S. João Baptista

Missa da Vigília

23 de Junho de 2008

 

Solenidade

 

Esta Missa diz-se na tarde do dia 23 de Junho, antes ou depois das Vésperas I da solenidade.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Deus vive na sua morada santa, F. dos Santos, NRMS 38

Lc 1, 15.14

Antífona de entrada: Será grande aos olhos do Senhor e cheio do Espírito Santo desde o seio materno. Muitos se hão-de alegrar pelo seu nascimento.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A liturgia dá o tom da grandeza de S. João Baptista. No Prefácio da Missa recordamos o elogio feito por Jesus acerca do seu Precursor: «o maior entre os filhos nascidos de mulher!»

Celebramos com alegria a vigília da Solenidade em honra de S. João Baptista, aquele que baptizou o autor do Baptismo, o profeta que mostrou o Cordeiro de Deus, o mártir que derramou o seu sangue pela Verdade!

 

Oração colecta: Conduzi, Senhor, a vossa família pelo caminho da salvação, para que, fiel aos ensinamentos do Precursor, São João Baptista, possa ir confiadamente ao encontro de Cristo, por ele anunciado. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Esta página bíblica narra a vocação de Jeremias, mas a liturgia aplica-a a S. João Baptista que também «foi consagrado desde o seio de sua mãe para ser profeta entre as nações»!

 

Jeremias 1, 4-10

4No tempo de Josias, rei de Judá, o Senhor dirigiu-me a palavra, dizendo: 5«Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi antes que saísses do seio de tua mãe, Eu te consagrei e te constituí profeta entre as nações». 6Então eu disse: «Ah, Senhor Deus, mas eu não sei falar, porque sou uma criança». 7O Senhor respondeu-me: «Não digas: ‘Sou uma criança’, porque irás ao encontro daqueles a quem Eu te enviar e dirás tudo quanto Eu te mandar dizer. 8Não tenhas receio diante deles, porque Eu estou contigo, para te salvar – diz o Senhor». 9Depois o Senhor estendeu a mão, tocou-me na boca e disse-me: «Eu ponho as minhas palavras na tua boca. 10Hoje dou-te poder sobre os povos e os reinos, para arrancar e destruir, para arruinar e demolir, para edificar e plantar».

 

Não é casual a escolha desta leitura que relata a vocação do Profeta Jeremias. Foi escolhida pela alusão que se quer ver à santificação de João no ventre materno: «antes que saísses do seio da tua mãe, Eu te consagrei» (cf. Lc 1, 44).

6 «Mas eu não sei falar». É a reacção habitual do homem, quando se enfrenta com a vocação divina, a chamada a uma missão que exige a entrega de toda a vida a Deus para O servir numa missão que transcende a nossa limitação e franqueza. Mas a uma primeira reacção de medo segue-se uma certeza, segurança e serenidade que Deus infunde: «Eu estarei contigo!» (v. 8).

 

Salmo Responsorial    Sl 70 (71), 1-2. 3-4a.5-6ab.15ab e 17 (R. cf. 6b)

 

Monição: Este salmo traduz a alegria do homem crente que confia na salvação divina. Deus é um refúgio seguro, uma fortaleza onde se pode abrigar. Por isso exclama, «desde o nascimento Vós me sustentais, desde o seio materno sois o meu protector!»

 

Refrão:         Desde que nasci Vós me sustentais.

 

Em Vós, Senhor, me refugio:

jamais serei confundido.

Pela Vossa justiça defendei-me e salvai-me;

prestai ouvidos e libertai-me.

 

Sede para mim um abrigo seguro,

e fortaleza da minha salvação.

Vós sois a minha defesa e o meu refúgio.

Meu Deus, salvai-me do pecador.

 

Sois Vós, Senhor, a minha esperança,

a minha confiança desde a juventude.

Desde o nascimento Vós me sustentais,

desde o seio materno sois o meu protector.

 

A minha boca proclamará a Vossa justiça,

dia após dia a Vossa salvação.

Desde a juventude, ó Deus, Vós me ensinastes,

e até hoje sempre anunciei os Vossos prodígios.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Pedro afirma que os profetas anunciaram o mistério do Messias. Contudo, foi S. João Baptista o único que teve o privilégio de apresentar Jesus aos homens.

 

1 São Pedro 1, 8-12

Caríssimos: 8Vós amais Cristo Jesus sem O terdes visto, acreditais n’Ele sem O verdes ainda. Isto é para vós fonte de uma alegria inefável e gloriosa, 9porque conseguis o fim da vossa fé: a salvação das vossas almas. 10Esta salvação foi objecto das investigações e meditações dos Profetas que predisseram a graça a vós destinada. 11Procuraram descobrir a que tempos e circunstâncias se referia o Espírito de Cristo que estava neles, quando predizia os sofrimentos de Cristo e as glórias que se lhes haviam de seguir. 12Foi-lhes revelado que não era para eles, mas para vós, que no seu ministério transmitiam essa mensagem. É essa mensagem que agora vos anunciam aqueles que, movidos pelo Espírito Santo enviado do Céu, vos pregam o Evangelho, a qual os próprios Anjos desejam contemplar.

 

8-9 «Vós amais Cristo Jesus... acreditais nele...» Estes cristãos da Ásia Menor a quem S. Pedro se dirige, como também nós, já não conheceram Jesus na sua vida mortal, mas exactamente como nós hoje e os cristãos de todos os tempos acreditavam em Jesus Cristo e amavam apaixonadamente a sua pessoa adorável como alguém que está vivo e actuante, enchendo-nos daquela alegria inefável que procede de sabermos que a nossa fé vai desembocar na visão da glória, o fim da nossa fé, a salvação das nossas almas.

10 «Os profetas», mais provavelmente os do Antigo Testamento.

12 Os Anjos, ao tomarem conhecimento do plano de salvação da humanidade, extasiam-se a contemplá-lo com atenção na vida da igreja (cf. Ef 3, 10).

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Jo 1 , 7 ; Lc 1, 1 7

 

Monição: O anúncio do nascimento de João Baptista prepara o anúncio do nascimento de Jesus, não só de uma forma extraordinária, mas divina. Muitas semelhanças, mas uma diferença profunda: Face à mensagem do Anjo, Zacarias tem dificuldade em acreditar. Maria, também questiona, mas oferece a sua generosa colaboração.

 

Aleluia

 

Cântico: S. Marques, NRMS 73-74

 

Ele veio para dar testemunho da luz

e preparar o povo para a vinda do Senhor.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 5-17

5Nos dias de Herodes, rei da Judeia, vivia um sacerdote chamado Zacarias, da classe de Abias, cuja esposa era descendente de Aarão e se chamava Isabel. 6Eram ambos justos aos olhos de Deus e cumpriam irrepreensivelmente todos os mandamentos e leis do Senhor. 7Não tinham filhos, porque Isabel era estéril e os dois eram de idade avançada. 8Quando Zacarias exercia as funções sacerdotais diante de Deus, no turno da sua classe, 9coube-lhe em sorte, segundo o costume sacerdotal, entrar no Santuário do Senhor para oferecer o incenso. 10Toda a assembleia do povo, durante a oblação do incenso, estava cá fora em oração. 11Apareceu-lhe então o Anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso. 12Ao vê-lo, Zacarias ficou perturbado e encheu-se de temor. 13Mas o Anjo disse-lhe: «Não temas, Zacarias, porque a tua súplica foi atendida. Isabel, tua esposa, dar-te-á um filho, ao qual porás o nome de João. 14Será para ti motivo de grande alegria e muitos hão-de alegrar-se com o seu nascimento, 15porque será grande aos olhos do Senhor. Não beberá vinho nem bebida alcoólica será cheio do Espírito Santo desde o seio materno 16e reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. 17Irá à frente do Senhor, com o espírito e o poder de Elias, para fazer voltar os corações dos pais a seus filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, a fim de preparar um povo para o Senhor».

 

A leitura corresponde ao início do chamado Evangelho da Infância de Lucas. O teólogo genial que é S. Lucas, não prescinde do seu génio de historiador e começa por situar na História o acontecimento: «Nos dias de Herodes, rei da Judeia» (v. 5). «Zacarias», era um nome corrente entre judeus, que significa «Yahwéh recordou-se «. Isabel, Elixabet, era o nome da mulher de Aarão (Êx 6, 23) e significa «Deus é a plenitude», ou «Deus jurou». Zacarias pertencia à turma de Abias, isto é, ao oitavo turno semanal ao serviço do Templo (cf. 1 Par 24, 10). Segundo conta o historiador Flávio José, os 24 turnos semanais estavam em pleno funcionamento nesta data.

6 «Ambos justos aos olhos de Deus». A sua santidade não era meramente externa e legal. Justo equivale a fiel cumpridor de toda a vontade de Deus, pessoa que ajusta todo o seu pensar e actuar à lei do Senhor. Então, como hoje, é de pais justos e santos que procedem os grandes homens, os grandes santos.

9-10 «Para oferecer o incenso». Um sacrifício que se repetia duas vezes ao dia e às 3 horas da tarde. O sacerdote eleito desta vez foi Zacarias, talvez a única vez na vida que lhe coube tamanha honra, segundo as instruções de Mixná. Então pôde penetrar no Santuário, na primeira câmara chamada «o Santo», onde se encontravam os 12 pães da proposição que representavam as 12 tribos de Israel na presença do Senhor, bem como o candelabro de 7 braços, a menoráh. Zacarias, totalmente só e no máximo recolhimento, ao sinal da trombeta, tinha de deitar incenso sobre as brasas que estavam sobre o pequeno altar de oiro, enquanto o povo espalhado pelos átrios, o dos israelitas e o das mulheres, fazia subir as suas preces até Deus: a nuvem do fumo do incenso que se erguia do altar dos perfumes era a imagem bem expressiva da oração, segundo as palavras do Salmo 141(140), 2. A afluência dos fiéis costumava ser grande, a fim de rezar neste preciso momento, sobretudo na oferenda da tarde.

14-17 «Terás alegria…» Logo a seguir são apontados os motivos de tamanha alegria: a grandeza e santidade excepcionais do filho (v. 15), cheio de Espírito Santo (santificado no ventre materno, segundo a exegese habitual, ou dotado do carisma profético); será instrumento para a salvação de muitos (v. 16); preparará a vinda do Messias (v. 17). É interessante notar como o Evangelista, apesar de saber que João preparou a vinda de Jesus, o Messias, não instrumentaliza um relato que se move num ambiente e perspectiva «pré-cristã» e numa linguagem vétero-testamentária; é mais um indício da fidelidade de Lucas às suas fontes (aqui talvez um relato de família, conservado em círculos afectos ao Baptista). É por isso que não diz: «irá à frente do Messias» (como seria de esperar), mas «irá à frente de Yahwéh».

 

Sugestões para a homilia

 

 (Ver Missa do Dia)

 

 

Oração Universal

 

(Ver Missa do Dia)

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Bendito seja Deus, Az. Oliveira, NRMS 48

 

Oração sobre as oblatas: Olhai com bondade, Senhor, para as ofertas que o vosso povo Vos apresenta na solenidade de São João Baptista e fazei que a nossa vida dê testemunho dos santos mistérios que celebramos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

São João Baptista dá-nos um exemplo de grande humildade: É preciso que Jesus cresça e eu diminua!

Com Nossa Senhora peçamos esta virtude para todos os cristãos, porque Deus enche de bens os humildes.

 

Cântico da Comunhão: Bendito seja Deus que nos escolheu, Az. Oliveira, NRMS 63

Lc 1, 16

Antífona da comunhão: Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, que visitou e redimiu o seu povo.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes neste banquete sagrado, fazei que a poderosa intercessão de São João Baptista, que anunciou o Cordeiro que vinha tirar o pecado do mundo, nos alcance do vosso Filho o perdão e a paz. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Esta Missa pode utilizar-se também como votiva.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

João Baptista antes de se apresentar a Israel para anunciar a Boa Nova, viveu no deserto, preparando-se pela oração, pela penitência. Anunciar a salvação implica testemunho pessoal de conversão. Imitemos S. João Baptista.

 

Cântico final: Vós me salvastes, Senhor, M. Simões, NRMS 16

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:    José Roque

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Sugestão Musical:         Duarte Nuno Rocha

 

 


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