Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos

 

1ª Missa

2 de Novembro de 2009

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Felizes os mortos, F. dos Santos, NRMS 19-20

cf. 1 Tess 4, 14; 1 Cor 15, 22

Antífona de entrada: Assim como Jesus morreu e ressuscitou, também aos que morrem em Jesus, Deus os levará com Ele à sua glória. Se em Adão todos morreram, em Cristo todos voltarão à vida.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Depois de termos celebrado a vitória de todos aqueles, que sendo de carne osso como nós, já chegaram á meta para a qual todos fomos criados – a felicidade eterna do Céu, hoje queremos lembrar e sufragar aqueles, que tendo deixado o nosso convívio, ainda se encontram a caminho, em purificação. Para eles já passou o tempo de merecer. Por si nada podem fazer. Aguardam ardentemente os nossos tão úteis e urgentes sufrágios. É o que nos propomos fazer, de uma maneira muito especial nestes dias e, em especial, em todo o mês de Novembro, que, por isso, é chamado mês das Almas.

 

Oração colecta: Deus, Pai de misericórdia, escutai benignamente as nossas orações, para que, ao confessarmos a fé na ressurreição do vosso Filho, se confirme em nós a esperança da ressurreição dos vossos servos. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Job proclama a sua fé em Deus e na certeza da ressurreição. Nesta fé e certeza fundamentamos a nossa esperança.

 

Job 19, 1.23-27a

1Job tomou a palavra e disse: 23«Quem dera que as minhas palavras fossem escritas num livro, ou gravadas em bronze 24com estilete de ferro, ou esculpidas em pedra para sempre! 25Eu sei que o meu Redentor está vivo e no último dia Se levantará sobre a terra. 26Revestido da minha pele, estarei de pé na minha carne verei a Deus. 27aEu próprio O verei, meus olhos O hão-de contemplar».

 

Este pequeno trecho é um dos mais citados pela tradição cristã; corresponde à resposta de Job às acusações dos seus amigos; é um hino de esperança e confiança em Deus no meio do seu atroz sofrimento, um hino que fica bem realçado, ao dizer: «palavras escritas… esculpidas em pedra para sempre».

25 «E no último dia Se levantará sobre a terra». Esta última reformulação da tradução litúrgica – que antes já tinha abandonado o texto latino da Vulgata («Et in novíssimo die de terra surrecturus sum») para se cingir ao texto hebraico massorético – parece ter querido recuperar um sentido escatológico (o da ressurreição final), ao não ter o adjectivo «último» referido a Deus, mas sim a «dia»(um substantivo que não aparece no hebraico, mas que a Vulgata pressupôs). No entanto, o verbo «Se levantará» (que em S. Jerónimo se traduz pela 1ª pessoa, referindo-o a Job) segue o texto hebraico.

26 «Na minha carne verei a Deus». O texto massorético significa que, ainda nesta vida (com a minha carne já curada) hei-de sentir a sua protecção, o seu amor e bondade (é este o sentido corrente no A. T. de «ver a Deus»). A verdade é que a nova tradução litúrgica, baseada na pauta da Neovulgata, quis manter o sentido escatológico do texto, de acordo com o antigo uso do texto na Liturgia dos defuntos. De facto, quando o justo que sofre (Job) haverá de ver plenamente a Deus com a sua carne, será na Ressurreição (ainda que a doutrina da ressurreição não apareça no livro de Job e seja algo ao arrepio desta obra). A Vulgata de S. Jerónimo tinha uma tradução que hoje nenhum crítico segue: «Eu sei que o meu Redentor vive e que no último dia eu hei-de ressuscitar da terra e serei novamente revestido da minha pele e com a minha própria carne verei o meu Deus». A verdade, porém, é que estamos diante duma passagem que oferece bastantes dificuldades para a reconstituição do texto original e a Nova Vulgata optou por um texto aberto a um sentido escatológico, semelhante ao da tradução litúrgica que temos.

 

Salmo Responsorial      Sl 26 (27), 1.4.7 e 8b e 9a.13-14 (R. 1a ou 13)

 

Monição: O salmo canta a nossa esperança. Queremos habitar na casa do Senhor, ansiamos contemplar o seu rosto.

 

Refrão:         Espero contemplar a bondade do Senhor

                      na terra dos vivos.

 

Ou:                O Senhor é a minha luz e a minha salvação.

 

O Senhor é minha luz e salvação:

a quem hei-de temer?

O Senhor é o protector da minha vida:

de quem hei-de ter medo?

 

Uma coisa peço ao Senhor, por ela anseio:

habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,

para gozar da suavidade do Senhor

e visitar o seu santuário.

 

Ouvi, Senhor, a voz da minha súplica,

tende compaixão de mim e atendei-me.

A vossa face, Senhor, eu procuro:

não escondais de mim o vosso rosto.

 

Espero vir a contemplar a bondade do Senhor

na terra dos vivos.

Confia no Senhor, sê forte.

Tem coragem e confia no Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: As ligeiras aflições deste mundo preparam-nos um peso eterno de glória. Enquanto as coisas visíveis são passageiras, as invisíveis são eternas. Não nos deixemos enganar pelas coisas do mundo.

 

2 Coríntios 4, 14-18 – 5, 1

14Como sabemos, irmãos, Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos há-de ressuscitar com Jesus e nos levará convosco para junto d’Ele. 15Tudo isto é por vossa causa, para que uma graça mais abundante multiplique as acções de graças de um maior número de cristãos para glória de Deus. 16Por isso, não desanimamos. Ainda que em nós o homem exterior se vá arruinando, o homem interior vai-se renovando de dia para dia. 17Porque a ligeira aflição dum momento prepara-nos, para além de toda e qualquer medida, um peso eterno de glória. 18Não olhamos para as coisas visíveis, olhamos para as invisíveis: as coisas visíveis são passageiras, ao passo que as invisíveis são eternas. 5, 1Bem sabemos que, se esta tenda, que é a nossa morada terrestre, for desfeita, recebemos nos Céus uma habitação eterna, que é obra de Deus e não é feita pela mão dos homens.

 

A leitura é de uma grande riqueza doutrinal e projecta a luz da fé sobre o mistério da morte, um mistério a que ninguém pode fechar os olhos, sobretudo na comemoração do dia de hoje. A esperança da ressurreição e da glória do Céu, que animava o Apóstolo Paulo, é a mesma que nos anima a nós.

16 «Ainda que em nós o homem exterior se vá arruinando, o homem interior vai-se renovando de dia para dia». A antítese «homem exterior» «homem interior» visa a oposta dualidade da antropologia teológica paulina, mais do que a dualidade da antropologia filosófica grega, embora sem prescindir dela. O homem exterior é o ser humano considerado na sua mortalidade, votado à ruína e decomposição física (cf. v. 7: um frágil «vaso de barro»), em contraste com o homem interior, que aqui, mais do que a imortalidade da filosofia grega (a athanasía: cf. 1 Cor 15, 53-54; 1 Tim 6, 16), parece indicar a vitalidade sobrenatural imperecível infundida no Baptismo, um princípio de santificação que possibilita que o homem regenerado se vá renovando de dia para dia, identificando-se cada vez mais com Cristo ressuscitado. A vida dos santos demonstra esta afirmação paulina: à medida que os seus corpos se vão consumindo por sofrimentos e penitências corporais, renova-se a sua juventude de alma, a sua alegria. A propósito destas noções, temos que reconhecer que Paulo não utiliza nos seus escritos um modelo antropológico único; com efeito, embora a sua formação seja radicalmente hebraica, ele, ao dirigir-se ao mundo helenístico, também se serve de categorias do pensamento filosófico grego corrente. Daqui provém, às vezes, alguma dificuldade de interpretação dos seus textos, cuja antropologia não se pode absolutizar.

5, 1 «Tenda... morada terrestre...» Tenda (skênos), designa no mundo grego o corpo, como invólucro da alma, uma alusão ao carácter provisório da nossa morada terrestre, em contraposição com o corpo já ressuscitado e glorioso, à maneiro do de Cristo. Que Paulo admite uma escatologia individual e intermédia, distinta da ressurreição final, é uma coisa que fica bem clara neste mesmo capítulo 5 da 2ª aos Coríntios «preferimos exilar-nos do corpo para ir morar junto de Cristo» (cf. Declaração da Congregação para a Doutrina da Fé em 17-5-79; ver texto em CL, ano C (1979-80), n.º 11/12, pp. 1698-1700).

 

Aclamação ao Evangelho            Mt 11, 25

 

Monição: O Pai do Céu revela as verdades eternas aos simples, aos pequeninos e a todos quer consolar e ensinar a virtude fundamental da humildade.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Bendito sejais, ó Pai, Senhor do céu e da terra,

porque revelastes aos pequeninos os mistérios do reino.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 11, 25-30

25Naquele tempo, Jesus exclamou: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. 26Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado. 27Tudo Me foi dado por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 28Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. 29Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. 30Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».

 

O trecho da leitura é considerado como a jóia dos Sinópticos, com uma impressionante revelação do Coração de Cristo, sendo os vv. 25-27 uma das mais belas orações de Jesus, também registada em Lucas (Lc 10, 21-24).

25 «Sábios e inteligentes» (prudentes) são os sábios orgulhosos, que confiam apenas na sua sabedoria, auto-suficientes, julgam poder salvar-se com os seus próprios recursos de inteligência e poder. Os «pequeninos» são os humildes, abertos à fé, capazes de visão sobrenatural. A revelação divina só pode ser aceite e captada pela fé: uma ciência soberba impede de aceitar a loucura divina da Cruz (cf. 1 Cor 1, 19-31); os pequeninos são, pois aqueles «que o mundo considera vil e desprezível», mas «que Deus escolheu; escolheu os que nada são, para reduzir a nada aqueles que são alguma coisa» (ibid. v. 28).

27 Jesus reivindica para si um conhecimento do Pai (Deus) perfeitamente idêntico ao conhecimento que o Pai tem do Filho (Jesus), e isto porque Ele, e só Ele, é o Filho, igual ao Pai, Deus com o Pai.

28-30 Palavras estas maravilhosas, que nos patenteiam os sentimentos do Coração de Cristo. O povo andava «cansado e oprimido» com as minuciosas exigências da lei antiga – que o Sirácida (51, 33) apodava de «jugo» – e das tradições que os fariseus e doutores da lei impunham com todo o rigorismo do seu frio e insuportável legalismo, que oprimia a liberdade interior e roubava a paz ao coração (cf. Act 15, 10). Jesus não nos dispensa de levar o seu «jugo» e a sua «carga», mas não quer que nos oprima, pois deseja que O sigamos por amor, e, «para quem ama, é suave; pesado, só para quem não ama» (Santo Agostinho, Sermão 30, 10). O mesmo Santo Agostinho comenta esta passagem: «qualquer outra carga te oprime e te incomoda, mas a carga de Cristo alivia-te do peso. Qualquer outra carga tem peso, mas a de Cristo tem asas. Se a uma ave lhe tirares as asas, parece que a alivias do peso, mas, quanto mais lhas tirares, mais esta pesa; restitui-lhe o peso das suas asas, e verás como voa» (Sermão 126, 12).

 

Sugestões para a homilia

 

1.     Espero contemplar a bondade do Senhor na Terra dos vivos.

2.     A existência do Purgatório e a doutrina da Igreja.

3.     Importância dos nossos sufrágios pelos que estão no Purgatório.

1. Espero contemplar a bondade do Senhor na Terra dos vivos.

Depois de termos celebrado a Festa de Todos os Santos, isto é, daqueles que já atingiram a meta para a qual todos fomos criados, hoje celebramos os Fieis Defuntos, isto é, daqueles que, após a morte, aguardam, expiando suas faltas leves, a posse total de Deus Pai. O pó com que partiram deste mundo será limpo no Purgatório, que é esse estado intermédio entre a Terra e o Céu. O Purgatório é fruto da misericórdia infinita do Senhor. Nele há a certeza da salvação, «da contemplação da bondade do Senhor». Todos têm firme esperança de «contemplar a bondade do Senhor na Terra dos vivos».

Como é importante compreender estas verdades tão consoladoras. O Senhor as revelou aos pequeninos e simples: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos.» Para a sua compreensão é essencial a virtude fundamental da humildade.

2. E existência do Purgatório e a doutrina da Igreja.

A palavra Purgatório não se encontra na Sagrada Escritura, mas a doutrina é corrente desde o princípio.

A Santa Igreja interpretando as Sagradas Escrituras definiu a sua existência em três Concílios Ecuménicos: Niceno II, Florença em 1439 e em Trento no século XVI.

Ao Purgatório, sem dizer o seu nome, se refere o 2º Livro dos Macabeus, no Capítulo 12, quando narra que Judas Macabeu, chefe do Povo de Israel, depois de vencer o inimigo Górgias, numa batalha árdua, com 12 mil dracmas, dinheiro encontrado nos bolsos dos seus soldados tombados em combate, mandou oferecer sacrifícios no Templo de Jerusalém pelos pecados dos seus mortos. O autor sagrado acrescenta «É um santo e salutar pensamento orar pelos defuntos a fim de serem livres de seus pecados». Logo há pecados que serão perdoados no outro mundo. Tal só poderá acontecer no Purgatório, pois o Inferno é eterno e não perdoa.

S. Mateus 12, 32 apresenta-nos uma palavra saída dos lábios de Jesus, que alude a uma purificação, que antecede a entrada dos escolhidos, no céu.: «Quem falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem no tempo presente, nem no futuro». Logo há faltas que serão perdoadas no futuro, o que só podem ser no Purgatório.

S. Paulo, na 1 Cor 3, 11 fala de pecados leves que serão queimados pelo fogo.

Santo Agostinho conta-nos no seu livro «Confissões» que sua mãe, Santa Mónica, já moribunda lhe disse: «Enterra este meu corpo onde quiseres e não te incomodes com ele. Uma coisa te peço: onde estiveres lembra-te de mim no altar do Senhor». E diz-nos a história que Santo Agostinho, vinte anos após a morte de sua santa mãe, ainda por ela rezava.

O Catecismo da Igreja Católica, no número 1030, diz que «Os que morrem na graça e amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do Céu».

Em Fátima, Nossa Senhora também se referiu ao Purgatório. Quando Lúcia lhe perguntou pela sorte eterna de uma jovem de 18 anos recentemente falecida, a Senhora respondeu que ela «estaria no Purgatório até ao fim do mundo».

3. Importância dos nossos sufrágios pelos que estão no Purgatório.

Enquanto os que estão no Purgatório, nada podem fazer em seu proveito, nós que ainda nos encontramos no local de prova, podemos sufragá-los. Para lembrar esta obrigação tão urgente e importante, celebramos este dia dos Fieis Defuntos e a Santa Igreja cumula de Indulgências, em seu favor, especialmente estes dias. Vamos estar atentos aos lamentos, e pedidos constantes que nos chegam com mais veemência neste dia de Finados.

Deus, Nosso Senhor e Maria Santíssima, que a todos muito amam, aguardam as nossas orações, boas obras e sacrifícios, para, por eles equilibrarmos a balança da justiça divina.

Junto de Deus eles podem interceder por nós. Santa Teresa de Jesus deixou escrito que tudo quanto tinha pedido a Deus por intermédio dos Fieis Defuntos, sempre o havia conseguido.

Peçamos ao Senhor, por intermédio dos que hoje sufragamos a graça de uma grande fidelidade ao plano amoroso que Deus para cada um traçou. Levemos com generosidade a cruz de cada dia e aceitemos todas aquelas penitências que a misericórdia e justiça de Deus achar por bem enviar-nos. Queremos, neste mundo, expiar todas as faltas cometidas ou boas obras não realizadas, para que possamos, após a partida deste exílio, seguir directamente para o reino de Deus, sem a experiência, sempre dolorosíssima, do Purgatório.

 

Fala o Santo Padre

 

Queridos irmãos e irmãs!

Ontem a festa de Todos os Santos fez-nos contemplar «a cidade do céu, a Jerusalém celeste que é nossa mãe» (Prefácio de Todos os Santos). Hoje, com o ânimo ainda dirigido para estas realidades últimas, comemoramos todos os fiéis defuntos, que «nos precederam com o sinal da fé e dormem o sono da paz» (Oração eucarística, 1). É muito importante que nós cristãos vivamos a relação com os defuntos na verdade da fé, e olhemos para a morte e para o além à luz da Revelação. Já o apóstolo Paulo, escrevendo às primeiras comunidades, exortava os fiéis a «não estar tristes como os outros que não têm esperança». Se de facto escrevia cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, através de Jesus, reunirá com ele todos os que estão mortos» (1 Ts 4, 13-14). É necessário também hoje evangelizar a realidade da morte e da vida eterna, realidades particularmente sujeitas a crenças supersticiosas e a sincretismos, para que a verdade cristã não corra o risco de se misturar com mitologias de vários tipos.

Na minha Encíclica sobre a esperança cristã, interroguei-me sobre o mistério da vida eterna (cf. Spe salvi, 10-12). Perguntei-me: a fé cristã é também para os homens de hoje uma esperança que transforma e ampara a sua vida (cf. ibid., 10)? E mais radicalmente: os homens e as mulheres desta nossa época ainda desejam a vida eterna? Ou tornou-se, porventura, a existência terrena o seu único horizonte? Na realidade, como já observava Santo Agostinho, todos queremos a «vida bem-aventurada», a felicidade, queremos ser felizes. Não sabemos bem o que seja e como seja, mas sentimo-nos atraídos por ela. Esta é uma esperança universal, comum aos homens de todos os tempos e lugares. A expressão «vida eterna» pretende dar um nome a esta expectativa insuprimível: não uma sucessão infinita, mas o imergir-se no oceano do amor infinito, no qual o tempo, o antes e o depois já não existem. Uma plenitude de vida e de alegria: é isto que esperamos e aguardamos do nosso ser com Cristo (cf. ibid., 12).

Renovamos hoje a esperança da vida eterna fundada realmente na morte e ressurreição de Cristo. «Ressuscitei e agora estou sempre contigo», diz o Senhor, e a minha mão ampara-te. Onde quer que tu caias, cairás nas minhas mãos e estarei presente até na porta da morte. Onde mais ninguém te pode acompanhar e para onde nada podes levar, lá eu espero por ti para transformar para ti as trevas em luz. Mas a esperança cristã não é apenas individual, é sempre também esperança para os outros. As nossas existências estão profundamente ligadas umas às outras e o bem e o mal que cada qual pratica atinge sempre também os outros. Assim a oração de uma alma peregrina no mundo pode ajudar outra alma que se está a purificar depois da morte. Eis por que hoje a Igreja nos convida a rezar pelos nossos queridos defuntos e a visitar os seus túmulos nos cemitérios. Maria, estrela da esperança, torne mais forte e autêntica a nossa fé na vida eterna e ampare a nossa oração de sufrágio pelos irmãos defuntos.

 

Bento XVI, Angelus, 2 de Novembro de 2008

 

Oração Universal

 

Irmãos,

Cheios de fé oremos a Deus, Nosso Pai, Senhor da vida e da morte

Pedindo-Lhe que dê o descanso eterno a todos os Fieis Defuntos

E a consolação aos que os choram com saudade,

Dizendo: Senhor dos vivos e dos mortos, escutai-nos.

 

 

1.     Para que a Igreja, Mãe e Mestra da verdade,

Cuide sempre dos seus filhos neste mundo

E interceda por aqueles que já partiram,

Oremos, irmãos.

 

R. Senhor dos vivos e dos mortos, escutai-nos.

 

 

2.     Para que os nossos familiares defuntos

E todos aqueles de quem já ninguém se lembra

Possam contemplar o rosto de Cristo glorioso,

Oremos, irmãos.

 

R. Senhor dos vivos e dos mortos, escutai-nos.

 

 

3.     Para que todas as famílias que estão tristes

Recordem os seus defuntos com amor,

E com esperança rezem por eles ao Pai do Céu,

Oremos, irmãos.

 

R. Senhor dos vivos e dos mortos, escutai-nos.

 

4.     Para que todos nós, fieis de Jesus Cristo

Recebamos d’Ele o sentido cristão da vida

E nos empenhemos por viver como Ele nos ensinou,

Oremos, irmãos.

 

R. Senhor dos vivos e dos mortos, escutai-nos.

 

 

5.     Para que os membros da nossa comunidade

Possam contemplar no Céu, com alegria,

O rosto de Cristo ressuscitado,

Oremos, irmãos.

 

R. Senhor dos vivos e dos mortos, escutai-nos.

 

Deus eterno e todo poderoso

Senhor dos vivos e dos mortos,

Pela vossa misericórdia e pela intercessão de todos os Santos

Concedei àqueles por que oramos, vivos e defuntos,

O perdão dos seus pecados e a vida eterna.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco

 na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Queremos ver transformados, Az. Oliveira, NMRS 17

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai com bondade, Senhor, as nossas ofertas e fazei que os vossos fiéis defuntos sejam recebidos na glória do vosso Filho, a quem nos unimos neste sacramento de amor. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio dos Defuntos: p. 509 [652-764] e pp. 510-513

 

Santo: Az. Oliveira, NRMS 8 (II)

 

Monição da Comunhão

 

Jesus, verdadeiramente presente na Hóstia consagrada, dá-nos grandes lições de mansidão e humildade. Com fé e toda a confiança peçamos-lhe pelo eterno descanso dos nossos familiares defuntos e por aqueles que não têm quem peçam por eles.

 

Cântico da Comunhão: Felizes os convidados, M. Luis, NRMS 4

Jo 11, 25-26

Antífona da Comunhão: Eu sou a ressurreição e a vida, diz o Senhor. Quem crê em Mim, ainda que tenha morrido, viverá. Quem vive e crê em Mim viverá para sempre.

 

Oração depois da Comunhão: Concedei, Senhor, que os vossos servos defuntos por quem celebrámos o mistério pascal, sejam conduzidos à vossa morada de luz e de paz. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A morte não é o fim. É o princípio de uma vida que não tem fim. Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance por sufragar aqueles que precisarem dos nossos sufrágios e viver numa vigilância constante, preparando com cuidado e generosidade a nossa partida.

Com esse propósito, ide em paz e o Senhor vos acompanhe.

 

Cântico final: Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno, B. Salgado, NRMS 19-20

 

 

 

Celebração e Homilia:          Alves Moreno

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                 Duarte Nuno Rocha

 

 


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