aCONTECIMENTOS eclesiais

DO PAÍS

 

 

FÁTIMA

 

IMPORTÂNCIA DA MÚSICA

NA PASTORAL LITÚRGICA

 

Cerca de 1500 pessoas estiveram presentes no 35.º Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica, que se realizou em Fátima de 27 a 31 de Julho passado. «Cantai ao Senhor com arte e com alma» foi o tema aprofundado pelos participantes.

 

O secretário da Comissão Episcopal da Liturgia, Pe. Pedro Lourenço, realçou o «ambiente formativo» que se viveu, não só nas conferências, mas sobretudo através dos ensaios, das celebrações e do contacto com os organistas e os «mestres da Liturgia e do canto». Em relação aos participantes, destacou a adesão dos jovens – mais de 500, divididos entre cantores, organistas e acólitos – e a inscrição de 83 casais. A presença de sacerdotes não chegou aos 10% do total.

O secretário da Comissão criticou a qualidade e o rigor, em termos litúrgicos, das celebrações que são difundidas pelos media: «Assistimos às missas transmitidas pela rádio e pela televisão, e é uma desgraça. Não têm nada a ver com a realidade que é vivida nestes encontros».

Para o Pe. Pedro Lourenço, a melhoria das celebrações litúrgicas terá sempre que integrar quatro vertentes: estudar as orientações da Igreja; investir na formação sobre o sentido do canto na vida humana e como expressão de beleza; fazer com que as comunidades participem unanimemente; acentuar a dimensão solene. Estas dimensões consolidam-se através de um trabalho contínuo – uma «escola» – que passa pelos ensaios e pelo aperfeiçoamento dos critérios da escolha dos cânticos, entre outros aspectos.  

 

Um exemplo de formação litúrgica diocesana

 

A Escola Diocesana de Música Sacra de Aveiro (EDMUSA) é uma das instituições que se dedica ao canto litúrgico.

A aprendizagem começa pela formação musical. A segunda fase do ensino consiste na preparação dos alunos para o ingresso numa escola superior de música sacra. A longo prazo, pretende-se que as paróquias tenham músicos profissionais que confiram às celebrações a qualidade recomendada pela Igreja.

O modelo actualmente seguido pela EDMUSA baseia-se numa formação permanente, que vai ao encontro das comunidades. As sessões mensais são itinerantes, terminando com a participação conjunta na missa dominical.

Por outro lado, a escola oferece aos coralistas, salmistas, directores de coro e organistas um ensino que se adequa às suas funções, em moldes e carga horária compatíveis com as suas capacidades e disponibilidade. Para 2009/10, por exemplo, estão previstas três sessões, ao longo de um fim-de-semana, para animadores litúrgicos de missas em que o coro e os instrumentistas são compostos por jovens.

A retoma de um programa de estudos em três anos, que foi encerrado em 2005 por falta de alunos e dificuldades financeiras, será concretizada quando o número de inscrições assegurar o equilíbrio económico e pedagógico desse plano.

 

 

FÁTIMA

 

MAIS CELEBRAÇÕES

ONLINE E EM DIRECTO

 

Na peregrinação de Agosto deste ano, as imagens das celebrações realizadas no Recinto de Oração do Santuário, são, pela primeira vez, disponibilizadas online e em directo, no site oficial do Santuário de Fátima na Internet.

 

Desde 1 de Janeiro de 2009 que esta página na Internet – www.fatima.pt – possibilitava aos internautas assistirem online e em directo a todas as celebrações realizadas na Capelinha das Aparições, as 24 horas do dia.

A partir da peregrinação de Agosto, é agora possível o acompanhamento das celebrações realizadas no altar do Recinto, nas peregrinações internacionais, que decorrem nos dias 12 e 13 entre os meses de Maio e Outubro, uma vez que a câmara é virada para o altar deste grande espaço de oração do Santuário de Fátima.

O Santuário recebe com frequência contactos – que chegam, também, na grande maioria, por Internet – de devotos de todo o mundo, que fazem chegar à instituição os seus testemunhos de alegria por este novo serviço prestado. Chegam também mensagens de devoção a Nossa Senhora de Fátima.

Por vezes as mensagens são enviadas por famílias ou por grupos, que dizem que se juntam para recitar o Rosário, para participar na Eucaristia, para «fazer uma visita» a Nossa Senhora, para assistir a uma celebração no seu idioma ou apenas para recordar uma anterior peregrinação ou visita a Fátima.

O Santuário procura, com esta nova possibilidade, dar resposta a todas as pessoas que, de todo o mundo, pretendem por este meio sentir-se mais próximas deste local e de Nossa Senhora.

 

 

FÁTIMA

 

TESTEMUNHO DE FÉ

E DE ESPERANÇA

 

Emigrante português reflecte sobre os ensinamentos do acidente que mudou os seus projectos de vida.

 

Eram quatro e meia quando sentiu a aproximação do comboio. Ao atravessar a linha, em direcção a um refúgio, não se apercebeu do cruzamento de outra composição. Na semi-obscuridade da madrugada, o maquinista não reparou que havia colhido um homem, e continuou a marcha.

António Fonseca «morreu» e renasceu em 18 de Novembro de 1965. Tinha chegado a França, como emigrante, três semanas antes. Encontrou trabalho na electrificação de um túnel dos caminhos-de-ferro.

«Quando tive o acidente, não havia ninguém que fosse capaz de dizer que um triplo amputado podia andar com próteses; que podia conduzir, que podia fazer mil coisas», revela António Fonseca, que regressou a Portugal, para alguns dias de férias. Em entrevista à Agência ECCLESIA, recordou o embate na anca esquerda, os «milésimos de segundo» em que se «viu a morrer» e a «sorte» de o hospital estar a 600 metros e de os bombeiros terem chegado rapidamente.

«Coragem de Viver» foi a primeira narrativa, desde o acidente aos 33 meses que passou entre o hospital e o centro de reabilitação. Recentemente, lançou «Renascer» (Ed. Paulinas). Ambas as obras pretendem «dizer ao mundo inteiro que é possível viver e ser feliz depois de um grande infortúnio; nada está totalmente perdido; tudo pode recomeçar, não importa a idade».

 

Testemunho de esperança

 

O que é que este novo livro acrescenta ao primeiro? António Fonseca refere que é frequentemente chamado a dar o seu testemunho sobre a maneira como encarou a vida depois de ter sido colhido. Este volume apresenta algumas reflexões a partir das perguntas colocadas em igrejas, liceus e universidades; e também no Santuário de Lourdes, onde os doentes vão pedir cura e esperança.

A eutanásia, por exemplo. «Nos primeiros dias, várias pessoas diziam entre si: ‘este homem, era melhor que morresse’. Mas eu, naqueles momentos, o que queria era viver».

Os jovens constituem uma parte significativa das pessoas interessadas em escutar as palavras deste emigrante português. Por isso, questões como a SIDA e a droga são recorrentes. Tal como o suicídio: «Nas escolas, não passa uma só vez em que não me coloquem esse assunto». «Não compreendem como é que outros jovens se suicidam, quando um homem, sem as duas pernas e sem um braço, é feliz e tem vontade de viver», explica.

 

Testemunho de fé

 

«A fé ajudou-me nesta rude prova. Quando estava triste, nunca me senti abandonado. Rezo todos os dias, quando me deito, quando me levanto. Agradeço a Deus ter-me mantido vivo tal como sou».

«Nunca se revoltou?», costumam perguntar-lhe. António Fonseca lembra-se de um momento muito difícil, três meses após o acidente; pensou que «já podia estar curado, a andar e a correr, e que afinal não podia sair da minha cama sozinho». Agarrava-se ao terço, de manhã, à tarde, antes de adormecer. Foi uma inquietação silenciosa, que não quis dar a entender.

«Se Deus existisse…», ouve muitas vezes de quem pensa que as coisas da terra são controladas do Céu. No seu caso, sabe bem de quem é a responsabilidade: «Se as pessoas tivessem feito o trabalho como deveria ser, nunca os dois comboios se teriam encontrado no interior do túnel».

António considera que «aqueles a quem os pais dirigiram pelo caminho da fé, têm mais sorte do que os outros»: «Quando o sol brilha, quando há dinheiro, quando corre tudo bem», os que não acreditam em Deus até podem ser mais alegres do que os crentes; mas, «nos momentos de grande tristeza, dificuldade e sofrimento, se possuirmos uma fé profunda, a vida ganha um novo sentido».

 

 

LISBOA

 

VETO AO DECRETO

SOBRE UNIÕES DE FACTO

 

O Presidente da República decidiu, no passado dia 24 de Agosto, não promulgar o Decreto n.º 349/X da Assembleia da República, que procedeu à primeira alteração à Lei n.º 7/2001, de 11 de Maio (Uniões de facto), tendo devolvido o diploma à Assembleia da República.

 

Aníbal Cavaco Silva alerta para o «o risco de uma tendencial equiparação entre duas realidades distintas» – o casamento e as uniões de facto – «se converter, no fim de contas, na criação de dois tipos de casamento ou, melhor dizendo, de transformar a união de facto num «para-casamento», num «proto-casamento» ou num «casamento de segunda ordem»».

Para D. Jorge Ortiga, a nova lei sobre as uniões de facto é inoportuna, precipitada e precisa de um debate alargado a toda a sociedade portuguesa. Se querem legislar sobre as uniões de facto que não as equiparem ao matrimónio, diz o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa.

«Deverá ser devidamente equacionado, mas talvez com esta precipitação não seja o melhor caminho. Estou perfeitamente de acordo com o senhor Presidente da República dizendo que será uma questão inoportuna. Talvez fosse mais adequado esperar por outro momento, envolver a sociedade portuguesa», refere, em declarações à Rádio Renascença.

Na mensagem que enviou aos deputados, Cavaco Silva admite que «na sociedade portuguesa, a opção pela vida em comum em união de facto tem vindo a assumir uma dimensão crescente, como o revelam as estatísticas que evidenciam um aumento do número daqueles que procedem àquela opção».

Para o Presidente da República, «a dimensão que este fenómeno adquiriu, até em termos puramente quantitativos, tem suscitado múltiplas questões aos mais diversos níveis, quer em termos pessoais, quer em termos patrimoniais».

Cavaco Silva defende que «a ausência de um debate aprofundado sobre uma matéria que é naturalmente geradora de controvérsia revela, além disso, a inoportunidade de se proceder a uma alteração de fundo deste alcance no actual momento de final da legislatura, em que a atenção dos agentes políticos e dos cidadãos se encontra concentrada noutras prioridades».

O assunto ficou adiado para a nova legislatura, depois das eleições de 27 de Setembro.

 

 

FÁTIMA

 

SEMANA BÍBLICA NACIONAL

 

A XXXII Semana Bíblica Nacional decorreu em Fátima, de 23 a 28 de Agosto, com a participação de mais de 300 pessoas e a colaboração de 13 conferencistas, três dos quais, bispos. Organizada pelo Movimento de Dinamização Bíblica, dos franciscanos capuchinhos, contou com a colaboração dos seus vários secretariados regionais e uma equipa de Liturgia.

 

A intenção era aproveitar a dinâmica atingida no Ano Paulino e secundar os apelos do último Sínodo sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja. De facto, muita gente descobriu as Cartas de Paulo e os Actos dos Apóstolos, ficando desperta para a Bíblia; pelo seu lado, o Sínodo pretendeu «sobretudo renovar a fé da Igreja na Palavra de Deus» (55ª Proposição). Por isso, os temas desta Semana foram organizados a partir das quatro palavras-chave da Mensagem do Sínodo ao Povo de Deus: a VOZ da Palavra (a Revelação), o ROSTO da Palavra (Jesus Cristo), a CASA da Palavra (a Igreja) e os CAMINHOS da Palavra (a Missão).

 

A Voz. D. António Couto, bispo auxiliar de Braga, disse «Como falou Deus e fala hoje ao seu povo»: é necessário manter um contacto íntimo com as Escrituras mediante a leitura sagrada e o estudo apurado; e é preciso saber «escutar», pois só podemos exprimir bem o que em nós deixarmos imprimir. D. António Taipa, bispo auxiliar do Porto, falou da sua vivência do «Sínodo visto por dentro», como «uma profunda experiência de Igreja e uma forte experiência de fé». Falou da «contemplação da Palavra de Deus na criação, na história e nas pessoas»; do apelo ao serviço da Palavra na homilia, na catequese, no primeiro anúncio; e da celebração da Palavra na Leitura orante (Lectio divina e Revisão de vida) e na Eucaristia.

O Rosto. O capuchinho frei Fernando Gustavo salientou que, como em qualquer relação, também na Bíblia há dois que se procuram; mas «a nossa simples possibilidade de encontro com o rosto da Palavra (Cristo) terá sempre de passar pela nossa disponibilidade para o encontro com todos os outros». D. Carlos Moreira Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa e especialista em História da Igreja, apresentou os principais «Teólogos que marcaram a história da Bíblia», permitindo ver como a Palavra de Deus foi sendo abordada num sentido mais espiritual, pastoral, literal ou sapiencial; como foi secundarizada na longa época escolástica, e o seu processo de renovação com o movimento bíblico, o grande impulso ao estudo da Bíblia com a teologia protestante, e o pós-Concílio Vaticano II que definiu a Bíblia como «alma da teologia e da vida pastoral».

A Casa. O P. Carlos de Aquino, liturgista da diocese do Algarve, falou da «Liturgia, o lugar privilegiado da Palavra de Deus». Para entender o valor e a pertinência do tema, bastaria citar a Constituição sobre a Sagrada Liturgia, do Vaticano II: «Na celebração da Liturgia a importância da Sagrada Escritura é muito grande. De facto, dela se tomam as Leituras, que se explicitam na homilia, os salmos que se cantam; da sua inspiração e sob o seu impulso nascem as preces, orações e hinos litúrgicos; e dela, acções e sinais recebem o seu significado.» A comprová-lo, o biblista franciscano frei João Lourenço falou de «S. Francisco de Assis e a Palavra de Deus hoje». De facto, a principal fonte de Francisco em relação à Bíblia foi a escuta da Palavra na Eucaristia, depois reflectida em privado; e de tal modo ele foi transformado pelo Deus da Palavra, que escreveu uma Regra para os «Irmãos Menores», aprovada pelo Papa, propondo-se «viver segundo o santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo». E assim «restaurou» a Casa da Igreja.

Os Caminhos. Frei Herculano Alves falou da «Palavra de Deus, animação de toda a Pastoral»: passar de uma pastoral bíblica à animação bíblica de toda a pastoral, como pediu o Sínodo. A exposição foi complementada, de tarde, por um painel sobre «Como levar a Bíblia ao Povo de Deus, hoje?», moderado por frei Acácio Sanches, com três propostas concretas: a Escola Bíblica (Palmira Reis, Aveiro), os Grupos Bíblicos (Luísa Maria Abreu, Coimbra) e a Lectio divina (frei Lopes Morgado, Fátima), seguindo-se uma celebração da Lectio divina com toda a assembleia.

Conclusão. A Semana concluiu com mais uma reflexão sobre «Maria, modelo de acolhimento da Palavra para o crente», por Isabel Varandas; seguindo-se a Eucaristia de Encerramento, presidida por D. Serafim Ferreira e Silva, bispo emérito de Leiria-Fátima, que, em nome dos seus colegas no episcopado, agradeceu a todos o interesse manifestado pela Palavra de Deus.

 

 

VISEU

 

SEMANA DE

ESTUDOS GREGORIANOS

 

Decorreu no Centro Pastoral Diocesano a 58.ª Semana de Estudos Gregorianos, que contou com mais de 90 participantes e terminou no dia 30 de Agosto, na Sé Catedral, com Missa cantada em gregoriano por todos os participantes.

 

Promovida pelo Centro Ward de Lisboa – Júlia Almendra, esta Semana foi integrada nas comemorações dos 900 anos do nascimento de D. Afonso Henriques.

Sob a orientação de Paulo Brandão, pretendeu-se que o estudo do canto gregoriano conduza a um conhecimento mais profundo da música e da sua importância na liturgia. Vianey da Cruz trabalhou com 32 alunos a Técnica Vocal, procurando valorizar a voz humana, como instrumento natural de interpretação e expressão do canto litúrgico.

Um vasto conjunto de actividades culturais, abertas ao público, decorreram ao longo da Semana, nomeadamente um Concerto de Órgão e Trompete, na Igreja de S. José, e um concerto/audição geral dos participantes, na Igreja do Seminário Maior.

 

 

FÁTIMA

 

JORNADAS DE

COMUNICAÇÕES SOCIAIS

 

A relação entre Igreja, comunicação institucional e jornalismo esteve em destaque nas Jornadas Nacionais das Comunicações Sociais que decorreram nos passados dias 10 e 11 de Setembro, sob o tema: «Gabinetes de Imprensa: luxo ou necessidade?».

 

D. Manuel Clemente, Presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, afirmou que o problema se regista ao nível «institucional».

O Bispo do Porto, presente na comunicação social na Rádio Renascença e também no programa ECCLESIA, desde 1998, considera não haver um déficit de informação. D. Manuel Clemente recorda os documentos, cartas pastorais e outra informação disponibilizada pela Agência ECCLESIA. «Falta sim um mediador que traduza e faça chegar a informação às pessoas».

João Paulo II criou uma relação com as audiências e com o espaço mediático. Mas tais pessoas não se planeiam. Aparecem. Bento XVI é um professor como foi toda a sua vida. O mediador é o problema.

D. Manuel Clemente apontou a síntese, a precisão e o profissionalismo como capacidades essenciais para se comunicar. Reconhecendo que em cada patamar eclesial «é bom que exista uma voz e um rosto, há também a necessidade de uma síntese».

Participaram nas Jornadas o porta-voz da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, S.J., que pronunciou a conferência inaugural, responsáveis de vários gabinetes de Imprensa e alguns jornalistas profissionais.

 


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