DOCUMENTAÇÃO

 

SECRETARIA DE ESTADO DA SANTA SÉ

 

PROTESTO OFICIAL DA BÉLGICA

PELAS DECLARAÇÕES DO PAPA ACERCA DA SIDA

 

 

A propósito de uma Resolução da Câmara dos Representantes da Bélgica (aprovada por 95 votos a favor, 18 contra e 7 abstenções) sobre declarações do Papa aquando da sua viagem à África, a Secretaria de Estado do Vaticano publicou no passado dia 17 de Abril o seguinte comunicado:

 

O Embaixador do Reino da Bélgica, seguindo as instruções do Ministro dos Negócios Estrangeiros, transmitiu ao Secretário para as Relações da Santa Sé com os Estados a Resolução pela qual a Câmara de Representantes do seu país pediu ao governo belga que «condenasse as declarações inaceitáveis do Papa por ocasião da sua viagem à África e protestasse oficialmente junto da Santa Sé». O encontro teve lugar na passada quarta-feira dia 15 de Abril.

A Secretaria de Estado regista com pesar tal passo, insólito nas relações diplomáticas entre a Santa Sé e a Bélgica. Deplora que uma Assembleia Parlamentar tenha considerado oportuno criticar o Santo Padre, com base num extracto de entrevista, truncado e isolado do seu contexto, que foi usado por alguns grupos com uma clara intenção intimidadora, como que para dissuadir o Papa de se exprimir sobre alguns temas cuja relevância moral é óbvia e de ensinar a doutrina da Igreja.

Como se sabe, o Santo Padre, respondendo a uma pergunta acerca da eficácia e do carácter realista das posições da Igreja em matéria de luta contra a SIDA, declarou que a solução se deve procurar em duas direcções: por um lado, a humanização da sexualidade e, por outro lado, uma autêntica amizade e disponibilidade para com os que sofrem, sublinhando o empenho da Igreja num e noutro campo. Sem esta dimensão moral e educativa, não se vencerá a batalha contra a epidemia.

Enquanto que, em alguns países da Europa, se desencadeava uma campanha mediática sem precedentes sobre o valor preponderante, para não dizer exclusivo, de certo meio profilático na luta contra a SIDA, é confortante verificar que as considerações de ordem moral desenvolvidas pelo Santo Padre foram compreendidas e apreciadas, em particular pelos africanos, pelos verdadeiros amigos da África e por alguns membros da comunidade científica. Como se pode ler numa recente declaração da Conferência Episcopal Regional da África Ocidental (CERAO): «Estamos gratos [ao Santo Padre] pela mensagem de esperança que nos veio confiar, nos Camarões e em Angola. Veio encorajar-nos a viver unidos, reconciliados na justiça e na paz, para que a Igreja na África seja ela própria uma chama ardente de esperança para a vida de todo o continente. E agradecemos-lhe por de novo ter proposto a todos, de modo articulado, claro e perspicaz, o ensinamento comum da Igreja em matéria de pastoral dos doentes de SIDA».

 

Nota: Chama a atenção como um país em que vigora o regime de separação da Igreja e do Estado pretende coarctar a liberdade da Igreja Católica a pronunciar-se e difundir a sua doutrina moral.

Por outro lado, confirma-se o sentido das declarações do Santo Padre: o preservativo, além de ser moralmente inaceitável nas relações conjugais, tende a agravar a epidemia da SIDA. Assim o entenderam quantos criticaram as declarações de Bento XVI, e até alguns que admitiram excepções ao uso do preservativo.

 


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