aCONTECIMENTOS eclesiais

DO PAÍS

 

 

ALMADA

 

CINQUENTENÁRIO

DO CRISTO REI

 

Milhares de pessoas reuniram-se em volta do Santuário de Cristo Rei, no passado domingo 17 de Maio, para a Missa aniversária que encerrou as comemorações do cinquentenário deste monumento.

 

A Missa foi presidida pelo Cardeal José Saraiva Martins, enviado especial de Bento XVI, que destacou a dimensão nacional do Santuário e a sua importância como símbolo de paz.

O Cardeal português falou do monumento como um «projecto nacional» que, após a II Guerra Mundial, se tornou «um ex-voto tornado santuário nacional, em preito de gratidão a Deus pelo dom da paz».

«Construído com a colaboração de muitos – e também graças à renúncia e partilha de milhares de crianças –, é um gesto colectivo da Igreja de Portugal, que exprime a comunhão entre todos os seus filhos, pastores e leigos», precisou.

O enviado do Papa disse que «este é o monumento da paz e lembra-nos que a paz é uma das exigências maiores do tempo actual; deve lembrar-nos que a paz tem de ser construída não pelos canhões, não pelas armas, mas pelo amor, pelo respeito do homem e da sua dignidade, dos seus direitos fundamentais, das suas aspirações».

«Só assim contribuiremos para construir realmente a paz, fundada na justiça, na verdade, não no ódio, não na desigualdade, não na desconfiança. Esta é uma lição que nos dá hoje o monumento ao Cristo Rei», prosseguiu.

Antes, fora transmitida a mensagem que o próprio Papa dirigira a Portugal. Depois da recitação da oração mariana do Regina Coeli, na Praça de São Pedro, pediu que o nosso país seja «fiel na fé católica, fértil na santidade, próspero na economia, justo na partilha da riqueza, fraterno no desenvolvimento, alegre no serviço público».

A celebração no Santuário iniciou-se pelas 16h00, tendo sido introduzida por uma saudação do Bispo de Setúbal, D. Gilberto Canavarro Reis. Mais de 20 Bispos portugueses, representantes dos episcopados lusófonos e líderes militares e políticos marcaram presença na celebração, com destaque para o presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, o presidente da Assembleia, Jaime Gama, e o ministro da presidência, Pedro Silva Pereira.

O Prefeito emérito da Congregação para as Causas dos Santos sublinhou a presença da imagem de Nossa Senhora de Fátima, tal como há 50 anos, destacando que «a mensagem de Fátima é, com efeito, essencialmente, uma mensagem eucarística, de amor e de paz».

«Renovemos a nossa fé em Cristo Rei, no seu Sagrado Coração e no da Sua e nossa Mãe. Confiemos-lhes, de novo, o nosso País e toda a humanidade, para que o seu amor reine e o mundo tenha paz: a paz dos corações enfim reconciliados; a paz nas nossas famílias e locais de trabalho; a paz nas nossas comunidades eclesiais e em toda a Igreja; a paz no nosso país e no mundo inteiro», apelou.

Em conclusão, o enviado do Papa exortou os presentes a serem «defensores da vida em todas as circunstâncias, desde o seu início até ao seu fim natural» e a estarem «atentos à salvaguarda da criação».

Depois da homilia, diante do Bispo de Setúbal e do Arcebispo do Rio de Janeiro, D. Orani Tempesta, foi oficializada a geminação entre o Santuário de Cristo Rei e o Santuário do Cristo Redentor do Corcovado, no Brasil. Além dos dois prelados, assinaram o documento os respectivos reitores, tendo ainda havido troca simbólica de imagens dos respectivos Cristos Rei.

Este cinquentenário não se viveu apenas com celebrações litúrgicas, dado que dois dias antes decorreu em Lisboa um Simpósio sobre a crise, como lembrou o presidente da CEP: «Em Igreja e como Igreja reflectimos sobre o dever de reinventar a solidariedade, fazendo que seja expressão do amor que Cristo nos manifestou».

 

 

COIMBRA

 

BIBLIOTECAS E LIVROS

EM INSTITUIÇÕES ECLESIÁSTICAS

 

No I Encontro Nacional sobre «as bibliotecas e o livro em instituições eclesiásticas», iniciativa do Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja, que decorreu, 28 de Maio, no Seminário de Maior de Coimbra, Fernanda Campos, actual adjunta da direcção da Biblioteca Nacional de Portugal, considera que sem a acção da Igreja católica em Portugal não existiria património bibliográfico nacional.

 

Numa conferência sobre a valorização do livro na sociedade da informação, a oradora traçou o que foi, historicamente, o contributo de livrarias ligadas a Ordens religiosas para a constituição do património bibliográfico português. Fruto da actividade da Igreja, nomeadamente pela mão das Ordens religiosas (S. Bento, Cister e Cónegos Regrantes de Santo Agostinho), constitui-se um património herdado do Norte ao Sul do País, Ilhas, Brasil, Macau, em que são de salientar as grandes livrarias do Mosteiros de Tibães, Alcobaça e Santa Cruz de Coimbra, mas também outras mais pequenas, mas relevantes, como as do Convento da Graça de Lisboa e Mosteiro de São Vicente de Fora.

Património que urge defender, tem na Sociedade da Informação uma oportunidade para a sua valorização. A oradora apresentou as vantagens da tecnologia de digitalização para a comunicação e preservação das colecções: o acesso universal em rede; a integração de conteúdos vários e dispersos e a preservação dos originais. Adiantou também que a Biblioteca Vaticana foi pioneira nesta linha, ainda as Bibliotecas Nacionais dos diferentes países estudavam soluções de digitalização.

O representante do Ministério da Cultura, António Pedro Pita, reconheceu o valor que o património biblioteca e livro tem no interior da instituição Igreja. «É na Igreja e nas instituições religiosas que ele é, ab initio, produzido, conservado e difundido».

A escolha de Coimbra como lugar de realização do encontro reveste-se da maior oportunidade porque o universo do livro tem em Coimbra uma importância fundamental. A importância do livro em Coimbra é estruturante. «Não é possível traçar um princípio de política cultural para a cidade de Coimbra sem entender a importância estruturante do universo do livro» – frisou António Pedro Pita. O livro é elemento identificador da cidade e é elemento de projecção para o exterior deste universo de conhecimento e de saber que é Coimbra. «Os critérios da Unesco para a classificação de cidade da literatura é esclarecedor da ligação de Coimbra ao livro» – afirma.

D. Carlos Azevedo, membro da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, disse aos presentes que «uma biblioteca que esteja fechada é um atentado contra a pobreza»,

«Nós, ao canalizarmos dinheiro para a cultura, não estamos a roubar dinheiro aos pobres, estamos sim a criar empregos», afirmou o vogal da Comissão Episcopal para os Bens Culturais da Igreja, Cultura e Comunicação Social.

Como fazer de cada biblioteca um centro criador de cultura ou um laboratório de cultura (como chamou o Vaticano)? Como fazer de cada biblioteca um instrumento de pastoral? Como entrar em rede a nível nacional? Interpelou o Bispo Auxiliar de Lisboa aos participantes do primeiro Encontro nacional sobre «As bibliotecas e o livro em instituições eclesiais» que decorreu no Seminário Maior de Coimbra.

 

 

LISBOA

 

BANCO ALIMENTAR

CONTRA A FOME

 

O Banco Alimentar Contra a Fome conseguiu angariar 1935 toneladas de alimentos na campanha que decorreu no fim-de-semana de 30 e 31 de Maio passado.

 

O resultado mostra uma «extraordinária adesão a esta acção», apesar do clima de «profunda crise económica». Os portugueses «voltaram a fazer prova da sua tradicional solidariedade, continuamente patenteada de forma inquestionável desde que o Banco Alimentar Contra a Fome iniciou a actividade», explica um comunicado.

A recolha de alimentos teve um aumento de 18% face a Maio de 2008. Em Dezembro de 2008 a recolha atingiu 1905 toneladas.

O Banco Alimentar sublinha que «numa altura em que a união de esforços é mais do que nunca necessária e em que um pequeno gesto de cada um faz mais sentido, os resultados desta campanha mostram que os portugueses respondem positivamente aos apelos de acções mobilizadores e credíveis».

A campanha decorreu em 1219 superfícies comerciais das zonas de Abrantes, Algarve, Aveiro, Braga, Coimbra, Cova da Beira, Évora e Beja, Leiria-Fátima, Lisboa, Oeste, Portalegre, Porto, Santarém, Setúbal e S. Miguel.

A campanha do fim-de-semana contou com 23 mil voluntários que se disponibilizaram para a recolha nos estabelecimentos comerciais e também nos armazéns do Banco Alimentar, procedendo para isso ao transporte, pesagem e separação dos produtos.

Os géneros alimentares recolhidos são depois distribuídos a mais de 1600 Instituições de Solidariedade Social, que os entrega a cerca de 250 mil pessoas com carências alimentares comprovadas, sob a forma de cabazes ou de refeições confeccionadas.

O primeiro Banco Alimentar Contra a Fome nasceu em Portugal em 1992, seguindo o modelo dos «Food Banks» norte americanos, à altura já implantado na Europa, em França e na Bélgica.

Estão actualmente em actividade no território nacional 15 Bancos Alimentares, congregados na Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares, com o objectivo comum de ajudar as pessoas carenciadas, pela doação e partilha.

 

 

LISBOA

 

DESPERTAR DA FÉ

NAS CRIANÇAS

 

No passado dia 1 de Junho, Dia Mundial da Criança, o Departamento da Catequese do Patriarcado de Lisboa apresentou um projecto dinamizado que sublinha a importância da espiritualidade e da religião na educação infantil. Trata-se do «Despertar da Fé nas Crianças», com colaboração da Fundação Maria Ulrich.

 

A Irmã Maria José Bruno, do Departamento, indica ser na família que se descobre «a relação autêntica de verdade e de ternura» e por isso se gera «a descoberta de Deus». Este deve ser uma descoberta diária, «na vida do dia-a-dia».

As crianças são estimuladas pelos objectos e símbolos que existem numa casa e pela importância que os adultos lhe dão. «Os símbolos das festas, principalmente do Natal e da Páscoa trazem uma mensagem e são ocasião de descoberta, de conversa sobre o que significam e dizem de Deus».

A oração é parte essencial na educação cristã e vários são os casais que partilham com os filhos essa experiência. Inicialmente uma oração simples, com «simples palavras de agradecimento», que a pouco a pouco ganham «mais pedidos e agradecimentos, e dão contam do que as crianças mais tinham gostado nesse dia», indica a Ir. Maria José recordando testemunhos.

«A oração da noite feita com as crianças em ambiente afectivo, de intimidade e de confiança, é um momento forte de relação consigo, de relação em família e de relação com Deus», sublinha a religiosa. O mais importante, não é saber muitas orações, mas que «oração e vida se unam».

A Ir. Maria José indica que psicopedagogos e outros educadores são da opinião que pelos 4-5 anos se pode começar a contar as histórias da Bíblia às crianças.

«Antes mesmo da catequese, é benéfico que elas conheçam histórias bíblicas, encontrem figuras com as quais se identifiquem. Mais tarde, pelos oito anos, elas encontrarão o sentido do conhecimento».

Neste âmbito, as principais festas do ano, podem ser também um motivo de promoção religiosa e, simultaneamente, cultural.

Outro aspecto importante na espiritualidade da criança é o contacto com a comunidade de cristã, «mesmo quando ainda vão no carrinho». Este é um lugar «onde convivem diferentes gerações, onde se celebra a fé e onde se vivem dinâmicas de solidariedade que concretizam o mandamento do amor de Deus e do próximo, na atenção particular aos que mais necessitam».

A religiosa assinala ser cada vez maior o número de paróquias que preparam a Eucaristia dando uma atenção particular à participação de famílias com crianças pequeninas.

Cuidar da identidade cristã é também formar para conviver com as diferenças culturais e religiosas. As crianças descobrem que há colegas que não festejam o Natal, a Páscoa e até os aniversários. O respeito por outras culturas e religiões faz parte de uma boa educação cristã desde a primeira infância.

 

 

ALGARVE

 

NOVO DOUTOR

EM TEOLOGIA BÍBLICA

 

O Pe. Mário José Rodrigues de Sousa, da Diocese do Algarve, defendeu publicamente, dia 3 de Junho, na Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma), a sua tese de doutoramento, intitulada: «Para que também vós acrediteis» - estudo exegético-teológico de Jo 19,31-37, orientada pelo Prof. Javier López.

 

O júri era constituído pelos professores Bruna Costacurta (presidente), Santiago Breton, (censor) e pelo orientador.

O orientador elogiou a «forma original do estudo, o cuidado e precisão exegética e a rapidez de dois anos de trabalho». Afirmou ainda que esta «nova leitura - do Quarto Evangelho - é um contributo excelente para o tema.» Por fim, pediu que explicitasse um dos pontos da tese. O censor, Prof. Breton, considerou a tese «um óptimo guia para o crente». E continuou: «A tese manifesta vasto conhecimento da literatura joanina e avaliação crítica». Concluiu afirmando que este era «um trabalho rico e complexo». A tese recebeu a valoração máxima de Summa cum laude.

O sacerdote algarvio fez a formação teológica no Instituto Superior de Teologia de Évora e é licenciado em Teologia pela Universidade Católica. Entre 2000-2003 estudou Sagrada Escritura no Pontifício Instituto Bíblico, que concluiu com a defesa de tese sobre Jo 10,1-18 (Summa cum laude), orientada pelo Prof. Johannes Beutler, uma das referências nos escritos joaninos. Ainda no Instituto Bíblico foi assistente do professor de Grego Bíblico.

No presente, é professor de cadeiras do Novo Testamento, no Instituto Superior de Teologia de Évora. É também reitor do Seminário do Algarve e Pároco da Sé de Faro.

Estiveram presentes o Bispo e o Bispo Emérito do Algarve D. Manuel Neto Quintas e D. Manuel Madureira Dias, sacerdotes do Algarve e Évora, e vários amigos.

A Diocese do Algarve conta com mais um sacerdote doutorado; o outro é o Padre António Martins, actualmente docente de cadeiras da área de Teologia Dogmática.

 

 

FUNCHAL

 

COOPERAÇÃO COM ESTADO

NA ÁREA DA SAÚDE

 

A procura de novas respostas em tempo de crise conduziu a reflexão do IX Congresso Nacional da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), que terminou no Funchal no passado sábado dia 14 de Junho e juntou cerca de 500 pessoas.

 

Durante três dias foram dadas a conhecer «experiências piloto» e procurou-se «reflectir em conjunto», explica Manuel Lemos, Presidente da UMP, para que o aumento dos pedidos de ajuda «tenham efectivamente respostas».

O Presidente da UMP lembra que os «valores no cristianismo conduzem a nossa forma de agir», sublinhando o dever de os preservar.

Manuel Lemos aponta que algumas Misericórdias estão a lidar com dificuldades, numa altura em que a procura é maior. «As Misericórdias existem para responder às necessidades das pessoas, por isso a procura é positiva. Torna-se negativa se não pudermos responder às necessidades», frisa.

O Congresso das Misericórdias quis ainda «chamar o Estado à sua responsabilidade», uma vez que «lhe cabe, por dever constitucional, assegurar o funcionamento de instituições que ajudam nas respostas aos mais necessitados».

A cooperação entre o Estado e as Misericórdias na área da educação e da saúde «é mais difícil», aponta. Manuel Lemos alerta «não ser uma questão monetária», mas de exigir «flexibilidade para ajudar os que mais precisam».

Presente no Congresso da UMP, a Ministra da Saúde, Ana Jorge, enalteceu o trabalho das Misericórdias, afirmando serem «um parceiro importante»; no entanto, rejeitou a acusação feita pela UMP de que o Estado não está a encaminhar os doentes, que integram a Rede de Cuidados Continuados, para aquelas unidades, pois «a rede, apesar de já ter dois anos, está ainda a organizar-se».

A Rede de Cuidados Continuados, que o executivo socialista lançou, «pode estar a ser posta em causa devido a circunstâncias menores, mas que juntas, podem inviabilizar o funcionamento da rede», alerta Manuel Lemos.

 

 

VISEU

 

A TRANSFERÊNCIA DE

UM FUTEBOLISTA

 

A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Viseu lamenta a «crise de valores em que se encontra mergulhada esta civilização que reduziu o mundo, pessoas incluídas, a meros cifrões».

 

Numa nota enviada à Agência ECCLESIA, a CJP de Viseu refere que Espanha tem quatro milhões de desempregados e é, a par de Portugal, «dos países da Europa onde mais se faz sentir o efeito da actual crise económica que ocupa e preocupa o mundo». Por isso, não deixa de lamentar que «Cristiano Ronaldo vá ganhar vinte e cinco mil euros por dia» no clube de futebol do Real Madrid, em Espanha.

«Não pretendemos criticar o jogador, ele próprio uma vítima desta civilização». No entanto, assinala a nota, «não podemos deixar de reflectir sobre onde está a dignidade humana dos milhões de desempregados, dos milhões de pobres, dos milhões que diariamente morrem por falta de alimentos, falta de assistência médica, falta de bens elementares da vida».

A CJP de Viseu aponta os «meios suficientes que a Terra disponibiliza» para que todos possam, ter uma vida digna. «Mas quando esses meios são desviados do seu fim natural para satisfação de caprichos ou de outros fins inconfessáveis, temos como resultado aberrações desta dimensão».

A nota evidencia a necessidade de um «desenvolvimento sustentável» que tenha em vista «todos os seres humanos, os desta geração e os das gerações futuras, cujas condições de vida não podem ficar comprometidas com o progresso e crescimento económico» da actual geração.

 

 

FÁTIMA

 

SIMPÓSIO DO CLERO

 

O clero português vai reunir-se em Setembro com o objectivo de reavivar o dom do sacerdócio. A ocasião será o Simpósio organizado pela Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios, que dará o mote para o ano pastoral que é, simultaneamente, Ano Sacerdotal.

 

O Simpósio, sob o tema «Reaviva o dom que há em ti», vai abordar a formação continua e permanente do clero. Esta formação não pode estar desligada da inicial «nas várias instâncias dos seminários», explica o Pe. Jorge Madureira, secretário da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios. Seminaristas e diáconos com vista à ordenação estão convocados para, junto com o clero, aprofundar o crescimento contínuo do ministério presbiteral, segundo o espírito do Ano Sacerdotal.

Confirmada está já a presença do Cardeal Claudio Hummes, Prefeito da Congregação para o Clero. Também o Pe. Anselm Grün, monge beneditino alemão, «dos autores cristãos mais lidos», o Pe. Amadeo Cencini, «que irá ajudar a pensar no modelo formativo permanente para os sacerdotes», estarão presentes em Fátima, entre os dias 1 e 4 de Setembro. O Pe. Rocha e Melo, o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo e o Pe. José Tolentino de Mendonça, que irá dinamizar um painel, são também presenças asseguradas.

A reunião que juntou em Fátima os delegados da Comissão Episcopal dos Ministérios e Vocações de cada diocese e os Reitores dos Seminários, tomou o pulso da dinamização nacional em torno do Ano Sacerdotal. Para o secretário da Comissão este ano, convocado por Bento XVI, que teve o seu início no passado dia 19 de Junho, é uma ocasião para «os sacerdotes retomarem a fonte que os alimenta, e cada um aprofundar o sentido do seu ministério e vocação sacerdotal».

 

 

SETÚBAL

 

POSIÇÃO DA IGREJA

SOBRE A CREMAÇÃO

 

O Bispo de Setúbal publicou uma Nota Pastoral sobre a Cremação dos Corpos, na qual explica que «a Igreja, embora recomende a prática da sepultura, aceita a possibilidade da cremação». D. Gilberto Canavarro Reis lembra que o actual ritual das exéquias contém «os ritos adequados a este procedimento».

 

O documento, publicado no site da Diocese (http://www.diocese-setubal.pt/), admite a existência de dúvidas nesta matéria: «Alguns cristãos, perante a opção pela cremação, perguntam se um católico que pediu a cremação do seu corpo pode ter exéquias cristãs».

D. Gilberto Reis destaca que «apenas nos casos em que a cremação fosse pedida por alguma razão contrária à fé, a Igreja recusaria a celebração das exéquias, incluindo a Missa exequial».

«Nas exéquias daqueles que pediram a cremação, os que presidirem, incluindo os fiéis leigos devidamente autorizados, hão-de preparar e conduzir cuidadosamente a celebração de modo a evitar o escândalo ou o indiferentismo religioso dos que sejam levados a interpretar a cremação como negação do valor do corpo humano que foi morada do Espírito de Deus ou como descrença na sua futura ressurreição em Cristo», indica o prelado.

De facto, o Código de Direito Canónico, no seu cânone 1176 (parágrafo 3) refere que «a Igreja recomenda vivamente que se conserve o piedoso costume de sepultar os corpos dos defuntos, mas não proíbe a cremação, a não ser que tenha sido preferida por razões contrárias à doutrina cristã».

O Bispo de Setúbal sublinha que, «sendo a sepultura do cadáver imagem da sepultura do corpo do Senhor, retirado da cruz, a Igreja recomenda aos fiéis o costume tradicional da sepultura».

«No caso de cremação, é desejável que os ritos exequiais se celebrem do mesmo modo como se celebram para os que são sepultados, isto é, tenham lugar numa igreja ou capela e incluam a encomendação e a despedida, antes da deslocação do corpo para o lugar da cremação», refere a nota.

Neste lugar, prossegue D. Gilberto, «poderão ter lugar os ritos previstos para o cemitério, segundo as indicações do Ritual». Outros procedimentos carecem de autorização do respectivo Bispo.

A nota considera «oportuna uma catequese esclarecedora e progressiva, feita por todos os que têm responsabilidades na educação da fé, especialmente os sacerdotes, sobre o sentido cristão da morte e dos ritos litúrgicos com que a Igreja exprime e ensina a fé e a esperança na ressurreição».

Em 2006 foi publicado o novo Ritual das Exéquias, com a principal novidade da presença de um capítulo especialmente orientado para o caso em que se faz a cremação do cadáver.

 

 

LISBOA

 

RESOLVIDO DIFERENDO COM

PROFESSORES DE EMRC

 

Um despacho interno de 23 de Junho do Secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, veio colocar um ponto final sobre a recente polémica em volta dos professores de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC), colocando-os «em igualdade de circunstâncias com os demais docentes».

 

O documento vem esclarecer dúvidas levantadas após um Ofício-Circular (OFC-DGIDC/2009/DSDC) recentemente transmitido às Direcções Regionais de Educação, relativo à distribuição de serviço aos docentes de EMRC, que alegadamente os discriminaria face aos outros professores, nomeadamente no que se refere à distribuição do serviço docente e sobretudo à atribuição de cargos, funções, áreas curriculares não disciplinares e outras disciplinas para as quais tenham habilitação própria.

Valter Lemos sublinha que «os docentes de EMRC, pertencentes aos quadros ou contratados, fazem parte do corpo docente dos estabelecimentos de ensino, sendo-lhes consequentemente aplicável o conjunto de direitos e deveres que incidem sobre os docentes dos restantes grupos disciplinares».

Assim sendo, encontram-se «sujeitos às regras em vigor para todos os docentes, designadamente no que se refere à distribuição do serviço docente e ao cumprimento do semanário-horário, podendo ser-lhes atribuídos cargos, funções, áreas curriculares não disciplinares ou outras disciplinas para que se encontrem legalmente habilitados, em igualdade de circunstâncias com os demais docentes».

 

Diferendo sanado

 

No passado dia 18 de Junho tinha decorrido uma reunião entre a Comissão Episcopal da Educação Cristã/Secretariado Nacional da Educação Cristã e o Secretário de Estado da Educação.

A nova Concordata consagra a existência da disciplina de EMRC, continuando os professores a ser propostos pelos Bispos, nomeados pelo Estado e pagos pela tutela.

Os professores de Religião e Moral católicas «são nomeados ou contratados, transferidos e excluídos do exercício da docência da disciplina pelo Estado de acordo com a autoridade eclesiástica competente».

«A República Portuguesa, no âmbito da liberdade religiosa e do dever de o Estado cooperar com os pais na educação dos filhos, garante as condições necessárias para assegurar, nos termos do direito português, o ensino da Religião e Moral católicas nos estabelecimentos de ensino público não superior, sem qualquer forma de discriminação», lê-se no artigo 19.º.

No 1.º ciclo, apesar de ser de frequência facultativa, a disciplina é de oferta obrigatória. Os docentes de EMRC do 2.º, 3.º ciclos e ensino secundário poderão também leccionar as aulas de EMRC do 1.º ciclo nas escolas do mesmo agrupamento.

Na sua última assembleia plenária, a Conferência Episcopal Portuguesa tinha feito eco do Comunicado da Comissão Episcopal da Educação Cristã (5 de Junho de 2009), deixando então votos de que a iniciativa do Ministério da Educação de retomar o diálogo com a Comissão Episcopal de Educação Cristã conduzisse, como se veio a verificar, «à rápida prática da não discriminação dos professores de Educação Moral e Religiosa Católica».

 

 

BRAGA

 

QUESTÕES PENDENTES

NA CONCORDATA

 

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, defendeu no passado dia 25 de Junho que as questões pendentes na Concordata entre o Estado e a Igreja devem ser «resolvidas a muito breve prazo».

 

«Há boa vontade das duas partes para resolver o problema da regulação da Concordata», afirmou, salientando que se trata de assuntos que «já deviam ter sido resolvidos».

Cavaco Silva, que respondia a um repto lançado pelo Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga lamentou: «As coisas, por vezes, arrastam-se demasiado tempo e não sabemos porquê».

O Presidente falava aos jornalistas no final da visita que efectuou ao Museu Pio XII em Braga, propriedade da Arquidiocese, onde inaugurou a exposição «Ourivesaria e Pintura nas Colecções do Palácio de Belém».

Cavaco Silva acentuou que a Concordata já foi assinada num Governo anterior e com outro primeiro-ministro, frisando que «falta solucionar não apenas os problemas do domínio do património mas também os da assistência religiosa, nas forças armadas e nos hospitais».

O Presidente da República Portuguesa lembrou que acompanha a matéria «há bastante tempo», tendo mesmo conversado sobre isso quando se encontrou com Bento XVI em Roma (2008) e em conversas «com as autoridades políticas adequadas».

«Esperemos que tenham evolução positiva e não daqui a muito tempo», vaticinou.

Na sua alocução, o Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa solicitou o empenho pessoal de Cavaco Silva na prossecução dos objectivos fixados para a Comissão Bilateral da Concordata, «no âmbito do património».

D. Jorge Ortiga disse ser «necessário um apoio bem mais substancial para que tanto património degradado ou em vias de extinção possa encontrar a dignidade que já teve e merece recuperar».

«Importará, em termos de política orçamental, disponibilizar-se maior fasquia, para que os urgentes restauros e as obras de conservação se possam efectuar», frisou.

Tal deve ser feito - sublinhou - «a bem da nossa história e do futuro», já que «povo que não tem memória também não tem futuro». E acrescentou: «da cooperação leal e empenhada entre o Estado e a Igreja, todos teremos a lucrar».

 

Cooperação cultural

 

O Artigo 29 da Concordata refere que «a Santa Sé e a República Portuguesa concordam em instituir, no âmbito da presente Concordata e desenvolvimento do princípio da cooperação, uma Comissão paritária», com a missão de «procurar, em caso de dúvidas na interpretação do texto da Concordata, uma solução de comum acordo».

Quanto à Comissão bilateral, prevista no artigo 23 (número 3), nasce «para o desenvolvimento da cooperação quanto a bens da Igreja que integrem o património cultural português».

«A Comissão referida no número anterior tem por missão promover a salvaguarda, valorização e fruição dos bens da Igreja, nomeadamente através do apoio do Estado e de outras entidades públicas às acções necessárias para a identificação, conservação, segurança, restauro e funcionamento, sem qualquer forma de discriminação em relação a bens semelhantes, competindo-lhe ainda promover, quando adequado, a celebração de acordos nos termos do artigo 28», pode ler-se.

O tratado assinado em 2004 entre a Santa Sé e a República Portuguesa e a Igreja Católica sublinha o empenho de ambas as partes «na salvaguarda, valorização e fruição dos bens, móveis e imóveis, de propriedade da Igreja Católica ou de pessoas jurídicas canónicas reconhecidas, que integram o património cultural português».

Nesse sentido, o artigo 28 adianta que «o conteúdo da presente Concordata pode ser desenvolvido por acordos celebrados entre as autoridades competentes da Igreja Católica e da República Portuguesa».

 

 

BRAGA

 

NOVO BISPO AUXILIAR

 

O Santo Padre nomeou no passado dia 27 de Junho como bispo auxiliar da diocese de Braga, o Pe. Manuel Linda, actualmente reitor do Seminário e Vigário Episcopal para a Cultura e Coordenador da Pastoral da diocese de Vila Real.

 

Nascido em 1956 na freguesia de Paus, concelho de Resende, diocese de Lamego, frequentou o Seminário Menor (Resende) e Maior (Lamego) da diocese, e o Curso superior de Teologia no Instituto de Ciências Humanas e Teológicas (Porto). Em 1981 recebeu a Ordenação sacerdotal.

Posteriormente, terminou a licenciatura em Teologia na UCP (Porto), e o doutoramento em Teologia Moral na Universidade Pontifícia Comillas (Madrid), com uma tese sobre «Andragogia política em D. António Ferreira Gomes». Dentro da sua ampla actividade docente, tem sido professor na Faculdade de Teologia da UCP.

Na sua carta à arquidiocese de Braga, escreve: «Saúdo afectuosamente todos e cada um dos fiéis em Cristo que formam a Igreja bracarense. Penso nos que, porventura, possam sofrer com a doença, o desemprego, o peso da idade, a falta de esperança e o desânimo. Garanto-lhes a minha solidariedade. E penso, também, nas crianças, nos adolescentes e nos jovens, nos que se dedicam à «nobre arte da política», nos que humanizam o mundo pela comunicação social, nos expoentes do ensino e da cultura, com especial destaque para as Universidades do Minho e Católica».

Ao novo Bispo, Celebração Litúrgica deseja um fecundo trabalho pastoral na arquidiocese.

 

 

FÁTIMA

 

PRÉMIO INTERNACIONAL

PARA A NOVA IGREJA

 

A nova igreja da Santíssima Trindade vai receber o galardão «Outstanding Structure», atribuído pela Associação Internacional de Pontes e Estruturas (IABSE), que junta 4 mil membros de 100 países e é considerado como o Nobel da Engenharia Civil.

 

A cerimónia de entrega do prémio a José Mota Freitas, professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, e à sua equipa terá lugar a 9 de Setembro, na cerimónia de abertura do 33.º Congresso da IABSE, em Banguecoque.

Inaugurada a 13 de Outubro de 2007, com projecto do arquitecto grego Alexandros Tombazis, esta obra distingue-se pela complexidade, em termos de projecto de execução no âmbito da Engenharia Civil. Incorpora diversos materiais e procura responder a exigências particulares de acústica e iluminação.

Na igreja é utilizado o betão branco, que foi arrefecido através do método de projecção de azoto líquido a -300º, solução que nunca tinha sido experimentada em Portugal.

O Outstanding Structure Award reconhece as estruturas mais inovadoras, criativas e estimulantes surgidas nos últimos anos.

 

 

LISBOA

 

IGREJA E ESTADO EM

COOPERAÇÃO PARA CATEDRAIS

 

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e o Ministério da Cultura assinaram no passado dia 30 de Junho, um protocolo de cooperação para a implementação do Projecto «Rota das Catedrais».

 

O acordo de cooperação vigorará até ao dia 31 de Dezembro de 2013. Em épocas de crise, «só através da reunião das pessoas» se consegue ultrapassar as dificuldades. O projecto é financiado através de fundos nacionais e comunitários. «Iremos concorrer a todos os programas do QREN para a requalificação do território e do património» - adiantou o Ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro. Se o referido Ministério e a Igreja Católica «derem as mãos conseguiremos fazer coisas que serão um instrumento de requalificação».

No acordo de cooperação lê-se que o projecto «Rotas das Catedrais» procura «devolver a estes monumentos uma atenção global e corresponsabilizante, assumindo-se como dinamizador de uma actuação concertada e contratualizada, planeada, criteriosa e exigente, não apenas para acudir a situações de mais evidente degradação, mas sobretudo para alcançar a capacitação dos monumentos, através de uma qualificada intervenção de recuperação e conservação de valores patrimoniais inestimáveis».

Na sua intervenção, o Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga disse aos presentes - representantes das catedrais portuguesas e autoridades civis - que o acordo «está a materializar e aprofundar o princípio da cooperação que a Concordata - assinada em 2004 - veio sublinhar». E adianta: «a preservação deste património deve ser sempre orientada pela preocupação da excelência».

Assinado pelo ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, e pelo presidente da CEP, D. Jorge Ortiga, neste acordo estão incluídos os monumentos afectos ao culto católico com o estatuto canónico de Catedral, ou de Concatedral, bem como as antigas Sé de Elvas, Sé Velha de Coimbra e Sé de Silves.

A Sé de Lisboa é uma das catedrais envolvidas neste acordo. Na sua «casa», o Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, salientou que uma nação que «não valorize o seu património corre o risco de perder a sua identidade». Ao analisar a realidade actual, o Patriarca de Lisboa afirma que se «fizeram progressos notáveis na legislação». No entanto - acrescenta D. José Policarpo – a «boa legislação não chega», porque «se ela não desencadear processos eficazes acaba por ser apenas um travão e não um elemento dinamizador».

 

 

ESTORIL

 

UMA SOLUÇÃO PARA

PROBLEMAS SOCIAIS

 

Um projecto de cidadania e de fé, assim se pode definir a obra que nasceu no Estoril, fruto do desejo da autarquia de Cascais e dos paroquianos de ajudar a população do Bairro novo do Pinhal (conhecido como Bairro do Fim do Mundo) a resolver os problemas sociais existentes.

 

O complexo «Santuário da Senhora da Boa Nova» está a ser finalizado. Uma obra com três edifícios, nascida no local onde antes existiam barracas, casas com poucas condições de habitabilidade e vários problemas sociais que se multiplicavam em delinquência, tráfico e o consumo de droga. «Um cancro no concelho de Cascais, que tinha influência no todo da comunidade», explica o Pe. António Teixeira, pároco do Estoril.

Os habitantes do bairro foram alojados ao abrigo do Plano Social de Realojamento da autarquia. No local foi construído o complexo «Santuário da Senhora da Boa Nova».

O complexo conta com três edifícios. Apenas um, a igreja, foi inaugurada. Com capacidade para 1200 lugares sentados, a dedicação decorreu no passado dia 21 de Junho e foi presidida por D. José Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa.

O centro comunitário, a escola e o auditório entram em funcionamento em Setembro próximo. O centro comunitário, uma Instituição Particular de Solidariedade Social, assegura todas as valências que a população precisa. Creche, jardim de infância, ATL (actividades de tempos livres), apoio domiciliário, centro de dia, lavandaria, refeitório, citando algumas. As listas de espera mostravam que o antigo centro já não tinha capacidade para tantos pedidos de ajuda.

Em Setembro começam as aulas no novo Colégio Senhora Boa Nova, uma escola privada «sem qualquer apoio estatal». O Pe. António refere a aposta no «ensino personalizado», daí o objectivo de «ter apenas uma turma por cada ano», do 1.º ao 6.º ano. Numa altura de crescente desemprego, a escola vai empregar cerca de 150 pessoas.

O complexo conta ainda com um auditório, o «maior do concelho, que estará disponível para todas as actividades culturais ou religiosas» e um estacionamento para 200 automóveis, num local de difícil parqueamento.

O Pe. António Teixeira explica que a Igreja «não se limita ao culto, mas estende-se a todas as dimensões da pessoa humana».

Esta solução urbanística tem «uma grande marca da comunidade paroquial», solução que se estende à «erradicação dos problemas sociais. O nosso orgulho não existe pela existência de uma nova igreja, mas porque conseguimos erradicar o bairro do Fim do Mundo».

 

 

PORTO

 

ESTADO DEVE RESPEITAR

A SUBSIDIARIEDADE

 

D. Manuel Clemente defendeu no passado dia 2 de Julho que o Estado não deve esgotar «a iniciativa e a liberdade de intervenção dos grupos e instituições presentes na sociedade».

 

Na conferência inaugural do I Congresso de História da Santa Casa da Misericórdia do Porto, o Bispo da Diocese sublinhou que «os católicos e as suas associações vivem em sociedades políticas que compartilham com outros cidadãos, no pluralismo existente».

«Nessas sociedades políticas gerais em que responsavelmente se inserem, o Estado, enquanto administração pública, é o primeiro zelador do bem comum», acrescentando que o deverá fazer «respeitando e potenciando» esses grupos e instituições, «segundo a natureza própria de cada um».

D. Manuel Clemente considera que «nisto consiste a subsidiariedade, verdadeiro sintoma da salubridade da vida social e política e indispensável estímulo da cidadania livre e responsável».

Neste contexto, a Igreja Católica «tem-se revelado um campo fertilíssimo de espontaneidade caritativa, com as Misericórdias na primeira linha».

O Bispo do Porto passou em revista a história da Santa Casa da Misericórdia desta cidade, com 510 anos, esclarecendo ainda que «quando se diz que as Misericórdias são de origem realidades eclesiais, no espírito e na forma, refere-se a Igreja como o meio comum de todos que ela então era em Portugal».

«Este âmbito total e eclesial da acção das Misericórdias manifestou-se em muito bem-fazer e em muito bem-rezar. Basta reparar como tanto património edificado, pintado ou modelado e esculpido nasceu e se conserva nas nossas «igrejas da Misericórdia»; quanta tradição de piedade cristã nelas se avivou e ainda hoje se oferece», apontou D. Manuel Clemente.

 


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