S. João Baptista

Missa da Vigília

23 de Junho de 2009

 

Esta Missa diz-se na tarde do dia 23 de Junho, antes ou depois das Vésperas I da solenidade.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Subirei alegre, M. Carneiro, NRMS 87

Lc 1, 15.14

Antífona de entrada: Será grande aos olhos do Senhor e cheio do Espírito Santo desde o seio materno. Muitos se hão-de alegrar pelo seu nascimento.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

S. João Baptista apontou Jesus ao mundo: eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.Com essas palavras a Igreja continua a apresentar-nos Jesus, que está aqui, na Santa Missa.

 

Oração colecta: Conduzi, Senhor, a vossa família pelo caminho da salvação, para que, fiel aos ensinamentos do Precursor, São João Baptista, possa ir confiadamente ao encontro de Cristo, por ele anunciado. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O precursor foi consagrado desde o seio de sua mãe para a missão para que fora escolhido por Deus.

 

Jeremias 1, 4-10

4No tempo de Josias, rei de Judá, o Senhor dirigiu-me a palavra, dizendo: 5«Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi antes que saísses do seio de tua mãe, Eu te consagrei e te constituí profeta entre as nações». 6Então eu disse: «Ah, Senhor Deus, mas eu não sei falar, porque sou uma criança». 7O Senhor respondeu-me: «Não digas: ‘Sou uma criança’, porque irás ao encontro daqueles a quem Eu te enviar e dirás tudo quanto Eu te mandar dizer. 8Não tenhas receio diante deles, porque Eu estou contigo, para te salvar – diz o Senhor». 9Depois o Senhor estendeu a mão, tocou-me na boca e disse-me: «Eu ponho as minhas palavras na tua boca. 10Hoje dou-te poder sobre os povos e os reinos, para arrancar e destruir, para arruinar e demolir, para edificar e plantar».

 

Não é casual a escolha desta leitura que relata a vocação do Profeta Jeremias. Foi escolhida pela alusão que se quer ver à santificação de João no ventre materno: «antes que saísses do seio da tua mãe, Eu te consagrei» (cf. Lc 1, 44).

6 «Mas eu não sei falar». É a reacção habitual do homem, quando se enfrenta com a vocação divina, a chamada a uma missão que exige a entrega de toda a vida a Deus para O servir numa missão que transcende a nossa limitação e franqueza. Mas a uma primeira reacção de medo segue-se uma certeza, segurança e serenidade que Deus infunde: «Eu estarei contigo!» (v. 8).

 

Salmo Responsorial      Sl 70 (71), 1-2.3-4a.5-6ab.15ab e 17 (R. cf. 6b)

 

Monição: Como S. João Baptista louvemos o Senhor que nos guia a cada um de nós desde a juventude.

 

Refrão:         Desde o meu nascimento, sois a minha esperança.

 

Em Vós, Senhor, me refugio,

jamais serei confundido.

Pela vossa justiça, defendei-me e salvai-me,

prestai ouvidos e libertai-me.

 

Sede para mim um refúgio seguro,

a fortaleza da minha salvação.

Vós sois a minha defesa e o meu refúgio,

meu Deus, salvai-me do pecador.

 

Sois Vós, Senhor, a minha esperança,

a minha confiança desde a juventude.

Desde o nascimento Vós me sustentais,

desde o seio materno sois o meu protector.

 

A minha boca proclamará a vossa justiça,

dia após dia a vossa infinita salvação.

Desde a juventude Vós me ensinais

e até hoje anunciei sempre os vossos prodígios.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. João Baptista foi o último grande profeta a preparar a chegada do Messias prometido e foi também aquele que O apresentou ao mundo.

 

1 São Pedro 1, 8-12

Caríssimos: 8Vós amais Cristo Jesus sem O terdes visto, acreditais n’Ele sem O verdes ainda. Isto é para vós fonte de uma alegria inefável e gloriosa, 9porque conseguis o fim da vossa fé: a salvação das vossas almas. 10Esta salvação foi objecto das investigações e meditações dos Profetas que predisseram a graça a vós destinada. 11Procuraram descobrir a que tempos e circunstâncias se referia o Espírito de Cristo que estava neles, quando predizia os sofrimentos de Cristo e as glórias que se lhes haviam de seguir. 12Foi-lhes revelado que não era para eles, mas para vós, que no seu ministério transmitiam essa mensagem. É essa mensagem que agora vos anunciam aqueles que, movidos pelo Espírito Santo enviado do Céu, vos pregam o Evangelho, a qual os próprios Anjos desejam contemplar.

 

8-9 «Vós amais Cristo Jesus... acreditais nele...». Estes cristãos da Ásia Menor a quem S. Pedro se dirige, como também nós, já não conheceram Jesus na sua vida mortal, mas exactamente como nós hoje e os cristãos de todos os tempos acreditavam em Jesus Cristo e amavam apaixonadamente a sua pessoa adorável como alguém que está vivo e actuante, enchendo-nos daquela alegria inefável que procede de sabermos que a nossa fé vai desembocar na visão da glória, o fim da nossa fé, a salvação das nossas almas.

10 «Os profetas», mais provavelmente os do Antigo Testamento.

12 Os Anjos, ao tomarem conhecimento do plano de salvação da humanidade, extasiam-se a contemplá-lo com atenção na vida da igreja (cf. Ef 3, 10).

 

Aclamação ao Evangelho            cf. Jo 1, 7 / Lc 1, 17

 

Monição: Peçamos ao Senhor uma fé grande para O escutar. Uma fé ainda maior do que a de Zacarias.

 

Aleluia

 

Cântico: S. Marques, NRMS 73-74

 

Ele veio para dar testemunho da luz

e preparar o povo para a vinda do Senhor.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 5-17

5Nos dias de Herodes, rei da Judeia, vivia um sacerdote chamado Zacarias, da classe de Abias, cuja esposa era descendente de Aarão e se chamava Isabel. 6Eram ambos justos aos olhos de Deus e cumpriam irrepreensivelmente todos os mandamentos e leis do Senhor. 7Não tinham filhos, porque Isabel era estéril e os dois eram de idade avançada. 8Quando Zacarias exercia as funções sacerdotais diante de Deus, no turno da sua classe, 9coube-lhe em sorte, segundo o costume sacerdotal, entrar no Santuário do Senhor para oferecer o incenso. 10Toda a assembleia do povo, durante a oblação do incenso, estava cá fora em oração. 11Apareceu-lhe então o Anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso. 12Ao vê-lo, Zacarias ficou perturbado e encheu-se de temor. 13Mas o Anjo disse-lhe: «Não temas, Zacarias, porque a tua súplica foi atendida. Isabel, tua esposa, dar-te-á um filho, ao qual porás o nome de João. 14Será para ti motivo de grande alegria e muitos hão-de alegrar-se com o seu nascimento, 15porque será grande aos olhos do Senhor. Não beberá vinho nem bebida alcoólica será cheio do Espírito Santo desde o seio materno 16e reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. 17Irá à frente do Senhor, com o espírito e o poder de Elias, para fazer voltar os corações dos pais a seus filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, a fim de preparar um povo para o Senhor».

 

A leitura corresponde ao início do chamado Evangelho da Infância de Lucas. O teólogo genial que é S. Lucas, não prescinde do seu génio de historiador e começa por situar na História o acontecimento: «Nos dias de Herodes, rei da Judeia» (v. 5). «Zacarias», era um nome corrente entre judeus, que significa «Yahwéh recordou-se «. Isabel, Elixabet, era o nome da mulher de Aarão (Êx 6, 23) e significa «Deus é a plenitude», ou «Deus jurou». Zacarias pertencia à turma de Abias, isto é, ao oitavo turno semanal ao serviço do Templo (cf. 1 Par 24, 10). Segundo conta o historiador Flávio José, os 24 turnos semanais estavam em pleno funcionamento nesta data.

6 «Ambos justos aos olhos de Deus». A sua santidade não era meramente externa e legal. Justo equivale a fiel cumpridor de toda a vontade de Deus, pessoa que ajusta todo o seu pensar e actuar à lei do Senhor. Então, como hoje, é de pais justos e santos que procedem os grandes homens, os grandes santos.

9-10 «Para oferecer o incenso». Um sacrifício que se repetia duas vezes ao dia e às 3 horas da tarde. O sacerdote eleito desta vez foi Zacarias, talvez a única vez na vida que lhe coube tamanha honra, segundo as instruções de Mixná. Então pôde penetrar no Santuário, na primeira câmara chamada «o Santo», onde se encontravam os 12 pães da proposição que representavam as 12 tribos de Israel na presença do Senhor, bem como o candelabro de 7 braços, a menoráh. Zacarias, totalmente só e no máximo recolhimento, ao sinal da trombeta, tinha de deitar incenso sobre as brasas que estavam sobre o pequeno altar de oiro, enquanto o povo espalhado pelos átrios, o dos israelitas e o das mulheres, fazia subir as suas preces até Deus; a nuvem do fumo do incenso que se erguia do altar dos perfumes era a imagem bem expressiva da oração, segundo as palavras do Salmo 141(140), 2. A afluência dos fiéis costumava ser grande, a fim de rezar neste preciso momento, sobretudo na oferenda da tarde.

14-17 «Terás alegria…» Logo a seguir são apontados os motivos de tamanha alegria: a grandeza e santidade excepcionais do filho (v. 15), cheio de Espírito Santo (santificado no ventre materno, segundo a exegese habitual, ou dotado do carisma profético); será instrumento para a salvação de muitos (v. 16); preparará a vinda do Messias (v. 17). É interessante notar como o Evangelista, apesar de saber que João preparou a vinda de Jesus, o Messias, não instrumentaliza um relato que se move num ambiente e perspectiva «pré-cristã» e numa linguagem vétero-testamentária; é mais um indício da fidelidade de Lucas às suas fontes (aqui talvez um relato de família, conservado em círculos afectos ao Baptista). É por isso que não diz: «irá à frente do Messias» (como seria de esperar), mas «irá à frente de Yahwéh».

 

Sugestões para a homilia

 

Será motivo de grande alegria

Profeta entre as nações

Será motivo de grande alegria

O arcanjo Gabriel apareceu a Zacarias, anunciando-lhe o nascimento de João Baptista.

Ele seria de grande alegria para seus pais, que tinham ansiado, tantos anos, por ter um filho. Deus escutou as suas orações, dando-lhes aquele menino. E era uma dádiva tão grande que Zacarias teve dificuldade em acreditar, apesar de ser homem justo.

Os filhos são sempre motivo de alegria para os pais. Uma criança que nasce é como um sorriso de Deus naquele lar. É preciso voltar de novo a esta visão bíblica dos filhos. Hoje são olhados por muitos como uma praga que lhes vai cair em casa ou então como um vaso de flores para enfeitar o lar.

Os filhos são dádiva de Deus e um convite do Criador a colaborar na transmissão da vida, generosamente, à maneira do coração de Deus.

Tantos cultivam hoje na família um amor mesquinho, interesseiro, que não é amor, mas disfarce de egoísmo. E não encontram a felicidade, porque esta não se encontra no egoísmo.

Mesmo humanamente a mentalidade antinatalista, que se infiltrou por toda a parte, é um desastre para a Humanidade. O mundo está a ficar velho. Os países mais ricos estão a morrer, porque não têm crianças.

Todos os filhos que nascem são motivo de alegria para os pais e para toda a Humanidade. Como o Arcanjo S. Gabriel proclamemo-lo por toda a parte sem medo de parecermos antiquados.

Há anos, nos Estados Unidos, D. Álvaro del Portillo, sucessor do S. Josemaria Escrivã, estava reunido com numeroso grupo de casais. Um deles levantou-se e disse: – Padre, que nos diz a nós que temos treze filhos?

Veio uma salva de palmas da assembleia. Levantou-se um outro: – E a nós que temos dezassete?

Mais uma salva de palmas cheia de entusiasmo. Levanta-se um terceiro, exclamando: – Padre, estamos casados há dois anos e temos um menino, mas queremos entrar também na competição.

Além de comunicar a vida natural os bons pais devem cuidar da vida espiritual dos seus filhos. Em primeiro lugar procurando que recebam o baptismo quanto antes. Alguns pais cristãos adiam o baptismo, à espera do padrinho que vem de férias ou de terem dinheiro para um almoço mais solene. Estão a prejudicar o filho, impedindo que receba a graça e se torne filho de Deus. Pondo em risco a recepção do baptismo e a salvação daquela criança.

Devem escolher os padrinhos de acordo com as normas da Igreja. Procurando que sejam católicos praticantes, que possam ajudar a criança na sua formação cristã. E não por serem ricos para dar folares avultados.

Profeta entre as nações

Aquele menino seria motivo de alegria para o mundo inteiro. Seria o percursor de Jesus, que O iria apresentar ao mundo.

Ele foi o grande profeta de Deus, o último e o maior. Foi um homem de oração e de penitência. Desde jovem viveu no deserto.

Foi um profeta valente, que não teve medo de arriscar a vida pela verdade, no cumprimento da missão que Deus lhe confiara.

É para nós exemplo sempre actual. Ensina-nos a amar a Jesus e a dar a vida por Ele se for preciso.

O mundo de hoje necessita de homens valentes, desapegados das comodidades, capazes de levar uma vida sóbria e de gastá-la alegremente ao serviço de Deus.

S. João é um modelo para o nosso tempo. Por isso continua a ser um santo muito popular. Vale a pena realçar para o mundo o exemplo da sua vida.

 

 

Oração Universal

 

(Ver Missa do dia)

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Em redor do teu altar, M. Carneiro, NRMS 42

 

Oração sobre as oblatas: Olhai com bondade, Senhor, para as ofertas que o vosso povo Vos apresenta na solenidade de São João Baptista e fazei que a nossa vida dê testemunho dos santos mistérios que celebramos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio próprio, como na Missa seguinte: p. 873

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Jesus é o Cordeiro de Deus que se ofereceu por nós em sacrifício e que, agora, nos dá a Sua carne como comida para a nossa alma.

 

Cântico da Comunhão: Bendito seja Deus que nos escolheu, Az. Oliveira, NRMS 63

Lc 1, 16

Antífona da comunhão: Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, que visitou e redimiu o seu povo.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes neste banquete sagrado, fazei que a poderosa intercessão de São João Baptista, que anunciou o Cordeiro que vinha tirar o pecado do mundo, nos alcance do vosso Filho o perdão e a paz. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Saibamos apresentar Jesus aos outros com valentia, como João Baptista.

 

Cântico final: Exultai de alegria no Senhor, F. da Silva, NRMS 87

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          Celestino Correia Ferreira

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                 Duarte Nuno Rocha

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial