aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

PADRES NO

MUNDO DIGITAL

 

Bento XVI quer que os padres aproveitem as potencialidades das novas tecnologias, na área da comunicação, marcando uma presença diferente no mundo «digital».

 

Os sacerdotes, indica o Papa, devem «anunciar o Evangelho recorrendo não só aos mass media tradicionais, mas também ao contributo da nova geração de audiovisuais (fotografia, vídeo, animações, blogues, páginas na Internet) que representam ocasiões inéditas de diálogo e meios úteis, inclusive para a evangelização e a catequese».

«Os novos media oferecem aos presbíteros perspectivas sempre novas e pastoralmente ilimitadas», acrescenta.

Os desafios são lançados na Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado na Quinta-feira da Ascensão, dia 16 de Maio passado. O tema era: «O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos meios a serviço da Palavra».

A celebração deste ano pretende levar os padres a considerar os novos meios de comunicação como um recurso para o seu ministério.

«O desenvolvimento das novas tecnologias e, na sua dimensão global, todo o mundo digital representam um grande recurso, tanto para a humanidade no seu todo como para o homem na singularidade do seu ser, e um estímulo para o confronto e o diálogo», indica Bento XVI.

Reconhecendo que «os modernos meios de comunicação fazem parte, desde há muito tempo, dos instrumentos ordinários através dos quais as comunidades eclesiais se exprimem», o Papa precisa que «a sua recente e incisiva difusão e a sua notável influência tornam cada vez mais importante e útil o seu uso no ministério sacerdotal».

O Papa lembra a necessidade de assegurar sempre «a qualidade do contacto humano e a atenção às pessoas e às suas verdadeiras necessidades espirituais».

«Uma pastoral no mundo digital é chamada a ter em conta também aqueles que não acreditam, caíram no desânimo e cultivam no coração desejos de absoluto e de verdades não caducas, dado que os novos meios permitem entrar em contacto com crentes de todas as religiões, com não-crentes e pessoas de todas as culturas», frisa Bento XVI.

 

 

CONCERTO OFERECIDO AO PAPA

PELO PATRIARCA DE MOSCOVO

 

O porta-voz da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, considera que o diálogo entre católicos e ortodoxos entrou numa nova fase após o concerto oferecido ao Papa pelo Patriarca de Moscovo e de todas as Rússias, Cirilo I.

 

O espectáculo, que ocorreu a 20 de Maio passado no Vaticano, para assinalar o quinto aniversário do pontificado de Bento XVI e os seus 83 anos, foi oferecido pela Igreja Ortodoxa Russa.

No concerto foram executadas obras de compositores russos dos séculos XIX e XX, além da sinfonia «Canto da Ascensão», composta pelo Metropolita Hilarion Alfeyev de Volokolamsk, presidente do Departamento de Relações Exteriores do Patriarcado de Moscovo.

O director da Sala de Imprensa da Santa Sé considera ser «muito claro que, no contexto do actual panorama cultural europeu, as posições ortodoxa e católica sobre as grandes questões éticas são comuns, pois decorrem de uma visão do homem inspirada pelo cristianismo».

«O Metropolita Hilarion, na sua intervenção, fez referência explícita às questões relacionadas com a vida e a família. O discurso final do Papa foi mais amplo e minucioso do que aqueles que costuma fazer ao final dos concertos, desenvolvendo com amplitude o tema das raízes cristãs da Europa, expressas não apenas na vida religiosa, mas também no seu inestimável património cultural e artístico», acrescentou.

No entender do Pe. Federico Lombardi, perante a secularização que conduz à convicção de que é possível prescindir de Deus, «torna-se necessário desenvolver a proposta de um novo humanismo que possibilite à Europa respirar a plenos pulmões, graças ao diálogo e à sinergia entre Oriente e Ocidente, entre tradição e modernidade».

«O soar das notas da grande música russa no Vaticano constituiu um sinal eloquente da profunda sintonia que se estabeleceu entre a Igreja Ortodoxa Russa e a Católica. Um sinal verdadeiramente encorajador para o futuro», concluiu o Pe. Lombardi.

O Patriarca Cirilo não esteve presente no evento, mas assinalou que, pela primeira vez na história, três grupos musicais se reuniram excepcionalmente na Sala Paulo VI, no Vaticano, para executarem obras de grandes compositores russos. Foram eles a Orquestra Nacional Russa, o Coro de Moscovo e a Orquestra da Capela de São Petersburgo.

 

 

ENCONTRO ECUMÉNICO

EM CHIPRE

 

No encontro que o Papa Bento XVI teve com o arcebispo ortodoxo de Chipre, Crisóstomo II, durante a sua Viagem apostólica de 4 a 6 de Junho passado, o Papa lembrou que a Ilha «é tradicionalmente considerada como uma parte da Terra Santa», pelo que o conflito permanente na região deve preocupar todos os discípulos de Cristo.

 

As comunidades cristãs de Chipre podem tornar-se «um espaço muito propício à cooperação ecuménica através da sua oração e empenhamento solidário pela paz, reconciliação e estabilidade destas regiões abençoadas pelo Príncipe da Paz durante a sua vida terrestre», salientou Bento XVI.

Na sua alocução, o Papa reconheceu o apoio que a Igreja ortodoxa de Chipre tem dado ao diálogo ecuménico e fez votos para que seja possível alcançar «uma comunhão plena e visível entre as Igrejas Orientais e Ocidentais».

«Uma comunhão – explicitou Bento XVI – que deve ser vivida na fidelidade ao Evangelho e à tradição apostólica, no respeito das tradições próprias no Oriente e no Ocidente, e na abertura à diversidade dos dons através dos quais o Espírito faz crescer a Igreja na unidade, santidade e paz».

O Papa recordou que o «espírito de fraternidade e de comunhão» que as Igrejas procuram a nível teológico encontrou outra expressão na generosa contribuição que Crisóstomo II enviou, em nome da Igreja de Chipre, às vítimas do tremor de terra que afectou a região italiana de L’Aquila em Abril de 2009.

Numa Ilha dividida em dois territórios, independentemente administrados por um Governo cipriota grego e por um Governo cipriota turco, a que correspondem duas maiorias religiosas – respectivamente cristã e islâmica –, Bento XVI apelou à reconciliação.

O Papa pediu a ajuda de Deus para que «todos os habitantes de Chipre tenham a sabedoria e a força necessárias para trabalhar em conjunto para uma justa resolução dos problemas que até agora permanecem sem solução», construindo uma sociedade caracterizada pelo «respeito dos direitos de todos, incluindo os direitos inalienáveis à liberdade de consciência e de culto».

Depois de lembrar a visita que Crisóstomo II lhe fez há três anos, no Vaticano, Bento XVI saudou o «Santo Sínodo» (órgão colegial da Igreja Ortodoxa) e «todos os padres, diáconos, monges, monjas e fiéis leigos da Igreja de Chipre».

 

 

PRÓXIMO SÍNODO DOS BISPOS

PARA O MÉDIO ORIENTE

 

Durante a sua Viagem apostólica a Chipre, Bento XVI entregou no Domingo 6 de Junho aos bispos e patriarcas do Médio Oriente, no fim da Missa a que presidiu em Nicósia, o Instrumento de trabalho que vai servir de preparação ao Sínodo dos Bispos para aquela região.

 

A Assembleia, que decorre no Vaticano entre 10 e 24 de Outubro, vai ser dedicada ao tema «A multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma», frase extraída do livro bíblico dos Actos dos Apóstolos.

O «Instrumentum laboris» tem 40 páginas, resultantes das respostas a um questionário previamente enviado aos diversos organismos que compõem a Igreja católica no Médio Oriente.

Na introdução, o Secretario geral do Sínodo dos Bispos, arcebispo Nikola Eterovic, sublinha que a situação actual na região é em muitos aspectos pouco diferente daquela vivida pela primitiva comunidade cristã na Terra Santa, «no meio de dificuldades e perseguições».

O Sínodo tem dois objectivos principais: confirmar e reforçar os cristãos na sua identidade mediante a palavra de Deus e os sacramentos, e reavivar a comunhão entre as Igrejas, para que possam dar um testemunho de vida cristã autêntica, alegre e atraente.

O encontro pretende também acentuar o empenho ecuménico e o diálogo com judeus e muçulmanos para o bem da sociedade e para que a religião, sobretudo dos crentes que professam um único Deus, se torne cada vez mais motivo de paz.

O primeiro capitulo do «Instrumentum laboris» reflecte sobre o catolicismo no Médio Oriente, recordando que todas as comunidades eclesiais do mundo remontam à Igreja de Jerusalém.

O texto refere que as divisões entre os cristãos (Concílios de Éfeso e de Calcedónia no século V, e separação de Roma e Constantinopla no século XI) foram devidas sobretudo a motivos políticos e culturais, manifestando no entanto a convicção de que o Espírito Santo contribui para aproximar as Igrejas e fazer cair os obstáculos à unidade visível desejada por Cristo.

As comunidades católicas no Médio Oriente têm várias tradições: além da latina, há seis Igrejas patriarcais, cada uma com o seu rico património espiritual, teológico e litúrgico.

A primeira parte do texto de trabalho assinala igualmente que as Igrejas do Médio Oriente provêm dos apóstolos ou daqueles que, do ponto de vista temporal e teológico, estiveram perto das suas convicções, pelo que a Igreja tem a grave responsabilidade de manter a fé cristã na região onde nasceu.

Os católicos são chamados a promover o conceito de laicidade positiva do Estado para aliviar o carácter teocrático dos governos e permitir maior igualdade entre os cidadãos de religiões diferentes, favorecendo a promoção de uma democracia sã, positivamente laica, que reconheça plenamente o papel da religião na vida privada e pública, no pleno respeito da distinção entre a ordem religiosa e temporal.

 

 

ENCERRAMENTO DO

ANO SACERDOTAL

 

Mais de 15 mil padres de todo o mundo marcaram presença na passada sexta-feira, dia 11 de Junho, solenidade do Sagrado Coração de Jesus, na Missa que encerrou o Ano Sacerdotal, no Vaticano, naquela que foi a celebração eucarística com o maior número de concelebrantes da história de Roma.

 

A Missa, presidida por Bento XVI, colocou um ponto final neste ano, que ele próprio convocou para assinalar o 150.º aniversário da morte do Santo Cura d’Ars, João Maria Vianney (1786-1859).

Simbolicamente, Bento XVI utilizou na celebração o cálice que pertencia a São João Maria Vianney, e que hoje é conservado na paróquia de Ars (França).

A celebração contou com momentos particulares, como o «rito de aspersão com a água benta, como acto penitencial», para retomar o tema da purificação, sobre o qual o Papa falou ultimamente, em diversas ocasiões.

Na homilia, Bento XVI disse: «Pedimos insistentemente perdão a Deus e às pessoas envolvidas, enquanto prometemos que queremos fazer todos os possíveis para que semelhante abuso não volte nunca a acontecer».

«Precisamente neste ano de alegria para o sacramento do sacerdócio, vieram à luz do dia os pecados dos sacerdotes, sobretudo o abuso sobre as crianças», lamentou.

«Se o Ano Sacerdotal fosse uma glorificação da nossa pessoal prestação humana, teria sido destruído por estes acontecimentos», admitiu mesmo o Papa.

Bento XVI garantiu que, «na admissão ao ministério sacerdotal e na formação que prepara para o mesmo, faremos todos os possíveis para examinar a autenticidade da vocação».

«Queremos acompanhar ainda mais os sacerdotes no seu caminho, para que o Senhor os proteja e os custodie nas situações dolorosas e perigosas da vida», prosseguiu.

Bento XVI considera que os acontecimentos recentes vão ajudar a Igreja a purificar-se.

Depois da homilia, os sacerdotes renovaram as promessas sacerdotais, como na Quinta-Feira Santa, na Missa Crismal.

No fim da concelebração, antes da bênção conclusiva, o Papa renovou o acto de consagração dos sacerdotes a Nossa Senhora, segundo a fórmula utilizada por ocasião da peregrinação a Fátima, no dia 13 de Maio.

 

 

IMPORTÂNCIA DA

EUCARISTA DOMINICAL

 

Bento XVI destacou a importância da participação dos cristãos nas missas dominicais, considerando-as momentos fundamentais do encontro entre o homem e Deus. O Papa falava no passado 15 de Junho na Basílica de São João de Latrão, onde se deslocou para abrir o Congresso Diocesano de Roma.

 

O Papa disse que «a doutrina sobre a Eucaristia» não é «hoje, infelizmente, suficientemente compreendida no seu valor profundo e na sua importância para a vida dos crentes».

«Alimentando-nos com o Corpo de Cristo, de facto, nós cristãos abandonamos a lógica do mundo para assumir a lógica divina do dom, da gratuidade, e a força difusiva do bem pode transformar-nos e originar uma mudança autêntica e permanente da sociedade».

No seu discurso, Bento XVI ressaltou que «a melhor catequese é a Eucaristia bem celebrada».

Segundo o Papa, «a dimensão vertical» das celebrações leva também à «dimensão horizontal, isto é, ao empenho no campo social».

«Pelo contrário, quando prevalece esta última, perde-se o sentido da celebração comunitária», alertou.

Para Bento XVI, «redescobrir esta verdade na celebração eucarística, livra-nos do activismo estéril e direcciona-nos para um testemunho autêntico do Evangelho».

«A fé nunca pode ser pressuposta, porque cada geração precisa de receber este dom mediante o anúncio do Evangelho e de conhecer a verdade que Cristo nos revelou».

 

 

NOVOS PRESIDENTES

NA CÚRIA ROMANA

 

O Santo Padre nomeou novos Presidentes para os organismos da Cúria Romana, ao atingirem o limite de idade os anteriores. Desde a sua eleição, em Abril de 2005, o Papa nomeou o Secretário de Estado, substituiu sete dos nove Prefeitos das Congregações da Cúria Romana e nove dos onze Presidentes dos Conselhos Pontifícios, tendo ainda criado um novo Conselho recentemente.

 

As últimas mudanças referem-se à nomeação do Cardeal canadiano Marc Ouellet como novo Prefeito da Congregação para os Bispos, do Arcebispo suíço Kurt Koch como novo Presidente do Conselho Pontifício para a promoção da Unidade dos Cristãos e do Arcebispo italiano Rino Fisichella à frente do novo Conselho Pontifício para a Nova Evangelização.

A criação deste novo Conselho Pontifício para a Nova Evangelização, foi anunciada pelo próprio Papa uns dias antes, tendo como objectivo combater um «eclipse do sentido de Deus» que está a atingir a sociedade, em particular no mundo ocidental.

«Decidi criar um novo organismo, na forma de Conselho Pontifício, com a tarefa principal de promover a renovada evangelização nos Países onde já ressoou o primeiro anuncio da fé e estão presentes Igrejas de antiga fundação, mas que estão a viver uma progressiva secularização da sociedade e uma espécie de eclipse do sentido de Deus».

O Arcebispo Rino Fisichella deixa a presidência da Academia Pontifícia para a Vida, sendo substituído pelo espanhol Mons. Ignacio Carrasco, até agora chanceler deste organismo e antigo Reitor da Universidade Pontifícia da Santa Cruz.

 

 

VIAGEM APOSTÓLICA

À INGLATERRA E ESCÓCIA

 

O Vaticano confirmou oficialmente a visita de Bento XVI ao Reino Unido, que decorre de 16 a 19 de Setembro, a convite da Rainha Isabel II e das Conferências Episcopais de Inglaterra-País de Gales e Escócia.

 

O Papa chega no dia 16 de Setembro a Edimburgo, na Escócia, e deslocar-se-á em visita à rainha Isabel II no palácio real de Edimburgo, presidindo a seguir a uma celebração eucarística num parque de Glasgow.

Em Londres, Bento XVI terá um encontro com representantes do mundo político, cultural e empresarial no Westminster Hall, participará numa celebração ecuménica na Abadia de Westminster, presidirá a uma celebração eucarística na Catedral católica de Westminster e a uma vigília de oração no Hyde Park.

Finalmente, no domingo dia 19, em Birmingham, no Cofton Park, o Papa presidirá à celebração em que será beatificado o Cardeal John Henry Newman.

O mote da visita papal foi retirado dos escritos de Newman: «Coração que fala ao coração».

Esta é a segunda vez que um Papa visita o Reino Unido, depois de João Paulo II o ter feito em 1982.

O Reino Unido tem hoje cerca de 4,2 milhões de católicos, num total de 61 milhões de habitantes.

 


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