Epifania do Senhor

3 de Janeiro de 2010

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Glória a Vós, Jesus Menino, J. Santos, NRMS 76

 

cf. Mal 3, 1; 1 Cron 19, 12

Antífona de entrada: Eis que vem o Senhor soberano. A realeza, o poder e o império estão nas suas mãos.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje a festa da Epifania. A palavra Epifania significa manifestação de Deus aos homens. Com ela se conclui o tempo litúrgico do Natal.

Esta solenidade teve origem na África. Era uma festa pagã em que se celebrava a vitória da luz sobre as trevas.

A liturgia cristã tomou este tema e propô-lo à nossa reflexão levando-o à manifestação de Jesus como Luz que atrai a si todos os povos, como promessa de salvação.

Os Magos, na sua adoração a Jesus, representam as pessoas do mundo inteiro.

Preparemo-nos também para receber e adorar esta LUZ que ilumina o mundo inteiro, pedindo ao Senhor perdão por todas as nossas faltas.

 

Oração colecta: Senhor Deus omnipotente, que neste dia revelastes o vosso Filho Unigénito aos gentios guiados por uma estrela, a nós que já Vos conhecemos pela fé levai-nos a contemplar face a face a vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías anuncia a luz salvadora do Senhor que alegrará Jerusalém e que atrairá a ela os povos de todo o mundo.

 

Isaías 60, 1-6

1Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. 2Vê como a noite cobre a terra e a escuridão os povos. Mas sobre ti levanta-Se o Senhor e a sua glória te ilumina. 3As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora. 4Olha ao redor e vê: todos se reúnem e vêm ao teu encontro; os teus filhos vão chegar de longe e as tuas filhas são trazidas nos braços. 5Quando o vires ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração, pois a ti afluirão os tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações. 6Invadir-te-á uma multidão de camelos, de dromedários de Madiã e Efá. Virão todos os de Sabá; hão-de trazer ouro e incenso e proclamarão as glórias do Senhor.

 

O texto canta a glória da Jerusalém renovada, figura da «Jerusalém nova descida do Céu» (cf. Apoc 21, 2.23-24). A visão universalista que o poema apresenta corresponde à realidade da Igreja, que é católica, universal.

3 «As nações caminharão à tua luz, e os reis ao esplendor da tua aurora». Não há dúvida de que se pode adaptar perfeitamente este texto isaiano ao mistério hoje celebrado: os «magos» – este texto terá contribuído para se lhes chamar «reis» –, que seguem a «luz» da estrela, são os pioneiros de entre os povos gentios a acorrer ao encontro do Messias.

6 A menção de povos do Oriente – «Madiã e Efá» –, dos ricos comerciantes de «Sabá», a sul da Arábia (Yémen) e, sobretudo, os produtos que trazem – «ouro e incenso» – fazem lembrar o que nos relata o Evangelho: a vinda dos Magos do Oriente que trazem «oiro, incenso e mirra».

 

Salmo Responsorial      Sl 71 (72), 2.7-8.10-11.12-13 (R. cf. 11)

 

Monição: Este salmo é a continuação do anúncio do profeta, pois – com o seu refrão – nós próprios repetiremos que os povos de toda a terra virão adorar o Senhor.

 

Refrão:         Virão adorar-Vos, Senhor,

                      todos os povos da terra.

 

Ó Deus, concedei ao rei o poder de julgar

e a vossa justiça ao filho do rei.

Ele governará o vosso povo com justiça

e os vossos pobres com equidade.

 

Florescerá a justiça nos seus dias

e uma grande paz até ao fim dos tempos.

Ele dominará de um ao outro mar,

do grande rio até aos confins da terra.

 

Os reis de Társis e das ilhas virão com presentes,

os reis da Arábia e de Sabá trarão suas ofertas.

Prostrar-se-ão diante dele todos os reis,

todos os povos o hão-de servir.

 

Socorrerá o pobre que pede auxílio

e o miserável que não tem amparo.

Terá compaixão dos fracos e dos pobres

e defenderá a vida dos oprimidos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Esta segunda leitura apresenta o projecto salvador de Deus, como uma realidade que vai afectar toda a humanidade, juntando judeus e pagãos, num mesmo grupo de irmãos, a comunidade de Jesus.

 

Efésios 3, 2-3a.5-6

Irmãos: 2Certamente já ouvistes falar da graça que Deus me confiou a vosso favor: 3apor uma revelação, foi-me dado a conhecer o mistério de Cristo. Nas gerações passadas, 5ele não foi dado a conhecer aos filhos dos homens como agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos apóstolos e profetas: 6os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.

 

Nesta passagem de Efésios, S. Paulo define em que consiste o «mistério de Cristo» (v. 4). Os gentios, que vêm à Igreja, estão no mesmo pé de igualdade que os judeus procedentes do antigo povo de Deus: não há lugar para cristãos de primeira e de segunda! O texto original é muito expressivo: os gentios vêm a ser «co-herdeiros» («recebem a mesma herança que os judeus», traduz, parafraseando, o texto português oficial), «com-corpóreos» (isto é, «pertencem ao mesmo Corpo» Místico de Cristo, que é a Igreja una), e «com-participantes na Promessa» («beneficiam da mesma promessa» de salvação). E é este o mistério que também se celebra na Festa da Epifania: Cristo igualmente Salvador de gentios e judeus.

 

Aclamação ao Evangelho            Mt 2, 2

 

Monição: Como os Magos também nós vimos a estrela, que é o próprio Jesus, e estamos aqui para O adorar.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação-2, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Vimos a sua estrela no Oriente

e viemos adorar o Senhor.

 

 

 

Evangelho

 

São Mateus 2, 1-12

1Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. 2«Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». 3Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. 4Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. 5Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo profeta: 6‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». 7Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. 8Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». 9Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. 10Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. 11Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, caindo de joelhos, prostraram-se diante d’Ele e adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. 12E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.

 

O Evangelho da adoração dos Magos foi objecto das mais belas reflexões teológico-espirituais ao longo da história: já nos fins do séc. II, Tertuliano via nas ofertas dos Magos símbolos do reconhecimento de quem era Jesus: oferecem-lhe «ouro» como Rei, «incenso» como Deus, «mirra» (outra resina aromática, usada na sepultura) como Homem. Santo Ambrósio fixa-se em que os Magos vão por um caminho e voltam por outro, porque regressam melhores, depois do encontro com Cristo. Santo Agostinho vê nos Magos as primitiæ gentium, a par dos pastores que são as primícias dos judeus, etc. Mas ainda hoje os comentadores retomam e actualizam os temas do relato: Cristo como verdadeira luz, o caminho dos pagãos para Cristo, o simbolismo dos presentes, a fé e perseverança dos Magos, a busca do sentido da Escritura e o sentido de procura do caminho, etc.

O próprio relato encerra um grande alcance teológico: Jesus é o verdadeiro «rei» que merece ser procurado e adorado por todos; a Ele acorrem, vindas de longe, gentes guiadas por uma estrela e pela Escritura; ainda menino e sem falar, já divide os homens a favor e contra Ele; a homenagem que Lhe prestam os Magos é a resposta humana ao «Emanuel, Deus connosco»; n’Ele se cumprem as profecias que falavam da vinda de reis e de todos os povos a Jerusalém (Is 60 e Salm 72). Mais ainda, ao nível da própria redacção de Mateus, o relato ilustra a teologia específica do evangelista: sendo este Evangelho dirigido a judeo-cristãos, confrontados com a Sinagoga, que não aceita Jesus, o episódio dos Magos documenta bem a teologia do «messias rejeitado», pois Jesus, logo ao nascer, encontra a hostilidade do poder e a indiferença das autoridades religiosas; é também uma ilustração das palavras de Jesus, «virão muitos do Oriente…» (Mt 8, 11).

Em face de tudo isto, o estudioso não pode deixar de se interrogar se não estaremos perante um teologúmeno, uma criação de Mateus para dar corpo a uma ideia teológica. A verdade é que em toda a tradição cristã se deu grande valor à adoração dos Magos e à festa da Epifania. Se detrás disto não há realidade nenhuma, o significado de tudo fica privado da sua base mais sólida.

Nota sobre a questão da historicidade do relato: A crítica bíblica moderna tem proposto teorias bastante discordantes; por um lado, temos um grupo em que R. E. Brown reúne as objecções que se têm levantado contra a historicidade do relato, que denotam – diz – «uma inverosimilhança intrínseca»: o movimento da estrela de Norte para Sul (Jerusalém – Belém), a sua paragem sobre a casa, a consulta de Herodes aos escribas e sacerdotes, seus inimigos, a indicação de Belém como um dado desconhecido ao contrário de Jo 7, 42, a imperdoável ingenuidade de Herodes que não manda espiar os Magos, o facto de não se ter identificado o menino após a visita de homens de fora a uma pequena povoação, o silêncio de Lucas sobre a visita; estes autores concluem que se trata, então, de uma construção artificial feita com textos do Antigo Testamento. Por outro lado, temos autores mais recentes como R. T. France (The Gospel according to Mathew) que defendem a credibilidade histórica do relato, demonstrando que as dificuldades contra têm solução. Com efeito, embora estejam subjacentes no relato vários textos do A. T., apenas um é citado, podendo mesmo ser suprimido sem interromper o discurso (vv. 5b-6), o que é sinal de que a citação foi acrescentada a um relato preexistente, não sendo a citação a dar origem ao relato. Os pretensos traços duma dita lenda edificante, ou midraxe hagadá, nada têm de historicamente improvável, fora o caso da estrela que pára sobre a casa, mas já S. João Crisóstomo observava que a estrela não vinha de cima, mas de baixo, pois não era uma estrela natural e não é provável que a Igreja, que bem cedo entrou em conflito com a astrologia, tivesse inventado uma história a favorecê-la. O facto de Herodes não ter mandado espiar os Magos não revela ingenuidade, mas prudência para que os seus guardas não viessem a dificultar a descoberta do Menino, e também uma plena confiança em que os Magos voltassem; finge colaborar com eles, a fim de obter mais dados. Também René Laurentin sublinha a credibilidade histórica de certos pormenores, como a existência de astrólogos viajantes («magos») no Oriente, ou a astúcia e crueldade de Herodes (matou a maior parte das suas 10 mulheres, vários filhos e muitas pessoas influentes na política); e, sobretudo, Mateus revela «sensibilidade histórica», ao não fazer coincidir bem os factos que narra com as citações e alusões ao A. T.: se os factos fossem inventados, teriam sido forjados de molde a que se adaptassem bem às passagens bíblicas (a estrela da profecia de Balaão – Num 24, 17 – não é a estrela que indica o Messias, mas sim o próprio Messias, etc.). Também a propaganda religiosa judaica tinha despertado a expectativa do nascimento do Messias (ver, por ex., a IV écloga de Virgílio) e fervorosos aderentes entre os gentios, o que torna mais compreensível a visita destes estranhos. A. Díez Macho afirma que «a intenção de Mateus é narrar história confirmada com profecias ou paralelos vétero-testamentários», e descobre no episódio do Magos uma grande quantidade de «alusões» ao A. T. (o chamado rémez, figura retórica muito do gosto dos semitas e frequente na Bíblia). Este célebre biblista espanhol (assim também G. Segalla) diz que o fenómeno da estrela pode muito bem corresponder à conjunção de Júpiter e Saturno que se deu na constelação de Peixe, e que teve lugar três vezes no ano 7 a. C., data provável de nascimento de Jesus. Mas a verdade é que não se pode negar o carácter popular do relato, pouco preocupado com o rigor das coisas, pois até dá a entender que a estrela se deslocava de Norte para Sul até parar sobre a casa.

Também se deve considerar um sinal de credibilidade histórica o facto de Mateus apresentar uns Magos à procura de Jesus, pois, posto a forjar uma relato edificante, ter-se-ia lembrado de, em vez duns magos, pôr uns reis a caminho de Belém; com efeito o teólogo Mateus ou a sua escola, não podiam ignorar que no Antigo Testamento quem vem a Jerusalém não são nunca os magos, mas «os reis ao esplendor da tua aurora» (Is 60, 3). Mais explícito temos ainda o Salmo 71 (72,), que diz: «Os reis de Társis e das ilhas virão com presentes, os reis da Arábia e de Sabá trarão suas ofertas. Prostrar-se-ão diante dele todos os reis, todos os povos o hão-de servir».

 

Sugestões para a homilia

 

Jesus é a luz que atrai a si todos os povos

Quando encantados por esta Luz

Escolhida entre duas atitudes diferentes

Jesus é a luz que atrai a si todos os povos

Conforme reflectimos já no 2º domingo do Advento, Jerusalém aparece aos olhos dos profetas como uma viúva que está sozinha, sem marido e abandonada pelos filhos, que foram deportados para uma terra estrangeira.

Isaías na sua profecia anima a cidade, pois que, de viúva infeliz e angustiada se tornará esplendorosa e elegantíssima. Convida-a a desembaraçar-se dos seus sinais de luto, a iluminar-se, a secar as lágrimas porque terá de volta o esposo e os filhos que tinham sido conduzidos para o exílio. Deve erguer-se, porque eles serão trazidos ao colo e transportados por camelos e dromedários carregados com riquezas de todos os países do Oriente: ouro e incenso. Todos se dirigem para o monte santo, porque a luz do Senhor iluminou também os outros povos.

O sonho do profeta realizou-se quando nesta cidade começou a brilhar a luz de Cristo.

Esta cidade representa a Igreja. É nela que brilha a luz do Messias. Ao longo dos séculos os homens moveram-se por vários caminhos, mas agora norteiam-se para uma única meta. Ao fazerem parte do Povo de Deus, levam consigo a riqueza das suas culturas para o engrandecimento deste especial e novo Povo empolgado pela luz de Cristo.

Quando encantados por esta Luz

Os Magos, representantes de todos os povos da terra, vão ao encontro de Jesus, aceitam-no como «Salvação de Deus» e adoram-n’O. A Salvação, rejeitada pelos habitantes de Jerusalém, torna-se agora uma oferta universal.

S. Mateus, apresentando-nos os Magos do Oriente que vêem a estrela, quer dizer-nos que finalmente chegou o esperado libertador: é aquele Jesus que eles reconheceram e adoraram. Ele era a estrela que os israelitas ansiosamente esperavam há mais de 1200 anos, quando Balaão, no livro dos Números do Antigo Testamento, se referia a Ele como «uma estrela flamejante que surgiria no seio de Israel». Mateus vê no episódio dos Magos a realização desta profecia: guiados pela luz do Messias, os novos povos pagãos (representados pelos Magos) dirigem-se para Jerusalém, a fim de levarem os seus dons: ouro, incenso e mirra. A estrela não é um astro do céu, mas Jesus: é Ele a luz que ilumina todos os homens.

Os Magos caracterizam os homens de todo o mundo que se deixam guiar pela mensagem de paz e de amor de Cristo. Eles são a imagem da Igreja, composta por gente de todas as raças, tribos, línguas e nações.

Mas podem assumir duas atitudes diferentes, conforme nos salienta o Evangelho.

Escolhida entre duas atitudes diferentes

Ou a atitude do Povo de Israel que rejeita Jesus, a de Herodes e Jerusalém «que ficam perturbados» diante da notícia do nascimento do menino e planeiam a sua morte; ou a atitude dos pagãos (Magos) que O adoram, sentem uma grande alegria e reconhecem em Jesus o seu salvador.

O Caminho seguido pelos Magos para encontrar Jesus é o trilho a ser seguido por todos nós, na nossa procura de Deus: estar atentos aos sinais (estrela); perceber que Jesus é a Luz que traz a Salvação; pôr-se decididamente a caminho para o encontrar; e escutar atentamente quem conhece as Escrituras e no-las explica, a fim de encontrarmos Jesus e O adorarmos como «Senhor».

A quem nos assemelhamos? Aos sacerdotes israelitas que conheciam bem a religião, mas se mostraram indiferentes aos sinais de Deus; a Herodes, que aparentando interessar-se, realmente Lhe foi hostil; ou aos Magos, vigilantes aos acontecimentos e generosos a ponto de deixarem tudo para ir ao seu encontro?

Procuremos a resposta no interior do nosso próprio coração e saibamos agir de modo a encontrarmo-nos com a luz de Cristo.

 

 

Fala o Santo Padre

 

A hodierna solenidade da Epifania celebra a manifestação de Cristo aos Magos, acontecimento a que Mateus dá grande relevo (cf. Mt 2, 1-12). Narra no seu Evangelho que alguns «Magos» provavelmente chefes religiosos persas chegaram a Jerusalém guiados por uma «estrela», um fenómeno luminoso celeste por eles interpretado como sinal do nascimento de um novo rei dos Judeus. Na cidade ninguém estava ao corrente, aliás, o rei reinante, Herodes, permaneceu muito perturbado com a notícia e concebeu o trágico desígnio do «massacre dos inocentes», para eliminar o rival acabado de nascer. Os Magos, ao contrário, confiaram nas Sagradas Escrituras, sobretudo na Profecia de Miqueias segundo a qual o Messias teria nascido em Belém, a cidade de David, situada a cerca de dez quilómetros a sul de Jerusalém (cf. Mq 5, 1). Tendo partido naquela direcção, viram de novo a estrela e, cheios de alegria, seguiram-na até quando ela parou sobre uma cabana. Entraram e encontraram o Menino com Maria; prostraram-se diante d'Ele e, como homenagem à sua dignidade real, ofereceram-lhe ouro, incenso e mirra.

Por que é tão importante este acontecimento? Porque nele se começou a realizar a adesão dos povos pagãos à fé em Cristo, segundo a promessa feita por Deus a Abraão, sobre a qual refere o Livro do Génesis: «Todas as famílias da Terra serão em ti abençoadas» (Gn 12, 3). Portanto, se Maria, José e os pastores de Belém representam o povo de Israel que acolheu o Senhor, os Magos são ao contrário as primícias das Nações, chamadas também elas a fazer parte da Igreja, novo povo de Deus, baseado não já na homogeneidade étnica, linguística ou cultural, mas unicamente na fé comum em Jesus, Filho de Deus. Portanto, a Epifania de Cristo é ao mesmo tempo epifania da Igreja, isto é, manifestação da sua vocação e missão universal. […]

Bento XVI, Vaticano, 6 de Janeiro de 2007

 

Oração Universal

 

Invoquemos o Senhor,

nosso Deus e Pai.

Ofereçamos-Lhe tudo o que temos de melhor

e esperemos que Ele ouça a nossa oração,

dizendo (cantando):

 

Senhor, atendei a oração da vossa Igreja.

 

1. Pelo Santo Padre, o Papa, pelos Bispos, Presbíteros e Diáconos,

para que o Senhor os ajude ante a incompreensão dos contemporâneos

a oferecerem o que têm de melhor, para levarem os homens até Jesus,

oremos, irmãos.

 

2. Por todos os baptizados,

para que saibam encontrar os sinais do rosto do Senhor

nas actividades quotidianas,

oremos, irmãos.

 

3. Por todos nós, os crentes,

para que saibamos dar um pouco do nosso tempo

e guardar um espaço no nosso coração,

a fim de partilharmos a luz de Cristo por nós encontrada,

oremos, irmãos.

 

4. Por todos os governantes das nações,

para que embora conscientes da sua fragilidade,

não se deixem vencer pelo desalento

e sejam ajudados nas dificuldades da sua caminhada,

oremos, irmãos.

 

5. Por todos os homens nossos irmãos,

para que sejam generosos

na partilha dos bens materiais e espirituais que possuem,

oremos, irmãos.

 

Ouvi, Senhor, as nossas orações

e ajudai-nos a procurar a luz de Cristo

patente nos sinais dos nossos tempos.

Isto vos pedimos por intermédio de vosso Filho,

que é Deus convosco,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Senhor, Tu és a luz, Az. Oliveira, NRMS 6(II)

 

Oração sobre as oblatas: Olhai com bondade, Senhor, para os dons da vossa Igreja, que não Vos oferece ouro, incenso e mirra, mas Aquele que por estes dons é manifestado, imolado e oferecido em alimento, Jesus Cristo, vosso Filho, Nosso Senhor, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio da Epifania: p. 460 [592-704]

 

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Nas Orações Eucarísticas II e III faz-se também a comemoração própria.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

A comunhão do Corpo e Sangue do Senhor nos ajude a reconhecer em Jesus a luz do mundo. Que tal luz nos livre de todas as divisões e discórdias e nos auxilie a viver sem desconfianças, sem invejas e sem ódios.

 

Cântico da Comunhão: Uns Magos Vindo do Além, F. da Silva, NRMS 76

cf. Mt 2, 2

Antífona da comunhão: Vimos a sua estrela no Oriente e viemos com presentes adorar o Senhor.

 

Oração depois da comunhão: Iluminai-nos, Senhor, sempre e em toda a parte com a vossa luz celeste, para que possamos contemplar com olhar puro e receber de coração sincero o mistério em que por vossa graça participámos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Que o Senhor nos assista para encontrar a luz que nos esclareça ao longo da vida e nos ensine a dar o justo valor às coisas e aos acontecimentos. Que as nações e todos os homens, através desta luz de Cristo, se compreendam e aproximem uns dos outros.

 

Cântico final Exultai de Alegria no senhor, F. Silva, NRMS 87

 

 

Homilias Feriais

 

SEMANA DEPOIS DA EPIFANIA

 

2ª Feira, 4-I: A 1ª mensagem de Cristo.

1 Jo 3, 22- 4, 6 / Mt 4, 12-17. 23-25

A partir de então, Jesus começou a dizer: Arrependei-vos, pois o reino de Deus está próximo.

É esta a primeira mensagem de Jesus Cristo, ao começar o seu ministério público. «A primeira obra da graça do Espírito Santo é a conversão, que opera a justificação, segundo a mensagem de Jesus no princípio do Evangelho: ‘Convertei-vos, que está próximo o reino dos Céus’ (Ev)» (CIC, 1989)

A conversão exige renúncia ao pecado e ao que é incompatível com os ensinamentos de Cristo: é o anti-Cristo (Leit); e pede um regresso sincero a Deus, com o auxílio da graça.

 

3ª Feira, 5-I: Manifestações do amor de Deus para connosco.

1 Jo 4, 7-10 / Mc 6, 34-44

Nisto consiste o amor: não fomos nós que amámos a Deus, foi Ele que nos amou e enviou o seu Filho.

«O Verbo fez-se carne, para que assim conhecêssemos o amor de Deus: ‘Assim se manifestou o amor de Deus para connosco: Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigénito, para que vivamos por Ele’ (Leit)» (CIC, 458).

E esse amor manifesta-se na compaixão que Ele tem pelos nossos problemas, quer de ordem espiritual (começou a instruí-los demoradamente), quer de ordem material (realiza a multiplicação dos pães e dos peixes). Este milagre prefigura já uma das maiores manifestações do amor: a Eucaristia (CIC, 1335).

 

4ª Feira, 6-I: Fé na proximidade de Deus.

1 Jo 4, 11-18 / Mc 6, 45-52

Deus é Amor: quem permanece no amor permanece e Deus, e Deus permanece nele.

Porque Deus é Amor (Leit), cuida de nós em todas as circunstâncias. É esse amor que o leva a andar sobre as águas para ajudar os discípulos. Ele só nos pede que nos lembremos da sua proximidade, da sua presença no Sacrário.

Dizia o S. Cura de Ars que nós temos mais sorte do que aqueles que conviveram com o Senhor durante toda a sua vida terrena, pois às vezes tinham que andar horas e horas para o encontrarem e nós temo-lo muito perto em cada Sacrário.

 

5ª Feira, 7-I: Por que endurece o nosso coração?

 1 Jo 4, 19 -5, 4 / Lc 4, 14-22

É este o mandamento que recebemos d’Ele: quem ama a Deus, ame igualmente o seu irmão.

«O amor, como o corpo de Cristo, é indivisível: nós não podemos amar a Deus, a quem não vemos, se não amarmos o irmão ou irmã, que vemos (Leit). Recusando perdoar os nossos irmãos ou irmãs, o nosso coração fecha-se, a sua dureza torna-o impermeável ao amor misericordioso do Pai» (CIC, 2840).

Aqui está uma explicação do endurecimento do nosso coração: a recusa em compreender, em desculpar os nossos irmãos e, como consequência, a ficar impenetrável às graças de Deus. Melhoremos o nosso relacionamento com aqueles com quem convivemos.

 

6ª Feira, 8-I: O Senhor ‘toca-nos’ nos Sacramentos.

1 Jo 5, 5-6. 8-13 / Lc 5, 12-16

Ao ver Jesus, caiu de rosto por terra e dirigiu-lhe esta súplica: Senhor, se queres, podes curar-me.

«Jesus atende a oração de fé expressa em palavras do leproso» (CIC, 2616). Atendeu esta súplica e, estendendo a mão, tocou-lhe (Ev). D’Ele saiu uma força que curou o leproso.

«Por isso, nos Sacramentos, Cristo continua a ‘tocar-nos’ para nos curar» (CIC, 1504). Aproximemo-nos pois com mais fé do sacramento da Penitência, mesmo que as nossas faltas não sejam muito grandes, ou que sejam sempre as mesmas.

 

Sábado, 9-I: As consequências temporais do pecado.

1 Jo 5, 14-21 / Jo 3, 22-30

Foi Jesus com os discípulos para o território da Judeia, onde se demorou com eles a baptizar.

Pelo Baptismo (Ev), todos os pecados nos são perdoados. Mas, no entanto, em cada baptizado «permanecem certas consequências temporais do pecado, como os sofrimentos, a doença, a morte, ou as fragilidades inerentes à vida, como as fraquezas de carácter, etc., assim como uma inclinação para o pecado, que a Tradição chama concupiscência ou, metaforicamente, a ‘isca’ ou ‘aguilhão’ do pecado (‘fomes peccati’).

O Maligno (Leit) explora estas fraquezas, pelo que na nossa vida precisamos travar cada dia muitos combates.

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          António Elísio Portela

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                 Duarte Nuno Rocha

 


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