aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

RECONCILIAÇÃO COM GALILEU

NO ANO DA ASTRONOMIA

 

Para assinalar o ano da astronomia, em 2009, decorreu em Florença de 26 a 30 de Maio passado um Congresso internacional sobre Galileu Galilei.

 

Numa nota oficial, a Santa Sé explica que este ano representa «uma importante ocasião de aprofundamento e diálogo», pelo que diversos organismos da Cúria Romana irão promover «manifestações, iniciativas e projectos que têm como objecto a astronomia e a figura de Galileu».

Segundo o comunicado, «os tempos estão maduros para uma nova consideração sobre a figura de Galileu e todo o seu caso», lembrando que já o Concílio Vaticano II tinha feito referência ao mesmo, defendendo a «legítima autonomia da ciência», e que João Paulo II instituiu em 1981 uma Comissão para reexaminar a fundo o «Caso Galileu», que veio a reconhecer «os erros dos juízes».

«A Igreja vive este ano com a consciência de que já cumpriu, a este respeito, um longo caminho de reflexão», assegura a Santa Sé, que fala «num clima mais sereno».

«Podemos olhar finalmente para a figura de Galileu e reconhecer o crente que tentou, no contexto do seu tempo, conciliar os resultados das suas investigações científicas com os conteúdos da fé cristã. Por isso, Galileu merece todo o nosso apreço e gratidão».

Neste momento decorre um projecto de redacção integral das cartas do processo de Galileu, a cargo do Arquivo Secreto do Vaticano, que deverá estar concluído antes do final deste ano. O arcebispo Gianfranco Ravasi, Presidente do Conselho Pontifício da Cultura, disse por diversas vezes nos últimos meses que o processo da Inquisição contra Galileu foi concluído efectivamente com uma sentença de condenação, que nunca foi assinada pelo Papa e sobre a qual houve um grave desacordo entre os Cardeais.

No 400.º aniversário das primeiras descobertas astronómicas, a Santa Sé lembra que «Galileu foi o primeiro homem que apontou um telescópio para o céu, experimentando uma sensação nova do maravilhoso».

«A Igreja deseja, por isso, honrar a figura de Galileu, genial inovador e filho da Igreja», assinala a nota oficial.

O documento afirma que «existe um estreito vínculo entre a contemplação do céu estrelado e a religião», dado que «em quase todas as culturas e civilizações, a observação do céu está impregnada de um sentido profundamente religioso».

«Também a Bíblia conserva traços dessa sabedoria antiga, que sublinha a força criadora de Deus, desde as primeiras páginas do Génesis à adoração dos Magos, passando pela aventura pessoal de Abraão, que via nas estrelas do céu o penhor seguro da promessa divina», acrescenta.

Nesta ocasião foram ainda recordados vários Papas que se dedicaram à astronomia, como Silvestre II (que a introduziu no curriculum eclesiástico), Gregório XIII (a quem devemos o nosso calendário) e São Pio X (que sabia construir relógios solares).

O Pe. José Gabriel Funes, director do Observatório astronómico do Vaticano, disse aos jornalistas presentes na sala de imprensa da Santa Sé que «todos nascemos astrónomos» e que a celebração do Ano da astronomia pode «ajudar os cidadãos do mundo a redescobrir o seu lugar no Universo».

 

 

CONTROVÉRSIA

SOBRE PIO XII

 

O Vaticano saiu a público para criticar os que procuram exercer pressões sobre o andamento do processo de beatificação de Pio XII, o Papa que esteve à frente da Igreja durante a II Guerra Mundial.

 

Num comunicado assinado pelo director da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, é afirmado que «se o Papa pensa que o estudo e a reflexão sobre a causa de Pio XII devem ser ainda mais prolongados, esta sua posição deve ser respeitada, sem interferir com declarações não justificadas e inoportunas».

A nota surgiu após notícias divulgadas por agências de notícias italianas sobre a causa, as quais indicavam que o processo não avançou pelo receio de prejudicar as relações com os judeus.

O Vaticano reitera que a assinatura dos decretos que dizem respeito às causas de beatificação é de «exclusiva competência do Papa», que, por sua vez, «deve ser deixado completamente livre nas suas avaliações e nas suas decisões».

O rabino-chefe de Roma, Riccardo Di Segni, disse que se Pio XII não for beatificado, o motivo não será o descontentamento dos judeus. «O procedimento sobre Pio XII é, antes de tudo, um problema interno da Igreja Católica», comentou.

 

Processo de beatificação

 

Em Outubro do ano passado, Bento XVI convidava a rezar «para que prossiga felizmente a causa de beatificação» de Pio XII, Papa que faleceu em 1958, destacando a sua acção durante a II Guerra Mundial.

Pio XII, assegurou o actual Papa, «agiu muitas vezes de forma secreta e silenciosa, porque, à luz das situações concretas daquele complexo momento histórico, ele intuía que só desta forma podia evitar o pior e salvar o maior número possível de judeus».

O Papa admitiu que «o debate histórico sobre a figura do servo de Deus Pio XII, nem sempre sereno, falhou no que toca a dar relevo a todos os aspectos do seu poliédrico pontificado».

Numa cerimónia que decorreu na Basílica de São Pedro, no Vaticano, Bento XVI recordou o seu predecessor, Eugénio Pacelli, o último Papa que nasceu em Roma, que guiou a Igreja «numa época marcada pelos totalitarismos: o nazi, o fascista e o comunista soviético».

Segundo Bento XVI, o Papa Pacelli percebeu desde o início «o perigo constituído pela monstruosa ideologia nacional socialista (nazi), com as suas perniciosas raízes anti-semitas e anticatólicas».

O Papa lembrou os «momentos mais duros» do pontificado de Pio XII, que se iniciou «quando de adensavam na Europa e no resto do mundo as nuvens ameaçadoras de um novo conflito mundial, que ele procurou evitar de todas as formas».

Neste contexto, chamou a atenção para a «intensa obra de caridade que (Pio XII) promoveu em defesa dos perseguidos, sem distinção de religião, de etnia, de nacionalidade ou pertença política».

«Familiares e outras testemunhas referem as privações quanto a comida, aquecimento, vestuário e outras comodidades a que se submeteu, para partilhar a condição das pessoas duramente provadas pelos bombardeamentos e as consequências da guerra», acrescentou Bento XVI.

O Papa lembrou uma radiomensagem, no Natal de 1942, em que Pio XII «deplorou a situação de centenas de milhares de pessoas, as quais, sem nenhuma culpa, são destinadas à morte por causa da sua nacionalidade ou raça». Para Bento XVI, esta é uma «clara referência à deportação e ao extermínio perpetrado contra os judeus».

Na sua homilia, Bento XVI citou os «numerosos e unânimes atestados de gratidão» dirigidos a Pio XII no final da guerra e no momento da sua morte, destacando as que chegaram das mais altas autoridades do mundo judaico, como por exemplo de Golda Meir: «Quando o martírio mais terrível se abateu sobre o nosso povo, durante os dez anos do terror nazi, a voz do Pontífice levantou-se em favor das vítimas».

 

 

DE GASPERI,

MODELO DE ESTADISTA

 

Bento XVI recordou no passado dia 20 de Junho a vida e obra do estadista Alcide De Gasperi (1881-1954), democrata-cristão que, juntamente com Konrad Adenauer, Robert Schuman e Jean Monnet, é considerado um dos «pais da Europa».

 

Para o Papa, estamos na presença de um «modelo de fé e de consciência moral» que deve ser um «encorajamento e estímulo para aqueles que actualmente dirigem os destinos da Itália».

Perante os membros do Conselho da Fundação De Gasperi, encabeçados pela filha do estadista italiano, Maria Romana, e por Giulio Andreotti, Bento XVI evocou o perfil de uma «grande personalidade que, em momentos históricos de profundas mudanças sociais na Itália e na Europa, tempos minados por tantas dificuldades, soube prodigalizar-se eficazmente em prol do bem comum».

«Formado na escola do Evangelho, De Gaspari foi capaz de traduzir em actos concretos e coerentes a fé que professava. Espiritualidade e política foram, de facto, duas dimensões que conviveram na sua pessoa e que caracterizaram o seu empenho social e espiritual».

Bento XVI recordou a reconstrução da Itália saída do fascismo e da II Guerra Mundial, relançando a imagem do país no plano internacional, promovendo a sua retoma económica e abrindo-se à colaboração com todas as pessoas de boa vontade.

Citando uma intervenção de João Paulo II, em 1981 (centenário do nascimento de De Gasperi), o actual Pontífice disse que «nele, foi a fé o centro inspirador, a força de coesão, o critério de valores, a razão de opção».

Este «sólido testemunho evangélico» - acrescentou - teve como raízes a «formação humana e espiritual» recebida na sua região (Trento), «numa família onde o amor por Cristo constituía o pão quotidiano e referência para toda e qualquer opção».

«Limito-me a pôr em destaque o seu reconhecido aprumo moral, baseado numa indiscutível fidelidade aos valores humanos e cristãos, bem como a serena consciência moral que o guiou nas opções da política», disse ainda Bento XVI.

O Papa observou que De Gasperi conseguiu ser «autónomo e responsável nas suas opções políticas, sem se servir da Igreja para fins políticos e sem nunca ceder a compromissos».

«Peçamos ao Senhor que a recordação da sua experiência de governo e do seu testemunho cristão constituam encorajamento e estímulo para aqueles que actualmente dirigem os destinos da Itália e dos outros povos, de modo especial os que se inspiram no Evangelho», concluiu.

 

 

HOMENAGEM DO PAPA

AO PADRE PIO

 

Bento XVI deslocou-se no passado Domingo dia 21 de Junho à localidade de San Giovanni Rotondo, no Sul da Itália, onde se encontra sepultado S. Pio de Pietrelcina (1887-1968). Milhares de pessoas têm passado por ali desde que se iniciou a exposição dos restos mortais do Padre Pio, um dos santos mais venerados do país, canonizado em 2002 por João Paulo II.

 

Na homilia da Missa ao ar livre que celebrou diante de milhares de pessoas que desafiaram o mau tempo, o Papa alertou padres, religiosos, religiosas e leigos para os riscos do activismo, em detrimento de uma vida de oração, apelando ao exemplo de S. Pio.

«Os riscos do activismo e da secularização estão sempre presentes, por isso a minha visita quer também confirmar-vos na fidelidade à missão herdada do vosso amadíssimo Padre. Muitos de vós estão totalmente ocupados pelas mil solicitações do serviço aos peregrinos ou aos doentes no hospital, e correm o risco de esquecer o que é verdadeiramente necessário: escutar Cristo para cumprir a vontade de Deus».

Ao chegar à cidade, localizada na região de Puglia, o Papa visitou o Santuário de Santa Maria das Graças, onde se deteve em oração para venerar os restos mortais de São Pio de Pietrelcina, que repousam na Cripta.

O encontro com os fiéis teve lugar no adro da igreja dedicada ao Santo capuchinho, obra do arquitecto Renzo Piano, onde o Papa presidiu à Missa.

Na homilia, comentando as leituras do dia, Bento XVI falou da relação entre Deus e as forças da natureza. «O gesto de acalmar a tempestade é um sinal claro da senhoria de Cristo sobre as potências negativas e leva a pensar na sua divindade. Mas chegará o momento em que também Jesus sentirá medo e angústia: quando a sua hora chegar, sentirá sobre si todo o peso dos pecados da humanidade. Esta sim será uma terrível tempestade, não cósmica, mas espiritual», precisou.

Alguns santos, acrescentou, viveram intensamente e pessoalmente esta experiência de Jesus. «Um deles foi o Padre Pio de Pietrelcina. Os estigmas, que o marcaram no corpo, uniram-no intimamente ao Crucificado-Ressuscitado», lembrou.

«Isso não significa alienação, perda de personalidade: Deus jamais anula o humano, mas transforma-o com o seu Espírito e orienta-o ao serviço do seu desígnio de salvação. O Padre Pio manteve os seus próprios dons naturais, e também o seu próprio temperamento, mas ofereceu tudo a Deus».

Para Bento XVI, a missão de São Pio de Pietrelcina pode ser assim resumida: «Guiar as almas e aliviar o sofrimento».

Homem de oração, disse o Papa, Padre Pio «estava sempre atento às situações reais das pessoas e das famílias, em especial dos doentes e dos sofredores».

 

 

PIO XII AJUDOU A SALVAR

MILHARES DE JUDEUS

 

A fundação norte-americana «Pave the Way», presidida pelo judeu Gary Krupp, revelou novos documentos que comprovam que o Papa Pio XII ajudou judeus durante a perseguição nazi.

 

As revelações são sustentadas por documentação inédita que os investigadores da «Pave the Way» descobriram em Itália e na Alemanha. Um dos factos mais significativos tem a ver com a ordem de prisão que foi emitida para os judeus de Roma em 1943. Os nazis previam deter oito mil pessoas, que seriam enviadas para o campo de trabalho de Mauthausen.

O Papa terá tido intervenção directa, dando ordens para que os mosteiros e os conventos da cidade suspendessem as suas regras, permitindo assim que homens se pudessem esconder nos conventos e mulheres nos mosteiros.

O resultado prático desta iniciativa foi o salvamento de sete mil judeus. Apenas mil foram detidos, mas esses tiveram um fim trágico uma vez que, ao que tudo indica por retaliação, os nazis optaram por enviá-los para Auschwitz e não para Mauthausen.

Pio XII ainda enviou um delegado para tentar libertar esses mil judeus, mas este não foi sequer admitido, nada podendo fazer.

A documentação encontrada pela «Pave The Way» pode ser consultada através do seu site, http://www.ptwf.org/

 

 

PAPA HOMENAGEIA

CRUZ VERMELHA

 

No passado dia 24 de Junho, Bento XVI prestou uma homenagem à Cruz Vermelha, nos 150 anos da sua criação, classificando a instituição como um «baluarte de humanidade e de solidariedade».

 

Perante milhares de peregrinos reunidos no Vaticano, para a audiência geral desta semana, o Papa lembrou a acção da Cruz Vermelha «em tantos contextos de guerra e de conflito, bem como em muitas emergências».

«No dia 24 de Junho, há 150 anos, nascia a ideia de uma grande mobilização para a assistência das vítimas das guerras, que viria a tomar o nome de Cruz Vermelha. No decorrer dos anos, os valores de universalidade, neutralidade e independência de serviço suscitaram a adesão de milhões de voluntários em todas as partes do mundo», afirmou.

Neste contexto, o Papa pediu «a libertação de todas as pessoas sequestradas em zonas de conflito», lembrando em especial Eugenio Vagni, membro da Cruz Vermelha raptado nas Filipinas. Bento XVI já pedira a sua libertação em Março deste ano, em comunicado divulgado pela Santa Sé.

Vagni, de 62 anos, foi sequestrado no dia 15 de Janeiro em Jolo, com seus companheiros, a filipina Mary Jean Lacaba e o suíço Andreas Notter, que foram libertados em 2 e 18 de Abril, respectivamente.

Bento XVI deixou ainda votos para que «a pessoa humana, na sua dignidade e na sua plenitude, esteja sempre no centro do compromisso humanitário da Cruz Vermelha», pedindo em especial aos jovens que se comprometam concretamente «nesta benemérita instituição».

 

 

40 ANOS DA CONGREGAÇÃO

PARA AS CAUSAS DOS SANTOS

 

A Congregação para as Causas dos Santos, dicastério que surgiu da evolução da Congregação dos Ritos, nascida em 1588, está a cumprir 40 anos.

 

Depois do Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI, dentro da reestruturação de alguns organismos da Cúria Romana, dividiu este dicastério: nasciam assim, há quatro décadas, as Congregações para o Culto Divino e para as Causas dos Santos.

Paulo VI estabeleceu que a principal tarefa da Congregação para as Causas dos Santos deveria ser a de explorar, por meio de documentos, favores e milagres, a santidade daqueles candidatos à beatificação e à canonização, com a ajuda de uma comissão de especialistas, entre cientistas e historiadores.

O Cardeal José Saraiva Martins, C.F.M, português, foi nomeado por João Paulo II em 1998 como Prefeito desta Congregação, cargo que desempenhou até o ano passado. Em diálogo com a Agência Zenit, o Cardeal português confessa que entre os muitos cargos que teve dentro da Santa Sé, este foi para ele de especial importância, «porque aprendi a conhecer melhor a Igreja na sua realidade mais íntima e profunda sobre a santidade».

Durante a década em que trabalhou neste dicastério, teve de estudar 1320 biografias, entre santos e beatos, «um exército de santos», assegura.

«Os beatos e os santos são todos diferentes. São todos extremamente interessantes. Têm um ponto de vista particular, segundo sua vida e sua personalidade».

Um trabalho apaixonante e ao mesmo tempo exigente: «As manhãs estavam cheias, não havia tempo sequer para tomar um café», recorda.

Ele comenta que um dos frutos do trabalho desta Congregação foi a ampliação dos processos de canonização e beatificação. Durante o pontificado de João Paulo II foram elevados aos altares mais santos e beatos que em todo o resto da história.

De 1588 a 1978, foram proclamados 808 beatos e 296 santos. João Paulo II, no entanto, aprovou 1.353 beatificações e 482 canonizações. Desta maneira, sublinha D. José Saraiva Martins «ampliou-se muitíssimo a geografia da santidade».

«A santidade não é europeia, é universal. Todos podem ser santos, seja qual for sua etnia ou posição social. Foram canonizados africanos, americanos. Por exemplo, foi canonizado o primeiro brasileiro, Frei Galvão. O Brasil é o país com maior número de católicos no mundo e não tinha nenhum santo», diz o Cardeal.

 

Histórias que comovem

 

Dentro das muitas biografias que o Prefeito emérito estudou, uma das que mais o comoveu foi a de Edith Stein, a filósofa judia que, aos 19 anos, recebeu o sacramento do baptismo e, aos 41, ingressou na ordem do Carmelo. Foi assassinada no campo de concentração de Auschwitz durante a 2.ª Guerra Mundial. «Era uma mulher de um grande pensamento, mas com uma sensibilidade espiritual bíblico-teológica. Uma mística extraordinária» - realçou o Cardeal.

Outras figuras que impressionaram o Cardeal foram as causas do Papa João XXIII, Padre Pio de Pietrelcina, Madre Teresa de Calcutá, Josemaría Escrivá e os esposos Marie Zélie Guérin (1831-1877) e Louis Martin (1823-1894), pais de Santa Teresinha do Menino Jesus.

«Pela primeira vez na história da Igreja, foram beatificados os pais de uma filha canonizada. É o segundo casal beatificado conjuntamente, como casal. Acompanhei este caso com muito entusiasmo», testemunha o Cardeal Saraiva.

O Prefeito emérito da Congregação para as Causas dos Santos conta que uma vez o Papa João Paulo II lhe confessou que este era o dicastério mais significativo para a Igreja: «Se a santidade é a única coisa importante da Igreja, o dicastério que estuda a santidade é o mais belo», conclui o Cardeal português.

 

 

ENCERRAMENTO

DO ANO PAULINO

 

Bento XVI encerrou na tarde do Domingo 28 de Junho o Ano Paulino, na Basílica de São Paulo fora de muros, deixando duras críticas à «moda» que considera que uma «fé adulta» implica não dar ouvidos «à Igreja e os seus pastores».

 

«A fé adulta não se deixa levar de um lado para outro por qualquer corrente. Ela opõe-se aos ventos da moda».

O Papa falava na celebração das I Vésperas da Solenidade de São Pedro e São Paulo para o encerramento do Ano Paulino, que assinalou os dois mil anos do nascimento de Paulo de Tarso, uma das figuras mais importantes do Cristianismo. Presente na cerimónia estava uma delegação do Patriarcado Ecuménico de Constantinopla (Ortodoxo).

Na sua homilia, Bento XVI disse que a expressão «fé adulta» se tornou nos últimos dez anos um slogan difundido.

«É entendida muitas vezes como comportamento de quem já não dá ouvidos à Igreja e aos seus Pastores, mas escolhe autonomamente aquilo que quer ou não acreditar, uma fé 'feita por si mesma'», precisou o Papa.

Para estes, acrescentou, é um sinal de coragem expressar-se contra o Magistério da Igreja. «Na realidade, não é preciso ter coragem para isso e contar com o aplauso do público. É preciso ter coragem para aderir à fé da Igreja, mesmo se esta contradiz o esquema do mundo contemporâneo», acrescentou.

Bento XVI lembrou que, para São Paulo, infantil era «correr atrás de ventos e de correntes do tempo».

«Faz parte da fé adulta, por exemplo, lutar contra a violação da vida humana desde o primeiro momento, opondo-se com isso radicalmente ao princípio da violência e colocando-se em defesa das criaturas humanas mais vulneráveis. Faz parte da fé adulta reconhecer o matrimónio entre um homem e uma mulher por toda a vida como norma do Criador, restabelecida novamente por Cristo».

 

 

PROCESSO DE BEATIFICAÇÃO

DE JOÃO PAULO II

 

O processo de beatificação do João Paulo II, falecido a 2 de Abril de 2005, conheceu um novo avanço com a aprovação da chamada «Positio super virtutibus» (Parecer sobre as virtudes), por parte dos consultores teólogos da Congregação para as Causas dos Santos.

 

Segundo a imprensa italiana, após a segunda reunião desta Comissão de teólogos, a documentação entregue após o final da fase diocesana do processo, em 2007, foi alvo de um parecer positivo da maioria dos seus membros. Os dois votos contrários à carta não se referem à santidade de João Paulo II, mas a aspectos processuais.

A Positio reúne todos os dados e testemunhos recolhidos durante a fase diocesana, que corresponde à primeira etapa do processo de beatificação. Trata-se de um volume com cerca de duas mil páginas.

O documento passa agora ao juízo da «sessão ordinária dos Cardeais e dos Bispos» da Congregação, antes de chegar ao Papa, que tomará uma decisão a respeito do decreto de Venerável, último grau antes da beatificação.

Além deste processo, será necessário ainda esperar pelo parecer dos especialistas no que diz respeito ao caso miraculoso, necessário para a beatificação, neste caso relativo à cura de uma religiosa francesa, afectada pela doença de Parkinson.

Recorde-se que, num caso semelhante, o de Madre Teresa de Calcutá, a beatificação aconteceu em 2003, seis anos após a sua morte.

 

 

DESCOBERTAS SOBRE

PROCESSO DE GALILEU

 

Uma nova edição sobre as investigações do processo realizado com Galileu Galilei (1611-1741) foi apresentada no passado dia 2 de Julho, num briefing que decorreu na Sala de Imprensa da Santa Sé.

 

O novo volume intitula-se «I documenti vaticani del processo di Galileo Galilei» («Os documentos vaticanos do processo de Galileu Galilei»). A edição esteve a cargo do Prefeito do Arquivo Secreto Vaticano, Mons. Sergio Pagano.

O livro inclui uma ampla introdução de 208 páginas, uma das novidades em relação à edição anterior, publicada em 1984. A publicação acontece no contexto da celebração do Ano da Astronomia, declarado pela Unesco para celebrar os 400 anos do telescópio.

«O caso de Galileu ensina a ciência a não considerar-se professora da Igreja em matéria de fé e de Sagradas Escrituras», declarou Mons. Pagano.

Este responsável acrescentou que, «ao mesmo tempo, ensina a Igreja a abordar os problemas científicos - também os relacionados com a mais moderna pesquisa sobre as células estaminais, por exemplo - com muita humildade e circunspecção».

Este novo livro apresenta alguns documentos que foram descobertos após a abertura dos arquivos da Congregação para a Doutrina da Fé: novos materiais bibliográficos que vão da denúncia até a condenação.

 

 

DESCOBERTAS NO

TÚMULO DE SÃO PAULO

 

O Vaticano promoveu no passado dia 3 de Julho uma conferência de imprensa para explicar os trabalhos realizados no túmulo de São Paulo, que se encontra por debaixo do debaixo do altar papal, na Basílica de São Paulo fora de muros.

 

A abertura de um pequeno orifício permitiu a introdução de uma microcâmara no sarcófago, para o seu estudo. Este não chegou a ser aberto, mas essa hipótese permanece ainda em aberto, para o futuro.

O Cardeal Andrea Cordero Lanza di Montezemolo, arcipreste da Basílica de São Paulo fora de muros, referiu aos jornalistas que os resultados da investigação apontam para a veracidade da tradição, que toma este local como o da sepultura do Apóstolo, cujos dois mil anos de nascimento foram celebrados em toda a Igreja no Ano Paulino.

«Esta análise deu resultados muito interessantes, que concordam na certeza de que tudo o que foi encontrado pertence a um sepulcro dos séculos I e II, o que está de acordo com a tradição de que este seja o túmulo de Paulo».

O Cardeal italiano ia ser substituído no seu cargo por D. Francesco Monterisi, até agora Secretário da Congregação para os Bispos.

No passado dia 28 de Junho, ao encerrar o Ano Paulino, Bento XVI revelou os procedimentos levados a cabo para certificar a autenticidade do sarcófago de São Paulo, que se encontra sob a basílica romana que leva o seu nome.

«Estamos aqui junto ao sepulcro do Apóstolo, cujo sarcófago, conservado sob o altar papal, foi submetido a uma atenta análise científica: no sarcófago, que nunca foi aberto em vários séculos, foi feita uma pequena abertura para introduzir uma sonda especial, e por meio dela foram identificadas partículas de um preciso tecido de linho colorido de púrpura revestido de ouro, e de um tecido azul com filamentos de linho».

Segundo o Papa, foram também encontrados «grãos de incenso vermelho, substâncias proteicas e calcárias. Além disso, pequenos fragmentos ósseos, submetidos por especialistas ao exame do carbono 14, resultam ser de uma pessoa que viveu entre o I e o II século». E acrescentou: «isso parece confirmar a tradição unânime e incontestável de que se tratam dos restos mortais do Apóstolo Paulo».

 

O túmulo

 

Em 2006, o Cardeal Cardeal Andrea di Montezemolo anunciava a descoberta do sarcófago, esclarecendo então que o mesmo «nunca foi aberto nem explorado», em parte devido ao facto de ter sido revestido por um bloco de betão algures entre 1838 e 1840.

Sempre existiu, até hoje, um acordo total sobre a localização do túmulo de São Paulo na Basílica romana que leva o seu nome, mas a identificação do sarcófago originário permanecia em aberto. O arqueólogo dos Museos Vaticanos, o italiano Giorgio Filippi, foi o responsável pela descoberta do sarcófago ou um «contentor de relíquias».

Os responsáveis vaticanos asseguram que o sarcófago era considerado, já em 390, como o de São Paulo. Já no fim do século II, o presbítero romano Gaio, citado por Eusébio, assinalava a existência do «tropaion» erguido como testemunho do martírio de Paulo.

As escavações decorreram entre 2002 e 22 de Setembro de 2006, permitindo trazer à luz do dia a abside da Basílica costantiniana, englobada no transepto do edifício dos três Imperadores, Teodósio, Valentiniano II e Arcádio (que ampliaram a Basílica de Constantino).

Foi aqui, debaixo do altar papal, que se deu o achado: um sarcófago com a inscrição incompleta «Paulo apostolo mart(yri)» (A Paulo Apóstolo Mártir), visível desde a base do altar e ao nível da antiga basílica, construída no século IV.

 

 

PRÓXIMA BEATIFICAÇÃO

DO CARDEAL NEWMAN

 

Bento XVI aprovou no passado dia 3 de Julho a publicação do decreto sobre o milagre necessário para a beatificação do Cardeal John Henry Newman (1801-1890).

 

O Papa tem um interesse pessoal na causa e é um apreciador da teologia do Cardeal Newman, já desde os tempos em que era um jovem seminarista na Alemanha. Admite-se mesmo que possa abrir uma excepção à prática que implementou no seu pontificado e venha a beatificar pessoalmente, em Roma ou em Inglaterra.

«Newman pertence deveras aos grandes doutores da Igreja, porque ele toca ao mesmo tempo o nosso coração e ilumina o nosso pensamento», disse o então Cardeal Ratzinger em 1990, no centenário da morte do Cardeal inglês, uma das figuras mais relevantes da Igreja do séc. XIX.

Além deste decreto, foram aprovados outros três relativos a milagres (um para canonização, dois para beatificações) e quatro de martírio, na Guerra Civil Espanhola, na II Guerra Mundial e durante o regime comunista na Hungria.

 

 

ARCEBISPO PORTUGUÊS

NA CÚRIA ROMANA

 

Bento XVI nomeou o Arcebispo D. Manuel Monteiro de Castro, de 71 anos, como novo Secretário da Congregação para os Bispos. O prelado, natural de Santa Eufémia (perto de Guimarães), desempenhava desde 2000 o cargo de Núncio Apostólico em Espanha e Andorra.

 

«Tive a notícia só há dois ou três dias. Naturalmente fiquei muito contente, porque trabalhar com o Santo Padre é sempre uma distinção e significa que apreciaram o trabalho que fiz nestes anos de serviço que, em grande parte, foi para tratar de questões relacionadas com os Bispos, o sector para onde vou trabalhar no Vaticano», disse D. Manuel à Agência ECCLESIA.

Com raízes que remontam a 1588, a Congregação para os Bispos ocupa-se das matérias que se referem «à constituição e à provisão das Igrejas particulares», como a nomeação de Bispos, bem como ao exercício da missão de cada Bispo na Igreja Latina, à constituição das Conferências Episcopais e à revisão dos seus estatutos. É também seu encargo a erecção dos Ordinariatos Castrenses, para o cuidado pastoral dos militares.

Predispõe ainda tudo o que se refere às visitas «ad Limina» dos Bispos de todo o o mundo, examinando os seus relatórios e transmitindo aos Bispos diocesanos as conclusões referentes à própria diocese.

O Secretário, com a colaboração do Subsecretário, ajuda o Prefeito do Dicastério, neste caso o Cardeal Giovanni Battista Re.

D. Manuel Monteiro de Castro tem uma longa experiência diplomática ao serviço da Santa Sé, que já o fez passar por países como Panamá, Guatemala, Vietname, Austrália, México, Bélgica, Trinidad e Tobago, África do Sul. Em 2007 foi nomeado pelo Papa como observador permanente do Vaticano para a Organização Mundial do Turismo.

Arcebispo titular de Benavento desde 1985, é doutorado em Direito Canónico. Deixou Portugal em 1961 e nunca trabalhou no nosso país, embora mantenha uma relação próxima com a sua terra.

 


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