aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

BENTO XVI IRÁ A TURIM

VENERAR SANTO SUDÁRIO

 

Bento XVI irá à cidade italiana de Turim para venerar o Santo Sudário, que ficará exposto durante seis semanas em 2010. A notícia foi avançada pelo arcebispo daquela cidade, Cardeal Severino Poletto, depois de um encontro com o Papa no final da audiência geral da quarta-feira, no dia 1 de Abril passado.

 

«O Santo Padre virá, mas não sabemos ainda quando», explicou o Cardeal.

O Santo Sudário, uma das relíquias mais famosas do Cristianismo, é o pano de linho puro, que se afirma ter sido utilizado para envolver o corpo de Jesus Cristo após a crucificação. Mede 4 metros e 36 centímetros de comprimento por 1 metro e 10 centímetros de largura.

Há notícia dele desde 1353, quando um pano que supostamente serviu de mortalha para Cristo apareceu em Lirey (França), levado pelas expedições que estiveram na Terra Santa. Um século depois, chegou às mãos dos duques de Sabóia, que o guardaram em Chambéry. Em 1532, foi danificado num incêndio e, em 1694, foi transferido para a capela do Duomo (Catedral) de Turim.

Os testes para provar se realmente envolveu o corpo de Cristo começaram em 1898, depois de um fotógrafo de Turim ter feito uma foto do manto e, na revelação, descoberto que os negativos mostravam o corpo e o rosto de um homem crucificado.

Em 1989, o Sudário foi submetido ao teste do Carbono 14 em três laboratórios da Suíça, Estados Unidos e Reino Unido. Os resultados dos testes datavam o tecido como sendo do período 1260 a 1390.

Vários especialistas criticaram estes testes, considerando que foi mal feito: os três pedaços do tecido que foram cortados, naquela ocasião, para servir de amostra para o teste, eram das pontas, ou seja, a parte pela qual o manto foi suspenso nas inúmeras ocasiões em que foi apresentado aos fiéis ao longo dos séculos.

Em Abril de 1997, um incêndio destruiu a capela Guarini, onde o Santo Sudário é guardado, mas a relíquia foi resgatada sem sofrer danos. Meses mais tarde, foi estendida e não enrolada como até então, numa caixa à prova de incêndios e atentados.

Diz-se que a impressão no lençol de Turim se terá dado por uma radiação luminosa-térmica: uma anormal produção de energia, comparável a uma explosão atómica, controlada e em relevo, segundo a profundidade da queimadura.

Embora não se possa afirmar com toda a segurança a autenticidade desta relíquia, o Papa João Paulo II gostava de falar dela como de um maravilhoso «ícone».

 

 

MISSA NO IV ANIVERSÁRIO

DA MORTE DE JOÃO PAULO II

 

Bento XVI presidiu no passado dia 2 de Abril à Missa no quarto aniversário da morte de João Paulo II, na Basílica de São Pedro.

 

Na sua homilia, o actual Papa falou do seu predecessor como um «pastor generoso» que continua vivo no coração das pessoas e que soube infundir entusiasmo nas novas gerações, proclamando Jesus como «verdadeiro libertador do homem».

«Junta-nos esta tarde a sua recordação, que continua a estar viva no coração das pessoas, como o demonstra também a ininterrupta peregrinação de fiéis ao seu túmulo, nas grutas do Vaticano», apontou.

Bento XVI lembrou a «coragem e coerência» do testemunho de João Paulo II, que permanece como uma «chama da fé e da esperança».

Numa passagem por vários momentos da vida do falecido Papa, a homilia destacou a figura de um «intrépido e ardente defensor de Cristo», desde a juventude, que não «aceitou compromissos quando se tratava de proclamar e defender a verdade».

Dirigindo-se aos jovens presentes – delegações de Roma, Sidney e Madrid, em preparação do Dia Mundial da Juventude –, o Santo Padre falou dos que se sentem ligados «ao testemunho e à pregação do meu venerado predecessor», que conseguiu transmitir às novas gerações «pontos seguros de referência, indispensáveis para todos».

Num olhar sobre o dia 2 de Abril de 2005, quando João Paulo II morreu, o actual Papa recordou que «esta nova geração quis manifestar-lhe que compreendera os seus ensinamentos, recolhendo-se silenciosamente em oração na Praça de São Pedro e em muitos lugares do mundo».

«Morria o 'seu' Papa, que consideravam o seu 'pai' na fé», constatou.

Bento XVI defendeu a continuidade entre os dois pontificados, sublinhando as situações em que falou «da urgência educativa que diz hoje respeito às famílias, à Igreja, à sociedade e em especial às novas gerações».

«Em momentos como este, dado o contexto cultural e social em que vivemos, poderia ser ainda mais forte o risco de reduzir a esperança cristã a um slogan, a revestimento exterior. Nada de mais contrário à mensagem de Jesus», explicou.

Por isso, o Papa lembrou a herança que João Paulo II deixou aos jovens, para que «continuem a ser sentinelas da manhã, vigilantes e alegres na aurora do terceiro milénio».

 

 

PAPA ALERTA PARA TRAGÉDIAS

DE IMIGRANTES DA ÁFRICA

 

Bento XVI apelou à União Europeia para uma acção coordenada com a África para evitar mais tragédias no Mediterrâneo, recordando com grande pesar os «irmãos e irmãs africanos, que há poucos dias encontraram a morte no Mar, quando procuravam alcançar a Europa», disse ao rezar o Angelus no domingo de Ramos, dia 5 de Abril.

 

Na semana anterior ocorrera o afogamento de mais de 200 pessoas, que se encontravam a bordo de um barco sobrelotado, ao largo da Líbia.

«Não nos podemos resignar com tais tragédias, que infelizmente há muito que se repetem! As dimensões do fenómeno tornam cada vez mais urgente a existência de estratégias coordenadas entre a União Europeia e os estados africanos, bem como a adopção de medidas adequadas de carácter humanitário para impedir que esses emigrantes recorram a traficantes sem escrúpulos», afirmou.

«Ao rezar pelas vítimas para que o Senhor as acolha na sua paz, quero também sublinhar que este problema, agravado agora pela crise global, só encontrará solução quando as populações africanas, com a ajuda da comunidade internacional, se libertarem da miséria e das guerras», acrescentou.

 

 

BENTO XVI INSISTE NO FACTO

HISTÓRICO DA RESSURREIÇÃO

 

Bento XVI defendeu na audiência geral de quarta-feira, dia 15 de Abril passado, a verdade histórica da ressurreição de Jesus, que a Igreja Católica celebra na Páscoa.

 

«É fundamental para a nossa fé e para o nosso testemunho cristão que se proclame a ressurreição de Jesus de Nazaré como um acontecimento real, histórico, atestado por numerosas testemunhas que se tornaram autoridade», disse na audiência geral, perante milhares de peregrinos reunidos no Vaticano.

O Papa retomou um dos temas centrais do seu percurso teológico, que deu origem ao livro «Jesus de Nazaré», publicado já após a eleição como sucessor de João Paulo II.

Bento XVI disse que os católicos professam com convicção a fé na ressurreição, frisando que, «também nos nossos tempos, não falta quem procure negar a sua historicidade, ao reduzir o relato evangélico a um mito». O Papa disse que muitos «retomam e apresentam velhas teorias, já gastas, como novas e científicas».

«A ressurreição não foi para Jesus um simples regresso à sua vida terrena precedente, mas foi a passagem a uma dimensão profundamente nova da vida, que também diz respeito a nós, que toca toda a família humana, a história e o universo», prosseguiu.

Para o Papa, «a novidade surpreendente da ressurreição é tão importante que a Igreja não deixa de proclamá-la, prolongando a sua recordação, especialmente no Domingo, que é o dia do Senhor e a Páscoa semanal do povo de Deus».

«Este evento mudou a vida das testemunhas oculares e, ao longo dos séculos, gerações inteiras de homens acolherem-no com fé e testemunharam-no até chegar mesmo ao martírio», precisou.

 

 

NOVO PRESIDENTE

PARA A PASTORAL DA SAÚDE

 

Bento XVI aceitou o pedido de renúncia, por razões de idade, do cargo de presidente do Conselho Pontifício da Pastoral para os Agentes de Saúde, apresentado pelo Cardeal Javier Lozano Barragán, chamando para substitui-lo Mons. Zygmunt Zimowski, actual bispo de Radom.

 

Mons. Zygmunt Zimowski é polaco e foi colaborador de Bento XVI durante quase 20 anos, quando o Cardeal Ratzinger estava à frente da Congregação para a Doutrina da Fé.

Nascido em 1949, foi ordenado sacerdote em 1973, tendo obtido a licenciatura em Teologia Dogmática na Universidade de Lublin, e o doutoramento em Teologia Dogmática na Faculdade Teológica da Universidade «Leopold-Franzens», de Innsbruck (Áustria).

Foi postulador dos processos de beatificação e canonização de Karolina Kózka, do Rev. Roman Sitko e da Ir. Maria Julittae Ritz. Foi ainda professor de Eclesiologia na Universidade Católica de Lublin e na Universidade Cardeal «Stefan Wyszynski», de Varsóvia.

É autor de 120 publicações, 40 cartas pastorais e alguns livros, além de numerosos artigos. Além do polaco, sua língua materna, conhece o italiano, alemão, inglês, francês e russo.

 

 

33 CAUSAS PORTUGUESAS

A CAMINHO DOS ALTARES

 

As Dioceses de Portugal têm abertos no Vaticano 33 processos de beatificação e canonização. Não se contabilizam as causas de portugueses abertas em Dioceses estrangeiras.

 

Deste conjunto de possíveis santos e beatos portugueses, os últimos a terem visto o seu processo avançar foram a Irmã Maria Clara do Menino Jesus (1843-1899), natural de Lisboa, fundadora da Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, e Mons. Joaquim Alves Brás (1899-1966), que fundou a Obra de Santa Zita. Ambos foram proclamados Veneráveis por Bento XVI, no ano 2008, com o reconhecimento das suas «virtudes heróicas», o último «degrau» antes da beatificação, que fica agora dependente do reconhecimento de um milagre.

Segundo os dados fornecidos pelo Vaticano, os últimos processos registados foram os relativos à Madre Virgínia da Paixão e à Irmã Maria do Monte, ambos abertos pela Diocese do Funchal. Outros seguem os passos necessários, como é o caso da Irmã Maria Rita de Jesus, do Porto, ou da Irmã Lúcia de Jesus, Vidente de Fátima.

Os cerca de 70 beatos portugueses reconhecidos pela Igreja Católica desde a independência do país, em 1143, precisam de um milagre para a canonização, como é o caso dos Pastorinhos, beatificados em Fátima no ano 2000. Os fiéis de Portugal beatificados mais recentemente foram Madre Rita Amada de Jesus (2006), Alexandrina de Balasar (2004) e Frei Bartolomeu dos Mártires (2001). Em 2004 foi ainda beatificado o Imperador Carlos de Áustria, que faleceu na Madeira.

Entre os processos a aguardar «luz verde» para a beatificação encontram-se os dos Bispos António Barroso (1854-1918), João de Oliveira Matos Ferreira (1879-1962) e Manuel Mendes da Conceição Santos (1876-1955).

Há também várias mulheres, como Teresa de Saldanha (1837-1916), Mary Jane Wilson (1840-1916), Luíza Andaluz (1877-1973), Sílvia Cardoso (1883-1950), Maria Isabel Caldeira (da Santíssima Trindade) ou Maria da Conceição Teixeira, a «Sãozinha» (1923-1940).

Outras figuras de sacerdotes, como Manuel Nunes Formigão (1883-58), o popular Padre Cruz (1859-1948), Abílio Correia (1882-1967), ou o Padre Américo Monteiro de Aguiar (1887-1956), fundador da Obra da Rua e das casas do Gaiato, encontram-se também à espera de novos desenvolvimentos. Outro processo que poderia avançar em breve é o do monge beneditino frei Bernardo Vasconcelos (1902-1932).

Um processo mais antigo, reaberto com o consentimento da Conferência Episcopal Portuguesa, é o de Maria do Lado, fundadora do Recolhimento do Louriçal para religiosas, que morreu em 1632.

 

 

PAPA VISITOU ABRUZZO,

VÍTIMA DO TERRAMOTO

 

Bento XVI deslocou-se no passado dia 28 de Abril à região italiana de Abruzzo para se encontrar com a população vítima do terramoto do início desse mês, dando cumprimento a um desejo que ele próprio manifestou desde a primeira hora. Por causa do mau tempo, o Papa não pôde viajar de helicóptero até ao local, o que provocou um atraso no seu programa.

 

Quando chegou a Onna, o epicentro do sismo que deixou 58 mil desalojados e vitimou mortalmente 295 pessoas, disse: «Estive ao vosso lado desde o primeiro momento, quando tive notícia deste violento terramoto que, na noite do passado dia 6 de Abril, provocou quase 300 vítimas, numerosos feridos e grandes danos materiais nas vossas casas. Segui com apreensão as notícias, partilhando a vossa angústia e as vossas lágrimas pelos defuntos, juntamente com as vossas preocupações por tudo o que perderam num instante».

O Santo Padre andou pelas tendas que abrigam os desalojados, cumprimentando quem dele se aproximava.

Bento XVI notou ainda que, apesar do empenho e da solidariedade que chegou a esta região italiana vinda de vários locais, as dificuldades são muitas e diárias, pois implica viver fora de casa, ou em carros ou em tendas, situações agravadas pelo estado do tempo frio e chuvoso.

O Papa lembrou os muitos jovens «subitamente forçados a lidar com uma dura realidade, os meninos que tiveram que abandonar a escola e os idosos privados dos seus hábitos».

«A minha oração é para vocês. Estamos juntos. Obrigado pela vossa fé, pela vossa coragem, pela vossa esperança», terminou.

 

 

PROCESSO DE BEATIFICAÇÃO

DE JOÃO PAULO II

 

O Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, Arcebispo Angelo Amato, revelou que a causa de beatificação de João Paulo II prossegue de forma «muito solícita», mas advertiu para a necessidade de respeitar as várias etapas do processo.

 

Após o final da fase diocesana do processo, em 2007, foi possível entregar no Vaticano a chamada Positio super virtutibus (sobre as virtudes do Servo de Deus), a ser examinada pelos consultores teólogos da Congregação.

Numa segunda fase, a causa passará ao juízo da «sessão ordinária dos Cardeais e dos Bispos», antes de chegar ao Papa, que tomará uma decisão a respeito do decreto de Venerável.

Bento XVI anunciara no dia 13 de Maio de 2005, 42 dias após a morte de João Paulo II, o início imediato do processo de canonização de Karol Wojtyla, dispensando o prazo canónico de cinco anos para a promoção da causa. O Arcebispo Amato esclarece que a dispensa do tempo de espera não implica que o processo possa queimar etapas. O Prefeito acredita, contudo, que «iremos chegar a uma conclusão muito solicitamente».

Este responsável indica que estão em estudo «alegados milagres» atribuídos a João Paulo II, mas precisa que «em primeiro lugar, é preciso concluir o percurso para a declaração sobre a heroicidade das virtudes».

Recorde-se que num caso semelhante, o da Madre Teresa de Calcutá, a beatificação aconteceu em 2003, seis anos após a sua morte.

 

 

ESTÁ PRÓXIMA

NOVA ENCÍCLICA PAPAL

 

A terceira encíclica de Bento XVI, sobre questões sociais, deverá ser apresentada a 29 de Junho, revelou o presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, Cardeal Renato Raffaele Martino.

 

«Creio e prevejo para 29 de Junho, festa de São Pedro e São Paulo, a data final» para a publicação do documento pontifício, disse. O Cardeal falava durante um congresso sobre globalização, na Universidade Pontifícia Gregoriana, de Roma.

A encíclica «Caritas in veritate», ou seja «A Caridade na Verdade», deverá retomar reflexões das encíclicas «Populorum Progressio», de Paulo VI, e «Sollicitudo rei socialis» de João Paulo II.

Segundo a Rádio Vaticano, o actual Papa manifestará a necessidade de potencializar um humanismo que concilie o desenvolvimento social e económico com o respeito pelo ser humano, e que diminua as diferenças entre ricos e pobres.

Fala-se desta encíclica desde 2007, mas a sua publicação atrasou-se por dois motivos principais: por questões de tradução, já que o texto sairá também em chinês, e devido à recente crise económica internacional.

As outras duas encíclicas de Bento XVI são «Deus caritas est», de 2006, e «Spe salvi», de 2007.

 


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