aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

NOVO PATRIARCA ORTODOXO

DE MOSCOVO

 

Bento XVI enviou uma mensagem de felicitações ao novo Patriarca Ortodoxo de Moscovo, Kirill I, por ocasião da cerimónia de entronização realizada no passado domingo 1 de Fevereiro, na capital russa.

 

«Saúdo vossa Santidade com alegria, no momento em que assume a grande responsabilidade de pastorear a venerável Igreja Ortodoxa Russa», escreve o Papa, lembrando «a boa vontade que caracterizou os nossos encontros no tempo do vosso serviço como presidente do departamento para as relações externas do Patriarcado».

A missiva reafirma a «proximidade espiritual» de Bento XVI e pede «dons abundantes do Espírito Santo» para o ministério do novo Patriarca.

O Papa recorda o falecido Alexis II, predecessor de Kirill I, e espera que o actual Patriarca possa continuar a desempenhar um «notável papel na construção de uma nova relação entre as nossas Igrejas, uma relação baseada na amizade, na aceitação mútua e no diálogo sincero face às dificuldades da nossa jornada comum».

O até agora metropolita de Smolensk e Kaliningrado foi entronizado como o 16.º patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, durante uma cerimónia celebrada na Catedral de Cristo Salvador, de Moscovo.

«Axios, Axios, Axios!» (Digno, Digno, Digno!), gritaram os metropolitas e bispos ortodoxos russos, enquanto os dois mais velhos arcebispos da Igreja Ortodoxa seguravam Kiril pelos braços e o sentavam num trono instalado no altar do templo.

Participaram na celebração o presidente russo, Dmitri Medvedev, o primeiro-ministro, Vladimir Putin, vários líderes estrangeiros e uma delegação da Santa Sé.

 

A resposta do Patriarca ortodoxo

 

Posteriormente, numa mensagem transmitida a Bento XVI, o novo Patriarca de Moscovo Kirill I, agradeceu as felicitações enviadas pelo Papa por ocasião da eleição, esperando um desenvolvimento frutífero das relações entre a Igreja Católica e a Ortodoxa Russa.

Cirilo I explica que «entre os muitos deveres que se apresentam ao primaz da Igreja Ortodoxa Russa, uma das prioridades é a necessidade fundamental de testemunhar e afirmar os valores do Evangelho de Cristo na sociedade contemporânea».

Cirilo I afirma-se convencido de que para isso devem contribuir o diálogo e a colaboração de todos aqueles que se chamam cristãos, e por isso assegura ao Papa que a Igreja Ortodoxa Russa «vai continuar imutavelmente aberta à cooperação com todos os que se declaram seguidores de Jesus Cristo e mantêm a visão tradicional dos conteúdos da mensagem que os cristãos devem levar ao mundo contemporâneo».

«Entre os colaboradores neste campo, a Igreja Católica de Roma ocupa um lugar particular», sublinha o Patriarca.

«Espero sinceramente um frutífero desenvolvimento das relações entre as nossas Igrejas», conclui a mensagem com a que Cirilo deseja a Bento XVI «paz, saúde e ajuda de Deus na sua tarefa», e o saúda «com afecto no Senhor».

Cirilo I (Vladimir Gundiaiev), foi eleito Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa a 27 de Janeiro passado e tomou posse a 1 de Fevereiro, substituindo Alexis II, falecido em 5 de Dezembro de 2008.

 

 

LIVRO COM CARTAS

DE JOÃO PAULO II

 

Uma sobrevivente polaca de um campo de concentração publicou no passado dia 17 de Fevereiro um livro que recolhe o relacionamento da sua família com João Paulo II, incluindo cartas do falecido pontífice.

 

Karol Woytila conheceu Wanda Poltawska em Cracóvia na década de 50, tendo ficado muito amigo dela e do marido, chamando-a «irmã».

Durante a Guerra, Wanda ficara prisioneira no campo de concentração de Ravensbruck, na Alemanha, tendo sido submetida a experiências médicas, pelos nazis.

Já em Cracóvia, como médica, ocupou-se da assistência à vida. Fundou o Instituto da teologia da família e as primeiras casas de ajuda a mães solteiras.

Em 1962, Wojtyla escreveu ao Padre Pio, pedindo orações por Wanda, então doente de cancro. Não chegou a ser operada, dado ter ficado curada.

Wanda Poltawska perguntara se deveria destruir a sua correspondência e João Paulo II teria respondido que não. O livro é publicado pelas Edições São Paulo.

 

 

RETRATAÇÃO DO

BISPO LEFEBVRIANO

 

O bispo lefebvriano Richard Williamson, cujas declarações negacionistas do Holocausto judeu deram origem a fortes críticas contra o levantamento da excomunhão aos prelados da Fraternidade de São Pio X, retratou-se exemplarmente das suas afirmações.

     

A Secretaria de Estado da Santa Sé tinha publicado em 5 de Fevereiro passado uma nota acerca das reacções suscitadas pelo levantamento da excomunhão a quatro bispos da Fraternidade de São Pio X (lefebvrianos), em relação com as declarações de um deles, o bispo Richard Williamson, que negava importância ao Holocausto judeu.

Depois de explicar o alcance do levantamento da excomunhão e dos passos a dar pela Fraternidade para o seu futuro reconhecimento na Igreja católica, a nota dizia:

«A posição de Mons. Williamson sobre a Shoah são absolutamente inaceitáveis e firmemente rejeitadas pelo Santo Padre, como ele mesmo recordou em 28 de Janeiro passado quando, referindo-se àquele execrável genocídio, reafirmou a sua plena e indiscutível solidariedade com os nosso irmãos destinatários da Primeira Aliança, e afirmou que a memória daquele terrível genocídio deve induzir «a humanidade a reflectir sobre o poder imprevisível do mal quando conquista o coração do ser humano», acrescentando que a Shoah continua a ser «para todos uma advertência contra o esquecimento, contra a negação ou o reducionismo, porque a violência contra um só ser humano é violência contra todos».

«O bispo Williamson, para ser admitido às funções episcopais na Igreja, terá de retractar-se de maneira absolutamente inequívoca e pública da sua posição sobre a Shoah, desconhecidas pelo Santo Padre no momento da remissão da excomunhão.»

«O Santo Padre pede que todos os fiéis rezem para que o Senhor ilumine o caminho da Igreja. Que cresça o compromisso dos pastores e de todos os fiéis em apoio da delicada e difícil missão do Sucessor do Apóstolo Pedro como 'guardião da unidade' da Igreja».

 

A retratação do Bispo Williamson

 

Em 26 de Fevereiro seguinte, o Bispo lefebvriano Richard Williamson pediu perdão à Igreja e aos familiares das vítimas do Holocausto pelo sofrimento causado com os seus comentários, publicando a seguinte declaração:

«O Santo Padre e o meu Superior, o Bispo Bernard Fellay, solicitaram que eu reconsidere os comentários que fiz na televisão sueca há quatro meses, pois as suas consequências têm sido muito graves.»

«Observando essas consequências, posso verdadeiramente dizer que lamento ter feito esses comentários, e que se tivesse sabido de antemão todo a ofensa e sofrimento que elas haviam de causar, especialmente para a Igreja, mas também para os sobreviventes e parentes das vítimas da injustiça do Terceiro Reich, eu não as teria feito.»

«Na televisão sueca, eu manifestei apenas a opinião (...'eu penso'...'eu acho'...) de uma pessoa que não é historiador, uma opinião formada há 20 anos com base nas provas então credíveis, e desde então raramente expressa em público.»

«No entanto, os eventos das últimas semanas e os conselhos de membros responsáveis da Fraternidade de São Pio X persuadiram-me da minha responsabilidade por tanto sofrimento causado. A todas as almas que ficaram verdadeiramente escandalizadas com o que eu disse, peço perdão diante de Deus.»

«Como o Santo Padre disse, todo o acto de violência injusta contra um homem fere toda a humanidade.»

Londres, 26 de Fevereiro de 2009.

 

Richard Williamson

 

 

VIAGEM DO PAPA

À TERRA SANTA

 

O programa da viagem de Bento XVI à Terra Santa, de 8 a 15 de Maio próximos, foi apresentado em Jerusalém, no passado dia 10 de Março. Na agenda do Papa estão visitas à mesquita da al-Aqsa, ao memorial do Yad Vashem e ao Muro das Lamentações.

 

A conferência de imprensa foi presidida pelo Núncio Apostólico, Mons. Antonio Franco, o qual destacou a celebração de missas campais nas cidades de Jerusalém, Belém e Nazaré, nas quais são aguardados entre 40 a 50 mil fiéis.

O Núncio explicou ainda que em Nazaré se celebrará a conclusão do Ano da Família, convocado pela Igreja na Terra Santa, ocasião em que o Papa abençoará a primeira pedra de um centro para a família.

Outros momentos de oração serão a peregrinação ao Cenáculo, no primeiro dia, e ao Santo Sepulcro, no último dia. Haverá ainda momentos oficiais, como a visita ao presidente do Estado de Israel e ao presidente da Autoridade Nacional Palestina.

A agenda inclui ainda encontros ecuménicos e inter-religiosos, entre os quais a visita ao Grão-mufti de Jerusalém e a visita à Esplanada das mesquitas. O Papa visitará ainda o museu do Holocausto, onde fará uma homenagem às vítimas.

Mons. Franco quis destacar o significado espiritual desta viagem de Bento XVI para, como o próprio Papa anunciou, «pedir o dom da paz e da unidade para o Médio Oriente e para toda a humanidade».

O Núncio anunciou ainda que fez dois pedidos ao governo de Israel, que foram acolhidos «sem problemas»: o primeiro, que uma delegação de cristãos possa vir de Gaza e, o segundo, que todos os cristãos tenham acesso aos locais das celebrações.

 

 

PAPA CONVOCA

ANO SACERDOTAL

 

Bento XVI anunciou no passado dia 16 de Março a convocação de um Ano Sacerdotal especial, de 19 de Junho 2009 a 19 de Junho de 2010, que terá como tema: «Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote».

 

A iniciativa ocorre nos 150 anos da morte do Santo Cura d’Ars, João Maria Vianney, «verdadeiro exemplo de Pastor ao serviço do rebanho de Cristo».

O anúncio foi feito na audiência concedida aos participantes na assembleia plenária da Congregação para o Clero, no Vaticano.

Segundo o Papa, competirá a esta Congregação, de acordo com os bispos diocesanos e com os superiores dos Institutos religiosos, «promover e coordenar as várias iniciativas espirituais e pastorais que pareçam úteis para fazer perceber cada vez mais a importância do papel e da missão do sacerdote na Igreja e na sociedade contemporânea».

O Santo Padre dará início ao Ano Sacerdotal com a celebração das Vésperas, a 19 de Junho, solenidade do Coração de Jesus, na presença da relíquia do Santo Cura d'Ars trazida pelo Bispo de Belley-Ars; e encerrará a 19 de Junho de 2010, participando num «Encontro Mundial Sacerdotal», na Praça S. Pedro, do Vaticano.

Durante este ano jubilar, Bento XVI proclamará São João Maria Vianney como «Padroeiro de todos os sacerdotes do mundo».

Além disso, será publicado o «Directório para os Confessores e os Directores Espirituais», juntamente com uma colectânea de textos do actual Papa sobre temas essenciais da vida e da missão sacerdotal nos dias de hoje.

São João Maria Vianney, ou Cura d'Ars, nasceu em Dardilly, França, em 1786. Ordenado sacerdote, foi enviado para uma insignificante aldeia, com cerca de 230 paroquianos.

Mais tarde, João Maria Vianney tornou-se o cura de Ars-sur-Formans, no Leste de França. Rezava, fazia penitência, pregava e vivia a caridade, cumprindo zelosamente o seu ministério sacerdotal. Permanecia horas e horas a fio atendendo em confissão os peregrinos que a ele acorriam de toda a França. Morreu no ano de 1858.

 

 

POLÉMICA SOBRE

USO DO PRESERVATIVO

 

O início da Viagem Apostólica de Bento XVI aos Camarões e a Angola foi caracterizado pela dura polémica acerca das afirmações do Papa a respeito do uso do preservativo para evitar a difusão da SIDA no continente.

 

O Santo Padre iniciaria a sua Viagem Apostólica nos Camarões, onde ia entregar o Instrumento de trabalho para o próximo Sínodo dos Bispos para a África. Durante a viagem de avião – no dia 17 de Março –, Bento XVI quis responder oralmente às perguntas dos jornalistas.

Philippe Visseyrias, da France 2, perguntou: «Santidade, entre os muitos males que atormentam a África, existe também e, em especial, o da difusão da SIDA. A posição da Igreja católica sobre o modo de lutar contra ele é com frequência considerada irrealista e ineficaz. Vai enfrentar este tema durante a viagem?»

Bento XVI respondeu: «Diria o contrário. Penso que a realidade mais eficiente, mais presente na frente da luta contra a SIDA é precisamente a Igreja católica, com os seus movimentos, com as suas diversas realidades. Penso na Comunidade de Santo Egídio, que faz muito – visivelmente e também invisivelmente – pela luta contra a SIDA, nos Camilianos, em todas as Irmãs que estão à disposição dos doentes…

«Diria que não se pode superar este problema da SIDA somente com slogans publicitários. Se não há a alma, se os africanos não ajudam, não se pode resolver o flagelo com a distribuição de preservativos; pelo contrário, o risco é aumentar o problema.»

«A solução só se pode encontrar num duplo empenho: primeiro, uma humanização da sexualidade, isto é, uma renovação espiritual e humana que traga consigo um novo modo de comportar-se um com o outro; segundo, uma verdadeira amizade também e sobretudo com as pessoas que sofrem, uma disponibilidade, também com sacrifícios, com renúncias pessoais, para estar com os que sofrem. E estes são os factores que ajudam e que trazem progressos visíveis.»

«Portanto – diria – esta nossa dupla força de renovar o homem interiormente, de dar-lhe força espiritual e humana para um comportamento justo em relação ao próprio corpo e ao do outro, e esta capacidade de sofrer com os que sofrem, de permanecer presente nas situações de prova. Parece-me que esta é a resposta justa, e a Igreja faz isto e, assim, oferece uma grandíssima e importante contribuição. Agradecemos a todos aqueles que o fazem».

 

Os primeiros comentários criticavam duramente Bento XVI por continuar a opor-se à distribuição dos preservativos como prevenção da SIDA; alguns faziam notar que o Papa desautorizava assim algumas opiniões menos taxativas no próprio Vaticano; algum articulista afirmava discordar claramente de Bento XVI, mas reconhecia que ele tinha o direito e o dever de exprimir a doutrina da Igreja.

O que pode ter causado confusão foi ter surgido depois uma série de comentários de pessoas afectas ao Papa, procurando defendê-lo das críticas com o argumento de que Bento XVI apenas se opunha ao uso do preservativo como primeira ou única solução.

No entanto, no dia 18 de Março, o esclarecimento do Vaticano dizia:

«A propósito dos ecos suscitados por algumas palavras do Papa sobre o problema da SIDA, o Director da Sala de Imprensa, Pe. Federico Lombardi, precisa que o Santo Padre reiterou as posições da Igreja católica e as linhas essenciais do seu empenho em combater o terrível flagelo da SIDA: primeiro, com a educação à responsabilidade das pessoas no uso da sexualidade e com a reafirmação do papel essencial do matrimónio e da família; segundo, com a pesquisa e a aplicação de tratamentos eficazes da SIDA e colocando-os à disposição do mais amplo número de doentes através de muitas iniciativas e instituições de saúde; terceiro, com a assistência humana e espiritual dos doentes de SIDA como de todos os que sofrem, que desde sempre estão no coração da Igreja.

«Estas são as direcções em que a Igreja concentra o seu empenho, não considerando que apostar essencialmente na mais ampla difusão de preservativos seja na realidade a via melhor, mais clarividente e eficaz para opor-se ao flagelo da SIDA e tutelar a vida humana».

 

 

DOCUMENTO EM PREPARAÇÃO

SOBRE A INTERNET

 

O Conselho Pontifício das Comunicações Sociais prepara um documento sobre a Internet, onde quer sublinhar o grande potencial da rede no campo da evangelização, ao mesmo tempo que alerta para os riscos que podem derivar da utilização indevida.

 

Este documento está a ser preparado por bispos dos cinco continentes e será, de acordo com Mons. Claudio Maria Celli, Presidente do Conselho Pontifício, uma actualização da Instrução pastoral Aetatis Novae, de 1992, «numa altura em que ainda não havia Internet».

«As novas tecnologias trouxeram novas sensibilidades. Certamente que os princípios da Instrução pastoral Aetatis Novae continuam válidos, mas são necessárias algumas orientações para uma pastoral que tenha em conta esta nova realidade».

O novo documento, que será apresentado na Assembleia Plenária de Outubro aos membros do Conselho Pontifício, tem como objectivo fazer ver «como a Igreja se integra na nova cultura digital, utilizando os meios que a tecnologia coloca à disposição».

O Presidente do Conselho Pontifício reconhece que, quando se fala do acolhimento da mensagem da Igreja sobre as comunicações sociais, importa ter consciência dos diferentes contextos culturais referidos. «É diferente o acolhimento das comunidades cristãs na Europa ou nos Estados Unidos do acolhimento das comunidades de um país em vias de desenvolvimento, onde o crescimento humano e sócio-cultural é limitado por diversos problemas».

«Os meios de comunicação social vão ser apresentados como instrumentos de reconciliação, para alcançar uma paz mais duradoura», referiu, adiantando o desejo de «dar espaço a iniciativas que permitam, especialmente aos jovens, entrarem em contacto com as novas realidades mediáticas».

«Os jovens serão chamados a reflectir sobre a modalidade em como os novos media incidem na sua vida e na sua inserção no mundo».

 


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