aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

 

ESPANHA

 

FALECEU O PADRE

JESUS URTEAGA

 

No passado dia 30 de Agosto faleceu em Madrid o sacerdote, escritor e jornalista espanhol Jesus Urteaga, aos 87 anos. Conhecido como “o padre da TV”, foi fundador e director da revista “Mundo Cristiano” e escritor de obras de espiritualidade.

 

Jesús Urteaga desenvolveu o seu trabalho em quatro campos: o trabalho pastoral, a imprensa, a televisão e como escritor de livros espirituais.

A sua faceta jornalística começou na televisão em Setembro de 1960, quando foi contratado pela TVE para participar da transmissão religiosa de “O dia do Senhor”.

Um ano depois encarregou-se do programa para adolescentes “Só para menores de 16 anos”, mais conhecido pelo lema “Sempre alegres para fazer os outros felizes”, que se manteve semanalmente no ar até Setembro de 1966.

Também, até 1970, realizou o “Fala contigo Jesus Urteaga”. Foi conhecido naqueles anos como “o padre da TV” e em 1965 foi-lhe outorgado o Prémio Nacional da Televisão Espanhola.

Em 1963, fundou a revista “Mundo Cristiano”. A esta revista de informação geral com inspiração cristã esteve vinculado, primeiro como director, por mais de trinta anos, e depois como assessor. É famosa a sua página de opinião nesta revista (“Escreve Jesus Urteaga”), na qual dava conselhos humanos e espirituais, com visão positiva e cristã da existência humana.

No campo editorial, também fundou e dirigiu em "Edições Palabra" as colecções de livros Folhetos MC (de bolso), Juvenil MC, Livros MC, Documentos MC, Biografias MC, Testemunhos MC, Estudos Palabra, Mundo e Cristianismo, assim como a colecção mais completa que se fez na Espanha sobre a família, chamada “Fazer Família”.

Como escritor, além de ser autor de numerosos artigos publicados em diferentes revistas e jornais do país, é conhecido por livros como “O valor divino do humano”, “Deus e os filhos”, “Sempre alegres para fazer os outros felizes”, “Cartas aos homens”, “Os defeitos dos santos”, “Agora começo!”, “Deus e a família” e “Sim”. Estes livros, publicados nas editoras Palabra e Rialp, têm um número elevado de reedições, e várias de suas obras foram traduzidas ao francês, inglês, italiano, português, polaco e chinês.

O seu trabalho pastoral iniciou quando foi ordenado sacerdote aos 26 anos em 1948, incardinado na Prelatura do Opus Dei. Durante dois anos foi assistente da Juventude universitária da Acção Católica de Madrid. Em 1951 fez-se cargo da direcção espiritual do Colégio Gaztelueta, em Bilbao, primeiro colégio do Opus Dei na Espanha. Foi representante da Santa Sé no Congresso da União Internacional dos Organismos Familiares (Madrid 1961).

Realizou um intenso trabalho sacerdotal, pregando às pessoas de toda condição social, dando conferências e cursos de retiro, e dedicando muito tempo a ministrar direcção espiritual.

Jesus Urteaga nasceu em San Sebastián em 7 de Dezembro de 1921. Era doutor em Direito Civil pela Universidade de Madrid e doutor em Teologia pela Universidade Lateranense de Roma.

 

 

BRASIL

 

DEFESA DO NASCITURO

 

O arcebispo de Salvador da Baía, manifestou a sua perplexidade perante a suspensão de dois deputados federais contrários à legalização do aborto.

 

O Partido dos Trabalhadores do Presidente Lula da Silva suspendeu, a 17 de Setembro, Luiz Bassuma, por um ano, e Henrique Afonso, durante 90 dias, por contrariarem uma resolução a favor da descriminalização do aborto. Os deputados abandonaram o partido. Numa Nota publicada, o Cardeal Gerardo Agnelo, Arcebispo de Salvador, diz:

“Deixou-me perplexo a decisão de um partido político de adoptar princípio bolchevista de condenar e suspender correligionários que se colocam na defesa do primeiro e fundamental direito da pessoa humana, o direito de nascer. Solidarizo-me com os deputados federais Luiz Bassuma e Henrique Afonso.

“A Igreja defendeu desde os primeiros tempos os mais fracos: teve a iniciativa de cuidar dos leprosos, quando eles eram afastados do convívio da sociedade. Pela Igreja foram fundados hospitais. Na própria cidade do Salvador, a Santa Casa de Misericórdia foi criada no ano da fundação da cidade, para acolher marinheiros com escorbuto e outras doenças. É luminosa a figura de irmã Dulce, dedicada inteiramente a acolher e curar a vida de quem era rejeitado por seus familiares e pelos órgãos públicos. Durante o regime militar, a Igreja foi a grande força para defender os presos políticos e torturados.

“Hoje a Igreja defende os nascituros, os seres mais inocentes e mais indefesos que possam existir. A eles se atribui culpa pela pobreza, pelo subdesenvolvimento, pela violência nas grandes cidades, e agora são responsabilizados pela morte de mulheres pobres. Eles são condenados à morte. Na realidade, outros são responsáveis por esses males na atual sociedade. Outras deviam ser as providências para salvar a vida das mulheres pobres consideradas sem condições de ter um filho. Chamam-se políticas públicas as ações devidas a quem, sozinho, não consegue dar conta de suas responsabilidades naturais.

“Elegeu-se um governo popular exatamente para defender a dignidade e a vida dos pobres e inocentes, não para eliminá-los.

“A defesa da vida constitui uma conquista da civilização e seria muito grave retornar aos tempos quando nem todos os seres humanos eram considerados pessoas. Estes, então podiam ser comprados, vendidos, tratados como objeto, inclusive, mortos.

“A vida humana não é um produto nosso; não é objeto de nossa fabricação, por isso não está a disposição de nosso arbítrio. Os Direitos Fundamentais da Pessoa Humana, a começar do Direito à Vida, não são outorgados por instâncias políticas. Eles vêm antes de qualquer legislação humana, são preciosos porque subtraem a pessoa ao arbítrio de qualquer poder e à tirania de circunstâncias adversas. Os Governos e os seus órgãos legislativos podem apenas reconhecer esses direitos e devem tudo fazer para garanti-los.

“Abortar é medida que deixa a mulher sozinha com o seu drama, desonera o pai da criança, desonera a administração pública e a sociedade organizada da necessidade de acolher, cuidar, sustentar, juntamente com a mulher, a vida nova que está chegando.

(…)

“Um embrião não é um grumo de células, mas indivíduo da espécie humana. Não se trata de verdade de fé e sim de verdade que a razão é capaz de reconhecer. O embrião contém a informação genética que presidirá ao seu desenvolvimento, desde a concepção até a morte. Desenvolve-se humanamente, pode ser submetido a tratamento terapêutico, para garantir o seu desenvolvimento. Existindo uma sequência de DNA típica e exclusivamente humana, trata-se de um ser humano possuidor de subjetividade jurídica e inviolável direito à vida, à integridade física.  

“«Diante da vida que nasce e da vida que morre, o homem egoísta não se deixa interrogar sobre o sentido mais autêntico da sua existência. Preocupa-se somente com o “fazer” e, recorrendo a qualquer forma de tecnologia, para programar, controlar e dominar o nascimento e a morte» (João Paulo II)”.

 

 

ESTADOS UNIDOS

 

PRÉMIO NOBEL DA PAZ

SAÚDA PADRE DAMIÃO

 

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, expressou o seu apreço pela vida do Padre Damião de Veuster, na véspera da sua canonização por Bento XVI, no Domingo 11 de Outubro.

 

Num comunicado divulgado pela Casa Branca, Obama saudava a população belga, terra natal do Pe. Damião, e afirmava que o novo santo da Igreja Católica ocupa também “um lugar especial no coração dos hawaianos”, recordando as muitas histórias que ouviu durante a sua juventude sobre o trabalho do Pe. Damião junto dos leprosos.

“Seguindo os passos de Jesus, o Pe. Damião desafiou os efeitos da doença, dando voz a quem não tem voz e, no final, sacrificando a própria vida para restituir dignidade a muitos doentes”, escreve o Presidente norte-americano, convidando a seguir o seu exemplo para responder ao anseio de cuidado e tratamento por parte de milhões de doentes em todo o mundo, especialmente os doentes de SIDA.

Quando no dia 9 de Outubro foi atribuído a Obama o Prémio Nobel da Paz, a escolha foi acolhida com apreço no Vaticano, à luz do “compromisso demonstrado pela promoção da paz no campo internacional e em particular, muito recentemente, em favor do desarmamento nuclear”, disse o Pe. Federico Lombardi, director da sala de imprensa da Santa Sé, acrescentando: “Esperamos que este importantíssimo reconhecimento encoraje ainda mais este esforço difícil, mas fundamental para o futuro da humanidade”.

 

 

POLÓNIA

 

DIAS SOCIAIS CATÓLICOS

PARA A EUROPA

 

O desafio da solidariedade na Europa cumpre-se pela solidariedade entre gerações, no seio da Europa e entre a União Europeia e o resto do mundo. É nessa tripla dimensão que os participantes nos primeiros Dias Sociais Católicos para a Europa – que terminaram a 11 de Outubro passado – afirmam a necessidade de manter o ideal de solidariedade, que esteve na base da União Europeia.

 

Promovidos pela COMECE (Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia), na cidade polaca de Gdansk, sob o tema “Solidariedade, um desafio para a Europa”, a Mensagem Final do Encontro adverte para a necessidade de “colocar a economia ao serviço de todos, reconhecendo o valor do trabalho humano em todas as suas formas”, incluindo o não remunerado. Na reconfiguração da economia social de mercado da Europa, os participantes neste Encontro pedem a protecção dos mais vulneráveis, a igualdade de oportunidades, a redução da pobreza e da exclusão “mediante medidas mais eficazes” e a implementação de uma “política comum europeia sobre a imigração e o direito de asilo, reconhecendo a dignidade humana dos migrantes e consequentemente os direitos e os deveres que estão na base de integração”.

No domínio da economia e do mercado, os Dias Sociais Católicos para a Europa sugerem, na Mensagem Final, a promoção de uma “política de regulação do sistema financeiro a nível comunitário”, a atenção aos países em vias de desenvolvimento cumprindo “as promessas feitas” e promovendo o “co-desenvolvimento com os países mais pobres, especialmente os do continente africano”. “O desenvolvimento de práticas de comércio justo, tanto ao nível nacional como europeu” é também uma sugestão saída deste Encontro.

Na base de medidas económicas e sociais que promovam a solidariedade está a promoção e a protecção do “modelo familiar” fundado “sobre o casamento entre um homem e uma mulher” e de condições que permitam aos pais “cuidar dos filhos e harmonizar a vida familiar e profissional”. Os “modelos de vida pessoal e o crescimento económico” devem também ser reorientados de forma a “reduzir a nossa pegada ecológica” e “o consumo de recursos naturais não renováveis, para que deixemos às gerações futuras um planeta habitável”.

O objectivo das várias propostas avançadas nos primeiros Dias Sociais Católicos para a Europa é cumprir o objectivo da actual geração de “renovar uma estratégia sobre o bem comum”, pelo contributo pessoal de cada um e das instituições públicas, tendo por base dois princípios: o da solidariedade e o da subsidiariedade.

O princípio da solidariedade deve orientar tanto as “actividades económicas”, como o respeito pela “dignidade inalienável da vida humana”, o acolhimento de quem é estrangeiro ou das gerações futuras.

 

 

ESPANHA

 

MANIFESTAÇÃO CONTRA

LEI DO ABORTO

 

Milhares de espanhóis juntaram-se no passado sábado 17 de Outubro, nas ruas de Madrid, para se manifestarem contra a lei do aborto que o governo de Zapatero quer ver aprovada.

 

O projecto-lei prevê o aborto livre até às 14 semanas, a ampliação do prazo para 22 semanas se houver perigo da mãe ou o feto tiver anomalias e a permissão do aborto por jovens entre os 16 e 18 anos sem consentimento paterno.

Na marcha no centro de Madrid contra a lei do aborto eram visíveis cartazes a favor da mulher, da maternidade e da vida. «Vida sim», «Apoiar as mulheres grávidas», «Defender a vida» – foram algumas das palavras de ordem que se ouviram nas ruas madrilenas que juntaram diferentes gerações.

Os organizadores da marcha não aceitaram o apoio de partidos políticos nem de grupos religiosos, apesar de a manifestação ter contando com vários representantes políticos. Responderam ao repto mais de 300 organizações, juntando nas ruas cerca de um milhão de pessoas, segundo a comunidade de Madrid, ou dois milhões, segundo os organizadores.

No final da marcha, a segunda este ano contra o aborto e a mais numerosa, foi lido um texto que acusou o governo de José Luís Zapatero de pretender “desproteger totalmente o filho não nascido”.

“Com a nova lei, privar-se-á a mulher do seu direito à maternidade, não se fará nada para evitar abortos e aumentará quantitativamente o imenso fracasso que é sempre um aborto provocado”, refere o manifesto.

Segundo o documento, a regulamentação servirá para “despenalizar totalmente [o aborto] e reconhecê-lo como um direito”. Além disso, “pretende impor com cariz obrigatório em todos os serviços e centros sanitários e educativos a ideologia de género e a sua visão da sexualidade da pessoa”.

Além da retirada imediata do projecto-lei, os manifestantes querem a promoção de uma rede solidária de apoio a mulheres grávidas, a “potenciação e agilização da adopção nacional” e a criação de modelos jurídicos que “protejam sempre o não nascido como qualquer outro ser humano”.

 

 

NAÇÕES UNIDAS

 

MAIS JUSTIÇA COM A ÁFRICA

NAS RELAÇÕES COMERCIAIS

 

“As condições do comércio internacional devem adequar-se às necessidades e aos desafios económicos que a África enfrenta”, salientou o Observador permanente da Santa Sé na ONU, Mons. Celestino Migliore.

 

O Núncio intervinha na 64.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, sobre a necessidade de uma "Nova cooperação económica para o desenvolvimento da África".

"A África não é somente corrupção, golpes de Estado, conflitos regionais. A África demonstrou e demonstra também grande capacidade de gerir os processos de transição para a independência ou de reconstrução depois dos conflitos", frisou Mons. Migliore.

Este responsável ressaltou ainda o papel da África no contributo de pessoas qualificadas que trabalham nos organismos internacionais ou no âmbito científico, académico e intelectual.

"A África – salientou Mons. Migliore – soube oferecer à comunidade internacional exemplos e valores dignos de admiração e hoje mostra sinais da realização de muitas das suas esperanças".

Para o Arcebispo italiano, é necessária uma maior solidariedade a fim de resolver os problemas no continente africano, acrescentando que não se deve permanecer somente no âmbito do assistencialismo, mas ajudar o continente africano a mostrar o seu potencial.

Mons. Migliore fez um apelo em prol do investimento na agricultura, na economia, e reiterou a necessidade de rever as condições do comércio internacional, criando oportunidades para os produtos africanos.

O Observador permanente da Santa Sé na ONU chamou a atenção para a pobreza em que vivem várias pessoas na África, salientando que a maior parte dos países africanos ainda está longe de atingir os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio até 2015, pois existem ainda muitas pessoas que vivem com menos de 1 dólar por dia.

D. Celestino Migliore alertou ainda para a função activa que a União Africana pode desempenhar na cooperação com os organismos internacionais, “a fim de que o G20 signifique realmente abertura a novos equilíbrios internacionais; para que seja um forte ponto de referência para a economia mundial, mas sem criar novas exclusões para os países mais pobres”.

 


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