Sagrado Coração de Jesus

D. M. de Or. Pelos Sacerdotes

 

11 de Junho de 2010

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Sagrado Coração de Jesus Redentor, F. Silva, NRMS 93

Salmo 32, 11.19

Antífona de entrada: Os pensamentos do seu coração permanecem por todas as gerações para libertar da morte as almas dos seus fiéis, para os alimentar no tempo da fome.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Hoje é o Dia Mundial de Oração pela santificação dos sacerdotes. «O Sacerdote é o amor do Coração de Jesus», afirmava o Santo Cura d’Ars. Hoje, somos convidados a olhar para o Coração de Jesus, nosso Bom Pastor e Sumo-Sacerdote. O Evangelho de S. João convida-nos a contemplar o lado aberto do Senhor, donde brotou sangue e água. O culto ao Sagrado Coração de Jesus tem um fundamento bíblico: «Hão-de olhar para (o CORAÇÃO) d’Aquele que trespassaram» (cf Jo 19, 37). A partir das revelações de Jesus a Santa Margarida Alacoque, no século XVII, esta devoção teve um grande incremento na Igreja.

 

Oração colecta: Concedei, Deus todo-poderoso, que ao celebrar a solenidade do Coração do vosso amado Filho, recordemos com alegria as maravilhas do vosso amor e mereçamos receber desta fonte divina a abundância dos vossos dons. Por Nosso Senhor...

 

ou

 

Deus de bondade, que no Coração do vosso Filho, ferido pelos nossos pecados, nos abristes os tesouros infinitos do vosso amor, fazei que, prestando-Lhe a homenagem fervorosa da nossa piedade, cumpramos também o dever de uma digna reparação.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Oseias apresenta-nos Deus como um Bom Pastor cheio de amor e de solicitude para com as suas ovelhas. Podemos afirmar que o Coração de Jesus é a manifestação visível deste Amor divino, pois Jesus afirmou: «Eu e o Pai somos um só.» (Jo 10, 30)

 

Ezequiel 34, 11-16

11Eis o que diz o Senhor Deus: «Eu próprio irei em busca das minhas ovelhas e hei-de encontrá-las. 12Como o pastor que vigia o rebanho, quando estiver no meio das ovelhas que andavam tresmalhadas, assim Eu cuidarei das minhas ovelhas, para as tirar de todos os sítios em que se desgarraram num dia de nevoeiro e de trevas. 13Arrancá-las-ei de entre os povos e as reunirei dos vários países, para as reconduzir à sua própria terra. 14Apascentá-las-ei nos montes de Israel, nas ribeiras e em todos os lugares habitados do país. Eu as apascentarei em boas pastagens e terão as suas devesas nos altos montes de Israel. Descansarão em férteis devesas e encontrarão pasto suculento sobre as montanhas de Israel. 15Eu apascentarei o meu rebanho, Eu o farei repousar, diz o Senhor Deus. 16Hei-de procurar a ovelha que anda perdida e reconduzir a que anda tresmalhada. Tratarei a que estiver ferida, darei vigor à que andar enfraquecida e velarei pela gorda e vigorosa. Hei-de apascentar com justiça».

 

O texto é tirado da 3ª e última parte do livro de Ezequiel (Ez 33 – 48), um conjunto de oráculos de esperança e de renovação após a destruição de Jerusalém em 587. Depois de ter censurado os maus pastores – os dirigentes de Israel, reis e sacerdotes – que tinham levado o povo à ruína e ao desterro (vv. 1-10), o profeta anuncia que agora vai ser o próprio Deus a dirigir o seu povo, sem mais intermediários. Esta profecia tem o seu pleno sentido em Jesus Cristo. Ele é Deus que vem cuidar de cada uma das suas ovelhas (cf. Jo 10, 1-16): «Eu apascentarei o meu rebanho» (v.15). «Hei-de procurar a ovelha que anda perdida» (v. 16; cf. Lc 15, 4-7 no Evangelho de hoje).

 

Salmo Responsorial         Sl 22 (23), 1-6 (R. 1)

 

Monição: O salmo 22 é sobejamente conhecido por todos os cristãos. Com este poema louvamos a bondade e a graça de Deus que nos acompanha todos os dias da nossa vida! Cantemos jubilosamente, em comunhão com toda a Igreja: O Senhor é meu Pastor, nada me faltará!

 

Refrão:          O Senhor é meu pastor:

nada me faltará.

 

O Senhor é meu pastor: nada me falta.

Leva-me a descansar em verdes prados,

conduz-me às águas refrescantes

e reconforta a minha alma.

 

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:

o vosso cajado e o vosso báculo

me enchem de confiança.

 

Para mim preparais a mesa

à vista dos meus adversários;

com óleo me perfumais a cabeça

e meu cálice transborda.

 

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me

todos os dias da minha vida

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Deus é Amor e nunca deixou de manifestar o Seu Amor, ao longo de toda a história da salvação. Mas esse Amor manifestou-se mais claramente em Jesus, «que morreu por nós, quando éramos pecadores!» O Apóstolo Paulo convida-nos a contemplar o Amor de Deus derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado!»

 

Romanos 5, 5b-11

Irmãos: 5O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. 6Quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios no tempo determinado. 7Dificilmente alguém morrerá por um justo; por um homem bom, talvez alguém tivesse a coragem de morrer. 8Mas Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores. 9E agora, que fomos justificados pelo seu sangue, com muito maior razão seremos por Ele salvos da ira divina. 10Se, na verdade, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, com muito maior razão, depois de reconciliados, seremos salvos pela sua vida. 11Mais ainda: também nos gloriamos em Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, por quem alcançámos agora a reconciliação.

 

São Paulo pretende fazer ver que o amor de Deus garante ao homem justificado a firmeza da esperança da salvação eterna. Esta esperança é certa, não ilusória. Eis é o raciocínio do Apóstolo: se «quando éramos ainda pecadores» (v.8) e «inimigos» de Deus (v. 10) – antes da conversão –, recebemos a graça da justificação, como é que não havemos de estar seguros «agora que fomos justificados» (v. 9) e «reconciliados» v. 10)? «Com muito maior razão» (vv. 9 e 10) «seremos por Ele salvos da ira divina» – à hora do juízo –, quando os pecadores forem condenados. «Seremos salvos pela Sua vida» (v. 10), isto é, em virtude da vida de Cristo ressuscitado, ao aparecermos diante dele como santos, reconciliados e redimidos por Ele.

5 Ver nota da 2ª Leitura da festa da SS. Trindade deste ano C (supra).

 

Aclamação ao Evangelho              Mt 11, 29ab

 

Monição: A liturgia de hoje revela-nos o amor infinito de Deus, cujo coração estremece cheio de compaixão por nós, ovelhas do seu rebanho. Ele próprio nos apascenta e nos faz descansar nos prados verdejantes dos montes de Israel. Deus ama-nos com ternura paternal! Até os Anjos no Céu fazem festa, quando nos deixamos seduzir pelo Amor divino. Exultemos e cantemos de alegria porque Jesus, o Bom Pastor, veio procurar e salvar as ovelhas que andavam tresmalhadas.

 

Aleluia

 

Cântico: F. Silva, NRMS 35

 

Tomai o meu jugo sobre vós, diz o Senhor,

e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 15, 3-7

Naquele tempo, 3disse Jesus aos fariseus e aos escribas a seguinte parábola: 4«Quem de vós, que possua cem ovelhas e tenha perdido uma delas, não deixa as outras noventa e nove no deserto, para ir à procura da que anda perdida, até a encontrar? 5Quando a encontra, põe-na alegremente aos ombros 6e, ao chegar a casa, chama os amigos e vizinhos e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida’. 7Eu vos digo: Assim haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa, do que por noventa e nove justos, que não precisam de arrependimento».

 

A parábola da ovelha perdida manifesta graficamente o desejo que Deus tem da salvação de todos os pecadores, expresso naquele ir à procura da ovelha perdida, deixando «as noventa e nove no deserto» (v. 4), e na festa com os amigos e vizinhos para celebrar o regresso (v. 6). A realidade, porém, supera incomensuravelmente a parábola, pois não deixava de haver interesse e vantagem pessoal para o pastor que recupera um bem perdido, ao passo que Deus se regozija por puro amor gratuito e desinteressado; mais ainda, a busca da ovelha perdida – do pecador – custou a Jesus Cristo a máxima humilhação e dor, os tormentos indescritíveis da sua Paixão e Morte!

7 «Haverá mais alegria no Céu». Isto não significa que Deus subestime a perseverança dos justos. De modo nenhum! Mas Jesus apenas quer pôr em evidência como Deus aprecia a conversão de um pecador e como Ele nos quer aliciar ao arrependimento e à confiança mais absoluta na misericórdia do seu Coração, que perdoa sempre, por maiores e mais numerosos que possam ser os nossos pesados. E Ele não se limita a esperar o nosso regresso, mas adianta-se, e anda à nossa procura.

 

Sugestões para a homilia

 

O Coração de Jesus é o símbolo não só do amor humano, mas também do amor divino porque em Cristo «habita corporalmente toda a plenitude da divindade!» (Col 2, 9) Em Jesus existe todo o amor eterno e infinito do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Jesus afirmou: «Eu e o Pai somos um só.» (Jo 10, 30)

Para nos fazer compreender melhor o amor de Deus Pai pela humanidade, Jesus contou-nos a parábola da ovelha perdida e reencontrada (Luc 15, 3-7). Jesus pensa nos pecadores, nos que sofrem, nos que têm um fardo pesado para levar. Esses ocupam o primeiro lugar no Seu Coração compassivo. Contemplemos este sentimento de compaixão que transborda do Coração de Jesus, que veio procurar e salvar os que andavam perdidos! «Alegrai-vos! Encontrei a minha ovelha perdida!»

«Jesus é manso e humilde de Coração» e faz-nos um convite: «Vinde a Mim!» (Mat 11, 29) Aceitemos e aproximemo-nos do Coração de Jesus, quando nos sentirmos esmagados pelo peso nossas preocupações e dos nossos pecados. Quando andarmos perdidos, procuremos Jesus, que é «o Caminho, a Verdade e a Vida!» (Jo 14, 6) Escutemos a voz do Bom Pastor, que através dos séculos nos tranquiliza, como hoje, na 1ª leitura, com estas frases consoladoras: «Eu apascentarei o meu rebanho, Eu o farei repousar. Hei-de procurar a ovelha que anda perdida. Tratarei a que estiver ferida, darei vigor á que andar enfraquecida.» (Ez 34, 11-16). Jesus, o Bom Pastor, quer-nos fazer repousar, quer-nos dar conforto, quer aliviar os nossos pesos, quer-nos receber na morada do seu Coração misericordioso: «Vinde a Mim!» Vamos confiantes! Sejamos agradecidos!

Como resposta à primeira leitura o povo de Deus canta cheio de confiança: «O Senhor é meu pastor, nada me pode faltar!» Deus está connosco! Irmão, a bondade do Coração de Jesus, Bom Pastor e Sumo-Sacerdote acompanha-nos todos os dias da nossa vida! Desejemos habitar para sempre na sua presença! Deixemos que «o amor de Deus derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado», nos encha de alegria! (Rom 5, 5)

 

 

Oração Universal

 

Irmãos, o Amor do Coração de Jesus, Bom Pastor,

revelou-se plenamente na Cruz.

Elevemos as nossas súplicas ao Redentor, dizendo:

 

Jesus, Bom Pastor, tende compaixão de nós.

 

1.  Por todos os fiéis da Santa Igreja para que escutem a voz do Bom pastor que os chamou

e O sigam no caminho para o Reino, oremos, irmãos.

 

2.  Pelos bispos, presbíteros e diáconos, para que imitem Jesus Cristo, o Bom Pastor

e procurem as ovelhas que andam errantes, oremos, irmãos.

 

3. Pelos membros do Apostolado da Oração que orando,

serviram o Senhor durante a vida na terra,

para que Deus lhes dê a glória do seu Reino, oremos, irmãos.

 

Senhor Jesus, nosso Bom Pastor,

procurai as velhas tresmalhadas e dai vigor às que estão enfraquecidas,

para que o rebanho dos vossos fiéis possa um dia habitar convosco para sempre.

Vós que sois Deus com o pai, na unidade do Espírito Santo. Amén

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Em redor do Teu altar, M. Carneiro, NRMS 42

 

Oração sobre as oblatas: Olhai, Senhor, para o inefável amor do Coração do vosso Filho e fazei que a nossa oferenda Vos seja agradável e sirva de reparação pelos nossos pecados. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

O Coração de Cristo, fonte de salvação

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo, nosso Senhor.

Elevado sobre a cruz, com admirável amor deu a sua vida por nós e do seu lado trespassado fez brotar sangue e água, donde nasceram os sacramentos da Igreja, para que todos os homens, atraídos ao Coração aberto do Salvador, pudessem beber com alegria nas fontes da salvação.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 14

 

Monição da Comunhão

 

O jugo de Jesus é leve, é suave, porque Jesus é manso e humilde de Coração. Meditemos longamente nestas confidências de Jesus. Rezemos no íntimo da nossa alma:

«Jesus, manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao vosso.»

«Sagrado Coração de Jesus, eu tenho toda a confiança em Vós!»

«Coração Jesus, fornalha ardente de caridade, tende piedade de nós!»

 

Cântico da Comunhão: Saboreai como é bom, M. Carneiro, NRMS 93

Jo 7, 37-38

Antífona da comunhão: Se alguém tem sede, venha a Mim e beba, diz o Senhor. Se alguém acredita em Mim, do seu coração brotará uma fonte de água viva.

 

Ou

Jo 19, 34

Um dos soldados abriu o seu lado com uma lança e dele brotou sangue e água.

 

Cântico de acção de graças: Vossos corações exultem, Az. Oliveira, NRMS 90-91

 

Oração depois da comunhão: Fazei, Senhor, que este sacramento do vosso amor nos una sempre mais a Jesus Cristo, vosso Filho, de modo que, inflamados na caridade, saibamos reconhecê-l'O nos nossos irmãos.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Acabámos de viver um Ano Sacerdotal. Recordemos mais uma vez o que o Santo Cura d’ Ars dizia:

«O Sacerdote é o amor do Coração de Jesus. Quando virdes o padre, pensai em Nosso Senhor Jesus Cristo.»

Rezemos:

Coração Sacerdotal de Jesus, santificai os sacerdotes.

Coração Sacerdotal de Jesus, multiplicai os sacerdotes.

Coração Sacerdotal de Jesus, actuai pelos sacerdotes.

 

Cântico final: Em coro altíssimo, M. Faria, NRMS 14

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          José Roque

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                  Duarte Nuno Rocha

 

 


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