Nossa Senhora do Rosário

7 de Outubro de 2009

 

Memória

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Rainha do Santíssimo Rosário, S. Marques, NRMS 86

cf. Lc 1, 28.42

Antífona de entrada: Avé, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois Vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje a festa de Nossa Senhora do Rosário, no mês que a Igreja dedica à principal devoção mariana. Demos graças a Deus nesta celebração, pelos abundantíssimos dons que nos faz chegar por meio desta oração, tão querida da Mãe de Deus, e façamos propósitos de rezar com mais fé e amor o terço de cada dia

 

Oração colecta: Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas, para que nós, que, pela anunciação do Anjo, conhecemos a encarnação de Cristo, vosso Filho, pela sua paixão e morte na cruz e com a intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, alcancemos a glória da ressurreição. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Os discípulos, depois da Ascensão do Senhor, de modo natural se reúnem com Maria, a Mãe de Jesus, para rezar. Com a mesma naturalidade nasceu o Rosário e é rezado, nos cinco continentes, pelo povo cristão.

 

Actos 1, 12-14

Depois de Jesus ter subido ao Céu, 12os Apóstolos voltaram para Jerusalém, descendo o monte chamado das Oliveiras, que fica perto de Jerusalém, à distância de uma caminhada de sábado. 13Quando chegaram à cidade, subiram para a sala de cima, onde se encontravam habitualmente. Estavam lá Pedro e João, Tiago e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zeloso, e Judas, irmão de Tiago. 14Todos estes perseveravam unidos em oração, em companhia de algumas mulheres, entre as quais Maria, Mãe de Jesus.

 

Quando deixa de ter visibilidade a pessoa de Jesus, a sua Mãe ocupa um lugar digno de nota, logo na oração da Igreja nascente. Com Ela os primeiros que seguiram a Cristo, esperam o Espírito Santo, perseverando, «unidos em oração». Note-se também a importância dada à lista dos Apóstolos e como, em todas as quatro listas que aparecem no N. T., Pedro é sempre o cabeça de lista, embora elas não tenham sempre todos os restantes nomes na mesma ordem.

 

Salmo Responsorial      Lc 1, 46-47.48-49.50-51.52-53.54-55

 

Monição: O Cântico de louvor a Deus que iniciou Nossa Senhora em casa de Isabel, continua a ecoar ininterruptamente na devoção do Rosário.

 

Refrão:         Bendita sejais, ó Virgem Maria,

                      que trouxestes em vosso ventre o Filho do eterno Pai.

 

Ou:                Aleluia.

 

A minha alma glorifica o Senhor,

e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.

 

Porque pôs os olhos na humildade da sua serva,

de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.

O todo-poderoso fez em mim maravilhas:

Santo é o seu nome.

 

A sua misericórdia se estende de geração em geração

sobre aqueles que O temem.

Manifestou o poder do seu braço

e dispersou os soberbos.

 

Derrubou os poderosos de seus tronos

e exaltou os humildes.

Encheu de bens os famintos

e aos ricos despediu de mãos vazias.

 

Acolheu Israel, seu servo,

lembrado da sua misericórdia,

como tinha prometido a nossos pais,

a Abraão e à sua descendência para sempre.

 

 

Aclamação ao Evangelho            Lc 1, 28

 

Monição: Escutemos de novo o diálogo da Encarnação do Verbo de Deus, e retiremos afectos e propósitos para enriquecer as nossas Ave-marias

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS10 (II)

 

Avé Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco

bendita sois Vós entre as mulheres.

 

 

Evangelho

 

Lucas 1, 26-38

Naquele tempo, 26o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. 27O nome da Virgem era Maria. 28Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». 29Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. 30Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David 33reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». 34Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». 35O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. 36E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril 37porque a Deus nada é impossível». 38Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor faça-se em mim segundo a tua palavra».

 

A cena da Anunciação, narrada com toda a simplicidade, tem uma singular densidade, pois encerra o mistério mais assombroso da História da Salvação, a Incarnação do Filho eterno de Deus. Assim, a surpresa do leitor transforma-se em encanto e deslumbramento. O próprio paralelismo dos relatos lucanos do nascimento de João e de Jesus, revestem-se dum contraste deveras significativo: à majestade do Templo e grandiosidade de Jerusalém contrapõe-se a singeleza duma casa numa desconhecida e menosprezada aldeia de Galileia; ao afã dum casal estéril por ter um filho, a pureza duma virgem que renunciara à glória de ser mãe; à dúvida de Zacarias, a fé obediente de Maria!

26 «O Anjo Gabriel». O mesmo que anunciou a Zacarias o nascimento de João. Já era conhecido o seu nome no A.T. (Dan 8, 16-26; 9, 21-27). O seu nome significa «homem de Deus» ou também «força de Deus».

28 Coadunando-se com a transcendência da mensagem, a tripla saudação a Maria é absolutamente inaudita:

«Ave»: Vulgarizou-se esta tradução, correspondente a uma saudação comum (como ao nosso «bom dia»; cf. Mt 26, 49), mas que não parece ser a mais exacta, pois Lucas, para a saudação comum usa o semítico «paz a ti» (cf. Lc 10, 5); a melhor tradução é «alegra-te» – a tradução literal do imperativo do grego khaire –, de acordo com o contexto lucano de alegria e com a interpretação patrística grega, não faltando mesmo autores modernos que vêem na saudação uma alusão aos convites proféticos à alegria messiânica da «Filha de Sião» (Sof 3, 14; Jl 2, 21-23; Zac 9, 9).

Ó «cheia de graça»: Esta designação tem muita força expressiva, pois está em vez do nome próprio, por isso define o que Maria é na realidade. A expressão portuguesa traduz um particípio perfeito passivo que não tem tradução literal possível na nossa língua: designa Aquela que está cumulada de graça, de modo permanente; mais ainda, a forma passiva parece corresponder ao chamado passivo divino, o que evidencia a acção gratuita, amorosa, criadora e transformante de Deus em Maria: «ó Tu a quem Deus cumulou dos seus favores». De facto, Maria é a criatura mais plenamente ornada de graça, em função do papel a que Deus A chama: Mãe do próprio Autor da Graça, Imaculada, concebida sem pecado original, doutro modo não seria, em toda a plenitude, a «cheia de graça», como o próprio texto original indica.

«O Senhor está contigo»: a expressão é muito mais rica do que parece à primeira vista; pelas ressonâncias bíblicas que encerra, Maria é posta à altura das grandes figuras do Antigo Testamento, como Jacob (Gn 28, 15), Moisés (Ex 3, 12) e Gedeão (Jz 6, 12), que não são apenas sujeitos passivos da protecção de Deus, mas recebem uma graça especial que os capacita para cumprirem a missão confiada por Ele.

Chamamos a atenção para o facto de na última edição litúrgica ter sido suprimido o inciso «Bendita es tu entre as mulheres», pois este não aparece nos melhores manuscritos e pensa-se que veio aqui parar por arrasto do v. 42 (saudação de Isabel). A Neovulgata, ao corrigir a Vulgata, passou a omiti-lo.

29 «Perturbou-se», ferida na sua humildade e recato, mas sobretudo experimentando o natural temor de quem sente a proximidade de Deus que vem para tomar posse da sua vida (a vocação divina). Esta reacção psicológica é diferente da do medo de Zacarias (cf. Lc 1, 12), pois é expressa por outro verbo grego; Maria não se fecha no refúgio dos seus medos, pois n’Ela não há qualquer espécie de considerações egoístas, deixando-nos o exemplo de abertura generosa às exigências de Deus, perguntando ao mensageiro divino apenas o que precisa de saber, sem exigir mais sinais e garantias como Zacarias (cf. Lc 1, 18).

32-33 «Encontraste graça diante de Deus»: «encontrar graça» é um semitismo para indicar o bom acolhimento da parte dum superior (cf. 1 Sam 1, 18), mas a expressão «encontrar graça diante de Deus» só se diz no A. T. de grandes figuras, Noé (Gn 6, 8) e Moisés (Ex 33, 12.17). O que o Anjo anuncia é tão grandioso e expressivo que põe em evidência a maternidade messiânica e divina de Maria (cf. 2 Sam 7, 8-16; Salm 2, 7; 88, 27; Is 9, 6; Jer 23, 5; Miq 4, 7; Dan 7, 14).

34 «Como será isto, se Eu não conheço homem?» Segundo a interpretação tradicional desde Santo Agostinho até aos nossos dias, tem-se observado que a pergunta de Maria careceria de sentido, se Ela não tivesse antes decidido firmemente guardar a virgindade perpétua, uma vez que já era noiva, com os desposórios ou esponsais (erusim) já celebrados (v. 27). Alguns entendem a pergunta como um artifício literário e também «não conheço» no sentido de «não devo conhecer», como compete à Mãe do Messias (cf. Is 7, 14). Pensamos que a forma do verbo, no presente, «não conheço», indica uma vontade permanente que abrange tanto o presente como o futuro. Também a segurança com que Maria aparece a falar faz supor que José já teria aceitado, pela sua parte, um matrimónio virginal, dando-se mutuamente os direitos de esposos, mas renunciando a consumar a união; nem todos os estudiosos, porém, assim pensam, como também se vê no recente e interessante filme Figlia del suo Figlio.

35 «O Espírito Santo virá sobre ti…». Este versículo é o cume do relato e a chave do mistério: o Espírito, a fonte da vida, «virá sobre ti», com a sua força criadora (cf. Gn 1, 2; Salm 104, 30) e santificadora (cf. Act 2, 3-4); «e sobre ti a força do Altíssimo estenderá a sua sombra» (a tradução litúrgica «cobrirá» seria de evitar por equívoca e pobre; é melhor a da Nova Bíblia da Difusora Bíblica): o verbo grego (ensombrar) é usado no A. T. para a nuvem que cobria a tenda da reunião, onde a glória de Deus estabelecia a sua morada (Ex 40, 34-36); aqui é a presença de Deus no ser que Maria vai gerar (pode ver-se nesta passagem um fundamento bíblico para o título de Maria, «Arca da Aliança»).

«O Santo que vai nascer…». O texto admite várias traduções legítimas; a litúrgica, afasta-se tanto da da Vulgata, como da da Nova Vulgata; uma tradução na linha da Vulgata parece-nos mais equilibrada e expressiva: «por isso também aquele que nascerá santo será chamado Filho de Deus». I. de la Potterie chega a ver aqui uma alusão ao parto virginal de Maria: «nascerá santo», isto é, não manchado de sangue, como num parto normal. «Será chamado» (entenda-se, «por Deus» – passivum divinum) «Filho de Deus», isto é, será realmente Filho de Deus, pois aquilo que Deus chama tem realidade objectiva (cf. Salm 2, 7).

38 «Eis a escrava do Senhor…». A palavra escolhida na tradução, «escrava» talvez queira sublinhar a entrega total de Maria ao plano divino. Maria diz o seu sim a Deus, chamando-se «serva do Senhor»; é a primeira e única vez que na história bíblica se aplica a uma mulher este sintagma, como que evocando toda uma história maravilhosa de outros «servos» chamados por Deus, que puseram a sua vida ao seu serviço: Abraão, Jacob, Moisés, David… É o terceiro nome com que Ela aparece neste relato: «Maria», o nome que lhe fora dado pelos homens, «cheia de graça», o nome dado por Deus, «serva do Senhor», o nome que Ela se dá a si mesma.

«Faça-se…». O «sim» de Maria é expresso com o verbo grego no modo optativo (génoito, quando o normal seria o uso do modo imperativo génesthô), o que põe em evidência a sua opção radical e definitiva, o seu vivo desejo (matizado de alegria) de ver realizado o desígnio de Deus (M. Orsatti).

Apraz-nos citar aqui as palavras de S. João Damasceno sobre Nª Senhora: «Ela é descanso para os que trabalham, consolação dos que choram, remédio para os doentes, porto de refúgio para as tempestades, perdão para os pecadores, doce alívio dos tristes, socorro dos que rezam».

 

Sugestões para a homilia

 

Necessidade da oração

A oração do Rosário e a sua eficácia

O Ano sacerdotal e o Rosário

1. Necessidade da oração:

A inteira vida de Nosso Senhor é modelo e caminho para o cristão, e quando abrimos as páginas do Evangelho ali encontramos Jesus em continuo diálogo com o Pai. Por vezes passa a noite inteira em oração, em outros momentos se retira para orar antes de amanhecer ou no fim do dia; e qualquer acontecimento, pequeno ou grande, é ocasião para dirigir-Se ao Seu Pai com agradecimento, louvor ou petição. Jesus, embora sempre unido ao Pai e ao Espírito Santo pela União hipostática, precisa de orar em quanto homem; e nos ensina que a oração é o único caminho para ser homens e para ser santos. Más Nosso Senhor não se limita a dar exemplo, também adverte «orai para que não entreis em tentação», ensina a orar: «dizei, Pai nosso…», e garante que «tudo o que pedirdes com fé na oração o recebereis».

Por isso não nos surpreende encontrar os Discípulos depois da Ascensão, reunidos em oração com Maria a Mãe de Jesus (Primeira leitura). E desde então os cristãos de todos os tempos procuraram percorrer o mesmo caminho, desenvolvendo diferentes manifestações de piedade mariana. Boa parte de essas praticas de oração nascidas na Idade Média confluíram para dar origem ao Rosário, que entre os séculos XV e XVI ficou estruturado de modo muito semelhante a sua forma actual. «A festa do Santíssimo Rosário e comemoração de Santa Maria da Vitória foi instituída por S. Pio V por causa da vitória alcançada pelos cristãos contra os turcos na batalha de Lepanto em 1571, a 7 de Outubro, no dia em que se faziam as procissões das confrarias do Rosário» ( José Leite, Santos de cada dia , v.III, pg. 141)

2. A oração do Rosário e a sua eficácia

«O Rosário da Virgem Maria, que ao sopro do Espírito de Deus se foi formando gradualmente no segundo Milénio, é oração amada por numerosos Santos e estimulada pelo Magistério». Com estas palavras começava o S. Padre João Paulo II a sua Carta Apostólica sobre o Rosário, no inicio do Ano do Rosário (Out de 2002 a Out de 2003), que desejava que fosse estímulo e ajuda para a redescoberta de tão fecunda oração e a maior difusão da sua reza individual, familiar e comunitária. Sete anos passaram desde então e a proposta continua a ser um objectivo cada vez mais actual e necessário.

O Santo Padre, na citada Carta Apostólica, quis indicar à Igreja do novo milénio uma ajuda de comprovada eficácia para enfrentar os múltiplos desafios presentes e futuros. Propôs de modo muito concreto duas intenções sempre actuais a ter presentes na reza do terço: a paz e a família. Ambas intenções são alcançadas não só pelo grandíssimo valor impetratorio da principal devoção mariana, mas pela própria recitação, que inunda de paz a quem a vive e consolida os laços familiares, especialmente quando feita em família.

Muitos dos erros e males do nosso tempo são remediados pela oração contemplativa do Rosário. A continua procura de acontecimentos extraordinários e espectaculares com o desprezo da vida quotidiana é combatida pela meditação dos Mistérios Gozosos que nos permitem ver Deus próximo de nos, no dia a dia. O materialismo como disposição mental quase inconsciente, encontra nos Mistérios de Luz a luminosidade da Fé que, como dizia S. Josemaría, acrescenta verticalidade, peso e volume a nossa vida. A descoberta do valor salvífico do sofrimento na reza dos Mistérios Dolorosos, afastará o medo da «cruz», que é preciso abraçar para seguir Jesus Cristo. Os Mistérios Gloriosos dirigem o nosso olhar para a verdadeira Pátria, enchem de esperança o coração e combatem o esquecimento do sentido da vida e da eternidade em que vive imerso o homem ocidental.

O Rosário é uma releitura quotidiana do Evangelho, pela mão de Maria, que cada dia, como boa Mãe nos explica novas verdades ou nos ajuda a com prender melhor as já sabidas.

3. O Ano sacerdotal e o Rosário

No ano sacerdotal que estamos a percorrer, a nossa oração para alcançar de Deus «a renovação interior de todos os sacerdotes» deve apoiar-se de modo especial no Rosário.

Além disso podemos aprender a rezar cada dia com mais amor, olhando para o exemplo dos santos sacerdotes.

S. João Maria Vianney deve, em parte, o seu sacerdócio ao Rosário, pois é conhecido que e o vigário geral de Lyon que duvidava da capacidade intelectual para ser sacerdote do seminarista João Maria, ficou convencido da sua idoneidade ao saber que tinha devoção a Nossa Senhora e que rezava o terço.

São Josemaria afirma no seu livro Santo Rosário, aquilo que ele próprio e todos os fies devotos experimentaram; que o Rosário é uma «arma poderosa» para as pelejas da vida interior e a salvação das almas. Na mesma obra ensina a meditar os mistérios, de modo a que aumentando o amor a Nossa Senhora por meio da reza «bem feita» do Santo Rosário cheguemos a alcançar um amor louco por Jesus.

O Beato João XXIII afirmava que o pior terço é aquele que se não reza. Ele procurava que cada mistério fosse com que uma janela desde a qual contemplava o mundo. No terceiro mistério gozoso, por exemplo, pensava em todas as crianças que estavam a nascer nesse momento e rezava por elas, etc.

O Santo Padre João Paulo II, «todo de Maria», tinha com muita frequência o terço na mão mesmo nas suas intervenções públicas mais importantes, para sentir mais próxima a mão da Mãe.

O Bispo James Walsh, encarcerado na China comunista de 1961 a 1973, sem outros meios para sustentar a sua piedade, costumava rezar diariamente seis ou doce terços e por vezes dezoito. Ele afirmava mais tarde: «Encontrei no Rosário um salva-vidas que nunca falha».

A participação de todos os fieis no sacerdócio de Cristo deve inflamar-se durante estes meses. Todos devemos sintonizar mais com o Coração sacerdotal do Nosso Senhor, que se entrega por todos e cada um dos homens para que sejamos salvos.

No magnífico fresco do Juízo Final pintado por Miguel Ângelo na Capela Sixtina existe uma composição especial. Entre os santos e anjos que ajudam a ascender para o Céu aqueles que ressuscitam, existe um santo que puxa para acima de dois ressuscitados de rasgos orientais e expressão assustada. O santo não puxa directamente pelas suas mãos, mas os três estão agarrados a um terço. São muitas as interpretações atribuídas a essa cena, mas o que é indiscutível é que por meio do terço podemos puxar muitas almas para o Céu, especialmente durante este ano sacerdotal.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos, celebramos a memória de Nossa Senhora do Rosário.

Pela sua intercessão elevemos ao Senhor as nossas súplicas, dizendo:

Senhora do Rosário, rogai por nós.

 

1.  Pela Igreja,

para que tenha vida repleta de

graça e fé, e louve a Deus com a Senhora do Rosário,

oremos.

 

2.  Pelos jovens,

para que, imitando a santidade Maria,

conversem puros os seus corações,

oremos.

 

3.  Pelos governantes de todo o mundo e

pelos lares cristãos, para que amem

sempre a verdade e encontrem os caminhos da paz,

oremos

 

4.  Para que as pessoas de todos os continentes

conheçam a Cristo, pela mão da Senhora do Rosário,

oremos.

 

5.  Pelo pobres, pelos marginalizados, pelos idosos e doentes,

para que Deus os conforte, os alegre e lhes conceda a firme esperança

do reino de do Céu,

oremos.

 

6.  Pelo eterno descanso das almas do purgatório,

oremos.

 

 

Deus todo-poderoso, ouvi as orações do vosso povo e, por intercessão da Senhora do Rosário, enriquecei-nos com os vossos dons.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo...

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Tudo vos damos, M. Faria, NRMS 11-12

 

Oração sobre as oblatas: Tornai-nos dignos, Senhor, de Vos oferecer este santo sacrifício, de modo que, celebrando fervorosamente os mistérios do vosso Filho, mereçamos alcançar as suas promessas. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio de Nossa Senhora I [na festividade], p. 486 (644-756] ou II, p. 487

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Na Ave-Maria aclamamos Nossa Senhora como Cheia de Graça. Também ficaríamos nos «cheios de graça» se comungássemos com as devidas disposições. Peçamos a nossa Senhora que nos ajude a comungar com a alma dignamente preparada.

 

Cântico da Comunhão: O meu espírito exulta, C. Silva, NRMS 38

 

Antífona da Comunhão: O Anjo do Senhor disse a Maria: Conceberás e darás à luz um Filho e o seu nome será Jesus.

 

Cântico de acção de graças: Mãe da Santa Igreja, M. Simões, NRMS 118

 

Oração depois da Comunhão: Concedei, Senhor nosso Deus, que, ao anunciarmos neste sacramento a morte e a ressurreição do vosso Filho, O sigamos fielmente na sua paixão e mereçamos participar na alegria da sua glória. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Alimentados com a Palavra de Deus e o Pão que desce do Céu continuemos a caminhar na nossa vida quotidiana agarrados pela mão Materna de Nossa Senhora. Manteremos essa mão firmemente agarrada se rezarmos o terço todos os dias.

 

Cântico final: Caminhos de bênção, M. Faria, NRMS 10 (II)

 

 

Homilias Feriais

 

5ª Feira, 8-X: Vale a pena servir a Deus e rezar.

Mal 3, 13-20 / Lc 11, 5-13

Afirmastes ainda: ‘É coisa inútil servir a Deus. Que lucrámos nós em cumprir as suas ordens…?

Este desabafo é muito corrente entre as pessoas: Ando eu aqui a fazer o bem e sofro, e os que praticam o mal vivem na prosperidade (Leit). Outros dirão: para que serve rezar, se Deus não me ouve?

O Senhor não deixará de nos dar uma recompensa, pelo menos no Reino dos céus: «Terei compaixão deles como se tem de um filho obediente» (Leit); e escutará a nossa oração, se formos perseverantes: «Pedi e dar-vos-ão», porque Ele é nosso Pai: «Se, a um de vós que seja pai, o filho pedir peixe, em vez de peixe dar-lhe-á uma serpente?» (Ev).

 

6ª Feira, 9-X: A luta contra o demónio.

Jl 1, 13-15; 2, 1-2 / Lc 11, 15-26

Mas, se eu expulso os demónios pelo dedo de Deus, então é porque o reino de Deus chegou até vós.

As Leituras deixam-nos algumas sugestões para tentarmos vencer o demónio. Assim, Jesus diz que é necessário recorrer ao poder de Deus: «Eu expulso os demónios pelo dedo de Deus» (Ev). Também recorda a necessidade da vigilância e de nos defendermos bem: «Quando um homem forte e bem armado guarda o seu palácio» (Ev).

E a 1ª Leitura recomenda a penitência: «Ponde vestes de penitência», e também o jejum: «proclamai um solene jejum». Jesus também recordava esta prática aos Apóstolos, quando eles não conseguiram expulsar um demónio.

 

Sábado, 10-X: Os benefícios da Encarnação.

Jl 4, 12-21 / Lc 11, 27-28

(Jesus): Felizes antes os que ouvem a palavra de Deus e a guardam.

Jesus louva a sua Mãe, porque respondeu ao pedido de Deus dizendo «faça-se». E assim o Verbo se fez carne. Saibamos rezar bem as orações da Ave-Maria e do Anjo do Senhor, para recordar momento tão importante.

Assim se cumpre o desígnio de Deus: «habito em Sião, meu monte santo» (Leit). E a protecção de Deus: «O Senhor é um refúgio para o seu povo». Haverá graças abundantíssimas: «montes que deixarão escorrer vinho novo, colinas que farão jorrar leite». E uma fonte, que é a Igreja, para distribuir as graças de Deus.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          Carlos Santamaria

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                 Duarte Nuno Rocha

 


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