27º Domingo Comum

3 de Outubro de 2004

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vinde, prostremo-nos em terra, Az. Oliveira, NRMS 48

Est 13, 9.10-11

Antífona de entrada: Senhor, Deus omnipotente, tudo está sujeito ao vosso poder e ninguém pode resistir à vossa vontade. Vós criastes o céu e a terra e todas as maravilhas que estão sob o firmamento. Vós sois o Senhor do universo.

 

Introdução ao Espírito da Celebração

 

Jesus está presente na Eucaristia. Está vivo aqui no meio de nós. Reza connosco. Fala-nos. Oferece-Se por nós. E dá-Se a nós na comunhão. Avivemos a nossa fé e o nosso amor a Ele.

Peçamos à Virgem e a todos os anjos e santos, que estão aqui também, que saibamos tratá-lo bem.

 

Irmãos, vamos reconhecer os nosso pecados e pedir perdão, para limpar o nosso coração e podermos participar neste encontro com o Senhor.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que, no vosso amor infinito, cumulais de bens os que Vos imploram muito além dos seus méritos e desejos, pela vossa misericórdia, libertai a nossa consciência de toda a inquietação e dai-nos o que nem sequer ousamos pedir. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Habacuc queixa-se a Deus, que parece surdo aos seus apelos. Ouçamos a resposta do Senhor. Ele não deixa de escutar os Seus amigos.

 

Habacuc 1, 2-3; 2, 2-4

1,2«Até quando, Senhor, chamarei por Vós e não Me ouvis? Até quando clamarei contra a violência e não me enviais a salvação? 3Porque me deixais ver a iniquidade e contemplar a injustiça? Diante de mim está a opressão e a violência, levantam-se contendas e reina a discórdia?» 2,2O Senhor respondeu-me: «Põe por escrito esta visão e grava-as em tábuas com toda a clareza, de modo que a possam ler facilmente. 3Embora esta visão só se realize na devida altura, ela há-de cumprir-se com certeza e não falhará. Se parece demorar, deves esperá-la, porque ela há-de vir e não tardará. 4Vede como sucumbe aquele que não tem alma recta; mas o justo viverá pela sua fidelidade».

 

A leitura está escolhida em função do Evangelho, que fala da fé. A pequenina obra do profeta contemporâneo de Jeremias (séc. VII-VI) começa por duas queixas a que o Senhor responde. No texto temos a primeira queixa (1, 2-3) e a segunda resposta (2, 2-4), em que sobressai o apelo à fé: Deus não deixa de ouvir os seus amigos que Lhe pedem socorro; pode tardar, mas «há-de cumprir-se com certeza», «na devida altura» a obra divina da salvação (2, 3), a tal ponto que só vacila «aquele que não tem alma recta»; com efeito, o justo é da que tira a coragem para superar todas as dificuldades que venham a desabar sobre ele, por isso mesmo é que ele viverá; por outro lado, também se pode entender o texto no sentido de que a fidelidade à aliança é garantia de vida para o justo. S. Paulo, em Rom 1, 17, faz uma actualização deste texto, utilizando-o como mote para a sua longa e profunda exposição sobre a «justificação», isto é, sobre a acção divina pela qual o próprio Deus justifica, isto é, torna justo, salva, o homem pecador: trata-se duma iniciativa gratuita da parte de Deus, que não é fruto daquilo que o homem possa fazer cumprindo uma série de requisitos legais da Lei de Moisés; a primeira condição essencial para o homem se salvar, viver a vida divina, é, pela fé, acolher confiado e agradecido o dom de Deus, que lhe vem por Cristo, e ser-lhe fiel. Note-se a importância dada ao profeta Habacuc em Qumrã (onde foi achado o célebre Péxer de Habacuc).

 

Salmo Responsorial    Sl 94 (95), 1-2.6-7.8-9 (R.8)

 

Monição: O salmo 94 anima-nos a escutar a voz de Deus e a abrir-Lhe o nosso coração. Vamos dizer ao Senhor que queremos escutá-Lo e guardar a Sua Palavra.

 

Refrão:         Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,

                      não fecheis os vossos corações.

 

Vinde, exultemos de alegria no Senhor,

aclamemos a Deus, nosso Salvador.

Vamos à sua presença e dêmos graças,

ao som de cânticos aclamemos o Senhor.

 

Vinde, prostremo-nos em terra,

adoremos o Senhor que nos criou.

O Senhor é o nosso Deus

e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

 

Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:

«Não endureçais os vossos corações,

como em Meriba, como no dia de Massa no deserto,

onde vossos pais Me tentaram e provocaram,

apesar de terem visto as minhas obras».

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo anima a Timóteo a reavivar a graça do seu sacerdócio e a encher-se da fortaleza de Deus.

 

2 Timóteo 1, 6-8.13-14

Caríssimo: 6Exorto-te a que reanimes o dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. 7Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de caridade e moderação. 8Não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor, nem te envergonhes de mim, seu prisioneiro. Mas sofre comigo pelo Evangelho, confiando no poder de Deus. 13Toma como norma as sãs palavras que me ouviste, segundo a fé e a caridade que temos em Jesus Cristo. 14Guarda a boa doutrina que nos foi confiada, com o auxílio do Espírito Santo, que habita em nós.

 

Começamos hoje, até ao fim do ano C, a ter como 2ª leitura uns respigos da 2ª Carta a Timóteo, a última das chamadas Cartas Pastorais, uma carta tão cheia de alusões pessoais, que são um forte sinal de autenticidade, apesar das muitas objecções contrárias. Escrevendo do segundo cativeiro romano, pelo ano 67, S. Paulo exorta o seu fiel colaborador a perseverar incansavelmente no ministério da pregação e na defesa da sã doutrina, prevenindo das ameaças que se avizinham para a fé recta.

6 «Reanimes o dom que recebeste pela imposição das minhas mãos». O rito da imposição das mãos tem aqui, como em 1 Tim 4, 14, o sentido de comunicação do ministério apostólico; o dom corresponde à graça do Sacramento da Ordem (segundo o ensino de Trento: cf. DS 959), que se pode reactivar com a oração e o sacrifício na correspondência às exigências da vocação (versículos seguintes). Como então, ainda hoje pertence ao sinal sacramental da Ordem a imposição das mãos do Bispo.

14 «Guarda a boa doutrina que nos foi confiada» (à letra: «guarda o bom depósito»). Bom, isto é, precioso e autêntico, um depósito, que são as palavras sãs segundo a fé (v. 13). A Revelação divina é um depósito sagrado confiado à Igreja e que ela tem de guardar e transmitir íntegro (cf. Dei Verbum, n.º 7 e 10); é assim que em 1 Tim 6, 20 é dirigido ao grande colaborador de Paulo o veemente apelo final, «guarda o depósito», uma expressão de sabor jurídico (parathêkê), para designar uma coisa confiada à guarda duma pessoa de confiança, com a obrigação de lha guardar, sem deixar que se estrague ou altere.

 

Aclamação ao Evangelho        1 Ped 1, 25

 

Monição: Ouçamos com atenção a palavra de Jesus. Ele convida-nos a avivar a nossa fé e a nossa humildade.

 

Aleluia

 

A palavra do Senhor permanece eternamente.

Esta é a palavra que vos foi anunciada

 

Cântico: Aclamação ao Evangelho, M. Carneiro, NRMS 97

 

 

Evangelho

 

Lucas 17, 5-10

5Naquele tempo, os Apóstolos disseram ao Senhor: «Aumenta a nossa fé». 6O Senhor respondeu: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: ‘Arranca-te daí e vai plantar-te no mar’, e ela obedecer-vos-ia. 7Quem de vós, tendo um servo a lavrar ou a guardar gado, lhe dirá quando ele volta do campo: ‘Vem depressa sentar-te à mesa’? 8Não lhe dirá antes: ‘Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires, até que eu tenha comido e bebido. Depois comerás e beberás tu. 9Terá de agradecer ao servo por lhe ter feito o que mandou? 10Assim também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: ‘Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer’».

 

O texto de hoje pertence à última parte (Lc 16, 1 – 19, 27) dos ensinamentos de Jesus na grande viagem para Jerusalém; recolhe relatos diversos e de forma bastante dispersa, muitos deles exclusivos de Lucas.

6 «Diríeis a esta amoreira». Em Mt 17, 20 e Mc 11, 23, lê-se: a este monte, não deverá, porém, tratar-se duma suavização da arrojada forma de falar de Jesus, mas antes podemos pensar numa outra expressão paralela usada pelo Senhor. Notar como, diversamente dos outros Sinópticos, S. Lucas, na sua narração, frequentemente designa Jesus como «o Senhor», ainda antes da ressurreição.

7-10 Esta expressiva lição de humildade é exclusiva de Lucas. «Um servo...»: embora não se tratasse de um escravo à maneira romana, mas de um servo à maneira hebraica, não deixava de ser um criado para todo o serviço: lavar, cozinhar e servir à mesa, etc... Assim devemos nós estar dispostos a executar todo e qualquer serviço por Deus, Nosso Senhor – «o Amo» (ou Patrão, como gostava de lhe chamar o Beato D. Manuel González) –, com ânimo humilde e agradecido, pois não fazemos qualquer favor a Deus – servos inúteis –. Ele é que nos faz o máximo favor de nos admitir a servi-lo; e este é o primeiro dever duma criatura relativamente ao seu Criador.

 

Sugestões para a homilia

 

Até quando chamarei por vós?

Reanimes o dom de Deus

Aumenta em nós a fé

Até quando chamarei por vós?

Na primeira leitura o profeta Habacuc queixa-se ao Senhor que os seus clamores não são ouvidos por Ele. Muitas vezes nos pode acontecer o mesmo a nós. Parece-nos que rezamos e não somos escutados. Mas não é assim. Deus responde ao profeta: na altura própria Ele realizará os seus pedidos.

Vale a pena animar-nos na oração e nas súplicas ao Senhor. Ele prometeu escutar-nos sempre: «tudo o que pedirdes ao Pai em Meu nome Ele vo-lo concederá» (Jo 15, 17). E insistiu: «Pedi e recebereis» (Mt 7, 7).

Nossa Senhora veio lembrá-lo em Fátima, há 87 anos, animando–nos a rezar. E a recitar o rosário, a oração dos simples e dos humildes. Ela apoia-nos em nossos pedidos a Jesus e guia-nos na oração, como a mãe que ensina os seus filhos pequenitos.

Ela é também o modelo da oração. Ao ler as páginas do Evangelho, vemos em poucas palavras o Seu exemplo maravilhoso: «Maria conservava todas estas coisas, meditando-as em Seu coração» – diz S. Lucas (Lc 2, 19). Abriu o Seu coração em acção de graças e louvor a Deus em casa de Isabel (Cf. Lc I, 47). Pediu com fé e simplicidade a Seu Filho, alcançando de Jesus, em Caná, o primeiro milagre e a fé para os discípulos (Cf. Jo 2, 1-11).

Foi com Ela que os Apóstolos prepararam na oração a vinda do Paráclito ( Cf. Act 1, 14)

Temos de rezar mais e melhor. Tantos cristãos fazem à pressa umas breves orações. Muitas famílias descuidam a oração no lar. Crianças e jovens não chegam a desenvolver hábitos de oração e, por isso, as suas vidas são vazias e, muitas vezes, desorientadas, sem defesas para o ambiente de paganismo à sua volta.

Dizia o Santo Cura de Ars: «Todos os santos começaram a sua conversão pela oração e por ela perseveraram; e todos os condenados se perderam pela negligência na oração. Digo, pois, que a oração nos é absolutamente necessária para perseverar» (S. JOÃO MARIA VIANEY, Sermão sobre a perseverança)

Aproveitemos o mês do rosário para criar hábitos de oração, para rezar melhor o nosso terço diário, não só dizendo com mais atenção aquelas palavras tão belas, ensinadas por Deus, mas meditando também os mistérios, a vida de Jesus e Sua mãe.

Rezemos com confiança e perseverança. No Evangelho Jesus diz-nos que se tivermos fé faremos milagres. Santa Mónica andou dezoito anos a pedir a conversão do filho. Parecia que Deus não a escutava, mas Ele queria dar-lhe mais, muito mais do que ela pedia. E seu filho Agostinho veio a ser um bom cristão, como pedia sua mãe, mas também um grande bispo , um grande santo e um grande doutor da Igreja.

Se rezássemos mais e com mais fé não haveria tantos males no mundo. Acabaria o terrorismo e a guerra, o paganismo não alastraria em tantos países ricos e menos ricos, apodrecidos pelo dinheiro e pelo materialismo. Rezemos à Virgem, que em Fátima Se chamou a Si própria a Senhora do Rosário. Aprendamos com Ela a rezar, como os meninos com Sua mãe.

Ela leva-nos a Jesus, ensina-nos a unir-nos a Ele na Eucaristia, a mais importante de todas as orações. Aqui o Seu Filho reza connosco. Mais ainda, oferece-se como no Calvário em sacrifício. Para adorar, para louvar, para agradecer, para pedir perdão pelos nossos pecados, para alcançar-nos todas as graças que necessitamos. Ano da Eucaristia. Aprendamos a viver melhor o mistério eucarístico, fonte e cume de toda a vida cristã.

Reanimes o dom de Deus

Jesus deixou-nos a Eucaristia e, com ela, o sacerdócio. É pelos sacerdotes que Se torna presente no meio de nós na Sua Palavra e no Seu Corpo e Sangue.

Na segunda leitura S. Paulo lembra a Timóteo o sacramento da Ordem que recebeu: «Exorto-te a que reanimes o dom de Deus, que recebeste pela imposição das minhas mãos». Nele, Deus dá poderes excelsos aos sacerdotes e a graça para desempenharem a missão que lhes confiou. O sacerdote é para a Eucaristia.

Temos de rezar pelos sacerdotes, para que sejam fiéis ministros de Cristo, distribuindo a Sua Palavra e o Pão da vida a todos os homens. «Deus não deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de caridade e moderação» (2.ª leit.).Peçamos para eles essa fortaleza para poderem ser profetas de Deus no mundo em que vivemos.

«Guarda a boa doutrina que nos foi confiada» (2.ª leit).O sacerdote tem de transmitir fielmente a doutrina de Cristo com todas as suas exigências, resistindo à tentação de fazer descontos ou de calar as verdades que não são populares ou chocam com a mentalidade em voga. É essa doutrina que pode salvar, que pode transformar o mundo, que pode dar sentido à vida dos homens.

Pais e catequistas têm de empenhar-se também em transmitir fielmente a doutrina de Jesus, procurando que as crianças conheçam bem as verdades da fé, as fixem e aprendam a vivê-las na vida de cada dia. Ao começar o novo ano de catequese vale a pena meditar na urgência de conhecer bem o catecismo. E pedir a Deus que os catecismos sejam não só gráfica e pedagogicamente atraentes mas que possam alimentar deveras a fé das crianças. «Guarda a boa doutrina que nos foi confiada». Tomemos a sério esta recomendação de S. Paulo.

Temos de empenhar-nos todos na transformação do mundo, levando-lhe a fé cristã. Ela é a boa nova da salvação, da felicidade. Aqui e na eternidade. Não tenhamos complexos de inferioridade e de medo. Trabalhemos com entusiasmo e sacrifício na transmissão da doutrina de Cristo em todos os ambientes. O Dia mundial das Missões vai lembrar-nos esta obrigação missionária de todos os cristãos. Temos de imitar a audácia de S. Francisco Xavier e a oração e sacrifícios de S.ta Teresinha do Menino Jesus.

Trabalhemos com fé e fortaleza, cada um no seu lugar, sem dar nas vistas, sem esperar que nos batam palmas e sem ter medo de críticas e incompreensões. Depois de termos feito o nosso trabalho diremos: «Somos servos inúteis. Fizemos o que devíamos fazer» (Ev).

Aumenta em nós a fé

O justo vive da fé – diz-nos a primeira leitura. «Se hoje ouvirdes a voz do Senhor não fecheis o coração» – continua o salmo.

A fé é fiar-se em Deus. É estar atento à Sua palavra, que continua a ser-nos transmitida pela Sua Igreja. É aceitá-la, procurar conhecê-la e esforçar-se por vivê-la na vida de cada dia. E nunca é fácil. Porque é aceitar o que não se vê, aquilo que muitas vezes se não compreende, fiados apenas em Deus e na autoridade da Sua palavra, que não mente nem se engana.

Temos de viver a fé na vida de oração. Mas também na vida de cada dia, no trabalho e na família, cumprindo fielmente o que Jesus nos ensina, apoiados na Sua graça, abandonando-nos alegremente ao querer de Deus.

Temos de vivê-la no apostolado. «Mar a dentro – disse Jesus a Pedro – e lançai as vossas redes para pescar. E Simão responde: Mestre, tendo trabalhado toda a noite não apanhámos nada, mas, à Tua palavra, lançarei as redes». E deu-se a pesca milagrosa e inesperada (Lc 5, 1-11).Também a nós o Senhor diz: mar adentro e lança as redes para a pesca. É o Papa que o repete para todos os cristãos na carta Novo Milénio.

Precisamos da fé para viver a Eucaristia, que é, por excelência, mistério da fé. Ano da Eucaristia este que vai deste Outubro até ao do próximo ano – como estabeleceu o Santo Padre. Neste mês celebra-se o Congresso Eucarístico Internacional. Os cristãos têm os olhos postos no México e nesta celebração.

Vamos viver mais a nossa fé e o nosso amor à Eucaristia. Que se note um fervor maior em toda a Igreja.

É o coração da Igreja e a fonte da vida. «A Igreja vive da Eucaristia» – assim começa a encíclica de João Paulo II. «O Concílio Vaticano II justamente afirmou que o sacrifício eucarístico é ‘fonte e centro de toda a vida cristã’ (LG 11)» (Enc. A Igreja vive da Eucaristia, 1).

O papa dá-nos exemplo deste amor à Eucaristia. Já em Cracóvia ele passava muito tempo diante do sacrário, estudando e escrevendo ali os seus trabalhos. Depois em Roma continuou a fazer o mesmo na capela junto do seu gabinete Um episódio dos primeiros dias de pontificado é muito significativo. Devido à morte inesperada do seu antecessor, tinham posto no seu quarto um aparelho para verificar se estava vivo. Uma noite o aparelho não dava qualquer sinal. Aflitos os seus colaboradores foram bater à sua porta e encontraram-no prostrado no chão em oração diante de Jesus Sacramentado.

Que a Virgem nos ensine a tratar bem a Jesus no Santíssimo Sacramento, a procurá-Lo, e a viver mais intensamente os nossos encontros com Ele.

 

Fala o Santo Padre

 

«É com a fé que o homem se abre para a salvação que lhe vem de Deus.»

 

1. «O justo viverá pela sua fidelidade» (Hab 2, 4): com estas palavras, repletas de confiança e de esperança, o profeta Habacuc dirige-se ao povo de Israel, num momento particularmente difícil da sua história. Lidas novamente pelo Apóstolo Paulo, à luz do mistério de Cristo, estas mesmas palavras são utilizadas para expressar um princípio universal: é com a fé que o homem se abre para a salvação que lhe vem de Deus. […]

 

João Paulo II, Praça São Pedro, 7 de Outubro de 2001

 

Oração Universal

 

Jesus ensina-nos a orar e reza connosco.

Unidos a Ele e a toda a Igreja apresentemos ao Pai

as nossas intenções e as intenções de todos os irmãos:

 

1.  Pela Santa Igreja Católica,

para que viva com entusiasmo o Ano da Eucaristia,

oremos ao Senhor.

 

2.  Pelo Santo Padre,

para que o Senhor o encha de sabedoria e graça

e todos obedeçam docilmente ao que nos indica,

oremos ao Senhor.

 

3.  Pelos bispos e sacerdotes,

para que o Senhor os encha do espírito de fortaleza,

para darem testemunho de Cristo,

oremos ao Senhor.

 

4.  Por todos os cristãos,

para que empreguem os meios abundantes para crescer na fé

e numa terna devoção à Virgem Maria,

oremos ao Senhor.

 

5.  Para que todos nos entusiasmemos na tarefa de transformar o mundo,

levando a todos a doutrina de Cristo,

apoiados na força de Deus,

oremos ao Senhor.

 

6.  Para que aumente em todos nós

o gosto pela oração,

oremos ao Senhor.

 

7.  Por todos os que se encontram no Purgatório,

para que o Senhor os purifique

e lhes conceda a bem-aventurança do Céu,

oremos ao Senhor.

 

Senhor, que nos chamastes à vida em Cristo,

aumentai em nós a fé e o amor à oração e o ardor no apostolado.

Por N.S.J.C. Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Senhor Jesus, Mestre Divino, J. Santos, NRMS 70

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, o sacrifício que Vós mesmo nos mandastes oferecer e, por estes sagrados mistérios que celebramos, confirmai em nós a obra da redenção. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. da Silva, NRMS 99-100

 

Monição da Comunhão

 

Pela fé contemplamos a Jesus escondido na Eucaristia. Imitemos a Virgem na maneira de comungar.

 

Cântico da Comunhão: O Pão de Deus, J. Santos, NRMS 662

Lam 3, 25

Antífona da comunhão: O Senhor é bom para quem n'Ele confia, para a alma que O procura.

Ou:    cf. 1 Cor 10, 17

Porque há um só pão, todos somos um só corpo, nós que participamos do mesmo cálice e do mesmo pão.

 

Cântico de acção de graças: Vou cantar o vosso nome, S. Marques, NRMS 107

 

Oração depois da comunhão: Deus todo-poderoso, que neste sacramento saciais a nossa fome e a nossa sede, fazei que, ao comungarmos o Corpo e o Sangue do vosso Filho, nos transformemos n'Aquele que recebemos. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Fortalecidos pela Eucaristia vamos lá fora trabalhar com mais fé para que conheçam e amem a Jesus. E assim será melhor este mundo em que vivemos.

 

Cântico final: A fé em Deus, F. da Silva, NRMS 11-12

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

27ª SEMANA

 

2ª feira, 4-X: Os feridos que encontramos

Gal 1, 6-12 / Lc 25-37

Mas um samaritano, que seguia de viagem, veio por junto dele e, quando o viu, encheu-se de compaixão.

No nosso caminho de cada dia encontramos sempre algum ferido (cf. Ev.). Há pessoas que atravessam circunstâncias dolorosas: de falta de carinho, de abandono, de miséria... E há outras igualmente feridas na alma: afastadas de Deus por motivos pouco importantes, desconhecedoras das verdades da fé... Esperam que sejamos o bom samaritano cf. CIC, 1825), que delas se ocupa, que lhes dedica tempo e amizade.

Um bom exemplo é o de Nossa Senhora, que se preocupa por acompanhar Santa Isabel durante o tempo da sua gravidez.

 

3ª feira, 5-X: Unidos a Deus sempre.

Gal 1, 13-24 / Lc 10, 38-42

(O Senhor): Marta, Marta, andas inquieta e agitada com muita coisa, quando uma só é necessária.

O que é necessário (cf. Ev.) é mantermos a união com Deus ao longo do nosso dia. Podemos arranjar alguns momentos dedicados exclusivamente ao Senhor, como fazia Maria: tempos de oração, participação na Eucaristia, etc. Mas também é possível lembrar-nos de Deus durante os momentos de trabalho, como fez Marta: oferecendo o trabalho ao Senhor, pedindo pelas pessoas que nos rodeiam, indo com a imaginação até ao Sacrário mais próximo da nossa casa, ou local de trabalho. Nossa Senhora acompanhou Jesus durante toda a sua vida.

 

4ª feira, 6-X: A Eucaristia e a Virgem Maria.

Gal 2, 1-2. 7-14 / Lc 11, 1-4

Dai-nos em cada dia o pão para nos alimentarmos.

«(Esta petição) tomada no sentido qualitativo (cf. Ev. do dia), significa o necessário para a vida e, de um modo mais abrangente, todo o bem suficiente para a subsistência. Tomada à letra, designa directamente o Pão da vida, o corpo de Cristo, ‘remédio de imortalidade’, sem o qual não temos a vida em nós» (CIC, 2837).

Neste Ano Eucarístico procuremos meditar todos os dias no 5º mistério luminoso do Rosário: «Existe um núcleo estreitíssimo entre a Eucaristia e a Virgem Maria, que a piedade medieval encerrou na expressão ‘caro Christi, caro Mariae» (João Paulo II).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:           Celestino Correia R. Ferreira

Nota Exegética:                      Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                 Duarte Nuno Rocha


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