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O  SACERDÓCIO  COMUM  DOS  FIÉIS

 

 

 

Hugo de Azevedo

 

Quando chega a solenidade da Assunção de Nossa Senhora, gosto de proclamar com orgulho – com o orgulho possível ao mais pequeno dos seus filhos – que contribuí pessoalmente para a essa definição dogmática. E, para chocar ainda mais quem me ouve, explico-me: sim, contribuí, porque o Santo Padre me consultou; e avanço, declarando que o Papa me consultou… porque sou infalível! Não pessoalmente, é claro: quantos outros ainda poderão dizer o mesmo, lembrando-se do inquérito que antes de 1950 correu mundo para testemunhar a fé de todo o Povo de Deus na subida ao Céu da Virgem Maria em corpo e alma! Com que prazer respondemos que sim!

Porque «o Povo de Deus participa também da função profética de Cristo (…) A totalidade dos fiéis que receberam a unção do Espírito Santo (…) não pode enganar-se na fé; e esta sua propriedade peculiar manifesta-se por meio do sentir sobrenatural da fé do Povo todo, quando este, “desde os Bispos até ao último dos leigos fiéis” manifesta consenso universal em matéria de fé e costumes» (LG, 12).

Quando o Santo Padre nos diz que é sua missão preservar a «fé dos simples», não está a defender a fé dos ignorantes ou dos ingénuos, mas a fé robusta, perene e universal do Povo de Deus, contra a qual não valem subtilezas nem erudições que a desacreditem, porque ela mesma é um «locus theologicus» indispensável aos verdadeiros teólogos. «Além disso, este mesmo Espírito Santo (…) distribui também graças especiais entre os fiéis de todas as classes» e «estes carismas, quer sejam os mais elevados, quer também os mais simples e comuns, devem ser recebidos com acção de graças e consolação» (id., ibidem).

Em perfeita coerência com estas verdades, o Papa nos animou, a nós, presbíteros e bispos, a dar toda a importância devida à «nova primavera» que se verifica na Igreja, «fazendo despertar nos jovens e adultos a alegria de serem cristãos (…) Graças aos carismas, a radicalidade do Evangelho, o conteúdo objectivo da fé, o fluxo vivo da sua tradição, comunicam-se persuasivamente e são acolhidos como experiência pessoal, como adesão da liberdade ao evento presente de Cristo» (Fátima, 13-05-10).

 

Durante o Ano Sacerdotal, encerrado há meses, demos graças a Deus pelo sacerdócio ministerial dos Bispos e presbíteros, mas não deixámos de aprofundar também no valor eclesial do sacerdócio comum dos fiéis, sem o qual o nosso não teria sentido, como afirmava com humor o santo Cardeal Newman quando o interrogaram sobre o papel do laicado na Igreja: – «Sem ele, nós seríamos simplesmente ridículos!» De facto, se estamos ao seu serviço, a menor falta de respeito para com os fiéis leigos far-nos-ia perder respeito por nós próprios.

 

 

 

 

 

 

 

 


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