aCONTECIMENTOS eclesiais

DO PAÍS

 

 

PORTO

 

QUE ESPERANÇA

NO HOSPITAL?

 

O Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, e Mário Soares juntaram-se para falar sobre a Esperança, no passado dia 1 de Abril. Num debate moderado por Carlos Magno, os dois intervenientes apresentaram duas perspectivas diferentes em relação ao tema.

 

Na recta final do II Seminário Nacional de Espiritualidade no Hospital – uma iniciativa da Coordenação nacional das Capelanias Hospitalares –, o Presidente da Comissão da Liberdade Religiosa, Mário Soares, disse – na Aula Magna do Hospital S. João, no Porto – que «sempre tive um certo fascínio pela religião», apesar de se confessar agnóstico. «Não nego a existência de Deus. Sou agnóstico», admitiu.

Com 84 anos, Mário Soares afirmou: «Não penso na morte» porque «esta é tão natural como a vida». Perante o mistério da morte e da vida, estes mistérios «não nos obrigam a acreditar na transcendência», comentou.

Apesar de participar em vários encontros ecuménicos da comunidade de Santo Egídio, o Presidente da Comissão da Liberdade Religiosa afirmou que o Estado é laico, mas «percebo que se façam as capelanias nos hospitais» e «deve haver assistência às pessoas que estão nos hospitais». E acrescenta: «as outras religiões têm também uma palavra a dizer».

No hospital deve «haver apoio aos doentes». Ao falar dos progressos da medicina, Mário Soares refere também que «é preciso acabar com a dor espiritual e com a angústia».

A tradição cristã refere-se à vida concreta das pessoas. «O cristianismo não é especulação», disse D. Manuel Clemente. A experiência cristã «continua a ser estimulante», afirmou. Enquanto D. Manuel Clemente centra a sua Esperança em Jesus Cristo, o Presidente da Comissão da Liberdade Religiosa centra a sua esperança «na condição humana», porque «até hoje não fui tocado pela graça da fé». E explica: aqueles que têm a graça da fé têm um privilégio sobre os outros porque acreditam na outra vida. Isto dá força às pessoas.

O dinamismo da esperança cristã «é como a semente lançada à terra», frisou o bispo do Porto. Com o aproximar da Páscoa, D. Manuel Clemente realça que o hospital é um lugar de esperança. «Há dor, mas esperança com vida». «A convivência é uma activação da esperança», acrescentou.

Apesar das grandes dificuldades que o país atravessa, «devemos ter confiança uns nos outros e esperança no futuro», disse o ex-Presidente da República.

Mário Soares seguiu com atenção o II Concílio do Vaticano e admirou o Papa Paulo VI porque «deu força ao Concílio». Com formação iluminista e racionalista, Mário Soares confessou que tinha «dúvidas profundas». «Não tenho fé, mas acredito no amor ao estilo de S. Paulo».

 

 

FÁTIMA

 

CAPELA DO SSMO. SACRAMENTO

ABERTA TODO O DIA

 

A partir do Domingo de Páscoa, todos os dias do ano, a Capela do Santíssimo Sacramento, na zona subterrânea da Igreja da Santíssima Trindade, no Santuário de Fátima, passou a estar aberta ininterruptamente, ou seja, as 24 horas do dia, para adoração à Santíssima Eucaristia.

 

Para tornar mais visível a ligação entre a Eucaristia que adoramos e a Eucaristia que celebramos, há, semanalmente, a celebração da Missa, na Capela do Santíssimo Sacramento. É à Quinta-feira, dia da instituição da Eucaristia, às 18:30, seguida da renovação do Santíssimo e de um momento de adoração comunitária.

Para este alargamento do tempo de adoração, o Santuário de Fátima continua a contar com a importante colaboração dos grupos voluntários já existentes e acolherá outros que poderão vir a constituir-se nas paróquias ou no âmbito dos movimentos de espiritualidade. Agradece também aos muitos leigos que, individualmente, querem, ou pretendem começar, a dar algumas horas do seu dia ou da sua noite ao Senhor.

Durante o período diurno, a adoração ao Santíssimo Sacramento é assegurada pelas Irmãs Reparadoras de Nossa Senhora das Dores de Fátima, congregação instituída pelo Cónego Manuel Nunes Formigão precisamente em resposta aos pedidos de reparação feitos por Nossa Senhora e pelo Anjo aos Pastorinhos.

Nas palavras do Reitor do Santuário de Fátima, Padre Virgílio Antunes, que confia a iniciativa a Nossa Senhora e aos Beatos Francisco e Jacinta Marto, este alargamento advém do renascimento do interesse e devoção pela adoração perpétua, no chamado Lausperene ou louvor contínuo. «Esperamos que o tempo de adoração no Santuário de Fátima constitua ocasião para grande renovação da fé cristã que professamos e que vivemos», afirma.

Em artigo que integra a edição de 13 de Abril do jornal oficial do Santuário (Voz da Fátima), o Padre Carlos Cabecinhas, sacerdote da Diocese de Leiria-Fátima, reflecte sobre o relevo da dimensão eucarística na Igreja e na mensagem de Fátima (ver, neste número de CL, em Recorte).  

Leopoldina Simões

Santuário de Fátima

                                                                                                                                                      

 

LISBOA

 

ANUÁRIO CATÓLICO

DE PORTUGAL 2009

 

O recém-publicado «guia» da Igreja Católica em Portugal confirma, na sua edição de 2009, a quebra progressiva do número de Baptismos e de ordenações sacerdotais, no nosso país.

 

De 2000 a 2006, o número de sacerdotes diocesanos baixou de 3159 para 2894 (menos 8,4%), enquanto que o clero religioso manteve praticamente o mesmo número. A situação de 2006 mostrava ainda que por cada dois padres que morrem (nesse ano foram 80), apenas um é ordenado (37 novos sacerdotes).

Apesar desta quebra no número de padres, a maioria das 4366 paróquias estão confiadas à administração sacerdotal e apenas 20 paróquias são administradas pastoralmente por diáconos, religiosas e leigos.

Os seminaristas de filosofia e teologia também são menos, segundo os últimos dados disponíveis: de 547, entre diocesanos e religiosos, em 2000 passou-se para 475 em 2006.

O número de Baptismos mostra uma redução de quase 10 mil pessoas, mas esse dado deve ser lido à luz da variação do número de nascimentos em cada ano. Em 2000 foram baptizadas mais de 92 mil crianças com menos de 7 anos, e em 2006 esse número ficou-se pelos 77.272. O número de Baptismos depois dos 7 anos representa, actualmente, cerca de 6,7% do total e chegou, em 2006, aos 5165 (5.938 em 2000).

O «Anuário Católico de Portugal» chega, este ano, à sua 22ª edição, reunindo e apresentando um amplo conjunto de dados sobre a Igreja em Portugal, «uma realidade viva, em permanente transformação», como indica o Pe. Joaquim Garrido, director do Secretariado-Geral da Conferência Episcopal Portuguesa, responsável por esta edição.

Os dados apresentados referem-se a 31 de Dezembro de 2006, retomando o trabalho da Secretaria de Estado do Vaticano, através do seu Departamento Central de Estatística. Em Portugal, segundo o Anuário, 88,10% da população professa a fé católica.

As estatísticas, contudo, não são mais do que uma pequena parte do que é apresentado no Anuário Católico, que oferece informações sobre o Papa, a Santa Sé, a Conferência Episcopal Portuguesa, as Dioceses do país, os Institutos de Vida Consagrada, movimentos e obras.

 

 

LISBOA

 

PREOCUPAÇÕES SOBRE

LEI DA EDUCAÇÃO SEXUAL

 

A Comissão Episcopal da Educação Cristã manifestou as suas preocupações em relação ao projecto de Lei do PS sobre Educação Sexual nas Escolas, criticando a «redução da sexualidade à dimensão dos mecanismos corporais e reprodutores, que se pretendem controlar».

 

«Todo o articulado se orienta para que apenas se comunique aos adolescentes e jovens informação que, supostamente, lhes permita precaverem-se contra gravidezes indesejadas, infecções sexualmente transmissíveis e abusos sexuais», refere o parecer da Comissão apresentado na Audição Parlamentar que decorreu no passado dia 14 de Abril, no âmbito dos trabalhos de apreciação na especialidade dos Projectos de Lei nºs. 634/X (PCP) e 660/X (PS).

Para a Comissão Episcopal da Educação Cristã, o documento do PS manifesta «muitas imprecisões e ambiguidades», vinculando «Educação Sexual» à «Educação para a Saúde», com a «ausência de uma clara e determinante relação com o desenvolvimento global da pessoa».

O parecer da Comissão lamenta a «falta de clareza de conceitos e de expressões, como por exemplo «igualdade de género», «sexualidade e género», «melhoria dos relacionamentos afectivo-sexuais dos jovens», «protecção do corpo e noção dos limites», «diversidade e tolerância» e «prevalência dos métodos contraceptivos»».

As críticas estendem-se à «ausência de referência à perspectiva das religiões e das diversas culturas, elementos que integram a sexualidade humana e desvendam a sua beleza».

«Embora se afirme a importância do papel da família na educação sexual, continua a não aparecer com clareza a relação subsidiária da escola em relação à família, e, nessa óptica, a função educativa que a escola deveria exercer junto dos pais, ao serviço de uma adequada preparação dos mesmos, como educadores dos filhos no domínio da sexualidade», acrescenta o parecer.

Por outro lado, a Comissão Episcopal destaca como pontos positivos «a valorização da sexualidade – enquadrada em relações afectivas e vivida com responsabilidade – para o desenvolvimento harmonioso da pessoa humana», «a consideração do papel indispensável da família, dos pais, dos encarregados de educação e dos professores enquanto parceiros decisivos na educação sexual dos adolescentes e dos jovens» e «o entendimento da sexualidade como elemento indispensável na construção dum projecto de vida com valores e uma dimensão ética».

«A educação da sexualidade deve ter um alcance muito mais vasto do que a aquisição de informação científica e técnica. Sendo importante, permanecer nesse patamar é abrir a porta à vulgarização de relações humanas permissivas e irresponsáveis», alerta o parecer.

 

 

LISBOA

 

PROJECTO «IGREJA SOLIDÁRIA«

PARA A CRISE ACTUAL

 

O Projecto «Igreja Solidária» foi apresentado no passado dia 17 de Abril, no Centro de Espiritualidade do Turcifal, a mais de 150 representantes de Instituições de Solidariedade Social da região de Lisboa.

 

«Urge organizar as nossas ajudas» foi o repto lançado no início do encontro pelo Cónego Francisco Crespo, Director da Pastoral Sócio-Caritativa do Patriarcado de Lisboa e responsável pelo Gabinete Coordenador do Projecto. Ser capaz de trabalhar em rede, dando e pedindo ajuda para resolver os problemas e necessidades, cada vez maiores, é o desafio deste Projecto.

«Trata-se de aproveitar as capacidades instaladas que, se optimizadas, podem ainda fazer mais e melhor para ajudar neste momento as pessoas em situação de necessidade, mas trata-se também de ir mais além procurando respostas que permitam a autonomização destas pessoas», refere Henrique Joaquim, professor de Serviço Social na Universidade Católica e membro do Gabinete Coordenador.

Com apenas três semanas de existência, o fundo do Projecto «Igreja Solidária» atingiu já os 175 mil euros, o que demonstra o reconhecimento da relevância da iniciativa do Patriarcado de Lisboa. Entre as entidades que contribuíram para o Projecto estão Particulares, Caritas Diocesana, Fundação Montepio e o BES.

Durante o encontro foi ainda apresentado o Regulamento do Projecto e o Protocolo estabelecido com o BES para atribuição de uma linha de microcrédito para criação de microempresas para serviços de proximidade. Através desta iniciativa, estima-se que se poderão criar cerca de 500 microempresas.

O Projecto pretende também, em colaboração com o Instituto do Emprego e Formação Profissional, criar postos de trabalho. De acordo com o levantamento feito, as Instituições necessitam neste momento de cerca de 2000 pessoas para reforçar os seus serviços, mas só poderão avançar para a sua contratação, caso tenham o apoio do Estado, nomeadamente, através do reforço dos acordos de cooperação já existentes.

O Secretariado do Projecto é uma realidade, contando com uma equipa de voluntários das áreas de gestão, informática e comunicação que estão, por um lado, a criar o sistema de gestão do projecto, que estará acessível já em Junho; por outro, a definir um plano de comunicação que mobilize a sociedade portuguesa em torno da iniciativa, quer com donativos, quer na procura e partilha de novos modelos de solidariedade.

 

 

FÁTIMA

 

O DIREITO CANÓNICO E A

CORRESPONSABILIDADE DOS LEIGOS

 

O Reitor da Universidade Católica Portuguesa, Manuel Braga da Cruz, quer que todos os juristas formadas pela UCP tenham contacto com o Direito Canónico, que considera ligado a «questões decisivas e fundamentais» na vida académica e da sociedade portuguesa.

 

Falando em Fátima, nas XVII Jornadas de Direito Canónico que decorreram de 23 a 25 de Abril, este responsável anunciou que já a partir do próximo ano lectivo começará a funcionar um seminário em temáticas desta área, para os alunos da Faculdade de Direito da UCP, em Lisboa.

O director do Instituto Superior de Direito Canónico (ISDC), Pe. Saturino Costa Gomes, também tem insistido na necessidade de que «dentro das escolas de Direito da UCP haja atenção para a realidade do Direito Canónico, do Direito Concordatário».

«Este é um passo importante, porque muitos alunos que terminam o curso de direito civil deparam-se na vida profissional com questões ligadas ao matrimónio canónico e à área patrimonial, que são importantes», acrescentou.

As Jornadas deste ano são subordinadas ao tema «Os leigos e a corresponsabilidade na Igreja», a partir da provocação deixada por Bento XVI aquando da visita «Ad limina» dos Bispos portugueses, em Novembro de 2007.

A intenção é verificar como é que essa corresponsabilidade se aplica «no seio das paróquias» e das várias instituições cristãs, num espírito de comunhão e «não à margem da própria Igreja».

 

 

BALASAR

 

CRESCE A DEVOÇÃO

À BEATA ALEXANDRINA

 

Celebrou-se no passado dia 25 de Abril o quinto aniversário da beatificação de Alexandrina Maria da Costa (Alexandrina de Balasar) e, tal como na maior parte das celebrações em honra da beata, a igreja paroquial apresentava-se lotada de tal maneira que tornava difícil qualquer movimentação durante a celebração.

 

O ambiente de recolhimento e oração que cada peregrino pretendia viver era perturbado por um nervoso miudinho que se apodera das grandes concentrações. Consciente deste facto, o pároco, padre José Granja, disse no final da missa dos doentes que «uma igreja tão cheia de gente constitui um apelo para a necessidade de se arranjar outro espaço de culto, com melhores condições litúrgicas e de comodidade».

De facto, desde a beatificação fala-se da necessidade de se construir um santuário dedicado à devoção da Beata Alexandrina, mas, até agora, ainda não surgiu nenhum estudo arquitectónico nem foi lançado qualquer concurso de ideias.

Apesar destes constrangimentos, a paróquia de Balasar já dispõe de um conjunto de equipamentos que, segundo o padre José Granja, «permitem às pessoas ganhar empatia» pela localidade, levando a que repitam as suas visitas ao longo do ano.

Recentemente, foi inaugurada uma via-sacra no terreno contíguo ao centro pastoral, com a particularidade de cada estação possuir uma cruz em que está incrustada uma pedra da calçada do palácio do sumo sacerdote Anás, contemporâneo de Jesus. Outras melhorias estão em curso no perímetro da casa onde viveu a Beata Alexandrina, concretamente com mais espaços verdes que poderão ser utilizados para oração ou simplesmente lazer.

Foi também criado um espaço de convívio para doentes e idosos de Balasar e que, diariamente, é frequentado por cerca de 30 pessoas.

Entretanto, está em curso a constituição da Fundação Alexandrina de Balasar, uma entidade que vai gerir tudo o que esteja relacionado com a causa da devoção à beata. Para 23 de Maio, foi anunciado um retiro de um dia para doentes. Trata-se de uma iniciativa limitada a 30 pessoas que estarão acompanhadas por médicos e enfermeiros e que poderá repetir-se em mais ocasiões.

 

 

PORTO

 

CRISTÃOS

NA VIDA PÚBLICA

 

Decorreu no passado dia 28 de Abril no Centro de Convívios de Enxomil, Arcozelo, Vila Nova de Gaia, a 13ª Jornada sobre Questões Pastorais, este ano sob o tema «A expressão social da fé cristã». Nela participaram cerca de uma centena de sacerdotes de várias dioceses.

 

No Centro de Convívios de Enxomil realizam-se há mais de 50 anos, sob a orientação espiritual da Prelatura do Opus Dei, convívios, retiros e encontros pastorais para todo o tipo de pessoas. Estas Jornadas de Questões Pastorais oferecem aos sacerdotes uma oportunidade de convívio e diálogo interdiocesano para confronto e enriquecimento das próprias experiências.

A Conferência da manhã esteve a cargo de D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, que falou das «Relações Igreja Estado: Lições do passado e desafios do presente». O bispo do Porto começou por comentar um texto de S. Paulo vendo nele já estabelecidos um dos grandes princípios de doutrina social, que é a origem divina de qualquer autoridade legítima, mas sem a divinizar, e a submissão em consciência, dos cristãos a essa autoridade. Dando um salto de mil anos, D. Manuel Clemente citou Gregório VII que no documento Dictatus Papae preconiza a submissão do imperador ao Papa, explicado pelo facto de que pelo meio esteve o colapso do Império Romano. Finalmente, comentou um texto de Bento XVI em Angola, onde são actualizados os grandes princípios da actuação social da Igreja: defesa da dignidade da pessoa humana, cuidado dos mais pobres e facilitar o caminho espiritual do cristão na sua conversão diária.

Seguiu-se um período de perguntas e respostas, tão variadas como o laicismo, a Concordata e a Canonização de Nun’Alvares Pereira.

Da parte da tarde, Raúl Diniz, Presidente da AESE (Escola de Direcção e Negócios, de Lisboa) falou sobre a actuação dos «Cristãos na vida pública», tendo especialmente presente as circunstâncias actuais de crise financeira e económica, mas também a crise de valores que lhe está subjacente, e que motivou o atraso da saída da prometida encíclica de Bento XVI sobre questões sociais. A grande lição da actual crise é a necessidade de ética, mas esta não depende tanto de leis e regulamentos, como da renovação do coração do homem. O período de perguntas permitiu ao orador apontar o campo importante que compete aos sacerdotes como pastores de almas e promotores de iniciativas solidárias.

 

 

COIMBRA

 

PADRES PRESENTES

NA INTERNET

 

Na semana que a Igreja Católica dedicou à oração pelas vocações, o programa ECCLESIA foi ao encontro de sacerdotes que encontraram na Internet um vasto campo para o seu trabalho pastoral. As redes sociais, blogues e chats são vias privilegiadas para falar de Deus e mesmo da vocação ao sacerdócio ou à vida consagrada.

 

O mundo virtual congrega amigos, reduz distâncias, numa enorme praça onde as pessoas se cruzam e dialogam: Twitter, MySpace, Hi5, Messenger ou Facebook são exemplos destes espaços onde gravitam milhões de pessoas, ao alcance de um clic. Por tudo isto, para a Igreja, a Internet é hoje também uma grande comunidade, que exige pessoas dedicadas a este campo.

O Pe. Nuno Miguel é director do Instituto Justiça e Paz, em Coimbra, e responsável pelo Pré-seminário nesta Diocese. Entre as tarefas que lhe ocupam a agenda, inclui a presença assídua na Internet, através de um blogue, (http://padrenunosantos.blogspot.com /)

«Para a geração a que pertenço, este mundo quase que se impõe. A comunicação acontece muito na Internet e eu sempre gostei de comunicar, pelo que foi natural tomar esta opção», explica.

O Pe. Nuno Miguel admite que o blogue é «provavelmente o espaço onde sou mais eu» e onde escreve mais, «coisas existenciais, não apontamentos contextualizados».

Mais abaixo, na Diocese de Leiria-Fátima, o Pe. Luís Miranda é director espiritual do ano propedêutico no seminário. Pertence à Diocese de Coimbra, mas acompanha ali alunos de várias dioceses.

(http://no-coracao-de-deus.blogspot.com ) – «No coração de Deus» é o título que dá nome à sua presença neste grande espaço.

«A escrita é um hábito que me acompanha há muito tempo, sempre gostei de escrever, de escrever o que rezo», confessa.

A conversa com os amigos levou, após perceber o mundo da blogosfera, a perceber que «poderia ser importante partilhar com gente anónima muito daquilo que é a minha experiência pessoal de fé, o meu entendimento da vida».

Não se trata de trazer as homilias para as páginas da Internet ou de recriar linguagens que não encontrariam destinatários. O Pe. Luís Miranda diz que «este meio aproxima muitos que podem estar distantes e provocar alguns que estão próximos».

Nenhum dos dois se oculta atrás de «nicknames» ou identidades falsas, apresentando-se no mundo virtual como são na vida real: padres da Igreja Católica, que ali continuam a sua actividade.

O Pe. Nuno Miguel admite que «se tenho alguma mais-valia, é ser o que sou, padre, amigo» e que se «sente confortável com a ideia de ser padre e poder chegar mais longe, assim».

Esta exposição abre portas para críticas e comentários dos mais variados quadrantes. O Pe. Luís Miranda assinala que «já aconteceu alguém escandalizar-se por tratar Deus por «tu» e escreveu-me um mail a dizer que um padre não podia tratar Deus assim».

 

 

FÁTIMA

 

MADRE MARIA CLARA

A CAMINHO DOS ALTARES

 

Madre Maria Clara do Menino Jesus deverá ser a próxima beata portuguesa. «Penso que dentro de um ou dois anos teremos uma nova beata, a celebrar em Portugal» – disse a Irmã Maria Lucília Carvalho, Vice-Postuladora da causa de canonização da fundadora da Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição.

 

No fim-de-semana 2 e 3 de Maio decorreu, em Fátima, umas jornadas de estudo sobre a Venerável Madre Maria Clara do Menino Jesus. Divulgar a «espiritualidade, a grandeza da alma e acção social» da Madre foi o objectivo fundamental desta iniciativa.

Devido à implantação da República, a figura da fundadora e também da Congregação esteve apagada – explicou a Irmã Maria Lucília. Todavia, o valor da fundadora foi colocado novamente em destaque. «Ela foi uma das pioneiras da acção social da Igreja». E adianta: «Ela fundou 55 escolas e modificou, completamente, certas franjas da sociedade portuguesa».

Com o intuito de dar a conhecer esta mulher nascida no século XIX (1843-1899), em Lisboa, existe um boletim que «já vai no número 60, com 34 mil exemplares em Portugal» – realçou a Irmã Maria Lucília. E acrescenta: «ela é conhecida nas Filipinas, Timor, Índia, EUA, Canadá, Austrália e Terra Santa».

Depois de Bento XVI autorizar (6 de Dezembro de 2008) a publicação do decreto que reconhece as «virtudes heróicas» da Madre Maria Clara do Menino Jesus, a religiosa é assim proclamada «Venerável», ficando mais perto da beatificação.

Actualmente, o milagre atribuído à fundadora da Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição está a ser estudado pelas devidas instâncias. «Ocorreu em Baiona (Espanha), numa devota da Madre Clara que, em 1998, foi ao túmulo e pediu a cura de um pioderma gangrenoso (doença cutânea ulcerativa)» – sublinhou a Vice-Postuladora. A cura realizou-se a 12 de Novembro de 2003. No entanto, «essa senhora levou 34 anos com o braço preso ao peito e com intervenções cirúrgicas amiudadas» – referiu a Irmã Maria Lucília.

 

 

FÁTIMA

 

BEATO FRANCISCO, PADROEIRO

DOS ACÓLITOS DE PORTUGAL

 

Ao final da manhã de Sexta-feira, 1 de Maio, durante a Eucaristia celebrada na Igreja da Santíssima Trindade, D. Anacleto Oliveira, Bispo Auxiliar de Lisboa e Presidente da Comissão Episcopal da Liturgia, anunciou a boa nova aos milhares de acólitos, ali reunidos: o Beato Francisco Marto, pastorinho de Fátima, pelo seu grande amor à Eucaristia, será proclamado, pela Conferência Episcopal Portuguesa, Padroeiro dos Acólitos de Portugal.

 

O numeroso grupo, de mais de quatro mil e quinhentos acólitos e também os seus familiares, que participava na Peregrinação Nacional dos Acólitos a Fátima, irrompeu num demorado aplauso, dando mostras da alegria com que a notícia foi recebida.

A todos foi distribuída uma pagela com a fotografia do Pastorinho e uma oração, composta para esta ocasião, que foi recitada pelos presentes.

Os acólitos participaram, durante a manhã, num encontro no Centro Pastoral Paulo VI, em que cada diocese se apresentou e onde houve uma animação paulina, com a apresentação dos trabalhos efectuados pelas dioceses.

Às 16 horas, os acólitos participaram na recitação do Rosário, na Capelinha das Aparições, e muitos deles na Procissão Eucarística, no recinto do Santuário.

Recorde-se que o Santuário de Fátima iniciou em 11 de Junho de 2008, dia do 100.º aniversário do nascimento do Pastorinho Beato, um ano de comemorações em que se faz memória da vida e do testemunho de Francisco Marto.

Este Ano culminará em Junho de 2009.

 

 

COIMBRA

 

NECESSITAM-SE MAIS SANTOS

COMO O SANTO CONDESTÁVEL

 

D. Albino Cleto presidiu à primeira celebração eucarística de acção de graças, na Diocese de Coimbra, pela canonização de Nuno de Santa Maria, mais conhecido por Santo Condestável. Recorde-se que S. Nuno de Santa Maria foi canonizado pelo Papa Bento XVI, no passado dia 26 de Abril, no Vaticano, onde participaram cerca de dois mil peregrinos portugueses.

 

O local escolhido por D. Albino Cleto foi a igreja do Carmo, em Coimbra, pelo facto de S. Nuno de Santa Maria, na segunda fase da sua vida, ter renunciado aos seus bens, consagrando-se a Deus, fazendo-se carmelita; e entrou para o convento que mandou na altura construir – o Convento de Nossa Senhora do Carmo, em Lisboa.

Para D. Albino Cleto, a sua maior batalha «foi na segunda parte da sua vida, quando se fez carmelita». Por isso, «é que escolhemos a igreja de Nossa Senhora do Carmo (situada na rua da Sofia), outrora dos carmelitas, e hoje sob a responsabilidade da Ordem Terceira».

D. Albino enalteceu o ideal escolhido por Nuno Álvares Pereira ao fazer-se, em primeiro lugar, cavaleiro do reino para estar ao serviço do bem, e mais tarde, carmelita, consagrando-se para sempre a Deus. Para o Bispo de Coimbra, «tudo começa por um ideal, não há nenhum santo que se faz santo para estar nos altares. O único objectivo é servir», disse durante a celebração eucarística, concelebrada por Mons. Geraldes Freire e o Padre Dr. Trindade.

«Nuno Álvares Pereira, que escolheu o seu ideal muito jovem, aos 13 anos de idade, e tendo grandes responsabilidades no reino aos 16, em qualquer batalha recolhia-se sempre em oração», afirmou D. Albino perante uma centena de fiéis.

D. Albino Cleto lamenta ainda as críticas que apareceram nos jornais, em vésperas da sua canonização, questionando a Igreja pelo facto de fazer santo, um homem que lutou pela sua pátria, utilizando a espada e derramando sangue em batalhas. «Calem-se agora as línguas que dizem que só vão para os altares bispos, padres e religiosos», exclamou D. Albino, em resposta às críticas. Para o prelado da Diocese de Coimbra, «a santidade não se cultiva apenas nos mosteiros e nos seminários, mas sim na vida». A santidade é um projecto de qualquer cristão.

«S. Nuno de Santa Maria, que agora veneramos, foi mais longe, pretendeu servir Deus, despojando-se de todos os seus bens. Fez-se humilde e pobre (pedindo ele próprio nas ruas para os pobres, ao ponto de o rei o proibir, por ser vergonhoso para o reino)».

«O que é preciso para a Igreja da Europa, nomeadamente em Portugal?», questionou, no fim da sua homilia, D. Albino. «Precisa mais de oração, mas precisa sobretudo mais de santos ao serviço do próximo».

 

 

FÁTIMA

 

ASSISTÊNCIA RELIGIOSA

AINDA EM ESTUDO

 

Os Bispos portugueses pedem que os três ante-projectos que regulamentam a assistência espiritual nas capelanias hospitalares, militares e prisionais «sejam enquadrados no espírito da Concordata». Esta questão conduziu o Conselho Permanente da Conferência Episcopal que reuniu em Fátima no passado dia 5 de Maio.

 

O Pe. Manuel Morujão, secretário da Conferência Episcopal Portuguesa, afirmou que o texto que melhor se aproxima do acordo entre as duas partes (CEP e Estado) é o que regulamenta a assistência religiosa nos hospitais. «De qualquer forma, também este precisa de uma reformulação, no seu enquadramento jurídico».

Os textos que regulamentam as capelanias militares e as capelanias prisionais «precisam ser ainda mais trabalhados, no mesmo enquadramento da Concordata».

A CEP quer que os textos sejam refeitos, pois estes devem ser escritos no «quadro da Concordata entre a Santa Sé e o Estado português». O Pe. Manuel Morujão afirma que «todos devemos respeitar a lei da liberdade religiosa, mas o quadro legal para ser discutido tem de ser a Concordata», texto escrito «entre dois Estados soberanos».

Na reunião do Conselho Permanente foram dadas sugestões para que se chegue a um novo texto a entregar ao governo, «mas já redigido no quadro da Concordata», explica o secretário da CEP. «Estamos a procurar encontrar um texto que agrade tanto ao Governo como à Igreja e, no texto que temos, a Concordata não é devidamente posta em relevo enquanto quadro fundamental para implementar o serviço religioso».

Presentes na reunião estiveram o Pe. Manuel Amorim, representante das Capelanias das Forças Armadas, e o Pe. João Gonçalves, representando as Capelanias Prisionais.

Só depois da reformulação, estes textos serão aprovados. O Pe. Morujão afirma não haver datas previstas.

 

 

VISEU

 

CURSO «ALPHA»:

I ENCONTRO NACIONAL

 

O primeiro Encontro Nacional «Alpha» realizado no sábado, 9 de Maio passado, no pavilhão Multiusos, atingiu os objectivos pretendidos.

 

O P. Jorge Santos, coordenador do Curso Alpha em Portugal, congratulando-se com a adesão à iniciativa, disse que «este renovado instrumento de evangelização está a dar bons frutos; a ideia de uma Igreja envelhecida, triste e fechada, está a ser ultrapassada», sublinhando que «a Igreja está Viva, alegre e aberta para acolher todos os que anseiam viver uma vida de amor, de partilha, de evangelização».

O Bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, também transmitiu uma palavra de entusiasmo e de incentivo «ao renovado método de anúncio do Evangelho», porque «é um fermento no meio do mundo cristão». «Neste dia do início da ‘Semana da Vida’, é gratificante presenciar o entusiasmo que vos anima e motiva a anunciar a Palavra de Deus, numa forma evangelizadora que responde muito bem ao desafio que Bento XVI fez aos bispos», disse o prelado, afirmando que «evangelizar é anunciar que Jesus Cristo está Vivo, é anunciar a Vida».

O tema de reflexão «A Vida Nova em Cristo…», apresentado pelo P. Paulo Araújo, pároco de Arroios, em Lisboa, e membro da Comunidade Emanuel, «acordou alguns espíritos mais adormecidos», tal a profundidade dos temas abordados, com denodado «engenho e talento comunicativo».

«Esta jornada de reflexão», que também pretendeu dar uma maior visibilidade ao Curso Alpha, como instrumento de renovada evangelização, e incentivar outros párocos e outras comunidades cristãs na sua implementação, culminou com a celebração de uma missa solene, e oração de intercessão, presidida pelo padre Jorge Santos, concelebrada pelos padres José Morujão, Manuel Coutinho, Zeferino Barros e diácono Lusitano Rainho, e acompanhada musicalmente pelo Coro Paroquial de Febres.

Cerca de um milhar de cristãos, com o apoio espiritual dos párocos das comunidades a que pertencem, mostraram como o modelo de evangelização emanado pelo Curso Alpha «transformou as suas vidas, ajudando-os a renovarem a sua fé, a comprometerem-se mais com a Igreja, tornando-se discípulos de Cristo».

 

 

LOURIÇAL

 

CONVENTO: HISTÓRIA 

COM TRÊS SÉCULOS

 

Realizou-se no passado dia 9 de Maio, a inauguração documental sobre o «Convento do Louriçal – Três séculos de História (1709-2009)», uma encenação sobre a «chegada das Fundadoras» e uma Missa de Acção de Graças, presidida por D. Rino Passigato, Núncio Apostólico em Portugal, para assinalar os 300 anos de Fundação do Convento.

 

Para D. Rino Passigato, que esteve em representação do Papa Bento XVI, estas comemorações são «motivo de alegria e de fortalecimento dos cristãos do Louriçal». «È uma vocação radical e generosa destas irmãs que vivem no meio do povo», salientou o Núncio Apostólico. Ao longo destes três séculos, as irmãs viveram o seu momento de «poda» (como referiam as leituras do domingo), como todos os institutos religiosos. D. Rino Passigato caracterizou-as como um verdadeiro «tesouro», da forma como elas se relacionam com o povo do Louriçal e enalteceu a forma como a comunidade preparou esta celebração religiosa e cultural.

D. Albino Cleto, Bispo de Coimbra, presente também nas comemorações, reconheceu a generosidade destas irmãs que se consagram totalmente a Deus. Para o Bispo de Coimbra, «qualquer diocese gostaria de possuir esta riqueza variada que a Igreja de Coimbra possui, o caso da minha diocese, que tem dois conventos – as carmelitas em Coimbra e as clarissas do Louriçal». «Ao vir aqui, peço sempre às irmãs que rezem pelas nossas faltas», acrescentou. D. Albino Cleto pediu ainda à comunidade do Louriçal para não deixarem as irmãs a rezar sozinhas…

Foi ainda inaugurada uma exposição, na igreja do Convento, sobre «registos de devoção». Trata-se, como o seu nome indica, de um registo elaborado pela artista Maria Teresa da Costa Mendes, para que através da expressão artística se aumente no visitante o vigor da fé e se faça sentir a intercessão de Jesus e de Nossa Senhora.

Celebrar o tricentenário da fundação do convento do Louriçal «é beber da água fresca da nascente que lhe deu origem. É evocar a Missão Espiritual que Deus confiou à jovem Maria do Lado, do Louriçal; o poder régio de D. João V que mandou construir o edifício; a vinda das Irmãs Clarissas da 1ª Regra de Santa Clara e todos os momentos que, como gotas de água, fortaleceram a caminhada de 300 anos», assim descreve a Irmã Fátima Isabel na apresentação das celebrações do terceiro centenário da fundação do Convento das Clarissas do Desagravo, no Louriçal.

Todos os domingos de Maio há conferências sobre a história do Convento do Louriçal. Exposições alusivas ao tema serão realizadas um pouco por todo o país.

Do dia 1 ao dia 4 de Julho vão realizar-se Jornadas de Estudo sobre o Convento e sua inserção na história local, regional e nacional.

 

 

AÇORES

 

RECONHECIMENTO DO

VALOR SOCIAL DA RELIGIÃO

 

D. António Sousa Braga, bispo de Angra, defendeu no passado dia 12 de Maio, em Ponta Delgada, a necessidade de ser esclarecido o reconhecimento do Estado à função social da religião, alertando que estão em causa acusações infundadas de privilégios à Igreja Católica.

 

«Reconhece ou não o Estado uma função social à religião, independentemente das obras sociais e culturais que as confissões religiosas desenvolvem?», questionou, na cerimónia de entrega da nova Igreja de Nossa Senhora de Fátima, construída no Lagedo, na zona alta de Ponta Delgada.

O novo edifício, orçado em mais de três milhões de euros, tem capacidade para acolher 400 pessoas, tendo a sua construção sido promovida pela Câmara de Ponta Delgada.

Na sua intervenção, D. António Sousa Braga destacou o carácter inédito desta situação, aludindo ao facto de a construção da igreja ter sido assumida pela autarquia, num terreno cedido pelo governo regional.

«Isto significa que o edifício foi considerado como uma estrutura ao serviço da comunidade. O que não é muito comum nestes tempos, em que campeia a tendência laicista da sociedade», afirmou.

Para o bispo, «a religião tem uma função social, que não se reduz simplesmente à gestão de valências de carácter social, como se costuma repetir à saciedade, com uma concepção bastante restritiva da laicidade do Estado».

«O Estado é laico, mas não necessariamente a sociedade. Do ponto de vista religioso, é plural», frisou, salientando que «por não ser confessional é que o Estado respeita e apoia a vivência religiosa de cada cidadão».

 

 


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