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«O amor do Coração de Jesus»

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

 

 

Centrando a sua Carta de Proclamação do Ano Sacerdotal na «tocante» definição do Santo Cura d’Ars, «o sacerdócio é o amor do Coração de Jesus», o Romano Pontífice leva-nos a considerá-lo como o dom mais precioso do Céu aos homens e, para nós, o chamamento constante à plena doação e disponibilidade para com todas as almas, centrados na Eucaristia.

Sem conseguirmos possivelmente atingir tão ardente amor como o de S. João Maria Vianney, com certeza todos o imitamos na «consciência da nossa inconsciência» relativamente à grandeza do sacerdócio que recebemos, e que só no Céu «compreenderemos», se não fosse melhor dizer «contemplaremos» com permanente assombro.

De facto, não há inteligência nem sentimento humano capazes de compenetração adequada com o grande mistério da nossa identificação com Cristo-Cabeça, Fonte de vida divina para a humanidade: «Ele próprio (o sacerdote) não se entenderá bem a si mesmo, senão no céu», reconhecia o santo. Mas esta «consciência da nossa inconsciência» permitir-nos-á, apesar de tudo, moldar a missão sacerdotal de acordo com a sua inescrutável grandeza, se nos esforçarmos sinceramente pela santidade pessoal, que potencia a «santidade objectiva» da função que desempenhamos: «Não se pode deixar de ter em conta a extraordinária frutificação gerada do encontro da santidade objectiva do ministério e a subjectiva do ministro», recorda-nos o Papa.

Não nos esqueçamos, porém, de que a santidade pessoal consiste em cumprir a vontade de Deus generosamente, e de que, portanto, a obediência à Igreja em tudo o que diz respeito à Sagrada Liturgia, além de decisiva quanto à validade e licitude da administração dos Sacramentos (pela qual se realiza a «santidade objectiva»), é decisiva também quanto à santificação pessoal do sacerdote.

Como dizem pitorescamente os nossos «hermanos»: «El cura honrado lee lo colorado», isto é, o sacerdote de recta consciência, lê as rubricas – para cumpri-las, evidentemente. Não cria uma liturgia pessoal, baseada numa lógica sua, por mais rigorosa, interessante e pastoral que lhe pareça. Obediência que, neste caso, o levará a respeitar igualmente as amplas liberdades (perfeitamente determinadas) que as leis litúrgicas prevêem, e que podem ser usadas segundo outras «lógicas» pastorais pelos seus irmãos no sacerdócio.

A santidade do sacerdote manifesta-se em primeiro lugar precisamente na fidelidade à doutrina e às leis da Igreja. Por aí se vê que segue o critério do Baptista, de Paulo, de todos os santos: desaparecer, para que só Cristo apareça; diminuir, para que nele cresça Jesus.

 


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