Anunciação do Senhor

25 de Março de 2010

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Acolhe, Virgem piedosa, M. Carneiro, NRMS 101

Hebr 10, 5.7

Antífona de entrada: Ao entrar no mundo, o Senhor disse: Eu venho, meu Deus, para fazer a vossa vontade.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A solenidade da Anunciação é o Dia D em que O Senhor desencadeou o processo do nosso resgate, concebido desde toda a eternidade e concretizado numa revolução e Amor.

O encontro do Verbo – Segunda Pessoa da Santíssima Trindade – com a nossa natureza humana dá-se no seio virginal de Maria. É o encontro da santidade infinita com a nossa pobreza, do Céu com a terra.

É uma aventura de Amor do nosso Deus, movido pela Sua infinita misericórdia para connosco.

A solenidade da Anunciação do Senhor foi marcada em relação com o Natal, nove meses antes da sua celebração.

Alegremo-nos, pois, pela magnanimidade de Deus que não hesitou em mergulhar no barro humano, para nos salvar.

 

Acto penitencial

 

É o momento de considerarmos diante de Deus como temos correspondido à sua magnanimidade, uma vez que amor com amor se paga.

Reconheçamos as nossas infidelidades e falta de generosidade, peçamos humildemente perdão e concretizemos um firme propósito de emenda.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: temos correspondido com frieza e indiferença

    a esta loucura de Amor e misericórdia por nós, pecadores.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo: Malbaratamos com leviandade o tesouro da graça

    que Jesus Cristo conquistou para nós pela Sua Incarnação.

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor Jesus: Deixamo-nos, às vezes, vencer pela preguiça

    quando se trata de ajudar os nossos irmãos a viver em graça.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus, Pai santo, que na vossa benigna providência quisestes que o vosso Verbo assumisse verdadeira carne humana no seio da Virgem Maria, concedei-nos que, celebrando o nosso Redentor como verdadeiro Deus e verdadeiro homem, mereçamos também participar da sua natureza divina. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Isaías procura libertar da falta de esperança o rei Acaz, ameaçado de ser substituído no trono por seu filho Tabel que não era da linhagem de David. Além disso está ameaçado pelos Reino do Norte e pela Síria.

O profeta exorta-o a pedir um sinal ao Senhor da Sua protecção e, perante a sua falta de fé, anuncia-lhe o grande sinal: o filho de uma Virgem, na qual a tradição viu sempre Jesus, Filho virginal de Maria.

 

Isaías 7, 10-14 8, 10

Naqueles dias, 10o Senhor mandou ao rei Acaz a seguinte mensagem: 11«Pede um sinal ao Senhor teu Deus, quer nas profundezas do abismo, quer lá em cima nas alturas». 12Acaz respondeu: «Não pedirei, não porei o Senhor à prova». 13Então Isaías disse: «Escutai, casa de David: Não vos basta que andeis a molestar os homens para quererdes também molestar o meu Deus? 14Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será ‘Emanuel’, porque Deus está connosco».

 

Este célebre texto messiânico é extraído do início do «Livro do Emanuel», assim chamado pela misteriosa figura central do Immánu-El (connosco-Deus), um «menino» descrito com traços que excedem tudo o que a história da monarquia hebraica regista (Is 7, 1 – 12, 6), daí o seu carácter messiânico, em quem os cristãos vêem uma figura do Salvador.

10-13 Como prova de que o rei Acaz não virá a ser destronado e substituído pelo filho de Tabel, estranho à linhagem davídica (estamos na conjura siro-efraimita contra o rei de Judá), o profeta Isaías propõe ao rei que peça um sinal divino, o mais extraordinário que seja (cf. v. 11). O rei, com hipócrita religiosidade, nega-se a pedir esse sinal, porque não acredita em sinais, em coisas sobrenaturais. Foi por esta ocasião (o que não quer dizer exactamente o mesmo momento) em que o Profeta, dirigindo-se à linhagem (casa) de David, anunciou que o Senhor dará um sinal verdadeiramente extraordinário e que o trono de David se consolidará eternamente (cf. 2 Sam 7, 16).

14 Esse «sinal» é a virgem que concebe. Muito se tem discutido e escrito sobre este sinal. Uma coisa é certa, é que o crente não pode prescindir de algum sentido messiânico (directo ou indirecto) desta célebre passagem isaiana. De facto, a própria exegese bíblica mostra que estamos no chamado «Livro do Imanuel» (Is 7 – 12), uma secção de carácter vincadamente messiânico por apontar para um descendente de David em quem se concentram as promessas da salvação de Deus, o Imanuel (o Deus connosco); embora, em primeiro plano, possa ser visado o próprio filho do rei Acaz, Ezequias, ele é considerado uma figura ou tipo do Messias. A tradução grega dos LXX (inspirada por Deus?) utilizou um termo específico para designar a virgindade desta mãe, chamando-a parthénos, quando o termo hebraico original não designa mais que a sua idade juvenil: ‘almáh. A célebre tradução grega em que se apoiavam os primeiros apologistas cristãos para demonstrarem aos judeus que Jesus é o Messias prometido, veio a ser rejeitada pelos judeus, que a substituíram por outras versões (ou antes adaptações gregas: Áquila, Símaco e Teodocião); e o dia festivo para comemorar a tradução dos LXX passou a ser um dia de luto. A interpretação mais tradicional defende o sentido literal (não se contentando com o sentido chamado típico ou pleno, suficientes para se garantir o sentido messiânico da passagem) e faz finca-pé em que Deus tinha oferecido pelo Profeta um sinal prodigioso, e eis que o dá; ora esse sinal só é prodigioso se a concepção e o nascimento do Menino acontece sem destruir a virgindade da Mãe; aliás é ela a pôr o nome ao filho, coisa que pertence sempre ao pai (que aqui não aparece). O próprio nome do filho insinua a sua divindade, «Deus connosco»: é a mesma personagem extraordinária anunciada em Is 9, 5-6: «Deus forte, príncipe da paz...».

 

Salmo Responsorial    Sl 39 (40), 7–8a.8b–9.10.11 (R. 8a.9a)

 

Monição: Perante a insuficiência dos Sacrifícios do Antigo Testamento para conquistar o agrado do Pai, Cristo oferece-se para cumprir generosamente a Sua vontade e convida-nos a segui-l’O com fidelidade, neste caminho de Redenção.

Lembrando os muitos benefícios que temos recebido do Senhor, façamos deste texto inspirado a nossa oração confiante.

 

Refrão:        Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade.

 

Não Vos agradaram sacrifícios nem oblações,

mas abristes–me os ouvidos;

não pedistes holocaustos nem expiações,

então clamei: «Aqui estou».

 

De mim está escrito no livro da Lei

que faça a vossa vontade.

Assim o quero, ó meu Deus,

a vossa lei está no meu coração».

 

Proclamei a justiça na grande assembleia,

não fechei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis.

 

Não escondi a vossa justiça no fundo do coração,

proclamei a vossa fidelidade e salvação.

Não ocultei a vossa bondade e fidelidade

no meio da grande assembleia.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O autor da Carta aos Hebreus coloca no coração e nos lábios de Cristo – ainda no seio materno – a expressão de uma conformidade perfeita com a vontade do Pai.

Perante a insuficiência dos sacrifícios da Antiga Lei para alcançarem o nosso resgate, oferece-Se generosamente para fazer a Vontade do Pai, aceitando generosamente os desígnios eternos para nos salvar.

 

Hebreus 10, 4-10

Irmãos: 4É impossível que o sangue de touros e cabritos perdoe os pecados. 5Por isso, ao entrar no mundo, Cristo disse: «Não quiseste sacrifícios nem oblações, mas formaste-Me um corpo. 6Não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado. 7Então Eu disse: ‘Eis-Me aqui no livro sagrado está escrito a meu respeito: Eu venho, meu Deus, para fazer a tua vontade’». 8Primeiro disse: «Não quiseste sacrifícios nem oblações, não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado». E no entanto, eles são oferecidos segundo a Lei. 9Depois acrescenta: «Eis-Me aqui: Eu venho para fazer a tua vontade». Assim aboliu o primeiro culto para estabelecer o segundo. 10É em virtude dessa vontade que nós somos santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita de uma vez para sempre.

 

O autor de Hebreus está no final da primeira parte da obra, precisamente quando discorre sobre a superioridade do sacrifício de Cristo relativamente a todos os sacrifícios da Lei Antiga (8, 1 – 10, 18), sob o ponto de vista da eficácia, argumentando, à boa maneira rabínica, a partir dos Salmos 40 (39), 7-9 e 110 (109), 1. Perante a ineficácia dos sacrifícios da Antiga Lei, o próprio Deus decide vir à Terra, na pessoa do Filho para poder oferecer, da parte da humanidade (Cristo é perfeito homem), um sacrifício de eficácia infinita (Cristo é perfeito Deus), oferecido de uma vez para sempre (v. 10), e assim aboliu o primeiro culto, o levítico (v. 9). Recorde-se que o Sacrifício do Calvário é único pelo seu infinito valor, o Sacrifício da Missa não é outro sacrifício diferente, mas o mesmo sacrifício que se torna presente sacramentalmente a todos os tempos nos nossos altares, aplicando-nos os méritos da Cruz.

7 «Eis-me aqui». Palavras do Salmo 40 (39) que o autor inspirado aplica a Jesus, e que a Liturgia hoje põe no coração do Filho de Deus, ao incarnar no seio da Santíssima Virgem.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 1, 14ab

 

Monição: Deus veio ao nosso encontro e assumiu a pobre natureza humana para nos libertar da escravidão do pecado e da morte.

Aclamemos o Evangelho que proclama para nós esta loucura de amor de Deus por nós e manifestemos o desejo de colaborar com a magnanimidade do Altíssimo.

 

 

Cântico: J. Santos, NRMS 40

 

O Verbo fez–Se carne e habitou entre nós

e nós vimos a Sua glória.

 

 

Evangelho

 

Lucas 1, 26-38

Naquele tempo, 26o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. 27O nome da Virgem era Maria. 28Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». 29Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. 30Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David 33reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». 34Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». 35O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. 36E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril 37porque a Deus nada é impossível». 38Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor faça-se em mim segundo a tua palavra».

 

A cena da Anunciação, narrada com toda a simplicidade, tem uma singular densidade, pois encerra o mistério mais assombroso da História da Salvação, a Incarnação do Filho eterno de Deus. Assim, a surpresa do leitor transforma-se em encanto e deslumbramento. O próprio paralelismo dos relatos lucanos do nascimento de João e de Jesus, revestem-se dum contraste deveras significativo: à majestade do Templo e grandiosidade de Jerusalém contrapõe-se a singeleza duma casa numa desconhecida e menosprezada aldeia de Galileia; ao afã dum casal estéril por ter um filho, opõe-se a pureza duma virgem que renunciara à glória de ser mãe; à dúvida de Zacarias, a fé obediente de Maria!

26 «O Anjo Gabriel». O mesmo que anunciou a Zacarias o nascimento de João. Já era conhecido o seu nome no A.T. (Dan 8, 16-26; 9, 21-27). O seu nome significa «homem de Deus» ou também «força de Deus».

28 Coadunando-se com a transcendência da mensagem, a tripla saudação a Maria é absolutamente inaudita:

«Ave»: Vulgarizou-se esta tradução, correspondente a uma saudação comum (como ao nosso «bom dia»; cf. Mt 26, 49), mas que não parece ser a mais exacta, pois Lucas, para a saudação comum usa o semítico «paz a ti» (cf. Lc 10, 5); a melhor tradução é «alegra-te» – a tradução literal do imperativo do grego khaire –, de acordo com o contexto lucano de alegria e com a interpretação patrística grega, não faltando mesmo autores modernos que vêem na saudação uma alusão aos convites proféticos à alegria messiânica da «Filha de Sião» (Sof 3, 14; Jl 2, 21-23; Zac 9, 9).

Ó «cheia de graça»: Esta designação tem muita força expressiva, pois está em vez do nome próprio, por isso define o que Maria é na realidade. A expressão portuguesa traduz um particípio perfeito passivo que não tem tradução literal possível na nossa língua: designa Aquela que está cumulada de graça, de modo permanente; mais ainda, a forma passiva parece corresponder ao chamado passivo divino, o que evidencia a acção gratuita, amorosa, criadora e transformante de Deus em Maria, correspondendo a: «ó Tu a quem Deus cumulou dos seus favores». De facto, Maria é a criatura mais plenamente ornada de graça, em função do papel a que Deus A chama: Mãe do próprio Autor da Graça, Imaculada, concebida sem pecado original, doutro modo não seria, em toda a plenitude, a «cheia de graça», como o próprio texto original indica.

«O Senhor está contigo»: a expressão é muito mais rica do que parece à primeira vista; pelas ressonâncias bíblicas que encerra, Maria é posta à altura das grandes figuras do Antigo Testamento, como Jacob (Gn 28, 15), Moisés (Ex 3, 12) e Gedeão (Jz 6, 12), que não são apenas sujeitos passivos da protecção de Deus, mas recebem uma graça especial que os capacita para cumprirem a missão confiada por Ele.

Chamamos a atenção para o facto de na última edição litúrgica ter sido suprimido o inciso «Bendita és tu entre as mulheres», pois este não aparece nos melhores manuscritos e pensa-se que veio aqui parar por arrasto do v. 42 (saudação de Isabel). A Nova Vulgata, ao corrigir a Vulgata, passou a omiti-lo.

29 «Perturbou-se», ferida na sua humildade e recato, mas sobretudo experimentando o natural temor de quem sente a proximidade de Deus que vem para tomar posse da sua vida (a vocação divina). Esta reacção psicológica é diferente da do medo de Zacarias (cf. Lc 1, 12), pois é expressa por outro verbo grego; Maria não se fecha no refúgio dos seus medos, pois n’Ela não há qualquer espécie de considerações egoístas, deixando-nos o exemplo de abertura generosa às exigências de Deus, perguntando ao mensageiro divino apenas o que precisa de saber, sem exigir mais sinais e garantias como Zacarias (cf. Lc 1, 18).

32-33 «Encontraste graça diante de Deus»: «encontrar graça» é um semitismo para indicar o bom acolhimento da parte dum superior (cf. 1 Sam 1, 18), mas a expressão «encontrar graça diante de Deus» só se diz no A. T. de grandes figuras, como Noé (Gn 6, 8) e Moisés (Ex 33, 12.17). O que o Anjo anuncia é tão grandioso e expressivo, que põe em evidência a maternidade messiânica e divina de Maria (cf. 2 Sam 7, 8-16; Salm 2, 7; 88, 27; Is 9, 6; Jer 23, 5; Miq 4, 7; Dan 7, 14).

34 «Como será isto, se Eu não conheço homem?» Segundo a interpretação tradicional desde Santo Agostinho até aos nossos dias, tem-se observado que a pergunta de Maria careceria de sentido, se Ela não tivesse antes decidido firmemente guardar a virgindade perpétua, uma vez que já era noiva, com os desposórios ou esponsais (erusim) já celebrados (v. 27). Alguns entendem a pergunta como um artifício redaccional, e também o «não conheço» no sentido de «não devo conhecer», como compete à Mãe do Messias (cf. Is 7, 14). Pensamos que a forma do verbo, no presente, «não conheço», indica uma vontade permanente que abrange tanto o presente como o futuro. Também a segurança com que Maria aparece a falar faz supor que José já teria aceitado, pela sua parte, um matrimónio virginal, dando-se mutuamente os direitos de esposos, mas renunciando a consumar a união; nem todos os estudiosos, porém, assim pensam, como também se vê no recente e interessante filme Figlia del suo Figlio.

35 «O Espírito Santo virá sobre ti…». Este versículo é o cume do relato e a chave do mistério: o Espírito, a fonte da vida, «virá sobre ti», com a sua força criadora (cf. Gn 1, 2; Salm 104, 30) e santificadora (cf. Act 2, 3-4); «e sobre ti a força do Altíssimo estenderá a sua sombra» (a tradução litúrgica «cobrirá» seria de evitar por equívoca e pobre; é melhor a da Nova Bíblia da Difusora Bíblica): o verbo grego (ensombrar) é usado no A. T. para a nuvem que cobria a tenda da reunião, onde a glória de Deus estabelecia a sua morada (Ex 40, 34-36); aqui é a presença de Deus no ser que Maria vai gerar (pode ver-se nesta passagem um fundamento bíblico para o título de Maria, «Arca da Aliança»).

«O Santo que vai nascer…». O texto admite várias traduções legítimas; a litúrgica, afasta-se tanto da da Vulgata, como da da Nova Vulgata; uma tradução na linha da Vulgata parece-nos mais equilibrada e expressiva: «por isso também aquele que nascerá santo será chamado Filho de Deus». I. de la Potterie chega a ver aqui uma alusão ao parto virginal de Maria: «nascerá santo», isto é, não manchado de sangue, como num parto normal. «Será chamado» (entenda-se, «por Deus» – passivum divinum) «Filho de Deus», isto é, será realmente Filho de Deus, pois aquilo que Deus chama tem realidade objectiva (cf. Salm 2, 7).

38 «Eis a escrava do Senhor…». A palavra escolhida na tradução, «escrava» talvez queira sublinhar a entrega total de Maria ao plano divino. Maria diz o seu sim a Deus, chamando-se «serva do Senhor»; é a primeira e única vez que na história bíblica se aplica a uma mulher este sintagma, como que evocando toda uma história maravilhosa de outros «servos» chamados por Deus, que puseram a sua vida ao seu serviço: Abraão, Jacob, Moisés, David… É o terceiro nome com que Ela aparece neste relato: «Maria», o nome que lhe fora dado pelos homens, «cheia de graça», o nome dado por Deus, «serva do Senhor», o nome que Ela se dá a si mesma.

«Faça-se…». O «sim» de Maria é expresso com o verbo grego no modo optativo (génoito, quando o normal seria o uso do modo imperativo génesthô), o que põe em evidência a sua opção radical e definitiva, o seu vivo desejo (matizado de alegria) de ver realizado o desígnio de Deus (M. Orsatti).

Apraz-nos citar aqui as palavras de S. João Damasceno sobre Nª Senhora: «Ela é descanso para os que trabalham, consolação dos que choram, remédio para os doentes, porto de refúgio para as tempestades, perdão para os pecadores, doce alívio dos tristes, socorro dos que rezam».

 

Sugestões para a homilia

 

• A promessa de Deus

A Incarnação, sinal da bondade de Deus

O Messias, filho da sempre Virgem Maria

A vontade do Pai, caminho da Redenção

• Deus cumpre a promessa

Maria, Mãe de Jesus

Mãe virginal

Mãe do Filho de Deus

 

1. A promessa de Deus

a) A Incarnação, sinal da bondade de Deus. «Pede um sinal ao Senhor teu Deus, quer nas profundezas do abismo, quer lá em cima nas alturas».

Perante os muitos problemas que ameaçam o seu reino, Acaz está hesitante e já não ousa pedir o auxílio do Senhor. O profeta Isaías garante-lhe que não será o seu filho Tabel – que não pertence à linhagem de David – a ocupar o trono e anima-o a pedir ao Senhor um sinal de que proporá contra com a protecção do Alto.

Acaz desculpa-se com falsa piedade, dizendo que não quer pôr Deus à prova, mas a realidade é que já não crê, nem confia nem espera no Senhor.

Então Isaías avança com a promessa de um sinal de Deus: não só não acabará a Casa de David, mas uma virgem descendente deste rei conceberá e dará à luz um filho que ocupará o seu trono. A tradição interpretou sempre esta profecia como referente a Maria sempre Virgem.

Encontramo-nos muitas vezes também desanimados, pensando que não temos em quem nos apoiarmos. O mistério da Incarnação do verbo é o maior sinal de que Deus nos ama e podemos contra sempre com Ele.

Perante a atitude do rei Acaz e a resposta que vem do Alto, devemos perguntar. De que espécie é a nossa confiança? Desejamos a santidade de Deus, ou preferimos continuar uma vida tibia, sem entusiasmo por Deus?

 

b) O Messias, filho da sempre Virgem Maria.«o próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será ‘Emanuel’»

A virgindade perpétua de Maria insinuada neste texto — uma virgem conceberá e (uma virgem) dará à luz é o grande sinal da benevolência de Deus para com o Seu Povo.

Pela virgindade perpétua de Maria, O Senhor alcança a vitória sobre a concupiscência da carne. Vencerá depois a concupiscência dos olhos na lapa de Belém; e sobre a soberba da vida, pela humildade de uma criança indefesa. Deste modo abre ao homem o caminho da liberdade e da vitória sobre a tríplice concupiscência herdade do pecado original.

Trata-se de um sinal miraculoso. Esta concepção virginal – Maria será Mãe de Jesus sem o concurso de qualquer homem – não tem explicação humana.

Com a virgindade de Maria, o Senhor levantará uma nova bandeira nas hostes do povo de Deus. Em Israel a virgindade não era apreciada, praticamente, não existia. A fecundidade era considerada uma bênção de Deus – e a esterilidade uma maldição – e a expectativa de que qualquer podia ser a mãe do Messias ou, pelo menos, uma das suas antepassadas. Perante esta mentalidade não havia espaço para outro caminho.

Dá a impressão de que o Senhor gosta de escolher sempre o caminho mais difícil, aquele que parece impossível aos homens.

No seguimento do exemplo de Maria, uma multidão inumerável de virgens há-de encontrar o seu caminho na vida da Igreja.

 

c) A vontade do Pai, caminho da Redenção. «Então Eu disse: ‘Eis-Me aqui;[...]Euvenho, meu Deus, para fazer a tua vontade’».

O autor da Carta aos Hebreus desvenda-nos um mistério profundo: Não se trata apenas de que o verbo se faz Homem, na fidelidade e docilidade à vontade do Pai, mas este será também o caminho de todos nós. Não será preocupação do cristão descobrir quais as coisas boas que há-de fazer na vida, mas recolher-se e descobrir qual a vontade de Deus a seu respeito, para logo a pôr em prática.

Deus quer desfazer um equívoco perigoso para nós. Confundimos fazer coisas boas com a fazer a vontade de Deus. Ora, a verdade é que uma coisa usualmente considerada boa, quando impede o que Deus quer, torna-se moralmente má. (Rezar o Terço é bom. Mas se uma pessoa, em vez de ir à missa dominical, prefere ir para outro lugar rezar o Terço, desobedece ao Senhor).

Temos a preocupação de perguntar ao Senhor, nas encruzilhadas da vida, em momentos de hesitação, qual a Sua vontade a nosso respeito?

Pode ajudar-nos a viver em oração continua a renovação deste desejo em muitos momentos da nossa vida.

2. Deus cumpre a promessa

a) Maria, Mãe de Jesus. «O nome da Virgem era Maria.»

S. Lucas tem o cuidado de identificar perfeitamente Nossa Senhora. Não é uma figura lendária, mas uma pessoal que marcou presença na história dos homens. Diz-nos:

– Qual a terra em que vivia: Nazaré da província da Galileia.

– O nome do seu noivo com quem comprometeu a sua vida é José, da linhagem de David.

– O nome desta Mulher singular: Maria. Trata-se de uma transcrição em grego do Maryam, ou Miriam que em hebraico significa «contumácia» ou «rebelião»; a origem é incerta, mas pode ter sido originalmente um nome egípcio, provavelmente derivado de mry («amada») ou mr («amor»), no sentido de «senhora amada».

O Arcanjo saúda-A como «Cheia de graça», imaculada, talvez a sugerir que Ele foi criada Imaculada em atenção à escolha que Deus fizera dela para Mãe do Redentor.

Quando no Antigo Testamento, Deus chama alguém a uma nova missão muda-lhe o nome: Abraão, Isaac, Jacob; Jesus muda o nome de Simão por Pedro, quando o chama para assumir a chefia da Igreja. Maria é a cheia de graça, como nome próprio. Até à consumação dos tempos, as pessoas hão-de repetir esta saudação à Mãe de Deus, com todo o carinho.

 

b) Verdadeira Mãe virginal. «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. [...] Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus.»

Jesus, ao entrar no mundo, não passa por Ela como um estranho. Assumirá a carne da sua carne e sangue do seu sangue. Tudo quanto Jesus tem de humano, de Maria o recebeu.

Podemos dizer que Jesus é mais Filho de Maria do que qualquer outro ser humano o é de sua mãe. Com efeito, na origem de qualquer ser humano há um património materno e paterno; mas em Jesus, Maria tem a exclusividade da doação.

Fica bem clara a Conceição virginal de Maria. Ela desvenda-nos o mistério quando faz a pergunta ao Anjo, para saber com clareza o que Deus quer d’Ela: «Como será isto, se eu não conheço homem?». Este pergunta não se pode entender apenas com referência ao presente, mas com alcance futuro. Qualquer jovem poderia afirmar o mesmo quando manifesta a vontade de casar com o seu noivo.

Maria deixa claro que é seu propósito não conhecer nunca qualquer homem – neste caso, José.

Numa situação em que as duas propostas parecem irreconciliáveis – a virgindade e o casamento – a magnanimidade de Deus torna-as possíveis na maternidade de Maria. Somente Ela harmoniza em si a virgindade e a maternidade.

 

c) Mãe do Filho de Deus. «Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus.»

Jesus será – chamar-se, na linguagem bíblica é o mesmo que ser – «Filho do Altíssimo O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». O Arcanjo fala a Maria numa linguagem a que Ela está habituada, pois encontra-a nas páginas do Antigo Testamento.

Quando Isabel A saúda como «a Mãe do meu Senhor», Maria não a desmente, mas canta o Magnificat.

A gravidez de Isabel em idade que naturalmente já não tem explicação é o sinal oferecido por Deus a garantir a autenticidade da embaixada.

Nas embaixadas do Antigo Testamento, há sempre:

– Uma mensagem com um conteúdo concreto. Gedeão ouve dizer: «O Senhor está contigo!» 

– O chamamento a uma missão concreta: libertar o Povo de Deus da praga dos Madianitas.

– Um sinal a confirmar que é deus quem intervém: o velo de lã.

Em Maria há uma saudação, o chamamento a uma vocação concreta – Mãe de Jesus – e um sinal – a maternidade «fora de tempo» de Isabel.

Deus revela-lhe neste encontro o seu passado e o seu futuro. À luz desta mensagem todos os acontecimentos da sua vida ganham sentido. Começou a revolução do Amor lançada por Deus no mundo.

Sem o mistério da Anunciação não teríamos a Santíssima Eucaristia que estamos a celebrar, nem qualquer sacramento, sinal sensível da graça que produz. Continuaríamos a falar a um Deus distante, anónimo e quase incomunicável.

É, pois, com o coração imensamente agradecido – também a Nossa Senhora, pela sua admirável cooperação nos planos de Deus – que celebramos o mistério da Incarnação e nos propomos recordá-lo todos os dias ao rezar o Angelus.

 

Recita-se o Credo e ajoelha-se às palavras «e incarnou pelo Espírito Santo no seio de Maria Virgem e Se fez homem»...

 

Fala o Santo Padre

 

«A resposta de Maria ao Anjo prolonga-se na Igreja,

chamada a tornar presente Cristo na história.»

Celebra-se hoje, dia 25 de Março, a solenidade da Anunciação da Bem-Aventurada Virgem Maria. […] Gostaria agora de me deter sobre este maravilhoso mistério da fé, que contemplamos todos os dias na recitação do Angelus. A Anunciação, narrada no início do Evangelho de São Lucas, é um acontecimento humilde, escondido ninguém o viu, ninguém o conheceu, a não ser Maria mas ao mesmo tempo decisivo para a história da humanidade. Quando a Virgem pronunciou o seu «sim» ao anúncio do Anjo, Jesus foi concebido e com Ele iniciou a nova era da história, que teria sido depois sancionada na Páscoa como «nova e eterna Aliança». Na realidade, o «sim» de Maria é o reflexo perfeito daquele próprio Cristo quando entrou no mundo, como escreve a Carta aos Hebreus interpretando o Salmo 39: «Eis que venho como está escrito de Mim no Livro para fazer, ó Deus, a Tua vontade» (Hb 10, 7). A obediência do Filho reflecte-se na obediência da Mãe e assim, mediante o encontro destes dois «sins», Deus pôde assumir um rosto humano. Eis por que a Anunciação é também festa cristológica, porque celebra um mistério central de Cristo: a sua Encarnação.

«Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua Palavra». A resposta de Maria ao Anjo prolonga-se na Igreja, chamada a tornar presente Cristo na história, oferecendo a própria disponibilidade para que Deus possa continuar a visitar a humanidade com a sua misericórdia. O «sim» de Jesus e de Maria renova-se assim no «sim» dos santos, especialmente dos mártires, que são mortos por causa do Evangelho.

Neste tempo quaresmal contemplamos com mais frequência Nossa Senhora que no Calvário sela o «sim» pronunciado em Nazaré. Unida a Jesus, a Testemunha de amor do Pai, Maria viveu o martírio da alma. Invoquemos com confiança a sua intercessão, para que a Igreja, fiel à sua missão, dê ao mundo inteiro testemunho corajoso do amor de Deus.

 

Papa Bento XVI, Angelus, Domingo, 25 de Março de 2007

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Cheios de confiança na bondade do Senhor nosso Deus,

apresentemos-Lhe as nossas humildes petições,

com a certeza de que seremos por Ele atendidos,

antes, mais e melhor do que pedimos e esperamos.

Oremos (cantando):

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça!

 

1. Para que o Santo Padre, Bispos e Presbíteros

nos mostrem o rosto amoroso de Jesus Cristo,

pela doutrina e vida em todos os momentos,

oremos, irmãos.

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça!

 

2. Para que os homens de todo o mundo

respeitem a dignidade da pessoa humana,

sublimada pelo mistério da Incarnação,

oremos, irmãos.

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça!

 

3. Para que anunciemos a todos, com fidelidade,

a salvação em Cristo, único Redentor do homem,

que é necessário seguir com dócil fidelidade,

oremos, irmãos.

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça!

 

4. Para que todas as pessoas saibam que o Caminho

é fazer a vontade do Pai em cada momento da vida,

fugindo à escravidão das paixões desordenadas,

oremos, irmãos.

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça!

 

5. Para que os matrimónios que desejam ter filhos

recebam do Senhor esta bênção e dom de Deus,

como sendo a participação na paternidade divina,

oremos, irmãos.

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça!

 

6. Para que os familiares que já partiram para Deus

e precisam ser purificadas antes de entrar no Céu

vejam, quanto antes, abreviado o seu cativeiro,

oremos, irmãos.

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça!

 

Senhor que viestes ao encontro da nossa pobreza

pelo mistério da Vossa Incarnação humilde,

fazei-nos responder com generosidade ao Amor

que nos manifestais com esta entrega admirável,

para nos tornarmos dignos de receber o que prometeis.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Deus fez-Se Homem no seio imaculado de Maria para que se pudesse tornar nosso Alimento na Santíssima Eucaristia.

Recolhamo-nos, agradecidos, agora que, depois de nos iluminar com a Sua Palavra, vai transubstanciar a nossa oferta de pão e vinho – pelo ministério do sacerdote – no Sacramento do Altar.

 

Cântico do ofertório: Rainha da Graça, Az. Oliveira, NRMS 75

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, os dons da vossa Igreja, que reconhece a sua origem na Encarnação do vosso Filho e fazei-lhe sentir a alegria de celebrar nesta solenidade os mistérios do seu Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Prefácio

 

O mistério da Encarnação

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor. Pela Anunciação do mensageiro celeste, a Virgem Imaculada acolheu com fé a vossa Palavra e pela acção admirável do Espírito Santo trouxe em seu ventre com amor inefável o Primogénito da nova humanidade, que vinha cumprir as promessas feitas a Israel e revelar-Se ao mundo como a esperança de todos os povos.

Por isso com os Anjos, que adoram a vossa majestade e exulta eternamente na vossa presença, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

Santo, Santo, Santo...

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

Jesus faz a Sua entrada no mundo para instaurar a paz com Ele, connosco mesmos e com os nossos irmãos. A paz é um dom da Incarnação do Verbo.

Agradecidos por esta dádiva, e decididos a instaurar a paz entre nós,

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

O seio imaculado de Maria é o primeiro Sacrário do mundo que tornou Cristo presente entre nós.

Agora que nos preparamos para receber o Corpo e Sangue do Senhor, peçamos a graça de comungarmos com a fé, devoção e amor com que Ela o adorava dentro de si.

 

Cântico da Comunhão Louvemos o Senhor, Cantemos o Senhor, J. Santos, NRMS 81

Is 7,14

Antífona da comunhão: A Virgem conceberá e dará à luz um Filho e o seu nome será Emanuel, Deus connosco.

 

Cântico de acção de graças: O Senhor fez em mim maravilhas, Az. Oliveira, NRMS 45

 

Oração depois da comunhão: Confirmai em nós, Senhor, os mistérios da verdadeira fé, para que, tendo proclamado que Jesus Cristo, concebido da Virgem Maria, é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, cheguemos, pelo poder da sua ressurreição, às alegrias da vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Depois que a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade quis assumir a nossa natureza humana para nos salvar, a pessoa humana passou a ter uma dignidade infinita.

Nos caminhos da vida, saibamos reconhecer em cada homem – seja qual for o seu aspecto físico – uma imagem viva de Deus.

 

Cântico final: Ó Mãe da Igreja, F. da Silva, NRMS 101

 

Homilias Feriais

 

6ª Feira, 26-III:A vitória de Cristo sobre o demónio.

Jer 20, 10-13 / Jo 31-42

Mas o Senhor está comigo como herói poderoso e os meus perseguidores cairão vencidos.

Este herói poderoso é o próprio Cristo, que veio à terra para vencer o demónio. E, apesar disso, muitos continuam a querer condená-lo à morte (Ev.).

A nossa vida na terra é um grande combate. Podemos vencê-lo com a ajuda de Deus e o nosso esforço: «Foi pela oração que Jesus venceu o tentador desde o princípio e no último combate da sua agonia» (CIC, 2849). A vitória foi alcançada na Cruz: «A vitória foi alcançada… na hora em que Jesus livremente se entregou à morte para nos dar a sua vida» (CIC, 2853).

 

Sábado, 27-III: Meios para conseguir a unidade.

Ez 37, 21-28 / Jo 11, 45-56

Vou reuni-los de toda a parte… Farei deles um só povo… Farei com eles uma aliança de paz.

A unidade dos filhos de Deus será fruto da entrega de Jesus, de acordo com as afirmações de Caifás (Ev.) e do dom do Espírito Santo: «Deus promete a Abraão uma descendência. Essa descendência será o Cristo, no qual a efusão do Espírito Santo fará a unidade dos filhos dispersos (Ev.)» (CIC, 706).

Também a oração do Pai-nosso ajuda à unidade: «Rezar o Pai-nosso é orar com e por todos os homens que ainda não o conhecem, para que sejam reunidos na unidade (Ev.)» (CIC, 2793).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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