10º Domingo Comum

8 de Junho de 2008

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Senhor é a força do seu povo, F. da Silva, NRMS 106

Salmo 26, 1-2

Antífona de entrada: O Senhor é minha luz e salvação: a quem temerei? O Senhor é protector da minha vida: de quem hei-de ter medo?

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Hoje é um dia diferente. É o dia do Senhor. Por isso deixámos trabalhos e canseiras para participarmos na Eucaristia Dominical. Não estamos sós. Somos uma comunidade em união com os crentes do mundo inteiro.

 

Oração colecta: Deus, fonte de todo o bem, ensinai-nos com a vossa inspiração a pensar o que é recto e ajudai-nos com a vossa providência a pô-lo em prática. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O nosso amor não pode ser como o nevoeiro ou o orvalho que se dissipam ao longo do dia. O nosso Amor a Deus é para sempre...

 

Oseias 6, 3-6

3Procuremos conhecer o Senhor. A sua vinda é certa como a aurora. Virá a nós como aguaceiro de Outono, como a chuva da Primavera sobre a face da terra. 4«Que farei por ti Efraim? Que farei por ti Judá?» – diz o Senhor «O vosso amor é como o nevoeiro da manhã, como o orvalho da madrugada que logo se evapora. 5Por isso vos castiguei por meio dos Profetas e vos matei com palavras da minha boca; e o meu direito resplandece como a luz. 6Porque Eu quero a misericórdia e não os sacrifícios, o conhecimento de Deus, mais que os holocaustos».

 

O texto da leitura é tirado da 2ª parte do livro do profeta Oseias (4, 1 – 11, 11), em que aparecem agrupados uma série de exortações e oráculos a denunciar os pecados de Israel. «Efraim e Judá» são os nomes das duas principais tribos de Israel com que se costumam designar, especialmente nos escritos proféticos, os dois reinos, o do Norte e o do Sul.

4-6 Neste texto, Oseias, profeta do reino do Norte durante a conturbada época que precedeu, no século 8º a. C., a queda de Samaria e o fim deste reino (721), censura o povo que se volta para o Senhor só durante «a sua aflição» (v. 3b), não sendo constante o seu amor, pois é «como a nuvem matinal, como o orvalho que em breve se dissipa». Também a sua piedade é superficial e ritualista, quando o que Deus pretende é o coração do homem: o «amor» (piedade filial) e o «conhecimento de Deus» (em especial, o reconhecimento dos seus benefícios). O texto foi escolhido em função do Evangelho, que cita o v. 6.

 

Salmo Responsorial    Sl 49 (50), 1.8.12-13.14-15 (R. 23b)

 

Monição: Na vida são-nos apontados muitos e variados caminhos. Procuremos escolher o caminho recto e receberemos a graça da salvação.

 

Refrão:         A quem segue o caminho recto

                      darei a salvação de Deus.

 

Ou:                A quem procede rectamente

                      farei ver a salvação de Deus.

 

Falou o Senhor, Deus soberano,

e convocou a terra, do Oriente ao Ocidente:

«Não é pelos sacrifícios que Eu te repreendo:

os teus holocaustos estão sempre na minha presença.

 

Se tivesse fome, não to diria,

porque meu é o mundo e tudo o que nele existe.

Comerei porventura as carnes dos touros

ou beberei o sangue dos cabritos?

 

Oferece a Deus sacrifícios de louvor

e cumpre os votos feitos ao Altíssimo.

Invoca-Me no dia da tribulação:

Eu te livrarei e tu Me darás glória».

 

Segunda Leitura

 

Monição: Abraão, pela fidelidade a Deus, continua hoje a ser um exemplo para todos nós. Avivemos a nossa Fé no Senhor.

 

Romanos 4, 18-25

Irmãos: 18Contra toda a esperança, Abraão acreditou que havia de tornar-se pai de muitas nações, como tinha sido anunciado: «Assim será a tua descendência». 19Sem vacilar na fé, não tomou em consideração nem a falta de vigor do seu corpo, pois tinha quase cem anos, nem a falta de vitalidade do seio materno de Sara. 20Perante a promessa de Deus, não se deixou abalar pela desconfiança, antes se fortaleceu na fé, dando glória a Deus, 21plenamente convencido de que Deus era capaz de cumprir o que tinha prometido. 22Por este motivo é que isto «lhe foi atribuído à conta de justiça». 23Não é só por causa dele que está escrito «isto foi-lhe atribuído», 24mas também por causa de nós, que acreditamos n'Aquele que ressuscitou dos mortos, Jesus, Nosso Senhor, 25que foi entregue à morte por causa das nossas faltas e ressuscitou para nossa justificação.

 

S. Paulo, para documentar que o homem se torna justo, não pelas práticas da lei judaica, mas pela fé, apela para a fé de Abraão na palavra de Deus, insistindo em que foi esta que o tornou grato a Deus (v. 22).

19-20 «Sem vacilar na fé… Não hesitou». São Paulo interpreta as palavras e o riso de Abraão de que se fala em Gn 17, não como uma expressão de dúvida, mas de admiração perante o poder divino que transcendia a incapacidade humana, de um modo tão extraordinário; «e deu glória a Deus». O acto de fé, que pressupõe o sujeitar da razão e da vontade a Deus, sendo assim uma homenagem a Deus, à sua veracidade, sabedoria e poder. Por isso não pode haver fé sem humildade, sem que o homem se ponha no seu lugar de criatura e de dependência de Deus.

21-22 A atitude de fé de Abraão foi-lhe creditada na conta de justiça: «foi-lhe atribuída como justiça». «E isto foi escrito… também por nossa causa»: é que nós não somos justificados por observâncias legais (da Lei de Moisés), mas sim pela fé em Deus, a qual é idêntica à de Abraão não só pela atitude interior que pressupõe, como também se assemelha à dele quanto ao seu objecto; com efeito, ele acreditou que Deus lhe faria suscitar um filho, a ele já morto para a geração; e nós cremos que Deus fez ressuscitar a Jesus, morto pelos nossos pecados. (Note-se esta maneira paulina de argumentar, tipicamente rabínica, um pouco estranha para o nosso modo ocidental de discorrer e raciocinar: basta-lhe algum tipo de semelhança para ter força o seu argumento).

 

Aclamação ao Evangelho

 

Monição: Jesus foi ao encontro de Mateus que acolheu o chamamento do Mestre. Hoje o Senhor continua a chamar-nos... Sigamo-l’O e nada mais nos faltará.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação- 2, F da Silva, NRMS 50-51

 

O Senhor enviou-me a anunciar o evangelho aos pobres

e a liberdade aos oprimidos.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 9, 9-13

Naquele tempo, 9Jesus ia a passar, quando viu um homem chamado Mateus, sentado no posto de cobrança dos impostos, e disse-lhe: «Segue-Me». Ele levantou-se e seguiu Jesus. 10Um dia em que Jesus estava à mesa em casa de Mateus, muitos publicanos e pecadores vieram sentar-se com ele e os seus discípulos. 11Vendo isto, os fariseus diziam aos discípulos: «Por que motivo é que o vosso Mestre come com os publicanos e os pecadores?» 12Jesus ouviu-os e respondeu: «Não são os que têm saúde que precisam de médico mas sim os doentes. 13Ide aprender o que significa: 'Prefiro a misericórdia ao sacrifício'. Porque Eu não vim chamar os justos mas os pecadores».

 

São Marcos e São Lucas também contam este mesmo episódio (Mc 2, 13-17: Lc 5, 27-32); não dão, porém, à personagem o nome de Mateus, mas sim o de Levi. É provável que Marcos e Lucas usem outro nome da mesma pessoa para evitar que o nome de um Apóstolo fique ligado a um passado tão infamante. De facto, nas listas que dão dos Doze, ambos lhe põem o nome de Mateus, e não o de Levi. «Publicano» era sinónimo de pecador, pois geralmente extorquiam somas acima do que tinha que se pagar, para proveito próprio; também eram detestados por serem colaboradores da dominação romana. S. Mateus usa aqui do seu nome mais conhecido, apresentando-se como publicano, não só por humildade, mas também para que se veja que um passado de pecado e miséria não é obstáculo à conversão e a seguir de perto a Cristo. Assim, ninguém tem que se escandalizar nunca, como os fariseus (v. 11) – um escândalo farisaico – por um pecador se converter, pois todos somos pecadores e capazes das maiores baixezas, se Deus nos retira a sua graça.

13 «Eu quero misericórdia e não sacrifício». É uma frase que temos na 1ª leitura de hoje. Não significa propriamente que Deus não queira os sacrifícios que Lhe são oferecidos com amor e sinceridade. É uma espécie de hipérbole, ao jeito semítico, um modo radical de se exprimir, que se poderia traduzir na nossa linguagem do seguinte modo: «antes quero a misericórdia do que o sacrifício».

 

Sugestões para a homilia

 

Precisamos de encontrar o Senhor

Sem Deus não somos felizes

Com Maria tornemos o mundo melhor

Precisamos de encontrar o Senhor

«Procuremos conhecer o Senhor» (1.ª Leitura). Se O conhecermos de verdade nunca O perderemos. Até nas manhãs de nevoeiro ou nos dias de tempestade saberemos esperá-l’O com muita confiança pois acreditamos que não nos abandona.

Nós é que por vezes O substituimos por coisas que, na hora da tentação, parecem belas como o fogo de artifício. Findo este, continua a escuridão...

Deixemo-nos iluminar pela Luz de Deus. Não permitamos que se apague pelo pecado. Tornemo-la mais brilhante pela prática da virtude.

Como Abraão (2.ª Leitura) sigamos o caminho que o Senhor nos indica e teremos o que o nosso coração ardentemente deseja.

Sem Deus não somos felizes

Mas o mundo hoje apresenta-nos outros caminhos. E são uma verdadeira sedução...

Há pessoas que desejam ter tudo. O que faz falta e o supérfluo... Para isso é preciso haver dinheiro. E a riqueza pode ser conseguida honestamente ou através da corrupção... Alcançada a riqueza, não encontram a felicidade.

Há pessoas que querem libertar-se de tudo e de todos. Para serem livres. Não há normas a praticar. Não há deveres a cumprir. Não há Mandamentos a observar... Em vez da liberdade começam a ser escravas da moda, do prazer, do vício, do pecado e por isso não encontram a felicidade.

Há pessoas que vão à procura da fama. São capazes de tudo para receberem aplausos, para aparecerem nos jornais, nas revistas ou na televisão... Mas daí a pouco tempo são esquecidas para darem lugar a outras e, decepcionadas, não encontram a felicidade.

Há pessoas que se julgam superiores às outras. Não precisam de ninguém porque têm tudo... Um dia irão precisar dos outros para serem levadas ao cemitério. Aí acabam todas as vaidades do mundo. Que pena não terem sabido encontrar a felicidade!...

Com Maria tornemos o mundo melhor

O Senhor chama-nos como outrora a Mateus (Evangelho). Amemo-l’O como Ele nos ama. Com o Senhor vamos ao encontro dos irmãos que Ele quer salvar. Para lhes dizer, com a Palavra e o exemplo, que quem cumprir a Sua vontade não precisa de mais nada para ser feliz.

Já chega de guerras, raptos, roubos, assassínios, suicídios, invejas, ciúmes, terrorismo, fanatismo, morte, ódio...

Esta era de terror que desde o passado continua a invadir o presente, tem de dar lugar a um novo mundo. Não desanimemos!

Peçamos ajuda à Virgem Maria. Ela quer, com Seu divino Filho, salvar o mundo. No século XIX (1858) veio a Lourdes. No século XX (1917) veio a Fátima. Agora, neste século XXI, vem ao encontro de cada um de nós.

Que nos pede a Mãe do Céu?! Pede-nos para irmos com Ela ao encontro da criança maltratada, do jovem desiludido, da mãe que não é amada, do pai cansado do trabalho para sustentar os filhos, do velhinho que não quer ser colocado à margem pois continua a ser útil aos outros...

A Mãe de Deus e nossa Mãe traz-nos uma mensagem de Paz e Esperança que a todos dará de novo a alegria de viver.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos a Deus Omnipotente

e imploremos a Sua misericórdia,

dizendo confiadamente:

Escutai, Senhor, a nossa oração.

 

1.    Pelo Papa, pelos Bispos, sacerdotes, religiosos e leigos

para que, através da união íntima com Jesus Cristo,

dêem testemunho da Igreja una, santa, católica e apostólica,

oremos, irmãos.

 

2.    Pelos povos que sofrem a tragédia da guerra,

vivendo no terror e no medo

para que possam em breve viver em paz,

obtendo a segurança e a esperança perdidas,

oremos, irmãos.

 

3.    Pelos doentes e por todos os que sofrem

para que sintam a presença amiga de todos nós

e contribuam com a bênção de Deus

para a salvação da humanidade,

oremos, irmãos.

 

4.    Pelos pecadores e por todos os que ofendem o Senhor

para que se arrependam dos seus pecados, pedindo-Lhe perdão

que lhes dará novamente a felicidade e a alegria,

oremos, irmãos.

 

5.    Pelos que viveram antes de nós e já faleceram

sobretudo os nossos familiares e amigos

para que, pela misericórdia de Deus ,

alcancem a bem-aventurança eterna,

oremos, irmãos.

 

6.  Por intercessão da Virgem Santa Maria

para que esteja sempre connosco

a fim de que nunca nos esqueçamos da missão

que temos de cumprir no mundo,

oremos, irmãos.

 

Senhor nosso Deus e nosso Pai,

dignai-vos atender estas súplicas

e, porque só quereis o nosso bem,

concedei-nos o que for melhor para nós.

Por N. S. J. C. Vosso Filho que é Deus Convosco

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: No meio da minha vida, F. da Silva, NRMS 1 (I)

 

Oração sobre as oblatas: Olhai com bondade, Senhor, para os dons que apresentamos ao vosso altar e fazei que esta oblação Vos seja agradável e aumente em nós a caridade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: J. dos Santos, 99-100

 

Monição da Comunhão

 

Abraão seguiu o caminho que Deus lhe indicou. Mateus recebeu o Senhor em sua casa. Se estamos devidamente preparados também nós O podemos receber agora em nosso coração. Aproveitemos estes momentos abençoados para falar com Ele, escutando-O.

 

Cântico da Comunhão: Deus é Amor, M. Luis, Cânticos de Entrada e Comunhão II, pág. 54

Salmo 17, 3

Antífona da comunhão: Sois o meu protector e o meu refúgio, Senhor; sois o meu libertador; meu Deus, em Vós confio.

 

Ou

1 Jo 4, 16

Deus é amor. Quem permanece no amor permanece em Deus e Deus permanece nele.

 

Cântico de acção de graças: Cantarei ao Senhor pelo bem, F. da Silva, NRMS 98

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos pedimos, Senhor, que a acção santificadora deste sacramento nos liberte das más inclinações e nos conduza a uma vida santa. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos partir daqui confiantes pois o Senhor está connosco para nos abençoar em casa, na família, na sociedade, no trabalho, no descanso, sempre e em toda a parte. Na próxima semana voltaremos para Lhe agradecer.

 

Cântico final: Eu quero viver na Tua alegria, H. Faria, NRMS 11-12

 

 

Homilia Ferial

 

10ª SEMANA

 

2ª Feira, 9-VI: Deus não falta às suas promessas.

1 Reis 17, 1-6 / Mt 5, 1-12

Felizes os pobres… Felizes os que choram…Alegrai-vos, pois é grande nos Céus a vossa recompensa.

As bem-aventuranças são promessas que mantêm a esperança no meio das tribulações. Anunciam as bênçãos de Deus e recompensas que se hão-de receber. E já foram experimentadas na vida de Nossa Senhora e de todos os santos (cf. CIC, 1717). E que também nós desejamos experimentar.

O profeta Elias recebeu igualmente da parte de Deus uma promessa de que não ficaria sem alimento (cf. Leit). Bastou-lhe para isso cumprir a vontade do Senhor.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:    Aurélio Araújo Ribeiro

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilia Ferial:   Nuno Romão

Sugestão Musical:         Duarte Nuno Rocha

 


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