S. João Baptista

Missa da Vigília

23 de Junho de 2010

 

Solenidade

 

Esta Missa diz-se na tarde do dia 23 de Junho, antes ou depois das Vésperas I da solenidade.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Subirei alegre, M. Carneiro, NRMS 87

Lc 1, 15.14

Antífona de entrada: Será grande aos olhos do Senhor e cheio do Espírito Santo desde o seio materno. Muitos se hão-de alegrar pelo seu nascimento.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Além de Cristo e de Sua Mãe, João Baptista é o único de quem a Liturgia celebra o dia do nascimento. Dos outros celebra o dia da morte, que é para a Igreja o dia do nascimento para a vida eterna. E isso, porque o Baptista foi santificado no ventre de sua mãe graças à presença de Cristo no seio da Virgem Maria, quando da visita de Maria a sua prima Isabel (Lc 1, 44).

Também nós, nesta celebração, temos a oportunidade de sentir a presença de Cristo através da Palavra e do Pão da Vida.

 

Oração colecta: Conduzi, Senhor, a vossa família pelo caminho da salvação, para que, fiel aos ensinamentos do Precursor, São João Baptista, possa ir confiadamente ao encontro de Cristo, por ele anunciado. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Através da narração bíblica da vocação de Jeremias, somos introduzidos no mistério da vocação de São João Baptista, o último e o maior de todos os profetas, Aquele que preparou os caminhos de Cristo.

 

Jeremias 1, 4-10

4No tempo de Josias, rei de Judá, o Senhor dirigiu-me a palavra, dizendo: 5«Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi antes que saísses do seio de tua mãe, Eu te consagrei e te constituí profeta entre as nações». 6Então eu disse: «Ah, Senhor Deus, mas eu não sei falar, porque sou uma criança». 7O Senhor respondeu-me: «Não digas: ‘Sou uma criança’, porque irás ao encontro daqueles a quem Eu te enviar e dirás tudo quanto Eu te mandar dizer. 8Não tenhas receio diante deles, porque Eu estou contigo, para te salvar – diz o Senhor». 9Depois o Senhor estendeu a mão, tocou-me na boca e disse-me: «Eu ponho as minhas palavras na tua boca. 10Hoje dou-te poder sobre os povos e os reinos, para arrancar e destruir, para arruinar e demolir, para edificar e plantar».

 

Não é casual a escolha desta leitura que relata a vocação do Profeta Jeremias. Foi escolhida pela alusão que se quer ver à santificação de João no ventre materno: «antes que saísses do seio da tua mãe, Eu te consagrei» (cf. Lc 1, 44).

6 «Mas eu não sei falar». É a reacção habitual do homem, quando se enfrenta com a vocação divina, a chamada a uma missão que exige a entrega de toda a vida a Deus para O servir numa missão que transcende a nossa limitação e franqueza. Mas a uma primeira reacção de medo segue-se uma certeza, segurança e serenidade que Deus infunde: «Eu estarei contigo!» (v. 8).

 

Salmo Responsorial         Sl 70 (71), 1-2.3-4a.5-6ab.15ab e 17 (R. cf. 6b)

 

Monição: Sem Deus o homem é nada. Por isso o salmista exclama: «Desde que nasci Vós me sustentais». Coloquemos pois a nossa confiança em Deus, nosso protector desde o seio materno.

 

Refrão:          Desde o meu nascimento, sois a minha esperança.

 

Em Vós, Senhor, me refugio,

jamais serei confundido.

Pela vossa justiça, defendei-me e salvai-me,

prestai ouvidos e libertai-me.

 

Sede para mim um refúgio seguro,

a fortaleza da minha salvação.

Vós sois a minha defesa e o meu refúgio,

meu Deus, salvai-me do pecador.

 

Sois Vós, Senhor, a minha esperança,

a minha confiança desde a juventude.

Desde o nascimento Vós me sustentais,

desde o seio materno sois o meu protector.

 

A minha boca proclamará a vossa justiça,

dia após dia a vossa infinita salvação.

Desde a juventude Vós me ensinais

e até hoje anunciei sempre os vossos prodígios.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Segundo S. Pedro, os profetas investigaram acerca da salvação e anunciaram o mistério de sofrimento e glória do Messias. Nenhum deles, porém, realizou essa missão melhor do que João Baptista, o qual teve o privilégio de apresentar aos homens Jesus Cristo, o Cordeiro que tira os pecados do mundo.

 

1 São Pedro 1, 8-12

Caríssimos: 8Vós amais Cristo Jesus sem O terdes visto, acreditais n’Ele sem O verdes ainda. Isto é para vós fonte de uma alegria inefável e gloriosa, 9porque conseguis o fim da vossa fé: a salvação das vossas almas. 10Esta salvação foi objecto das investigações e meditações dos Profetas que predisseram a graça a vós destinada. 11Procuraram descobrir a que tempos e circunstâncias se referia o Espírito de Cristo que estava neles, quando predizia os sofrimentos de Cristo e as glórias que se lhes haviam de seguir. 12Foi-lhes revelado que não era para eles, mas para vós, que no seu ministério transmitiam essa mensagem. É essa mensagem que agora vos anunciam aqueles que, movidos pelo Espírito Santo enviado do Céu, vos pregam o Evangelho, a qual os próprios Anjos desejam contemplar.

 

8-9 «Vós amais Cristo Jesus... acreditais nele...». Estes cristãos da Ásia Menor a quem S. Pedro se dirige, como também nós, já não conheceram Jesus na sua vida mortal, mas exactamente como nós hoje e os cristãos de todos os tempos acreditavam em Jesus Cristo e amavam apaixonadamente a sua pessoa adorável como alguém que está vivo e actuante, enchendo-nos daquela alegria inefável que procede de sabermos que a nossa fé vai desembocar na visão da glória, o fim da nossa fé, a salvação das nossas almas.

10 «Os profetas», mais provavelmente os do Antigo Testamento.

12 Os Anjos, ao tomarem conhecimento do plano de salvação da humanidade, extasiam-se a contemplá-lo com atenção na vida da igreja (cf. Ef 3, 10).

 

Aclamação ao Evangelho              cf. Jo 1, 7; Lc 1, 17

 

Monição: O relato do nascimento de São João Baptista, mostra que a vontade de Deus transcende sempre os nossos projectos. Aclamemos a Palavra de Deus que «libertou e redimiu o seu povo».

 

Aleluia

 

Cântico: S. Marques, NRMS 73-74

 

Ele veio para dar testemunho da luz

e preparar o povo para a vinda do Senhor.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 5-17

5Nos dias de Herodes, rei da Judeia, vivia um sacerdote chamado Zacarias, da classe de Abias, cuja esposa era descendente de Aarão e se chamava Isabel. 6Eram ambos justos aos olhos de Deus e cumpriam irrepreensivelmente todos os mandamentos e leis do Senhor. 7Não tinham filhos, porque Isabel era estéril e os dois eram de idade avançada. 8Quando Zacarias exercia as funções sacerdotais diante de Deus, no turno da sua classe, 9coube-lhe em sorte, segundo o costume sacerdotal, entrar no Santuário do Senhor para oferecer o incenso. 10Toda a assembleia do povo, durante a oblação do incenso, estava cá fora em oração. 11Apareceu-lhe então o Anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso. 12Ao vê-lo, Zacarias ficou perturbado e encheu-se de temor. 13Mas o Anjo disse-lhe: «Não temas, Zacarias, porque a tua súplica foi atendida. Isabel, tua esposa, dar-te-á um filho, ao qual porás o nome de João. 14Será para ti motivo de grande alegria e muitos hão-de alegrar-se com o seu nascimento, 15porque será grande aos olhos do Senhor. Não beberá vinho nem bebida alcoólica será cheio do Espírito Santo desde o seio materno 16e reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. 17Irá à frente do Senhor, com o espírito e o poder de Elias, para fazer voltar os corações dos pais a seus filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, a fim de preparar um povo para o Senhor».

 

A leitura corresponde ao início do chamado Evangelho da Infância de Lucas. O teólogo genial que é S. Lucas, não prescinde do seu génio de historiador e começa por situar na História o acontecimento: «Nos dias de Herodes, rei da Judeia» (v. 5). «Zacarias», era um nome corrente entre judeus, que significa «Yahwéh recordou-se «. Isabel, Elixabet, era o nome da mulher de Aarão (Êx 6, 23) e significa «Deus é a plenitude», ou «Deus jurou». Zacarias pertencia à turma de Abias, isto é, ao oitavo turno semanal ao serviço do Templo (cf. 1 Par 24, 10). Segundo conta o historiador Flávio José, os 24 turnos semanais estavam em pleno funcionamento nesta data.

6 «Ambos justos aos olhos de Deus». A sua santidade não era meramente externa e legal. Justo equivale a fiel cumpridor de toda a vontade de Deus, pessoa que ajusta todo o seu pensar e actuar à lei do Senhor. Então, como hoje, é de pais justos e santos que procedem os grandes homens, os grandes santos.

9-10 «Para oferecer o incenso». Um sacrifício que se repetia duas vezes ao dia e às 3 horas da tarde. O sacerdote eleito desta vez foi Zacarias, talvez a única vez na vida que lhe coube tamanha honra, segundo as instruções de Mixná. Então pôde penetrar no Santuário, na primeira câmara chamada «o Santo», onde se encontravam os 12 pães da proposição que representavam as 12 tribos de Israel na presença do Senhor, bem como o candelabro de 7 braços, a menoráh. Zacarias, totalmente só e no máximo recolhimento, ao sinal da trombeta, tinha de deitar incenso sobre as brasas que estavam sobre o pequeno altar de oiro, enquanto o povo espalhado pelos átrios, o dos israelitas e o das mulheres, fazia subir as suas preces até Deus; a nuvem do fumo do incenso que se erguia do altar dos perfumes era a imagem bem expressiva da oração, segundo as palavras do Salmo 141(140), 2. A afluência dos fiéis costumava ser grande, a fim de rezar neste preciso momento, sobretudo na oferenda da tarde.

14-17 «Terás alegria…» Logo a seguir são apontados os motivos de tamanha alegria: a grandeza e santidade excepcionais do filho (v. 15), cheio de Espírito Santo (santificado no ventre materno, segundo a exegese habitual, ou dotado do carisma profético); será instrumento para a salvação de muitos (v. 16); preparará a vinda do Messias (v. 17). É interessante notar como o Evangelista, apesar de saber que João preparou a vinda de Jesus, o Messias, não instrumentaliza um relato que se move num ambiente e perspectiva «pré-cristã» e numa linguagem vétero-testamentária; é mais um indício da fidelidade de Lucas às suas fontes (aqui talvez um relato de família, conservado em círculos afectos ao Baptista). É por isso que não diz: «irá à frente do Messias» (como seria de esperar), mas «irá à frente de Yahwéh».

 

Sugestões para a homilia

A Igreja celebra hoje o nascimento de João Baptista

A Igreja celebra hoje o nascimento de João Baptista. O evangelho de Lucas no-lo apresenta como uma espécie de ‘precursor’ de Jesus e nós temos que recordá-lo como aquele que baptizou Jesus. No entanto, não faríamos justiça à sua importância se não levarmos em conta todas as informações que os evangelhos nos apresentam.

O mesmo evangelho de Lucas nos mostra, mediante um interessante paralelo, as semelhanças entre a missão de João e a de Jesus. O talante profético da missão de João foi um íman que cativou o sul do país. João Baptista convocou todo o povo às margens do rio Jordão com a recomendação de arrepender-se dos pecados, de mudar de vida. A imersão baptismal simbolizava essa transformação radical. Os que recebiam este banho purificador se comprometiam a deixar os velhos caminhos da religião ritualista e sem compromisso para encaminhar-se pela aventura do deserto pessoal, onde o único guia era o espírito impetuoso da novidade divina.

O movimento transformador de Jesus não partiu de zero, mas encontrou no grupo de João Baptista um leito profético a partir do qual canalizar toda a novidade do evangelho. Por estas razões, a acção de João não é a de um simples tamborileiro que anda à frente da procissão, mas a de um ‘autêntico enviado de Deus’ que estava ali como enviado do Senhor e não por casualidade.

Celebremos hoje o nascimento daquela personagem que, desde o seu nascimento, começou a cativar os corações de seus contemporâneos e que devia levar sua missão à plenitude quando entregasse a Jesus a inextinguível chama do anúncio profético da Boa Notícia.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos caríssimos:

Na Vigília da solenidade de São João Baptista,

o primeiro a dar testemunho de Cristo Salvador,

elevemos a nossa oração ao Pai da misericórdia,

pelas nossas necessidades e de todos os homens,

dizendo com alegria:

 

Renovai, Senhor, os prodígios do Vosso Espírito

 

1. Pela santa Igreja, peregrina em toda a terra,

para que Deus lhe mande profetas cheios do Espírito,

que disponham os corações a acolher Cristo,             

oremos, irmãos.

 

2.  Por todos os povos e seus governos,

para que, rejeitando a violência e a mentira,

se abram a Cristo, Príncipe da Paz,

oremos, irmãos.

 

3.  Pelos religiosos e todos os que fazem apostolado

para que sejam fiéis à consagração baptismal

e à missão a que Deus os chamou,

oremos, irmãos.

 

4.  Pelos perseguidos por causa da verdade,

para que diante dos poderosos deste mundo

tenham a força que animou São João Baptista,       

oremos, irmãos.

 

5. Pelos casais que não tiveram filhos,

para que ponham a sua alegria no Senhor

e em Deus encontrem sentido para a vida.

Oremos, irmãos.

 

6. Por nós e por todos os baptizados

para que, amando a Cristo Jesus sem O ter visto,

consigamos a salvação das nossas almas,

oremos, irmãos.

     

Acolhei, Pai Santo, as nossas súplicas

e, por intercessão de São João Baptista,

concedei-nos a graça de sermos santificados

pelo Cordeiro que tira o pecado do mundo,

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Em redor do teu altar, M. Carneiro, NRMS 42

 

Oração sobre as oblatas: Olhai com bondade, Senhor, para as ofertas que o vosso povo Vos apresenta na solenidade de São João Baptista e fazei que a nossa vida dê testemunho dos santos mistérios que celebramos. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio próprio, como na Missa seguinte

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Eis Cristo vivo. Eis Aquele que João baptizou. Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

 

Cântico da Comunhão: Bendito seja Deus que nos escolheu, Az. Oliveira, NRMS 63

Lc 1, 16

Antífona da comunhão: Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, que visitou e redimiu o seu povo.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes neste banquete sagrado, fazei que a poderosa intercessão de São João Baptista, que anunciou o Cordeiro que vinha tirar o pecado do mundo, nos alcance do vosso Filho o perdão e a paz. Por Nosso Senhor ...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Os pais de S. João Baptista estavam maravilhados com o que se dizia acerca de seu filho. A alegria e acção de graças de Zacarias ficou expresso no hino evangélico «Benedictus», que ainda hoje é rezado e cantado todos os dias na oração de louvor de toda a Igreja.

Cristo, presente na Palavra e no Pão, é o maior dom de Deus a cada um de nós. Se descobrimos a Jesus na Eucaristia, então continuemos durante a semana numa atitude de gratidão pelo seu imenso amor, testemunhando assim a bondade de Deus na nossa vida.

 

Cântico final: Exultai de alegria no Senhor, F. da Silva, NRMS 87

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          Nuno Westwood

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                  Duarte Nuno Rocha

 


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