aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

PAPA COMENTA

A NOVA ENCÍCLICA

 

Durante o voo Roma-Praga, no passado dia 26 de Setembro, quando o Papa Bento XVI iniciava a sua Viagem apostólica à República Checa, um dos jornalistas perguntou-lhe como avaliava a repercussão no mundo que estava a ter a Encíclica «Caritas in veritate». Eis a resposta do Santo Padre:

 

“Estou muito contente por este grande debate. Era esta justamente a finalidade: incentivar e motivar um debate sobre estes problemas, não deixar as coisas como estão, mas encontrar novos modelos para uma economia responsável, quer para cada país, quer para a totalidade da humanidade unificada. Parece-me realmente visível, hoje, que a ética não é algo exterior à economia, como se esta fosse uma técnica que pudesse funcionar por si; mas é um princípio interior da economia, a qual não funciona se não considerar os valores humanos da solidariedade, as responsabilidades recíprocas e se não integrar a ética na construção da própria economia: é o grande desafio deste momento. Com a Encíclica, espero ter contribuído para este desafio. O debate em curso parece-me encorajador. Certamente, queremos continuar a responder aos desafios do momento e a ajudar a fim de que o sentido da responsabilidade seja mais forte do que o desejo de lucro, que a responsabilidade em relação aos outros seja mais forte do que o egoísmo; neste sentido, queremos contribuir para uma economia humana também no futuro”.

 

 

D. MANUEL MONTEIRO DE CASTRO,

SECRETÁRIO DO COLÉGIO CARDINALÍCIO

 

O Arcebispo português D. Manuel Monteiro de Castro, actual Secretário da Congregação para os Bispos, foi nomeado por Bento XVI como Secretário do Colégio cardinalício, que reúne todos os Cardeais da Igreja Católica.

 

A nomeação chega apenas um mês depois da chegada de D. Manuel Monteiro de Castro ao Vaticano, depois de nove anos como Núncio de Espanha e Andorra. D. Manuel Monteiro de Castro sucede, no seu novo cargo, a Mons. Francesco Monterisi, nomeado arcipreste da Basílica papal de São Paulo fora de muros, em Roma.

O Colégio cardinalício é uma espécie de “Senado” que colabora com o Papa nas questões mais importantes para a Igreja Católica. Na sua constituição estão representados os cinco Continentes e dezenas de países, incluindo dois Cardeais portugueses.

Como Secretário, o Arcebispo português será um dos primeiros a ser chamado após a eleição do Papa, num eventual conclave, e testemunhará o momento em que este aceitar a eleição e escolher o nome pelo qual quer ser chamado.

D. Manuel Monteiro de Castro, de 71 anos, tem uma longa experiência diplomática ao serviço da Santa Sé, que o fez passar por países como Panamá, a Guatemala, o Vietname, a Austrália, o México, a Bélgica, Trinidad e Tobago, África do Sul e Espanha. Foi ainda observador permanente do Vaticano para a Organização Mundial do Turismo. Arcebispo titular de Benavento desde 1985, é doutorado em Direito Canónico. Deixou Portugal em 1961 e nunca trabalhou no nosso país, embora mantenha uma relação próxima com a sua terra natal, Guimarães.

 

 

“COMPÊNDIO EUCARÍSTICO”

 

Bento XVI recebeu no passado dia 21 de Outubro o novo “Compendium eucharisticum” das mãos do Cardeal Antonio Cañizares, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.

 

O Compêndio Eucarístico recolhe material de estudo, oração e meditação sobre a Eucaristia, a teologia, a celebração e a religiosidade popular, seguindo as orientações do Sínodo dos Bispos realizado no ano 2005 e por desejo do Papa.

Segundo o jornal do Vaticano, acolhendo o pedido dos Padres sinodais, o Papa tinha disposto a publicação de “um compêndio que recolhesse textos do Catecismo da Igreja Católica, orações, explicações das preces eucarísticas do Missal e tudo aquilo que fosse útil para a correcta compreensão, celebração e adoração do Sacramento do altar”, como ficou plasmado na exortação apostólica pós-sinodal Sacramentum caritatis publicada no ano 2007.

Bento XVI tinha manifestado ainda o desejo de que o Compêndio pudesse “ajudar o povo cristão a acreditar, celebrar e viver cada vez melhor o Mistério eucarístico”, estimulando “cada fiel a fazer da própria vida um verdadeiro culto espiritual”.

“A ideia central do volume é encontrar a unidade em torno da teologia da Eucaristia, da celebração e da religiosidade popular”, refere o L’Osservatore Romano.

 

 

APELOS EM FAVOR

DA NATUREZA

 

Bento XVI renovou os seus apelos em favor da defesa do ambiente, defendendo que todos os cristãos têm obrigação de dar um testemunho credível nesta matéria.

 

Numa mensagem enviada ao Simpósio “Religião, Ciência e Ambiente”, promovido pelo Patriarca ortodoxo de Constantinopla, Bartolomeu I, o Papa diz que esta é uma causa que precisa da unidade das Igrejas e comunidades cristãs, chamadas a “colaborar de todas as formas possíveis para assegurar que a nossa terra possa conservar intactamente aquilo que Deus lhe deu: grandeza, beleza e generosidade”.

Depois do Árctico, as atenções de líderes religiosos, políticos e homens da ciência vira-se agora para uma região que foi duramente atingida em 2005 pela passagem do furacão “Katrina”. A actual iniciativa tem como tema “Restabelecer o equilíbrio: o grande Rio Mississipi".

Para o Papa, a solução das crises ecológicas do nosso tempo passa por profundas mudanças “da parte dos nossos contemporâneos”.

Neste sentido, mostrou-se plenamente de acordo com Bartolomeu I – conhecido como o “Patriarca verde” nas redes sociais, em função do seu compromisso ecológico – quanto ao facto de estarmos na presença de questões “de natureza essencialmente ética”.

O Papa observou ainda que “os grandes sistemas fluviais de cada Continente estão hoje expostos a sérias ameaças, muitas vezes como resultado de actividades e decisões do homem”.

Sobre esta matéria, Bartolomeu I disse que “todos temos a nossa responsabilidade” e que “cada decisão, pessoal e colectiva, determina o futuro do planeta”.

 

 

IGREJAS CATÓLICA E ORTODOXA

EM DIÁLOGO TEOLÓGICO

 

Concluiu-se no dia 23 de Outubro passado, na localidade de Paphos, Ilha de Chipre, a reunião da Comissão conjunta internacional para o diálogo teológico entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa.

 

Um comunicado final conjunto confirma que no encontro foram dados passos para a redacção de um documento sobre o tema “O papel do Bispo de Roma na comunhão da Igreja no primeiro milénio”.

Participaram da reunião 20 representantes católicos e encontravam-se representadas todas as Igrejas Ortodoxas, com excepção do Patriarcado da Bulgária.

A Comissão trabalhou sob a direcção de seus dois co-presidentes, o Cardeal Walter Kasper e o metropolita Ioannis Zizioulas, de Pérgamo.

O Cisma entre o Ocidente e o Oriente cristãos aconteceu no ano 1054. A questão da autoridade da Igreja, sobretudo o que diz respeito ao papel do próprio Bispo de Roma na comunidade eclesial universal, é para Bento XVI o principal tema em que se deve concentrar o diálogo católico-ortodoxo.

 

 

NOVO CARDEAL AFRICANO

NA CÚRIA ROMANA

 

Bento XVI nomeou no passado dia 24 de Outubro o Cardeal africano Peter Turkson como novo presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, para suceder ao Cardeal Renato Martino, que em breve completa 77 anos.

 

O Cardeal Peter Turkson, de 61 anos, era até agora arcebispo de Cape Coast, no Gana. Durante o Sínodo dos Bispos para a África, desempenhara o importante papel de “Relator Geral”, apresentando dois Relatórios, na abertura do Sínodo e o que resumia as intervenções iniciais.

 

 

ENCONTROS DA SANTA SÉ

COM LEFEBVRIANOS

 

Decorreu no passado dia 26 de Outubro o primeiro encontro entre representantes da Comissão Pontifícia “Ecclesia Dei” e a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, fundada por Mons. Marcel Lefèbvre.

 

O objectivo do encontro era “examinar as dificuldades doutrinais que ainda subsistem nas relações entre a Fraternidade e a Ser Apostólica”.

Segundo comunicado da Santa Sé, o debate decorreu “num clima cordial, respeitoso e construtivo”, abordando “as questões mais importantes de carácter doutrinal que serão tratadas e discutidas no decorrer dos colóquios que prosseguirão nos próximos meses”, provavelmente de 15 em 15 dias.

“Em particular, serão examinadas as questões relacionadas com o conceito de Tradição, o Missal de Paulo VI, a interpretação do Concílio Vaticano II em continuidade com a Tradição doutrinal católica”.

Outros temas serão “a unidade da Igreja, os princípios católicos do ecumenismo, a relação entre o cristianismo e as religiões não cristãs e a liberdade religiosa”.

Em Março passado, o Papa tornara pública uma carta dirigida aos Bispos católicos de todo o mundo para explicar a remissão das excomunhões de 4 Bispos da Fraternidade São Pio X, que tinham sido ordenados pelo falecido Arcebispo Lefebvre sem mandato pontifício, no ano de 1988.

Nessa altura, revelou a intenção de unir a Comissão "Ecclesia Dei" – instituição competente desde 1988 para as comunidades e pessoas que, saídas da Fraternidade São Pio X ou de idênticas agregações, queiram voltar à plena comunhão com o Papa – à Congregação para a Doutrina da Fé.

"Deste modo torna-se claro que os problemas, que agora se devem tratar, são de natureza essencialmente doutrinal e dizem respeito sobretudo à aceitação do Concílio Vaticano II e do magistério pós-conciliar dos Papas", explicava.

Em Julho, com o Motu proprio "Ecclesiae unitatem", Bento XVI apresentou uma nova estrutura da Comissão instituída em 1988, por João Paulo II. O Papa indicou que a remissão das excomunhões foi um procedimento canónico "para libertar as pessoas do peso da mais grave censura eclesiástica", mas sublinhou que "continuam em aberto as questões doutrinais".

Até que estas sejam esclarecidas, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X "não pode gozar de um estatuto canónico na Igreja e os seus ministros não exercem de modo legítimo qualquer ministério na Igreja".

 

 


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