aCONTECIMENTOS eclesiais

 

DA SANTA SÉ

 

 

EDIÇÃO DA OBRA COMPLETA

DE RATZINGER – BENTO XVI

 

Mons. Gerhard Müller, Bispo de Ratisbona (Alemanha) apresentou no passado dia 22 de Outubro no Vaticano o primeiro volume da “Opera omnia” de Joseph Ratzinger – Bento XVI em alemão, publicada pela Herder Verlag.

 

Mons. Müller explicou que “Bento XVI, ao longo da sua longa actividade como Professor de Teologia Fundamental e Dogmática, elaborou uma obra teológica que o coloca entre os maiores especialistas dos séc. XX e XXI. Desde há mais de 50 anos, ao nome de Joseph Ratzinger associa-se uma visão de conjunto original da teologia sistemática”.

“Bento XVI – continuou –, na sua actividade científica, sempre pôde recorrer ao seu admirável conhecimento da história da teologia e dos dogmas, que transmite de modo brilhante, fazendo finca pé na visão divina do ser humano, sobre a qual fundamenta tudo”

O Bispo de Ratisbona disse que o Papa o encarregara da publicação de todos os seus escritos em 16 volumes. “Para realizar este projecto, fundei em Ratisbona o Instituto Papa Bento XVI, onde se conservará a documentação sobre a vida, pensamento e obra do teólogo, bispo e pontífice Joseph Ratzinger / Bento XVI.

Referindo-se em concreto aos 16 tomos, Mons. Müller referiu que os escritos se abrem com a tese da licenciatura sobre a doutrina agostiniana da Igreja e a tese do mestrado sobre a doutrina da Revelação de S. Boaventura.

O tomo IV parte do livro “Introdução ao cristianismo” (1968), enquanto o tomo VI começa com o livro “Jesus de Nazaré” (2007) e recolhe todos os estudos sobre Cristologia.

O tomo XIII recolhe as suas numerosas entrevistas e o volume XIV apresenta uma selecção da extensa produção das suas homilias, sermões e meditações, alguns inéditos.

O tomo XV recolhe a autobiografia “A minha vida “ (1997/1998) e numerosas declarações sobre João Paulo II. Finalmente, o tomo XVI oferece uma bibliografia completa das obras em alemão, além do índice sistemático.

 

 

TERCEIRA EDIÇÃO DO

MISSAL ROMANO

 

No passado dia 22 de Novembro, o então Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Cardeal Francis Arinze apresentou ao Papa a terceira edição do Missal Romano, que contém orações e indicações teológicas, pastorais e espirituais para a celebração da liturgia. Não se trata de uma nova edição, mas somente de pequenos ajustes.

 

Em entrevista ao jornal L'Osservatore Romano, o Cardeal referiu que a celebração do rito da paz está em análise. O Papa está a consultar o episcopado de todo o mundo para saber se convém inserir o rito da paz durante o ofertório.

"Muitas vezes, não se compreende o pleno significado desse gesto. As pessoas pensam que é uma ocasião para apertar a mão dos amigos. Na verdade, é uma maneira de dizer para quem está ao nosso lado que a paz de Cristo, presente realmente no altar, está também com todos os homens. A mudança de transferir o rito para o ofertório seria uma maneira de criar um clima mais íntimo enquanto nos preparamos para a comunhão", expliou o cardeal.

Comentando o próximo Sínodo para a África, em 2009, o Cardeal nigeriano definiu-o como um "evento providencial", porque a África necessita de mais justiça e de paz. "É bom entender que nem tudo vai mal: há sociedades pacíficas e nações democráticas. Mas ainda há demasiada violência entre grupos étnicos, massacres e corrupção. E não podemos fingir que não sabemos de nada."

 

 

DIÁLOGO ENTRE

CATÓLICOS E MUÇULMANOS

 

Católicos e muçulmanos devem estar juntos na luta contra o fanatismo religioso e o radicalismo. O apelo é lançado no comunicado final do 11.º Colóquio conjunto do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso e a "World Islamic Call Society", com sede em Tripoli (Líbia), que terminou no passado dia 17 de Dezembro, em Roma.

 

O tema do encontro destes dias foi “Responsabilidade dos líderes religiosos, em especial em tempos de crise”. O colóquio encerrou-se com uma audiência concedida por Bento XVI aos participantes, com o Papa a expressar a sua satisfação e forte encorajamento por esta iniciativa.

O documento conclusivo frisa que “a primeira e mais importante responsabilidade dos líderes religiosos é de natureza religiosa, de acordo com as suas respectivas tradições” e que para a cumprir fielmente devem dedicar-se “ao ensino, boas obras e bons exemplos, assim servindo as suas comunidades para a glória de Deus”.

Sublinha igualmente o papel das religiões na promoção de valores éticos fundamentais como “a justiça, solidariedade, paz, harmonia social e o bem comum da sociedade como um todo, em particular os mais necessitados, os fracos, os migrantes e os oprimidos”.

No comunicado apela-se aos líderes religiosos para que se preocupem em prevenir, gerir e remediar situações de crise, tanto a nível nacional como internacional, de forma a evitar a sua degeneração em violência confessional.

“Isto requer um respeito e conhecimento mútuos, promovendo relações pessoais e construindo confiança recíproca, até ao ponto de sermos capaz de enfrentar em conjunto as crise que possam ocorrer”, concluem os participantes no Colóquio.

As cinco sessões do Colóquio deste ano foram dedicadas à apresentação e aprofundamento de três pistas de reflexão, seja por católicos, seja por muçulmanos: Responsabilidade religiosa, Responsabilidades culturais e sociais, Tempos de crise no caminho do diálogo inter-religioso.

As duas delegações, num total de 23 elementos, foram presididas pelo Cardeal Jean-Louis Tauram, presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso e por Mohamed Ahmed Sherif, secretário-geral da "World Islamic Call Society".

O próximo colóquio decorrerá em Tripoli, em data a definir até 2010.

 

 

DUNS SCOTO

E A IMACULADA CONCEIÇÃO

 

Bento XVI escreveu uma carta pelo VII centenário da morte do grande filósofo e teólogo franciscano escocês João Duns Scoto – falecido em Colónia (Alemanha) em 8 de Novembro de 1308 –, o qual, mais de 500 anos antes de a Igreja proclamar como dogma, defendeu a Imaculada Conceição da Virgem Maria contra o parecer de Tomás de Aquino e dos dominicanos.

 

Uma atitude que testemunhava a liberdade da sua investigação teológica, mas também a firme vontade de obedecer ao Magistério. De facto, recorda Bento XVI, depois de ter provado com varias argumentações, tiradas da razão teológica, o próprio facto da preservação do pecado original da bem aventurada Virgem Maria, Duns Scoto estava absolutamente pronto também para recusar esta persuasão no caso de que ela não estivesse em sintonia com a autoridade da Igreja.

Segundo o Papa, é possível compreender, explicar e defender as verdades da fé à luz da razão humana, somente procurando a consonância de todas as verdades, naturais e sobrenaturais, que derivam de uma única e mesma fonte.

Mais em geral, para Bento XVI, Duns Scoto soube conjugar a piedade com a investigação cientifica e, assim, com o seu engenho refinado, penetrou nos segredos da verdade natural e revelada e daí extraiu uma tal doutrina ao ponto de ser chamado “Doutor Subtil”, tornando-se mestre e guia da escola franciscana, luz e exemplo para o inteiro povo cristão.

Discípulo fiel de São Francisco de Assis, o beato João Duns Scoto contemplou e pregou assiduamente a Incarnação e a Paixão salvífica do Filho de Deus, recorda ainda Bento XVI, que por seu lado se sente particularmente próximo de Scoto.

 

 

IMPORTÂNCIA DA

ARQUEOLOGIA CRISTÃ

 

Os estudos de arqueologia sobre os monumentos dos primeiros tempos do cristianismo hão-de contribuir para o conhecimento e aprofundamento da fé cristã, sublinhou Bento XVI, ao receber no passado dia 20 de Dezembro os membros do Instituto Pontifício de Arqueologia Cristã.

 

O Papa exprimiu todo o seu “apreço pela preciosa e fecunda actividade cultural, literária e académica” que desenvolvem “ao serviço da Igreja e, mais em geral, da cultura”.

Bento XVI recordou o objectivo deste Instituto – “o estudo dos vestígios da vida eclesial ao longo dos séculos –, permitindo a quem escolhe esta disciplina entrar numa realidade complexa, a da Igreja dos primeiros séculos, para compreender o passado, tornando-o presente aos homens de hoje”.

Neste caso – observou o Papa – “compreender” significa como que identificar-se com o passado que emerge através dos ambientes típicos da arqueologia cristã, o que há-de chegar ao nível das realidades sobrenaturais, embora com o rigor da investigação científica.

“Quando se trata de descrever a história da Igreja, que é sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano, a paciente investigação do arqueólogo não pode deixar de penetrar também nas realidades sobrenaturais, sem contudo renunciar à análise rigorosa dos restos arqueológicos”, disse.

E isto porque “não é possível uma visão completa da realidade de uma comunidade cristã, antiga ou recente, se não se tomar em consideração que a Igreja é composta de um elemento humano e de um elemento divino”.

Com estes pressupostos teológicos e sendo a arqueologia cristã uma ciência histórica, baseada sobre o estudo metódico das fontes, o “critério de fundo” há-de ser o de “deixar-se conquistar pela verdade procurada nas suas autênticas fontes, com um espírito isento de paixões e preconceitos”.

“O estudo da arqueologia, especialmente dos monumentos paleocristãos, permite aprofundar o conhecimento da verdade evangélica que nos foi transmitida, e oferece a oportunidade de seguir os mestres e testemunhas da fé que nos precederam”, afirmou o Papa.

“Conhecer a herança das gerações cristãs passadas permita às que vêm depois manter-se fiéis ao «depositum fidei» da primeira comunidade cristã”, de tal modo que continue a “ressoar em cada tempo e lugar o imutável Evangelho de Cristo”.

“Abordar os vestígios do Povo de Deus é um modo concreto de verificar como é que os conteúdos da idêntica e imutável fé foram sendo acolhidos e traduzidos na vida cristã segundo as variadas condições históricas, sociais e culturais, ao longo de muitos séculos”, concluiu Bento XVI.

 

 

PAPA NA TERRA SANTA

 

Bento XVI vai fazer a sua primeira visita à Terra Santa em Maio do próximo ano, anunciou o Patriarca latino de Jerusalém, Mons. Fouad Twal, na sua mensagem de Natal.

 

“Temos a alegria de vos anunciar que Sua Santidade o Papa Bento XVI tem planeado vir em peregrinação à Terra Santa no mês de Maio”, pode ler-se na mensagem.

Segundo Mons. Fouad Twal, o Papa “deseja rezar por nós e connosco, mas também conhecer melhor as nossas difíceis condições de vida”.

“Oremos para que a peregrinação e a visita pastoral do Santo Padre seja uma bênção para todos nós, contribua para um melhor entendimento mútuo entre as diferentes nações da região, levante barreiras, ajude a resolver os problemas, alivie a tensão e consolide as boas relações entre os povos e as religiões na paz e na segurança”.

Há duas semanas, este responsável admitia que a visita poderia começar pela Jordânia e adiantou que uma delegação do Patriarcado irá em breve ao Vaticano para definir o programa da viagem.

Para o Patriarca de Jerusalém, uma visita de Bento XVI servirá para dar “mais entusiasmo, mais confiança às pessoas, e todos têm necessidade de ter mais confiança uns nos outros porque existe o medo, e qualquer gesto por detrás do medo nunca é um gesto equilibrado”.

 

 

ENCONTRO MUNDIAL DE FAMÍLIAS

NO MÉXICO

 

O VI Encontro Mundial de Famílias encerrou no passado domingo dia 18 de Janeiro com a reafirmação da família e da função “social essencial” que desempenha. “A família tem direito a ser reconhecida na sua própria identidade e a não ser confundida com outras formas de convivência”, assinalou o Papa no final do encontro que juntou na cidade do México 30 cardeais, 200 sacerdotes e cerca de 8 mil leigos de 90 países.

 

Através de vídeo conferência, Bento XVI sublinhou, na Eucaristia de encerramento, presidida pelo Cardeal Tarcísio Bertone, legado pontifício no VI Encontro Mundial das Famílias, que a família deve “poder contar com a devida protecção cultural, jurídica, económica, social, de saúde e, muito particularmente, com um apoio que, tendo em conta o número dos filhos e os recursos económicos disponíveis, seja suficiente para permitir a liberdade de educação e de escolha da escola”.

Segundo Bento XVI, o tema deste VI Encontro Mundial das Famílias, «A família formadora dos valores humanos e cristãos», vem recordar que o ambiente doméstico é uma escola de humanidade e de vida cristã para todos os seus membros, com consequências positivas para as pessoas, para a Igreja e para a sociedade”.

A família é o local “chamado a viver e cultivar o amor, o respeito e a justiça, a lealdade e a colaboração, o serviço e a disponibilidade para com os outros, especialmente com os mais débeis”, afirmou o Papa, acrescentando ser esta a “célula vital da sociedade”, muitas vezes “o último amparo às pessoas”. Bento XVI pediu, por isto, uma “cultura e uma política da família”, que as próprias famílias, organizadas em associações, hão-de impulsionar.

 

Legislação familiar

 

A legislação foi uma das áreas reflectidas no Encontro Mundial. O Cardeal Javier Errázuriz, arcebispo de Santiago do Chile, lamentou que os governos latino-americanos não pensem na família quando legislam, nem “tenham nos seus Ministérios e Secretarias de Estado uma área destinada a estudar os impactos sobre a família de determinadas leis”.

O Cardeal Tarcísio Bertone afirmou que a humanidade é fundada na diferença sexual. “Na comunhão de vida que é o matrimónio, a diferença sexual entre o homem e a mulher e o chamamento ao amor que Deus colocou nos seus corações, encontram a própria razão de ser”. O Cardeal sublinhou ainda que “agir pelo bem da família, nascida do matrimónio entre um homem e uma mulher, significa lutar pelo bem do ser humano e da sociedade”.

 

O relativismo

 

O Cardeal Ennio Antonelli, presidente do Conselho Pontifico para a Família, afirmou que a família é a escola “mais eficaz da humanidade e da vida cristã. Transmite os valores humanos e cristãos segundo o seu modo próprio e peculiar. Baseia-se no exemplo e no testemunho, na experiência e no exercício quotidiano”.

O Cardeal italiano lembrou também que a missão formadora da família encontra hoje gravíssimas dificuldades devido à difusão do relativismo.

Os jovens são influenciados pela comunicação social e “as gerações formam os seus critérios a partir do que é difundido pelos meios de comunicação”, visto que estes impõem as suas regras.

O VII Encontro Mundial de Famílias, em 2012, será em Milão (Itália) e vai centrar-se no tema «A família, o trabalho e a festa».

 

 

LEVANTADA A EXCOMUNHÃO

AOS BISPOS LEFEBVRIANOS

 

No sábado dia 24 de Janeiro passado foi divulgado o comunicado da Santa Sé, com o qual se anuncia que Bento XVI acolheu o pedido de retirar a excomunhão dos quatro bispos ordenados em 1988 pelo arcebispo Marcel Lefebvre.

 

“O Santo Padre, depois de um processo de diálogo entre a Sé Apostólica e a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, representada por seu Superior Geral, S. E. Mons. Bernard Fellay, acolheu o pedido formulado novamente por este Prelado, com uma carta de 15 de Dezembro de 2008, em nome também dos outros três Bispos da Fraternidade, S. E. Mons. Bernard Tissier de Mallerais, S. E. Mons. Richard Williamson e S. E. Mons. Alfonso de Galarreta, de retirar a excomunhão em que haviam incorrido há vinte anos.

“Com efeito, devido às consagrações episcopais de 30 de Junho de 1988 realizadas por S. E. Mons. Marcel Lefebvre, sem mandato pontifício, os quatro bispos mencionados haviam incorrido em excomunhão latae sententiae, declarada formalmente pela Congregação para os Bispos, em 1 de Julho de 1988.

“S. E. Mons. Bernard Fellay, na mencionada carta, manifestava claramente ao Santo Padre que «estamos sempre firmemente determinados na vontade de permanecer católicos e de empregar todas as nossas forças ao serviço da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Igreja católica romana. Nós aceitamos os seus ensinamentos com ânimo filial. Nós cremos firmemente no Primado de Pedro e nas suas prerrogativas e, por isso, faz-nos sofrer tanto a actual situação».

“Sua Santidade Bento XVI, que seguiu desde o início este processo, tentou sempre buscar a maneira de reparar a fractura com a Fraternidade, inclusive recebendo pessoalmente S. E. Mons. Bernard Fellay, em 29 de Agosto de 2005. Naquela ocasião, o Sumo Pontífice manifestou a vontade de proceder gradualmente e em tempo razoável nesse caminho, e agora, benignamente, com solicitude pastoral e paternal misericórdia, mediante um Decreto da Congregação para os Bispos de 21 de Janeiro desde ano, levanta a excomunhão que pesava sobre os mencionados prelados.

“O Santo Padre, nesta decisão, inspirou-se no desejo de que se alcance o mais rapidamente possível a completa reconciliação e a plena comunhão”.

 

Decreto da Congregação para os Bispos

 

“Com a carta de 15 de Dezembro de 2008 enviada a Sua Eminência o Cardeal Darío Castrillón Hoyos, Presidente da Comissão Pontifícia Ecclesia Dei, Mons. Bernard Fellay, em seu nome e no dos outros três Bispos consagrados em 30 de Junho de 1988, voltava a solicitar a remoção da excomunhão latae sententiae formalmente declarada por Decreto do Prefeito desta Congregação para os Bispos com data de 1 de Julho de 1988.

“Na mencionada carta, Mons. Fellay afirma entre outras coisas: «Estamos sempre firmemente determinados na vontade de permanecer católicos e de empregar todas as nossas forças ao serviço da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Igreja católica romana. Nós aceitamos os seus ensinamentos com ânimo filial. Nós cremos firmemente no Primado de Pedro e nas suas prerrogativas e, por isso, faz-nos sofrer tanto a actual situação».

“Sua Santidade Bento XVI – paternalmente sensível ao mal-estar espiritual manifestado pelos interessados devido à sanção de excomunhão, e confiando no compromisso expressado por eles na citada carta de não poupar esforço algum para aprofundar nas necessárias conversações com as Autoridades da Santa Sé nas questões ainda abertas, e poder assim chegar rapidamente a uma plena e satisfatória solução do problema existente em um princípio – decidiu reconsiderar a situação canónica dos Bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta surgida com a sua ordenação episcopal.

“Com este acto deseja-se consolidar as relações recíprocas de confiança e intensificar e tornar mais estáveis as relações da Fraternidade São Pio X com esta Sé Apostólica. Este dom de paz, no final das celebrações natalícias, quer ser também um sinal para promover a unidade na caridade da Igreja universal e chegar a remover o escândalo da divisão.

“Deseja-se que este passo seja seguido pela solícita realização da plena comunhão com a Igreja de toda a Fraternidade São Pio X, testemunhando assim a verdadeira fidelidade e o verdadeiro reconhecimento do Magistério e da autoridade do Papa, com a prova da unidade visível.

“Com base nas faculdades que me foram expressamente concedidas pelo Santo Padre Bento XVI, em virtude do presente Decreto, levanto aos Bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta a pena de excomunhão latae sententiae declarada por esta Congregação em 1 de Julho de 1988, e declaro desprovido de efeitos jurídicos a partir do dia de hoje o Decreto àquele tempo publicado.

“Roma, Congregação para os Bispos, 21 de Janeiro de 2009”.

 

Cardeal Giovanni Battista Re

Prefeito da Congregação para os Bispos

 

Comunicado da Fraternidade São Pio X

 

Publicamos a seguir o comunicado que o Superior geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, Mons. Bernard Fellay, emitiu em resposta ao Decreto da Congregação para os Bispos.

“A excomunhão dos bispos consagrados por S. E. Mons. Marcel Lefebvre em 30 de Junho de 1988, que tinha sido declarada pela Congregação para os Bispos por um decreto de 1 de Julho de 1988 e que nós sempre contestámos, foi levantada por outro decreto da mesma Congregação de 21 de Janeiro de 2009, por mandato do Papa Bento XVI.

“Expressamos a nossa gratidão filial ao Santo Padre por este acto que, para além da Fraternidade São Pio X, representará um bem para toda a Igreja. A Nossa Fraternidade deseja poder ajudar sempre mais o Papa a dar remédio à crise sem precedentes que actualmente comove o mundo católico e que o Papa João Paulo II definiu como uma situação de «apostasia silenciosa».

“Além de expressar o nosso reconhecimento ao Santo Padre e a todos aqueles que o ajudaram a realizar este acto corajoso, congratulamo-nos pelo facto de que o decreto de 21 de Janeiro preveja como necessário “conversações” com a Santa Sede, conversações que permitirão à Fraternidade Sacerdotal São Pio X expor as razões doutrinais de fundo que ela considera estar na origem dos actuais problemas da Igreja.

“Nesta nova situação, temos firme esperança de chegar em breve ao reconhecimento dos direitos da Tradição católica.

Menzingen, 24 de Janeiro de 2009

†  Bernard Fellay

 

 

NOVO PATRIARCA ORTODOXO

DA RÚSSIA

 

Bento XVI manifestou a sua alegria pela eleição do metropolita Kirill como novo Patriarca ortodoxo de Moscovo e de todas as Rússias.

 

O metropolita Kirill foi eleito no passado dia 28 de Janeiro Patriarca da Igreja Ortodoxa russa, com 508 votos dos 711 membros do concílio plenário (bispos, sacerdotes, monges e leigos) reunido em Moscovo.

Kirill tornou-se o primeiro patriarca da Igreja Ortodoxa russa a ser eleito desde o fim da União Soviética, em 1991. Até aqui responsável pelas relações com o exterior dos ortodoxos russos, o metropolita de Kaliningrado e de Smolensk, de 62 anos, sucede a Alexis II, que faleceu em 5 de Dezembro passado.

A Igreja Ortodoxa russa tem 165 milhões de fiéis.

Numa mensagem de felicitações, o Papa assegura a sua proximidade espiritual a Kirill e reafirma “o compromisso da Igreja Católica na colaboração com a Igreja Ortodoxa russa para um testemunho cada vez mais claro da verdade da mensagem cristã e dos valores que podem acompanhar o mundo de hoje ao longo do caminho da paz, da justiça e do cuidado amoroso pelos marginalizados”.

“Possa o Omnipotente abençoar os vossos esforços para manter a comunhão entre as Igrejas ortodoxas e procurar a plenitude da comunhão que é o objectivo da colaboração e do diálogo católico-ortodoxo”, acrescentou.

Kirill já se encontrou com Bento XVI logo após a eleição pontifícia, em 2005, e posteriormente em Maio de 2006 e Dezembro de 2007, no âmbito das suas funções como responsável pelas relações exteriores do Patriarcado de Moscovo. A sua eleição abre boas perspectivas em relação a uma viagem do Papa à Rússia, o que constituiria um momento inédito na história das duas Igrejas.

 

 

GALILEU E O ANO INTERNACIONAL

DA ASTRONOMIA

 

A Santa Sé apresentou no passado dia 29 de Janeiro o seu programa de iniciativas para assinalar o Ano Internacional da Astronomia, em 2009, entre as quais o Congresso Internacional sobre Galileu Galilei, que decorrerá em Florença de 26 a 30 de Maio próximo.

 

Numa nota oficial, a Santa Sé explica que este ano representa uma importante ocasião de aprofundamento e diálogo, pelo que diversos organismos da Cúria Romana irão promover “manifestações, iniciativas e projectos que têm como objecto a astronomia e a figura de Galileu”.

Segundo o comunicado, “os tempos estão maduros para uma nova consideração sobre a figura de Galileu e todo o seu caso”, lembrando que já o Concílio Vaticano II tinha feito referência ao mesmo, defendendo a legítima autonomia da ciência, e que João Paulo II instituiu em 1981 uma Comissão para reexaminar a fundo o “Caso Galileu”, que veio a reconhecer os erros dos juízes.

“Podemos olhar finalmente para a figura de Galileu e reconhecer o crente que tentou, no contexto do seu tempo, conciliar os resultados das suas investigações científicas com os conteúdos da fé cristã. Por isso, Galileu merece todo o nosso apreço e gratidão”.

Neste momento decorre um projecto de redacção integral das cartas do processo de Galileu, a cargo do Arquivo Secreto do Vaticano, que deverá estar concluído antes do final deste ano. O arcebispo Gianfranco Ravasi, Presidente do Conselho Pontifício da Cultura, disse por diversas vezes nos últimos meses que o processo da Inquisição contra Galileu foi concluído efectivamente com uma sentença de condenação, que nunca foi assinada pelo Papa e sobre a qual houve um grave desacordo entre os Cardeais.

No 400.º aniversário das primeiras descobertas astronómicas, a Santa Sé lembra que “Galileu foi o primeiro homem que apontou um telescópio para o céu, experimentando uma sensação nova do maravilhoso”.

“A Igreja deseja, por isso, honrar a figura de Galileu, genial inovador e filho da Igreja”, assinala a nota oficial.

O documento afirma que “existe um estreito vínculo entre a contemplação do céu estrelado e a religião”, dado que “em quase todas as culturas e civilizações, a observação do céu está impregnada de um sentido profundamente religioso”.

“Também a Bíblia conserva traços dessa sabedoria antiga, que sublinha a força criadora de Deus, desde as primeiras páginas do Génesis à adoração dos Magos, passando pela aventura pessoal de Abraão, que via nas estrelas do céu o penhor seguro da promessa divina”, acrescenta.

O Congresso Internacional de Florença é promovido pelo Conselho Pontifício da Cultura, pela Academia Pontifícia das Ciências e pelo Observatório Astronómico Vaticano, e o tema será “Galileu Galilei: Uma nova leitura histórica, filosófica e teológica”.

 


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