aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

ROMA

 

REVELAÇÕES INÉDITAS

SOBRE JOÃO PAULO II

 

Em finais de Janeiro foi publicado o livro «Porque é santo. O verdadeiro João Paulo II contado pelo Postulador da causa de beatificação», com algumas revelações inéditas.

 

A obra é da autoria do Postulador da causa de beatificação de João Paulo II, Mons. Slawomir Oder, e foi escrita em forma de entrevista, com o jornalista Saverio Gaeta, para ajudar a perceber o falecido Papa polaco. Um «homem de Deus», para o Postulador.

«Perché è santo. Il vero Giovanni Paolo II raccontato dal postulatore della causa di beatificazione» foi apresentado em Roma na presença do Cardeal português José Saraiva Martins, Prefeito emérito da Congregação para as Causas dos Santos, que destacou a ligação entre santidade e humanismo na vida de Karol Wojtyla, «uma santidade visível, tangível, que se podia tocar com a mão».

Inicialmente, a obra será apenas lançada em italiano. A revista Famiglia Cristiana deu a conhecer alguns excertos do mesmo.

O livro tem algumas revelações inéditas, incluindo uma carta escrita pelo Papa em 1989, na qual este manifestava a vontade de renunciar à sua missão, no caso de doença incurável de longa duração ou outro tipo de obstáculo que o impedisse de exercer as suas funções.

No entanto, João Paulo II retomou o assunto em 1994 (cerca de dois anos antes, suspeitara-se que poderia ter um cancro), afirmando noutra carta dirigida aos cardeais que, depois de rezar e reflectir sobre a sua responsabilidade perante Deus, considerou seguir o exemplo de Paulo VI, que perante o mesmo problema decidiu não renunciar, sentindo como «grave obrigação de consciência o dever de continuar a desenvolver o trabalho ao qual Cristo Senhor me chamou até quando Ele, nos misteriosos desígnios da Providência, quiser».

«Há dois anos, quando surgiu a possibilidade de que o tumor do qual vim a ser operado fosse maligno, pensei que o Pai, que está nos céus, quisesse resolver o problema por antecipação. Mas não foi assim», escreveu João Paulo II.

«Depois de ter rezado e reflectido sobre a minha responsabilidade diante de Deus, acredito dever seguir as disposições e o exemplo de Paulo VI [Papa entre 1963-1978], o qual, prevendo o mesmo problema, julgou não poder renunciar ao mandato apostólico senão em presença de uma doença incurável ou de um impedimento tal que obstaculizasse o exercício das funções de Sucessor de Pedro», explicou.

A carta aberta a Ali Agca

O livro apresenta ainda a carta aberta que o Papa polaco escreveu a Ali Agca (11.09.1981), autor do atentado na Praça de São Pedro.

A carta aberta a Agca foi preparada para uma audiência geral, mas não chegou a ser pronunciada, supõe-se que para não interferir nas investigações então em curso. A missiva falava sobre o poder do perdão como «condição primeira e fundamental para que não estejamos divididos, uns contra os outros, como inimigos».

O Papa perdoou publicamente ao turco a 17 de Maio, quatro dias depois do atentado, e visitou-o na prisão em 1983. Na referida carta aberta, João Paulo II disse que já na ambulância que o levou até à Clínica Gemelli tinha perdoado a Ali Agca.

O Pe. Oder aborda também as práticas de mortificação e jejum de João Paulo II, que passava horas a fio deitado no chão do seu quarto e se flagelava. Para o sacerdote polaco, a intenção do Papa era «afirmar a primazia de Deus» e usar a mortificação como uma forma de ascética.

«No seu armário, no meio das roupas, estava pendurado nos ganchos um cinto especial para as calças, que utilizava como chicote e que fazia levar sempre para Castel Gandolfo», escreve o Postulador.

Mais uma vez, veio à baila a questão de uma possível data de beatificação, mas o Postulador da causa disse não ser possível avançar com prognósticos enquanto a Santa Sé não reconhecer um milagre atribuído ao Papa Wojtyla, recentemente declarado Venerável.

As mais de 100 testemunhas que falaram no processo diocesano – cujas declarações são a base do que o Pe. Oder afirma no livro – não são identificadas, embora algumas sejam descritas como membros da equipa papal.

A reconstituição da sua vida, a partir do que foi até agora o processo de beatificação, mostra um Karol Wojtyla, grande figura do século XX, como um Papa que viveu na sua própria carne a mensagem evangélica, nos limites da pobreza, na humildade, na sensibilidade às necessidades do outro, sempre espirituoso e jovial.

Bento XVI anunciou no dia 13 de Maio de 2005, 42 dias após a morte de João Paulo II, o início imediato do processo de canonização de Karol Wojtyla, dispensando o prazo canónico de cinco anos para a promoção da causa.

No dia 8 de Abril desse ano, por ocasião da Missa exequial de João Paulo II, a multidão exclamou por diversas vezes «santo súbito!» (santo, já!). Em Dezembro do ano passado, o actual Papa assinou o decreto que reconhece as «virtudes heróicas» de Karol Wojtyla, primeiro passo em direcção à beatificação.

 

 

SÉRVIA

 

APROXIMAÇÃO DO

PATRIARCA ORTODOXO

 

Irinej, novo Patriarca da Igreja Ortodoxa sérvia, reafirmou o seu desejo de se encontrar com o Papa Bento XVI, acrescentando que «chegou a hora».

 

«Já se falava de uma possível visita do Bispo de Roma e, enquanto antes eu considerava que ainda não era a ocasião certa, hoje acredito que é o momento de saudá-la», disse à imprensa de Belgrado.

«Talvez tenha chegado o momento em que todos podemos dizer o que temos a dizer, e depois, reflectir sobre tudo», sugeriu o Patriarca, segundo o qual, «as divisões não são positivas e encontrar-se seria indispensável para começar a examinar os problemas pendentes».

Irinej disse que o Papa poderia visitar a Sérvia em 2013, ano em que são comemorados os 1700 anos do Edito de Milão (313), do imperador romano Constantino. A celebração decorrerá em Nis, no sul da Sérvia, cidade natal de Constantino e da qual Irinej foi Bispo até à sua eleição como Patriarca.

 

 

TIMOR LESTE

 

CRIADA NOVA DIOCESE

 

A Igreja em Timor-Leste conta a partir de 30 de Janeiro passado com uma terceira diocese – Maliana –, com território desmembrado da diocese de Díli. Como primeiro bispo de Maliana, o Bento XVI nomeou hoje o Pe. Norberto do Amaral, Chanceler da diocese de Díli.

 

A nova diocese tem um território de 3.645 quilómetros quadrados e uma população de 210 mil pessoas, na quase totalidade católicos. Corresponde à região administrativa de Maliana, com três distritos: Liquiça, Bobonaro e Cova-Lima. Confina a leste com a diocese de Díli e a ocidente com a Atambua (Indonésia).

Conta com dez paróquias, seis padres diocesanos, 25 padres religiosos e 27 irmãos, 81 religiosas. A Igreja paroquial de Maliana, dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, passará a ser a catedral da nova diocese.

O Pe. Norberto do Amaral tem 53 anos, nasceu em 1956, em Ainaro, diocese de Díli. Depois de ter frequentado o ensino primário na escola católica de Ainaro, entrou no Seminário menor diocesano de Dare. Realizou os estudos de Filosofia e de Teologia no Seminário Maior de Ritapiret, em Flores (Indonésia). Foi ordenado padre em Outubro de 1988 para a diocese de Díli.

Depois de ter desempenhado por um ano as funções de Vigário paroquial na paróquia de Ainaro, de 1989 a 2000 foi pároco de Maubisse. De 2000 a 2004 foi Reitor do Seminário menor diocesano de Díli. De 2005 a 2007 estudou em Roma, na Universidade Urbaniana, com a licenciatura em Teologia Dogmática, passando a ser professor dessa matéria no Seminário maior de Díli. Desde 2008 era também Chanceler da diocese de Díli e director da revista diocesana «Seara».

As outras dioceses de Timor Oriental são Díli, criada em 1940, tendo actualmente como bispo D. Alberto Ricardo da Silva (66 anos), e Baucau (criada em 1996), cujo bispo é D. Basílio do Nascimento (59 anos)

 

 

AUSTRÁLIA

 

GRUPO DE ANGLICANOS QUEREM

PASSAR PARA A IGREJA CATÓLICA

 

Um grupo de anglicanos tradicionalistas votou para entrar em comunhão com a Igreja Católica, aceitando a proposta do Papa de criar um Ordinariato Pessoal.

 

A delegação Australiana da Forward in Faith, um grupo que reúne anglicanos de tendência tradicionalista, tomou a decisão de pedir para entrar em comunhão com a Igreja Católica.

A decisão surge poucos meses depois da Igreja ter publicado a Constituição apostólica Anglicanorum coetibus, que prevê a criação de Ordinariatos pessoais para ex-anglicanos, onde estes possam manter aspectos do seu património litúrgico e espiritual.

A Forward in Faith conta com relativamente poucos membros, mas espera-se que o seu exemplo seja seguido por uma parte significativa dos membros da delegação britânica.

O dia da Cátedra de São Pedro, 22 de Fevereiro, foi designado pela Forward in Faith do Reino Unido como dia de oração e discernimento com vista a uma tomada de posição.

Entretanto Paul Richardson, que até ao ano passado era Bispo anglicano de Newcastle, anunciou publicamente que se tornou católico no passado mês de Janeiro.

Richardson, que havia renunciado à sua posição hierárquica o ano passado, afirmou que não faz tensões de aderir a um futuro Ordinariato, e que ainda não decidiu se vai pedir para ser ordenado padre católico, mas que por enquanto está perfeitamente feliz como um católico comum.

 

 

CUBA

 

BISPOS LAMENTAM

MORTE DE DISSIDENTE

 

Os bispos cubanos consideram que a morte do preso político Orlando Zapata foi uma «tragédia», e explicam por que são contra greves de fome.

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Orlando Zapata Tamayo faleceu no passado dia 23 de Fevereiro, na sequência de uma greve de fome de 85 dias, onde exigia um tratamento digno na prisão e ser tratado como preso de consciência. Zapata era um dos 75 dissidentes detidos em 2003 e um dos 55 prisioneiros de consciência da lista da Amsnistia Internacional.

Num comunicado divulgado pela Conferência Episcopal Cubana, os bispos afirmam que várias vezes tentaram visitar Zapata, «mas o pedido não foi atendido».

Os bispos afirmam serem contra greves de fome, pois «são métodos de contestação que colocam a vida em perigo», equivalentes a «uma forma de violência que a pessoa exerce sobre si mesma».

Para o Episcopado, uma morte «nestas condições é uma tragédia para todos, porque se trata da vida de uma pessoa, que é sempre o bem maior a ser protegido e conservado por todos».

No comunicado, os bispos pedem ainda às autoridades que tomem medidas necessárias «para que situações como estas não se repitam» e criem «condições de diálogo e entendimento idóneo para evitar que se chegue a situações tão dolorosas que não beneficiam ninguém e fazem muitos sofrer».

A Conferência Episcopal manifestou ainda o seu pesar à mãe e aos familiares de Zapata, sepultado no passado dia 25, na sua terra natal, em Banes.

 

 

UNIÃO EUROPEIA

 

VISITA DA

DELEGAÇÃO DA CEP

 

A Igreja Católica em Portugal quer adequar a sua presença social às formas de participação previstas nas estruturas de soberania nacionais e europeias, nomeadamente durante este Ano Europeu para a Erradicação da Pobreza e Exclusão Social.

 

Com esse objectivo, uma delegação da Conferência Episcopal Portuguesa visitou, em Fevereiro passado, a Comissão e o Parlamento Europeu onde contactou com o Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e com eurodeputados dos diferentes quadrantes partidários.  

 

Relevância da Igreja

 

Durão Barroso referiu o «papel importantíssimo» da Igreja Católica na sociedade europeia. Ao receber esta delegação, o Presidente da Comissão sublinhou o trabalho social e educativo desenvolvido pelas estruturas da Igreja Católica.

«A Igreja Católica, para além da dimensão religiosa – e obviamente essa não é do foro da Comissão – tem no domínio social, da integração dos imigrantes, da educação um papel tão relevante que para mim é importante conhecer as suas opiniões, ouvir as suas preocupações e as suas aspirações também», disse o Presidente da Comissão Europeia após uma reunião com Bispos de Portugal que representam a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e um encontro com delegados de organismos da CEP.

Por outro lado, num Seminário em que se analisaram as relações Igreja-Estado, eurodeputados dos diferentes partidos foram unânimes no reconhecimento da importância das estruturas da Igreja Católica na sociedade, nomeadamente na área social, educativa e da saúde.

Para além de uma comunidade política e económica, a Europa precisa de uma identidade cultural. Intervindo durante o Seminário para a delegação da CEP e para representantes dos eurodeputados portugueses, Manuel Braga da Cruz disse que «a construção Europeia não é apenas a edificação de instituições políticas». O Reitor da Universidade Católica defendeu, que «não há entidade política sem substrato cultural». «Se a Europa quer ser uma união política, não pode deixar de ter uma identidade cultural». Nessa construção cultural, Braga da Cruz defende uma participação efectiva da Igreja Católica, fundamentada nas raízes culturais da Europa e na construção de uma identidade baseada em valores.

 

Diálogo garante presença da Igreja Católica

 

No contexto constitucional europeu actual, o diálogo aberto, transparente e regular previsto no art. 17 do Tratado de Lisboa é o meio pelo qual a Igreja Católica, a par de outras instituições, participa no debate cultural, social, económico e político em curso nas instituições europeias. Nesse sentido, D. Jorge Ortiga, Presidente da CEP e desta delegação da Igreja Católica em Portugal, sugeriu ao Presidente da Comissão Europeia, durante o encontro que os Bispos presentes mantiveram com Durão Barroso, uma «estruturação do artigo 17». O Arcebispo de Braga deseja que, por imperativo legal, exista na UE uma estrutura «que nos faça sentar à mesma mesa, partilhar ideias, sem proselitismo».

D. Jorge Ortiga, Presidente da CEP e desta delegação, referiu que a visita às instituições da União Europeia (EU) é uma oportunidade para partilhar e ideias e sugestões que permitam a concretização de valores defendidos pela Igreja Católica para todas as sociedades, nomeadamente a europeia. Eles fazem parte da matriz cristã que caracteriza o Continente e, «mesmo que ela não seja referida» no Tratado que rege a UE, o Tratado de Lisboa, D. Jorge Ortiga defende a conjugação de esforços para que esses valores cristãos marquem a sociedade europeia.

A deslocação desta delegação, composta por cerca de 40 elementos (6 bispos e padres e leigos responsáveis por diferentes sectores da pastoral da Igreja Católica) aconteceu por convite do eurodeputado Mário David. Em declarações à comunicação social, o Vice-presidente do PPE recordou a «relevância da Igreja Católica» e a oportunidade de «estabelecer um novo diálogo entre os deputados europeus e os responsáveis pela organização da Igreja Católica em Portugal».

Em cada ano, cada eurodeputado pode convidar 100 pessoas a visitarem as instituições europeias. Foi no âmbito deste programa que o eurodeputado do PPE decidiu, desta vez, convidar uma delegação da Conferência Episcopal Portuguesa.

 

 


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