aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

COMISSÃO PARA INVESTIGAR

APARIÇÕES EM MEDJUGORJE

 

Foi constituída no dia 18 de Março passado, dentro da Congregação para a Doutrina da Fé, uma Comissão internacional de investigação sobre as faladas aparições em Medjugorje. Preside a Comissão o Cardeal Camillo Ruini, antigo Vigário Geral do Papa para a diocese de Roma.

 

A Comissão vaticana estudará o fenómeno de Medjugorje, que se converteu em um lugar ao qual milhões de pessoas peregrinam desde o ano 1981, atraídas pelas «aparições» da Virgem Maria nesta pequena aldeia da Bósnia-Herzegovina.

A Comissão, composta por cardeais, bispos, peritos e especialistas, trabalhará de maneira reservada, submetendo o resultado de seu próprio estudo às instâncias do Dicastério.

O director da Sala de Imprensa, Pe. Federico Lombardi, S.J., recordou que inicialmente existiu uma comissão diocesana para investigar as aparições.

Mas, dado que o fenómeno ia além das competências da diocese de Mostar, o bispo passou para a Conferência Episcopal, que naquele momento era a da Jugoslávia.

Esta Conferência Episcopal não chegou a nenhuma conclusão no que diz respeito à questão da sobrenaturalidade ou não dos fenómenos.  Na sua declaração de 10 de Abril de 1991, o episcopado explicou que não se podia comprovar nada de sobrenatural no que sucedia; e destacou a necessidade de auxiliar no campo pastoral, sob a responsabilidade do pároco e do bispo local, todos aqueles que se dirigem para rezar neste lugar.

Posteriormente, os bispos da Bósnia-Herzegovina pediram à Congregação para a Doutrina da Fé que tomasse nas suas mãos a situação. A resposta chega com a constituição desta Comissão, presidida pelo anterior presidente da Conferência Episcopal Italiana e composta por cerca de 20 membros.

Segundo explicou o Pe. Lombardi, não é a Comissão que toma as decisões, os pronunciamentos definitivos, mas oferece o resultado de seu estudo, o seu «voto», à Congregação, que tomará as decisões do caso.

A Comissão já teve a primeira reunião no dia 26 de Março passado. Além do Cardeal Camillo Ruini, que preside, integram a Comissão os Cardeais Jozef Tomko, Vinko Puljic, presidente da Conferência Episcopal da Bósnia-Herzegovina, Josip Bozanic, arcebispo de Zagreb (Croácia) e Julián Herránz; o Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, arcebispo Angelo Amato; o psicanalista e especialista em psiquiatria social Mons. Tony Anatrella; e vários professores de teologia.

 

 

PROJECÇÃO DE FILME

ACERCA DE PIO XII

 

Na Sala dos Suíços da residência pontifícia de Castel Gandolfo onde se encontra nestes dias, Bento XVI assistiu na noite de 9 de Abril passado ao filme «Sob o céu de Roma» («Sotto il cielo di Roma»), uma produção internacional que faz uma reconstrução do projecto de Hitler de sequestrar o Papa Pio XII e, em paralelo, narra a história de dois jovens judeus.

 

Segundo Bento XVI, «para quem só ouviu falar ou estudou o tema do filme na escola, vê-lo ajuda a perceber uma época histórica não muito distante, mas que a história recente pode fazer esquecer».

«Pio XII – disse o Papa – foi o pontífice da nossa juventude; com o seu rico ensinamento soube falar aos homens do seu tempo indicando o caminho da verdade, e com a sua grande sabedoria soube orientar a Igreja para o horizonte do Terceiro Milénio. Porém, é minha intenção – acrescentou – sublinhar particularmente como Pio XII foi o Papa que, como pai de todos, presidiu na caridade em Roma e no mundo, sobretudo no tempo difícil do Segundo conflito mundial».

Referindo-se a um discurso de Pio XII aos membros do círculo de São Pedro em que lhes agradecia pela colaboração prestada na ajuda aos habitantes de Roma, durante o conflito mundial, Bento XVI acrescentou que o seu predecessor indicava como central para cada cristão a exortação de São Paulo aos Colossenses: «acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. Resida nos vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados, a fim de formar um só corpo».

«O primado da caridade, do amor, que é o mandamento do Senhor Jesus: este é o princípio e a chave de leitura de toda a obra da Igreja, em primeiro lugar do seu Pastor universal. A caridade é a razão última de cada acção, de cada intervenção. É a razão global que move o pensamento e os gestos concretos, e sinto-me feliz pelo facto de também neste filme emergir este princípio unificador.

«Permito-me sugerir esta chave de leitura, à luz do testemunho autêntico daquele mestre de fé, de esperança e de caridade que foi o Papa Pio XII».

 

 

LEGIONÁRIOS DE CRISTO

EM PROFUNDA DOR

 

No fim da reunião havida no Vaticano, em 30 de Abril e 1 de Maio, com os Bispos encarregados da Visita Apostólica à Congregação dos Legionários de Cristo, a Santa Sé divulgou o seguinte comunicado:

 

1. Nos dias 30 de Abril e 1 de Maio, o Cardeal Secretário de Estado presidiu no Vaticano uma reunião com os cinco Bispos encarregados da Visita Apostólica à Congregação dos Legionários de Cristo  (Mons. Ricardo Blázquez Pérez, arcebispo de Valladolid; Mons. Charles Joseph Chaput, O.F.M. Cap, arcebispo de Denver; Mons. Ricardo Ezzati Andrello, SDB, arcebispo de Concepción; Mons. Giuseppe Versaldi, Bispo de Alessandria; Mons. Ricardo Watty Urquidi, M.Sp.S., Bispo de Tepic). Nela participaram os Prefeitos da Congregação para a Doutrina da Fé e da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, e o substituto para os Assuntos Gerais da Secretaria de Estado.

Uma das sessões realizou-se na presença do Santo Padre, a quem os Visitadores apresentaram uma síntese de suas Relações, já enviadas anteriormente.

No decurso da Visita, foram entrevistados pessoalmente mais de mil Legionários e foram analisados várias centenas de testemunhos escritos. Os Visitadores visitaram quase todas as casas religiosas e muitas obras de apostolado dirigidas pela Congregação. Escutaram de palavra ou leram por escrito o juízo de muitos Bispos diocesanos dos países nos quais a Congregação trabalha. Os Visitadores também falaram com numerosos membros do Movimento «Regnum Christi», ainda que isso não fosse o objectivo da Visita, em particular homens e mulheres consagrados. Receberam também uma notável correspondência por parte de leigos comprometidos e de familiares de membros do Movimento.

Os cinco Visitadores deram testemunho do acolhimento sincero que lhes foi dispensado e do espírito de colaboração activa demonstrado pela Congregação e pelos religiosos individualmente. Embora tenham actuado independentemente, chegaram a uma apreciação amplamente convergente e a um juízo compartilhado. Testemunharam que encontraram um grande número de religiosos exemplares, honestos, cheios de talento, muitos dos quais jovens, que buscam Cristo com zelo autêntico e que oferecem toda sua existência pela difusão do Reino de Deus.

2.  A Visita Apostólica pôde comprovar que a conduta do P. Marcial Maciel Degollado causou sérias consequências na vida e na estrutura da Legião, até ao ponto de requerer um caminho de profunda revisão.

Os gravíssimos e objectivamente imorais comportamentos do P. Maciel, confirmados por testemunhos incontestáveis, representam, em alguns casos, verdadeiros delitos e manifestam uma vida sem escrúpulos nem autêntico sentimento religioso. Esta vida era desconhecida para grande parte dos Legionários, sobretudo pelo sistema de relações estabelecido pelo P. Maciel, que habilmente soube criar álibis, ganhar a confiança, confidência e silêncio dos que o rodeavam e reforçar o seu papel de fundador carismático.

Com frequência, um lamentável descrédito e afastamento de quantos duvidavam de seu comportamento recto, assim como a errada convicção de não querer prejudicar o bem que a Legião estava realizando, tinham criado ao ser redor um mecanismo de defesa que lhe permitiu ser inatacável durante muito tempo, fazendo, por consequência, que fosse muito difícil conhecer sua verdadeira vida.

3. O zelo sincero da maioria dos Legionários, que emergiu também nas visitas às casas da Congregação e a muitas das suas obras, apreciadas por muitos, levou muitas pessoas, no passado, a achar que as acusações, que se tornavam cada vez mais insistentes e se multiplicavam, não podiam ser senão calúnias.

Por isso, a descoberta e o conhecimento da verdade acerca do fundador provocou, nos membros da Legião, surpresa, desconcerto e profunda dor, que os Visitadores evidenciaram claramente.

4.  Dos resultados da Visita Apostólica emergiram com clareza, entre outros elementos:

a) a necessidade de redefinir o carisma da Congregação dos Legionários de Cristo, preservando o núcleo verdadeiro, o da «militia Christi», que caracteriza a acção apostólica e missionária da Igreja e que não se identifica com a eficiência a qualquer preço;

b) a necessidade de rever o exercício da autoridade, que deve estar unida à verdade, para respeitar a consciência e desenvolver-se à luz do Evangelho como autêntico serviço eclesial;

c) a necessidade de preservar o entusiasmo da fé dos jovens, o zelo missionário, o dinamismo apostólico, por meio de uma adequada formação. De fato, a desilusão acerca do fundador poderia colocar em questão a vocação e o núcleo do carisma que pertence aos Legionários de Cristo e é próprio deles.

5. O Santo Padre deseja garantir a todos os Legionários de Cristo e a todos os membros do Movimento «Regnum Christi» que não serão deixados sozinhos: a Igreja tem a firme vontade de acompanhá-los e de ajudá-los no caminho de purificação que os espera. Isso implicará também um confronto sincero com quantos, dentro e fora da Legião, foram vítimas dos abusos sexuais e do sistema de poder aplicado pelo fundador: a eles se dirige neste momento o pensamento e a oração do Santo Padre, junto com a gratidão para quem, apesar de grandes dificuldades, teve a valentia e a constância de exigir a verdade.

6. O Santo Padre, ao agradecer aos Visitadores pelo delicado trabalho realizado por eles com competência, generosidade e profunda sensibilidade pastoral, reservou para si indicar proximamente as modalidades deste acompanhamento, começando pela nomeação de um Delegado seu e de uma Comissão de estudo sobre as Constituições.

Aos membros consagrados do Movimento «Regnum Christi», que o pediram com insistência, o Santo Padre enviará um Visitador.

7. Finalmente, o Papa renova a todos os Legionários de Cristo, às suas famílias, aos leigos empenhados no Movimento «Regnum Christi», o seu encorajamento, neste momento difícil para a Congregação e para cada um deles. Exorta-os a não perder de vista que a sua vocação, nascida do chamamento de Cristo e animada pelo ideal de testemunhar ao mundo o seu amor, é um autêntico dom de Deus, uma riqueza para a Igreja, o fundamento indestrutível sobre o qual construir o futuro pessoal e o da Legião.

 

Comunicado dos Legionários de Cristo

 

Anteriormente, com data de 25 de Março de 2010, a Congregação já tinha manifestado a sua profunda dor pelo estranho comportamento do fundador.

 

Roma, 25 de Março de 2010

Solenidade da Anunciação do Senhor

 

Introdução

Por ocasião da reunião anual dos directores territoriais com o director geral e seu conselho, queremos dirigir-nos aos nossos irmãos Legionários de Cristo, aos consagrados e aos membros do Movimento Regnum Christi, aos familiares e amigos que nos acompanham neste momento da nossa história e a todos aqueles que tenham sido afectados, feridos ou escandalizados pelas acções reprováveis do nosso fundador, o Pe. Marcial Maciel Degollado, L.C.

Levou tempo para assimilarmos estes factos de sua vida. Para muitos – especialmente para as vítimas – este tempo foi excessivamente longo e doloroso.

Em algumas ocasiões não pudemos, ou não soubemos ir ao encontro de todos como teria sido necessário e como, de facto, era o nosso desejo. Por essa razão, sentimos a necessidade de emitir este comunicado.

 

Sobre alguns factos da vida do nosso fundador, o Pe. Marcial Maciel, L.C. (1920-2008)

Pensávamos e esperávamos que as acusações apresentadas contra o nosso fundador fossem falsas e infundadas, já que não correspondiam à experiência que tínhamos da sua pessoa e da sua obra. No entanto, no dia 19 de Maio de 2006 foi emitida uma comunicação da Sala de Imprensa da Santa Sé, como conclusão de uma investigação canónica que a Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) tinha iniciado no ano de 2004. Nessa altura, a CDF chegou a uma certeza moral suficiente para impor sanções canónicas severas, correspondentes às acusações feitas contra o Pe. Maciel, entre as quais se incluíam actos de abuso sexual a seminaristas menores. Portanto, profundamente consternados, devemos dizer que estes fatos aconteceram.

Com efeito, «a Congregação para a Doutrina da Fé, [...] decidiu – tendo em consideração tanto a idade avançada do Padre Maciel, como o seu estado delicado de saúde – renunciar a um processo canónico e convidar o padre a uma vida reservada de orações e de penitência, renunciando a todo o ministério público. O Santo Padre aprovou estas decisões» (Comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé, 19 de Maio de 2006).

Posteriormente, soubemos que tinha tido uma filha em resultado de uma relação prolongada e estável com uma mulher e outras condutas graves. Mais adiante apareceram outras duas pessoas, irmãos entre si, que afirmam ser filhos dele, fruto da relação com outra mulher.

Reprovamos estes e todos os actos contrários aos deveres de cristão, religioso e sacerdote na vida do Pe. Maciel, e afirmamos que não correspondem ao que nos esforçamos por viver na Legião de Cristo e no Movimento Regnum Christi.

 

A Legião de Cristo e o Movimento Regnum Christi perante estes factos

Expressamos, uma vez mais, a nossa dor e pesar a todas e cada uma das pessoas que tenham sido prejudicadas pelas acções do nosso fundador. Participamos do sofrimento que este escândalo causou à Igreja, o que nos aflige e causa profunda dor.

Queremos pedir perdão a todas as pessoas que o acusaram no passado e às quais não se deu crédito ou não se soube escutar, pois naquele momento não podíamos imaginar estes comportamentos do Pe. Maciel. Se se comprovasse ter havido alguma colaboração culpável, actuaremos segundo os princípios da justiça e da caridade cristãs, responsabilizando estas pessoas por seus actos.

Também pedimos perdão aos nossos familiares, amigos, benfeitores e a todas as pessoas de boa vontade que sentiram que a sua confiança foi ferida.

Por outro lado, como membros do Corpo místico de Cristo, sentimos a necessidade de expiar com espírito cristão as suas faltas e o escândalo causado por elas. Para isto, convidamos os que formam parte da nossa família religiosa a intensificar a sua oração e sacrifício.

É também nosso dever cristão e sacerdotal continuar a ir ao encontro das pessoas que foram afectadas de algum modo. Dirigimos a elas a nossa maior solicitude e continuamos a oferecer-lhes a ajuda espiritual e pastoral que necessitem. Assim, buscamos contribuir à necessária reconciliação cristã. Ao mesmo tempo, somos conscientes de que Jesus Cristo é o único capaz de sarar definitivamente e de «fazer novas todas as coisas» (cf. Ap 21,5).

Deus, nos seus misteriosos desígnios, escolheu o Pe. Maciel como instrumento para fundar a Legião de Cristo e o Movimento Regnum Christi, e agradecemos a Deus o bem que realizou. Ao mesmo tempo, aceitamos com dor que, perante a gravidade das suas faltas, não podemos olhar para a sua pessoa como modelo de vida cristã ou sacerdotal.

Inspirando-nos no exemplo de Cristo que condena o pecado, mas busca salvar o pecador, e convencidos do significado e da beleza do perdão, confiamos o nosso fundador ao amor misericordioso de Deus.

 

A Visita Apostólica

Desejamos expressar a nossa gratidão ao Santo Padre, o Papa Bento XVI, não somente por renovar-nos «a sua solidariedade e a sua oração nestes momentos delicados» (cf. Carta do Cardeal Tarcisio Bertone, SDB, ao Pe. Álvaro Corcuera, de 10 de Março de 2009), mas também por nos ter oferecido o instrumento da Visita Apostólica a fim de nos ajudar a «superar as dificuldades existentes» (ibid.). Assim, esperamos dar os passos necessários para consolidar os fundamentos, a formação e a vida quotidiana dos Legionários de Cristo e dos membros do Movimento Regnum Christi.

Agradecemos aos cinco visitadores apostólicos, Mons. Ricardo Blázquez, Mons. Charles J. Chaput, OFM Cap., Mons. Ricardo Ezzatti, SDB, Mons. Giuseppe Versaldi e Mons. Ricardo Watty, MSSp, por todo o trabalho que realizaram com tanta entrega e solicitude paternais.

Acolheremos com obediência filial as indicações e recomendações do Santo Padre como resultado da Visita Apostólica, e nos comprometemos a pô-las em prática.

 

Em direcção ao futuro

Desde o Capítulo Geral celebrado em Janeiro de 2005, quando foi eleito o Pe. Álvaro Corcuera, L.C. como director geral, procurámos guiar a Legião de Cristo e o Movimento Regnum Christi mantendo-nos fiéis a tudo o que recebemos de Deus e que foi aprovado pela Igreja. Reconhecemos com humilde gratidão as bênçãos e frutos que o Senhor nos concedeu até agora e assumimos a responsabilidade de aprofundar na compreensão da nossa história, carisma e espiritualidade.

Afrontamos o futuro com esperança, certos de que as nossas vidas se apoiam unicamente em Deus. Confiamos plenamente n’Ele e na omnipotência do seu amor que, como disse São Paulo, «faz concorrer todas as coisas para o bem dos que o amam» (Rm 8, 28). Sabemos que neste caminho contaremos com a assistência do Espírito Santo e com a guia maternal da Igreja.

O nosso objectivo, como indivíduos e como instituição, é amar a Cristo, viver o seu Evangelho e estender pelo mundo o seu Reino de paz e de amor. Somos conscientes de que, para conseguir isto, necessitamos de uma constante renovação, pessoal e comunitária, na fidelidade à tradição da vida consagrada, com o fim de servir melhor a Igreja e a sociedade. Este último período ajudou-nos a reflectir sobre a nossa identidade e missão e, ao mesmo tempo, impeliu-nos a rever, com humildade e simplicidade, diversos aspectos da nossa vida institucional.

Estamos decididos, entre outras coisas, a:

– continuar a buscar a reconciliação e o encontro com os que sofreram; 

– fazer a verdade sobre a nossa história;

– continuar a oferecer segurança, sobretudo aos menores de idade, nas nossas instituições e actividades, tanto nos ambientes como nos procedimentos;

– crescer num espírito de serviço desinteressado à Igreja e às pessoas;

– colaborar melhor com todos os pastores e com outras instituições dentro da Igreja;

– melhorar a nossa comunicação;

– continuar a velar pela aplicação dos controles e procedimentos administrativos em todos os níveis e continuar a fazer uma adequada prestação de contas;

– redobrar o nosso empenho na missão de oferecer o Evangelho de Jesus Cristo ao maior número possível de pessoas;

– e, sobretudo, buscar a santidade de vida com renovado esforço, pela mão da Igreja.

 

Conclusão

Não podemos terminar este comunicado sem agradecer aos milhares de legionários, consagrados, consagradas e todos os membros do Regnum Christi que, com profunda generosidade, entregaram e entregam as suas vidas a Deus ao serviço da Igreja e da sociedade, assim como àqueles que colaboram nos centros e obras de apostolado. Graças a eles e ao seu trabalho, podemos dizer que Jesus Cristo é hoje mais conhecido e amado neste mundo. Também expressamos nossa gratidão a cada uma das pessoas que, em todos os momentos, nos sustentaram com a sua fé, suas orações e os seus sofrimentos unidos aos de Cristo.

Assinamos este comunicado hoje, dia 25 de Março, solenidade da Anunciação do Senhor. Que Ele nos conceda, por intercessão da sua Mãe, a Santíssima Virgem Maria, a graça de aprofundar no mistério do amor de Deus feito homem e de vivê-lo e transmiti-lo com renovado fervor.

 

Pe. Álvaro Corcuera, L.C., director geral

Pe. Luis Garza, L.C., vigário geral

Pe. Francisco Mateos, L.C., conselheiro geral; Pe. Michael Ryan, L.C., conselheiro geral; Pe. Joseph Burtka, L.C., conselheiro geral

Pe. Evaristo Sada, L.C., secretário geral

Pe. José Cárdenas, L.C., director territorial do Chile e Argentina; Pe. José Manuel Otaolaurruchi, L.C., director territorial da Venezuela e Colômbia; Pe. Manuel Aromir, L.C., director territorial do Brasil; Pe. Rodolfo Mayagoitia, L.C., director territorial do México e América Central; Pe. Leonardo Nuñez, L.C., director territorial de Monterrey; Pe. Scott Reilly, L.C., director territorial de Atlanta; Pe. Julio Martí, L.C., director territorial de Nova Iorque; Pe. Jesus Maria Delgado, L.C., director territorial da Espanha; Pe. Jacobo Muñoz, L.C., director territorial da França e Irlanda; Pe. Sylvester Heereman, L.C., director territorial da Alemanha e Europa Central

 

 

PAPA FALA DO

SANTO SUDÁRIO DE TURIM

 

A visita de Bento XVI a Turim, no passado domingo 2 de Maio, serviu para que os cristãos pudessem compreender melhor o valor do Santo Sudário.

 

O Pontífice não fez uso do termo «relíquia». Na sua meditação diante do Sudário, falou de um «ícone escrito com sangue», «em tudo correspondente ao que os Evangelhos nos dizem de Jesus».

O Santo Padre não mencionou em nenhum momento os estudos científicos de datação do tecido, alguns dos quais suscitaram polémicas. Como já havia explicado o cardeal Severino Poletto, arcebispo de Turim, a fé dos cristãos na ressurreição de Jesus não depende deste lençol que, segundo a tradição, teria envolvido o corpo de Cristo no Santo Sepulcro.

O Pe. Federico Lombardi SJ, director da Sala de Imprensa da Santa Sé, já havia também explicado o motivo pelo qual o Papa apresentou este lençol de mais de quatro metros como um «ícone».

«Não é tanto a origem misteriosa desta imagem que atrai, mas a sua correspondência impressionante, em inúmeros detalhes, com a narrativa da Paixão de Cristo dos Evangelhos: as feridas, o sangue derramado, a coroa de espinhos, as marcas das chicotadas».

«E, no centro, o rosto solene do crucificado, um rosto que corresponde aos esquemas mais antigos da iconografia cristã, que a confirma e inspira», afirmou o Pe. Lombardi.

Ao visitar, em 24 de Maio de 1998, a Catedral de Turim, João Paulo II também não falou do Santo Sudário como uma «relíquia», mas algo como «uma provocação à inteligência» para as questões levantadas pelos investigadores, bem como de um «espelho do Evangelho», pela sua capacidade de reflectir em sinais visíveis a Paixão e a morte de Cristo.

O Vaticano nunca se pronunciou sobre a autenticidade do pano de linho de 4,36 por 1,10 metros, que constitui o Santo Sudário de Turim, exposto à veneração dos fiéis de 10 de Abril a 23 de Maio.

 

 


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