O Tempo Comum

 

«A santa mãe Igreja considera seu dever celebrar, em determinados dias do ano, a memória sagrada da obra de salvação do seu divino Esposo. Em cada semana, no dia a que chamou domingo, celebra a da Ressurreição do Senhor, como a celebra também uma vez no ano na Páscoa, a maior das solenidades, unida à memória da sua Paixão.» (Concílio Ecuménico Vaticano II, Const. Sobre a Sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium, nº 102).

 

Na verdade, a Igreja distribui todo o mistério de Cristo pelo ano, da Incarnação e Nascimento à Ascensão, ao Pentecostes, à expectativa da feliz esperança e da vinda do Senhor.

Com esta recordação dos mistérios da Redenção, a Igreja oferece aos fiéis as riquezas das obras e merecimentos do seu Senhor, a ponto de os tornar como que presentes a todo o tempo, para que os fiéis, em contacto com eles, se encham de graça.

Nunca será demasiado sublinhar que, ao celebrarmos um mistério na Liturgia, vencemos a distância do tempo e do espaço, de tal modo que participamos verdadeiramente nesse acontecimento salvífico, participando das suas graças. Não se trata, pois, de uma simples comemoração ou evocação.

Há, pois, na vida litúrgica da Igreja, à semelhança do que acontece numa família, festas com importância de diversos graus, e há, com predomínio, o tempo comum.

Naquelas saímos do ritmo habitual e tranquilo, da boa rotina de cada dia; neste, vivemos um período do Ano litúrgico de trinta e três ou trinta e quatro semanas nas quais celebramos, na sua globalidade, os Mistérios de Cristo. Comemora-se o próprio Mistério de Cristo na sua plenitude, principalmente aos domingos.

Tempo Comum e "tempos fortes"

Não se podem contrapor os chamados "tempos fortes" ao Tempo Comum, como se este tempo fosse um tempo fraco, inferior, ou de menor importância. É como que o tecido concreto da vida normal do cristão, fora das festas, e pode ver-se nele a comemoração da presença de Cristo na vida quotidiana e nos momentos simples da vida dos cristãos.

Duas fontes são importantes para a espiritualidade cristã e força do Tempo Comum: Os Domingos e os tempos fortes. O Tempo Comum pode ser vivido como prolongamento do respectivo tempo forte. Vejamos: a primeira parte do Tempo Comum, iniciada após a Epifania e o Baptismo de Jesus, constitui tempo de crescimento da vida nascida no Natal e manifestada na Epifania.

Esta vida para crescer e manifestar-se em plenitude e produzir frutos, necessita da acção do Espírito Santo que age no Baptismo do Senhor. A partir daqui Jesus começa a exercer seu poder messiânico. Também a Igreja: fecundada pelo Espírito ela produz frutos de boas obras.

A composição dos anos em "A", centrado em Mateus; "B", centrado em Marcos; "C", centrado em Lucas, com inserções de João presente nos diversos ciclos especiais, ajuda enormemente a magnitude do Tempo Comum;

No Tempo Comum temos algo semelhante ao recomeçar por volta do 9º Domingo, imediatamente depois de Pentecostes: a vida renasce na Páscoa e desenvolve-se através do Tempo Comum, depois de fecundado pelo Espírito em Pentecostes. A força do Mistério Pascal é vivida pela Igreja através dos Domingos durante o ano que amadurece os frutos de boas obras, preparando a vinda do Senhor.

O Tempo Comum é o período mais extenso do ano litúrgico: 33 - 34 semanas distribuídas entre a festa do Baptismo de Jesus até o começo da Quaresma e as outras semanas entre a segunda-feira depois de Pentecostes e o início do Advento

O calendário do tempo comum

Começa logo após a festa do Baptismo do Senhor e interrompe-se na terça-feira antes da Quarta-feira de Cinzas, para recomeçar depois, na segunda-feira após Pentecostes e ir até o sábado antes do primeiro domingo do Advento.

 

A cor litúrgica deste tempo é a verde. É um tempo em que não se comemora nada de especial. Quando viajamos, a cor verde domina a paisagem: nos campos, na folhas das plantas. E mesmo quando há flores, a cor verde lá se encontra misturada, a lembrar-nos que a esperança, que a cor verde simboliza, deve de acompanhar-nos em toda a caminhada.

A esperança vive-se tendo em nossos planos a meta para onde nos dirigimos e a confiança de a alcançar. Faz parte desta esperança procurar orientação e alimento enquanto caminhamos, para que realizemos o nosso desejo. Acolhemos atentamente a Palavra de Deus e participamos nos Sacramentos.

Nesse período do Tempo Comum, após o Natal, o clima é de alegria e esperança, pois Cristo anunciou o seu reino de amor. A Igreja apresenta-nos Cristo na sua missão global, Deus e homem verdadeiro, convidando-nos para uma vida de santidade.

O Domingo

«A santa mãe Igreja considera seu dever celebrar, em determinados dias do ano, a memória sagrada da obra de salvação do seu divino Esposo. Em cada semana, no dia a que chamou domingo, celebra a da Ressurreição do Senhor, como a celebra também uma vez no ano na Páscoa, a maior das solenidades, unida à memória da sua Paixão.» (Const. Sacrosanctum Concilium, nº 102).

 

Ela Distribui todo o mistério de Cristo pelo correr do ano, da Incarnação e Nascimento à Ascensão, ao Pentecostes, à expectativa da feliz esperança e da vinda do Senhor.

Com esta recordação dos mistérios da Redenção, a Igreja oferece aos fiéis as riquezas das obras e merecimentos do seu Senhor, a ponto de os tornar como que presentes a todo o tempo, para que os fiéis, em contacto com eles, se encham de graça.

 

Este tempo existe não para celebrar algum aspecto particular do mistério de Cristo mas para celebrá-lo em sua globalidade, especialmente em cada Domingo (cf. NALC 43: Normas gerais sobre o Ano litúrgico e o Calendário); durante este tempo se aprofunda e se assimila o mistério de Cristo que se insere na vida do povo de Deus para torná-la plenamente pascal.

O elemento principal e mais forte do Tempo Comum é o Domingo, que surgiu antes mesmo da celebração anual da Páscoa. Era o único elemento celebrativo no correr do ano: a grande celebração semanal do Mistério Pascal de Cristo. É, pois, um tempo marcadamente caracterizado pelo Domingo, quer pela teologia, quer pela espiritualidade.

Os meses temáticos do Ano Litúrgico não fazem parte do calendário e nunca as suas celebrações se sobrepõem às que estão contidas no Domingo.

Os meses Vocacional, da Bíblia, das Missões, a Campanha da Fraternidade e outras comemorações ajudam na madura adaptação e criatividade nas celebrações mas nunca são superiores à mística da liturgia dominical.

Todo o ano litúrgico gira em torno de um único mistério: a morte e ressurreição de Jesus em sua plenitidade.  No tempo comum, como nos demais tempos litúrgicos, damos continuidade à celebração desse mistério de Cristo. Em cada domingo, fazemos memória dos relatos da vida pública de Jesus. Celebrando diferentes acontecimentos narrados na Sagradas Escrituras, vamos nos aproximando mais e mais do mistério de amor de Deus pela humanidade.

Tendo como ponto de referência a Páscoa, cada domingo é o fundamento e o núcleo do próprio ano litúrgico (SC 106).  Até porque de acordo com o testemunho das Escrituras, a assembleia cristã de culto acontece no primeiro dia da semana (1 Cor 16,2; At 20,7).

 

«Por tradição apostólica, que nasceu do próprio dia da Ressurreição de Cristo, a Igreja celebra o mistério pascal todos os oito dias, no dia que bem se denomina dia do Senhor ou domingo. Neste dia devem os fiéis reunir-se para participarem na Eucaristia e ouvirem a palavra de Deus, e assim recordarem a Paixão, Ressurreição e glória do Senhor Jesus e darem graças a Deus que os «regenerou para uma esperança viva pela Ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos» (1 Pedr. 1,3). O domingo é, pois, o principal dia de festa a propor e inculcar no espírito dos fiéis; seja também o dia da alegria e do repouso. Não deve ser sacrificado a outras celebrações que não sejam de máxima importância, porque o domingo é o fundamento e o centro de todo o ano litúrgico.» (Const. Sacrosanctum Concilium, nº 102).

 

Falar do tempo comum, é, na verdade, ressaltar cada domingo como memorial da ressurreição.  Reunindo-se no primeiro dia da semana para celebrar o Mistério Pascal, a comunidade expressa a essência da sua fé e a certeza de sua esperança.  Por isso, o domingo é dia de festa primordial que deve ser lembrado e inculcado à piedade dos fiéis (SC 106).

Actualizando o mistério, a comunidade celebra sua própria ressurreição na vida nova que o Senhor lhe comunica, através da Palavra e do Sacramento do Sacrifício do seu corpo e Sangue.  O primeiro dia da semana é também o oitavo (Sc 106) porque antecipa o último, a ressurreição definitiva, colocando-nos na tensão para o futuro do Reino e do retorno do Senhor.

A celebração das festas de Nossa Senhora

«Na celebração deste ciclo anual dos mistérios de Cristo, a santa Igreja venera com especial amor, porque indissoluvelmente unida à obra de salvação do seu Filho, a Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, em quem vê e exalta o mais excelso fruto da Redenção, em quem contempla, qual imagem puríssima, o que ela, toda ela, com alegria deseja e espera ser.» (Const. Sacrosanctum Concilium, nº 103).

Num ritmo que nos lembra a presença maternal de Maria na caminhada do tempo comum, o calendário litúrgico vai celebrando os grandes acontecimentos da sua vida. Não vem para aqui descrever como cada uma destas celebrações entrou na liturgia, mas sublinhar a missão importante que elas têm: Maria vai connosco a caminho, como a melhor das mães, para nos animar, dialogar connosco, ajudar nas dificuldades e encher de alegria e generosidade os nossos passos vacilantes.

Maria revela o mistério de Cristo e da Igreja de maneira forte e eficaz. Seu culto não é algo paralelo e independente; está integrado ao Mistério Pascal; em Maria a Igreja vive o mistério de Cristo.

A celebração das festas dos santos

«A Igreja inseriu também no ciclo anual a memória dos Mártires e outros Santos, os quais, tendo pela graça multiforme de Deus atingido a perfeição e alcançado a salvação eterna, cantam hoje a Deus no céu o louvor perfeito e intercedem por nós. Ao celebrar o «dies natalis» (dia da morte) dos Santos, proclama o mistério pascal realizado na paixão e glorificação deles com Cristo, propõe aos fiéis os seus exemplos, que conduzem os homens ao Pai por Cristo, e implora pelos seus méritos as bênçãos de Deus.» (Const. Sacrosanctum Concilium, nº 104).

Durante o Ano Litúrgico o culto de Nossa Senhora e dos Santos é integrado na Liturgia, enriquecendo a participação dos fiéis. É claro que toda acção litúrgica é dirigida ao Pai, por Cristo, que é o centro. É sempre o Mistério Pascal que se conta e evidencia. Deus fez maravilhas através dos Santos e de Maria que depois do Senhor ocupa um especial lugar na vida da Igreja e em seu culto.

Cada celebração deve ter como centro a Santa Missa, possivelmente mais solenizada, partindo da Palavra de Deus para ajudar os fiéis a compreenderem que neles celebramos o triunfo de Cristo ressuscitado, sendo animados a imitá-los.

Dentro destes parâmetros se deve desenrolar toda a alegria cristã das nossas festas, de tal modo que nos aproximem de Cristo. A alegria só tem sentido quando se manifesta como haurida desta Fonte inesgotável.

Realizar festas pagãs sob a capa do nome de um santo não faz sentido.

É necessária uma acção esclarecida e corajosa dos fiéis para inverterem um movimento que via destruindo a verdadeiro sentido das festas dos santos. Os primeiros cristãos foram capazes de cristianizar muitas das festas pagãs. Hoje devemos conservar este património e dá-lo a conhecer.

Com um pouco de imaginação e generosidade, muitas iniciativas podem ser tomadas para fazer frente a esta onda avassaladora de paganismo. Podemos e devemos perguntar: os jovens das nossas comunidades paroquiais (Corpo Nacional de Escutas e outras associações juvenis), que são capazes de organizar uma festa de campo, serão capazes também de organizar e executar um programa que, sem deixar de ser alegre divertimento, se integrem perfeitamente na vivência das festas dos santos?  

O Canto Litúrgico no Tempo Comum

«Dentro do Ano Litúrgico, o Tempo Comum ocupa grande parte dos domingos e semanas. São 34 domingos do Tempo Comum. Quando falamos em “comum” não significa que não tenha importância. No Tempo Comum celebramos outros aspectos da vida e da missão de Cristo e seus discípulos. Cada domingo do Tempo Comum celebra-se a Páscoa semanal dos cristãos. Neste tempo celebramos algumas festas importantes: Apresentação do Senhor. Santíssima Trindade; Corpus Christi; Sagrado Coração de Jesus; a Transfiguração; Exaltação da Santa Cruz, Finados, Todos os Santos e outras festas em honra a Nossa Senhora e aos santos, etc. Os cantos litúrgicos no Tempo Comum vão nos ajudar a vivenciar a totalidade do Mistério de Cristo.

Para que não cometamos erros, é necessário observar algumas regras.

1. Os cantos devem expressar a realidade celebrada – o Mistério. Este mistério se desdobra nas passagens da Sagrada Escritura ao longo do Ano Litúrgico. 2. Dar atenção a função ritual de cada canto em seus momentos específicos. 3. Ser fiel as características próprias do tempo litúrgico e da festa celebrada.

Vale lembrar a orientação dos Documentos da Igreja. Não é por que o tempo é “comum” que posso colocar qualquer canto na liturgia. Ele deve estar em sintonia com o que celebramos. Ele é parte integrante da liturgia. Está a serviço da acção ritual. Não cabe aqui cantos que possam levar ao subjetivismo, ao intimismo religioso. Celebrar é sempre uma acção comunitária, nunca individual. É conveniente registrar uma palavrinha a respeito dos meses temáticos. Em alguns meses do ano a Igreja nos convida a reflectirmos sobre um determinado tema. Temos assim o Mês de Maria; o Mês Vocacional; o Mês Missionário, etc. Isto não significa que os cantos devam necessariamente tratar destes temas. Lembre, os cantos devem aludir ao Mistério celebrado. Deste modo, no mês de Maria não se deve cantar cantos de Nossa Senhora, ou missas completas. O importante é cantar o Mistério que a liturgia do dia nos propõe. Por fim, vale lembrar que mesmo celebrando Nossa Senhora e os Santos no decorrer do Ano Litúrgico, sempre se evoca a acção redentora do Senhor Jesus em Maria e nos Santos. É a obra do Senhor que celebramos e cantamos não a pessoa dos santos e de Maria.»(Pe. Cristiano Marmelo Pinto).

 

O Concílio enaltece a contribuição do canto Litúrgico para o enriquecimento duma celebração:

«A tradição musical da Igreja é um tesouro de inestimável valor, que excede todas as outras expressões de arte, sobretudo porque o canto sagrado, intimamente unido com o texto, constitui parte necessária ou integrante da Liturgia solene.

Não cessam de a enaltecer, quer a Sagrada Escritura (42), quer os Santos Padres e os Romanos Pontífices, que ainda recentemente, a começar em S. Pio X, vincaram com mais insistência a função ministerial da música sacra no culto divino.

A música sacra será, por isso, tanto mais santa quanto mais intimamente unida estiver à acção litúrgica, quer como expressão delicada da oração, quer como factor de comunhão, quer como elemento de maior solenidade nas funções sagradas. A Igreja aprova e aceita no culto divino todas as formas autênticas de arte, desde que dotadas das qualidades requeridas.

O sagrado Concílio, fiel às normas e determinações da tradição e disciplina da Igreja, e não perdendo de vista o fim da música sacra, que é a glória de Deus e a santificação dos fiéis, estabelece o seguinte:

A acção litúrgica reveste-se de maior nobreza quando é celebrada de modo solene com canto, com a presença dos ministros sagrados e a participação activa do povo.» (Const. Sacrosanctum Concilium, nº 112 e 113).

Nem sempre é fácil dar corpo a estas recomendações, mas vale a pena tentá-lo gradualmente, para que também o canto se integre no mistério celebrado, em vez de nos distrair dele, como, por vezes, pode acontecer.

Em suma: cada celebração da liturgia tem de ser cuidadosamente preparada, sem improvisações, para que nos ajude nesta caminhada do tempo comum.

Fernando Silva

 

 

 

Homilia FeriaL

 

TEMPO COMUM

 

6ª SEMANA

 

2ª Feira, 12-V: A leitura do sinal da provação.

Tg 1, 1-11 / Mc 8, 11-13

Pediam-lhe um sinal do Céu para o experimentarem. (Jesus) respondeu-lhes: por que pede este geração um sinal?

Embora Jesus se tenha recusado a dar um sinal do Céu aos fariseus, ele serviu-se de muitos sinais: na criação, nas curas, na nova Aliança, etc., porque Ele próprio é o sentido de todos esses sinais (cf. CIC, 1151).

É importante que todos aprendamos a ler os sinais que se nos deparam em cada dia: acontecimentos, pessoas, etc. Um desses sinais é o sinal da provação: «Considerai motivo da maior alegria, meus irmãos, as provações por que tendes passado» (Leit). É um sinal de que Deus nos ama e que nos ajuda acrescer na vida espiritual.

 

 

Nossa Senhora de Fátima

13 de Maio de 2008

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Desde toda a eternidade, M. Carneiro, NRMS 18

cf. Hebr 4, 16

Antífona de entrada: Vamos confiantes ao trono da graça e alcançaremos misericórdia do Senhor. Aleluia.

 

Diz–se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Ao falarmos de Nossa Senhora de Fátima, recordaremos as Aparições de Nossa Senhora à Lúcia, Francisco e Jacinta e a Mensagem que a Senhora nos transmitiu. A Mensagem de Fátima é cada vez mais actual e um dom de Deus de valor extraordinário.

 

Oração colecta: Deus de infinita bondade, que nos destes a Mãe do vosso Filho como nossa Mãe, concedei–nos que, seguindo os seus ensinamentos e com espírito de verdadeira penitência e oração, trabalhemos generosamente pela salvação do mundo e pela dilatação do reino de Cristo. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Nossa Senhora de Fátima é «a nova Jerusalém, que desceu do Céu» e que vem «renovar todas as coisas».

 

Apocalipse 21, 1-5a

1Eu, João, vi um novo céu e uma nova terra, porque o primeiro céu e a primeira terra tinham desaparecido, e o mar já não existia. 2Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do Céu, da presença de Deus, bela como noiva adornada para o seu esposo. 3Do trono ouvi uma voz forte que dizia: «Eis a morada de Deus com os homens. Deus habitará com os homens: eles serão o seu povo e o próprio Deus, no meio deles, será o seu Deus. 4Ele enxugará todas as lágrimas dos seus olhos nunca mais haverá morte, nem luto, nem gemidos, nem dor, porque o mundo antigo desapareceu». 5aDisse então Aquele que estava sentado no trono: «Vou renovar todas as coisas».

 

A leitura corresponde ao início da grandiosa visão final do Apocalipse: uma vez derrotadas todas as forças do mal e própria morte, é o Reino de Deus que aparece em toda a sua plenitude e esplendor. O pano de fundo desta visão é a de Ez 40.

1 «Um novo Céu e uma nova Terra». Designação de todo o Universo novo, isto é, renovado (isto significa o adjectivo grego original). Esta renovação visa, sem dúvida, o aspecto moral: renovação que indica, primariamente, a supressão do pecado. Não parece estar excluída também uma renovação física, sobretudo tendo em conta o que se diz em 2 Pe 3, 10-13 e Rom 8, 19-22. A expressão é tirada de Is 65, 17; 66, 22. O que se passará com o Universo no fim dos tempos, em concreto, continua sendo um mistério (cfr. Gaudium et Spes, n.º 139). De qualquer modo, a renovação de que se fala é de ordem sobrenatural e misteriosa e não aquela que é fruto dum simples processo evolutivo natural.

2 «A nova Jerusalém»: uma imagem da Igreja, a Esposa do Cordeiro (vv. 9-10): a noiva adornada para o Seu esposo. Também S. Paulo chama a Igreja «a Jerusalém lá do alto, que é nossa Mãe» (Gal 4, 26). Também é frequente, na Tradição cristã, inclusive na Liturgia, como sucede no dia 13 de Maio, acomodar esta simbologia a Nossa Senhora, a Esposa do Espírito Santo, Mãe e modelo da Igreja.

 

Salmo responsorial     Jdt 13, 18 bc. 19–20a. 20 cd (23 bc–24a. 25 abc)

 

Monição: Com toda a nossa alma, digamos a Nossa Senhora: «Tu és a honra do nosso povo».

 

Refrão:         Tu és a honra do nosso povo.

 

Ou:                Aleluia.

 

Bendita sejas, minha filha, pelo Deus Altíssimo,

mais do que todas as mulheres da terra;

e bendito seja o Senhor nosso Deus,

criador do céu e da terra.

 

Ele enalteceu de tal forma o teu nome

que nunca mais deixarão os homens

de celebrar os teus louvores

e recordarão eternamente o poder de Deus.

 

Não poupaste a vida

perante a humilhação da nossa raça,

mas evitaste a nossa ruína,

caminhando com rectidão na presença do nosso Deus.

 

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: A Senhora da Mensagem está bem credenciada «porque acreditou na palavra do Senhor».

 

Aleluia

 

Cântico: F da Silva, 73-74

 

Bendita sejais, ó Virgem Maria,

que acreditastes na palavra do Senhor.

 

 

Evangelho

 

São João 19, 25-27

25Naquele tempo, estavam junto à cruz de Jesus sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. 26Ao ver sua Mãe e o discípulo predilecto, Jesus disse a sua Mãe: «Mulher, eis o teu filho». 27Depois disse ao discípulo: «Eis a tua Mãe». E, a partir daquela hora, o discípulo recebeu-a em sua casa.

 

25-27. Repare-se na solenidade deste relato: é uma cena central entre as cinco relatadas por João no Calvário; a Virgem Maria é mencionada 6 vezes em 3 versículos, e há o recurso a uma fórmula solene de revelação («ao ver… disse… eis…»). Isto deixa ver que não se trata dum simples gesto de piedade filial de Jesus para com a sua Mãe a fim de não a deixar ao desamparo – note-se que Jesus começa por Lhe entregar o discípulo! –; o Evangelista atribui-lhe um significado simbólico profundo. Com efeito, chegada a hora de Jesus, é a hora de Ela assumir (cf. Jo 2, 4) o seu papel de nova Eva (cf. Gn 3, 15) na obra redentora. A designação de «Mulher» assume, na boca do Redentor, o novo Adão, o sentido da missão co-redentora de Maria: não é chamada Mãe, mas sim Mulher, como nova Eva, Mãe da nova humanidade, por alusão à «mulher» da profecia messiânica de Gn 3, 15. Por outro lado, Ela é a mulher que simboliza a Igreja (cf. Apoc 12, 1-18), a mãe dos discípulos de Jesus representados no discípulo amado, que «a acolheu como coisa própria». A tradução mais corrente deste inciso (seguida pela tradução litúrgica) é: «recebeu-a em sua casa», mas esta forma de tradução empobrece de modo notável o rico sentido originário da expressão grega «élabon eis tà idía», uma expressão usada mais quatro vezes em S. João, mas nunca neste sentido; com efeito, a expressão tà idía – «as coisas próprias» – significa muito mais do que a própria casa, indica tudo o que é próprio da pessoa, a sua intimidade.

Jesus não aparece a falar às mulheres junto à Cruz que são 4 ou apenas 3 conforme se contam por 2 ou por 1 pessoa a irmã de sua Mãe, Maria, a mulher de Cléofas. S. Mateus fala de muitas mulheres no Calvário, a distância (Mt 27,35-36; cf. Mc 15,40-41; Lc 23,49).

É também de notar que S. João, ao contrário dos restantes Evangelistas, nunca se refere a Nossa Senhora com o nome de Maria; sempre a designa como a Mãe (de Jesus), um indício de ser tratada realmente como mãe; com efeito, ninguém jamais nomeia a própria mãe com o nome dela: para o filho a mãe é simplesmente a mãe!

 

Sugestões para a homilia

 

1. A Missão de Nossa Senhora

Podemos servir-nos do Prefácio da Eucaristia para sintetizar a Missão da Virgem Maria. Nele se diz: «Junto à cruz, aceitou o testamento da caridade divina e recebeu todos os homens como seus filhos, pela morte de Cristo gerados para a vida eterna.

Elevada à glória do Céu, assiste com amor materno a Igreja ainda peregrina sobre a Terra, protegendo misericordiosamente os seus passos a caminho da pátria celeste, enquanto espera a vinda gloriosa do Senhor». O Evangelho de hoje alerta-nos para o facto de que a Virgem Maria é nossa Mãe.

2. Como realizou Nossa Senhora esta missão em Fátima

Vamos transcrever algumas coisas mais relevantes.

Nossa Senhora alerta-nos para verdades da nossa fé em termos muito simples.

Reparemos no primeiro encontro (13/5/1917):

– Donde é Vossemecê, pergunta a Lúcia.

– Sou do Céu, responde a Senhora da Mensagem.

Mas em 13/6/1917 o diálogo é mais curioso.

– Leve-nos para o céu, diz a Lúcia.

«Ao Francisco e à Jacinta levo-os em breve. Tu ficas aqui mais tempo».

O Francisco partiu para o céu em 4/4/1919 e a Jacinta em 20/2/1920.

Portanto, a Senhora fala do céu com toda a naturalidade e cumpre o que prometera aos pastorinhos.

Quanto à Lúcia, sabemos que ficou cá, quase até aos cem anos. Ficou cá muito tempo! Muito mais tempo!

Mas Nossa Senhora também falou do inferno: – «Vistes o inferno para onde vão almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração» (13 de Julho de 1917).

Reparem que nem Deus, nem a Santíssima Virgem querem que alguém vá para o inferno, só vai quem quiser.

Mas, em Fátima, a Mãe de Deus faz também este apelo: – «Quando rezais o terço, dizei depois de cada mistério: Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu, principalmente aquelas que mais precisarem».

Mais: – «Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes, em especial sempre que fizerdes algum sacrifício: Ó Jesus, é por vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria (13 de Julho de 1917).

Em 19 de Agosto de 1917, Nossa Senhora diz: – «Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas».

Permiti que recorde este pedido em 13 de Outubro de 1917: – «Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido».

Em tudo isto se espalha o amor da Santíssima Virgem por todos nós, sobretudo pelos pecadores. Demonstra que é Nossa Mãe.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos: Deus Pai quis que a Virgem Maria fosse honrada por todos os homens.

Com amor filial, digamos: Senhora, Mãe de Deus e Mãe dos homens, rogai por nós.

 

1.  Mãe da Divina Graça,

ajudai-nos a viver sempre na graça de Deus. Oremos

 

2.  Rainha da Família,

afastai de todas as famílias o que as pode prejudicar e destruir, oremos.

 

3.  Rainha da Paz,

libertai-nos de todos os ódios e violência. Oremos.

 

4.  Mãe da Igreja,

dai-nos muitos e santos sacerdotes e leigos empenhados na via apostólica. Oremos.

 

5.  Senhora das Dores,

socorrei todos os doentes e os que vivem a braços com problemas. Oremos.

 

6.  Mãe do Amor Formoso,

ajudai os governantes a viver para amar e não para dominar. Oremos.

 

Senhor, nosso Deus, ajudai-nos a trilhar os caminhos da oração e da penitência,

para entrarmos na morada celeste. Por Nosso Senhor Jesus Cristo que é Deus

Convosco na Unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Louvada seja na terra, F. dos Santos, NRMS 33-34

 

Oração sobre as oblatas: Por este sacrifício de reconciliação e de louvor que Vos oferecemos na festa da Virgem Santa Maria, perdoai benignamente, Senhor, os nossos pecados e orientai os nossos corações no caminho da santidade e da paz. Por Nosso Senhor.

 

PREFÁCIO

 

Maria, imagem e mãe da Igreja

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

v. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai Santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar–Vos graças, sempre e em toda a parte, e exaltar a vossa infinita bondade ao celebrarmos a festa da Virgem Santa Maria.

Recebendo o vosso Verbo em seu Coração Imaculado, ela mereceu concebê-1'O em seu seio virginal e, dando à luz o Criador do universo, preparou o nascimento da Igreja. Junto à cruz, aceitou o testamento da caridade divina e recebeu todos os homens como seus filhos, pela morte de Cristo gerados para a vida eterna. Enquanto esperava, com os Apóstolos, a vinda do Espírito Santo, associando–se às preces dos discípulos, tornou–se modelo admirável da Igreja em oração. Elevada à glória do Céu, assiste com amor materno a Igreja ainda peregrina sobre a terra, protegendo misericordiosamente os seus passos a caminho da pátria celeste, enquanto espera a vinda gloriosa do Senhor. Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: «Da Missa de festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

A devoção a Nossa Senhora levar-nos-á ao amor pela Eucaristia.

 

Cântico da Comunhão: Minha alma exulta de alegria, F. da Silva, NRMS 32

cf. Judite 13, 24–25

Antífona da comunhão: Bendito seja o Senhor, que deu tanta glória ao vosso nome: todas as gerações cantarão os vossos louvores.

 

Ou:

Jo 19, 26–27

Suspenso na cruz, Jesus disse a sua Mãe: Eis o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis a tua Mãe.

 

Cântico de acção de graças: Deixai-me saborear, F. da Silva, 17

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Senhor, que o sacramento que recebemos conduza à vida eterna aqueles que proclamam a Virgem Santa Maria Mãe do vosso Filho e Mãe da Igreja. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Sem Eucaristia, não existe verdadeira devoção à Virgem Maria.

 

Cântico final: Nossa Senhora de Fátima, onde irás, B. Salgado, NRMS 2 (II)

 

 

Homilias Feriais

 

4ª Feira, 14-V: S. Matias: Dar bom testemunho de Cristo.

Act 1, 15-17. 20-26 / Jo 15, 9-17

Receba outra o seu cargo…É pois necessário que um deles se torne connosco testemunha da sua ressurreição.

Para substituir Judas, a condição é que o candidato tenha acompanhado o ministério público de Jesus (cf. Leit). E, assim, foi escolhido Matias. Todos precisamos, em primeiro lugar, conhecer muito bem a vida do Senhor, através da leitura dos Evangelhos, da contemplação dos mistérios do Rosário, etc.

Só depois é que estamos em condições de dar um bom testemunho de Jesus: «Ser testemunha de Jesus é ser testemunha da sua ressurreição (cf. Leit) e ter comido e bebido com Ele depois da sua ressurreição» (CIC, 995).

 

5ª Feira, 15-V: Conhecer bem o Senhor e os seus ensinamentos.

Tg 2, 1-9 / Mc 8, 27-33

Jesus perguntou-lhes: E vós, quem dizeis que eu sou? Pedro tomou a palavra: Tu és o Messias.

Também actualmente muitas pessoas não saberiam responder à pergunta de Jesus (cf. Ev). Muitas teriam uma vaga ideia; outras, ideias deformadas…, mas muito poucas falariam do Jesus Redentor e Salvador da humanidade.

É necessário termos visão sobrenatural para sabermos quem é Jesus e entendermos os seus ensinamentos. Por exemplo, o valor da Cruz, que Pedro não entendeu, por não ter gosto pelas coisas de Deus (cf. Ev). E também, que não olhemos à condição das pessoas (cf. Leit), vendo em todas o próprio Cristo.

 

6ª Feira, 16-V: Características de um bom discípulo de Cristo.

Tg 2, 14-24. 26 / Mc 8, 8, 34-39

Se alguém quiser seguir-me, renegue-se a si mesmo, pegue na sua cruz e siga-me.

Para sermos bons discípulos de Cristo, podemos, em primeiro lugar, pegar na nossa pequena cruz de cada dia (cf. Ev) e aceitá-la com muito amor e muita alegria. É suficiente descobri-la nos pequenos acontecimentos diários.

E, depois, vivermos de acordo com a nossa fé. É muito difícil estarmos unidos fielmente a Cristo, aceitando a sua palavra e as nossas obras não serem coerentes com a fé. «A fé sem obras está pura e simplesmente morta» (Leit). Procuremos guardá-la, viver dela, dar dela testemunho e propagá-la.

 

Sábado, 17-V: A luz da fé.

Tg 3, 1-10 / Mc 9, 2-13

(Jesus) transfigurou-se diante deles: as vestes tornaram-se brilhantes, muitíssimo brancas.

Esta passagem é como um ícone da contemplação cristã (João Paulo II). É bom procurarmos a presença de Deus para vermos claramente, com a luz da fé, o significado dos acontecimentos do nosso dia. Deste modo, começaremos a vê-los com os mesmos olhos de Deus.

É bom que eduquemos também a nossa língua, pois é como um veneno que mata. «Com ela, bendizemos o Senhor, nosso Pai e, com ela, amaldiçoamos os homens, que são feitos à imagem de Deus» (Leit).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:    Adriano Teixeira

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilias Feriais:            Nuno Romão

Sugestão Musical:         Duarte Nuno Rocha

 


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