30º Domingo Comum

Dia Mundial das Missões

24 de Outubro de 2004

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Escutai Senhor a prece, M. Carneiro, NRMS 90-91

Salmo 104, 3-4

Antífona de entrada: Alegre-se o coração dos que procuram o Senhor. Buscai o Senhor e o seu poder, procurai sempre a sua face.

 

Introdução ao Espírito da Celebração

 

Diz-nos um célebre pensamento da Bíblia: «Os homens vêem as aparências, mas Deus vê o coração». Esta frase terá particular aplicação, quando ouvirmos o Evangelho. Diante de Deus, como diante dos homens, a melhor atitude é a sinceridade. O culto que Deus prefere é, principalmente, uma vida sincera e honrada. Esse é o testemunho da segunda leitura. «Caríssimo... combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé...»

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade; e para merecermos alcançar o que prometeis, fazei-nos amar o que mandais. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Deus é justo. A sua maneira de agir é muito diferente da nossa. Nós, amiúde, somos causa de desigualdades. Ele escuta o clamor dos pobres e as queixas dos oprimidos, e compromete-Se com eles.

 

Ben-Sirá 35, 15b-17.20-22a (grego: 12-14.16-18)

15bO Senhor é um juiz que não faz acepção de pessoas. 16Não favorece ninguém em prejuízo do pobre e atende a prece do oprimido. 17Não despreza a súplica do órfão nem os gemidos da viúva. 20Quem adora a Deus será bem acolhido e a sua prece sobe até às nuvens. 21A oração do humilde atravessa as nuvens e não descansa enquanto não chega ao seu destino. 22aNão desiste, até que o Altíssimo o atenda, para estabelecer o direito dos justos e fazer justiça.

 

A leitura é tirada do corpo do livro de Ben Sirac (2 – 43), uma longa amálgama de conselhos morais e sábias sentenças. Neste trecho, ao mesmo tempo que se fala das boas disposições de Deus para quem o invoca, põe em evidência, ao mesmo tempo, as condições de uma boa oração: humildade, confiança e perseverança.

 

Salmo Responsorial    Sl 33 (34), 2-3.17-18.19.23 (R. 7a)

 

Monição: Motivos de louvor e de acção de graças a render a Deus não faltam, porque o Senhor escuta a voz dos justos, pobres e daqueles que têm o coração atribulado.

 

Refrão:         O pobre clamou e o Senhor ouviu a sua voz.

 

Ou:                O Senhor ouviu o clamor do pobre.

 

A toda a hora bendirei o Senhor,

o seu louvor estará sempre na minha boca.

A minha alma gloria-se no Senhor,

escutem e alegrem-se os humildes.

 

A face do Senhor volta-se contra os que fazem o mal,

para apagar da terra a sua memória.

Os justos clamaram e o Senhor os ouviu,

livrou-os de todas as angústias.

 

O Senhor está perto dos que têm o coração atribulado

e salva os de ânimo abatido.

O Senhor defende a vida dos seus servos,

não serão castigados os que n’Ele confiam.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A segunda leitura testemunha que vale a pena gastar a vida na evangelização. Deus premiará o sacrifício feito por sua causa.

 

2 Timóteo 4, 6-8.16-18

Caríssimo: 6Eu já estou oferecido em libação e o tempo da minha partida está iminente. 7Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. 8E agora já me está preparada a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me há-de dar naquele dia; e não só a mim, mas a todos aqueles que tiverem esperado com amor a sua vinda. 16Na minha primeira defesa, ninguém esteve a meu lado: todos me abandonaram. Queira Deus que esta falta não lhes seja imputada. 17O Senhor esteve a meu lado e deu-me força, para que, por meu intermédio, a mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada e todas as nações a ouvissem; e eu fui libertado da boca do leão. 18O Senhor me livrará de todo o mal e me dará a salvação no seu reino celeste. Glória a Ele pelos séculos dos séculos. Amen.

 

Temos hoje a parte final da 2ª Carta a Timóteo, em que se refere ao seu iminente martírio.

6 «Eu já estou oferecido em libação», isto é, «estou a chegar ao momento de derramar o meu sangue em sacrifício». A expressão deve entender-se à luz do costume pagão de fazer libações (sacrifícios que consistiam no derramamento ritual de líquidos em honra da divindade), por ocasião da morte de alguém. Com esta maneira de falar, S. Paulo quer dizer que já chegou a hora da sua morte. Pode significar também que a sua morte violenta – com derramamento de sangue por Cristo e em união com Ele – tem um certo carácter sacrificial, por se tratar de uma imolação em honra de Deus.

«O tempo da minha partida (à letra: o desprender das amarras, isto é, a morte) está iminente». Estamos seguramente no ano 67, ano do martírio do Apóstolo.

7-8 «Combate… carreira… coroa…»: mais uma vez aparece a bela maneira paulina de apresentar a vida cristã como um desporto sobrenatural, através das imagens duma luta, duma corrida e da coroa a ser atribuída por um árbitro; este é Deus, que contempla a competição e atribui o prémio. Era costume honrar os vencedores dos certames com coroas tecidas de agulhas de pinheiros, ou de folhas de louro ou oliveira; a coroa também podia, como hoje, pertencer às honras fúnebres. Esta imagem da coroa já designava então a vida eterna na bem-aventurança do Céu, como prémio de uma vida santa; é dita uma «coroa de justiça», por ser atribuída a quem praticou a justiça, ou obras justas, isto é, de acordo com a vontade de Deus. Mas a ideia de retribuição devida aos méritos também fica patente no texto, pois o prémio é dado por aquele que é o «justo juiz»: Deus remunerador, perante quem todos teremos de prestar contas, «naquele dia», o da «sua vinda», à letra, o da a sua manifestação (epifáneia), «com efeito, todos havemos de comparecer perante o tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba conforme aquilo que fez de bem ou de mal, enquanto estava no corpo» (2 Cor 5, 10).

17 «E todos as nações a ouvissem». Esta tradução não é a seguida habitualmente pelos comentadores, pois não parece que haja aqui uma referência à pregação da «mensagem do Evangelho» (o texto original fala simplesmente de pregação, sem mais: kêrygma), mas antes a um testemunho dado provavelmente no julgamento público, ouvido «por todos os gentios» (e não por «todas as nações», como diz a actual tradução bíblica revista), um testemunho de tal modo convincente, que levou ao adiamento da sentença: e eu fui libertado da boca do leão, isto é, da morte (cf. Salm 21 (22), 22).

 

Aclamação ao Evangelho        2 Cor 5, 19

 

Monição: A parábola do Evangelho ensina-nos que a humildade e a sinceridade são os grandes valores da pessoa que é verdadeiramente religiosa.

 

Aleluia

 

Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo

e confiou-nos a palavra da reconciliação.

 

Cântico: Az. Oliveira, NRMS 36

 

 

Evangelho

 

Lucas 18, 9-14

9Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros: 10«Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. 11O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. 12Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. 13O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu; mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’. 14Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».

 

A parábola do fariseu e do publicano, exclusiva de Lucas, é uma forma de Jesus ensinar a humildade, a atitude fundamental com que o homem tem de se apresentar diante de Deus para ser atendido.

11 «Meu Deus, dou-Vos graças». Temos um exemplo da «oração dos hipócritas» (Mt 6, 5). O que o fariseu faz não é propriamente rezar, mas gabar-se; não dialoga com Deus, fala consigo. Ele também tem pecados, mas a sua soberba não o deixa ter a hombridade de os reconhecer; para ele, os maus são os outros, com quem se compara – «não sou como este publicano» –; sente-se com autoridade para julgar e condena os outros. Apoia-se nas suas pretensas boas obras e, ao não se apoiar na misericórdia de Deus, sai do templo em pecado. Justifica-se a sim mesmo e sai por justificar, pois só Deus pode tornar o homem justo. Ele agradece a Deus, mas, no fundo, o que ele pensa é que Deus é quem lhe deve estar agradecido!

14 Pelo contrário, a oração humilde do pecador, que reconhece sinceramente as suas culpas e se arrepende, comove o coração de Deus: «Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa».

 

Sugestões para a homilia

 

1. «Para algumas pessoas que se consideravam justas e menosprezavam os outros» (Lc 18, 9).

2. «O Senhor esteve a meu lado e me deu força» (2 Tim 4, 17)

1. «Para algumas pessoas que se consideravam justas e menosprezavam os outros» (Lc 18, 9).

A parábola do fariseu e do publicano é uma das mais conhecidas. O evangelista sublinha que Jesus a expôs «para algumas pessoas que se consideravam justas e menosprezavam as demais».

Na verdade, alguns fariseus julgavam-se superiores pelo facto de cumprirem a letra dos mandamentos. Isto fazia-os envaidecer, vangloriar-se e comparar-se com os outros, o que é um sintoma de espírito distorcido.

Jesus não quer que aconteça isto na Igreja. Pelo contrário, considera que é fundamental reconhecer-se pecador, simples, acolhedor dos outros, com respeito e amor. Por isso, esta parábola é uma enérgica chamada de atenção para que nenhum cristão caia na tentação do fariseu.

É hipocrisia fingir bondade e cortesia diante de Deus. É desagradável encontrar-se com uma pessoa soberba e auto-suficiente! O fariseu apresenta a Deus o mostruário de todas as suas mercês e de todos os seus méritos, enchendo-Lhe os ouvidos com o seu historial. Inchado de soberba, diz tudo, critica os outros, escuta-se a si próprio e considera-se superior a todos. Deus não gosta deste género de oração e não a aprova. Desqualifica o fariseu. Realmente, a vaidade e o orgulho tomam ridículas as pessoas. Incensar-se diante de Deus é uma palhaçada. Os santos sempre se caracterizaram por serem extremamente humildes.

Pelo contrário, o publicano mal abre a boca. Reconhece sinceramente a sua debilidade e diz somente: «Sou pecador» Sente necessidade do perdão divino, não julga os outros e confia na misericórdia de Deus.

Realmente, cada um reza como vive. O fariseu fá-lo de maneira altiva e prepotente, idolatrando o seu eu e louvaminhando-se. Não pede nada porque está repleto de soberba. Como se Deus não soubesse o que cada um tem dentro! Oxalá que nenhum de nós reze assim, porque não será ouvido.

2. «O Senhor esteve a meu lado e me deu força»

No fim da parábola, Jesus sentencia: «Todo aquele que se eleva será humilhado, e o que se humilha será elevado». Nós podemos acrescentar que os simples atraem e os soberbos repelem. Pobres de nós, se cultivarmos uma religiosidade de fachada! A naturalidade e a simplicidade cativam.

E é a partir dessa simplicidade de vida e honestidade de consciência que Deus julga. O próprio Jesus sublinha a razão fundamental do diferente julgamento de Deus na parábola que nos contou: o publicano saiu justificado, porque implorou de Deus a salvação; o fariseu não, porque, ao pretender justificar-se a si mesmo, recusou a salvação como dom exclusivo de Deus. Podemos, assim, concluir que a humildade é o passaporte para sermos admitidos no Reino de Deus.

As outras Leituras vêm confirmar a mensagem da parábola. Diz a 1ª Leitura: «O Senhor é juiz e não olha à condição das pessoas. Não favorece ninguém em prejuízo do pobre e atende a prece do oprimido. Não se desinteressa da súplica do órfão nem da viúva que desabafa a sua queixa... A oração do humilde atravessa as nuvens».

O Salmo, logo no refrão, confirma: «O pobre clamou, o Senhor o ouviu». E continua: «Que os humildes O escutem e se alegrem». Depois, justifica: «Porque o Senhor é um Deus próximo dos corações atribulados, pronto a salvar os espíritos abatidos».

Finalmente S. Paulo, sentindo a sua morte, declara que «o Senhor esteve a meu lado e me deu força», que o libertou de todos os perigos.

 

Fala o Santo Padre

 

Mensagem do Papa João Paulo II

para o Dia Missionário Mundial 2004

«Eucaristia e Missão»

 

Caríssimos Irmãos e Irmãs!

1. O compromisso missionário da Igreja constitui, também neste início do terceiro milénio, uma urgência que já em outras ocasiões quis recordar. A missão, como fiz observar na Encíclica Redemptoris missio, ainda está muito longe da sua realização e, por isso mesmo, devemos empenhar-nos com todas as forças no seu serviço (cf. n. 1). Todo o povo de Deus, em cada momento da sua peregrinação na história, é chamado a partilhar a «sede» do Redentor (cf. Jo 19,28). Os Santos sempre advertiram fortemente sobre esta sede de almas para salvar: Baste pensar, por exemplo, em Santa Teresa de Lisieux, padroeira das missões, e em Mons. Comboni, grande apóstolo da África, o qual tive a alegria de recentemente elevar à glória dos altares.

Os desafios sociais e religiosos que a humanidade enfrenta em nossos tempos estimulam os fiéis a renovarem-se no fervor missionário. Sim! É necessário relançar com coragem a missão «ad gentes» , partindo do anúncio de Cristo, Redentor de toda criatura humana. O Congresso Eucarístico Internacional, que será celebrado em Guadalajara no México no próximo mês de outubro, mês missionário, será uma ocasião extraordinária para esta tomada conjunta de consciência missionária em torno da Mesa do Corpo e do Sangue de Cristo. Reunida em redor do altar, a Igreja compreende melhor a sua origem e o seu mandado missionário «Eucaristia e Missão», como bem realça o tema da Jornada Missionária Mundial deste ano, formam um binómio inseparável. À reflexão sobre a ligação existente entre o mistério eucarístico e mistério da Igreja, une-se este ano uma eloquente referência à Virgem Santa, graças à celebração do 150.º aniversário da definição da Imaculada Conceição (1854-2004). Contemplamos a Eucaristia com os olhos de Maria. Contando com a intercessão da Virgem, a Igreja oferece Cristo, pão da salvação, a todos os povos, para que o reconheçam e o aceitam como único Salvador.

2. Retornando idealmente ao Cenáculo, ano passado, exactamente na Quinta-Feira Santa, firmei a Encíclica Ecclesia de Eucharistia, da qual gostaria de agora retomar algumas passagens que possam ajudar-nos, caríssimos Irmãos e Irmãs, a viver com espírito eucarístico a próxima Jornada Missionária Mundial.

«A Eucaristia edifica a Igreja e a Igreja faz a Eucaristia» (n. 26): assim escrevo, observando como a missão da Igreja coloca-se em continuidade com a de Cristo (cf. Jo 20,21), e da comunhão com o seu Corpo e com o seu Sangue extrai vigor espiritual. A finalidade da Eucaristia é exatamente «a comunhão dos homens com Cristo e Nele com o Pai e com o Espírito Santo» (Ecclesia de Eucharistia, 22). Quando participa-se do Sacrifício eucarístico, percebe-se com mais profundidade a universalidade da redenção e, consequentemente, a urgência da missão da Igreja, cujo programa «centraliza-se, em última análise, no próprio Cristo, que deve ser conhecido, amado, imitado, para se viver Nele a vida trinitária, e transformar com Ele a história até a sua realização na Jerusalém celeste» (ibid., 60).

Ao redor de Cristo eucarístico, a Igreja cresce como povo, templo e família de Deus: una, santa, católica e apostólica. Ao mesmo tempo, compreende melhor o seu carácter de sacramento universal de salvação e de realidade visível hierarquicamente estruturada. Certamente «não se edifica nenhuma comunidade cristã, se ela não tiver por raiz e centro a celebração da Santíssima Eucaristia» (Ibid., 33; cf. Presbyterorum Ordinis, 6). Ao final de cada santa Missa, quando o celebrante despede a assembleia com as palavras «Ite, Missa est», todos devem sentir-se enviados como «missionários da Eucaristia» para difundir em qualquer ambiente o grande dom recebido. Quem, de fato, encontra Cristo na Eucaristia, não pode deixar de proclamar com a vida o amor misericordioso do Redentor.

3. Para viver da Eucaristia é preciso, além disso, consumir tempo em adoração diante do Santíssimo Sacramento, experiência que eu mesmo faço todos os dias tirando daí força, consolação e sustento (cf. Ecclesia de Eucharistia, 25). A Eucaristia, ressalta o Concílio Vaticano II, «é fonte e ápice de toda a vida cristã» (Lumen Gentium, 11), «fonte e ápice de toda a evangelização» (Presbyterorum Ordinis, 5).

O pão e o vinho, fruto do trabalho do homem, transformados pela força do Espírito Santo no corpo e no sangue de Cristo, tornam-se o penhor de «um novo céu e uma nova terra» (Ap 21,1), que a Igreja anuncia na sua missão quotidiana. No Cristo, que adoramos presente no mistério eucarístico, o Pai disse a palavra definitiva sobre o homem e sobre a sua história.

Poderia a Igreja realizar a própria vocação sem cultivar uma constante relação com a Eucaristia, sem nutrir-se deste alimento que santifica, sem fundamentar-se sobre este alicerce indispensável a sua acção missionária? Para evangelizar o mundo, necessita-se de apóstolos «peritos» na celebração, adoração e contemplação da Eucaristia.

4. Na Eucaristia, revivemos o mistério da Redenção culminante no sacrifício do Senhor, como é enfatizado pelas palavras da consagração: «o meu corpo que será entregue por vós… [o] meu sangue que será derramado por vós» (Lc 22,19-20). Cristo morreu por todos; é para todos o dom da salvação, que a Eucaristia torna presente sacramentalmente no curso da história: «Fazei isto em memória de mim» (Lc 22,19). Este mandato é confiado aos ministros ordenados mediante o sacramento da Ordem. Para este banquete e sacrifício são convidados todos os homens, para poder assim participar da mesma vida de Cristo: «Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai, que vive, enviou-me e eu vivo pelo Pai, também aquele que comer de mim viverá por mim» (Jo 6,56-57). Nutridos Dele, os fiéis compreendem que o compromisso missionário consiste no ser uma «oblação agradável, santificada pelo Espírito Santo» (Rm 15,16), para formarem sempre mais «um só coração e uma só alma» (At 4,32) e tornarem-se testemunhas do seu amor até os confins da terra.

A Igreja, Povo de Deus a caminho ao longo dos séculos, renovando a cada dia o Sacrifício do altar, espera o retorno glorioso de Cristo. É o que proclama, após a consagração, a assembleia eucarística reunida em torno ao altar. Com fé sempre renovada, ela reafirma o desejo do encontro final com Aquele que virá para realizar o seu plano de salvação universal.

O Espírito Santo, com a sua acção invisível mas eficaz, guia o povo cristão neste seu itinerário espiritual quotidiano que conhece inevitáveis momentos de dificuldade e experimenta o mistério da Cruz. A Eucaristia é o conforto e o penhor da vitória definitiva para quem luta contra o mal e o pecado; é o «pão da vida» que sustenta todos aqueles que, por sua vez, se fazem «pão partido» para os irmãos, pagando por vezes até mesmo com o martírio a sua fidelidade ao Evangelho.

5. Este ano, como lembrei, ocorre o 150.° aniversário da proclamação do dogma da Imaculada Conceição. Maria foi «redimida de um modo mais sublime em vista dos méritos de seu Figlio» (Lumen gentium, 53). Fazia notar na Carta encíclica Ecclesia de Eucharistia: «Contemplando-a, conhecemos a força transformadora que a Eucaristia possui. Nela vemos o mundo renovado no amor» (n.º 62).

Maria, «o primeiro sacrário da história» (ibid., n. 55), indica-nos e oferece-nos Cristo, nosso Caminho Verdade e Vida (cf. Jo 14,6). Se «Igreja e Eucaristia são um binómio inseparável, o mesmo se diga do binómio Maria e Eucaristia» (Ecclesia de Eucharistia, 57).

Faço votos que a feliz coincidência do Congresso Eucarístico Internacional, com o 150.° aniversário da definição da Imaculada, ofereça aos fiéis, às paróquias e aos Institutos missionários a oportunidade de refortalecer-se no ardor missionário, para que se mantenha viva em cada comunidade «uma verdadeira fome da Eucaristia» (ibid., n. 33).

A ocasião é ademais propícia para recordar o contributo que as beneméritas Pontifícias Obras Missionárias oferecem à acção apostólica da Igreja. Estas me são muito caras e agradeço-lhes, em nome de todos, pelo precioso serviço que prestam à nova evangelização e à evangelização ad gentes. Convido a mantê-las espiritual e materialmente, para que também graças a sua contribuição o anúncio evangélico possa chegar a todos os povos da terra.

Com tais sentimentos, invocando a maternal intercessão de Maria, «Mulher eucarística», de coração abençoo-vos todos.

 

João Paulo II, Cidade do Vaticano, 19 de Abril de 2004.

 

Oração Universal

 

Oremos a Deus Pai de misericórdia,

por Seu Filho e nosso Senhor

implorando a Sua graça e misericórdia.

Digamos:

R. Senhor, nós temos confiança em Vós.

 

1.  Para que todos os cristãos

construam uma Igreja simples e humilde,

oremos ao Senhor.

 

2.  Para que entre as pessoas

aumente o respeito e a entreajuda,

oremos ao Senhor.

 

3.  Para que nas comunidades cristãs

se fomente a verdadeira oração,

oremos ao Senhor.

 

4.  Para que possamos deixar o testemunho

de termos lutado pelo ideal do Evangelho,

oremos ao Senhor.

 

5.  Para que vivamos com atenção

os valores que a Palavra de Deus nos apresenta cada domingo,

oremos ao Senhor.

 

(outras intenções)

 

Pai Santo, ensina-nos a rezar com a humildade do publicano

para que percebamos que tudo o que somos é dádiva da vossa generosidade.

Por Nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: A minha alma tem sede, M. Carneiro, NRMS 40

 

Oração sobre as oblatas: Olhai, Senhor, para os dons que Vos apresentamos e fazei que a celebração destes mistérios dê glória ao vosso nome. Por Nosso Senhor...

 

Santo: A. Cartageno, 99-100

 

Monição da Comunhão

 

Com soberba e a olhar os outros por cima do ombro não se pode agradar a Deus. Para vencer o combate da fé, Jesus propõe-nos que oremos com perseverança e humildade.

 

Cântico da Comunhão: Eu vim para que tenham vida, F. da Silva, NRMS 70

cf. Salmo 19, 6

Antífona da comunhão: Celebramos, Senhor, a vossa salvação e glorificamos o vosso santo nome.

Ou:    Ef 5, 2

Cristo amou-nos e deu a vida por nós, oferecendo-Se em sacrifício agradável a Deus.

 

Cântico de acção de graças: Cantai Comigo, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Fazei, Senhor, que os vossos sacramentos realizem em nós o que significam, para alcançarmos um dia em plenitude o que celebramos nestes santos mistérios. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Da parábola do fariseu e do publicano, podemos extrair diversos ensinamentos: despojar-nos da condição altiva, soberba e prepotente e adoptar atitudes de singeleza, compreensão, respeito e acolhimento. A presunção e o orgulho impedem que as relações entre nós e com Deus sejam autênticas. Rezemos a partir da vida, com humildade. E que Deus nos ajude a combater corajosamente pelo seu Reino, sendo fiéis até ao fim. Hoje e amanhã vamos precisar de pessoas desta índole.

 

Cântico final: Exultai de alegria no Senhor, F. da Silva, NRMS 87

 

 

Homilias Feriais

 

30ª SEMANA

 

2ª feira, 25-X: A Eucaristia e os sentidos.

Ef 4, 32- 5, 8 / Lc 13, 10-17

Apareceu então uma mulher com um espírito que a tornava enferma havia dezoito anos: andava curvada.

Esta mulher é o símbolo daqueles que andam sempre com os olhos postos no chão e não conseguem olhar para cima, para contemplar a Deus.

De modo semelhante nós não conseguimos ‘ver’ Jesus na Eucaristia: «Aqui os nossos sentidos falham – a vista, o tacto e o gosto falham –, diz-se no hino Adoro te devote; mas basta-nos simplesmente a fé, radicada na palavra de Cristo que nos foi deixada pelos Apóstolos, como Pedro...: ‘Senhor, para quem havemos nós de ir? Tu tens palavras de vida eterna’» (IVE, 59).

 

3ª feira, 26-X: O fermento na vida familiar.

Ef 5, 21-33 / Lc 13, 18-21

(O Reino de Deus) é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e meteu em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado.

Nós somos enviados pelo Senhor para sermos o fermento que faz crescer o amor a Deus no ambiente que nos rodeia. Para que o fermento mantenha a sua força é necessária a união com Cristo: «é preciso que sejas um ‘homem de Deus, homem de vida interior, homem de oração e de sacrifício» (Caminho, 961).

De um modo particular, pensemos como podemos ser melhor fermento na vida familiar (cf. Leit.): Com a nossa alegria e o nosso optimismo damos testemunho de que Cristo vive? Amamos os outros como Cristo nos amou? Vivemos a entrega aos outros como Cristo, que se entregou à morte?.

 

4ª feira, 27-X: A porta estreita e a porta do Céu.

Ef 6, 1-9 / Lc 13, 22-30

Senhor, são poucos os que se salvam? Jesus disse aos presentes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita.

O nosso caminho de salvação passa pela porta do Céu. Este título atribui-se a Nossa Senhora, dada sua união íntima com seu Filho e pela sua participação na plenitude do poder e misericórdia de Cristo. De igual modo, através da sua poderosa intercessão obtém-nos os auxílios necessários para chegarmos ao Céu.

Mas também temos que seguir o conselho de seu Filho: Entrai pela porta estreita. Esta afirmação é um apelo urgente à conversão (cf. CIC, 1036), que se pode traduzir por uma maior urgência no cumprimento dos deveres para com Deus, a família e a sociedade.

 

5ª feira, 28-X: S. Simão e S. Judas: Nossa Senhora e a construção da Igreja.

Ef 2, 19-22 / Lc 6, 12-19

E, em união com Ele, também vós sois integrados na construção, para vos tornardes, no Espírito Santo, habitação de Deus.

Os Apóstolos S. Simão e S. Judas participaram activamente na construção da Igreja. Segundo a tradição andaram pelo Egipto, Mesopotâmia e Pérsia, onde sofreram o martírio. Toda a Igreja é enviada a todo o mundo e todos os seus membros participam, embora de diverso modo, deste envio (cf. CIC, 863).

Nossa Senhora participa como templo de Deus e sacrário: «E, na verdade, quando leva no seu ventre o Verbo encarnado, de certo modo, ela serve de sacrário –o primeiro sacrário da história- para o Filho de Deus» (IVE, 55).

 

6ª feira, 29-X: Generosidade para com o próximo.

Fil 1, 1-11 / Lc 14, 1-6

Assim é justo que eu tenha por vós todos estes sentimentos, uma vez que vos trago no coração.

Imitemos estes sentimentos de S. Paulo: lembra-se de todos nas suas orações, tem saudades deles; pede pela perseverança deles, confiado na ajuda de Cristo (cf. Leit.).

Imitemos também a generosidade de Nossa Senhora para com o próximo: foi generosa no tempo dedicado a sua prima Santa Isabel, até ao nascimento de João Baptista (2. mistério gozoso); e esteve muita atenta ao desenrolar de umas bodas em Caná (2. mistério luminoso).

 

Sábado, 30-X: A presença de Nossa Senhora no Calvário.

Fil 1, 18-26 / Lc 14, 1. 7-11

É que para mim, viver é Cristo, e morrer um lucro.

A morte de Cristo é também um lucro para nós: «Este sacrifício é tão decisivo para a salvação do género humano que Jesus Cristo realizou-o e só voltou para o Pai depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos como se tivéssemos estado presentes» (IVE, 11).

Em cada missa, Jesus oferece-se ao Pai com uma entrega cheia de amor. Como participamos na Missa? «Estás lá com as mesmas disposições com que a Santíssima Virgem estava no Calvário, dado tratar-se da presença de um mesmo Deus e da consumação de idêntico sacrifício?« (Cura de Ars).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:           Nuno Westwood

Nota Exegética:                      Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                 Duarte Nuno Rocha


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