6º Domingo Comum

14 de Fevereiro de 2010

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vamos Todos Guiados, F. da Silva, NRMS 14

 

Salmo 30, 3-4

Antífona de entrada: Sede a rocha do meu refúgio, Senhor, e a fortaleza da minha salvação. Para glória do vosso nome, guiai-me e conduzi-me.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Bendito o homem que põe no Senhor a sua esperança. O profeta Jeremias põe frente a frente a auto-suficiência daqueles que prescindem de Deus, com a atitude dos que escolhem confiar em Deus e entregar-se nas suas mãos. Prescindir de Deus é percorrer um caminho de morte. No Evangelho, Jesus proclama felizes os que constroem a sua vida à luz dos valores eternos e infelizes os que preferem o egoísmo. S. Paulo, falando da nossa ressurreição, consequência da ressurreição de Cristo, fortalece a nossa esperança: a nossa vida atingirá a felicidade total, no Reino dos Céus.

 

Oração colecta: Senhor, que prometestes estar presente nos corações rectos e sinceros, ajudai-nos com a vossa graça a viver de tal modo que mereçamos ser vossa morada. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Dois caminhos estão abertos para nós: o da maldição para quem afasta o seu coração do Senhor; o da bênção, para quem confia em Deus.

 

Jeremias 17, 5-8

5Eis o que diz o Senhor: «Maldito quem confia no homem e põe na carne toda a sua esperança, afastando o seu coração do Senhor. 6Será como o cardo na estepe que nem percebe quando chega a felicidade: habitará na aridez do deserto, terra salobra, onde ninguém habita. 7Bendito quem confia no Senhor e põe no Senhor a sua esperança. 8É como a árvore plantada à beira da água, que estende as suas raízes para a corrente: nada tem a temer quando vem o calor e a sua folhagem mantém-se sempre verde; em ano de estiagem não se inquieta e não deixa de produzir os seus frutos».

 

A composição de sabor sapiencial, que serve de portada ao Saltério, o Salmo 1, tem grande afinidade com este trecho do Profeta de Anatot. Porém aqui, para começar, em vez dum macarismo (bem-aventurança), temos uma maldição que é de fazer pensar.

5 Este versículo está construído segundo o chamado paralelismo simétrico: «carne» é um sinónimo de homem, na sua condição de ser frágil; apoiar-se no que é frágil é cavar a sua própria ruína; só confiar no Senhor é que vale (v. 7).

 

Salmo Responsorial      Sl 1, 1-2.3.4.6 (R. Sl 39,5a)

 

Monição: O salmista, utilizando uma linguagem poética com imagens tiradas da natureza, canta a felicidade e o bem-estar de quem se compraz na lei divina.

Em comunhão com toda a Igreja, cantamos: «Feliz o homem que pôs a sua esperança no Senhor!»

 

Refrão:         Feliz o homem que pôs a sua esperança no Senhor.

 

Feliz o homem que não segue o conselho dos ímpios,

nem se detém no caminho dos pecadores,

mas antes se compraz na lei do Senhor,

e nela medita dia e noite.

 

É como árvore plantada à beira das águas:

dá fruto a seu tempo e sua folhagem não murcha.

Tudo quanto fizer será bem sucedido.

 

Bem diferente é a sorte dos ímpios:

são como palha que o vento leva.

O Senhor vela pelo caminho dos justos,

mas o caminho dos pecadores leva à perdição.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A filosofia grega não aceitava a ressurreição dos corpos. S. Paulo estabelece a verdade: Cristo ressuscitou como primícias dos que morreram; portanto, nós também havemos de ressuscitar, pois é n’Ele que pomos a nossa esperança.

 

1 Coríntios 15, 12.16-20

Irmãos: 12Se pregamos que Cristo ressuscitou dos mortos, porque dizem alguns no meio de vós que não há ressurreição dos mortos? 16Se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. 17E se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, ainda estais nos vossos pecados; 18e assim, os que morreram em Cristo pereceram também. 19Se é só para a vida presente que temos posta em Cristo a nossa esperança, somos os mais miseráveis de todos os homens. 20Mas não. Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram.

 

16-17 «Se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou». Os cristãos de Corinto aceitavam a ressurreição de Cristo, uma verdade que pertencia ao núcleo essencial da fé anunciada, o «kérigma» (cf. nota 3-7 da II leitura do domingo anterior), mas talvez influenciados pelas filosofias gregas (cf. Act 17, 32), que consideravam a matéria má e o corpo um cárcere de que a alma se libertava ao morrer, mostrariam uma certa descrença quanto à ressurreição geral, aliás também negada pelos saduceus (cf. Mt 22, 23; Act 23, 7).

Paulo apoia-se num facto indiscutível, a ressurreição de Cristo, para demonstrar a possibilidade e a própria verdade da ressurreição universal. Argumenta ab absurdo, desenvolvendo de maneira convincente todas as consequências absurdas da hipótese de não existir ressurreição dos mortos; então também Cristo não teria ressuscitado. Neste caso, a pregação e a fé seriam totalmente vãs, vazias de sentido; os Apóstolos seriam falsas testemunhas de Deus, e os crentes estariam totalmente enganados; os que morreram teriam perecido para sempre (Paulo não considera aqui a salvação da alma separada do corpo, embora noutros textos a admita: cf. 2 Cor 5, 2-3.7); e os cristãos que vivem não só permaneceriam no pecado, como seriam «os mais miseráveis de todos os homens», pois, tendo renunciado a gozar tantos dos prazeres fáceis desta vida, ficavam incapacitados de alcançar a vida eterna, ganha pelo mistério pascal de Cristo.

20 «Como primícias dos que morreram», isto é, como os primeiros frutos que pela Lei pertenciam a Deus (os israelitas não podiam comer da nova colheita, sem as suas primícias terem sido oferecidas a Yahwéh). Cristo, que assumiu a nossa natureza e nos fez participar da sua vida divina, também assim nos precede em dignidade e no tempo, ressuscitando primeiro (cf. v. 23). Mas, este «primeiro» – primícias – não é meramente cronológico, pois é a causa eficiente e exemplar da ressurreição de todos os que estão unidos a Ele, e que já vivem como ressuscitados. Por outro lado, Cristo antecipou para Si o fim dos tempos em que se dará a ressurreição universal. Note-se como S. Paulo não foca a perspectiva da ressurreição dos condenados, que aliás não nega (cf. Jo 5, 29), pois esse não era o ponto que estava em questão, para além de não ser uma ressurreição gloriosa, como a de Cristo.

 

Aclamação ao Evangelho            Lc 6, 23ab

 

Monição. Jesus promete a felicidade celeste aos que, por seu amor, vivem despojados dos bens da terra: «Alegrai-vos e exultai, é grande no Céu a vossa recompensa.»

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 3,F. da Silva, NRMS 50-51

 

Alegrai-vos e exultai, diz o Senhor,

porque é grande no Céu a vossa recompensa.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 6, 17.20-26

Naquele tempo, 17Jesus desceu do monte, na companhia dos Apóstolos, e deteve-Se num sítio plano, com numerosos discípulos e uma grande multidão de toda a Judeia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e Sidónia. 20Erguendo então os olhos para os discípulos, disse: 21Bem-aventurados vós, os pobres, porque é vosso o reino de Deus. Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados. 22Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir. Bem-aventurados sereis, quando os homens vos odiarem, quando vos rejeitarem e insultarem e prescreverem o vosso nome como infame, por causa do Filho do homem. 23Alegrai-vos e exultai nesse dia, porque é grande no Céu a vossa recompensa. Era assim que os seus antepassados tratavam os profetas. 24Mas ai de vós, os ricos, porque já recebestes a vossa consolação. 25Ai de vós, que agora estais saciados, porque haveis de ter fome. Ai de vós, que rides agora, porque haveis de entristecer-vos e chorar. 26Ai de vós, quando todos os homens vos elogiarem. Era assim que os seus antepassados tratavam os falsos profetas.

 

Temos hoje o início de todo um conjunto (vv. 20-49) de ensinamentos de Jesus que em Lucas corresponde, em boa parte, ao «sermão da montanha» de Mt 5 – 7. Começa também pelas «Bem-aventuranças», mas há diferenças entre as 8 Bem-aventuranças de Mt 5, 3-10 e estas 4 (mais directas, porque na 2.ª pessoa do plural: «vós»), seguidas de 4 antíteses, que faltam em S. Mateus. É verosímil que Jesus repetisse, com algumas variantes, a mesma pregação em sítios e ocasiões diferentes; por outro lado, cada evangelista, inspirado por Deus, não deixa de ser um verdadeiro autor, e, como tal, pode produzir variantes redaccionais, ao escrever as palavras de Cristo, pensando no proveito dos seus imediatos destinatários: Mateus adaptando-se a cristãos vindos do judaísmo; Lucas, aos vindos do paganismo, por isso faz notar que seguiam Jesus pessoas vindas de zonas gentílicas, «do litoral de Tiro e Sidónia» (v. 17). Daí um diferente trabalho de resumir, agrupar e explicar as palavras do Senhor (cf. Dei Verbum, n.° 19). Isto bastaria para acharmos normal uma diferente redacção das Bem-aventuranças pelos dois evangelistas. De qualquer modo, muitos exegetas inclinam-se para que a formulação de S. Lucas, mais simples, directa e contundente, com o recurso ao paralelismo antitético, ao jeito semita, esteja mais próxima das palavras do Senhor; S. Mateus faz ressaltar mais o sentido espiritual das palavras de Jesus, patenteando a sua ressonância vétero-testamentária.

17 «Num sítio plano». Em Mateus temos um «monte»; em face do que acabámos de dizer, não precisamos de recorrer ao subterfúgio da «encosta» do monte para resolver a discrepância entre Lucas e Mateus; este ao escrever para cristãos vindos do judaísmo pretenderia que o leitor visse no «monte» uma alusão ao novo Sinai, onde o novo Moisés promulga a nova Lei. Bento XVI faz notar a perspectiva de Lucas: «Para Lucas, o facto de estar de pé (indicado pelo verbo grego, éstê, na tradução litúrgica, deteve-se) é expressão da majestade e autoridade de Jesus; a planície é o sinal da vastidão aonde Jesus envia a sua palavra...» (Jesus de Nazaré, p. 104).

20 «Bem-aventurados vós, os pobres». O facto de S. Lucas não acrescentar, como Mt 5, 3 «em espírito», não significa que pretendia inculcar um ideal de pobreza diferente; pensa-se que seja a linguagem mais próxima da de Jesus. «A pobreza de que aqui se trata, não se reduz jamais a um fenómeno puramente material. A pobreza puramente material não salva, embora os desventurados deste mundo possam certamente contar, de forma muito particular, com a bondade divina» (Jesus de Nazaré, p. 114). E logo a seguir Bento XVI faz aflorar uma ideia que desenvolve na recente encíclica Caritas in veritate: «É certo que o Sermão da Montanha enquanto tal não é um programa social; mas também é verdade que só onde permanecer viva nos sentimentos e no agir a grande orientação que o mesmo nos dá, só onde derivar da fé a força da renúncia e da responsabilidade pelo próximo e pela sociedade inteira, somente aí pode crescer a justiça social».

25-26 «Mas ai de vós!» Com estes quatro «ais», Jesus não lança maldições, mas sim um sério alerta para todos, para não se deixarem seduzir por falsas miragens: a sedução dos bens do mundo (v. 24), da gula (v. 25a), do gozo hedonista (v. 25b), da vanglória e ambição de honrarias e aplauso humano (v. 26).

 

Sugestões para a homilia

 

A felicidade é uma escolha

Bendito o homem que confia no Senhor

A felicidade é uma escolha

Como Moisés (Ex 19, 21), Jesus desce da montanha onde tinha passado a noite em oração (Lc 6, 12). Jesus, sendo Deus, ensina-nos que a felicidade não é uma questão de sorte, de saúde, êxito, dinheiro. A felicidade é uma escolha: podemos decidir ser felizes, apesar da pobreza, da fome, dos insultos: «felizes, vós, os pobres, que agora tendes fome e chorais.» S. Mateus tinha dito: «os pobres de coração». S. Lucas fala da pobreza real, fala de pessoas concretas, que sofrem fisicamente. O advérbio «agora» sugere uma situação verdadeira e precisa, mas aponta para uma mudança: «Vós que agora chorais, haveis de rir». Para S. Lucas Jesus é o Messias dos pobres. Viveu uma vida pobre, partilhou a sorte dos pobres: desde o Presépio ao Calvário, sem ter uma pedra onde reclinar a cabeça. Jesus sofreu os insultos e o desprezo como a pobre gente do seu tempo. «Felizes, vós, os pobres». Mas, felizes porquê? Jesus responde: Felizes de vós, meus discípulos, que renunciastes aos bens deste mundo, escolhendo ser pobres, por minha causa, porque é vosso o Reino dos Céus! Mas bastará ser reduzido à miséria para ser feliz? De modo algum. O ideal da felicidade cristã não consiste na indigência. A razão da alegria anunciada aos pobres está contida na promessa que lhes é anunciada: para eles chegou o reino de Deus. Para quem confia em Deus e não nas riquezas começou um mundo novo. É necessário ser pobre por causa «do Filho do Homem». Reparemos na subtileza da frase pronunciada por Jesus: a felicidade que Ele propõe começa neste mundo, mas só será perfeita apenas no Céu. «Alegrai-vos e exultai nesse dia!» Nesse dia, deste tempo presente, em que se sofre por causa do nome de Jesus. «Alegrai-vos e exultai nesse dia, porque é grande a vossa recompensa no reino de Deus.» Também S. Paulo, na segunda leitura afirmava categoricamente: Se é só para a vida presente que temos em Cristo a nossa esperança somos os mais desgraçados de todos os homens. A nossa esperança alimenta-se na fé em Jesus Cristo, morto e ressuscitado e não nos bens deste mundo. Deus oferece a felicidade a todos, mas na realidade, só os corações desprendidos dos bens terrenos são capazes de possuir a Bem-aventurança definitiva!

Bendito o homem que confia no Senhor

O profeta Jeremias, na primeira leitura, tem palavras semelhantes às de Jesus, no Evangelho. «Feliz o homem que põe a sua esperança no Senhor. Maldito o homem que põe na carne toda a sua esperança, afastando o seu coração de Deus». O grande risco da riqueza consiste em confiar nos bens, pensando que podemos ser felizes sem Deus. A riqueza faz desaparecer a fome de Deus e encerra o coração nos prazeres temporais. Só Deus é capaz de saciar a nossa fome de felicidade eterna. A riqueza que promete a felicidade, é mentirosa. A única felicidade definitiva é o amor, é Deus, é o Reino de Deus. Por isso, Jesus lamenta a posição dos ricos: «Ai de vós, os ricos!» A riqueza não é uma maldição! Jesus não vem para condenar, mas para salvar. A frase de Jesus é uma espécie de grito de dor; é como se dissesse: que pena e que tristeza quando um homem põe a sua confiança nos bens passageiros, recusando os bens eternos. Os ricos são incapazes de acolher o convite para o banquete do céu porque já se estão a banquetear na terra. Por isso, lhes diz o Senhor: «ai de vós, pois já recebestes todas as consolações.»

O pensamento de Jesus sobre este tema, aparece em várias passagens da Bíblia para nos dizer que há uma oposição irredutível entre o Reino de Deus e a riqueza. «Não podemos servir a Deus e ao dinheiro» (Lc 16, 13). «Deus despede os ricos de mãos vazias, mas enche de bens os famintos» (Lc. 1, 53). Estamos decididos a seguir Jesus, que sendo rico Se fez pobre? (2 Cor 8, 9)

 

 

Fala o Santo Padre

 

O Evangelho deste domingo contém uma das palavras mais típicas e fortes da pregação de Jesus: «Amai os vossos inimigos» (Lc 6, 27). É tirada do Evangelho de Lucas, mas se encontra também no de Mateus (5, 44), no contexto do discurso programático que se abre com as famosas «Bem-Aventuranças». Jesus pronunciou-o na Galileia, no início da sua vida pública: quase uma «declaração» apresentada a todos, com a qual Ele pede a adesão dos seus discípulos, propondo-lhes em termos radicais o seu modelo de vida. Mas qual é o sentido desta sua palavra? Por que Jesus pede para amar os próprios inimigos, isto é, um amor que excede as capacidades humanas?

Na realidade, a proposta de Cristo é realista, pois considera que no mundo existe demasiada violência, demasiada injustiça, e portanto, não se pode superar esta situação excepto se lhe contrapuser um algo mais de amor, um algo mais de bondade. Este «algo mais» vem de Deus: é a sua misericórdia, que se fez carne em Jesus e que sozinha pode «inclinar» o mundo do mal para o bem, a partir daquele pequeno e decisivo «mundo» que é o coração do homem.

Exactamente esta página evangélica é considerada a magna carta da não-violência cristã, que não consiste em entregar-se ao mal segundo uma falsa interpretação do «oferecer a outra face» (cf. Lc 6, 29) mas em responder ao mal com o bem (cf. Rm 12, 17-21), quebrando dessa forma a corrente da injustiça. Então, compreende-se que a não-violência para os cristãos não é um mero comportamento táctico, mas um modo de ser da pessoa, uma atitude de quem está tão convicto do amor de Deus e do seu poder, que não tem medo de enfrentar o mal somente com as armas do amor e da verdade. O amor ao inimigo constitui o núcleo da «revolução cristã», uma revolução baseada não em estratégias de poder económico, político ou mediático. A revolução do amor, um amor que definitivamente não se apoia nos recursos humanos, mas é dom de Deus que se obtém confiando unicamente e sem reservas na sua bondade misericordiosa. Eis a novidade do Evangelho, que muda o mundo sem fazer rumor. Eis o heroísmo dos «pequenos», que crêem no amor de Deus e o difundem até à custa da vida.

Queridos irmãos e irmãs, a Quaresma, que iniciará na quarta-feira próxima com o rito das Cinzas, é um período favorável no qual todos os cristãos estão convidados a converter-se cada vez mais profundamente ao amor de Cristo. Peçamos à Virgem Maria, meiga discípula do Redentor, que nos ajude a deixarmo-nos conquistar sem reservas por aquele amor, a aprendermos a amar como Ele nos amou, para sermos misericordiosos como é misericordioso o nosso Pai que está nos céus (cf. Lc 6, 36).

Bento XVI, Vaticano, 18 de Fevereiro de 2007

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs, ouvimos Jesus proclamar que são bem-aventurados os que têm fome

e infelizes os que estão saciados de bens. Peçamos por uns e outros, dizendo cheios de confiança:

 

Senhor, abençoai o vosso povo!

 

1.  Pela Santa Igreja para que seja capaz de alimentar

a todos os que têm fome e sede, oremos.

 

2.  Por todos os governantes do mundo

para que tenham em atenção os indigentes e excluídos, oremos

 

3.  Pelos pobres, que batem a nossa porta;

pelos ricos, para que ajudem os que precisam, oremos.

 

4.  Pelos que têm fome de pão e de esperança

e pelos que repartem os seus bens pelos mais pobres, oremos.

 

5.  Pela nossa comunidade para se mantenha sempre fiel ao exemplo de Jesus,

ajudando a resolver as necessidades das pessoas, oremos.

 

Deus de infinita bondade, fazei-nos repartir com quem não tem, o pão que sobeja em nossas mesas.

Por Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Levamos ao Vosso Altar, M. Borda, NRMS 43

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, que estes dons sagrados nos purifiquem e renovem, para que, obedecendo sempre à vossa vontade, alcancemos a recompensa eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: Santo IV, H. Faria, NRMS 103-104

 

Monição da Comunhão

 

Com Nossa Senhora agradeçamos a Deus que alimenta e enche de seus bens os que têm fome e sede de justiça. Sejamos pobres de coração, porque Deus despede os ricos com as mãos vazias (Lc 1, 53).

 

Cântico da Comunhão: Bem Aventurados os que Têm Fome, Az. Oliveira, NRMS 63

 

Salmo 77, 24.29

Antífona da comunhão: O Senhor deu-lhes o pão do Céu: comeram e ficaram saciados.

 

ou

Jo 3, 16

Deus amou tanto o mundo que Ihe deu o seu Filho Unigénito. Quem acredita n'Ele tem a vida eterna.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão do Céu, concedei-nos a graça de buscarmos sempre aquelas realidades que nos dão a verdadeira vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A Bem-aventurada Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Missionárias da Caridade fez este comentário ao Evangelho da viúva pobre: «É preciso dar o que vos custa um pouco. Não basta dar apenas aquilo sem o qual podemos passar, mas também aquilo sem o que não podemos ou não queremos passar, as coisas a que estamos apegados. A vossa dádiva torna-se então um sacrifício que terá valor aos olhos de Deus. Um dia, um mendigo aproximou-se de mim e disse-me: «Madre Teresa, toda a gente te dá presentes; também eu quero dar-te qualquer coisa. Hoje, recebi apenas vinte e nove cêntimos em todo o dia e quero dar-tos». Eu reflecti um momento; se recebo estes vinte e nove cêntimos (o que não é quase nada), ele arrisca-se a não ter nada para comer esta noite, e se não os receber, dar-lhe-ei um desgosto. Então, estendi as mãos e recebi o dinheiro. Nunca vi, seguramente, um rosto espelhar tanta alegria como o daquele homem, tão feliz por ter podido dar um presente à madre Teresa! Era um enorme sacrifício para ele, que tinha mendigado todo o dia. Mas era também maravilhoso, porque estas moedas, a que ele renunciava, tornaram-se uma fortuna, porque foram dadas com muito amor.»

 

Cântico final: Ao Deus do Universo, J. Santos, NRMS 1(I)

 

 

Homilias Feriais

 

6ª SEMANA

 

2ª Feira, 15-II: Os sinais da celebração sacramental.

Tg 1, 1-11 / Mc 8, 8, 11-13

Jesus suspirou do fundo da alma e respondeu-lhes: Por que pede esta geração um sinal?

Embora Jesus tenha recusado dar um sinal do céu aos fariseus, serviu-se no entanto de muitos sinais: na criação, nas curas, na nova Aliança, etc., porque Ele próprio é o sentido de todos esses sinais (CIC, 1151).

Cada celebração sacramental é um diálogo com Deus, através de palavras e acções. É necessário pois que a palavra de Deus e a nossa resposta de fé dêem vida a estas acções (CIC, 1153). S. Tiago aconselha-nos a pedir e a actuar com fé, pois aquele que hesita é agitado como as ondas do mar, lançado pelo vento de um lado para o outro.

 

3ª Feira, 16-II: Tentação e provação.

Tg 1, 12-18 / Mc 8, 14-21

Cada qual é tentado pelos seus desejos maus, que o arrastam e o procuram atrair.

«Deus não pode ser tentado para o mal, nem tenta ninguém (Leit). Pelo contrário, Ele quer livrar-nos do mal. O que lhe pedimos é que não nos deixe seguir pelo caminho, que conduz ao pecado» (CIC, 2846).

É importante distinguir entre provação e tentação que conduz ao pecado: «O Espírito Santo permite-nos discernir entre a provação, necessária ao crescimento do homem interior, em vista de uma virtude comprovada e a tentação que conduz ao pecado e à morte (Leit). Devemos também distinguir entre ‘ser tentado’ e ‘consentir’ na tentação» (CIC, 2847).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          José Roque

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                 Duarte Nuno Rocha

 


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