aCONTECIMENTOS eclesiais

DO PAÍS

 

 

GUARDA

 

ARQUIVO HISTÓRICO COM

MILHARES DE DOCUMENTOS

 

O trabalho de separação, limpeza e inventariação dos documentos que fazem parte do Arquivo Histórico da Diocese da Guarda está a ser feito desde Julho do ano passado, por uma equipa constituída por um técnico superior e dois auxiliares.

 

De acordo com o relatório da técnica de arquivo Maria do Rosário, que lidera o grupo de trabalho, a diversidade de documentação existente levou à identificação de 5 séries documentais: Ordenações Sacerdotais, Testamentos, Casamentos, Colação de Igrejas e Judicial.

O trabalho foi iniciado pela série Ordenações Sacerdotais que «neste momento se encontra praticamente concluída», com 4.949 processos, dos quais 1.372 são processos completos e estão distribuídos por 2.345 caixas. «Nesta altura podemos afirmar que temos 95%, mais ou menos, desta série documental concluída», refere a responsável. Adiantou que esta série inclui os processos de ordenação sacerdotal «cujos ordinandos não eram naturais da Diocese da Guarda tal qual esta nos aparece hoje delimitada, muito embora já tivessem feito parte desta mesma Diocese, ou mesmo a sua árvore genealógica tenha raízes aqui».

A série Testamentos «também se encontra praticamente concluída quanto à inventariação», sendo composta, neste momento, por 2.913 processos, distribuídos por 267 caixas. Entretanto, já foi iniciada a inventariação da série Casamentos que já conta com 13.230 processos, distribuídos por 859 caixas, refere o relatório, que também dá conta que ainda não foi feito o trabalho de inventariação dos processos das séries Colação de Igrejas e Judicial, tendo apenas sido alvo de limpeza.

Maria do Rosário escreve no seu relatório que «depois de ano e meio de trabalho podemos já afirmar que possuímos um Arquivo com um número razoável de documentação descrita, inventariada, informatizada e organizada, de forma a possibilitar o seu manuseamento ou possível consulta, como sejam a série Ordenações Sacerdotais e a série Testamentos».

O trabalho que está a ser executado envolve várias fases. Na fase inicial, os documentos são recolhidos do local onde se encontram, seguindo-se uma passagem pela sala de desinfestação, onde são espalhados pelo chão e vaporizados com veneno utilizado para matar as moscas. Uma semana depois, segue-se a fase de limpeza dos manuscritos, assegurada pelos dois técnicos auxiliares. Depois disso vem a separação dos processos e a inventariação. A última etapa está relacionada com a colocação das respectivas caixas no depósito.

Segundo a Cúria Diocesana, o arquivo histórico que está em fase de organização, compreende «um extenso conjunto de manuscritos pertencentes à antiga Câmara Eclesiástica, abrangendo também o extinto bispado de Pinhel. Consiste em processos de ordenação sacerdotal, dispensas matrimoniais, testamentos e colação de igrejas, assim como muitos outros documentos, do séc. XVI até à actualidade».

A mesma fonte recordou que os documentos «muitos deles em frágil estado de conservação», começaram por ser «pacientemente tratados e organizados por uma pequena equipa ad hoc» mas o processo ganhou novo impulso com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.

«É intenção da Diocese que o Arquivo seja de acesso público, de acordo com as recomendações da Conferência Episcopal Portuguesa acerca da protecção e divulgação do património cultural da Igreja».

 

 

ALMADA

 

COMEMORAÇÃO DOS 50 ANOS

DO MONUMENTO A CRISTO REI

 

Com data de 16 de Janeiro passado, a Conferência Episcopal Portuguesa publicou uma Nota Pastoral por ocasião dos 50 anos do Monumento a Cristo Rei, de que seleccionamos alguns parágrafos.

 

«Ocorre a 17 de Maio de 2009 o cinquentenário da inauguração do Santuário a Cristo Rei, em Almada, na diocese de Setúbal. Os Bispos de Portugal consideram oportuno lembrar o contexto deste empreendimento, focar os eixos da espiritualidade que o ergueram e aprofundar a mensagem deste Santuário para as comunidades cristãs. »

«1. As razões motivadoras para levar por diante a construção do Santuário de Cristo Rei estão bem evidentes nas Cartas Pastorais colectivas do Episcopado Português de 1937, 1946 e 1959. De facto, perante a cruenta guerra civil na vizinha Espanha e o crescimento do desprezo por Deus, o monumento era acto de desagravo, mas sobretudo expressava gratidão a Cristo por Portugal gozar de paz e incentivava a exigência de um ressurgimento nacional inspirado, na linha da tradição, em Jesus Cristo, único Senhor». (…).

«Só após o fim da guerra, em Maio de 1945, se anunciou, na Pastoral colectiva de 18 de Janeiro de 1946, a decisão de cumprir o voto de levantar o Monumento a Cristo Redentor. As obras terminariam apenas em 1959, graças à generosidade e empenho dos católicos.»

«2. As correntes de espiritualidade animadoras do projecto mostraram vigor interior e eficácia na mobilização. A centralidade da vida espiritual em Cristo, sempre associando o Coração de Maria, dentro da fiel tradição católica, estava presente nos referidos movimentos mais dinâmicos da época em que nos situamos.»

«O pontificado do Papa Pio XI (1922-1939), que tinha assumido como máxima «Pax Christi in Regno Christi» (A Paz de Cristo no Reino de Cristo), deu impulso novo a um catolicismo militante no seio da sociedade. A Festa de Cristo Rei, instituída em 1925, insere-se neste espírito da «realeza social de Cristo». Visava instaurar e dilatar o reinado de Cristo pela recristianização da sociedade, passo e condição fundamental para a salvaguarda da paz. A mentalidade da época era particularmente sensível a uma verdade universal: se a sociedade obedecesse à lei de Cristo, em vez de esquecer Deus, haveria uma ordem social que respeitaria a liberdade, a acção e a organização da Igreja; dar-se-ia primado ao espiritual, o que conduziria a um humanismo integral».

O II Concílio do Vaticano ofereceu uma renovada visão da Igreja, que revalorizou a dimensão missionária e o papel militante dos leigos na construção do mundo, na fidelidade à novidade inaugurada em Cristo. «A santidade, o modo único como cada um responde à nova vida em Cristo, é a chave do ardor renovado da nova evangelização. Só assim se suscitará a adesão pessoal a Jesus Cristo e à Igreja de tantos homens e mulheres baptizados que vivem sem energia o cristianismo».

«6. A Conferência Episcopal Portuguesa renova, nesta hora, a vontade de conduzir os cristãos à contemplação do mistério do Redentor, Jesus Cristo, vendo no Coração humano do Verbo encarnado a fonte inesgotável, capaz de saciar todas as sedes. O Monumento, amplamente visível, que nos apresenta Cristo de coração e braços abertos, é um sinal eloquente da verdadeira imagem de Deus: humano e acolhedor, manso e humilde, um Deus que ama infinitamente a cada pessoa e a toda a humanidade. Recordar ou ver o Monumento a Cristo Rei deverá avivar a feliz notícia de que «Deus é amor» (1 Jo 4, 8.16). É este mesmo Amor que nos impele a, unidos a Cristo, lutar sempre para libertar a sociedade do nosso tempo da escravidão e da injustiça, ser defensores da vida em todas as circunstâncias, ser capazes do perdão, estar atentos à salvaguarda da criação, ser construtores da paz e arautos da esperança».

 

 

LISBOA

 

FALECEU

D. ANTÓNIO RODRIGUES

 

O Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, enalteceu as qualidades de D. António Reis Rodrigues, falecido no passado dia 3 de Fevereiro, aos 90 anos de idade.

 

Na homilia da Missa exequial a que presidiu, na Sé Patriarcal, D. José Policarpo falou da missão do falecido Bispo Auxiliar emérito, considerando que a morte é «o último acto neste mundo da missão apostólica do Senhor D. António».

«Acolhamos a sua mensagem, agradeçamos a Deus todas as forças que lhe deu. Resumamos num acto de louvor todos os silêncios, o apagamento humano, porventura as incompreensões».

O funeral seguiu de Lisboa para Ourém, onde D. António dos Reis Rodrigues nasceu em 24 de Junho de 1918.

Enquanto estudante da Faculdade de Direito de Lisboa, onde se formou em 1941, foi presidente geral da Juventude Escolar Católica (JEC), dirigente das Conferências de São Vicente de Paulo, fundador e director da «Flama», jornal de estudantes.

Em 1942, entrou para o Seminário dos Olivais, sendo ordenado sacerdote em 1947 e nomeado cónego da Sé Patriarcal em 1955.

Durante 18 anos (1947-1965) foi assistente nacional e diocesano da Juventude Universitária Católica (JUC) e durante 16 anos (1947-1963) capelão da Academia Militar.

No Instituto de Serviço Social foi professor de Doutrina Social da Igreja e durante alguns anos responsável pelo programa religioso da Radiotelevisão Portuguesa, programa de que resultou o volume «O Tempo e a Graça», publicado em 1967.

Em Julho de 1966, foi nomeado Vigário-Geral Castrense, pouco depois Director Nacional da Obra Católica Portuguesa das Migrações e, em Outubro do mesmo ano, eleito Bispo titular de Madarsuma, tendo recebido a ordenação episcopal em 8 de Janeiro de 1967, na Igreja dos Jerónimos, em Lisboa. Desempenhou as funções de Pró-Vigário Castrense e Capelão-Mor das Forças Armadas entre 1967 e 1975, ano em que deixou esta Capelania-Mor e foi nomeado bispo-auxiliar do Patriarcado de Lisboa.

Na Conferência Episcopal Portuguesa, exerceu, de 1967 a 1981, o cargo de Presidente da Comissão Episcopal das Migrações e Turismo; de 1975 a 1981, o de Secretário da Conferência; e, de 1981 a 1984, o de Vice-Presidente. Fez parte, por vários mandatos, do Conselho Permanente da Conferência. No quinquénio de 1972-1977, foi, por designação pontifícia, membro da Comissão Pontifícia das Migrações e Turismo.

No Patriarcado de Lisboa foi Vigário Judicial do Tribunal Eclesiástico (de 1990 a 1995) e Vigário Geral, funções que exerceu desde 1983 até à data da sua jubilação em 5 de Setembro de 1998.

Foi membro da Academia Internacional de Cultura Portuguesa e da Sociedade Cientifica da Universidade Católica Portuguesa. É autor de diversos livros, nomeadamente o estudo «Pessoa, Sociedade e Estado»; «Nuno Álvares, Condestável e Santo»; «Vidas Autênticas»; «O homem e a ordem social e política»; «Sobre o uso da Riqueza» e «A palavra de Deus saída do Silêncio».

 

 

VISEU

 

SÃO PAULO NAS

JORNADAS TEOLÓGICAS

 

Nos passados dias 9 e 10 de Março decorreram no Auditório do Seminário Maior de Viseu as Jornadas Teológicas do Instituto Superior de Teologia, em Viseu, subordinadas ao tema «Paulo: o Místico e o Apóstolo».

 

Estas Jornadas iniciaram-se com um pequeno discurso de abertura feito pelo Director do Instituto Superior de Teologia, Pe. Mário Dias. De seguida, tomou a palavra D. Anacleto Oliveira, Bispo Auxiliar de Lisboa, que trabalhou o seguinte tema: «Paulo, o Místico».

Na sua explanação, D. Anacleto centrou-se na importância que as experiências de encontro com Cristo tiveram na vida e no serviço apostólico de Paulo.

Da parte de tarde, o grupo fez uma visita guiada à exposição «São Paulo… as formas da Fé», patente no Seminário Maior de Viseu, a cargo de Fátima Eusébio. Este primeiro dia de trabalhos terminou com o visionamento do filme Saulo de Tarso.

O dia 10 iniciou-se com a conferência do D. António Couto, Bispo Auxiliar de Braga, com o tema «Paulo, o Apóstolo.» No desenvolvimento deste tema, o orador falou acerca das viagens de S. Paulo, salientando que a viagem mais importante foi a sua viagem interior; fez uma interpretação daquilo que é a metodologia pastoral de S. Paulo, uma pastoral de proximidade.

Após a pausa para almoço, realizou-se um debate que teve como orientador o Pe. Geraldo Morujão. Introduziu o debate com algumas imagens e questões histórico-geográficas e desenvolveu o tema com o título «Mistério Pascal: a Passagem da Morte à Vida nos Escritos Paulinos».

Por fim, após o visionamento do filme «Paulo, o Missionário», deram-se por encerradas mais umas Jornadas Teológicas do Instituto Superior de Teologia.

Usufruíram destas Jornadas os alunos seminaristas dos Seminários Maiores de Bragança, Guarda, Lamego e Viseu, assim como os seus formadores e alguns dos seus docentes. Estiveram também presentes alguns sacerdotes destas dioceses e leigos empenhados na pastoral da Igreja.

 

 

COIMBRA

 

HOMENAGEM AO

PADRE AMÉRICO

 

«O Padre Américo teve um sonho e trabalhava para que todos pudessem participar no seu sonho»: os mais carenciados, fossem eles crianças, idosas ou famílias inteiras necessitadas. As palavras são do Padre Carlos Galamba, companheiro do Padre Américo e continuador da sua Obra após a sua morte. O Padre Américo, fundador da Obra da Rua, que comemora 77 anos de existência, e que ainda acolhe centenas de crianças, foi alvo de uma simples e bela homenagem que decorreu no dia 7 de Março à tarde na igreja de São Tiago, em Coimbra. Centenas de pessoas participaram neste evento, desde antigos e actuais gaiatos, seminaristas e muitos apaixonados pela Obra do sacerdote, nascido em Penafiel e ordenado sacerdote em Coimbra.

 

«Coimbra é testemunha da sua personalidade» – uma vez que foi aqui que viveu a sua vida depois de ser ordenado sacerdote, em Julho de 1929 – e também do nascimento deste sonho que, como explicou o Padre Carlos Galamba, «nasceu de forma caótica».

«Pouca gente entendeu a sua obra. O grande especialista, o que a entendeu desde o princípio, foi o povo», afirmou o antigo colaborador de padre Américo e aquele que foi, a seguir à sua morte, o responsável por todos os seus projectos. Num discurso carregado de emoções, Carlos Galamba garante que o seu «mestre» forçou «todas as leis normais e humanas para realizar a Obra da Rua», limitando-se apenas, como explicou, a aplicar aquilo que «alguém, todos os dias, Lhe ditava para fazer».

«Na altura não havia telemóveis, mas o Padre Américo entendia-se muito bem com Deus», ironizou, garantindo que a maior herança deixada por ele é «esta prova, quase científica, de que se pode viver o Evangelho, à letra». Nem sempre foi compreendido, às vezes era incómodo e escrevia coisas incómodas, como fez questão de recordar nalguns escritos publicados no «Correio de Coimbra» numa secção chamada «Sopa dos Pobres». Mas, apesar de se viver numa época de ditadura, o Padre Carlos Galamba garantiu que «nunca o lápis azul da censura gastou uma milésima a cortar uma vírgula que fosse» dos seus escritos.

«Via no seu próprio rosto o rosto dos outros nas suas necessidades e carências», explicou Ernesto Candeias Martins, professor na Escola Superior de Educação de Castelo Branco e investigador da obra de padre Américo. Num discurso emocionado de quem, como assumiu, já olha para o «objecto» de estudo «mais com o coração do que com a razão», o especialista destacou alguns dos traços mais marcantes da personalidade do Padre Américo.

«Era uma pessoa peculiar, diferente do contexto em que estava inserido, … irreverente, um revolucionário pacífico, porque fazia revoluções dentro dos corações das pessoas», enumerou, recordando que a vida do Padre Américo foi sempre dedicada à Obra da Rua, que fundou há 77 anos e que ainda hoje, mais de 50 anos depois da sua morte, se mantém viva, quer com as Casas do Gaiato, quer com o Património dos Pobres, quer ainda com o Calvário.

Ernesto Candeias considera ainda «o Padre Américo Doutor no Evangelho meditado e praticado». «No Evangelho é onde ele encontrava todas as razões das suas tarefas. Estar presente no Evangelho é estar presente no amor», referiu mais tarde D. José Alves, bispo de Évora na apresentação da obra. D. José Sanches recorda-se do Padre Américo com0 um pacificador e um bom ouvinte.

D. Albino Cleto que presidiu à cerimónia de homenagem do Padre Américo, referiu que «há muito se pensava homenagear o Padre Américo, em Coimbra». «Já posso dormir descansado», afirmou o prelado no encerramento da sessão solene. Para o Bispo de Coimbra, «este homem faz parte das grandes figuras da galeria de Coimbra». Segundo o prelado, «é uma honra ser bispo de uma cidade onde há tantos santos como a Rainha Santa Isabel, Santo António, Carolina de Sousa Gomes (fundadora das Criaditas dos Pobres, que tem o seu processo de beatificação aberto), o Padre Lopes de Melo e o Padre Américo».

O Bispo de Coimbra está consciente que a Casa do Gaiato tem de responder aos novos desafios. Para D. Albino Cleto urge «respostas novas para problemas novos». «A Casa do Gaiato não recebe hoje crianças apenas com fome, mas sim com problemas muito sérios», alertou o prelado.

Na cerimónia, que contou com a presença do Coro da Igreja de Santa Cruz, dirigido por Fernando Taveira, participou ainda Manuela Lopes Cardoso, outra estudiosa da vida e obra de padre Américo, que sublinhou especialmente a importância das Casas do Gaiato na sociedade e na vida das crianças que ali encontram uma «família de substituição».

Depois da sessão foi ainda inaugurada uma exposição evocativa, que estará patente até dia 22 de Março na Galeria Almedina e foi lançado o livro «Amor, meditação e Acção – A Pedagogia do Padre Américo Monteiro de Aguiar», de Ernesto Candeias Martins, apresentado por D. José Sanches Alves.

 

 

LISBOA

 

PATRIARCA DENUNCIA

VIOLAÇÕES À VIDA HUMANA

 

O Cardeal-Patriarca lamentou que hoje se viva num «ambiente cultural» que «permite agressões destruidoras nessa biodiversidade e legaliza destruições da vida humana, tanto no seu início no seio materno, como na fase terminal da existência terrena».

 

«Proclamam-se, solenemente, os direitos do homem e a sua dignidade, mas pactua-se, tolera-se ou promove-se mesmo a violação contínua desses direitos», disse no passado Domingo dia 22 de Março, na Sé Patriarcal, durante a quarta catequese quaresmal, dedicada ao tema «A Palavra e a Vida».

Segundo D. José Policarpo, na sociedade actual «não se é capaz de integrar harmonicamente na compreensão da vida, a sua grandeza e a sua precariedade e o sofrimento aparece incompatível com uma certa compreensão da felicidade».

O Cardeal contrapôs a este estado de coisas as convicções profundas dos cristãos, para quem tudo parte «da Palavra de Deus, que nos revela e nos comunica a vida, que nos convida a enquadrar a nossa existência presente no horizonte alargado da sua plenitude e da sua verdade definitiva. Só assim poderemos influenciar uma cultura da vida comum a toda a sociedade».

«Devemos partilhar a vida, porque na sua fonte divina ela é dom e partilha. Para nós cristãos, viver na fidelidade é sermos fiéis a Jesus Cristo», acrescentou.

Para D. José Policarpo, «se Deus é a fonte da vida, nós aspiramos à plenitude e à eternidade. Participamos na vida divina, que se tornou próxima da nossa realidade em Jesus Cristo e vivemos ao ritmo da vida em Deus».

«A vida humana deixa de ser um fenómeno, analisado pela ciência, circunscrito no tempo, reduzido às nossas capacidades de viver. A nossa vida é a mesma de Deus, dom contínuo do Espírito de Cristo ressuscitado. É em Deus que a nossa vida adquire a dimensão da eternidade», apontou.

 

 

LISBOA

 

A IGREJA

E OS DOENTES DE SIDA

 

O Pe. Feytor Pinto, Coordenador Nacional da Pastoral da Saúde, afirma que a Igreja está na vanguarda do tratamento dos doentes com SIDA. 27% das instituições no mundo que cuidam de doentes de Sida são da Igreja. «Os governos têm 8%, as ONG detêm 18%, a ONU tem 44%».

 

A polémica em torno das palavras de Bento XVI sobre o uso preservativo, diz o Pe. Feytor Pinto, «é própria da sociedade em que vivemos, onde o homem radical não tem valores, nem princípios, nem história, ideologias ou religiões». O Coordenador Nacional da Pastoral da Saúde afirma que a sociedade actual «esgota-se no momentâneo e no que pode fazer sucesso, mergulha-se em problemas de facilidade».

«O Papa não focou este problema simplesmente porque é contra o preservativo. O Papa focou um problema de comportamento». O Pe. Feytor Pinto afirma que a Igreja pede comportamentos «nobres, humanos, assumidos com sentido de responsabilidade». Por isso, explica, a solução não está numa barreira, «mas numa alteração de comportamentos». E essa «é a grande mensagem do Papa».

O Pe. Feytor Pinto relembra ainda que a Santa Sé criou a Fundação do Bom Samaritano que mantém uma relação com 200 bancos de todo o mundo, «recolhe bens e está a cuidar de pessoas doentes, sobretudo em África». Quando há muitos doentes «basta que um bispo fundamente o pedido ao Conselho Pontifício que recebe a ajuda necessária».

O Pe. Feytor Pinto afirma que a Igreja não fala na abstinência, «mas na castidade e numa orientação correcta da vida sexual. Quando as pessoas têm uma vida sexual correctamente assumida, não é usar o preservativo que é errado, mas sim ter comportamentos errados num sexo anárquico» e uma das formas de «atacar valores é ridicularizar os profetas».

 

 

FÁTIMA

 

RENOVAÇÃO DA CONSAGRAÇÃO

AO CORAÇÃO DE MARIA

 

A emoção e a alegria estavam estampadas nos rostos dos peregrinos que na manhã do dia 25 de Março, Solenidade da Anunciação do Senhor, participaram na renovação da consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria, precisamente 25 anos após a deslocação da Imagem de Nossa Senhora do Rosário de Fátima ao Vaticano, a pedido do Papa João Paulo II, para o Acto de Entrega a Nossa Senhora, em união com os bispos do mundo.

 

A renovação do Acto de Consagração teve lugar na Capelinha das Aparições, após a celebração da Eucaristia, na Igreja da Santíssima Trindade.

D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima, que presidiu, acompanhado de D. Serafim Ferreira e Silva, Bispo Emérito de Leiria-Fátima, e de 20 sacerdotes, voltou-se para a imagem de Nossa Senhora e, usando as mesmas palavras que João Paulo II usara em 1984, consagrou a humanidade à Virgem Mãe.

A uma só voz, os peregrinos e sacerdotes presentes na Capelinha juntaram-se ao Bispo de Leiria-Fátima e todos, também de joelhos, rezaram a Nossa Senhora, seguindo o texto que tinha sido distribuído ao início da manhã em uma pequena pagela evocativa da efeméride.

«Que se revele, uma vez mais, na história do mundo a infinita potência salvífica da Redenção: a força infinita do Amor misericordioso! Que ele detenha o mal! Que ele transforme as consciências! Que se manifeste para todos, no Vosso Coração Imaculado, a luz da Esperança!», foram as palavras finais da consagração, exactamente as mesmas que foram proferidas na Praça de S. Pedro, a 25 de Março de 1984.

Após este comovente e solene momento, ressoou no Recinto do Santuário o cântico «Totus tuus, Maria», o lema de João Paulo II: «Todo Teu, Maria».

«É com todo o gosto, diria mesmo, é com todo o gozo que hoje Nossa Senhora me concede poder renovar a consagração do mundo ao Seu Imaculado Coração com as mesmas palavras do amado Papa João Paulo II», afirmara D. António Marto momentos antes, durante a Eucaristia, ocasião em que sublinhou a importância do gesto que se seguiria.

«A razão porque queremos renovar a consagração é em atitude de acção de graças porque a partir dessa consagração (de 1984) começaram a cair os muros e as resistências ao anúncio da fé cristã», disse.

Na mesma homilia, disse também que a consagração «não é só levarmos as preocupações do mundo para o Coração da Mãe, mas é nós colocarmo-nos, nós mesmos, também nesse coração, para nos implicarmos e para recebermos d’Ela as suas palavras «Por fim o Meu Imaculado Coração triunfará»».

 

 

GUARDA

 

BIOGRAFIA DO

CARDEAL SARAIVA MARTINS

 

«Quando a Igreja Sorri» é o titulo da Biografia do Cardeal José Saraiva Martins, escrita pelo jornalista italiano, Andrea Tornielli. O livro vai ser apresentado na Guarda, no dia 27 de Março, por Monsenhor Vitor Feytor Pinto, estando também presente o Cardeal Saraiva Martins.

 

Ao longo de 264 páginas, o autor dá a conhecer de perto o homem que representou Portugal, durante mais de meio século, no Vaticano, tendo convivido de perto quer com o Papa João Paulo II, quer com o pontífice Bento XVI.

Religioso claretiano, teólogo e professor, José Saraiva Martins é um dos mais influentes cardeais portugueses. Vivendo em Roma desde os anos 50, ali completou os seus estudos e tornou-se um dos mais próximos colaboradores do falecido Papa João Paulo II. Prefeito emérito da Congregação para as Causas dos Santos, a sua intervenção foi considerada fundamental para a beatificação dos Pastorinhos de Fátima.

Natural de Gagos de Jarmelo, na Guarda, onde nasceu no ano de 1932, o jovem José Saraiva Martins começou por frequentar o Seminário das Termas de São Vicente, partindo, em 1954, para Roma. É ordenado sacerdote três anos depois, chegando a reitor da Pontifícia Universidade Urbaniana. Doutorado pela Universidade de S. Tomás de Aquino, é nomeado, em 1988, Perfeito da Congregação para as Causas dos Santos.

 


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