Solenidade do Pentecostes

 

Missa do Dia

31 de Maio de 2009

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Espírito de Deus enche o universo, M. Simões, NRMS 58

Sab 1, 7

Antífona de entrada: O Espírito do Senhor encheu a terra inteira; Ele, que abrange o universo, conhece toda a palavra. Aleluia.

 

Ou

Rom 5, 5; 8, 11

O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que habita em nós. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A solenidade do Pentecostes coloca diante de nós uma série de verdades que enchem a nossa alma de alegria e paz. O Espírito Santo renasça em cada ambiente, em cada Família, em cada pessoa.

 

Oração colecta: Deus do universo, que no mistério do Pentecostes santificais a Igreja dispersa entre todos os povos e nações, derramai sobre a terra os dons do Espírito Santo, de modo que também hoje se renovem nos corações dos fiéis os prodígios realizados nos primórdios da pregação do Evangelho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A vinda do Espírito Santo abriu novos horizontes para a Igreja que Cristo fundou.

Os Apóstolos começaram a falar várias línguas e todos os compreendiam, como se falassem várias línguas simultaneamente

 

Actos dos Apóstolos 2, 1-11

1Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. 3Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. 4Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. 5Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. 6Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. 7Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? 8Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? 9Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, 10da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, 11tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus».

 

1 «Pentecostes» significa, em grego, quinquagésimo (dia depois da Páscoa). Os judeus chamam-lhe Festa das Semanas (em hebraico, xevuôth, 7 semanas depois da Páscoa). Era uma festa em que se ofereciam a Deus as primícias das colheitas, num gesto de acção de graças. Mais tarde, os rabinos também lhe deram o sentido da comemoração da promulgação da Lei no Sinai.

3 «Línguas de fogo que se iam dividindo». O fogo toma esta forma talvez para significar o dom das línguas. Esta nova divisão das línguas tem a finalidade de unir os homens numa mesma fé e não de os separar com aquela divisão das línguas de que se fala no Génesis (11, 1-9).

4 «Começaram a falar outras línguas». Jesus tinha anunciado este prodígio, até então desconhecido (cf. Mc 16, 17). Trata-se de um fenómeno sobrenatural, não dum simples fenómeno de exaltação nervosa. No entanto, não há total acordo entre os exegetas para explicar o milagre das línguas do Pentecostes. A explicação mais habitual é que os Apóstolos falaram então verdadeiros idiomas novos (cf. Mc 16, 17), mas em Actos não se fala de línguas novas (kainais), como em Marcos, mas de línguas diferentes (cf. v. 4: hetérais). Alguns dizem que o milagre estava nos ouvintes, que ouviam na própria língua das terras donde provinham (v. 8) aquilo que os Apóstolos diziam em aramaico. Outros, especialmente nos nossos dias, põem este milagre em relação com o dom das línguas, ou glossolalia, carisma de que se fala em 1 Cor 14, 2-33: seria então um tipo de oração extática, especialmente de louvor, em que se articulavam sons ininteligíveis (algo parecido com aquele fenómeno místico a que Santa Teresa de Jesus chama «embriaguez espiritual, júbilo místico»). Sendo assim, o que aconteceu de particular no dia do Pentecostes, foi que não era preciso um intérprete (como em 1 Cor 14, 27-28) para que os ouvintes entendessem o que diziam os Apóstolos: os ouvintes de boa fé receberam o dom de interpretar o que os Apóstolos diziam, ao passo que os mal dispostos diziam que eles estavam ébrios (v. 13). De qualquer modo, em Actos nunca se diz que a pregação de Pedro (cf. vv. 14-36) foi em línguas; o discurso aparece como posterior a este fenómeno referido no v. 4; em línguas poderia ser algum tipo de oração de louvor, a «proclamar as maravilhas do Senhor» (v. 11).

9-11 Temos aqui uma vasta referência às diversas procedências dos judeus da diáspora: uns teriam mesmo vindo em peregrinação, outros seriam emigrantes que se tinham fixado na Palestina. De qualquer modo, esta enumeração bastante exaustiva e ordenada (a partir do Oriente para Ocidente) pretende pôr em evidência a universalidade da Igreja, que é católica logo ao nascer, destinada a todos os homens de todas as procedências, manifestando-se esta catolicidade na capacidade que todos têm para captar e aderir à pregação apostólica. Por outro lado, também a unidade da Igreja se deixa ver na única mensagem e no único Baptismo que todos recebem; como se lê na 2.ª leitura de hoje, (v. 13) «a todos nos foi dado beber um único Espírito».

 

Salmo Responsorial     Sl 103 (104), 1ab.24c.29bc-30.31.34 (R. 30 ou Aleluia)

 

Monição: Se invocarmos o Espírito Santo, renovaremos a face da terra.

 

Refrão:         Enviai, Senhor, o vosso Espírito

                      e renovai a face da terra.

 

Ou:                Mandai, Senhor o vosso Espírito,

                      e renovai a terra.

 

Ou:                Aleluia.

 

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.

Senhor, meu Deus, como sois grande!

Como são grandes, Senhor, as vossas obras!

A terra está cheia das vossas criaturas.

 

Se lhes tirais o alento, morrem

e voltam ao pó donde vieram.

Se mandais o vosso espírito, retomam a vida

e renovais a face da terra.

 

Glória a Deus para sempre!

Rejubile o Senhor nas suas obras.

Grato Lhe seja o meu canto

e eu terei alegria no Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Os diferentes dons que os membros da Igreja recebem convergirão para a Unidade e devem gerar um só Corpo. A todos é dado a beber um único Espírito.

 

1 Coríntios 12, 3b-7.12-13

Irmãos: 3bNinguém pode dizer «Jesus é o Senhor», a não ser pela acção do Espírito Santo. 4De facto, há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. 5Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. 6Há diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. 7Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. 12Assim como o corpo é um só e tem muitos membros e todos os membros, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim também sucede com Cristo. 13Na verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos baptizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi dado a beber um único Espírito.

 

O contexto em que fala S. Paulo aos Coríntios é o de certa confusão que reinava na comunidade acerca dos carismas, em especial os de linguagem. Para começar, avança com um critério de discernimento: que quem fala o faça de acordo com a verdadeira fé; «Jesus é o Senhor» é a confissão de fé na divindade de Jesus. «Senhor» equivale a Yahwéh na tradução grega dos LXX para o nome divino. Um acto de fé não se pode fazer só pelas próprias forças, é fruto da graça do Espírito Santo (v. 3), que pelos seus dons, especialmente o do entendimento e o da sabedoria aperfeiçoam essa mesma fé.

4-5 Pertence à essência da vida da Igreja haver sempre, diversidade de dons espirituais (carismas), ministérios e operações. Estas três designações referem-se fundamentalmente aos mesmos dons de Deus em favor da edificação da Igreja, mas cada um destes três nomes foca um aspecto: a sua gratuidade, a sua utilidade e a sua manifestação do poder actuante de Deus. S Paulo apropria cada um destes aspectos a cada uma das três Pessoas divinas. Toda esta diversidade e variedade de dons procede da unidade divina e concorre para que a unidade a Igreja – um só Corpo (v. 13) – seja mais rica. O Concílio Vaticano II – L. G. 12 – recorda normas práticas acerca destes carismas, ou dons que Deus concede aos fiéis para a «renovação e cada vez mais ampla edificação da Igreja, para o bem comum» (v. 7). E diz que os dons extraordinários não se devem pedir temerariamente, nem deles se devem esperar, com presunção, os frutos das obras apostólicas; e o juízo acerca da sua autenticidade e recto uso, pertence àqueles que presidem na Igreja, a quem compete de modo especial não extinguir o Espírito, mas julgar e conservar o que é bom (cf. 1 Tes 5, 12.19-21). Não se pode opor o carismático ao jerárquico: a vida da Igreja, que se expande pelos carismas, tem que se manter na esfera da verdade, garantida pela Hierarquia, a fim de que seja verdadeira vida, e não mera excrescência doentia e anormal, porventura um princípio de auto-destruição.

12 «Assim como o corpo...». A comparação não é original, mas da literatura profana. S. Paulo adapta-a maravilhosamente à Igreja, concebida como um corpo onde não pode haver rivalidades e divisão: «um só corpo». Aqui está latente a doutrina do Corpo Místico explanada em Colossenses e Efésios, mas ainda não se considera de facto a Igreja universal, o Corpo de Cristo, apenas se considera que os cristãos de Corinto são um organismo – um corpo – dependente de Cristo e com a mesma vida de Cristo (v. 27).

13 «E a todos nos foi dado beber um único Espírito». Os exegetas em geral, tendo em conta que no v. anterior já se tinha falado do Baptismo, pensam haver aqui uma referência ao Sacramento da Confirmação, pois então estes Sacramentos se costumavam receber juntos (cf. Act 19, 5-6), como ainda hoje no Oriente e entre nós nos adultos.

 

Aclamação ao Evangelho        

 

Monição: Que o Espírito Santo encha os corações dos fiéis e acenda neles o fogo do Seu amor.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 87

 

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis

e acendei neles o fogo do vosso amor.

 

 

Evangelho

 

São João 20, 19-23

19Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». 20Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. 21Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». 22Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: 23àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».

 

Este texto foi escolhido por nele se falar também de uma comunicação do Espírito Santo, esta no dia de Páscoa, e que permite à Igreja o exercício de uma das principais concretizações da sua missão salvífica: o perdão dos pecados por meio do Sacramento da Reconciliação. (Ver atrás os comentários feitos para o 2.º Domingo da Páscoa). Aqui limitamo-nos a citar um belo texto da Declaração Ecuménica das Igrejas Cristãs (Upsala 1968), baseada num conhecido texto patrístico: «Sem o Espírito Santo, Deus fica longe; Cristo pertence ao passado; o Evangelho é letra morta; a Igreja, mais uma organização; a autoridade, um domínio; a missão, uma propaganda; o culto, uma evocação; o agir cristão, uma moral de escravos. Mas, com o Espírito Santo, o cosmos eleva-se e geme na infância do Reino; Cristo ressuscita e é alento de vida; a Igreja é comunhão trinitária; e a autoridade, serviço libertador; a missão é Pentecostes; e o culto, memorial e antecipação; o agir humano torna-se realidade divina».

 

Sugestões para a homilia

 

1.  No Evangelho de São João 14, 1-26 fala-se da vinda do Espírito Santo.

Entre as recomendações de Jesus salientamos: «Não vos deixarei órfãos… Eu voltarei a vós… Fui-vos revelando estas coisas enquanto tenho permanecido convosco; mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, esse é que vos ensinará tudo, e há-de recordar-vos tudo o que Eu vos disse».

Perante isto, não admira que a Primeira Leitura desta Eucaristia, Actos dos Apóstolos 2, 1-11, comece desta forma: «Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar». Porquê? Porque viviam da espera! Esta espera gerou entre eles uma grande união.

Ao mesmo tempo em Jerusalém, devido às festas, encontravam-se pessoas das mais diversas Nações e falando línguas diferentes.

A vinda do Espírito Santo foi precedida de: «Um rumor semelhante a forte rajada de vento» e «viram aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles». Após isto: «Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas». Mais: «Cada qual os ouvia falar na sua própria língua».

Perante este fascinante cenário, palpa-se que a Igreja, Povo de Deus, nasce pela força do Espírito Santo, não por vontade humana. No Pentecostes vê-se que à Igreja pertencem, desde o começo, múltiplas línguas e diferentes culturas. A Igreja torna-se «católica», universal, desde o princípio, desde o nascimento.

 

2.  A unidade da Igreja aparece vincada na Primeira Epístola aos Coríntios no versículo 13: «Na verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos baptizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi dado a beber um único Espírito».

Diz o Papa Bento XVI: «A Igreja deve abrir as fronteiras entre os povos e romper as barreiras entre classes e raças. Nela não pode haver esquecidos e desprezados. Na Igreja existem unicamente irmãos e irmãs livres em Jesus Cristo. Vento e fogo do Espírito Santo devem abater as barreiras que nós homens continuamos a erguer entre nós. Por isso, devemos continuamente pedir que o Espírito Santo nos abra, nos conceda a graça da compreensão, de modo que nos possamos tornar o povo de Deus proveniente de todos os povos.

Em Cristo, que como único pão a todos alimenta na Eucaristia e nos atrai para si no seu corpo martirizado na cruz, nós devemos tornar-nos um só corpo e um só espírito».

 

3.  Na abordagem do Santo Evangelho destacámos três frases de Jesus:

«A paz esteja convosco» (João 20,19)

Retomamos a homilia de Bento XVI: «Esta saudação do Senhor 'Shalom' não é uma simples saudação mas sim o dom da paz prometida. Esta paz não é aquela que o mundo oferece mas a paz que só Deus pode dar. Esta paz foi conquistada por Jesus ao preço do Seu sangue.

Esta saudação do Senhor é uma ponte que Ele lança entre o céu e a terra. O Senhor desce por esta ponte até nós e nós podemos subir, por esta ponte de paz até Ele. Nesta ponte, sempre juntamente com Ele, também nós devemos alcançar aqueles que precisam de nós».

«Assim como o Pai Me enviou também Eu vos envio a vós» (João, 20, 21)

Jesus, com este envio, deseja que a sua missão continue através dos Apóstolos e seus sucessores. É a Igreja «Apostólica» que aqui se perfila.

Cito, de novo, Bento XVI: «Cristo diz isto também aos sacerdotes. Com a ordenação sacerdotal vós inseristes-vos na missão dos Apóstolos.

O Espírito Santo manifesta-se precisamente ordenando a missão no sacramento do sacerdócio, com o qual continua o ministério dos Apóstolos. Através deste ministério, vós sois inseridos na grande multidão dos que, a partir do Pentecostes, receberam a missão apostólica.

Vós sois inseridos na comunhão do presbitério, na comunhão com o Bispo e com o Sucessor de Pedro, que aqui em Roma é também o vosso Bispo.

Todos nós somos inseridos na rede da obediência à palavra de Cristo, à palavra d'Aquele que nos dá a verdadeira liberdade, porque nos conduz nos espaços livres e nos horizontes amplos da verdade.

Precisamente neste vínculo comum com o Senhor nós podemos e devemos viver o dinamismo do Espírito.

Como o Senhor saiu do Pai e nos doou luz, vida e amor, assim a missão deve continuamente pôr-nos em movimento, tornar-nos inquietos, para levar a quem sofre, a quem está em dúvida, e também a quem hesita, a alegria de Cristo».

«Soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhe-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes serão retidos». (São João 20, 23)

Encerrámos com palavras de Bento XVI:

«O Senhor sopra sobre os discípulos, e assim dá-lhes o Espírito Santo. O sopro de Jesus é o Espírito Santo. Reconhecemos aqui, antes de mais, uma alusão à narração da criação do homem no Génesis, onde está escrito: 'O Senhor Deus formou o homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida'» (Gn 2, 7). O homem é esta criatura misteriosa, que provém totalmente da terra, mas no qual foi posto o sopro de Deus. Jesus sopra sobre os Apóstolos e dá-lhes de maneira renovada, maior, o sopro de Deus. Nos homens, não obstante todas as suas limitações, existe agora algo absolutamente novo o sopro de Deus. A vida de Deus habita em nós. O sopro do seu amor, da sua verdade e da sua bondade.

O texto do Evangelho convida-nos a isto: a viver sempre no espaço do sopro de Jesus Cristo, a receber a vida d'Ele, de modo que Ele inspire em nós a vida autêntica a vida da qual morte alguma nos pode privar.

Com o seu sopro, com o dom do Espírito Santo, o Senhor relaciona o poder de perdoar. Ouvimos anteriormente que o Espírito Santo une, abate as fronteiras, guia uns para os outros. A força, que abre e faz superar Babel, é a força do perdão. Jesus pode conceder o perdão e o poder de perdoar, porque Ele mesmo sofreu as consequências da culpa e dissolveu-as na chama do seu amor. O perdão vem da cruz; ele transformou o mundo com o amor que nos doa. O seu coração aberto na cruz é a porta pela qual entra no mundo a graça do perdão. E unicamente esta graça pode transformar o mundo e edificar a paz.

Por fim, há o poder do perdão. O Sacramento da Penitência é um dos tesouros preciosos da Igreja, porque só no perdão se realiza o verdadeiro renovamento do mundo.

Nada pode melhorar no mundo, se o mal não for vencido. E o mal pode ser vencido unicamente com o perdão. Sem dúvida, deve ser um perdão eficaz. Mas este perdão, só o Senhor o pode dar. Um perdão que não afaste o mal só com palavras, mas realmente o destrói! Isto pode verificar-se unicamente com o sofrimento e aconteceu realmente com o amor sofredor de Cristo, do qual nós haurimos o poder do perdão».

Nota – Que esta homilia, com tantas citações de Bento XVI, nos ajude a crescer no amor ao Espírito Santo. (Homilia de Bento XVI de 15 de Maio de 2005)

 

Fala o Santo Padre

 

No dia de Pentecostes o Espírito Santo desceu com poder sobre os Apóstolos; teve assim início a missão da Igreja no mundo. O próprio Jesus tinha preparado os Onze para esta missão aparecendo-lhes várias vezes depois da sua ressurreição (cf. Act 1, 3). Antes da ascensão ao Céu, ordenou que «não se afastassem de Jerusalém, mas que aguardassem que se cumprisse a promessa do Pai» (cf. Act 1, 4-5); isto é, pediu que permanecessem juntos para se prepararem para receber o dom do Espírito Santo. E eles reuniram-se em oração com Maria no Cenáculo à espera do acontecimento prometido (cf. Act 1,14).

Permanecer juntos foi a condição exigida por Jesus para receber o dom do Espírito Santo; pressuposto da sua concórdia foi uma oração prolongada. Desta forma, encontramos delineada uma formidável lição para cada comunidade cristã. Por vezes pensa-se que a eficiência missionária dependa principalmente de uma programação atenta e da sucessiva inteligente realização mediante um empenho concreto. Sem dúvida, o Senhor pede a nossa colaboração, mas antes de qualquer resposta nossa é necessária a sua iniciativa: é o seu Espírito o verdadeiro protagonista da Igreja. As raízes do nosso ser e do nosso agir estão no silêncio sábio e providente de Deus.

As imagens que São Lucas usa para indicar o irromper do Espírito Santo o vento e o fogo recordam o Sinai, onde Deus se tinha revelado ao povo de Israel e lhe tinha concedido a sua aliança (cf. Êx 19, 3ss). A festa do Sinai, que Israel celebrava cinquenta dias depois da Páscoa, era a festa do Pacto. Falando de línguas de fogo (cf. Act 2, 3), São Lucas quer representar o Pentecostes como um novo Sinai, como a festa do novo Pacto, na qual a Aliança com Israel se alarga a todos os povos da Terra. A Igreja é católica e missionária desde a sua origem. A universalidade da salvação é significativamente evidenciada pelo elenco das numerosas etnias a que pertencem todos os que ouvem o primeiro anúncio dos Apóstolos (cf. Act 2, 9-11).

O Povo de Deus, que tinha encontrado no Sinai a sua primeira configuração, hoje é ampliado a ponto de não conhecer qualquer fronteira de raça, cultura, espaço ou tempo. Diferentemente do que tinha acontecido com a torre de Babel (cf. Jo 11, 1-9), quando os homens, intencionados a construir com as suas mãos um caminho para o céu, tinham acabado por destruir a sua própria capacidade de se compreenderem reciprocamente. No Pentecostes o Espírito, com o dom das línguas, mostra que a sua presença une e transforma a confusão em comunhão. O orgulho e o egoísmo do homem geram sempre divisões, erguem muros de indiferença, de ódio e de violência.

O Espírito Santo, ao contrário, torna os corações capazes de compreender as línguas de todos, porque restabelece a ponte da comunicação autêntica entre a Terra e o Céu. O Espírito Santo é Amor.

Mas como entrar no mistério do Espírito Santo, como compreender o segredo do Amor? A página evangélica conduz-nos hoje ao Cenáculo onde, tendo terminado a última Ceia, um sentido de desorientação entristece os Apóstolos. A razão é que as palavras de Jesus suscitam interrogativos preocupantes: Ele fala do ódio do mundo para com Ele e para com os seus, fala de uma sua misteriosa partida e há muitas outras coisas ainda para dizer, mas no momento os Apóstolos não são capazes de carregar o seu peso (cf. Jo 16, 12). Para os confortar explica o significado do seu afastamento: irá mas voltará; entretanto não os abandonará, não os deixará órfãos. Enviará o Consolador, o Espírito do Pai, e será o Espírito que dará a conhecer que a obra de Cristo é obra de amor: amor d'Ele que se ofereceu, amor do Pai que o concedeu.

É este o mistério do Pentecostes: o Espírito Santo ilumina o espírito humano e, revelando Cristo crucificado e ressuscitado, indica o caminho para se tornar mais semelhantes a Ele, isto é, ser «expressão e instrumento do amor que d'Ele promana» (Deus caritas est 33). Reunida com Maria, como na sua origem, a Igreja hoje reza: «Veni Sancte Spiritus! Vem, Espírito Santo, enche os corações dos teus fiéis e acende neles o fogo do teu amor!».

 

Bento XVI, Pentecostes, Basílica S. Pedro, 4 de Junho de 2006

 

Oração Universal

 

Irmãos, ao longo desta Eucaristia,

peçamos ao Espírito Santo um grande amor ao Sacramento da Reconciliação, dizendo:

Vinde, Espírito Santo, e renovai os nossos corações.

 

1.  Para que todos os cristãos

se confessem com frequência,

oremos.

 

2.  Pelas pessoas que já não se confessam há vários anos,

para que encontrem quem os ajude a perder o medo de se confessarem,

oremos.

 

3.  É necessário que a Igreja se una e dê testemunho de santidade,

através de mais oração, espírito de sacrifício

e partilha de bens com os mais pobres,

oremos.

 

4.  Para que as Autoridades de cada Nação

enfrentem a crise que estamos a viver com todos os meios possíveis,

ajudando sobretudo os mais pobres, os doentes e os desempregados,

oremos.

 

5.  Para que a Santíssima Virgem, como nossa Mãe,

leve à Missa aos domingos todos os faltosos,

oremos.

 

6.  Senhor, dai o descanso eterno aos fiéis defuntos

e tornai-nos dignos de participar um dia na Vossa Glória,

oremos.

 

Concedei, Deus de Bondade, que o Vosso povo, tome consciência da maneira ingrata

como Vos trata e se decida a mudar de vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus Convosco na Unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Vinde, Espírito Divino, M. Borda, NRMS 35

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor nosso Deus, que o Espírito Santo, segundo a promessa do vosso Filho, nos revele plenamente o mistério deste sacrifício e nos faça conhecer toda a verdade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Prefácio

O mistério do Pentecostes

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte.

Hoje manifestastes a plenitude do mistério pascal e sobre os filhos de adopção, unidos em comunhão admirável ao vosso Filho Unigénito, derramastes o Espírito Santo, que no princípio da Igreja nascente revelou o conhecimento de Deus a todos os povos da terra e uniu a diversidade das línguas na profissão duma só fé.

Por isso, na plenitude da alegria pascal, exultam os homens por toda a terra e com os Anjos e os Santos proclamam a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

 

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 36

 

Monição da Comunhão

 

Sem Comunhão frequente não há verdadeira Páscoa nem verdadeiro Pentecostes.

 

Cântico da Comunhão: Voltai-vos para o Senhor, S. Marques, NRMS 58

Actos 2, 4:11

Antífona da comunhão: Todos ficaram cheios do Espírito Santo e proclamavam as maravilhas de Deus. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Louvai ao Senhor, louvai, J. Santos, NRMS 37

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, que concedeis com abundância à vossa Igreja os dons sagrados, conservai nela a graça que lhe destes, para que floresça sempre em nós o dom do Espírito Santo, e o alimento espiritual que recebemos nos faça progredir no caminho da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Ao longo da nossa vida, repetiremos, muitas vezes, esta prece: Vinde, Espírito Santo , e enchei o coração dos vossos fiéis.

 

Cântico final: Somos testemunhas, Az. Oliveira, NRMS 35

 

Na despedida do povo, o diácono ou o próprio sacerdote diz:

 

Ide em paz e o Senhor vos acompanhe. Aleluia. Aleluia.

 

O povo responde:

 

Graças a Deus. Aleluia. Aleluia.

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          Adriano Teixeira

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                 Duarte Nuno Rocha

 

 


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