Quarta-Feira de Cinzas

17 de Fevereiro de 2010

 

 

Na Missa deste dia benzem-se e impõem-se as cinzas, feitas dos ramos de oliveira (ou de outras árvores), benzidos no Domingo de Ramos do ano anterior.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Acolhe Deus de bondade, F. da Silva, NRMS 13

cf. Sab 11, 24-25.27

Antífona de entrada: De todos Vos compadeceis, Senhor, e amais tudo quanto fizestes; perdoais aos pecadores arrependidos, porque sois o Senhor nosso Deus.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Com esta celebração da Quarta-feira de Cinzas entramos decididamente na Quaresma, a parte de preparação do Ciclo Pascal.

Ao fazê-lo, acolhemos generosamente o programa que a Igreja nos entrega para o realizarmos nesta caminhada que nos levará até à Páscoa da Ressurreição.

Na Quaresma – diz o Concílio Vaticano II – «Ponham-se em maior realce, tanto na Liturgia como na catequese litúrgica, os dois aspectos característicos do tempo quaresmal, que pretende, sobretudo através da recordação ou preparação do Baptismo e pela Penitência, preparar os fiéis, que devem ouvir com mais frequência a Palavra de Deus e dar-se à oração com mais insistência, para a celebração do mistério pascal.»

Abramos generosamente as portas do nosso coração, para que, desde o primeiro momento, o Senhor possa tomar posse da nossa vida.

 

Omite-se o acto penitencial, porque é substituído pela imposição das cinzas.

 

Oração colecta: Concedei-nos, Senhor, a graça de começar com santo jejum este tempo da Quaresma, para que, no combate contra o espírito do mal, sejamos fortalecidos com o auxílio da temperança. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Joel prepara o Povo de Deus para o «Dia do Senhor», chamando-o à conversão pessoal. O texto que vai ser proclamado é uma oração sacerdotal, implorando o perdão para o Povo de Israel.

Revistamo-nos dos sentimentos que manifesta e avancemos confiantes na misericórdia do Senhor.

 

Joel 2, 12-18

12Diz agora o Senhor: «Convertei-vos a Mim de todo o coração, com jejuns, lágrimas e lamentações. 13Rasgai o vosso coração e não os vossos vestidos. Convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e misericordioso, pronto a desistir dos castigos que promete. 14Quem sabe se Ele não vai reconsiderar e desistir deles, deixando atrás de Si uma bênção, para oferenda e libação ao Senhor, vosso Deus? 15Tocai a trombeta em Sião, ordenai um jejum, proclamai uma reunião sagrada. 16Reuni o povo, convocai a assembleia, congregai os anciãos, reuni os jovens e as crianças. Saia o esposo do seu aposento e a esposa do seu tálamo. 17Entre o vestíbulo e o altar, chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, dizendo: ‘Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo e não entregueis a vossa herança à ignomínia e ao escárnio das nações. Porque diriam entre os povos: Onde está o seu Deus?’». 18O Senhor encheu-Se de zelo pela sua terra e teve compaixão do seu povo.

 

Começa a Quaresma com um forte apelo à conversão e de esperança no perdão do Senhor, extraído do final da primeira parte do livro do profeta Joel (1, 2 – 2, 17). Num estilo solene e apocalíptico, fala de uma invasão de gafanhotos medonhos, mas sem ficar claro se fala em sentido próprio ou figurado. Se a obra é anterior ao exílio de Babilónia, aludiria a invasões de exércitos inimigos; se é posterior, tratar-se-ia de alguma praga agrícola. Joel não se detém a denunciar os pecados concretos do povo, como é costume dos grandes profetas. Diante da enorme calamidade apresentada como castigo divino, o profeta apela para uma sincera conversão, a começar pela dos sacerdotes (1, 13).

12-13 «Convertei-vos a Mm de todo o coração». Não é suficiente uma manifestação exterior de dor; rasgar as vestes (v. 13) era um típico gesto de grande dor ou indignação, entre os judeus; rasgavam violentamente a túnica exterior, do pescoço até à cintura (cf. Gn 37, 29; Mt 26, 65). O coração não significa, na linguagem bíblica, apenas a afectividade, mas toda a interioridade da pessoa, todas as suas virtualidades, a sua inteligência e a sua vontade. Deus também nos convida a nós, mais fortemente neste tempo da Quaresma, a voltarmo-nos para Ele de todo o coração, isto é, com todas as veras da nossa alma, e a rasgar o nosso coração, a dilacerá-lo pela contrição, que é essa profunda mágoa de ter ofendido ao Senhor, infinitamente bom. Mas esta dor não é dor angustiante e desesperada, porque é cheia de esperança no perdão, pois Ele é clemente e compassivo… rico de bondade.

«É clemente e compassivo, paciente e misericordioso». A Vulgata e a Neovulgata têm «benignus et misericors est, patiens et multæ misericordiæ». «Compassivo», isto é, dotado de piedade e ternura, de compreensão e disposição para perdoar: o termo hebraico «rahum» é derivado de «réhem» (ventre materno), o que sugere que Deus tem entranhas de mãe, sentimentos e coração de mãe para connosco. Assim, o seu amor não acaba quando nos portamos mal com Ele; então tem pena de nós, compreende e facilita a reconciliação. Por seu lado, a expressão «misericordioso» (à letra, «de muita misericórdia») deixa ver que a misericórdia do Senhor («hésed») não é uma bondade qualquer, é a bondade de Quem se mantém fiel a Si próprio (cf. Ez 36, 22); daqui a frequente hendíadis da S. E.: «amor e fidelidade» («hésed v-émet», um amor que é fidelidade). Este atributo divino tem na sua origem bíblica um matiz jurídico: a fidelidade de Deus à Aliança; uma fidelidade tal que, após o pecado, se mantém, embora já não dentro do mero âmbito legal dum pacto bilateral. Com efeito, mesmo quando o homem rompe a Aliança, Deus continua a manter-se fiel a Si próprio, ao seu amor gratuito, ao seu dom inicial (cf. Rom 11, 29). O amor de Deus é mais forte do que o nosso desamor, as nossas traições e pecados: «jamais algum pecado do mundo poderá superar este Amor» (João Paulo II em Fátima: 13.05.82; cf. Enc. Dives in misericordia).

14 «Vai reconsiderar». A expressão é um antropomorfismo com que se fala de Deus à maneira humana, mas de facto Deus não pode reconsiderar e mudar; se, em face da nossa penitência, Deus já não nos castiga e atende às nossas súplicas, a mudança apenas se dá em nós, não em Deus que, sempre tudo tem presente e tudo dispõe, contando com as nossas mudanças. O Profeta fala de Deus à maneira humana, ao dizer também que «Ele se encheu de zelo pela sua terra» (v. 18), em face do apelo feito ao brio do Senhor, numa súplica tão humilde como ousada da parte dos seus «ministros» (v. 17).

 

Salmo Responsorial    Sl 50 (51), 3-4.5-6a.12-13.14.17 (R. cf. 3a)

 

Monição: O Salmo 50 – o acto de contrição mais denso de toda a Sagrada Escritura – é uma súplica de purificação do pecado e de renovação do coração.

Depois do exame de consciência a que o profeta Joel nos convidou, rota espontaneamente do nosso coração esta oração contrita, marcando o rumo que desejamos seguir nesta Quaresma.

 

Refrão:        Pecámos, Senhor: tende compaixão de nós.

 

Ou:               Tende compaixão de nós, Senhor,

                     porque somos pecadores.

 

Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,

pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados.

Lavai-me de toda a iniquidade

e purificai-me de todas as faltas.

 

Porque eu reconheço os meus pecados

e tenho sempre diante de mim as minhas culpas.

Pequei contra Vós, só contra Vós,

e fiz o mal diante dos vossos olhos.

 

Criai em mim, ó Deus, um coração puro

e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.

Não queirais repelir-me da vossa presença

e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.

 

Dai-me de novo a alegria da vossa salvação

e sustentai-me com espírito generoso.

Abri, Senhor, os meus lábios

e a minha boca cantará o vosso louvor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Também S. Paulo, na segunda Carta aos fieis da Igreja de Corinto, nos dirige um insistente convite à conversão pessoal, depois de nos dizer que o convite não vem dele, mas de Deus: «Nós vo-lo pedimos por amor de Cristo: reconciliai-vos com Deus

Possa este convite ressoar aos nossos ouvidos durante estes quarenta dias da Quaresma que hoje começa.

 

2 Coríntios 5, 20 – 6, 2

20Irmãos: Nós somos embaixadores de Cristo; é Deus quem vos exorta por nosso intermédio. Nós vos pedimos em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus. 21A Cristo, que não conhecera o pecado, identificou-O Deus com o pecado por amor de nós, para que em Cristo nos tornássemos justiça de Deus. 6,1Como colaboradores de Deus, nós vos exortamos a que não recebais em vão a sua graça. 2Porque Ele diz: «No tempo favorável, Eu te ouvi; no dia da salvação, vim em teu auxílio». Este é o tempo favorável, este é o dia da salvação.

 

S. Paulo, ao fazer a sua defesa perante as acusações dos seus opositores em Corinto, exalta a grandeza do ministério apostólico de que está investido, um ministério de reconciliação com Deus alcançada pelo mistério da Morte e Ressurreição de Cristo (5, 14-15).

20 «Reconciliai-vos com Deus». É este o insistente convite que a Igreja nos faz em nome de Deus, a mesma exortação que fazia S. Paulo, consciente de que «é Deus quem vos exorta por nosso intermédio»; os Apóstolos, como os demais ministros de Cristo, são «embaixadores de Cristo», não apenas «ao seu serviço», mas actuando «em vez de Cristo e por autoridade de Cristo»; o próprio texto original grego parece dá-lo a entender com a preposição hyper (em favor de), usada com o sentido do antí (em vez de: cf. Jo 11, 50; Gal 3, 13; etc.).

21 «Deus identificou-o com o pecado» (à letra, Deus fê-lo pecado), uma expressão extraordinariamente forte e chocante. Note-se, no entanto, que não se diz que Deus O tenha feito pecador; o que se pretende significar é que Deus permitiu que Jesus viesse a sofrer o castigo que cabia ao pecado. Trata-se aqui duma identificação jurídica, não moral: Cristo tornando-Se a Cabeça e o Chefe duma raça pecadora, toma sobre os seus ombros a responsabilidade, não a de uns pecados alheios, mas a dos pecados da sua raça (a raça humana), a fim de os expiar, sofrendo a pena devida por eles (cf. Gal 3, 13). O texto torna-se menos duro, se entendemos que Cristo se fez pecado, no sentido de que se fez sacrifício pelo pecado; isto, que pode parecer uma escapatória para evitar a dificuldade de interpretação, tem um certo fundamento no substrato hebraico, pois a palavra ’axam tem este duplo sentido de «violação da justiça» e de «sacrifício de reparação pelo pecado»; com efeito, pelo sacrifício de Cristo tornamo-nos «justiça de Deus», isto é, justos diante de Deus (note-se o jogo com os dois substantivos abstractos – pecado/justiça –, num evidente paralelismo antitético, tão do gosto paulino).

6, 2 «Este é o tempo favorável». S. Paulo cita aqui Isaías 49, 8, onde se classifica assim o momento em que aprouve à misericórdia divina libertar os israelitas do cativeiro. O Apóstolo diz que «agora» é que é o tempo realmente favorável, o tempo em que Jesus Cristo nos redimiu do cativeiro do pecado (cf. Gal 4, 4-5). A expressão paulina é ainda mais expressiva e rica do que a da versão grega de Isaías (LXX): agora é que é o momento singularmente oportuno, em que apraz à misericórdia divina operar a nossa salvação. Não há dúvida que a Liturgia pretende fazer uma acomodação deste texto ao tempo santo da Quaresma.

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Sl 94, 8ab

 

Monição: Toda a vida do cristão é tempo favorável para se converter, mas este da Quaresma é-o especialmente, pelas graças que nos são concedidas.

Manifestemos a nossa generosidade, aclamando o Evangelho que nos ensina este caminho de conversão pessoal.

 

 

Cântico: M. Simões, NRMS 1 (I)

 

Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,

não fecheis os vossos corações.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 6, 1-6.16-18

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1«Tende cuidado em não praticar as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Aliás, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está nos Céus. 2Assim, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 3Quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita, 4para que a tua esmola fique em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. 5Quando rezardes, não sejais como os hipócritas, porque eles gostam de orar de pé, nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 6Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. 16Quando jejuardes, não tomeis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto, para mostrarem aos homens que jejuam. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 17Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, 18para que os homens não percebam que jejuas, mas apenas o teu Pai, que está presente em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa».

 

Os versículos da leitura são tirados do Sermão da Montanha de S. Mateus; por focarem práticas tipicamente judaicas, estes não têm paralelos nos outros evangelistas, que se dirigem a cristãos na sua maioria vindos dos gentios.

1 «As vossas boas obras» letra, a vossa justiça), isto é, os actos tradicionais da boa piedade judaica, a esmola, a oração e o jejum. Jesus de modo algum os suprime ou diminui o seu valor, pelo facto de serem actos de piedade pessoal individual, mas exige que todos estes actos se façam sempre com rectidão de intenção, isto é, com uma sincera piedade, com o fim de agradar a Deus, e não por ostentação, ou para se receber o aplauso humano.

6 «Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto». Segundo estas palavras de Jesus, desde crianças, fomos ensinados a rezar não apenas comunitariamente, mas também, a sós: «no teu quarto». O Senhor ensina aqui a necessidade da oração individual (o que não quer dizer individualista). Deus chama os homens à salvação, fazendo-os entrar dentro do Povo de Deus, a sua Igreja, mas chama-os um a um (nominatim: Jo 10, 3); daqui que são imprescindíveis tanto a oração púbica, que manifesta o carácter de família e povo que somos em Cristo, como a oração a sós, que manifesta a resposta pessoal e intransferível de cada um de nós ao seu Pai celeste. Por sua vez, Jesus não se limitou a pregar a necessidade da oração individual, pois Ele próprio deu este mesmo exemplo (cf. Mt 14, 23; Mc 1, 35; Lc 5, 16; 6, 12; 9, 18; 11, 1.28-29), que foi seguido pelos Apóstolos (cf. Act 10, 9-16). Também a experiência pessoal de todos os santos e dos que tomam a sério a fé cristã nos diz que é imprescindível este tipo de oração, que consiste em se recolher para, a sós, falar com Deus, frequentemente. A esta oração recolhida e íntima nos convida hoje o Senhor e a Liturgia nesta Quaresma, que agora começa.

 

Sugestões para a homilia

 

• O caminho do regresso ao Pai

Um convite do Senhor

Mudar de vida

Cheios de confiança

• Os meios que o Senhor nos propõe

Dar esmola

Fazer oração

Jejuar

1. O caminho do regresso ao Pai

A aproximação do Dia do Senhor – uma intervenção especial de Deus na salvação do Seu Povo – exige uma purificação da vida, para aparecer na presença d’Ele. Joel profetiza com esta finalidade.

 

a) Um convite do Senhor. «Voltai para mim de todo o coração, com jejuns, lágrimas e lamentações

A vida presente deve ser um caminhar da terra ao Céu, da vida presente à eternidade feliz. Deus espera-nos, caminha à nossa frente, para nos estimular, à semelhança da mãe que estende os braços ao filho de poucos anos que tenta dar os primeiros passos.

E quando ele tropeça, a mãe corre a levantá-lo e a limpá-lo das manchas contraídas. É, na verdade, fazer-se confiança, sem infantilidades, para caminhar ao encontro do Senhor.

O convite do Senhor à conversão pessoal chega com insistência particular ao nosso coração nesta Quaresma que está a começar. Vem pela Sua Palavra e pela recordação de quanto sofreu Jesus Cristo para nos salvar.

Para melhor ouvirmos este convite, pode dar-nos uma boa ajuda o exercício da Via Sacra, ao menos em cada sexta-feira.

Não sufoquemos a voz de Deus na consciência, tentando convencer-nos de que não temos pecados nem defeitos e que, por isso mesmo, não precisamos de conversão.

 

b) Mudar de vida. «Rasgai o vosso coração e não as vossas vestes

Ao falar da mudança de vida, a primeira pergunta normal será: mudar? Em quê?

Só Deus pode dar a resposta certa cada um de nós em seu coração. Ela depende do ponto do caminho em que nos encontramos.

• Para alguns, significará passar da morte à vida, do pecado á vida da graça de Deus. O endurecimento da consciência poderia levar-nos a viver numa falsa paz, mesmo numa vida de pecado. Há demasiadas pessoas a proclamar que têm a consciência tranquila.

• Para outros será o romper com a tibieza, com a rotina de morte que nos ata aos defeitos e nos retém desconsolados e tristes, sem gosto na oração e sem alegria de viver.

Uma pessoa que está prisioneira da tibieza não tem a esperança cristã. Não tem desejos de mais e sente-se contente com a sua mediocridade.

• Para todos, a luta contra um defeito concreto. Talvez já o tenhamos combatido noutros tempos e nos encontremos convencidos de que não somos capazes de o eliminar.

Digamos como os Apóstolos, depois de uma noite em que não pescaram nada: «sobre a Tua palavra lançarei as redes.» (Lc 5, 59).

Brote dos nossos lábios o grito de esperança do filho pródigo: «levantar-me-ei e irei ter com o meu Pai.» (Lc 15, 18).

 

c) Cheios de confiança. «E o Senhor encheu-Se de brios pela Sua terra e perdoou ao Seu Povo

É o Senhor quem faz nascer dentro de nós o desejo de mudança, de melhorar a nossa vida de relação com Ele. Fá-lo porque está disposto a ajudar-nos, ao menor sinal de boa vontade que Lhe manifestemos.

Esta confiança filial há-de levar-nos a estar alegres e a encarar a nossa luta ascética com optimismo. Ela há-de levar-nos também a usar os meios que o Senhor põe ao nosso alcance:

O acolhimento à Palavra de Deus. Ela é sempre actual e dá-nos as respostas às dificuldades de cada momento.

A oração confiante que se fundamenta na certeza de que Ele nos ama. Façamos passar a vida pessoal pela oração e receberemos novas luzes no caminho.

A participação na Santa Missa, na medida em que permitir a nossa disponibilidade.

A recepção dos Sacramentos, especialmente a Penitência e Reconciliação e a Eucaristia.

Tal como os Apóstolos, quando o Senhor lhes pergunta se podem beber o cálice que Ele mesmo há-de beber, respondemos: «Podemos!» (Mt 20, 22).

2. Os meios que o Senhor nos propõe

Os meios que O Senhor nos propõe para viver generosamente esta Quaresma são os mesmos de sempre.

 

a) Dar esmola. «sempre que deres esmola, não saiba a tua esquerda o que fez a tua direita [...].»

Dar esmola é, antes de mais, um acto de desprendimento que tem origem, não nas carências que encontramos, mas na necessidade que temos de viver o desprendimento. Não é o sentimento que nos guia, mas a fé. Exprimimos, com o gesto de dar, a partilha e comunhão com os outros.

É mais valoriza por Deus quando nos custa e nos parece que damos o que nos faz falta. A viúva de Sarepta ofereceu ao profeta o último punhado de farinha de que dispunha para si e para o seu filho; a viúva do templo lançou no cofre as duas únicas moedas que possuía; Madre Teresa de Calcutá ofereceu na rua as últimas moedas que levava para se sustentar.

O Senhor alerta-nos contra a ostentação deste gesto. Como se trata de uma coisa que os homens louvam, correspondemos o perigo de procurar desordenadamente o seu olhar de aprovação e de louvor.

Há muitas e diversificadas espécies de esmola, para alem da oferta de dinheiro ou de bens que ele pode comprar. Alguns exemplos:

• Dar generosamente o tempo para escutar alguém que precisa urgentemente de ser ouvido; visitar um doente ou idoso e atendê-lo com carinho e alegria.

• Oferecer apoio à catequese e a outras obras paroquiais de apostolado, sem lamentações nem queixas.

• Entregar-se generosamente a alguma forma de voluntariado junto dos que precisam dele.

Dar é um meio eficaz para combater o egoísmo, doença que nos leva a pensar só em nós e nas nossas comodidades.

 

b) Fazer oração. «tu, quando rezares, entra no teu quarto, e depois de fechares a porta, reza a teu Pai[...].»

Orar é travar um diálogo íntimo com o Senhor que nos levará à comunhão de afectos e vontade com Ele.

No nosso caso, talvez o mais importante não seja rezar mais coisas, mas rezar melhor o que já costumávamos fazer.

É preciso, sobretudo evitar a oração do fariseu no Templo, orgulhosamente satisfeito com a sua virtude; enquanto o publicano, lá ao fundo, junto à entrada, rezava: «Senhor, em misericórdia de mim, que sou um homem pecador

Como nos recomenda Jesus, é preciso procurar, na medida do possível, um lugar recolhido e fazer esforço para estar concentrado.

O Senhor não distingue entre a oração vocal e a mental. Mas todos compreendemos que, numa ou noutra modalidade, é indispensável que se trave um diálogo com o Senhor. 

Dialogar é abrir o coração e deixar que chegue até ao coração daquele com quem dialogamos o que enche a nossa alma. Por isso, é falar e ouvir.

É possível que tenhamos já um programa de oração individual e em família. Trata-se de o rever cuidadosamente para o melhor, sobretudo na qualidade.

 

c) Jejuar. «quando jejuares, deita perfume sobre a cabeça e lava o rosto[...].»

O jejum é uma forma de penitência, porque vai contra a nossa inclinação para o prazer dos sentidos, especialmente na comida e na bebida.

As pessoas que ficam assustadas e escandalizadas ao ouvir falar em jejum e noutra formas de penitência acabam por assumir mortificações maiores, por motivo de desporto, de saúde, ou simplesmente de elegância.

Além desta mortificação na comida e bebida, há outras formas, a descobrir e concretizar num plano pessoal:

• Jejum dos programas da televisão, alguns dos quais nos afastam de Deus, banalizam a nossa vida ou, pelo menos, nos fazem perder tempo.

• Jejuar nas conversas de murmuração, ou de curiosidade doentia que nos deixam vazios e desiludidos.

• Jejum no tabaco e noutros caprichos: Está em jogo a nossa saúde e a dos que vivem connosco e a economia, neste tempo de carências.

• Jejuar no uso do carro e de outras coisas que estão postas ao nosso serviço para nos facilitar a vida, quando não forem estritamente necessárias.

O Senhor dá-nos o exemplo de abraçar a cruz da vida com generosidade, ao renovar o Sacrifício da Cruz no qual Se entrega por nós, na Celebração da Eucaristia.

Com Maria, nossa Mãe, viveremos a melhor Quaresma de sempre.

 

Fala o Santo Padre

 

«O jejum, brota da exigência que o homem tem de uma purificação interior

que o desintoxique da poluição do pecado e do mal.»

Com a procissão penitencial entrámos no clima austero da Quaresma e introduzindo-nos na Celebração eucarística rezámos há pouco para que o Senhor ajude o povo cristão a «iniciar um caminho de verdadeira conversão para enfrentar vitoriosamente com as armas da penitência o combate contra o espírito do mal» (Oração da Colecta). […]

A hodierna liturgia e os gestos que a distinguem formam um conjunto que antecipa de modo sintético a própria fisionomia de todo o período quaresmal. Na sua tradição, a Igreja não se limita a oferecer-nos a temática litúrgica e espiritual do itinerário quaresmal, mas indica-nos também os instrumentos ascéticos e práticos para o percorrer frutuosamente.

«Convertei-vos a mim de todo o vosso coração com jejuns, com lágrimas, com gemidos». Com estas palavras inicia a Primeira Leitura, tirada do livro do profeta Joel (2, 12). Os sofrimentos, as calamidades que afligiam naquele tempo a terra de Judá estimulam o autor sagrado a encorajar o povo eleito à conversão, isto é, a voltar com confiança filial ao Senhor dilacerando o seu coração e não as vestes. […]

Não hesitemos em reencontrar a amizade de Deus perdida com o pecado; encontrando o Senhor experimentamos a alegria do seu perdão. E assim, quase respondendo às palavras do profeta, fizemos nossa a invocação do refrão do Salmo responsorial: «Perdoai-nos Senhor, porque pecámos». Proclamando o Salmo 50, o grande Salmo penitencial, apelámo-nos à misericórdia divina; pedimos ao Senhor que o poder do seu amor nos volte a dar a alegria de sermos salvos.

Com este espírito, iniciamos o tempo favorável da Quaresma, como nos recordou São Paulo na Segunda Leitura, para nos deixarmos reconciliar com Deus em Cristo Jesus. O Apóstolo apresenta-se como embaixador de Cristo e mostra claramente como precisamente através d'Ele, seja oferecida ao pecador, isto é a cada um de nós, a possibilidade de uma reconciliação autêntica.

«Aquele que não havia conhecido o pecado, diz ele, Deus o fez pecado por nós, para que nos tornássemos, nele, justiça de Deus» (2 Cor 5, 21). Só Cristo pode transformar qualquer situação de pecado em novidade de graça. Eis por que assume um forte impacto espiritual a exortação que Paulo dirige aos cristãos de Corinto: «Em nome de Cristo suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus»; e ainda: «Este é o tempo favorável, é este o dia da salvação» (5, 20; 6, 2). […] E este dia é agora, como ouvimos no Canto ao Evangelho: «Hoje não endureçais os vossos corações, mas ouvi a voz do Senhor». O apelo à conversão, à penitência ressoa hoje com toda a sua força, para que o seu eco nos acompanhe em cada momento da vida.

A liturgia da Quarta-Feira de Cinzas indica assim na conversão do coração a Deus a dimensão fundamental do tempo quaresmal. Esta é a chamada muito sugestiva que nos vem do tradicional rito da imposição das cinzas, que daqui a pouco renovaremos. Rito que assume um dúplice significado: o primeiro relativo à mudança interior, à conversão e à penitência, enquanto o segundo recorda a precariedade da condição humana, como é fácil compreender das duas fórmulas diversas que acompanham o gesto. […]

Amados irmãos e irmãs, temos quarenta dias para aprofundar esta extraordinária experiência ascética e espiritual. No Evangelho que foi proclamado, Jesus indica quais são os instrumentos úteis para realizar a autêntica renovação interior e comunitária: as obras de caridade (a esmola), a oração e a penitência (o jejum). São as três práticas fundamentais queridas também à tradição hebraica, porque contribuem para purificar o homem aos olhos de Deus (cf. Mt 6, 1-6.16-18).

Estes gestos exteriores, que devem ser realizados para agradar a Deus e não para obter a aprovação e o consenso dos homens, são por Ele aceites se expressam a determinação do coração a servi-l'O, com simplicidade e generosidade. Recorda-nos isto também um dos Prefácios quaresmais onde, em relação ao jejum, lemos esta singular expressão: «ieiunio... mentem elevas: com o jejum elevas o espírito» (Prefácio IV).

O jejum, ao qual a Igreja nos convida neste tempo forte, certamente não nasce de motivações de ordem física ou estética, mas brota da exigência que o homem tem de uma purificação interior que o desintoxique da poluição do pecado e do mal; que o eduque para aquelas renúncias saudáveis que libertam o crente da escravidão do próprio eu; que o torne mais atento e disponível à escuta de Deus e ao serviço dos irmãos. Por esta razão o jejum e as outras práticas quaresmais são consideradas pela tradição cristã «armas» espirituais para combater o mal, as paixões negativas e os vícios. […]

 

Papa Bento XVI, Basílica de Santa Sabina no Aventino, Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2007

 

Bênção das cinzas

 

A cinzas impostas aos fieis na primeira quarta da Quaresma, quarenta dias antes da Páscoa, são obtidas dos ramos benzidos e levados processionalmente no Domingo de Ramos e da paixão do Senhor, no ano precedente.

É uma cerimónia altamente sugestiva:

• Queimamos o que é inútil e talvez nocivo, transformando-o em adubo precisos para as nossas terras.

• Queimar exige um acto de desprendimento em relação a algumas coisas a que estávamos apegados.

• Quando as impomos na fronte, lembramos a nossa situação passageira nesta vida caducidade de todas as coisas que usamos.

As cinzas simbolizam dor, morte e penitência.

Talvez, por isso, encontramos a imposição das cinzas muito difundida no Antigo Testamento, onde a Liturgia foi inspirar-se.

No livro de Ester, Mardoqueu se veste de saco e se cobre de cinzas quando soube do decreto do Rei Assuero I da Pérsia que condenou à morte todos os judeus de seu império. (Est 4,1).

Job mostrou seu arrependimento vestindo-se de saco e cobrindo-se de cinzas (Job 42,6).

Daniel, ao profetizar a captura de Jerusalém pela Babilónia, escreveu: «Volvi-me para o Senhor Deus a fim de dirigir-lhe uma oração de súplica, jejuando e me impondo o cilício e a cinza.» (Dn 9,3).

No século V antes de Cristo, logo depois da pregação de Jonas, o povo de Nínive proclamou um jejum a todos e se vestiram de saco, inclusive o Rei, que além de tudo levantou-se de seu trono e sentou sobre cinzas (Jn 3, 5-6). Estes exemplos retirados do Antigo Testamento demonstram a prática estabelecida de utilizar-se cinzas como símbolo (algo que todos compreendiam) de arrependimento.

Também Jesus fez referência ao uso das cinzas. A respeito daqueles povos que recusavam-se a se arrepender de seus pecados, apesar de terem visto os milagres e escutado a Boa Nova, Nosso Senhor proferiu: «Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas se teriam arrependido sob o cilício e as cinzas.» (Mt 11,21)

A Igreja, desde os primeiros tempos, continuou a prática do uso das cinzas com o mesmo simbolismo.

Sabe-se que num determinado momento existiu uma prática que consistia no sacerdote impor as cinzas em todos aqueles que deviam fazer penitência pública. As cinzas eram colocadas quando o penitente saía do Confessionário.

Já no período medieval, por volta do século VIII, aquelas pessoas que estavam para morrer eram deitadas no chão sobre um tecido de saco coberto de cinzas. O sacerdote benzia o moribundo com água benta dizendo-lhe: «Recorda-te que és pó e em pó te converterás». Depois de aspergir o moribundo com a água benta, o sacerdote perguntava: «Estás de acordo com o tecido de saco e as cinzas como testemunho de tua penitência diante do Senhor no dia do Juízo?» O moribundo então respondia: «Sim, estou de acordo».

Com o passar dos tempos o uso das cinzas foi adotado como sinal do início do tempo da Quaresma.

O sacerdote abençoa as cinzas e as impõe na fronte de cada fiel traçando com essas o Sinal da Cruz. Logo em seguida diz: «Recorda-te que és pó e em pó te converterás» ou então «Arrepende-te e crede no Evangelho».

 

 

Depois da homilia, o sacerdote, de pé, diz com as mãos juntas:

 

Irmãos caríssimos: Oremos fervorosamente a Deus nosso Pai, para que Se digne abençoar com a abundância da sua graça estas cinzas que vamos impor sobre as nossas cabeças, em sinal de penitência.

 

E depois de alguns momentos de oração em silêncio, diz uma das orações seguintes:

 

Senhor nosso Deus, que Vos compadeceis daquele que se humilha e perdoais àquele que se arrepende, ouvi misericordiosamente as nossas preces e derramai a vossa bênção sobre os vossos servos que vão receber estas cinzas, para que, fiéis à observância quaresmal, mereçam chegar, de coração purificado, à celebração do mistério pascal do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ou

 

Deus de infinita bondade, que não desejais a morte do pecador mas a sua conversão, ouvi misericordiosamente as nossas súplicas e dignai-Vos abençoar estas cinzas que vamos impor sobre as nossas cabeças, para que, reconhecendo que somos pó da terra e à terra havemos de voltar, alcancemos, pelo fervor da observância quaresmal, o perdão dos pecados e uma vida nova à imagem do vosso Filho ressuscitado, Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

O sacerdote asperge as cinzas com água benta, sem dizer nada.

 

Imposição das cinzas

 

Em seguida, o sacerdote impõe as cinzas a todos os presentes que se aproximam dele, dizendo a cada um:

 

Mc 1, 15

Arrependei-vos e acreditai no Evangelho.

 

Ou

cf. Gen 3, 19

Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás-de voltar.

 

Entretanto, canta-se um cântico apropriado, por exemplo:

 

cf. Joel 2, 13

Antífona: Mudemos as nossas vestes pela cinza e o cilício. Jejuemos e choremos diante do Senhor, porque Deus é infinitamente misericordioso e perdoa os nossos pecados.

 

ou

cf. Joel 2, 17; Est 13, 17

Entre o vestíbulo e o altar, chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, dizendo: Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo, para que possa cantar sempre os vossos louvores.

 

ou

Salmo 50, 3

Lavai-me de toda a iniquidade, Senhor.

 

Pode repetir-se esta antífona depois de cada versículo ou estrofe do salmo 50. Compadecei-Vos de mim, ó Deus.

 

Responsório

cf. Bar 3, 2; Salmo 78, 9

V.  Renovemos a nossa vida,

reparemos o mal que fizemos,

para que não nos surpreenda o dia da morte

e nos falte o tempo para nos convertermos.

R.  Ouvi-nos, Senhor, e tende compaixão de nós,

porque somos pecadores.

 

V.  Ajudai-nos, Senhor, para glória do vosso nome;

perdoai as nossas culpas e salvai-nos.

R.  Ouvi-nos, Senhor, e tende compaixão de nós,

porque somos pecadores.

 

Terminada a imposição das cinzas, o sacerdote lava as mãos. O rito conclui-se com a oração universal ou oração dos fiéis. Não se diz o Credo.

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Ao convidarmos a seguir esta caminhada quaresmal,

a Senhor enche-nos de graças para que a sigamos

com generosidade, amor e contrição verdadeira.

Imploremos do Seu Coração misericordioso esta ajuda,

rezando, com fé, por nós e pelos fieis de todo o mundo.

Oremos (cantando):

 

    Acolhei, Senhor, a nossa oração penitente!

 

1.  Pelo Santo Padre – o doce Cristo na terra – , com o Colégio Episcopal,

para que nos conduza, com a  boa doutrina, nesta caminhada até à Páscoa,

oremos, irmãos.

 

    Acolhei, Senhor, a nossa oração penitente!

 

2. Pelos que sentem dificuldade em reconhecer os seus pecados e converter-se,

para que o Senhor os encha de humildade e desejos de verdadeira conversão,

oremos, irmãos.

 

    Acolhei, Senhor, a nossa oração penitente!

 

3. Pelos que vivem agora na terra a sua última Quaresma, antes da eternidade,

para que aproveitem generosamente este tempo de graça e de misericórdia,

oremos, irmãos.

 

    Acolhei, Senhor, a nossa oração penitente!

 

4. Pelos Pastores que o Senhor colocou à frente do rebanho que somos todos nós,

para que nesta Quaresma se dediquem generosamente ao ministério do perdão,

oremos, irmãos.

 

    Acolhei, Senhor, a nossa oração penitente!

 

5. Por todos nós, presentes nesta primeira celebração da Quaresma de esperança,

para que acolhamos com generosidade e levemos à vida a mensagem do Senhor,

oremos, irmãos.

 

    Acolhei, Senhor, a nossa oração penitente!

 

6. Por todos os nossos irmãos que o Senhor já chamou a viver a Páscoa eterna,

para que, abreviada a sua purificação, e os conduza à glória eterna do Céu,

oremos, irmãos.

 

    Acolhei, Senhor, a nossa oração penitente!

 

Senhor, que sempre estais atento às nossas súplicas:

atendei-nos benignamente neste início da Quaresma,

para que possamos chegar à Páscoa da Ressurreição

e, por ela, à Páscoa do Céu que jamais tem ocaso.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

A penitência significa no nosso esforço para corresponder ao apelo que o Senhor nos dirige na Mães da Palavra.

A Santíssima Eucaristia consagrada sobre o altar, pelo ministério do sacerdote, é a ajuda que o Senhor nos dá, para perseverarmos.

Avivemos a nossa fé e participemos na Liturgia Eucarística com profunda devoção e amor.

 

Cântico do ofertório: Perdoa ao teu povo, Az. Oliveira, NRMS 105

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, este sacrifício, com o qual iniciamos solenemente a Quaresma, e fazei que, pela penitência e pela caridade, nos afastemos do caminho do mal, a fim de que, livres de todo o pecado, nos preparemos para celebrar fervorosamente a paixão de Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio da Quaresma III p. 463 ou IV p. 464 [598-710]

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

A generosidade com que procuramos construir a paz entre nós é, talvez, o aspecto mais difícil da nossa conversão quaresmal.

Há frequentemente no nosso coração marcas dolorosas que nos tornam difícil viver a caridade

Digamos ao Senhor, desde o primeiro dia da Quaresma, que desejamos ardentemente construir a paz.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Sem o Alimento da Comunhão sacramental não poderíamos dar frutos de conversão nesta Quaresma.

Que a nossa comunhão não se limite a um gesto sentimental, mas nos leve a compromisso com o Senhor de luta pela conversão verdadeira.

 

Cântico da Comunhão: Lembra-te de mim, Senhor, F. Silva, NRMS 69

Salmo 1, 2-3

Antífona da comunhão: Aquele que medita dia e noite na lei do Senhor dará fruto a seu tempo.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, fazei que este sacramento nos leve a praticar o verdadeiro jejum que seja agradável a vossos olhos e sirva de remédio aos nossos males. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Levemos esta mensagem de penitência – de mudança de vida – por todos os caminhos da terra que vamos percorrer durante esta Quaresma.

Ajudemos os nossos irmãos a dispor a sua vida de harmonia com a vontade do Senhor em cada momento.

 

Cântico final: Vós me salvaste, Senhor, M. Simões, NRMS 16

 

A bênção e imposição das cinzas pode fazer-se também fora da Missa. Nesse caso, convém que preceda uma liturgia da palavra, utilizando a antífona de entrada, a oração colecta, as leituras e seus cânticos, como na Missa. Depois da homilia, procede-se à bênção e imposição das cinzas. O rito conclui com a oração universal.

 

 

Homilias Feriais

 

QUARESMA

 

5ª Feira de Cinzas, 18-II: A descoberta dos caminhos da vida.

Deut 30, 15-20 / Lc 9, 22-25

Pois quem salvar a própria vida há-de perdê-la, mas quem perder a vida por minha causa há-de salvá-la.

Temos diante de nós dois caminhos: um que leva à vida e outro que leva à perdição (Leit e Ev.). A Quaresma é uma boa oportunidade para a nossa conversão, que fará com que os nossos corações se voltem para os caminhos do Senhor.

‘Quem quiser salvar a vida, há-de perdê-la’: «É uma rotura com o pecado, uma aversão ao mal, com repugnância pelas más acções que cometemos» (CIC, 1431). ‘Quem perder a vida há-de salvá-la’: «implica o desejo e o propósito de mudar de vida, com a esperança da misericórdia divina e a confiança na ajuda da sua graça» (ibidem).

 

6ª Feira de Cinzas, 19-II: O jejum que agrada a Deus.

Is 58, 1-9 / Mt 9, 14-15

De que nos serve jejuar, Senhor, se vós não o vedes, e fazer penitência, se vós não quereis saber?

O nosso jejum pode revestir-se de muitas formas (Ev.). «A Escritura e os Padres insistem sobretudo em três formas: o jejum, a oração e a esmola, que exprimem a conversão, em relação a si mesmo, a Deus e aos outros» (CIC, 1434).

Para que a penitência seja autêntica deve ser acompanhada de caridade: «As obras de misericórdia são as acções caridosas pelas quais vamos em ajuda do nosso próximo, das suas necessidades corporais e espirituais (Leit.)» (CIC, 2447).

 

Sábado de Cinzas, 20-II: A cura das feridas da alma.

Is 58, 9-14 / Lc 5, 27-32

Hão-de chamar-te ‘reparador de brechas’, ‘restaurador dos caminhos para as áreas habitadas’.

«Jesus afirmou: ’Eu não vim chamar os justos, vim chamar os pecadores, para que se arrependam’ (Ev.). E foi mais longe, afirmando diante dos fariseus que, sendo o pecado universal, se negam a si próprios aqueles que pretendem não precisar de salvação» (CIC, 588).

Façamos um exame sobre os seguintes pontos (Leit.): O cuidado pelo dia do Senhor, recuperando o seu significado profundo, organizando a vida pessoal e da família. E uma melhor vivência da caridade: atenção aos problemas do próximo, etc.

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 

 


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