RECORTE

 

 

A CONVERSÃO DE TONY BLAIR

 

 

L’Osservatore Romano (ed. port., 26-IX-09) publicou uma entrevista de Giulia Galeotti a Tony Blair, primeiro ministro do Reino Unido em três mandatos sucessivos.

Damos a conhecer a primeira parte, em que fala da sua conversão à Igreja Católica.

 

Comecemos pelo seu recente ingresso na Igreja católica. Há dois anos, depois da visita ao Papa em Junho, o mundo começou a falar abertamente da sua conversão ao catolicismo. Pode contar-nos como nasceu esta decisão?

A minha viagem espiritual teve início quando comecei a ir à missa com a minha esposa. Depois, quando decidimos baptizar os nossos filhos na fé católica. Trata-se de um caminho que prosseguiu por 25 anos, e talvez até mais. Com o tempo, emotiva, intelectual e racionalmente pareceu-me que a (Igreja) católica fosse a casa justa para mim. Mas aconteceu durante um longo intervalo de tempo. Quando deixei o cargo político, e já não tinha à minha volta todo o contexto relacionado com o facto de ser primeiro-ministro, foi algo que desejei deveras fazer.

 

A sua família era religiosa?

Na realidade, não muito. A minha mãe, uma protestante proveniente da Irlanda, ia ocasionalmente à igreja. O meu pai, ao contrário, era um ateu militante. Mas, em Durham, frequentei a Chorister School, adjacente à catedral, portanto a religião foi parte integrante da minha educação escolar. Mas a verdadeira mudança vivi-a na universidade, quando comecei a considerar seriamente a minha fé cristã, a pensar nela de modo mais profundo. Foi então que compreendi que era um aspecto não só importante, mas absolutamente central da minha vida.

 

Sabe-se que, desde sempre, Cherie Booth é a católica praticante. Que significado teve a religião no vosso matrimónio?

A religião foi algo que nos fez aproximar. Não nos conhecemos devido à religião, mas foi muito interessante descobrir que a minha futura esposa era extremamente activa na organização estudantil católica e noutras organizações juvenis. Para jovens de 23 ou 24 anos – como éramos quando nos conhecemos – não era frequente descobrir e partilhar este interesse pela religião.

 

Durante a sua última visita como primeiro-ministro, Vossa Excelência ofereceu a Bento XVI três fotografias de John Henry Newman. A escolha foi motivada pelo facto de que a figura do Cardeal Newman tinha desempenhado um papel no seu caminho de conversão? Ou para isso contribuíram outras figuras?

Na realidade, não. Não foi esta a razão. Mesmo se obviamente conhecia a história do Cardeal Newman, e tinha lido os seus escritos. As fotografias eram simplesmente um presente apropriado. Em relação a outras figuras, tive a ventura de participar em 2003, com a minha família, numa missa que João Paulo II celebrou na sua capela particular: é uma recordação ainda muito viva, um episódio que me tocou profundamente. Sem dúvida, muito provavelmente teria chegado contudo à conversão, mas certamente tratou-se de uma etapa importante que fortaleceu ulteriormente a minha decisão. Uma das coisas que mais me atraiu da Igreja católica foi a sua natureza universal. Se és um católico, podes ir a todas as partes do mundo e participar na missa em qualquer país. Fui à missa em Kigali, em Pequim, em Singapura. Recordo a vez em que assisti a uma função em Tóquio: entrei incógnito, sem me fazer notar, mas no final da celebração uma senhora convidou os numerosos visitantes a apresentarem-se, pondo-se de pé. Fi-lo: sou Tony de Londres. Foi uma bonita surpresa (riu). Eis, o facto de que, onde quer que estejas no mundo, estás em comunhão com os outros, é verdadeiramente formidável. É um aspecto que me fascina. A Igreja universal é ela própria um importante modelo de instituição global.

 

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial