A  abrir

O  AMOR  AO  PAPA

 

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

Dentro da mensagem de Fátima, o amor ao Papa é uma vertente importante, especialmente gravada no coração de Jacinta. Dir-se-ia que Nossa Senhora precisou de se revelar a três pastorinhos para que em cada um deles ressaltassem particulares aspectos dos seus recados maternos. A vida cristã é rica, riquíssima, de sabedoria, afectos e devoções. Diamante de mil facetas, por cada uma nos deslumbra a sua profundidade cristalina. Embaciada alguma das faces, toda a luz se perde. Enfraquecido o amor ao Papa, é Cristo que se afasta de nós em sombras do passado, como vaga presença na memória, que nos deixa apenas diante de um homem que fala d’Ele.

«Eu estarei convosco todos os dias até ao fim do mundo» (Mt 28, 20), garantiu-nos o Senhor. Logo pensamos na Sagrada Eucaristia, mas a presença viva de Cristo não se limita a uma só; são múltiplas presenças: Ele está connosco em cada sacerdote, em cada fiel, e até em cada homem, pois o que fizermos aos outros, a Ele o fazemos (Mt 25, 40); está «onde dois ou três» se reúnam em seu Nome (Mt 18, 20); e está de modo especial naqueles que presidem à sua Igreja, os Bispos e o Sucessor de Pedro, o Santo Padre, que a todos une e sem o qual a Igreja simplesmente não existiria.

O amor que a fé nos suscita é, portanto, um amor racional, teológico, antes de ser sentimental. Mas como separar o afecto da inteligência, se formamos uma unidade de corpo e espírito? Os sentimentos acompanham necessariamente a razão e fortalecem-na quando a ela se adequam, ou enfraquecem-na quando se distanciam dela. A frieza racional e teológica é, portanto, perigosa para a própria razão e para a teologia, porque nos afasta do cerne de toda a verdade, que é o Amor, que é Deus.

Quando a Igreja é vista apenas como instituição de culto e doutrina, perde (para quem assim a vê) toda a vitalidade sobrenatural e deixa de ser a Família de Deus. Por isso, muito mais sábio pode vir a ser quem mais ama do que quem «mais sabe», pois sabe menos de Deus quem não O «saboreia» (cf I Pe 2, 3). 

 «Não vos deixarei órfãos» (Jo 14, 18). O amor ao Papa faz parte – é uma só coisa – com o amor a Cristo e, se qualquer amor honesto pode crescer indefinidamente, quanto mais este que nos une a todos no Senhor! 

 

 

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial