Acontecimentos Eclesiais

DO MUNDO



ÁUSTRIA


FALECEU OCARDEAL KÖNIG


No dia 12 de Março passado faleceu em Viena, aos 98 anos de idade, o Cardeal Franz König, que tinha sido arcebispo da capital austríaca entre 1956 e 1985.


Desde o liceu, Franz König cultivou o interesse pelas línguas, que continuaria durante os seus estudos em Roma, onde se formou em Teologia e Filosofia das Religiões. Dedicado ao ministério sacerdotal na sua pátria, veio a ser professor na Universidade de Salzburgo, onde teve possibilidade de aprofundar a história comparada das religiões e conseguiu completar a obra que o tornaria famoso: «Cristo e as grandes religiões do mundo».

No seu telegrama de condolências, João Paulo II recordou o empenho particular de König pela paz e pela reconciliação no seu país, bem como o seu apoio aos cristãos do Leste da Europa.

O Cardeal König trabalhou também pela renovação augurada pelo Concílio Vaticano II. Nos anos posteriores, ao aparecerem interpretações heterodoxas do espírito conciliar, evitou classificações radicais que teriam podido criar cisões graves na Igreja na Áustria.

Consciente do papel que os leigos têm na Igreja, König pediu em 1957 ao Fundador do Opus Dei que começasse a actividade da Obra na Áustria. Nas vésperas da canonização de S. Josemaría Escrivá, em 2002, declarou: «Escrivá pertence já ao tesouro da Igreja».



ESTADOS UNIDOS


PUBLICADO RELATÓRIO

SOBRE ABUSOS SEXUAIS


Foi tornado público em Fevereiro passado o relatório de uma Comissão especial encarregada pela Conferência Episcopal de investigar os abusos de menores cometidos por sacerdotes.


A investigação fora confiada a um Conselho de leigos criado para o efeito, a Comissão Nacional de Estudo para a Protecção de Crianças e Jovens. O relatório consta de dois documentos: um estudo estatístico dos casos de abusos sexuais, realizado por uma entidade independente; e uma análise seguida de recomendações, elaborada pela Comissão.

Além de recomendar sanções para os bispos e superiores religiosos que foram negligentes em afastar os clérigos que cometiam tais abusos, chama a atenção para a gravidade de não apartar do seminário rapazes com tendência homossexual.

George Weigel, conhecido biógrafo americano de João Paulo II, em entrevista à Agência Zenit, considera que o relatório é um serviço à Igreja por várias razões.

Em primeiro lugar, situa-se em contexto de genuína sensibilidade católica e eclesial: os bispos dirigem a Igreja por vontade de Cristo; o sacerdote é muito mais do que um funcionário eclesiástico; o celibato é um grande dom para a Igreja; a doutrina católica não é um problema, mas pode ser o seu ensino e a sua prática.

Depois, foca as duas dimensões importantes do problema: a má conduta sexual e o inadequado governo episcopal, ambas reflexo de uma crise profunda de fidelidade e de espiritualidade.

Em terceiro lugar, faz um chamamento a uma direcção mais enérgica por parte dos bispos, com correcção fraterna dentro do corpo episcopal.

Quarto: reconhece o predomínio da conduta homossexual nos abusos de clérigos aos menores nos últimos 50 anos.

Quinto: descreve o fracasso dos seminários dos anos 60 e 70, por falhas na formação espiritual e ascética.

Sexto: critica as muitas ocasiões em que categorias psiquiátricas e psicológicas desacreditaram possíveis processos canónicos.

Sétimo: sugere delicadamente que a «tolerância zero» não parece o mais indicado para uma justiça genuína.

Finalmente, mostra que os leigos podem assumir tarefas de grande complexidade e delicadeza no âmbito da Igreja.



ITÁLIA


RABINO CHEFE DE ROMA

CONVERTIDO AO CATOLICISMO


A figura de Israel Zolli, rabino chefe de Roma de 1939 a 1945, continua a despertar interesse, depois de várias décadas de silêncio e incompreensão, causados sobretudo pela sua conversão ao catolicismo.


A editorial italiana Edizioni San Paolo acaba de publicar a sua autobiografia, Prima del’alba, obra que apareceu pela primeira vez nos Estados Unidos em 1954, mas nunca fora publicada na Itália.

Da leitura do livro, escrito quando Zolli tinha 66 anos, comprova-se que a sua conversão foi um caminho amadurecido durante anos, através da leitura da Sagrada Escritura e no qual não faltaram experiências místicas. Baptizou-se em 13 de Fevereiro de 1945 e tomou o nome de Eugénio, o mesmo de Pio XII. No entanto, Zolli nega expressamente que se tenha convertido em agradecimento ao Papa pela sua defesa dos judeus durante a Segunda Guerra Mundial, precisando que «essa resposta não deve entender-se como falta de reconhecimento».

De facto, Zolli dedica numerosas páginas a glosar o trabalho que a Igreja e Pio XII realizaram para proteger os perseguidos. O seu testemunho oferece luzes sobre este capítulo da história, pois está publicado num momento em que não tinha necessidade de defender o Papa, pois ainda não se tinha começado a falar dos «silêncios» de Pio XII.



FRANÇA


PROCESSO DE BEATIFICAÇÃO DE

ROBERT SCHUMAN


Foi encerrado pelo Bispo de Metz o processo diocesano para a beatificação de Robert Schuman, considerado um dos pais da Europa.


Robert Schuman nasceu no Luxemburgo em 1886. Como ministro dos Negócios Estrangeiros da França, foi autor da declaração de 9 de Maio de 1950 que propunha a formação de uma Europa como comunidade de povos; para isso, lançou a ideia de colocar a produção do carvão e do aço sob uma alta autoridade comum, numa organização aberta à participação de outros países da Europa. O projecto foi materializado em 1951, quando nasceu a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), integrada pela França, Alemanha, Itália, Holanda, Bélgica e Luxemburgo. Entre 1958 e 1960 foi o primeiro presidente do Parlamento Europeu.

Venceu a batalha pela reconciliação franco-alemã, tendo ficado célebres algumas das suas palavras. «Uma vez vencido o nacionalismo, será necessário imaginar novas formas para unir a Europa, porque, no passado, alguns tentaram fazê-lo pela força; sem uma reconciliação sincera entre franceses e alemães, não se pode pensar numa Europa pacífica». Em 1960 escreveu que «a Europa unida prefigura a solidariedade universal no futuro».

Paulo VI definiu-o como «um infatigável pioneiro da unidade europeia». João Paulo II já manifestou o seu interesse pessoal pela beatificação do político francês, cuja figura lhe é particularmente querida pela convicção do Papa de que a nova Europa não se pode construir em detrimento ou em oposição aos valores cristãos.



ÍNDIA


PERSPECTIVA DE

LIBERDADE RELIGIOSA


A derrota eleitoral do Bharatiya Janata Party, partido hinduista radical que até agora governava a Índia, tranquilizou os cristãos e começou a produzir mudanças positivas na liberdade religiosa.


No Estado de Tamil Nadu, ao Sul, o governo anunciou que vai revogar-se a «lei das conversões forçadas», que desde Outubro de 2002 submetia a mudança de religião ao controle das autoridades e estabelecia sanções severas, incluindo a prisão, para quem levasse outros a abraçar uma fé diferente empregando a força ou o dinheiro. Os radicais hindus não entendem que a mudança de credo possa ser devida a uma livre decisão em consciência, mas vêem sempre como uma manobra coactiva.

O episcopado católico viu naquela medida um sinal positivo de liberdade religiosa. «Agora esperamos e pedimos com vigor – disse o porta-voz – que se revogue também em outros quatro Estados federais».



ESPANHA


ARQUIDIOCESE DE BARCELONA,

SEDE DE NOVA PROVÍNCIA ECLESIÁSTICA


O Santo Padre erigiu duas novas dioceses com território desmembrado da arquidiocese de Barcelona, elevando esta a sede de nova província eclesiástica, e nomeou como arcebispo Mons. Lluís Martínez Sistach, até agora arcebispo metropolitano de Tarragona.


Mons. Martínez Sistach, de 67 anos, sucede ao Cardeal Ricardo Maria Carles, cuja renúncia foi aceite por motivos de idade. Insigne canonista, é membro do Conselho Pontifício para a Interpretação dos Textos Legislativos. Em Abril deste ano participou nas Jornadas de Direito Canónico de Fátima, sobre «As Associações de Fiéis na Igreja». Natural de Barcelona, recebeu a ordenação episcopal em 1987, ao ser nomeado Bispo auxiliar de Barcelona, sendo transferido para a diocese de Tortosa em 1991 e, em 1997, para a arquidiocese metropolitana de Tarragona.

Para arcebispo de Tarragona o Santo Padre nomeou o Padre Jaume Pujol, de 60 anos, da Prelatura do Opus Dei. Também catalão, era actualmente Professor de Teologia e Director do Departamento de Pastoral e Catequese da Universidade de Navarra.


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