OPINIÃO

O MELHOR INVESTIMENTO DE UMA FAMÍLIA

 

 

Rodrigo Lynce De Faria

 

 

 

Era jovem e, por esse simples motivo, profundamente rebelde. Pensava dar uma volta nessa noite com os amigos. Ao dirigir-se para a porta, deu de caras com o seu pai – só lhe faltava esta. Preparou o estômago para o “diálogo-combate” que seria necessário travar. Pôs a cara mais enjoada que conseguiu e, com ar de desafio, afirmou como quem dispara: «Vou sair».

 

«Ah sim! Para onde?». «Para um lugar onde possa respirar liberdade, coisa que não consigo nesta casa». «E a que horas pensa, sua excelência, regressar desse paradisíaco lugar?». «A que horas me apetecer». «Está bem. Mas que fique claro desde já: nem um minuto mais tarde!».

 

Todos estamos de acordo em afirmar que a juventude necessita de educação. Também concordamos em dizer que essa educação é o melhor investimento de uma família, porque é o seu futuro. A própria sociedade sabe que, sem a formação dos mais jovens, acaba por desmoronar-se. E essa formação corresponde em primeiro lugar à família. O Estado tem consciência de que, por muito que se esforce, não consegue nem lhe compete “amamentar” os seus cidadãos.

 

O problema começa quando tentamos pôr-nos de acordo sobre o que significa esse investimento familiar. O que é educar? Em que consiste esse processo que visa o desenvolvimento harmónico da pessoa? Será que os diferentes modos de educar – entre outros motivos porque todos somos diferentes –, não possuem nada em comum?

 

Educar é uma acção complexa, difícil de definir. Não é somente ensinar coisas novas a quem não as sabe. Isso propriamente não é educar, mas sim instruir. Educar é ensinar o homem precisamente a ser verdadeiramente homem. Educar humaniza as pessoas.

 

E quem é o homem? «Como saber o que lhe convém, sem antes saber quem é ele?» – perguntava-se Platão há tantos anos atrás. Da ideia que temos de quem é o ser humano depende directamente o modo como o educamos. Não é a mesma coisa educar pensando que a vida desaparece com a morte, ou educar com a ideia de que estamos aqui de passagem, a caminho da pátria futura.

 

Por isso, a educação não é possível se falta um sentido para a vida. A instrução sim, e é uma tarefa específica da escola. Mas só a família, em primeiro lugar, é capaz de transmitir com eficácia valores fundamentais que dão sentido, que ajudam o jovem a conduzir a sua própria vida. Valores que estão unidos a verdades, não a meras opiniões. Porque também não existe propriamente educação se não se possui verdades a transmitir, se tudo é mais ou menos verdade dependendo das circunstâncias.

 

Não basta educar – é preciso educar bem. É preciso ensinar o que é, para que serve e como usar correctamente esse dom que todos temos chamado liberdade. Vem-me à memória uma frase de Chesterton que penso aplicar-se muito bem à realidade nacional: «Todas as pessoas são educadas em Inglaterra, o problema é que a maior parte delas está mal-educada».

 


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