Santos Anjos da Nossa Guarda

2 de Outubro de 2010

 

Memória

 

O Evangelho desta memória é próprio.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Senhor, trazei-nos a paz, Az. Oliveira, NRMS 90-91

Dan 3, 58

Antífona de entrada: Anjos do Senhor, bendizei o Senhor, louvai-O e exaltai-O para sempre.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Quanto nos ama Deus, nosso Pai! Na Sua misericórdia infinita não só nos chamou à vida, mas ainda nos deu um companheiro valiosíssimo para nos acompanhar, inspirar e livrar de tantas perigos nos caminhos da vida. São os Anjos da Guarda, que hoje, com fé, amor e gratidão, queremos celebrar.

 

Oração colecta: Senhor, que na vossa admirável providência enviais os Anjos para nos guardarem, ouvi as nossas súplicas e fazei que sejamos sempre defendidos pela sua protecção e gozemos eternamente da sua companhia.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Se não nos queremos enganar nos caminhos da vida, devemos pedir sempre o apoio eficaz do nosso Anjo da Guarda. Saibamos sentir e recorrer a ajuda tão preciosa.

 

Êxodo 23, 20-23

 

20Eis o que diz o Senhor: «Vou enviar um Anjo à tua frente, para que te proteja no caminho e te conduza ao lugar que preparei para ti. 21Respeita a sua presença e escuta a sua voz não lhe desobedeças. Ele não perdoaria as vossas transgressões, porque fala em meu nome. 22Mas, se ouvires a sua voz e fizeres tudo o que Eu te disser, serei inimigo dos teus inimigos e perseguirei os que te perseguirem. 23aO meu Anjo irá à tua frente».

 

Esta leitura é tirada do texto do Êxodo, da parte que se segue ao «Código da Aliança», e com que se introduzem disposições relativas à entrada na Palestina. Nestes versículos, Deus garante ao seu Povo uma protecção especial, que lhe permita entrar na posse da terra prometida. Daí a actualização que a Igreja faz deste texto, aplicando-o ao novo povo de Deus, a Igreja, que é guiada e assistida pelos Anjos da Guarda, a caminho do Céu. Lembramos que, quando no Antigo Testamento se fala do «anjo do Senhor», habitualmente designa-se a presença do próprio Deus ou uma sua directa intervenção (cf. Gn 16, 7; 22, 11.14; Ex 3, 2; 14, 19; etc.); mas, em muitas outras passagens, quando se fala de «o meu anjo», ou simplesmente de «o anjo» (cf. Ex 33, 2; Nm 20, 16), sobretudo em contraste com Deus (cf. Salm 138, 1), sem dúvida que se refere a seres espirituais distintos de Deus, os anjos. Que estes existem é uma verdade que está clara no Novo Testamento e pertence à fé da Igreja (cf. Catecismo da Igreja Católica, nº 334-336), que professamos: «Creio em Deus… Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis»; e as coisas invisíveis «não são as galáxias, mas esses puros espíritos, que são os anjos» (Sequeri).

 

Salmo Responsorial    Sl 90 (91) 1-2. 3-4. 5-6. 10-11(R. 11)

 

Monição: Por maiores que sejam os perigos da vida, todos eles serão facilmente vencidos com a confiança que devemos ter no Anjo da Guarda. Ele nunca nos abandona. Sempre está connosco.

 

Refrão:        O Senhor mandará aos seus Anjos

                que te guardem em todos os teus caminhos.

 

Tu que habitas sob a protecção do Altíssimo

e moras à sombra do Omnipotente,

diz ao Senhor: «Sois o meu refúgio e a minha cidadela:

meu Deus, em Vós confio».

 

Ele te livrará do laço do caçador

e do flagelo maligno.

Cobrir-te-á com as suas penas,

debaixo das suas asas encontrarás abrigo.

 

A sua fidelidade é escudo e couraça:

não temerás o pavor da noite, nem a seta que voa de dia

nem a epidemia que se propaga nas trevas,

nem a peste que alastra em pleno dia.

 

Nenhum mal te acontecerá,

nem a desgraça se aproximará da tua morada.

Porque Ele mandará aos seus anjos

que te guardem em todos os teus caminhos.

 

 

Aclamação ao Evangelho        Sl 102 (103), 21

 

Monição: É motivo de grande alegria saber, que, como as crianças, cada um de nós, tem junto de si um Anjo que continuamente vê o rosto do Pai do Céu.

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 46

 

Bendizei o Senhor, todos os seus exércitos,

que estais ao seu serviço e executais a sua vontade.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 18, 1-5. 10

 

1Naquele tempo, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-Lhe: «Quem é o maior no reino dos Céus?». 2Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles 3e disse-lhes: «Em verdade vos digo: Se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, não entrareis no reino dos Céus. 4Quem for humilde como esta criança esse será o maior no reino dos Céus. 5E quem acolher em meu nome uma criança como esta acolhe-Me a Mim. 10Vede bem. Não desprezeis um só destes pequeninos. Eu vos digo que os seus Anjos vêem continuamente o rosto de meu Pai que está nos Céus».

 

A leitura é tirada do início do chamado «discurso eclesiástico» de Jesus (Mt 18) sobre a vida na Igreja, concretamente como devem ser as relações dos cristãos entre si e como se deve exercer a autoridade; o discurso é introduzido com uma pergunta dos discípulos: «Quem é o maior no Reino dos Céus?».

10 «Os seus Anjos», isto é, os Anjos da Guarda das crianças. A contexto desta afirmação é o da importância que na Igreja se deve dar aos «pequeninos» (vv. 6.14), isto é, àqueles são mais necessitados de auxílio, quer pela sua pouca idade, quer pela pouca formação, ou recente conversão; é preciso ter um cuidado especial para não os escandalizar. O próprio Deus toma esses pequeninos ao seu cuidado, confiando-os a um Anjo protector; e esse mesmo Anjo se encarregará também de acusar diante do «Pai que está nos Céus», cujo «rosto vêem continuamente», todos aqueles que os levem a pecar. Mas não são apenas os pequeninos, são todos os seres humanos que têm o seu Anjo da Guarda (cf. Hebr 1, 14; Lc 16, 22; Catecismo da Igreja Católica, nº 336).

 

Sugestões para a homilia

 

A existência dos Anjos é uma verdade de fé

Quanto devemos à acção protectora dos Anjos da Guarda!

Como tem sido a nossa convivência com o Anjo da Guarda?

1. A existência dos Anjos é uma verdade de fé.

A palavra anjo, que significa enviado, mensageiro foi também aplicada a Profetas, e outros enviados de Deus. Assim, o Apocalipse chama anjo a cada um dos sete responsáveis por outras tantas Igrejas do Médio Oriente. Tal facto, não quer dizer que só esses, sejam anjos. Aos Anjos, puros espíritos, Mensageiros da Bondade de Deus e que fazem parte do mundo invisível que proclamamos com fé no Credo, o Antigo Testamento refere-se 108 vezes e no Novo Testamento são citados 108 vezes. Como nos afirma o Catecismo da Igreja Católica a existência destas consoladoras realidades «é uma verdade de fé, confirmada por vários Concílios, pela Sagrada Escritura e pela Tradição da Igreja, que nos apresenta nos escritos dos Santos Padres e Santos Doutores da Igreja.» Na verdade aos Anjos se referiram vários Concílios: Niceia, em 325; Constantinopla I, em 381; regional de Toledo, em 400; Latrão IV, em 1215; II de Lião, em 1274; Florença, em 1441-2; Trento, em 1545-1563; Vaticano I, em 1869-1870 e Vaticano II, em 1962-1965. Aos Anjos ainda se refere a Encíclica de Pio XII, Summi Pontificatus de 20 de Outubro de 1939 e Paulo VI, no Credo por ele composto e promulgado, em 30 de Junho de 1968.

No dia de hoje honramos, de modo particular, os Anjos que têm a missão de nos guardar, iluminar e reger ao longo da vida.

2. Quanto devemos à acção protectora dos Anjos da Guarda!.

No dia 2 de Outubro de 1928, fazem hoje 82 anos, um jovem Sacerdote de 26 anos de idade, de nome Josemaria Balaguer, encontrava-se a fazer retiro espiritual na Casa Central dos Lazaristas da cidade de Madrid. Enquanto escutava ao longe o toque dos sinos da Igreja paroquial de Nossa Senhora dos Anjos «viu» algo de maravilhoso que jamais pode esquecer: mediante o trabalho, cada pessoa e todas elas sem excepção, têm a possibilidade de atingir o fim para que foram criados – a santificação pessoal. Esse objectivo é possível atingir-se mediante a execução amorosa dos mais banais afazeres. Como a valorização de tudo na vida, diante de Deus, depende do amor e da recta intenção como se realiza, além de tudo poder contribuir para da santificação pessoal de cada um, torna-se instrumento de salvação para os outros. O Pe. Josemaria «viu» que esta obra que Deus queria fundar, iria, com o tempo, tornar-se  como árvore frondosa, contribuir para a santificação de tantos e tantos seres humanos. Com muitos anos de antecedência conseguiu «ver» o que mais tarde viria proclamar o Concílio Vaticano II, «a vocação universal à santidade» ou seja que todos universalmente, são chamados por Deus, isto é têm vocação para ser santos. Toda esta maravilhosa doutrina estava como que adormecida, pois já no Livro do Levítico, Deus tinha afirmado ao seu Povo «Sede santos porque Eu, o Senhor vosso Deus, sou Santo» e o próprio Jesus o repetiu «Sede perfeitos como o Pai do Céu é perfeito» (Mt 5, 48)

Para a concretização deste desejo Divino, apenas seria necessário que cada um o levasse a sério no local de trabalho e no estado de vida em que se encontrasse ou livremente viesse a assumir. De imediato viu os meios necessários para tudo isto atingir: um plano de vida e a sempre necessária e indispensável direcção espiritual. Toda esta Obra grandiosa, que tão bons frutos já deu à humanidade, nasceu na Festa dos Santos Anjos. E, como para Deus nada acontece por acaso, tudo nos chama a atenção para a importância da própria acção dos Anjos da Guarda nesta tão nobre obra da santificação. De facto a consciencialização da presença destes seres espirituais ao longo da nossa caminhada terrena, muito contribuirá para que tudo se realize sob o olhar bondoso e paternal de Deus. Nesta atitude, vivendo com a consciência do que somos – filhos de Deus, é possível ter vida contemplativa na realização de todos os momentos de descanso ou de trabalho, por mais banais que pareçam ser.

3. Como tem sido a nossa convivência com o Anjo da Guarda?

S. Josemaria, Fundador daquela Obra que «viu» em 2 de Outubro de 1928 e que mais tarde ficaria com o nome de Opus Dei, vivendo com muita fé esta consoladora realidade, tinha por hábito cumprimentar em primeiro lugar o Anjo da Guarda da pessoa com quem iria falar ou simplesmente passasse por si.

O dia de hoje deverá contribuir para que cada um tome mais consciência sobre a devoção e a forma concreta como tem convivido com o seu Anjo da Guarda e como tem tratado o dos outros ao longo da vida.

Sendo o Anjo da Guarda, testemunha de todos os nossos pensamentos, desejos e acções, procuremos que estes sejam tais que nunca o entristeçam.

Não deixemos de, com fé, o saudar com uma oração, de uma maneira especial, no início de cada dia e ao efectuarmos qualquer viagem. Dialoguemos com ele ao longo do dia, pedindo-lhe sempre a sua ajuda para o cumprimento integral e generoso da vontade de Deus, que já sabemos ser a nossa santificação, mediante a execução amorosa de todas as actividades e descansos da vida.

Como Criatura muito querida de Deus, que é, o Anjo da Guarda, vai continuar a libertar-nos dos muitos perigos da vida. Aceitemos as suas inspirações para que sempre seguindo pelos caminhos de Deus, com ele possamos viver, um dia, eternamente no reino dos Céus. Assim seja.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos,

Deus Pai enviou-nos o Seu Filho para nos salvar

e confiou-nos à guarda providente de um Anjo

que nos acompanha e ampara dia e noite.

Perante estas provas de tanto Amor divino

apresentemos-Lhe, por intermédio de Jesus, as nossa preces,

pedindo com fé:

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

1.  Pelo Santo Padre, pelos Bispos, Presbíteros e Diáconos

do mundo inteiro,

para que os seus Anjos os defendam

das ciladas de todos os seus inimigos,

oremos irmãos.

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

2.  Por aqueles que são os mais pequeninos,

para que sejam por todos nós respeitados na sua condição,

lembrados de que os seus Anjos

contemplam a face de Deus e os protegem,

oremos irmãos.

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

3.  Por todos aqueles que seguem caminhos indesejáveis,

para  eles e para a humanidade,

a fim de que se deixem interpelar pelo seu Anjo da Guarda

e sigam as inspirações por ele ditadas,

oremos irmãos

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

4.  Por todos os jovens,

para que saibam confiar as suas dificuldades

ao seu Anjo da Guarda,

oremos  irmãos.

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

5.  Para que todos, aceitando o apoio dos Anjos,

correspondam à vocação universal à santidade

santificando-se com os afazeres quotidianos,

Oremos irmãos,

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

6.  Por todos aqueles que já partiram para junto do Pai,

para que, por intercessão de Nossa Senhora, Rainha dos Anjos,

possam contemplar serenamente a face de Deus,

oremos irmãos.

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

 

Senhor, que nos destinastes Anjos da Guarda

para nos protegerem e guiarem,

ajudai-nos a seguir com docilidade e generosidade

a vocação universal à santidade.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Bendito seja Deus, Az. Oliveira, NRMS 48

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, os dons que Vos apresentamos em honra dos santos Anjos e concedei-nos que, pela sua contínua protecção, sejamos livres dos perigos desta vida e cheguemos à felicidade eterna.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Jesus, Deus e Homem verdadeiro, que com o Pai e o Espírito Santo nos deu os Anjos como companheiros de viagem, vai entrar em nós pela Sagrada Comunhão. Vamos recebê-lO com muita fé, amor e gratidão. Que a correspondência a tanto Amor nos leve a corresponder com mais entusiasmo e generosidade ao chamamento universal à santidade.

 

Cântico da Comunhão: A toda a hora bendirei o Senhor, M. Valença, NRMS 60

Sl 137, 1

Antífona da comunhão: Na presença dos Anjos, eu Vos louvarei, meu Deus.

 

Oração depois da comunhão: Deus, nosso Pai, que nos alimentais neste admirável sacramento de vida eterna, dirigi os nossos passos, com a assistência dos santos Anjos, no caminho da salvação e da paz.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Com o propósito de saudarmos o nosso Anjo da Guarda, logo de manhã, com ele dialogarmos ao longo do dia e nunca esquecermos os Anjos de todos quantos encontrarmos nos caminhos da vida, ide em paz e o Senhor vos acompanhe.

 

Cântico final: Ao Deus do universo, J. Santos, NRMS 1 (I)

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Alves Moreno

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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