aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

ESPANHA

 

LITURGIA MOÇÁRABE

 

A riqueza do rito litúrgico moçárabe, nascido na Península Ibérica cerca do século VI, ficou mais acessível com a apresentação, em Roma, de uma investigação que revela todo o seu património oral.

 

A obra «Concordantia Missalis Hispano-Mozarabici», editada pela Libreria Editrice Vaticana, inclui também informações que permitem aprofundar a teologia de um dos ritos ocidentais cristãos mais antigos, a par do romano, ambrosiano e galicano.

O livro agora lançado resulta do trabalho desenvolvido pelos espanhóis Félix María Arocena e Adolfo Ivorra e pelo italiano Alessandro Toniolo.

O volume de quase mil páginas oferece um apoio para o estudo das orações da Missa, permitindo ainda compreender as implicações semânticas de cada termo litúrgico e o contexto em que se encontra.

«O trabalho baseado nas Concordâncias permitirá conhecer não apenas a densidade teológica do Missale Hispano-Mozarabicum, como também a transcendência e a beleza» dessa tradição, afirmam os autores.

 

Rito moçárabe

 

Segundo os especialistas, uma das particularidades do rito moçárabe é a importante presença do canto, enquanto que outros estudiosos garantem que essa liturgia conserva, mais do que outras, influências das celebrações judaicas nas sinagogas.

Em 1495, o Cardeal Cisneros empreendeu uma importante reforma, dedicando uma capela para a celebração desta liturgia e compondo um Missal que reunia as tradições orais que subsistiam.

Apesar das dificuldades (invasão muçulmana no século VIII e imposição do rito romano, especialmente depois do Concílio de Trento, terminado em 1563), a liturgia moçárabe sobreviveu em Toledo, antiga capital de Espanha.

O Concílio Vaticano II (1962-1965) dispôs o mesmo direito e honra aos ritos legitimamente reconhecidos, entre os quais o moçárabe, e João Paulo II concedeu a permissão de celebrar esta liturgia em qualquer lugar da Espanha – até então só se podia realizar em Toledo.

A 28 de Maio de 1992, o Papa polaco tornou-se o primeiro pontífice a presidir em Roma a uma Missa celebrada com este rito.

 

 

GUINÉ-BISSAU

 

MEDIAÇÃO DA COMUNIDADE

DE SANTO EGÍDIO

 

Os representantes do Comité Nacional de Transição (CNT, Parlamento provisório) e das principais formações políticas assinaram um acordo para construir um futuro democrático para o país e colocar fim a um período de incertezas e violências.

 

Vinte e dois políticos da Guiné reuniram-se na Comunidade de Santo Egídio, em Roma, para discutir sobre a transição e o futuro do seu país e preparar as próximas etapas eleitorais.

A Guiné está a emergir com fadiga da situação do pós-Golpe de Estado de Dezembro de 2008. Após um ano de regime militar e um longo período de incerteza política com confrontos e vítimas, as forças políticas e sociais reunidas no CNT assinaram um acordo que coloca os alicerces para a transição pacífica e o retorno da vida democrática no país.

O acordo prevê a divisão do poder nas instituições, no parlamento; a constituição de um governo de amplidão, a criação de um conselho nacional de reconciliação. As partes comprometem-se a manter e favorecer um clima pacífico e rejeitar qualquer recurso ao ódio étnico, à violência, e à propaganda voltada a tensões. As partes concordam ainda em garantir eleições correctas e transparentes e a aceitar os seus resultados. Está prevista a reforma das forças armadas, a indemnização das vítimas de violações e um quadro de diálogo e concertação permanente.

 

 

IRLANDA

 

NOMEADOS VISITADORES

PELO PAPA

 

O Vaticano divulgou no passado dia 31 de Maio um comunicado sobre a visita apostólica a algumas dioceses, seminários e congregações religiosas na Irlanda, que vai ocorrer no Outono deste ano, no seguimento dos abusos sexuais de menores.

 

A decisão do Papa enquadra-se nas indicações da Carta que escreveu a 19 de Março aos católicos daquele país, em que pretende «oferecer assistência aos bispos, clero, religiosos e fiéis leigos que procuram responder adequadamente à situação causada pelos trágicos casos de abuso cometidos por padres e religiosos sobre menores».

A visita pretende também «contribuir para a renovação espiritual e moral», que já está em curso na Igreja da Irlanda.

Os visitadores apostólicos têm como objectivo explorar mais profundamente as questões relacionadas com os casos de pedofilia e a assistência prestada às vítimas, além de monitorizarem a eficácia dos actuais procedimentos para a prevenção de abusos, procurando acrescentar-lhes melhorias.

As delegações começam por visitar as quatro arquidioceses da Irlanda (Armagh, Dublin, Cashel e Emly, e Tuam), prosseguindo seguidamente para outras circunscrições eclesiásticas.

Os visitadores nomeados por Bento XVI são: para Armagh, o Cardeal Cormac Murphy-O’Connor, arcebispo emérito de Westminster (Inglaterra); para Dublin, o Cardeal Sean Patrick O’Malley, arcebispo de Boston (EUA); para Cashel e Emly, Mons. Thomas Christopher Collins, arcebispo de Toronto (Canadá); e para Tuam, Mons. Terrence Thomas Prendergast, arcebispo de Ottawa (Canadá).

A coordenação da visita aos seminários irlandeses, incluindo o Colégio Pontifício Irlandês de Roma, foi confiada à Congregação para a Educação Católica, um dos Dicastérios do Vaticano. O visitador apostólico destas entidades, Mons. Timothy Dolan, arcebispo de Nova Iorque, vai prestar atenção a «todos os aspectos da formação dos padres».

A Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, outro dos departamentos centrais da Santa Sé, vai organizar a visita às congregações religiosas em duas fases.

A primeira consiste no envio de um inquérito aos superiores dos institutos religiosos presentes na Irlanda, com a intenção de estabelecer um retrato preciso da realidade e estabelecer um plano para a observância das normas da Igreja.

Num segundo momento, os visitadores – dois religiosos para as congregações masculinas e duas religiosas para as femininas – vão avaliar os resultados do inquérito e avançar com medidas que contribuam para o renascimento espiritual da vida religiosa no país.

A Conferência Episcopal Irlandesa considera que esta visita apostólica ao país expressa a «proximidade pessoal do Papa Bento XVI aos católicos da Irlanda» e «representa mais um passo importante no caminho da cura, reparação e renovação da Igreja da Irlanda».

 

 

POLÓNIA

 

BEATIFICAÇÃO DO MÁRTIR

Pe. JERZY POPIELUSZKO

 

No passado domingo 6 de Junho, em Cracóvia, foi beatificado o sacerdote polaco Jerzy Popieluszko, assassinado pelos serviços secretos do governo comunista da Polónia em 1984.

 

Numa época em que o Comunismo consolidava o seu poder vitorioso sobre a Polónia, em 1947, Jerzy Popieluszko nascia numa família de camponeses. Cerca de quarenta anos depois, quando o comunismo europeu começava a desagregar-se, o seu corpo mutilado foi lançado ao rio Wisla.

Jerzy Popieluszko era apenas um jovem capelão de uma aldeia desconhecida. Trabalhava com crianças e jovens e, em 1980, com a idade que Cristo tinha ao morrer, empenha-se no movimento operário polaco, prega justiça social e patriotismo, celebra uma grande missa para soldadores em greve no recinto da sua fábrica.

A partir daí, fica na mira dos serviços secretos. É vigiado e ameaçado por eles; sucedem-se os acidentes de automóvel de que é vítima, instauram-lhe um processo, assaltam e vandalizam-lhe a casa. O capelão mantém-se firme. Por fim, na noite de 19 de Outubro de 1984, é raptado, torturado e afogado.

O seu enterro transforma-se numa manifestação. Milhares de pessoas, incluindo os pais, participam profundamente desgostosos. Para todos é evidente: o Padre Jerzy sacrificou a sua vida pela verdade.

Entre milhões de peregrinos que veneraram a memória do mártir, houve alguém muito especial que visitou o túmulo do Pe. Jerzy, no dia 14 de Junho de 1987. Era do conhecimento geral que João Paulo II desejava rezar junto do túmulo do Pe. Popieluszko durante a sua visita à Polónia. Inúmeras referências aos ensinamentos e exemplos do Pe. Popieluszko, presentes nas homilias do Santo Padre, não deixam dúvidas acerca da sua estima pelo sacerdote martirizado.

Simbolicamente, a sua beatificação aconteceu no final do Ano Sacerdotal convocado por Bento XVI. No Angelus do domingo seguinte, o Santo Padre recordou o seu testemunho: «Exerceu o seu generoso e corajoso ministério junto de todos os que se empenhavam a favor da liberdade, a defesa da vida e a sua dignidade. Essa sua acção ao serviço do bem e da verdade era um sinal de contradição para o regime que então governava a Polónia. Foi o amor do Coração de Cristo que o levou a dar a vida e o seu testemunho foi semente de uma nova primavera na Igreja e na sociedade».

 

 

CUBA

 

DIÁLOGO COM O VATICANO

ESTÁ A DAR FRUTOS

 

O Arcebispo Dominique Mamberti, Secretário do Vaticano para as Relações com os Estados, encontrou-se no passado domingo 20 de Junho com o presidente cubano Raul Castro.

 

O encontro serviu para assinalar os 75 anos de diálogo entre Cuba e Vaticano, numa relação diplomática classificada pelos dois responsáveis como «amigável, respeitosa, contínua e em ascensão».

Mons. Dominique Mamberti realizou, entre 16 e 20 de Junho, uma visita à Ilha, a convite do governo e da Igreja Cubana, por ocasião da 10.ª Semana Social católica em Cuba.

Entre outras questões, a estadia serviu para o Vaticano expressar a sua satisfação pelas medidas recentemente adoptadas, pelo governo de Raul Castro, em relação aos presos políticos.

As conversações entre a Igreja e o governo, mediadas pela Igreja cubana, levaram à libertação de diversos detidos, na sua maioria dissidentes do regime, que estavam presos há diversos anos. A amnistia aos prisioneiros poderá também levar à reconciliação entre cubanos, dentro e fora da Ilha.

A oposição espera que o diálogo não sirva apenas para a libertação de presos políticos, mas também traga as reformas económicas prometidas pelo presidente há três anos e que se estabeleça finalmente a democracia no país.

 

 

VIETNAM

 

SANTA SÉ VAI TER

REPRESENTANTE NÃO RESIDENTE

 

Bento XVI vai nomear um representante não residente no Vietname, um passo em frente no restabelecimento das relações diplomáticas entre este país asiático e a Santa Sé.

 

A decisão saiu do encontro do grupo de trabalho conjunto com delegados dos dois Estados, que decorreu a 23 e 24 de Junho no Vaticano.

Segundo comunicado da Secretaria de Estado do Vaticano, «as duas delegações abordaram questões de interesse internacional e temas ligados às relações bilaterais entre a Igreja Católica e o Vietname».

A delegação da Santa Sé «pediu que fossem garantidas condições que permitam à Igreja participar com mais eficácia no desenvolvimento do país, de modo particular no que diz respeito ao âmbito espiritual, educativo, de saúde, social e caritativo».

Quanto às relações bilaterais, as duas delegações manifestaram «apreço pelo desenvolvimento positivo», de modo especial, pelo encontro entre Bento XVI e o presidente do Vietname, Nguyên Minh Triet, em Dezembro de 2009.

Ambas as delegações decidiram a realização de um terceiro encontro conjunto, no Vietname, em data a ser ainda estabelecida pelos canais diplomáticos.

O Vietname, com os seus 86 milhões de habitantes, tem seis milhões de católicos, o segundo maior número de fiéis do sudeste da Ásia depois das Filipinas. Mesmo assim, as relações entre católicos e o Partido Comunista têm sido marcadas por forte tensão.

 

 

SRI LANKA

 

APOIO DA

CÁRITAS PORTUGUESA

 

A Cáritas Portuguesa vai financiar a construção de 88 habitações e a compra de 80 barcos de pesca para apoiar as populações afectadas pelo tsunami de 2004 e pela guerra civil no Sri Lanka, antigo Ceilão.

 

O valor total deste programa ronda os 650 mil euros, dinheiro que vem ainda da campanha de solidariedade para com as populações do Sudeste Asiático lançada logo após o tsunami.

De acordo com o memorando, as habitações vão ser construídas na zona de Mullaitivi, na província de Vanni, no norte do país. O dinheiro vai ainda servir para financiar projectos de geração de rendimentos, que vão beneficiar 132 famílias.

O período de implementação deste programa é de um ano. Metade da verba – 325 mil euros – vai ser doada à Cáritas do Sri Lanka já neste mês de Julho. A segunda parte seguirá para Colombo em Janeiro de 2011.

A campanha de solidariedade lançada pela Cáritas após o tsunami de 2004 recolheu mais de 4 milhões e 900 mil euros em donativos dos portugueses. Desta verba faltava ainda aplicar 1 milhão e 900 mil euros, dinheiro que vai agora ser distribuído de forma igual por 3 países: Sri Lanka, Índia e Indonésia.

No Sri Lanka está já escolhido o projecto a apoiar. A delegação da Cáritas Portuguesa, chefiada pelo presidente desta instituição, Eugénio da Fonseca, estará na Índia entre 3 e 9 de Julho, para avaliar os novos projectos a apoiar neste país, e a forma como o dinheiro que já tinha sido doado foi implementado em programas de ajuda às populações.

 

 

FRANÇA

 

CELEBRAÇÃO DOS

70 ANOS DE TAIZÉ

 

Em Agosto, fará cinco anos que o Irmão Roger foi morto durante a oração da noite (16 de Agosto de 2005). Será também o 70.º aniversário da fundação da Comunidade, pois foi no dia 20 de Agosto de 1940 que o Irmão Roger chegou, primeiro sozinho, à colina de Taizé.

 

Este duplo aniversário será marcado por uma celebração em Taizé no sábado 14 de Agosto às 20h30.

A Comunidade de Taizé reúne uma centena de Irmãos, católicos e de diversas origens evangélicas, vindos de quase trinta países diferentes.

Os Irmãos da Comunidade ganham a sua vida pelo próprio trabalho. Não aceitam qualquer donativo. Neste mesmo sentido, se um Irmão recebe uma herança familiar, a Comunidade oferece-a aos mais pobres.

Alguns Irmãos vivem em zonas desfavorecidas do mundo, para serem aí testemunhas de paz perto daqueles que sofrem. Em pequenas fraternidades, os Irmãos vivem em bairros degradados na Ásia, na África, na América latina.

Ao longo dos anos, jovens em número cada vez maior chegam a Taizé, vindos de todos os continentes, para viverem semanas de encontros. Irmãs de Santo André, uma comunidade católica internacional fundada há mais de sete séculos, Irmãs Ursulinas polacas e Irmãs de São Vicente de Paulo assumem uma parte das tarefas ligadas ao acolhimento dos jovens.

A partir de 1962, Irmãos e jovens, enviados por Taizé, não cessaram de ir, na maior discrição, aos países da Europa de Leste, para estarem próximos dos que estavam presos dentro das suas próprias fronteiras.

 

 


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