Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos

 

3ª Missa

2 de Novembro de 2009

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Dai a paz Senhor, M. Faria, NRMS 23

cf. Rom 8, 11

Antífona de entrada: Deus, que ressuscitou Jesus de entre os mortos, também dará a vida aos nossos corpos mortais pelo seu Espírito que habita em nós.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A fé dá-nos perspectivas e certezas eternas.

Que o Senhor aumente a nossa fé e com ela a esperança e a caridade para sufragarmos aqueles que antes de nós partiram para a Pátria que a todos nos espera.

 

Oração colecta: Senhor, que pela vitória do vosso Filho sobre a morte, O exaltastes no reino da glória, concedei aos nossos irmãos defuntos que, libertos desta vida mortal, possam contemplar-Vos para sempre como seu Criador e Redentor. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A ressurreição de Jesus é garantia da nossa própria ressurreição. Avivemos a nossa fé e, com ela, a grata e consoladora esperança na vida eterna, para a qual todos fomos criados.

 

1 Tessalonicenses 4, 13-18

13Não queremos, irmãos, deixar-vos na ignorância a respeito dos defuntos, para não vos contristardes como os outros, que não têm esperança. 14Se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, do mesmo modo, Deus levará com Jesus os que em Jesus tiverem morrido. 15Eis o que temos para vos dizer, segundo a palavra do Senhor: Nós, os vivos, os que ficarmos para a vinda do Senhor, não precederemos os que tiverem morrido. 16Ao sinal dado, à voz do Arcanjo e ao som da trombeta divina, o próprio Senhor descerá do Céu e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. 17Em seguida, nós, os vivos, os que tivermos ficado, seremos arrebatados juntamente com eles sobre as nuvens, para irmos ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. 18Consolai-vos uns aos outros com estas palavras.

 

Os cristãos de Tessalónica, tinham sido evangelizados pouco antes, na segunda viagem missionária de S. Paulo, provavelmente durante o Inverno de 50-51. Embora o Apóstolo não tenha podido permanecer ali por muito tempo (apenas 2 ou 3 meses) tornaram-se uma comunidade modelar (cf. 1 Tes 1, 7), mas a verdade é que não estavam devidamente esclarecidos acerca da sorte dos seus defuntos surpreendidos pela morte antes da vinda gloriosa de Jesus. Julgavam que eles já não poderiam tomar parte no triunfo glorioso da segunda vinda do Senhor (a parusia), que julgavam estar para breve; era esta mais uma forte razão para andarem preocupados e tristes, segundo as notícias que Timóteo, enviado desde Atenas, lhe tinha trazido a Corinto (cf. 1 Tes 3, 1-2.6). 13.

S. Paulo, consciente das «deficiências da fé» dos tessalonicenses (cf. 3, 10), trata agora de os esclarecer na fé e de os consolar, escrevendo: «para vos não contristardes» (v. 13). Paulo garante-lhes que «Deus levará com Jesus os que tiverem morrido n’Ele» (v. 14), não estando excluídos de estar «para sempre com o Senhor» (v. 17). O Apóstolo apela para «uma palavra do Senhor», mas discute-se sobre qual a palavra a que se refere; uns pensam no discurso escatológico dos Sinópticos, outros numa revelação pessoal, outros nalguma palavra de Jesus das não consignadas nos Evangelhos (ágrapha)

15 «Nós os vivos, os que ficarmos». Pelo que sabemos doutros textos paulinos, S. Paulo não estava convencido de que havia de ficar para a parusia (cf. 1 Cor 15, 30-31; 2 Cor 1, 8-9; 4, 14; Filp 2, 17); quando muito, manifestaria uma vaga esperança de vir a ficar (BJ). O mais provável é que exprima na primeira pessoa do plural o que só dizia respeito a uma parte dos cristãos, sem se incluir nessa parte: é uma ficção literária a que os gramáticos dão o nome de enálage pessoal, e que S. Paulo usa mais vezes. «Não precederemos...», isto é, os que viverem na ocasião da 2.ª vinda de Jesus não levarão vantagem aos que já morreram, pois então estes, «os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro» e os que então viverem, «os que tivermos ficado seremos arrebatados», na linguagem mais clara de 1 Cor 15, 51-53, «serão transformados», isto é, glorificados.

A linguagem com que S. Paulo se exprime é simbólica, por isso não se deve tomar à letra; era corrente na literatura apocalíptica judaica, utilizada para exprimir uma realidade misteriosa e transcendente, uma intervenção certa e portentosa de Deus; assim é o caso de: «a voz do arcanjo», «a trombeta divina», «as nuvens e o Senhor nos ares (cf. Dan 7, 13). Por outro lado, S. Paulo utiliza a mesma linguagem do mundo helenístico para as visitas festivas[1], a vinda duma personagem importante, chamada parousia, a que correspondia a jubilosa saída dos cidadãos ao seu encontro, chamada anástasis. Ora sucede que nesta passagem paulina ocorrem ao mesmo tempo os dois vocábulos, pois, «para irmos ao encontro do Senhor» diz-se: eis anástasin tou Kyriou.

O importante é que todos, tanto os que vivem como os que morreram, «estaremos sempre com o Senhor»; esta é a certeza da fé capaz de consolar aqueles fiéis e a nós também.

 

Salmo Responsorial      Sl 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6 (R. 1 ou 4a)

 

Monição: O Senhor é um pastor atento e amigo que nunca nos abandona. Feliz de quem aceita o carinho que a todos Ele quer dar. Com Ele nada nos faltará.

 

Refrão:         O Senhor é meu pastor: nada me faltará.

 

Ou:                Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

                      nada temo, porque Vós estais comigo.

 

O Senhor é meu pastor: nada me falta.

Leva-me a descansar em verdes prados,

conduz-me às águas refrescantes

e reconforta a minha alma.

 

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:

o vosso cajado e o vosso báculo

me enchem de confiança.

 

Para mim preparais a mesa

à vista dos meus adversários

com óleo me perfumais a cabeça,

e o meu cálice transborda.

 

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me

todos os dias da minha vida

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.

 

 

Aclamação ao Evangelho            Jo 6, 51

 

Monição: A fé em Jesus leva à vida eterna e à ressurreição no último dia. Como é importante avivarmos esta fé!

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 1,F. Silva, NRMS 50-51

 

Eu sou o pão vivo que desceu do Céu

quem comer deste pão viverá eternamente.

 

 

Evangelho

 

São João 6, 37-40

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 37«Todos aqueles que o Pai Me dá virão a Mim e àqueles que vêm a Mim não os rejeitarei, 38porque desci do Céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade d’Aquele que Me enviou. 39E a vontade d’Aquele que Me enviou é esta: que Eu não perca nenhum dos que Ele Me deu, mas os ressuscite no último dia. 40De facto, é esta a vontade de meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e acredita n’Ele tenha a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia».

 

As palavras do Senhor são solenes, como se pode ver pela repetição dos vv. 37.39.40, palavras que enchem de esperança todos os fiéis, ou seja, aqueles que, movidos pela graça de Deus – «tudo o que o Pai me dá» vêm a Jesus pela fé na sua palavra e nas suas obras - «virá a Mim». A fé em Jesus leva à «vida eterna» e à «ressurreição no último dia», isto é, no fim dos tempos.

 

Sugestões para a homilia

 

O Senhor é meu pastor, nada me faltará. Nem na vida nem na morte. O Purgatório é uma prova do amor misericordioso que Deus Pai nos tem.

A morte é o que de mais certo tem a vida. Para um cristão não deve ser motivo de temor, de aflição. O Senhor compara esse encontro com um grande banquete, onde nada falta. Tal certeza levou S. Paulo a proclamar que «morrer é lucro».

Nada faltará. Deus enxugará as lágrimas.

Para nos ajudar na caminhada, ficou Ele mesmo, realmente presente na Santíssima Eucaristia.

 

Nota – Ver esquema mais desenvolvido na 1ª Missa.

 

 

Oração Universal

 

(Ver 1ª missa)

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Para vós, Senhor, B. Salgado, NRMS 4 (I)

 

Oração sobre as oblatas: Recebei benignamente, Senhor, esta oblação em favor de todos os vossos fiéis que adormeceram em Cristo e fazei que, libertos dos laços da morte, por este sacrifício de salvação mereçam entrar na vida eterna. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio dos Defuntos: p. 509 [652-764] e pp. 510-513

 

Santo: Santo IV, H. Faria, NRMS 103-104

 

Monição da Comunhão

 

Jesus na Eucaristia é o Pão vivo que desceu do Céu. É o penhor da vida eterna. Vamos recebê-LO com muita fé. Vamos pedir-Lhe pelo eterno descanso dos já partiram para a Pátria eterna.

 

Cântico da Comunhão: Senhor, nada somos sem Ti, F. Silva, NRMS 84

Filip 3, 20-21

Antífona da Comunhão: Esperamos o nosso Salvador, Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo mortal à imagem do seu Corpo glorioso.

 

Oração depois da Comunhão: Derramai, Senhor, a abundância da vossa misericórdia sobre os nossos irmãos defuntos, pelos quais Vos oferecemos este sacrifício; Vós que lhes destes a graça do Baptismo, dai-lhes a plenitude da alegria eterna. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A certeza da eternidade que a fé nos garante é motivo de esperança de encontro com os que já partiram e é apelo constante para que caminhemos neste mundo com o «olhar» na eternidade. Com esse propósito Ide em Paz e o Senhor vos acompanhe.

 

Cântico final: Vós sois o caminho, J. Santos, NRMS 42

 

 

Homilias Feriais

 

31ª SEMANA

 

3ª Feira, 3-XI: Convite para a vida eterna

Rom 12, 5-16 / Lc 14, 15-24

Sai aos caminhos e às azinhagas e obriga essa gente a entrar, para que a minha casa fique cheia.

O banquete da vida eterna está preparado, e Deus quer que toda a gente se salve. No entanto, sempre há desculpas para não aceitar o convite feito por Deus (Ev). São desculpas razoáveis, mas esquecem o que é mais importante: alcançar a vida eterna.

Temos que fazer render os talentos que recebemos: «temos dons diferentes conforme a graça que nos foi dada» (Leit). Não esqueçamos a virtude da caridade: sede amáveis uns com os outros, bendizei aqueles que vos perseguem, alegrai-vos com aqueles que se alegram, etc. (Leit).

 

4ª Feira, 4-XI: Viver bem a caridade para chegar ao céu.

Rom 13, 8-10 / Lc 14, 25-33

Qual de vós, que deseja construir uma torre, se não senta primeiro a calcular a despesa e a ver se em com que terminá-la?

Para atingir a vida eterna precisamos edificar uma torre que chegue ao céu e travar um grande combate (Ev). Cada dia aproximar-nos um pouco mais de Deus; ultrapassar os obstáculos que o demónio coloca.

Nessa construção não deixemos de viver muito bem a virtude caridade. É uma dívida que não podemos ter para com ninguém (Leit). Aproveitemos as circunstâncias em que vivemos para nos entregarmos ao serviço dos outros.

 

5ª Feira, 5-XI: O pecador e a vida eterna: esperança.

Rom 14, 7-12 / Lc 15, 1-10

Pois eu digo-vos: É assim que há alegria entre os Anjos de Deus por um só pecador que se arrependa.

Jesus convivia com os pecadores, procurando levá-los ao arrependimento. E por cada um que se convertia havia uma grande alegria no céu (Ev). As duas parábolas que contou abrem-nos uma porta de esperança, pois temos tendência para desanimar, quando nos sentimos pecadores.

Procuremos viver a nossa vida unidos ao Senhor: «Se vivemos, vivemos para o Senhor» (Leit). E, em relação ao próximo, evitemos o julgamento negativo ou o desprezo (Leit).

 

6ª Feira, 6-XI: S. Nuno de S. Maria: Boa administração dos bens.

Rom 15, 14-21 / Lc 16, 1-8

Havia um homem rico que tinha um administrador, e este foi-lhe acusado de andar a desperdiçar os bens.

Deus confiou-nos todos os bens terrenos. Como os estamos a administrar? (Ev). Esses bens são os bens materiais, o trabalho, a família, o tempo, etc. Façamos um exame para vermos que medidas devemos tomar para que eles rendam o que devem render, sem desperdícios.

S. Nuno de Santa Maria geriu muito bem o que Deus lhe confiou: o talento para os combates, o desprendimento de todos os bens, e eram muitos, para ouvir de Deus: muito bem, servo bom e fiel, entra na alegria do teu Senhor.

 

Sábado, 7-XI: Desprendimento e vida eterna.

Rom 16, 3-9. 16. 22-27 / Lc 16, 9-15

Ninguém pode servir a dois senhores: ou terá antipatia por um e estima pelo outro, ou há-de ligar-se ao primeiro e desprezar o segundo.

O nosso relacionamento com os bens terrenos há-de consistir no seu bom uso. Para isso, temos uma virtude muito importante, que é o desprendimento.

Uma parte do desprendimento consiste em viver bem os gastos: «quem é fiel no pouco, também é fiel em muito» (Ev). Evitar os gastos por luxo, capricho, descuidos, etc. Outra parte diz respeito aos apegamentos: às roupas, aos últimos modelos de instrumentos electrónicos, ao uso da TV e telemóveis, etc. O Senhor disse: bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.

 

 

 

Celebração e Homilia:          Alves Moreno

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                 Duarte Nuno Rocha

 



[1]           Assim pensa L. Cerfaux, Le Christ dans la théologie de Saint Paul, Paris, Cerf, 21954, pp. 29-34. J. Dupont pensa antes na analogia Ex 19, 17 – o encontro do povo com Yahwéh –, mas o termo grego usado pelos LXX é outro.


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