Apresentação do Senhor

02 de Fevereiro de 2010

Festa

 

BÊNÇÃO E PROCISSÃO DAS VELAS

 

 

Primeira forma: Procissão

 

1.   À hora marcada, reúnem-se os fiéis numa igreja secundária ou noutro local apropriado, fora da igreja para a qual se dirigirá a procissão. Os fiéis têm nas mãos as velas apagadas.

 

2.   O sacerdote aproxima-se, acompanhado dos ministros, revestido com paramentos brancos como para a Missa. Em vez da casula pode levar o pluvial, que deporá no fim da procissão.

 

3.   Enquanto se acendem as velas, canta-se a antífona: O Senhor virá com poder e iluminará os olhos dos seus servos. Aleluia, ou outro cântico apropriado.

 

4.   O sacerdote saúda a assembleia como habitualmente e em seguida faz uma breve admonição para exortar os fiéis a celebrarem activa e conscientemente este rito festivo. Para isso, pode dizer estas palavras ou outras semelhantes:

 

Caríssimos irmãos:

Celebrámos com muita alegria, há quarenta dias, a solenidade do Natal do Senhor.

Hoje é o santo dia em que Jesus foi apresentado no templo por Maria e José. Exteriormente cumpria as prescrições da lei, mas na realidade vinha ao encontro do seu povo fiel.

Aqueles dois santos velhos, Simeão e Ana, tinham vindo ao templo sob a inspiração do Espírito Santo; iluminados pelo Espírito, reconheceram o Senhor e anunciavam-no a todos com entusiasmo.

Também nós, aqui reunidos pelo Espírito Santo, caminhemos para a casa do Senhor ao encontro de Cristo. Aí O encontraremos e O reconheceremos na fracção do pão, enquanto aguardamos a sua vinda gloriosa.

 

 

5.   Terminada a admonição, o sacerdote procede à bênção das velas, dizendo de mãos juntas:

 

Oremos:

Senhor nosso Deus, fonte e origem de toda a luz, que neste dia mostrastes ao santo velho Simeão a luz que veio para se revelar às nações, humildemente Vos suplicamos: santificai com a vossa + bênção estas velas e ouvi a oração do vosso povo que se reuniu para as levar solenemente em honra do vosso nome, de modo que, seguindo sempre o caminho da virtude, chegue um dia à luz que jamais se extingue. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Ou então

 

Oremos:

Senhor Deus, fonte e origem da luz eterna, infundi no coração dos fiéis a claridade da luz que não tem ocaso, para que todos nós, iluminados no vosso templo santo pelo esplendor destas luzes, mereçamos chegar um dia à luz da vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

E asperge as velas com água benta sem dizer nada.

 

6.   Seguidamente, o sacerdote recebe a vela que está preparada para ele e dá início à procissão, dizendo:

 

Caminhemos em paz ao encontro de Cristo.

 

7.   Durante a procissão, canta-se a seguinte antífona com o respectivo cântico, ou outro cântico apropriado:

 

Antífona:     Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

Agora, Senhor, segundo a vossa palavra,

deixareis ir em paz o vosso servo.

 

Antífona:     Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

Os meus olhos viram a salvação

que oferecestes a todos os povos.

 

Antífona:     Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

8.   Ao entrar a procissão na igreja, canta-se a antífona de entrada da Missa. O sacerdote, depois de chegar ao altar, faz a devida reverência e, se parecer oportuno, incensa-o. Depois vai para a sua sede; ali, depõe o pluvial (se foi usado na procissão) e veste a casula.

 

Segue-se o canto do Glória, depois do qual, como de costume, diz a Oração Colecta. A Missa continua na forma habitual.

 

 

Segunda forma: Entrada Solene

 

9.   Os fiéis reúnem-se na igreja com as velas na mão. O sacerdote, revestido de paramentos brancos, acompanhado dos ministros e de uma representação da assembleia, dirige-se para o lugar mais conveniente, à porta da igreja ou dentro dela, onde ao menos uma grande parte dos fiéis possa ver facilmente o rito e participar nele.

 

10.                Quando o sacerdote tiver chegado ao lugar destinado para a bênção das velas, acendem-se as velas, enquanto se canta a antífona O Senhor virá com poder, ou outro cântico apropriado.

 

11.                Em seguida, o sacerdote, depois da saudação e da admonição, procede à bênção das velas, como acima se indica (nn. 4-5). Segue-se a procissão em direcção ao altar, durante a qual se canta a antífona própria ou um cântico apropriado (nn. 6-7). Para a Missa, observe-se o que está indicado no n. 8.

 

 

Cântico de entrada: O Senhor do Universo, F. da Silva, NRMS 21

Salmo 47, 10-11

Antífona de entrada: Recordamos, Senhor, a vossa misericórdia no meio do vosso templo. Toda a terra proclama o louvor do vosso nome, porque sois justo e santo, Senhor nosso Deus.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Quem disser que não peca engana-se e mente. Todos nós sentimos que erramos e, por isso, nos sentimos impuros.

As leituras deste dia vêm responder a este nosso desejo de purificação. Deus não fica indiferente, vem ao nosso encontro, não para nos repreender e castigar, como muitos intitulados de intelectuais ousam pensar, mas para nos purificar.

Ora, Jesus veio ao mundo para operar essa nossa purificação do estado do pecado e da morte.

Talvez que a nossa prática religiosa precise ainda de uma depuração com o “fogo e a lixívia” de que ouviremos falar numa das leituras deste dia.

Saibamos entrar dentro de nós próprios e verificar o que teremos de branquear.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, humildemente Vos suplicamos que, assim como o vosso Filho Unigénito foi neste dia apresentado no templo, revestido da natureza humana, assim também, de alma purificada, nos apresentemos diante de Vós. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Geralmente escandalizamo-nos porque na retribuição terrestre, os maus, mesmo prejudicando outros, levam sempre a melhor e ainda são respeitados. Malaquias responde a esse escândalo, mostrando que Deus intervirá, originando uma nova ordem, na qual a justiça será feita e o direito restaurado para todos.

 

Malaquias 3, 1-4

2Assim fala o Senhor Deus: «Vou enviar o meu mensageiro, para preparar o caminho diante de Mim. Imediatamente entrará no seu templo o Senhor a quem buscais, o Anjo da Aliança por quem suspirais. Ele aí vem–diz o Senhor do Universo –. 2Mas quem poderá suportar o dia da sua vinda, quem resistirá quando Ele aparecer? Ele é como o fogo do fundidor e como a lixívia dos lavandeiros. 3Sentar-Se-á para fundir e purificar: purificará os filhos de Levi, como se purifica o ouro e a prata, e eles serão para o Senhor os que apresentam a oblação segundo a justiça. 4Então a oblação de Judá e de Jerusalém será agradável ao Senhor, como nos dias antigos, como nos anos de outrora.

 

A leitura do profeta Malaquias é um pequeno extracto da passagem (2, 17 – 3, 5) relativa aos tempos escatológicos – o dia do Senhor –, em que se dará uma radical purificação do sacerdócio («os filhos de Leví», v. 3).

1 «Anjo da Aliança». Ele é o próprio Senhor «por quem suspirais». A profecia teve o seu pleno cumprimento em Jesus Cristo, o Filho de Deus enviado à terra. A vinda deste «Anjo da Aliança» será preparada por um «mensageiro», que, segundo a interpretação dada em Mt 11, 10, é João Baptista, o Precursor. Daqui procede o uso da Liturgia, que dá o titulo de Santo Anjo a Cristo (Cânone Romano).

Tenha-se em conta que, por vezes, no Antigo Testamento, se designa com o nome de Anjo o próprio Deus que se manifesta: assim em Gn 16, 7.13 e Ex 3, 2, etc.. Nestes casos, «anjo» não tem o sentido frequente já no A. T. de enviado de Deus, mas o de presença ou manifestação visível de Deus.

 

Salmo Responsorial      Sl 23 (24), 7.8.9.10 (R. 10b)

 

Monição: Neste salmo proclamamos que as portas humanas, isto é, as nossas mentalidades mesquinhas, deverão ser elevadas para nelas poder entrar e imperar o Rei do Universo, o Senhor nosso Deus.

 

Refrão:         O Senhor do Universo é o Rei da glória.

 

Levantai, ó portas, os vossos umbrais,

alteai-vos, pórticos antigos,

e entrará o Rei da glória.

 

Quem é esse Rei da glória?

O Senhor forte e poderoso,

o Senhor poderoso nas batalhas.

 

Levantai, ó portas, os vossos umbrais,

alteai-vos, pórticos antigos,

e entrará o Rei da glória.

 

Quem é esse Rei da glória?

O Senhor dos Exércitos,

é Ele o Rei da glória.

 

 

Aclamação ao Evangelho            Lc 2, 32

 

Monição: Jesus é sinal de contradição, isto é, julgamento para os ricos e poderosos e libertação para os pobres e perseguidos.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação-1, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

 

Evangelho *

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Lucas 2, 22-40       Forma breve: São Lucas 2, 22-32

22Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, 23como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», 24e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. 25Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel e o Espírito Santo estava nele. 26O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor 27e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, 28Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: 29«Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, 30porque os meus olhos viram a vossa salvação, 31que pusestes ao alcance de todos os povos: 32luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo».

[33O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. 34Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição – 35e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». 36Havia também uma profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada 37e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. 38Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. 39Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. 40Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.]

 

A ida de Maria a Jerusalém para cumprir a lei da purificação das parturientes (Lv 12) serve de ocasião para que José e Maria procedam a um gesto que não estava propriamente prescrito pela Lei. Apresentar ali o Menino ao Senhor é um gesto de oferta que mostra que Ele não lhes pertence e que se sentem meros depositários dum tesoiro de infinito valor. Pode também ver-se o sentido de imitação do gesto de Ana, mãe de Samuel (Sam 1, 11.22-28). Mas se a lei não preceituava a «apresentação», obrigava ao resgate do primogénito varão (não pertencente à tribo de Levi). Segundo Ex 13, o primogénito animal devia ser oferecido em sacrifício, ao passo que o primogénito humano devia ser resgatado, tudo isto era justificado como uma forma de reconhecimento pelos primogénitos dos israelitas não terem sido sacrificados juntamente com os dos egípcios. O preço do resgate eram 5 siclos do santuário. Cada siclo de prata, no padrão do santuário, constava de vinte grãos com o peso total de 11,4 gramas. S. Lucas não fala deste resgate de 57 gramas de prata, que podia ser pago a qualquer sacerdote em qualquer parte da nação judaica; o evangelista apenas faz uma referência genérica ao cumprimento da Lei (v. 23; cf. Ex 13, 2.12-13).

24 A lei da purificação atingia toda a parturiente, a qual contraía impureza legal durante 7 dias, se dava à luz um rapaz, (Ex 12, 28, mas a jurisprudência judaica já tinha acrescentado mais 33 dias, um total de 40) e durante 14 dias, se tinha uma menina (tinha subido na época para 80 dias). No fim desse tempo, devia ser declarada pura mediante a oferta no templo duma rês menor (podia ser um cordeiro) e duma pomba ou rola. Quando a mãe não dispunha de meios para oferecer uma rês menor, podia oferecer um par de pombas ou rolas, como aqui se refere.

Tenha-se em conta que a «impureza legal ou ritual» não incluía a noção de pecado, ou de impureza moral. De modo particular todas as coisas relativas à transmissão da vida, mesmo no caso de serem moralmente boas, como a maternidade e o uso legítimo do matrimónio, ou moralmente indiferentes, como a menstruação e a polução nocturna, tornavam a pessoa impura, isto é, inapta para o culto de Deus Santo. A razão disto estava no carácter sagrado da vida e da sua transmissão. Parece que tudo isto implicava alguma perda de vitalidade, que devia ser reparada mediante certos ritos, para de novo poder entrar em comunhão com Deus, a plenitude e a fonte da vida. Estas leis tinham uma finalidade eminentemente didáctica: o povo de Israel era um povo santo, especialmente dedicado a Deus e ao seu culto, e em comunhão com Ele (cf. Ex 19, 5-6; Lv 19, 2). Todas as normas de pureza ritual faziam-no tomar constantemente consciência das suas relações particularíssimas com Deus e do sentido cultual da sua vida diária. A verdade é que a frequência e abundância dos ritos nem sempre foi alicerçada num coração dedicado a Deus, tendo degenerado no formalismo religioso tão denunciado pelos profetas e por Jesus Cristo (cf. Is 29, 13; Mt 15, 7-9).

Em face disto, o rito da Purificação de Maria, não pressupõe a aparência sequer de qualquer imperfeição moral ou legal da parte da SSª Virgem, como se poderia pensar. O gesto de Maria aparece como uma singular lição de naturalidade, de obediência e de pureza, cumprindo uma lei a que não estava sujeita, por ser a aeiparthénos, a sempre Virgem; Maria, a tão privilegiada, não quer para si um regime de excepção e privilégio.

25 «Simeão», de quem não temos mais notícias (supõe-se que seria velho, – assim a Liturgia – embora aqui não se diga), aparece como um dos «piedosos» do judaísmo que esperava não um messias revolucionário (como os zelotas), mas o verdadeiro Salvador – «a consolação de Israel». Apesar do que se diz no v. 34, não parece ser sacerdote, não estando no serviço do templo, mas tendo vindo lá «movido pelo Espírito» (v. 27). Há quem o considere filho do grande rabino Hillel e pai do célebre Gamaliel I (Vacari; cf. Act 5, 34; 22, 3), mas sem provas convincentes.

33 A naturalidade com que S. Lucas chama a S. José «pai de Jesus» não implica qualquer contradição com o que antes afirmou em 1, 26-38. Aqui visa o poder e missão paterna, de modo nenhum a ascendência carnal.

35 «Assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Estas palavras ligam-se a «sinal de contradição». É que, diante de Jesus, não há lugar para a neutralidade: a sua pessoa, a sua obra e a sua mensagem fazem com que os homens revelem o seu interior, tomando uma atitude pró ou contra; a aceitação e a fé será, para muitos, motivo de salvação, ou «ressurgimento espiritual» («se levantem»), ao passo que a rejeição culpável será motivo de que muitos se condenem («muitos caiam»).

36-37 Põe-se em relevo a sua longa viuvez, como algo digno de veneração.

38 Não se afasta do Templo: hipérbole para indicar a frequência diária.

39 Este v. corresponde a Mt 2, 23, mas Lucas não relata aqui a fuga para o Egipto.

40 A Teologia explicita que «o Menino crescia», não só na manifestação da sabedoria, mas também no conhecimento experimental.

Comentário à Procissão das velas do Bº Guerric d'Igny:

«Porque meus olhos viram a Salvação que ofereceste a todos os povos». Eis, meus irmãos, entre as mãos de Simeão, um círio aceso. Acendei também, nesta luminária, os vossos círios, lâmpadas que o Senhor vos ordena que segureis, acesas, em vossas mãos (Lc 12,35). «Aqueles que O contemplam ficam iluminados» (Sl 33,6); aproximai-vos pois, de maneira a serdes, mais que meros portadores de velas, luzes que brilham no interior e no exterior, para vós mesmos e para o próximo. Que haja portanto uma vela acesa no vosso coração, na vossa mão, na vossa boca! Que a lâmpada que tendes no coração brilhe para vós mesmos, que a lâmpada que tendes na mão e na boca brilhe para o vosso próximo. A lâmpada que tendes em vosso coração é a devoção inspirada pela fé; a lâmpada que tendes em vossa mão, o exemplo das boas obras; a lâmpada na vossa boca, a palavra que edifica. Porque não devemos contentar-nos em ser luzes aos olhos dos homens por nossos actos e palavras, pois é preciso também que brilhemos diante dos anjos, com a oração, e diante de Deus, com as nossas intenções. A nossa lâmpada diante dos anjos é a pureza da devoção que nos faz cantar com recolhimento ou rezar com fervor, na sua presença. A nossa lâmpada diante de Deus é a resolução sincera de agradar unicamente Àquele diante de Quem encontrámos a graça. [...] Assim, a fim de acendermos todas estas lâmpadas, deixai-vos iluminar, irmãos, aproximando-vos da fonte da luz, Jesus, que brilha nas mãos de Simeão. Ele quer, seguramente, iluminar a vossa fé, fazer resplandecer as vossas obras, inspirar-vos palavras para dizerdes aos homens, encher-vos de fervor na oração e purificar as vossas intenções [...]. E, quando a lâmpada desta vida se extinguir [...], vereis a luz da vida que não se extingue levantar-se e elevar-se na noite como o esplendor da luz do meio-dia».

 

Sugestões para a homilia

 

A promessa de Deus

A sua realização

Ajuda em toda a provação

A promessa de Deus

Nós estamos habituados a cumprir um certo número de práticas religiosas para «estarmos de bem com o Senhor» e ficamos melindrados porque, na nossa maneira de pensar, os «malvados» são bem vistos e recompensados pelo Senhor. Assim pensavam também os israelitas.

Ora, Malaquias diz na sua profecia que o Senhor responde a esta questão com uma promessa solene: «Enviarei o meu mensageiro, para que me prepare o caminho» e depois – continua – aparecerá um outro chamado «Senhor», «Anjo da Aliança», «Senhor do Universo», que depurará a religião de Israel. Actuará como o «fogo dos fundidores» e a «lixívia dos lavandeiros». É evidente que o fogo aniquila os resíduos dos metais e a lixívia queima numa ferida, mas branqueia e limpa os tecidos e as roupas manchadas. Assim será preciso que aconteça com a nossa maneira errada de pensar e agir, para que se complete em nós a promessa do Senhor.

A sua realização

Tal promessa cumpriu-se com a vinda de Jesus, que introduziu a única religião agradável a Deus, a do coração, a do amor aos homens. Jesus anulou para sempre a religião composta pelos homens, a que não é adesão a Deus e que se reduz a gestos quase mágicos, mas instituiu a Eucaristia para expressar a plena anuência a Ele e à sua promessa de vida.

Talvez a nossa prática religiosa ainda precise de uma purificação com o «fogo» e com a «lixívia» (cada um terá de se interrogar!). Não estará circunscrita ainda a simples ritos que não modificam o nosso coração, que nos deixam conviver com os nossos egoísmos e paixões, com as nossas misérias e infidelidades?

Mas Jesus será sempre a ajuda necessária para todas as nossas dificuldades.

Ajuda em toda a provação

Ele não ficou no céu para nos indicar, do alto, o caminho que conduz à libertação, para nos apontar de longe os procedimentos a seguir. Deixou-se ser tentado durante toda a sua vida, como homem que era, sem se deixar vencer pela tentação, mas fazendo em tudo a vontade de seu Pai. Mesmo sendo Deus aceitou em tudo a condição humana e partilhou, desde a infância, todas as experiências humanas. Deixou-se envolver pessoalmente nos nossos dramas, nas nossas dúvidas, nas nossas angústias, nos nossos problemas.

A família de Nazaré seguiu o cumprimento escrupuloso de todas as determinações da lei do Senhor. Por isso, desde os primeiros anos da sua vida, Jesus cumpriu fielmente a vontade do Pai, vontade que se declara nas sagradas Escrituras. Os pais consagraram-no ao Senhor desde o início da sua vida, educando-O coerentemente com a fé que professavam. Simeão, quando o Menino lhe é apresentado, mostra que Jesus não pertence apenas ao seu povo, mas está destinado à salvação de todas as gentes e será luz para todas as nações.

Todos os pais se preocupam justamente em dar uma educação, uma instrução, um trabalho e uma boa posição social aos seus filhos, mas isto não é suficiente: têm uma outra missão, muito mais importante, a cumprir: devem, à semelhança da sagrada família, consagrar os seus filhos ao Senhor desde o início da sua vida. Educá-los para uma vida cristã fiel e coerente com tudo aquilo que se encontra descrito no Evangelho.

A vida autenticamente cristã dos pais é a melhor maneira de dar catequese aos filhos: rezando em família, lendo a Bíblia para nela encontrar a luz da própria vida, participando nos encontros da comunidade cristã, praticando o amor, o perdão e a generosidade. Os filhos seguirão o exemplo que virem na prática dos pais.

É de louvar também o bom costume do nosso povo de apresentar e consagrar no dia de hoje as crianças ao Senhor, entregando-as à vigilância maternal da Virgem Nossa Senhora, também denominada Senhora das Candeias ou da Candelária.

 

 

Oração Universal

 

Senhor, nosso Deus e Pai,

escutai a nossa oração

neste dia da apresentação no templo

de vosso Filho Jesus,

e com o auxílio da Nossa Senhora

digamos:

 

Senhor, auxiliai os vossos filhos.

 

1. Pelo Santo Padre, o Papa, pelos Bispos, Presbíteros e Diáconos,

para que com a sua vida

sejam expressão fiel de fé e de adesão a Deus,

oremos, irmãos.

 

2. Por todos os baptizados,

para que sejam fiéis praticantes

da única religião agradável a Deus,

a do coração e amor ao homem,

oremos, irmãos.

 

3. Por todos os pais,

para que eduquem os seus filhos

através do exemplo de uma vida cristã

autenticamente vivida,

oremos, irmãos.

 

4. Por todos os avós,

para que sejam verdadeiros auxiliares dos pais

na educação integral dos seus netos

oremos, irmãos.

 

5. Por todos os mais idosos,

para que, à semelhança do velho Simeão,

saibam comunicar aos mais jovens

a alegria, a esperança e o optimismo

num futuro melhor,

oremos, irmãos.

 

Ouvi, Senhor, as nossas orações

e ajudai-nos a sermos fiéis ao nosso baptismo,

na intimidade com o Senhor

e no serviço à comunidade onde estamos inseridos.

Com o auxílio de Nossa Senhora das Candeias

e por nosso Senhor Jesus Cristo,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: O Pão da Vida Eterna, B. Salgado, CT 74

 

Oração sobre as oblatas: Senhor, que na vossa bondade quisestes que o vosso Filho Unigénito Se oferecesse a Vós como Cordeiro sem mancha pela vida do mundo, fazei que Vos seja agradável a oblação da vossa Igreja em festa. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

Cristo, luz das nações

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte.

Hoje o vosso Filho, eterno como Vós, é apresentado no templo e proclamado pelo Espírito Santo glória de Israel e luz das nações.

Por isso, vamos com alegria ao encontro do Salvador e com os Anjos e os Santos proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 14

 

Monição da Comunhão

 

Que a sagrada comunhão, que com todo o respeito agora iremos receber, nos purifique de todas as nossas acções e nos fortaleça a vontade para rezarmos em família, aprendermos com a leitura da Palavra de Deus, nos comprometermos com a nossa comunidade e praticarmos o perdão, o amor e a generosidade para com todos os nossos irmãos.

 

Cântico da Comunhão: O Corpo de Jesus é Alimento, A. Cartageno, NRMS 60

 

Lc 2, 30-31

Antífona da comunhão: Os meus olhos viram a salvação que oferecestes a todos os povos.

 

Cântico de acção de graças: Deixai-me Saborear, F. da Silva, NRMS 17

 

Oração depois da comunhão: Deus de bondade, que respondestes à esperança do santo Simeão, confirmai em nós a obra da vossa graça: assim como lhe destes a alegria de receber em seus braços, antes de morrer, a Cristo vosso Filho, concedei que também nós, fortalecidos por estes sacramentos, caminhemos ao encontro do Senhor e alcancemos a vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Que o Senhor nos ajude a praticar os ensinamentos que a liturgia deste dia pôs à nossa consideração e que a Virgem Santa Maria, Nossa Senhora das Candeias, nos guie em todos os nossos caminhos e auxilie em todas as provações.

 

Cântico final: Aleluia! Glória a Deus, F. Silva, NRMS 92

 

 

Homilias Feriais

 

4ª Feira, 3-II: Confiança em Deus e contrição.

2 Sam 24, 2. 8-17 / Mc 6, 1-6

Jesus não pode fazer ali qualquer milagre. Estava admirado com a falta de fé daquela gente.

Jesus entristece-se por causa da falta de fé dos seus conterrâneos (Ev). Também por falta de confiança em Deus, David quis saber quantos homens de guerra podia ter à sua disposição para os combates (Leit). Acabou por reconhecer o seu pecado e pediu perdão ao Senhor, aceitando qualquer penitência que lhe fosse imposta.

Quando fizermos alguma coisa que não agrada a Deus, recorramos à contrição, que é «uma dor de alma e uma detestação do pecado cometido, com o propósito de não pecar mais no futuro» (CIC 1452).

 

5ª Feira, 4-II: Uma nova visão da doença e dos doentes.

1 Re 2, 1-4. 10-12 / Mc 6, 7-13

Os Apóstolos partiram e pregaram que era preciso cada um arrepender-se. Expulsavam muitos demónios, ungiam com óleo muitos doentes e curavam-nos.

«Seguindo-o, os discípulos adquirem uma nova dimensão da doença e dos doentes. Jesus associa-os à sua vida pobre e servidora. Fá-los participar do seu ministério de compaixão e de cura (Ev)» (CIC, 1506).

O rei David, ao ver aproximar-se o dia da sua morte, quis deixar um testamento a seu filho (Leit). Não deixemos de ajudar aqueles que padecem graves enfermidades ou estão moribundos, animando-os a receber a Unção dos doentes: «Ungiam com óleo numerosos doentes) (Ev).

 

6ª Feira, 5-II: David e João Baptista

Sir 47, 2-11 / Mc 6, 14-19

David foi escolhido entre os filhos de Israel. Em todas as suas obras rendeu homenagem ao Santo, ao Altíssimo.

David foi escolhido por Deus (Leit) e contado entre os antepassados de Jesus. A oração de David é adesão filial à promessa divina, é confiança amorosa e alegre no único Rei e Senhor.

De igual modo, João Baptista foi escolhido como «precursor imediato do Senhor e enviado para lhe preparar o caminho: dá testemunho d’Ele pela sua pregação, pelo seu baptismo de conversão e, finalmente, pelo seu martírio» (CIC, 523). Também podemos dar um testemunho do Senhor, com o nosso exemplo e a nossa palavra.

 

Sábado, 6-II: Imitar o Bom Pastor.

1 Re 3, 4-13 / Mc 6, 30-34

Jesus encheu-se de compaixão por aquela gente, porque eram como ovelhas sem pastor.

Para que os seus seguidores não se perdessem Jesus dedica imenso tempo a ensinar-lhes o seu caminho (Ev). E, mais tarde, derrama o seu sangue para que não lhes falte a vida. Para poder governar o povo de Israel, Salomão pede o que é mais importante: um coração inteligente, que o ajudasse a discernir o bem do mal (Leit).

Tendo presente a entrega de Jesus, procuremos fazer tudo o que é possível para cumprirmos a sua vontade; peçamos-lhe que nos instrua com a sua palavra para não nos desviarmos do bom caminho.

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          António Elísio Portela

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                 Duarte Nuno Rocha

 


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