e a sua realeza; isto era já uma realidade tão importante e notória, que, se os homens se negam a reconhecê-la, será a própria natureza muda a proclamá-la. Por outro lado, Jesus já tinha cumprido a sua missão de pregar o Evangelho e de instruir os Apóstolos, por isso não havia que temer qualquer tumulto popular, ao apresentar-se solenemente como Messias-Rei.


Depois do Evangelho, conforme as circunstâncias, pode fazer-se uma breve homilia. A anunciar o começo da procissão, o sacerdote ou outro ministro idóneo pode fazer uma admonição, dizendo estas palavras ou outras semelhantes:


Imitemos, irmãos caríssimos, a multidão que aclamava Jesus na cidade santa de Jerusalém, e caminhemos em paz.


Inicia-se a procissão em direcção à igreja onde é celebrada a Missa.

À frente vai o turiferário com o turíbulo aceso (se se usa o incenso); depois, no meio de dois ministros com velas acesas, o cruciferário com a cruz ornamentada; segue-se o sacerdote com os outros ministros: finalmente, os fiéis com os ramos na mão.


Cântico: As crianças de Jerusalém, M. Faria, NRMS 25


Á entrada da procissão na igreja, canta-se o responsório seguinte ou outro cântico alusivo à entrada do Senhor.


V. Ao entrar o Senhor na cidade santa, as crianças de Jerusalém, com ramos de palmeira, anunciaram a ressurreição da vida, cantando alegremente:

R. Hossana nas alturas.


V. Quando o povo ouviu dizer que Jesus vinha para Jerusalém, saiu ao seu encontro com ramos de palmeira, cantando alegremente:

R. Hossana nas alturas.


Ao chegar ao altar, o sacerdote faz-lhe a devida reverência e, conforme as circunstâncias, incensa-o. Seguidamente, dirige-se para a sua cadeira (depõe o pluvial e veste a casula) e, omitindo tudo o mais, diz, como conclusão da procissão, a oração colecta da Missa. Terminada esta oração, a Missa continua na forma habitual.


B. Missa


Depois da procissão ou da entrada solene, o sacerdote começa a Missa com a oração colecta.



RITOS INICIAIS


Cântico de entrada: Hossana ao Filho de David, Az. Oliveira, NRMS 29


Antífona de entrada: Seis dias antes da Páscoa, o Senhor entrou em Jerusalém e as crianças vieram ao seu encontro, com ramos de palmeira, cantando com alegria:

Hossana nas alturas. Bendito sejais, Senhor, que vindes trazer ao mundo a misericórdia de Deus.


Ou


Salmo 23, 9-10

Levantai, ó portas, os vossos umbrais, alteai-vos, pórticos antigos, e entrará o Rei da glória.

Quem é esse Rei da glória? O Senhor dos Exércitos, é Ele o Rei da glória.

Hossana nas alturas. Bendito sejais, Senhor, que vindes ao mundo trazer a misericórdia de Deus.


Introdução ao espírito da Celebração


Neste domingo A Igreja apresenta duas faces do mistério de Cristo: o Rei que entra em glória na sua cidade, o Redentor que oferece a sua vida na Paixão dolorosa.


Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que, para dar aos homens um exemplo de humildade, quisestes que o nosso Salvador se fizesse homem e padecesse o suplício da cruz, fazei que sigamos os ensinamentos da sua paixão, para merecermos tomar parte na glória da sua ressurreição. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.




Liturgia da Palavra


Primeira Leitura


Monição: Para além do sacrifício, imolação e dor o servo que sofre estas humilhações põe toda a confiança no seu Deus. Assim se exprime Isaías nesta primeira leitura.


Isaías 50, 4-7

4O Senhor deu-me a graça de falar como um discípulo, para que eu saiba dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos. Todas as manhãs Ele desperta os meus ouvidos, para eu escutar, como escutam os discípulos. 5O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo. 6Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam. 7Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio, e por isso não fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei desiludido.


O texto é tirado corresponde aos primeiros 4 vv. do 3° poema do Servo de Yahwéh (Is 50, 4-9). Quem está a falar parece ser o próprio servo, embora não seja aqui nomeado, mas é o que se deduz do contexto imediato deste canto (v. 10). De qualquer modo considera-se como a figura profética de Jesus Cristo. O texto está consta de três estrofes iniciadas com a mesma fórmula (que a tradução não respeitou): «O Senhor Deus»; na primeira sublinha-se a docilidade de discípulo, na segunda, o sofrimento que esta docilidade acarreta; na terceira, a fortaleza no meio das dores.

4 Apresenta-se «a falar como um discípulo», embora não se trate de um discípulo qualquer: é um discípulo do Senhor (cf. Is 54, 13), instruído pelo próprio Deus, tal como dirá Jesus: «a minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou» (Jo 7, 16; cf. 14, 24).

5 «Não resisti nem recuei». Mesmo os maiores profetas e os maiores santos tiveram a consciência clara de opor alguma resistência, embora sem qualquer rebeldia, à acção de Deus, como Moisés e Jeremias (cf. Ex 3, 11; 4, 10; Jer 1, 6). Jesus, porém, identifica-se plenamente com a vontade do Pai (cf. Jo 4, 34; Lc 22, 42).

6 «Apresentei as costas àqueles que me batiam... não desviei o rosto daqueles que me insultavam e cuspiam». Os evangelistas hão-de deixar ver como o pleno cumprimento deste hino profético se deu no relato da Paixão do Senhor, particularmente Mt 26, 67; 27, 26-30; Mc 15, 19; Lc 22, 63-64…


Salmo Responsorial Sl 21 (22), 8-9.17-18a.19-20.23-24 (R. 2a)


Monição: O salmo 21 manifesta o sofrimento daquele que, apesar de tudo, não desanima, e afirma claramente a sua confiança no Senhor.


Refrão: Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?


Todos os que me vêem escarnecem de mim,

estendem os lábios e meneiam a cabeça:

«Confiou no Senhor, Ele que o livre,

Ele que o salve, se é seu amigo».


Matilhas de cães me rodearam,

cercou-me um bando de malfeitores.

Trespassaram as minhas mãos e os meus pés,

posso contar todos os meus ossos.


Repartiram entre si as minhas vestes

e deitaram sortes sobre a minha túnica.

Mas Vós, Senhor, não Vos afasteis de mim,

sois a minha força, apressai-Vos a socorrer-me.


Hei-de falar do vosso nome aos meus irmãos,

hei-de louvar-Vos no meio da assembleia.

Vós, que temeis o Senhor, louvai-O,

glorificai-O, vós todos os filhos de Jacob, reverenciai-O, vós todos os filhos de Israel.


Segunda Leitura


Monição: O que era profético e genérico nos textos anteriores, S. Paulo aplica-o concretamente a Jesus Cristo, e à sua Paixão


Filipenses 2, 6-11

Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz. Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem no céu, na terra e nos abismos, e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.


A leitura constitui um admirável hino à humilhação e exaltação de Cristo, que muitos exegetas pensam ser anterior ao este escrito paulino e a mais antiga confissão de fé explícita na divindade de Cristo que consta dos escritos do Novo Testamento.

6 «De condição divina». Literalmente: «existindo em forma de Deus». Ora esta forma (morfê) de Deus, ainda que não significasse directamente a natureza divina, pelo menos indicaria a glória e a majestade, atributos especificamente divinos na linguagem bíblica. De qualquer modo, como bem observa Heinrich Schlier, a expressão em forma de Deus não quer dizer que Deus tenha uma forma como a têm os homens, mas significa que Jesus «tinha um ser como Deus, um ser divino».

«Não se valeu da sua igualdade com Deus». Há diversas possibilidades de tradução desta rica expressão, segundo se considera o termo grego harpagmós em sentido activo (roubo), ou passivo (coisa roubada): a Vulgata traduz: «não considerou uma usurpação (rapinam) o ser igual a Deus» (sentido activo); segundo a interpretação dos Padres Gregos, a que se ateve a nossas tradução (sentido passivo), teríamos: «não considerou como algo cobiçado (harpagmón) … Há quem pense que S. Paulo quer fazer ressaltar o contraste entre a atitude soberba dos primeiros pais que, sendo homens, quiseram vir a ser iguais a Deus (cf. Gn 3, 5.22) e a atitude humilde de Jesus que, sendo Deus, se quis fazer «semelhante aos homens» (v. 7).

7 «Mas aniquilou-se a si próprio», à letra, esvaziou-se: Jesus Cristo, ao fazer-se homem, não se despojou da natureza divina, mas sim da glória ou manifestação sensível da majestade que Lhe competia em virtude da chamada união hipostática (na pessoa do Filho eterno de Deus, a natureza humana e a natureza divina unidas numa união misteriosa). «Assumindo a condição de servo», o que não significa a condição social de escravo, mas a «forma» (morfê) de se conduzir própria de um ser pobre e dependente, cumprindo a figura do «servo de Yahwéh», a que se refere a primeira leitura de hoje; «tornou-se semelhante aos homens, aparecendo como homem», não apenas, como queria a heresia doceta, nas aparências (skhêmati), mas no sentido em que o homem é «semelhante» (en homoiômati) dos outros homens, em tudo igual excepto no pecado (cf. Hebr 4, 15); «humilhou-se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz» (v. 8). Note-se como é posta em relevo esta obediência e aniquilamento – a kénosis – de Cristo, num sublime crescendo de humilhação em humilhação: feito homem, assume a condição de escravo, Ele obedece, e com uma obediência que vai até à morte, e não uma morte qualquer, mas a dum malfeitor, a morte de cruz – homem, escravo, malfeitor!

9-11 Mas este aniquilamento – o tremendo escândalo da Cruz – não foi uma derrota, o desfecho dum história trágica com que tudo acabou; temos o sublime paradoxo da sua «exaltação»: foi «por isso» mesmo que «Deus» (não Ele próprio, mas o Pai) «O exaltou» de modo singularíssimo (à letra, acima de tudo o que existe: tenha-se em conta hypér na composição do verbo grego), o que se deu na glorificação da humanidade de Jesus com a sua Ressurreição e Ascensão. A esta exaltação corresponde o «nome» que Lhe é dado por Deus, o mesmo nome com que passa a ser invocado pela multidão de todos os crentes de todos os tempos: já não é apenas o nome usado na sua vida terrena e que consta da sentença que o condenou à morte de cruz, mas com o mesmo nome com que o próprio Deus é designado para traduzir o nome divino «Yahwéh» – «Senhor». A todos pertence proclamar e reconhecer a divindade de Jesus – «toda a língua proclame que Jesus Cristo é Senhor» (mais expressivo sem artigo, como no original grego) e o seu domínio sobre toda a criação – «no céu, na terra e nos abismos, para glória de Deus Pai» (A tradução da velha Vulgata neste ponto era pouco expressiva e deficiente: «que o Senhor Jesus Cristo está na glória de Deus Pai»).

Independentemente da discussão acerca do aniquilamento de que aqui se fala, se ele visa ou não directamente o mistério da Incarnação, fica bem claro que Jesus não é um simples servo do Senhor que vem a ser exaltado por Deus, pois Ele é Deus que se abaixa e depois vem a ser exaltado. Também fica patente que a fé na divindade de Jesus não é o fruto duma elaboração teológica tardia, pois a epístola é, quando muito, do ano 62, se não é mesmo de cerca de 56 (como pensam muitos), e, como dissemos, estes versículos fariam parte dum hino litúrgico a Cristo, anterior à epístola. Assim pensa, por exemplo, o notável Professor protestante de Tubinga, Martin Hengel.


Aclamação ao Evangelho Filip 2, 8-9


Monição: Só o Homem Deus, o Verbo encarnado seria capaz de suportar os imensos sofrimentos que nos são descritos na leitura da Paixão que vamos ouvir.


Aleluia


Cristo obedeceu até à morte e morte de cruz.

Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes.


Cântico: J. Santos, NRMS 40


Evangelho1


Forma longa: São Lucas 22, 14 – 23, 56 Forma breve: São Lucas 23, 1-49

[N 14Quando chegou a hora, Jesus sentou-Se à mesa com os seus Apóstolos 15e disse-lhes:

J «Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de padecer; 16pois digo-vos que não tornarei a comê-la, até que se realize plenamente no reino de Deus».

N 17Então, tomando um cálice, deu graças e disse:

J «Tomai e reparti entre vós, 18pois digo-vos que não tornarei a beber do fruto da videira, até que venha o reino de Deus».

N 19Depois tomou o pão e, dando graças, partiu-o e deu-lho, dizendo:

J «Isto é o meu corpo entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim».

N 20No fim da ceia, fez o mesmo com o cálice, dizendo:

J «Este cálice é a nova aliança no meu Sangue, derramado por vós. 21Entretanto, está comigo à mesa a mão daquele que Me vai entregar. 22O Filho do homem vai partir, como está determinado. Mas ai daquele por quem Ele vai ser entregue!»

N 23Começaram então a perguntar uns aos outros qual deles iria fazer semelhante coisa. 24Levantou-se também entre eles uma questão: qual deles se devia considerar o maior? 25Disse-lhes Jesus:

J «Os reis das nações exercem domínio sobre elas e os que têm sobre elas autoridade são chamados benfeitores. 26Vós não deveis proceder desse modo. O maior entre vós seja como o menor e aquele que manda seja como quem serve. 27Pois quem é o maior: o que está à mesa ou o que serve? Não é o que está à mesa? Ora Eu estou no meio de vós como aquele que serve. 28Vós estivestes sempre comigo nas minhas provações. 29E Eu preparo para vós um reino, como meu Pai o preparou para Mim: 30comereis e bebereis à minha mesa, no meu reino, e sentar-vos-eis em tronos, a julgar as doze tribos de Israel. 31Simão, Simão, Satanás vos reclamou para vos agitar na joeira como trigo. 32Mas Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça. E tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos».

N 33Pedro respondeu-Lhe:

R «Senhor, eu estou pronto a ir contigo, até para a prisão e para a morte».

N 34Disse-lhe Jesus:

J «Eu te digo, Pedro: não cantará hoje o galo, sem que tu, por três vezes, negues conhecer-Me».

N 35Depois acrescentou:

J «Quando vos enviei sem bolsa nem alforge nem sandálias, faltou-vos alguma coisa?».

N Eles responderam que não lhes faltara nada. 36Disse-lhes Jesus:

J «Mas agora, quem tiver uma bolsa pegue nela, bem como no alforge; e quem não tiver espada venda a capa e compre uma. 37Porque Eu vos digo que se deve cumprir em Mim o que está escrito: ‘Foi contado entre os malfeitores’. Na verdade, o que Me diz respeito está a chegar ao fim».

N 38Eles disseram:

R «Senhor, estão aqui duas espadas».

N Mas Jesus respondeu:

J «Basta».

N 39Então saiu e foi, como de costume, para o Monte das Oliveiras e os discípulos acompanharam-n’O. 40Quando chegou ao local, disse-lhes:

J «Orai, para não entrardes em tentação».

N 41Depois afastou-Se deles cerca de um tiro de pedra e, pondo-Se de joelhos, começou a orar, dizendo:

J 42«Pai, se quiseres, afasta de Mim este cálice. Todavia, não se faça a minha vontade, mas a tua».

N 43Então apareceu-Lhe um Anjo, vindo do Céu, para O confortar. 44Entrando em angústia, orava mais instantemente e o suor tornou-se-Lhe como grossas gotas de sangue, que caíam na terra. 45Depois de ter orado, levantou-Se e foi ter com os discípulos, que encontrou a dormir, por causa da tristeza. 46Disse-lhes Jesus:

J «Porque estais a dormir? Levantai-vos e orai, para não entrardes em tentação».

N 47Ainda Ele estava a falar, quando apareceu uma multidão de gente. O chamado Judas, um dos Doze, vinha à sua frente e aproximou-se de Jesus, para O beijar. 48Disse-lhe Jesus:

J «Judas, é com um beijo que entregas o Filho do Homem?».

N 49Ao verem o que ia suceder, os que estavam com Jesus perguntaram-Lhe:

R «Senhor, vamos feri-los à espada?»

N 50E um deles feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. 51Mas Jesus interveio, dizendo:

J «Basta! Deixai-os».

N E, tocando na orelha do homem, curou-o. 52Disse então Jesus aos que tinham vindo ao seu encontro, príncipes dos sacerdotes, oficiais do templo e anciãos:

J «Vós saístes com espadas e varapaus, como se viésseis ao encontro dum salteador. 53Eu estava todos os dias convosco no templo e não Me deitastes as mãos. Mas esta é a vossa hora e o poder das trevas.

N 54Apoderaram-se então de Jesus, levaram-n’O e introduziram-n’O em casa do sumo sacerdote. Pedro seguia-os de longe. 55Acenderam uma fogueira no meio do pátio, sentaram-se em volta dela e Pedro foi sentar-se no meio deles. 56Ao vê-lo sentado ao lume, uma criada, fitando os olhos nele, disse:

R «Este homem também andava com Jesus»

N 57Mas Pedro negou:

R «Não O conheço, mulher».

N 58Pouco depois, disse outro, ao vê-lo:

R «Tu também és um deles».

N Mas Pedro disse:

R «Homem, não sou».

N 59Passada mais ou menos uma hora, afirmava outro com insistência:

R «Esse homem, com certeza, também andava com Jesus, pois até é galileu».

N 60Pedro respondeu:

R «Homem, não sei o que dizes».

N Nesse instante, ainda ele falava, um galo cantou. 61O Senhor voltou-Se e fitou os olhos em Pedro. Então Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, quando lhe disse: ‘Antes do galo cantar, Me negarás três vezes’. 62E, saindo para fora, chorou amargamente. 63Entretanto, os homens que guardavam Jesus troçavam d’Ele e maltratavam-n’O. 64Cobrindo-Lhe o rosto, perguntavam-Lhe:

R «Adivinha, profeta: Quem Te bateu?»

N 65E dirigiam-Lhe muitos outros insultos. 66Ao romper do dia, reuniu-se o conselho dos anciãos do povo, os príncipes dos sacerdotes e os escribas. Levaram-n’O ao seu tribunal e disseram-Lhe:

R 67«Diz-nos se Tu és o Messias».

N Jesus respondeu-lhes:

J «Se Eu vos disser, não acreditareis 68e, se fizer alguma pergunta, não respondereis. 69Mas o Filho do homem sentar-Se-á doravante à direita do poder de Deus».

N 70Disseram todos:

R «Tu és então o Filho de Deus?»

N Jesus respondeu-lhes:

J «Vós mesmos dizeis que Eu sou».

N 71Então exclamaram:

R «Que necessidade temos ainda de testemunhas? Nós próprios o ouvimos da sua boca».]

N 1Levantaram-se todos e levaram Jesus a Pilatos. 2Começaram a acusá-l’O, dizendo:

R «Encontrámos este homem a sublevar o nosso povo, a impedir que se pagasse o tributo a César e dizendo ser o Messias-Rei».

N 3Pilatos perguntou-Lhe:

R «Tu és o Rei dos judeus?»

N Jesus respondeu-lhe:

J «Tu o dizes».

N 4Pilatos disse aos príncipes dos sacerdotes e à multidão:

R «Não encontro nada de culpável neste homem».

N 5Mas eles insistiam:

R «Amotina o povo, ensinando por toda a Judeia, desde a Galileia, onde começou, até aqui».

N 6Ao ouvir isto, Pilatos perguntou se o homem era galileu; 7e, ao saber que era da jurisdição de Herodes, enviou-O a Herodes, que também estava nesses dias em Jerusalém. 8Ao ver Jesus, Herodes ficou muito satisfeito. Havia bastante tempo que O queria ver, pelo que ouvia dizer d’Ele, e esperava que fizesse algum milagre na sua presença. 9Fez-Lhe muitas perguntas, mas Ele nada respondeu.10Os príncipes dos sacerdotes e os escribas que lá estavam acusavam-n’O com insistência. 11Herodes, com os seus oficiais, tratou-O com desprezo e, por troça, mandou-O cobrir com um manto magnífico e remeteu-O a Pilatos. 12Herodes e Pilatos, que eram inimigos, ficaram amigos nesse dia. 13Pilatos convocou os príncipes dos sacerdotes, os chefes e o povo, e disse-lhes:

R 14«Trouxestes este homem à minha presença como agitador do povo. Interroguei-O diante de vós e não encontrei n’Ele nenhum dos crimes de que O acusais. 15Herodes também não, uma vez que no-l’O mandou de novo. Como vedes, não praticou nada que mereça a morte. 16Vou, portanto, soltá-l’O, depois de O mandar castigar».

N 17Pilatos tinha obrigação de lhes soltar um preso por ocasião da festa. 18E todos se puseram a gritar:

R «Mata Esse e solta-nos Barrabás».

N 19Barrabás tinha sido metido na cadeia por causa de uma insurreição desencadeada na cidade e por assassínio. 20De novo Pilatos lhes dirigiu a palavra, querendo libertar Jesus. 21Mas eles gritavam:

R «Crucifica-O! Crucifica-O!»

N 22Pilatos falou-lhes pela terceira vez:

R «Mas que mal fez este homem? Não encontrei n’Ele nenhum motivo de morte. Por isso vou soltá-l’O, depois de O mandar castigar».

N 23Mas eles continuavam a gritar, pedindo que fosse crucificado, e os seus clamores aumentavam de violência. 24Então Pilatos decidiu fazer o que eles pediam: 25soltou aquele que fora metido na cadeia por insurreição e assassínio, como eles reclamavam, e entregou-lhes Jesus para o que eles queriam. 26Quando O conduziam, lançaram mão de um certo Simão de Cirene, que vinha do campo, e puseram-lhe a cruz às costas, para a levar atrás de Jesus. 27Seguia-O grande multidão de povo e mulheres que batiam no peito e se lamentavam, chorando por Ele. 28Mas Jesus voltou-Se para elas e disse-lhes:

J «Filhas de Jerusalém, não choreis por Mim; chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos; 29pois dias virão em que se dirá: ‘Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram’. 30Começarão a dizer aos montes: ‘Caí sobre nós’; e às colinas: ‘Cobri-nos’. 31Porque, se tratam assim a madeira verde, que acontecerá à seca?».

N 32Levavam ainda dois malfeitores para serem executados com Jesus. 33Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, crucificaram-n’O a Ele e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda. 34Jesus dizia:

J «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem».

N Depois deitaram sortes, para repartirem entre si as vestes de Jesus. 35O povo permanecia ali a observar. Por sua vez, os chefes zombavam e diziam:

R «Salvou os outros: salve-Se a Si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito».

N 36Também os soldados troçavam d’Ele; aproximando-se para Lhe oferecerem vinagre, diziam:

R 37«Se és o Rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo».

N 38Por cima d’Ele havia um letreiro: «Este é o Rei dos judeus». 39Entretanto, um dos malfeitores que tinham sido crucificados insultava-O, dizendo:

R «Não és Tu o Messias? Salva-Te a Ti mesmo e a nós também».

N 40Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o:

R «Não temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício? 41Quanto a nós, fez-se justiça, pois recebemos o castigo das nossas más acções. Mas Ele nada praticou de condenável».

N 42E acrescentou:

R «Jesus, lembra-Te de mim, quando vieres com a tua realeza».

N 43Jesus respondeu-lhe:

J »Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso».

N 44Era já quase meio-dia, quando as trevas cobriram toda a terra, até às três horas da tarde, porque o sol se tinha eclipsado. 45O véu do templo rasgou-se ao meio. 46E Jesus exclamou com voz forte:

J «Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito».

N Dito isto, expirou. (Todos ajoelham para uma pausa em silêncio) 47Vendo o que sucedera, o centurião deu glória a Deus, dizendo:

R «Realmente este homem era justo».

N 48E toda a multidão que tinha assistido àquele espectáculo, ao ver o que se passava, regressava batendo no peito. 49Todos os conhecidos de Jesus, bem como as mulheres que O acompanhavam desde a Galileia, mantinham-se à distância, observando estas coisas.

[50Havia um homem chamado José, da cidade de Arimateia, que era pessoa recta e justa e esperava o reino de Deus. Era membro do Sinédrio, 51mas não tinha concordado com a decisão e o proceder dos outros. 52Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. 53E depois de o ter descido da cruz, envolveu-o num lençol e depositou-o num sepulcro escavado na rocha, onde ninguém ainda tinha sido sepultado. 54Era o dia da Preparação e começavam a aparecer as luzes do sábado. 55Entretanto, as mulheres que tinham vindo com Jesus da Galileia acompanharam José e observaram o sepulcro e a maneira como fora depositado o corpo de Jesus. 56No regresso, prepararam aromas e perfumes. E no sábado guardaram o descanso, conforme o preceito.]


A parte da vida de Jesus relatada mais pormenorizadamente e com grande intensidade dramática por todos os quatro Evangelistas é a sua Paixão. Ela é a culminância de toda a vida e obra redentora de Cristo. Os padecimentos colossais que o Senhor abraçou voluntariamente põem em evidência, do modo mais significativo, tanto o seu amor infinito por todos e cada um de nós (cf. Gal 2, 20), como a tremenda gravidade dos nossos pecados (cf. Gal 1, 4).

N.B.: Podem, ver-se mais comentários sobre a Paixão do Senhor, em Sexta-feira Santa. Limitamo-nos a anotar os pormenores exclusivos de S. Lucas, nomeadamente coisas que põem em evidência a misericórdia e a preocupação pelos outros que Jesus manifesta, quando era Ele quem devia merecer toda a atenção em horas tão aflitivas: mais pormenores no relato da Ceia, começando pela manifestação do desejo ardente que Jesus tinha de celebrar esta Páscoa (22, 15-16) e conservando o pormenor do ritual judaico da bênção e entrega do 1.º cálice (22, 17); a oração especial para que a fé de Pedro não desfaleça (22, 31-32); o episódio das duas espadas (Lc 22, 35-38); Jesus cura o criado ferido pela espada de Pedro (22, 51); Jesus diante de Herodes (23, 6-12); Pilatos declara Jesus inocente (23, 13-16); Jesus consola as mulheres a caminho do Calvário (23, 27-31); Jesus pede perdão ao Pai para os que o crucificam (23, 34); o diálogo com o ladrão arrependido (23, 40-43); o véu do santuário que se rasga ao meio (23, 45); as palavras de Jesus ao expirar: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito» (23, 46); a multidão que regressa do Calvário contrita, batendo no peito (23, 48); o regresso das mulheres do túmulo, que preparam perfumes e essências, mas observando o repouso sabático (23, 56).


Sugestões para a homilia


Um poder divino

Convite aos jovens

A Paixão, caminho da ressurreição


Um poder divino

Um Deus que manifesta o seu poder, um Deus que sofre.

Domingo de Ramos é, no início da Semana Santa, um momento para contemplar o mistério de Jesus na sua figura de Rei messiânico com a entrada triunfal referida e assinalada na bênção e procissão de Ramos, e o mistério da sua entrega total ao Pai no supremo sacrifício da cruz.

Jesus Cristo, o Filho de Deus que o Pai enviou a iniciar a Boa Nova aos pobres, a curar os corações dilacerados, a anunciar a liberdade aos prisioneiros, faz-se Ele pobre, martirizado, preso e morto para dar a vida. Ele tinha dito que era o pão da vida e que se o grão de trigo não morrer não dá fruto. Na Sua Morte o fruto de todo o seu mistério de amor.

Depois de multiplicação dos pães poucos ficaram com Ele. Agora até os discípulos O abandonaram. Mas dará fruto. À vista do espantoso mistério do abandono a que é sujeito é momento de admirar o drama que temos diante dos olhos para suscitar decisões históricas na vida do verdadeiro discípulo de Cristo. É altura de fazer o que Pedro disse e não cumpriu (naquela hora de tentação) «ainda que todos Te abandonem eu não Te abandonarei»


Convite aos jovens

Dizendo sim a Cristo – afirmava o Papa numa das jornadas mundiais da juventude – «dizendo sim a Cristo, dizeis sim a cada um dos vossos mais nobre ideais. O rosto sofredor de Cristo é o mistério da alegria gloriosa da ressurreição que passa pelo sacrifício supremo da oferta da vida. Oferecer a vida, que dom precioso de amor! Cristo que não convenceu nas palavras cheias de sabedoria da sinagoga e ou dos lugares em que se dirigia ás multidões que não convenceu na força de inúmeros milagres, na multiplicação dos pães… está a convencer definitivamente pela sua morte. Só um amor infinito conduz à oferta da própria vida.

Com os jovens, a quem o Papa chamou «sentinelas da manhã nesta alvorada do terceiro milénio», seguindo as aclamações da entrada triunfal, dizemos todos sim a Cristo que é o rei dos corações sem medo de se entregar a Ele de maneira decidida e permanente, e não como aqueles que num dia O aclamavam e alguns dias mais tarde pediam a sua condenação. O sim a Cristo no seguimento corajoso da hora da paixão, nesta hora que nos é dado viver, leva a partilhar na Eucaristia a fonte inexaurível da vida do Ressuscitado.

A criminalidade e o terrorismo sem rosto que inquietam o nosso mundo, acentuam o valor do mistério de Cristo que ama a humanidade, e oferece a vida para superar todas as tempestades religiosas indica o remédio que é a busca da santidade. Não é dos sofrimentos de Cristo que havemos de nos compadecer, mas da nossa indiferença perante o pecado de que temos dificuldade em converter-nos. Não há um mundo sem crimes. Mas há a história de um Salvador.


A paixão

A leitura da Paixão, que acabamos de ouvir, recorda-nos a traição de Judas, a última ceia, a instituição da Eucaristia, a acção de graças, antevisão da negação de Pedro a oração no horto e o sono dos discípulos, a entrega traiçoeira de Jesus.

Assalta-nos um mundo de reflexões. O amor e a disponibilidade de Jesus estão patentes. O desânimo e o abandono dos discípulos reflecte a indiferença e abandono de tantos crentes. Na hora das dificuldades esquecem a sua fé. E até são capazes de se queixarem de Jesus. Esta primeira parte da presente leitura faz-nos reflectir sobre os nossos comportamentos. Que há para nós a corrigir?

Haverá quem tenha de corrigir a falta de generosidade na entrega das tarefas que lhe são pedidas, o desencanto e fuga às responsabilidades e aos problemas na hora em que é mais necessária a sua presença, conselho e decisão na defesa das queixas contra a Igreja esquecendo-se que todos os crentes são Igreja.

Depois há um julgamento iníquo e um caminho doloroso até ao Calvário cujos pormenores não vou repetir e que nos leva a reconhecer outra série de fraquezas dos homens: aqueles que condenam sem razões, ou porque ouviram boatos, aqueles que acham demasiado exigentes os caminhos de Jesus, na intromissão do poder civil e religioso para condenar um inocente, a ingratidão de um povo que se esquece de tantas graças recebidas e junta a sua voz a pedir a também a condenação do inocente.

Por fim há a confissão de fé de um pagão quando afirma: «Este era verdadeiramente o Filho de Deus». Fiquemos com a lição para afirmar continuamente a nossa confissão de fé.


Fala o Santo Padre



MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II

EM PREPARAÇÃO PARA A

XVIII JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE2



«Eis a tua Mãe!» (Jo 19, 27).

Caríssimos jovens

1. É com alegria, constantemente renovada, que vos dirijo uma especial Mensagem por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, para vos testemunhar, também desta maneira, o meu afecto por vós. Conservo na memória, como uma luminosa recordação, as impressões suscitadas em mim pelos nossos encontros nas Jornadas Mundiais: os jovens, juntamente com o Papa, com um grande número de Bispos e de Sacerdotes, olham para Cristo, luz do mundo, invocam-no e anunciam-no a toda a família humana. Enquanto dou graças a Deus pelo testemunho de fé que manifestastes, ainda recentemente, em Toronto, renovo-vos o convite pronunciado nas margens do lago Ontário: «A Igreja olha para vós com confiança e espera que vos torneis o povo das bem-aventuranças!» (Exhibition Place, 25 de Julho de 2002).

Para a XVIII Jornada Mundial da Juventude, que haveis de celebrar nas várias dioceses do mundo, escolhi um tema relacionado com o Ano do Rosário: «Eis a tua Mãe!» (Jo 19, 27). Antes de morrer, Jesus oferece ao apóstolo João aquilo que Ele tem de mais precioso: sua Mãe, Maria. Estas são as últimas palavras do Redentor que, por este motivo, adquirem um carácter solene e constituem como que o seu testamento espiritual.


2. As palavras do anjo Gabriel em Nazaré: «Salve, ó cheia de graça!» (Lc 1, 28) iluminam também a cena do Calvário. Na Anunciação, Maria dá no seu seio a natureza humana ao Filho de Deus; aos pés da Cruz, em João, recebe no seu coração toda a humanidade. Mãe de Deus desde o primeiro instante da Encarnação, Ela torna-se Mãe dos homens nos últimos momentos da vida do Filho Jesus. Ela, que é imaculada, no Calvário «conhece» no seu próprio ser o sofrimento do pecado, que o Filho assume sobre si mesmo, para salvar os homens. Aos pés da Cruz, na qual está prestes a morrer Aquele que Ela concebeu com o «sim» da Anunciação, Maria recebe dele como que uma «segunda anunciação»: «Mulher, eis o teu filho!» (Jo 19, 26).

Na Cruz, o Filho pode derramar o seu sofrimento no coração da Mãe. Cada filho que sofre, sente necessidade disto. Também vós, caros jovens, vos encontrais diante do sofrimento: a solidão, os insucessos e as decepções na vossa vida pessoal; as dificuldades de vos inserirdes no mundo dos adultos e na vida profissional; as separações e os lutos nas vossas famílias; a violência da guerra e a morte dos inocentes. Porém, deveis saber que, nos momentos difíceis, que não faltam na vida de cada um, não estais sozinhos: como o fez a João, aos pés da Cruz, Jesus também vos dá a sua Mãe, para que vos conforte com a sua ternura.


3. Em seguida, o Evangelho diz que «desde aquela hora, o discípulo recebeu-a em sua casa» (Jo 19, 27). Esta expressão, tão comentada desde as origens da Igreja, não designa apenas o lugar onde João mora. Mais do que o aspecto material, ela recorda a dimensão espiritual desta hospitalidade, do novo vínculo que se instaura entre Maria e João.

Prezados jovens, vós tendes mais ou menos a mesma idade de João, e o mesmo desejo de estar com Jesus. Hoje, é a vós que Cristo pede expressamente que recebais Maria «em vossa casa», que a acolhais «no meio dos vossos bens» para aprender dela, que «conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração» (Lc 2, 19), a disposição interior da escuta e a atitude de humildade e de generosidade que a caracterizaram como primeira colaboradora de Deus na obra da salvação. É Ela que, desempenhando o seu ministério maternal, vos educa e vos modela até que Cristo se forme plenamente em vós (cf. Rosarium Virginis Mariae, 15).


4. É por este motivo que vos repito, também no dia de hoje, o lema do meu serviço episcopal e pontifical: «Totus tuus». Experimentei constantemente, durante a minha vida, a presença amorosa e eficaz da Mãe do Senhor; Maria acompanha-me em cada dia, no cumprimento da missão de Sucessor de Pedro.

Maria é Mãe da divina graça, porque é Mãe do Autor da graça. Confiai-vos a Ela com plena confiança! Resplandecereis com a beleza de Cristo! Abertos ao sopro do Espírito, tornar-vos-eis apóstolos intrépidos, capazes de difundir à vossa volta o fogo da caridade e a luz da verdade. Na escola de Maria, haveis de descobrir o compromisso concreto que Cristo espera de vós, aprendereis a colocá-lo no primeiro lugar na vossa vida, orientando para Ele os vossos pensamentos e as vossas acções.

Estimados jovens, vós sabeis: o cristianismo não é uma opinião e não consiste em palavras vãs. O cristianismo é Cristo! É uma Pessoas, é Aquele que vive! Encontrar Jesus, amá-l'O e fazer com que Ele seja amado: eis em que consiste a vocação cristã. Maria é-vos dada para vos ajudar a entrar numa relação mais verdadeira e pessoal com Jesus. Com o seu exemplo, Maria ensina-vos a fixar o vosso olhar de amor naquele que foi o primeiro a amar-nos. Com a sua intercessão, Ela forma em vós um coração de discípulos capazes de vos pordes à escuta do Filho, que revela o rosto autêntico do Pai e a verdadeira dignidade do homem.


5. No dia 16 de Outubro de 2002, proclamei o «Ano do Rosário» e convidei todos os filhos da Igreja a fazer desta antiga oração mariana um exercício simples e profundo de contemplação do rosto de Cristo. Com efeito, recitar o Rosário significa aprender a contemplar Cristo com os olhos da sua Mãe, amar Jesus com o coração da sua Mãe. Hoje, entrego-vos espiritualmente, também a vós, queridos jovens, a coroa do Rosário. Através da oração e da meditação dos mistérios, Maria orienta-vos com segurança para o seu Filho! Não tenhais vergonha de recitar o Rosário sozinhos, ao irdes para a escola, a universidade ou o trabalho, ao longo do caminho e nos meios de transporte público; habituai-vos a recitá-lo entre vós, nos vossos grupos, movimentos e associações, porque ele anima e revigora os vínculos entre os membros da família. Esta oração ajudar-vos-á a ser fortes na fé, constantes na caridade, alegres e perseverantes na esperança.

Juntamente com Maria, Serva do Senhor, descobrireis a alegria e a fecundidade da vida escondida. Com Ela, Discípula do Mestre, seguireis Cristo ao longo dos caminhos da Palestina, tornando-vos testemunhas da sua pregação e dos seus milagres. Com Ela, Mãe das Dores, acompanhareis Jesus na sua paixão e morte. Com Ela, Virgem da Esperança, recebeis o anúncio jubiloso da Páscoa e o dom inestimável do Espírito Santo.


6. Caros jovens, só Jesus conhece o vosso coração e os vossos anseios mais profundos. Só Ele, que vos amou até à morte (cf. Jo 13, 1) é capaz de saciar as vossas aspirações. As suas palavras são de vida eterna, palavras que dão sentido à vida. Ninguém, senão Jesus, poderá dar-vos a verdadeira felicidade. Seguindo o exemplo de Maria, sabei dizer-lhe o vosso «sim» incondicionado.

Na vossa existência não haja lugar para o egoísmo nem para o ócio. Hoje, mais do que nunca, é urgente que vós sejais as «sentinelas da manhã», as vedetas que anunciam as luzes do alvorecer e a nova primavera do Evangelho, de que já se vislumbram os sinais. A humanidade tem uma urgente necessidade do testemunho de jovens livres e corajosos, que ousem caminhar contra a corrente e proclamar com vigor e entusiasmo a sua própria fé em Deus, Senhor e Salvador.

Prezados amigos, deveis saber também vós que esta missão não é fácil. Ela torna-se até impossível, se contarmos somente connosco mesmos. Mas «o que é impossível aos homens, é possível a Deus» (Lc 18, 27; 1, 37). Os verdadeiros discípulos de Cristo estão conscientes da sua própria debilidade. Por este motivo, depositam toda a sua confiança na graça de Deus, que recebem com um coração inconsútil, convencidos de que sem Ele nada podem fazer (cf. Jo 15, 5). Aquilo que os caracteriza e os distingue do resto dos homens não são os talentos ou as disposições naturais. É a sua firme determinação para seguir os passos de Jesus. Sede seus imitadores, como eles foram imitadores de Cristo! E possa Ele «iluminar os olhos do vosso coração, a fim de saberdes que esperança constitui o seu chamamento, que tesouros de glória encerra a sua herança entre os Santos e que enorme grandeza representa o seu poder para nós, crentes, como o mostra a eficácia da sua força vitoriosa» (Ef 1, 18-19).


7. Estimados jovens, o próximo Encontro Mundial vai ser realizado, como já sabeis, em 2005 na Alemanha, na cidade e na diocese de Colónia. O caminho ainda é longo, mas os dois anos que nos separam deste Encontro possam servir de intensa preparação. Oxalá vos ajudem ao longo do caminho os temas que escolhi para vós:

2004, XIX Jornada Mundial da Juventude: «Queremos ver Jesus» (Jo 12, 21).

2005, XX Jornada Mundial da Juventude: «Viemos para O adorar» (Mt 2, 2).

Entretanto, por ocasião do Domingo de Ramos, encontrar-vos-eis nas vossas próprias Igrejas locais: vivei com compromisso, na oração, na escuta atenta e na partilha jubilosa estas ocasiões de «formação permanente», manifestando a vossa fé ardente e devota! Como os Magos, sede também vós peregrinos animados pelo desejo de encontrar o Messias e de O adorar! Anunciai com coragem que Cristo, morto e ressuscitado, é o vencedor do mal e da morte!

Nesta época ameaçada pela violência, pelo ódio e pela guerra, dai testemunho de que Ele é o único que pode dar a verdadeira paz ao coração do homem, às famílias e aos povos da terra. Procurai e promovei a paz, a justiça e a fraternidade. E não vos esqueçais da palavra do Evangelho:

»Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 9).

Enquanto vos confio à Virgem Maria, Mãe de Cristo e Mãe da Igreja, acompanho-vos com uma especial Bênção Apostólica, como sinal da minha confiança e penhor do meu afecto por vós.

João Paulo II, Vaticano, 8 de Março de 2003.


Oração Universal


Irmãos: Neste Domingo de Ramos,

contemplando o nosso Salvador, Jesus Cristo,

oremos pela salvação de todos os homens, vítimas da ignorância,

da perseguição e da injustiça, dizendo confiadamente:

Senhor, nosso refúgio, ouvi-nos.


1. Pelos ministros e fiéis da Santa Igreja

para que sejam firmes na sua entrega a Cristo

e anunciem pela palavra e pelo testemunho

que Jesus é o Salvador do mundo,

oremos, irmãos.


2. Pelos responsáveis das nações em toda a terra,

para que reconheçam o Salvador e saibam discernir as suas obrigações

em favor do bem comum,

oremos, irmãos.


3. Pelas crianças e jovens da nossa comunidade (paroquial)

para que aprendam a dar testemunho da fé

e a seguir Cristo com coragem na vida quotidiana,

oremos, irmãos.


4. Pelos membros das nossas associações de piedade

e movimentos apostólicos para que vivam em espírito fraterno

o ideal da boa acção de cada dia e

manifestem sempre fidelidade a Jesus Cristo e à sua Igreja,

oremos, irmãos.


5. Pelos que estão doentes

para que encontrem na Paixão do Senhor lenitivo

e incentivo para o seu sofrimento,

oremos, irmãos.


6. Para que todos nós,

perante a lição do Calvário e o perdão de Jesus

encontrem na paixão do Redentor um sentido para o seu sofrimento,

oremos, irmãos.


7. Para que aqueles que já partiram deste mundo,

e os fiéis de toda a terra, experimentem o mistério pascal de Jesus Cristo

em toda a sua vida,

oremos, irmãos.


Senhor Nosso Deus que nos dais uma lição de poder divino

e amor infinito pela humanidade, dai-nos a graça de corresponder a esse amor

e alcançarmos os méritos do vosso sacrifício,

Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.



Liturgia Eucarística


Cântico do ofertório: Amai como Eu vos amei, J. Santos, NRMS 87


Oração sobre as oblatas: Pela paixão do vosso Filho Unigénito, apressai, Senhor, a hora da nossa reconciliação: concedei-nos, por este único e admirável sacrifício, a misericórdia que nossos pecados não merecem. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


Prefácio


A paixão redentora de Cristo


V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.


V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.


V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. E nosso dever, é nossa salvação.


Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Sendo inocente, entregou-Se à morte pelos pecadores; não tendo culpas, deixou-Se condenar pelos culpados. A sua morte redimiu os nossos pecados e a sua ressurreição abriu-nos as portas da salvação.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos com alegria a vossa glória, cantando numa só voz:


Santo, Santo, Santo.


Santo: M. Luis, NCT nº 297


Monição da Comunhão


Cristo Jesus humilhou-se até à morte. Na Quinta-Feira Santa instituiu o sacramento que haveria de perpetuar no tempo o seu sacrifício.


Cântico da Comunhão: Pai, se este cálice, F. da Silva, NRMS 25

Mt 26, 42

Antífona da comunhão: Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-Se a tua vontade.


Cântico de acção de graças: O Senhor é clemente, M. Simões, NRMS 1 (I)


Oração depois da comunhão: Saciados com estes dons sagrados, nós Vos pedimos, Senhor: assim como, pela morte do vosso Filho, nos fizestes esperar o que a nossa fé nos promete, fazei-nos também chegar, pela sua ressurreição, às alegrias do reino que esperamos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



Ritos Finais


Monição final


Domingo de Ramos é glória de Cristo que entra na sua cidade e mostra poder divino e o acolhimento das populações. É paixão e sofrimento. Ninguém pense chegar à glória sem sacrifício e entrega ao amor de Deus

A cruz de Cristo é o caminho para a vida. É a nossa esperança. No próximo domingo celebraremos a sua ressurreição.


Cântico final: Ó cruz bendita, M. Borda, NRMS 43



Homilias Feriais


SEMANA SANTA


2ª feira, 5-IV: O cumprimento do plano de salvação.

Is 42, 1-7 / Jo 12, 1-11

Eis o meu servo, a quem eu protejo, o meu eleito, o enlevo da minha alma... Fui eu, o Senhor, quem te chamou num propósito de salvação.

«Este plano de divino de salvação, pela entrega à morte do ‘Servo, o Justo’, tinha sido de antemão anunciado na Escritura como um mistério de redenção universal... A morte redentora de Jesus deu cumprimento sobretudo à profecia do Servo sofredor. O próprio Jesus apresentou o sentido da sua vida e da sua morte à luz do Servo sofredor» (CIC, 601).

Nestes começos da Semana Santa encontramos aquele que o vai entregar: Judas, que protesta contra os pormenores de carinho para com o Senhor; e também Maria de Betânia, que derramou sobre Ele uma libra de perfume de elevado preço. Sejamos igualmente generosos no acompanhamento do Senhor nestes dias.


3ª feira, 6-IV: Sacrifícios de expiação.

Is 49, 1-6 / Jo 13, 21-33. 36-38.

Não bastas que sejas meu servo... Vou fazer de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue aos confins da terra.

«Pela obediência até à morte, Jesus realizou a acção substitutiva do Servo sofredor, que oferece a sua vida como sacrifício de expiação, ao carregar com o pecado das multidões, que justifica carregando Ele próprio com as suas faltas. Jesus reparou as nossas faltas e satisfez ao Pai pelos nossos pecados» (CIC, 615).

E também carregou com as faltas de Judas e de Pedro (cf. Ev.). Procuremos imitar o Senhor oferecendo igualmente a nossa vida em expiação pelos nossos pecados e pelos dos outros, aceitando as contrariedades, as dores, os sofrimentos, os aborrecimentos; realizando pequenos sacrifícios; cumprindo mais exigentemente os nossos deveres quotidianos, etc.


4ª feira, 7-IV: Preparativos para a Última Ceia.

Is 50, 4-9 / Mt 26, 14-25

Onde queres que façamos os preparativos para comeres a Páscoa?... Os discípulos fizeram como Jesus lhes tinha mandado.

«Na véspera da sua paixão, quando ainda era livre, Jesus fez desta última ceia com os Apóstolos (cf. Ev. do dia) o memorial da sua oblação voluntária ao Pai para salvação dos homens» (CIC, 610).

Façamos igualmente os nossos preparativos para esta Páscoa, desejando reunir-nos com Jesus e os discípulos para a instituição da Eucaristia. Jesus deseja a nossa companhia, mas procuremos evitar as infidelidades, como a de Judas (cf. Ev.).Melhoremos as nossas disposições para fazermos aquilo que o Senhor nos pede agora.







Celebração e Homilia: José Valentim Pereira Vilar

Comentários Bíblicos: Geraldo Morujão

Homilias Feriais: Nuno Romão

Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha

1 O texto que está entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido

2 Dado que no termo da redacção da CL ainda não estava disponível a Mensagem para o D. M. da Juventude de 2004, publicamos na íntegra a mensagem do ano transacto.


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